sábado, 24 de agosto de 2013

DOMÍNIO PESSOAL





Transcrição e tradução: Amadeu Duarte


Trata-se de um termo estranho e surpreendente, o do domínio; o próprio som da palavra deixa perceber a comunicação de rectidão, e é uma palavra muito agradável e altissonante. Quando a escutais, ela de facto evoca imagens muito agradáveis, imagens de fases suaves. Quando a ouvimos ela apresenta uma certa lisura, uma certa serenidade, em absoluto. Mas, que significa?


Falamos sobre ele em ocasiões anteriores, ao descambarmos nele por aqui e ali por entre debates subordinados à confiança e ao amor, e aos debates ligados à vossa espiritualidade e ao centro do vosso Ser, e da importância de estabelecerem domínio e de exercerem domínio, dissemos para de deixarem de exercer autoridade, controlar, que é um termo muito pomposo e desagradável que por sua vez evoca imagens de eras fortemente explosivas e coisas do género; para deixarem de controlar e passarem a ter domínio, o que soa correcto e agradável e nos deixa respirar um pouco mais fácil.


Mas, uma vez mais, em que consistirá o domínio, e como é que o estabeleceis, e por que devereis preocupar-vos com o facto de parecer agradável? Sugerimos que o Webster constitui uma pequena ajuda neste sentido, e em termos de descortinarem o que quer dizer domínio e o que significa exercer autoridade, por as duas palavras andarem de mãos dadas, e uma excluir a outra e vice-versa. Quando procurais no Webster a palavra domínio, a primeira definição que encontrais é a de posse, que claro está, aprendeis desde muito cedo a jamais utilizar a palavra para definir a própria palavra, no entanto, o Webster foi proposto com uma certa longevidade e capacidade de o fazer. Mas quando procurais pelo termo domínio, ou posse, que por sorte acontece estar indexado no mesmo termo, obrigando desse modo a um esforço muito pequeno, (riso) estabelece um paralelo com a propriedade completa. Por conseguinte, o termo domínio está igualmente ligado a uma autoridade suprema, pelo que a palavra começa a ter o significado, em particular quando buscais o sinónimo de domínio, de poder.


Portanto, domínio tem que ver com posse total, e desse modo domínio pessoal, propriedade completa de vós próprios, domínio da vossa realidade, propriedade completa da vossa realidade – começa a fazer um pouco de sentido, mas ainda assim, um tanto vago e distante, em absoluto. Posse de uma autoridade suprema – não autoridade superior, mas uma autoridade suprema sobre vós próprios, na vossa realidade; uma vez mais, começa a fazer um pouco de sentido, só que ainda um tanto nebuloso, na melhor das hipóteses.

E o termo poder, enquanto sinónimo, de facto soa encorajador quanto ao significado do termo, sem sombra de dúvida. Quando de igual modo buscais o termo dominar que também acontece estar indexado na mesma página do dicionário, obtendes um significado completamente diferente, um significado que se prende com o governar, controlar, ocupar uma posição elevada ou superior – não suprema mas superior. E a definição de dominar nada tem que ver, não faz qualquer menção à palavra poder – que curiosamente se procurarem verão como uma reestruturação curiosa, por muitas vezes as pessoas pensarem automaticamente em termos de dominação e de poder como sendo de algum modo sinónimos, quando na verdade não são. Mas o Webster não vos apresenta muito sobre a natureza do sentido que o termo comporta, a sensação que o acompanha, o que quer efectivamente dizer, de que forma se aplica e a forma como utilizais a dominação, ou o domínio. Mas não tem muita importância por o dicionário não constituir um livro destinado a transmitir sensações – sois vós quem transmite sensações. Sois vós quem dá sentido e vida a esses conceitos particulares e ao que permanece por detrás deles. Sois quem cria a sensação gerada em torno do termo, e desse modo a aplicação dos conceitos na vossa realidade.


O termo domínio sabe bem, por ter havido um período, entendem, no vosso passado colectivo, assim como no vosso passado colectivo, em termos microcósmicos e microcósmicos, em que conhecestes o domínio, muito embora por essa altura nem sequer conseguísseis pronunciar a palavra, de modo que quando simplesmente escutais a pronúncia do termo ou pensais nele na imprecisão e na conceptualização enublada que evoca, ainda que errada, defrontais-vos numa certa lembrança, numa certa recordação impessoal e celular de tudo o que envolve o domínio. Possuíste-o certa vez, há muitas vidas atrás, e possuíste-o certa vez nesta vida. E perdeste-o; perdeste-o, e desististes dele. Mas por intermédio do acto de o verdes arrancado de vós, e pelo acto de voluntariamente o entregardes ou de o sacrificastes, nos termos da opção de definistes no sentido de desistirdes do domínio, tanto no colectivo das vossas vidas como desta vida pessoal. E desististes dele, e perdeste-lo para a dominação, para o controlo. Tanto como pessoas como colectivamente optastes por dominar – ou tentar tal coisa – e por desistir de qualquer sentido de domínio.


Agora, a razão por que o tereis escolhido e onde o tereis escolhido e tudo isso ireis descobrindo, mas torna-se importante compreender que desististes dele. A dominação é muito semelhante ao chauvinismo – de que falamos no passado quando dissemos para perguntarem a alguém se terão superado o chauvinismo de que padeciam, quer fosse homem ou mulher, e se a resposta fosse um: “Eu não sei, ainda não dei por isso,” então, não terão superado. Por o chauvinismo ser algo que vós originais e tornais parte de vós. E até que activa e conscientemente rebentem com ele, rompam com ele, o ultrapassem, seja o termo que for que queiram utilizar com o intuito de representar o significado – até que façam isso conscientemente serão chauvinistas. Não se trata de nada que eviteis, nem nada que caia fora a meio da noite, nem coisa alguma que simplesmente se evapore sem que o noteis; precisais consciente e activamente tomar essa decisão; e o mesmo se passa com o controlo.


“Não penso ser uma pessoa dominadora; de facto tendo a crer mais no contrário, ao tentar mostrar às pessoas, a grandes expensas da minha realidade pessoal. Eu sou exactamente o contrário do tipo de pessoa dominadora; eu sou dominado! Eu sou completamente uma vítima e um mártir, e um fracasso total nesta realidade. Eu dediquei-me à comprovação repetida disso mesmo! Como poderia eu ser uma pessoa dominadora?”


O que sugerimos é que de igual modo, que a menos que activa e conscientemente perseguirdes a vossa dominação, e romperdes ou rebentardes com ela ou a suplantardes, sereis uma pessoa dominadora, e agireis com base no controlo. Podereis fazer um péssimo trabalho com isso, mas ainda agireis com base nesse controlo. De modo que, se indagardes: “Pelos céus, tereis eu algum problema ligado ao controlo?” Se não tiverdes reconhecido conscientemente que tendes e conscientemente tratado de transmutar essa energia, então a resposta à vossa indagação será um “Sim” definitivo, mil vezes sim, tendes problemas com a dominação!


E em resultado, não tendes qualquer esperança real de domínio. Porque a dominação elimina o potencial, e claramente, portanto, o facto do domínio. Mas o contrário é verdadeiro, conforme é quase sempre o caso, que se vos estabelecerdes e colocardes activa e conscientemente numa situação de domínio, não estareis a dominar – por o domínio eliminar a dominação. Elas não podem coexistir.


É interessante, mas é mais do que isso. É de uma importância vital, é de uma importância íntegra para o vosso crescimento espiritual, para a caminhada que fazeis no sentido da descoberta da vossa espiritualidade. É parte integrante do vosso futuro, nesta e em vidas subsequentes que opteis por explorar. Compreender e estabelecer domínio, não representa um desses benefícios extras da espiritualidade; não é uma daquelas justificações: “Bem, quando tiver tempo, eu faço isso.” Não é uma dessas coisas extracurricular, mas coisa que é vital para vós enquanto seres espirituais, e consciências evoluídas; para vós – e todos – que querem viver num mundo que possais desfrutar. Quer seja ou não espiritual, quer a metafísica signifique alguma coisa para vós ou não, quer tenham tomado o caminho errado e entrado neste compartimento muito por acidente. O domínio é de importância crítica para a vossa felicidade, de importância crítica para o vosso futuro, nesta vida. É de importância crítica para os próximos doze anos do vosso mundo físico.


Agora; isso não quer dizer que se não estabelecerem domínio, como um todo, ou individualmente, o vosso mundo venha a acabar. Mas quer dizer que o mundo que ireis experimentar nos próximos doze anos, será severa e adversamente afectado, caso volteis as vossas costas ao domínio. E que será, pelo contrário, e felizmente, afectado de uma forma tremendamente positiva se abraçardes e trabalhardes e operardes com base numa situação de domínio. A conversa desta tarde constitui um marco de referência no vosso crescimento (embora o folheto não anunciasse tal coisa). E o que mencionamos sobre isto nesta tarde, o que tem início hoje quais sementes que, se não mais fizerem do que levá-los a pensar um pouco mais, sentir um pouco mais e um pouco mais profundamente, dará início ao que, nos muitos meses por vir e durante a maior parte de 1995, representará uma mudança muito importante na consciência, uma mudança muito importante nos pontos de vista, uma mudança muito importante sobre a ilusão da realidade física, conforme a criais.


Iremos fazer referência, directa e indirectamente a este 28 de Outubro em inúmeras tardes de Domingo e em inúmeros fins-de-semana ainda por vir. E assim, se vos permitirdes tratar e sentir do que vamos referir, e começardes a compreender que o domínio não é simplesmente um pequeno “extra suculento que venha no prato” que possais apreciar, mas que é muito crítico em relação ao que já tiverdes demonstrado e àquilo com que vos tiverdes comprometido, e que os demais que não demonstraram nem se comprometeram com isso, necessitam igualmente conscientizar-se. É integrante, e equiparamos essa qualidade a quatro aspectos básicos: a tornar-vos numa pessoa amorosa. Se quiserdes ser amorosos, e colher os benefícios dessa participação activa na vossa realidade de uma forma amorosa, se quiserem ser amados e receber os benefícios dessa função na vossa realidade, torna-se muito importante que abdiqueis as tentativas que empreendeis no sentido de dominar – que renuncieis à dominação – dois aspectos: às tentativas e ao facto. À dominação que exerceis. Por não serem muitos, os que de vós estão totalmente equipados para a dominação; contudo, todos obterem êxito na dominação por inúmeras formas. E muitos se debaterem e outros tratam fortemente no sentido de o tornar numa dominação completa, enquanto o negam o tempo todo, por o termo ser palavra feia, mas tentam-no mesmo assim, e infelizmente obterem sucesso, em determinadas áreas.


Para serem uma pessoa amoroso e se deixarem envolver por essa função amorosa, como podereis governar e controlar, e colocar-vos numa posição de engrandecimento superior aos demais? Como podereis estar envolvidos no amor – em que deveis mergulhar, e permanecerem alienados ou separados? As duas posições não são possíveis, e tentá-las a ambas significará esticar-vos a um ponto de loucura e de desintegração, e sem sombra de dúvida de frustração. Parte do que ser uma pessoa amorosa significa é compreender que a humanidade, o género humano, é basicamente amorosa. O que, sugerimos nós, do ponto de vista da dominação, da justificação para continuar a exercer tentativas de dominar, é falso. O conceito básico que justifica e que tolera a dominação é o facto de a humanidade ser destituída de amor, e que basicamente a condição humana ser dotada de maldade, destituída de amor, cobiçosa, autodestrutiva, elitista, e vários outros conceitos bastante negativos. E o próprio facto de tentardes dominar sugere que inerentemente mantenhais que a humanidade não tenha amor mas que vós, enquanto parte dessa humanidade sejais distintos, sejais excepção? Não! A estrutura das vossas crenças na verdade é ilógica, mas não tanto!


Assim, tentar manter, por um lado: “Vou tentar ser amoroso, e deixar que seja amado,” enquanto ao mesmo tempo: “Vou dominar,” é impossível. Algo terá que ceder! E irá ceder! Assim, para serem amorosos precisam de facto abdicar da dominação e abranger o domínio; precisam renunciar à grande promessa, e aceitar a promessa espiritual – a grande promessa e que sempre foi um fracasso, e a promessa espiritual que sempre esteve presente e que sempre foi cumprida. Para vos tornardes numa pessoa amorosa, essa mudança é muito importante.


Em segundo lugar, para serem uma pessoa espiritual, têm que renunciar, sacrificar, o desejo que tendes e à função da dominação factual que praticais. Precisais renunciar a isso. Para olharmos mais atentamente para isso, a espiritualidade é o relacionamento que tendes com Deus, com a Deusa, com o Todo. Para terem uma espiritualidade efectivamente activa e crescente e responsável – e não uma para que se arrastam aos Domingos de manhã durante uma hora, ou às quartas-feiras à noite, se puderem, ou ao Sábado, quando na verdade quereis ser um pouco diferentes – mas precisa ser uma espiritualidade viva e que respire, que seja activa e abranja Deus, a Deusa e o Todo. Agora, a própria função da dominação consiste em governar, controlar; a própria função da dominação consiste em vos alienardes numa tentativa de vos colocardes acima, numa posição elevada e superior. Agora; como poderão fazer isso, e ter um relacionamento vivo e que respire, abrangente, de uma posição elevada para com Deus, a Deusa e o Todo? Quando olhais a coisa nesses termos – que são os termos a partir dos quais realmente podeis olhar a coisa! – torna-se por demais evidente que é impossível. Para vos tornardes unos e fazer parte de, e vos voltardes a unir com algo que pela sua própria natureza se situa abaixo de vós, que se acha separado de vós, e em relação ao que sois superiores, não requer demasiada inteligência nem grande esforço do pensar para compreender com clareza que ambas as atitudes se contrapõem uma à outra, e que não convergirão.

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