domingo, 18 de agosto de 2013

AUTOCOMISERAÇÃO




Já sugerimos ser a essência, já dissemos em várias ocasiões que o núcleo das dificuldades na vossa realidade é a autocomiseração e a presunção; que todo o problema se pode resumir à autocomiseração ou à presunção da vaidade. Mas, el última análise à autocomiseração, pois que coisa compreenderá a presunção da vaidade senão o "Pobre de mim..." Mas mesmo por baixo disso, o núcleo dessa pena de si próprio, nesse particular sentido, o mais das vezes ou frequentemente senão sempre, assenta no medo do: "Eu não consigo amar. Eu sou aquele - toda a gente consegue, só eu não consigo..."

"Porque razão haveriam de manipular senão por acharem não ser dignos ou merecedores, por acharem que não conseguem amar? Porque razão procuram impressionar as pessoas? Por não pensarem conseguir amar. porque razão as pessoas fazem todas as jogadas a que recorrem? Porque dão, desde logo, ouvidos a todos os logros do ego negativo? Por não pensarem realmente conseguir amar, bem fundo e em segredo: "Eu não creio ser capaz de amar. Passa-se algo de errado comigo; eu sou falho. Por isso preciso enterrar isto, negá-lo, defendê-lo, distraí-lo, tenho que fazer todas estas coisas que diz respeito ao negativo, ao destrutivo, ao impeditivo e constritivo que se me coloca no caminho da felicidade, por não achar que na verdade consiga amar."

E depois decidem crescer -- toda a gente o faz em última análise, de uma maneira ou de outra -- e ainda carregam dentro de si o: "Eu não consigo amar. Eu não consigo amar. Não sei como consegui-lo e jamais conseguirei aprender." E por conseguinte entram nesse desenvolvimento e acreditam em tanto desse: "Tu não serves, tu não prestas, tu não consegues nada," por se nutrir desse conflito interior, desse tumulto do "Sou demasiado pequeno para amar."

Já referimos os dois poderes que brotam do amor ,quando mencionamos as duas joias, as duas joias que alguns gostariam de compreender e que outros gostariam de começar a entender, alguns dos quais ainda não se encontram por completo preparados para compreender por completo. Uma dessas joias é a de que existe um Deus, Deusa, Tudo Quanto Existe que os ama e que se importa em especial convosco. Existe uma força que não é electromagnética somente nem gravitacional apenas nem forte nem fraca, uma força que é mais que isso e que constitui não só escolha aleatória, mas que também é escolha afectiva, e vocês são amados por Deus, pela Deusa, pelo Todo. A outra joia é a de que são capazes de amar, e que o estão a fazer muito bem. E o que sugerimos é que alguns poderiam ouvir isso, alguns terão obtido um vislumbre disso; já outros... Por se tratar de um fundo tal que se encontra por baixo de tudo, esse sentimento no âmago que diz: "Eu não sei; de facto talvez não tenha sequer ideia de que não consigo amar." E na verdade despertem, precisam dizer: "Eu sou capaz de amar." Precisam do: "Eu consigo amar."

É um espanto, é uma maravilha magnífica, uma explosão de lux, uma explosão de energia que ocorre com isso. E isso ocorre por meio da combinação que fazemos, nas actividades de fim-de-semana, e domingos, e através dos múltiplos vídeos e cassetes de áudio que se destinam a levar as pessoas a conseguir um vislumbre disso. É uma delícia, nós desfrutamos disso muitas vezes. É isso que nos leva a sair de nós... Aquela interjeição que proferem a pleno folgo, sabem -- Ah-ah!

A linha de fundo da criação da realidade tanto pode ser encarada como auto comiseração ou como presunção, sabem? Qualquer problema, na verdade todos os problemas com que vos defrontais na vossa realidade brotam de uma dessas duas fontes, que inicialmente podem ser difíceis de compreender mas em relação ao que, se vos detiverdes e o olhardes, encarareis não como um problema hipotético mas como um problema real, que vós ou os outros absolutamente terão enfrentado.

E se olhardes isso mais detidamente chegareis à mesma conclusão – de que realmente todo o problema apresenta, na sua base, uma implicação na autocomiseração ou na presunção. E após uma avaliação mais aprofundada acabareis por descobrir mais uma outra coisa: a de que a autocomiseração e a presunção de valor podem ser reduzidas a um simples conceito, por realmente a presunção de valor ser igualmente produzida pela auto comiseração  A presunção torna-se num problema quando vos sentis importante sem que mais ninguém o aprecie, ou para ser mais específico, mais ninguém vos aprecie a vós, o suficiente. Aí tem início a síndrome do: “Eu sou grande, mas ninguém me aprecia; pobre de mim.” E isso tanto pode ser declarado no geral, como ser uma afirmação específica: “Vê como sou fantástico e bem-sucedido; a minha mãe e o meu pai não apreciam isso. Coitado de mim!”

A semente de todos os problemas poderá então ser vista como uma manifestação da autocomiseração. Esta é uma afirmação muito importante: “A semente de todos os problemas poder ser vista como uma manifestação da autocomiseração.” Libertar a autocomiseração torna-se de suprema importância na criação consciente de uma realidade bem-sucedida.

Na vossa sociedade o termo “autocomiseração” tem sido designado como uma palavra feia, e quase tão grave como insultar a herança sexual da mãe. Podeis chegar junto de uma pessoa e dizer-lhe que parece irada e que chega mesmo a parecer hostil, ou repleta de ressentimento, e embora possa não concordar convosco, pelo menos conceder-lhes-á permissão para o dizer. Mas chegai junto da pessoa e dizei-lha que parece estar com pena dela própria e podeis levar um soco no nariz, por realmente constituir um termo de confronto na vossa sociedade.



Por isso muitos dos que lêem isto podem faze-lo apenas como um exercício intelectual destinado a levá-los a melhor compreender e apreciar os problemas dos outros, mas decerto que jamais terão tido ou virão a ter problema algum relacionado com a autocomiseração. Para aqueles que se acham academicamente envolvidos com o crescimento sugeriríamos que pode ser benéfico ler e ver se porventura algo do que sugerimos se vos aplicará directamente, e à vossa experiência particular. Para os outros que lêem e que o fazem talvez com base na recordação de coisas passadas, por realmente costumarem proteger-se com a pena de si próprios, mas não o fazerem mais, terão que o ler da seguinte forma: “Vamos ver, foi no Verão de 79…” Sugeriríamos que aqueles que se encontram nessa posição leiam mais atentamente a ver se porventura não serão só coisas da memória, mas coisas que têm lugar na vossa própria vida exactamente agora, que têm que ver com a área da autocomiseração.


Por na verdade aqueles teóricos que lêem e aqueles de vós que pensam em coisa que já lá vão, na verdade não conseguem ver que têm problemas na sua realidade, e que esses problemas constituem um resultado directo, de um modo ou de outro, uma manifestação de autocomiseração. Há ainda outros que representam um grupo razoável dos que admitem e reconhecem por completo: “Ah, sim, sim, sim. Ah, eu admito estar preso na autocomiseração, ah não, ai de mim!”

Na verdade em psicologia é sugerido que reconhecer um problema representa meia batalha ganha contra o problema, mas nós estamos mais preocupados com a segunda metade - com a libertação desse problema. Assim, podeis admitir que sim, e que a autocomiseração não representa uma palavra feia que podeis empregar sem sedução, e que embora (refira) uma situação positiva, mas que ainda não o fizestes. Assim, vamos muito rapidamente ver quais os componentes da autocomiseração, porque muitas vezes as pessoas nem sequer sabem com que se parece, nem como opera.



A forma mais óbvia da autocomiseração brota sob a forma de vitimização, aquele ar que não ouvimos do nó górdio, da pessoa que está em sofrimento, e contra quem o mundo se pôs, que trava uma batalha inútil e que sente pena de si própria, a chorar e a gemer a um canto. Falamos consideravelmente sobre a vitimização, pelo que talvez não precisemos fazê-lo agora.


A segunda forma mais óbvia é o mártir. O mártir é o sofredor em silêncio, mesmo que seja uma vez vítima de uma audiência a quem se tenha dirigido, o mártir quer uma audiência para quem possa representar. E quando vos sentais junto a uma vítima e lhe perguntais: “Como estás?” Ela vos conta todas as suas histórias de horror. Quando vos sentardes junto a um mártir e lhe perguntardes como está, provavelmente dir-vos-á que está bem, mas antecipará que supostamente lhe resolvais, provavelmente psiquicamente ou de outra forma qualquer, todos os problemas que vislumbra. E se por acaso não o livrardes deles, sereis apenas mais uma roda da engrenagem da razão porque a sua vida é tão infeliz e da razão para se sentir tão desvalorizado. A vítima e o mártir são as mais óbvias; a maioria das pessoas procurará negar ou seja como for, mas essas são as formas mais óbvias da autocomiseração.

Duas outras formas são o que chamamos de acusador e o sofredor. O acusador é a pessoa que, conforme o título deixa subentender, acusa tudo e toda a gente. Mas sugeriríamos entre parêntesis que o acusador sente pena de si mesmo. Se culpardes a criada por ela não vos trazer o café a horas, entre parêntesis estareis a sentir pena de vós próprios: “Pobre de mim, não me serviram o café a tempo e horas.” Se culpardes o patrão ou o IRS ou o governo pelo vosso baixo salário estareis entre parêntesis a sentir pena de vós próprios por estardes a obter tal salário baixo. Assim, muito embora possais não vos parecer a uma vítima nem vos apresentares como um mártir, se andardes a atribuir culpa e encontrardes continuamente uma ampla culpa, podeis estar certos de que isso é uma forma de autocomiseração. O sofredor é outro. Realmente as vítimas e os mártires lutam, sem sombra de dúvida, ou pelo menos assumem a aparência disso. Aquilo de que estamos efectivamente a falar é do sofredor real; ele não sente pena de si próprio como poderá parecer à superfície, nem lamenta o seu destino nem critica, mas esforça-se e tem gosto na luta que trava.

Transcrito e traduzido por A. Duarte

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