quarta-feira, 28 de agosto de 2013

ANSIEDADE

ACERCA DA ANSIEDADE
Desta vez vamos abordar um dos problemas mais insidiosos e invasores e ainda assim um dos problemas mais esquivos que cada um de vós confrontará. Desta vez vamos tratar da teia sufocante da ansiedade. A ansiedade é tão ardilosa por sermos pressionados a defini-la, mas trata-se de um termo de tal forma esquivo na definição de que é alvo e tem faces e aspectos tão diferentes que se torna muito difícil de definir, e assim, em falta de uma definição concisa, muitos optam por a rejeitar:
“Oh, é apenas ansiedade!”
Em falta de uma definição concisa muitos coíbem-se de confrontar ou mesmo de enfrentar o mistério que a ansiedade encerra.
A ansiedade é por demais invasiva por à primeira vista parecer não ser necessariamente mais do que uma dobra na ética do ritmo acelerado da trama da vida, ao ser muitas vezes considerado um produto necessário de um mundo tecnologicamente avançado. À superfície parece não mais que, ou tão inocente quanto qualquer pressa, mas quando se olha mais fundo e se examina pode parecer tão grave e fatal quanto um melanoma. A ansiedade é assim insidiosa por toda a gente, cada um de vós, aqui presente, sentir que apresenta diferentes graus, vários graus, diários, semanais, mensais, ao longo de todo o ano, ao longo da vida em que surge sem aviso. Aparece como um nevoeiro, uma neblina que de repente parece circundar-vos e agarrar-vos, abraçar-coe e por vezes mesmo servir-vos de mortalha para depois desaparecer quase tão misteriosamente como terá vindo. Mas a despeito da frequência com que o faz, é frequentemente ignorada, negada e enterrada, e por isso as qualidades insidiosa, invasora e ilusória que comporta continuam não verificadas.
Mesmo assim, alguns dirão de igual modo:
“Bom, porquê incomodar-nos? Olha, eu tenho vindo a lidar com isso, creio que é algo que tenho tido comigo toda a minha vida. Até agora tenho-me dado bem, não?”
E nesse sentido, outros ainda dirão:
“Sim, eu sei que é um problema, mas eu tenho questões muito mais relevantes do ponto de vista da gravidade e da importância a tratar. Quando os tiver mais ordenados ou mais sob controlo, aí eu virar-me-ei para essa coisa nebulosa chamada ansiedade.”
Quer a maioria decida que a ansiedade deva ser deixada imperturbável, ou adiada para uma data posterior, muitos concluem que será melhor não lidar com a ansiedade, e não o fazer de certeza – agora! Mas o problema da abordagem de tentar manter a abordagem do status quo, do estado actual das coisas, entendem, é que o vosso mundo está a mudar com tal rapidez e de forma tão radical, que aquilo com que costumavam ser capazes de lidar, o que costumavam ser capazes de adiar para uma data posterior tornou-se algo que não mais podem adiar, com que não mais conseguem lidar tão prontamente e com a mesma prontidão com que o faziam no passado. Porque com este mundo rapidamente em mudança como é o vosso, a ansiedade está a sofrer um incremento exponencial.
Exponencial é um termo muito importante, conforme dizem, e seja o que for que traduza, há-de ser algo importante, não é? Em matemática aumenta, dobra, importante; é sério, tudo o que se revelar exponencial deve ser sério, por certo. Mas será importante porventura considerar por um instante o que exponencial significa em termos de uma aplicação efectiva. Digamos que tendes a vosso lagoa, ou lago, hipotético favorito onde gostais de ir para vos afastardes de tudo, e que ouvis dizer que esse vosso lago está a ser coberto por um musgo viscoso de uma erva marinha a uma taxa exponencial de tal forma que em trinta dias todo o lago ficará sufocado por essa erva daninha viscosa. No primeiro dia surgirá alguns pronúncios por aqui ou por ali, sem que causem grande alarme, e no dia seguinte duplicam mas ainda não chega para vos preocupar. Mas no terceiro, quarto e quinto dia aumenta, mas lá pelo vigésimo nono dia apenas metade do lago se acha coberto, e no décimo terceiro dia, todo o lago terá sido engolfado. Isso é o que exponencial significa – duplicar a uma taxa múltipla. E assim, como a ansiedade aumenta a um ritmo exponencial, seja no vosso primeiro ou no vosso quinquagésimo dia, em que a ansiedade constitui apenas metade dos problemas da vossa vida - mas amanhã compreenderá a totalidade deles.
A ansiedade aumenta de uma forma exponencial, e existe um certo número de razões porquê; antes de mais, este é o ano do despertar.
“Bom, isso não passa de um rótulo poético que foi associado a este ano de 1990!”
Não, é verdadeiramente um ano em que toda a gente – que ser encontre envolvido com a metafísica ou não – toda a gente está a despertar um bocadinho ou um pedaço mais, mas está a despertar para o facto de que o futuro vai, quer tornar-se num sonho, num pesadelo, ou numa miríade de factores de mediocridade entre ambos. Ao despertardes, à medida que abris os olhos e os ouvidos e os vossos sentidos apreendem em profundidade esse facto, independentemente de se tratar de um sonho ou de um pesadelo ou de mediocridade, a ansiedade aumenta – por ser factor desconhecido, por não estar traçado (cartografado), por não ter sido experimentada antes.
A ansiedade aumenta à medida que despertais – razão porque muitos preferem continuar a dormir e tantos outros não têm vontade de tratar olhar e sentir um mundo que se encontra em rápida mudança, tão radicalmente diferente em que sonhos e pesadelos e factores de mediocridade também se manifestam mais rapidamente e de uma forma mais insidiosa, ao seu jeito. Do mesmo modo, esta é a década mais importante de toda a humanidade. É uma década de uma mudança monumental. Podereis constatar grande parte disso só nesta metade do primeiro de dez anos. Ocorrerá uma mudança monumental, uma maior mudança e uma mudança mais significativa nestes dez anos do que alguma vez terá ocorrido em qualquer dezena de anos ou mesmo décadas do que alguma vez ocorreu na vossa existência e experiência humana.
O paradigma está a mudar. O paradigma em que o mundo que costumava criar-se a ele próprio no anterior consenso do passado que cria o presente por meio da causa e do efeito, está a sofrer uma alteração em que cada vez mais o vosso mundo virá a ser criado a partir no futuro, onde os efeitos geram causas, e onde o futuro gera o presente. Estais a assistir a isso; estais a ver que os peritos do vosso mundo se mostram confundidos com tudo quanto está a acontecer. Assistis aos vossos peritos a dizer que isso jamais aconteceu antes, que não devia estar a acontecer como está, caso seguisse as normas – mas não está a seguir as normas!
Os padrões consensuais que criavam a partir da icónica causa e efeito, estão a gora a ser substituídos pelo quantum do efeito que está a ser conduzido à causa. Esta década é uma década em que a história chega ao fim – não porque deixe de ser narrada conforme dissemos – mas em que o controle, o domínio que exerce sobre vós e na realidade está a afrouxar, até se soltar. O vosso consenso está a debater-se com a ausência de mapas e de precedentes, com a falta de regras claramente estabelecidas sobre como operar e isso produz ansiedade; isso produz um certo tipo de insanidade; isso produz uma incontrolada e crescente característica invasiva, insidiosa e ilusória.
Além disso, ao vos tornardes mais conscientes da realidade que estais a criar – que conforme compreendeis, vós criais a vossa realidade toda conscientemente, sem dúvida, mas também estais cientes de pegardes em determinados componentes dessa realidade e conscientemente e as estabelecerem aqui no consensual, ou conscientemente as definirem no vosso subconsciente, ou acolá na vossa mente inconsciente fingindo que não tendes consciência de o estar a criar conscientemente. E ao vos tornardes mais metafísicos e mais espirituais, estais a começar a retomar e a dizer:
“Tudo bem, eu crio a minha realidade pessoalmente e de forma privada em casa; mas fora de casa, na minha comunidade e na geografia e na minha nação, e, pelos céus, no meu mundo; à medida que tomo de volta estas criações da realidade que conscientemente afastei.”
A ansiedade cresce mesmo apesar de todos os sucessos.
Mas por fim, ao deixardes de praticar as metafísicas e ao começardes a vivê-las, quando a metafísica deixa de ser algo que façais vez por outra quando dispondes de um tempo de folga ou vos encontrais em meio ao tráfego e tendes vontade de ouvir uma gravação destas, ou quando vos reunis com alguns amigos no sentido de procederdes a círculos de cura; quando a metafísica se torna em algo mais do que uma filosofia interessante e se torna num modo de vida; quando percebeis que funciona e que em última análise é a única coisa que funciona, e quando descobris que as únicas soluções que ides encontrar procederão da vossa metafísica e da vossa espiritualidade – isso é quando não mais a praticareis na qualidade de um metafísico e tornar-vos-eis um metafísico vivo. E ao passardes por essa transição muito lentamente - e com rapidez – os vossos níveis de ansiedade aumentam por isso fazer parte do “pacote.”
E neste período em que foram capazes de adiar, ou foram capazes de lidar a bem ou a mal com a ansiedade que sentíeis, ao entrardes nesta década e despertardes e ao entrardes na sua exploração e desenvolvimento, a ansiedade vai aumentar. E embora possais situar-vos simplesmente no vosso primeiro ou segundo, terceiro dia desse incremento exponencial antes de darem por isso ireis ver-vos no seu figurado ou imaginário, no ilusório vigésimo nono dia e embocar no trigésimo. E por conseguinte a ansiedade pode tornar-se numa rede, e pode tornar-se numa rede sufocante que vos pode enganar e sufocar e debilitar – senão mesmo destruí-los. Mas não tem que o fazer. Não tem que o fazer. Podeis aprender – podeis aprender e mudar, e escapar à rede sufocante da ansiedade – e é disso que vamos tratar.
E, conforme se poderá suspeitar, existem vários passos a dar, por certo. O primeiro dos quais é o de precisardes reunir para vós próprios uma definição concisa da ansiedade; não a podeis deixar flutuante e esperar escapar-lhe; não a podeis deixar como uma névoa nebulosa e esperar conseguir escapar-lhe; precisais condensá-la, transformar o nevoeiro em líquido de forma a poderem libertá-la. Precisam condensá-la por meio de uma definição concisa da ansiedade. Agora, a ansiedade reúne várias coisas, conforme sugerimos, e possui várias faces diferentes. E uma dessas faces – e há cinco – uma dessas faces é a de que a ansiedade é raiva, ou mágoa, ou medo ou autocomiseração indefinidos. Quando vos sentis irritados mas não o definis, não o admitis para vós próprios, sentis-vos em estado de ansiedade. Quando vos sentis feridos e não definis essa dor, nem a admitis, e não tratais dela, em vez disso o que sentis é ansiedade.
No vosso mundo – e já o referimos antes – no vosso mundo, entendem, é aceite que os homens se irritem. Isso é rapidamente é encorajado e considerado uma coisa maravilhosa finalmente entrar em contacto com estas emoções. Para um homem bater com o punho e jurar e pontapear e derrubar algo é algo que é encorajado a exprimir. Mas se uma mulher se portar da mesma forma, isso é encarado como uma aberração absoluta, um comportamento extremo, uma loucura, algo que faz dela uma “cabra.” E assim muitas mulheres que sentem raiva sabem mais, e aprenderam; não nasceram ontem, e sabem, e em vez disso não definem a raiva, e não sabem porquê, ou ninguém lhes dá atenção quando sentem ansiedade; não sabem a razão de sugerirem uma ideia e de serem ignoradas quando um homem faz o mesmo e pensam que é brilhante; e sentem ansiedade - não conseguem compreender. Que coisa será essa? Será a invisibilidade que produz a ansiedade? Não. É a raiva indefinida, que produz ansiedade!
Mas de forma similar, os homens podem sentir raiva mas não é suposto que se sintam magoados; por a mágoa constituir uma fraqueza e ser “coisa de mulher”. E jamais quereis comportar-vos como uma mulher, por isso representar a pior maldição do mundo, sem dúvida! Mas afirmamos isso no sentido do modo em que o consensual opera e não no sentido do que sentimos em relação a isso, evidentemente. (Riso) Mas muitos de vós aprenderam que não se devem deixar sentir magoados, de modo que, quando são magoados definis isso como raiva, mas também sentis ansiedade, sem que saibam porquê; mas a razão deve-se ao facto de não definirdes essa mágoa.
E de forma similar, no vosso mundo, seja homem ou mulher, não é suposto que sintam medo. Não é suposto que vos sintais temerosos; os catraios sentem medo; as crianças sentem medo, não os crescidos; não a gente poderosa como supostamente deveis ser. Não os empreendedores nem os que realizam, não aqueles que se situam no topo da tabela; não é suposto que esses sintam medo, e assim vós negais os medos que sentis, e em vez disso divagais em torno da ansiedade, dessa névoa, desse nevoeiro difuso que pode efectivamente cegar-vos e sufocar-vos e levar-vos a perder-vos por completo – por não definirem o medo que ocorre – e é pena que seja tabu, claro está, por terem aprendido que não devem sentir isso. A certa altura a vitimização foi aceitável, mas agora é coisa do passado; e o martírio, bom, não tem mal, mas precisam ser furtivos e não devem deixar que transpareça tanto, não é?
E assim, quando sentis autocomiseração:
“Ah, não, não, isto não é autocomiseração.”
Muitas vezes antecipais-vos à pena que sentis por vós próprios, com a pretensão de que se afirmardes que não é, de algum modo isso faça com que assim seja, mas em todo o caso, sentis ansiedade - só que não o admitis, não definis a pena que sentis de forma a poderdes fazer alguma coisa em relação a ela, como libertá-la, ou pôr-lhe cobro! A ansiedade constitui raiva, mágoa, medo, ou autocomiseração indefinidas.
Uma outra coisa que a ansiedade pode representar, aparte disso, como toda uma categoria distinta, se quisermos, é a expectativa do erro. Quando esperais totalmente fazer besteira, quando esperais por completo cometer um erro qualquer, e sabeis absolutamente que o fareis e percebeis estar a colocar o pé nisso e podeis constatar estar a percorrer esse caminho descendente que conduz ao desespero e ao desastre, assistis a tudo isso com a expectativa do erro, sentis ansiedade. Mas uma vez mais, aprenderam, em particular enquanto metafísicos que não é suposto contar com o erro, mas ser suposto adoptarem uma atitude positiva, ser suposto actuarem como se, ser suposto operarem como se já o tivessem conseguido, etc. E desse modo não vos resta muita alternativa:
“Sinto-me assustado, vou estragar tudo.”
E assim, a expectativa do erro que tendes transforma-se em ansiedade. Está diante de vós, e constitui a antecipação da humilhação, da rejeição, do abandono ou da traição.
Tantas vezes muitos de vós dão por si a funcionar na perfeição na sua rotina diária, e capazes de se mostrarem à altura dos desafios e de os enfrentar, e sentem um certo nível de confiança, e a seguir voltam para casa, e em casa sentem aquele relacionamento, e a caminho de casa sentem a ansiedade a acumular-se sem saberem por que razão:
“Não sei o que se passa, não tenho nada de particular que obste, nem problemas; tudo estava bem esta manhã quando saí de casa, não sei por que razão me sinto ansioso ao regressar a casa, ao voltar ao relacionamento.”
Por anteciparem que venham a ser de algum modo rejeitados ou abandonados ou traídos nesse relacionamento, mesmo apesar de não terem qualquer evidência e porventura isso constituir uma projecção do abandono ou da traição ou da humilhação ou da rejeição que sentiram em criança.
E afinal a humilhação é coisa de tal modo aterrorizante, que a antecipação dela se traduz por ansiedade:
“Antecipo que vou fazer figura de parvo; tenho uma reunião importante, mas receio levantar-me e deixar cair os meus apontamentos todos. Ou vou trazer as minhas palestras e vou revelar estar errado, ou alguém me vai fazer uma pergunta que nem sequer consigo responder, e vou ficar completamente fodi… Vou humilhar-me por completo. Vou subir e começar a falar e a minha voz vai falhar e assemelhar-se a um grunhido e eu vou simplesmente acabar por fazer qualquer coisa terrível.”
A humilhação, a antecipação disso produz ansiedade que frequentemente sentis. E pensais sentir-vos ansiosos por estardes diante de uma multidão. Não, estais ansiosos por causa da antecipação da humilhação, da rejeição, do abandono ou da traição que possa estar associado a isso.
A quarta coisa, a quarta face, aquela que muitas vezes não é notada pela maioria, é a felicidade sem precedentes, a diversão, a alegria, entendem, porque a maioria não sabe o que é diversão. Falamos muitas vezes sobre as duas razões primordiais por que existis – para aprenderem a divertir-se e conscientemente criar sucesso. Já terão notado que durante os dezasseis anos em que temos falado nos focamos primordialmente na parte da criação consciente do êxito? Por a parte da diversão ser demasiado assustadora! É demasiado assustador.  
“Ah, eu posso divertir-me por uma noite, por um fim-de-semana, numas férias de duas semanas, mas todos os dias…?”  
Muitos de vós ficam com medo. Um, dois, três, quatro, cinco dias de diversão… Quando é que vou vai atingir o fundo, não é? Quando é que vai começar tudo a desmoronar? Que é que estou a deixar passar despercebido? Que é que não estou a perceber? Onde se situa o ponto cego? Ao que é que estou a deixar de prestar atenção? Que é que será tão óbvio que me poderá morder se estivesse em jogo? Algo terá que dar para o torto.” E que é que muitas vezes fazeis? É travar essa ansiedade estragando tudo, e dirigindo-vos de volta para o vosso ego e para o mártir, tornar-vos na criança ou no adolescente de novo e dar cabo da vossa realidade por não conseguirem funcionar no mundo dos adultos.
E sabeis disso, e por conseguinte constitui o modo garantido de romper com a ansiedade da diversão inédita, ou da felicidade sem precedente, ou da alegria; faze-lo dia a pós dia, produz ansiedade por não ter existido mapas, não existem regras. Sabem como lidar com o fracasso, e sabem como lidar com o desapontamento; aprenderam ao longo da vossa vida toda, experimentaram repetidas vezes – sois muito bons nisso! Mas não são tão bons com a parte diversão nem com a parte da alegria nem com a parte da felicidade - e isto não é uma crítica mas uma observação. Uma observação que precisam fazer por si próprios, por cada vez mais de vós estarem a dar por vós a confrontar-se com este fenómeno causador de ansiedade: diversão sem precedentes; felicidade e alegria sem precedentes.
Assemelha-se a assistir a um daqueles filmes de terror em que o monstro vai pegar a heroína, não é? Aquela coisa angélica tão delicada e frágil, que o monstro vai pegar. Claro que ela tem um lá pela cave, e obviamente, em vez de sair de casa decide:
“Acho que vou explorar isto, não é?”
Em vez de se dirigir para a porta principal e de se esgueirar para o meio da rua:
“Não, não, não, não. Penso que vou voltar ao quarto. Vou procurá-lo em todos os armários.”
Mas a certa altura isso acumula-se, não é? A tensão acumula-se, e desejais com tal intensidade que esse monstro apareça que começais a falar para ele:
“Ah, demónio estúpido…”
É um filme, lembras-te?
“Pois é, certo, mas ainda assim é estúpido. Eu não faria isso.
Deixam que isso os enraiveça.
“Ah, pois… o monstro vai ter aquilo que merece. Quem quer que se porte desse modo estúpido tem o que merece.”
E por fim... Mas fazem o mesmo: divertem-se a pensar quando é que o monstro os vai pegar. E muitas vezes dais por vós a sentir - quando isso vos atinge - uma sensação de alívio:
“Pelo menos agora sei como isso me vai atingir; pelo menos sei o que fazer...”
Por existirem mapas para isso, por existirem regras e regulamentos, precedentes para isso. Mas não para a felicidade nem para a alegria contínua, nem para a diversão permanente. Mesmo que passem, muitos de vós, o fim-de-semana connosco ao começarmos a considerar a longevidade, ireis começar com a ideia:
“Longevidade?! Ah, pois… Vai ser uma coisa divertida de abordar por uns dias.”
E a imortalidade?
“Claro que essa é sempre divertida e deitar da boca para fora de um lado para o outro…”
Mas algures ao longo dos próximos dois dias vai atingir-vos:
“Pelos céus. Eu podia ter vivido mais outros cem anos”
E isso vai provocar ansiedade. Neste momento estais entregues aos vossos afazeres, não é? Estais concentrados no emprego, estais nos vossos quarenta; mais uns quinze anos, talvez mais uns vinte, talvez no máximo uns vinte e cinco para sair disto.
“Não estou para suportar isto por mais vinte e cinco anos.”
Mas, e se fores permanecer nesse emprego por mais… cem anos? Estais livres desse casamento, os filhos estão grandes, já estão na escola, só vós os dois…
“Ah, estou demasiado velho para começar de novo, além disso tenho a casa e a hipoteca que não consigo suportar, e as finanças, e não sei o que os catraios pensam, e não posso suportá-los nem suportá-la a ela por mais… tanto tempo quanto isso, sabes. (Riso) Ainda esta manhã comprei o caixão!”
“Estás com quê, cinquenta? Mais vinte ou vinte e cinco ou talvez trinta, e estarás de saída.”
“Mas, e se tu vieres a viver mais cento e vinte anos? E tiveres que viver com aquela pessoa, não por trinta mas por mais noventa anos?”
Isso produz ansiedade. Mesmo a vossa própria personalidade; olhais para a vossa própria personalidade e dizeis:
“Está bem, está bem, por vezes eu faço-me de vítima; tudo bem, eu não passo de um mártir. Torno-me esquisito, fico estranho, torno-me infantil, mas eu não conseguiria suportar-me mais a mim próprio. No final, o facto de terminar tudo não faz mal, por nessa altura ter acabado tudo. Bom, provavelmente vai-me levar imenso tempo a corrigir isto, de qualquer forma, não?”
Mas e se tiverem que viver duzentos anos, têm que suportar-se a si mesmos por mais uns cento e cinquenta anos; isso pode produzir uma ansiedade espantosa. E aqueles que vos rodeiam, não é? Têm uma migo que dirá:
“Porquê…? Oh, é tão negativo… Mas tudo bem, sabes, eu consigo suportar isso.”
Mas de súbito sois confrontados com mais uns cem ou duzentos anos de vida…
“Tens a certeza de quereres suportar isso?”
Isso produz ansiedade, e quando começarem a pensar na imortalidade… Claro que a vossa alma é imortal, sabem disso, mas ainda não a atingiram. E que tal a imortalidade física? E que tal viver, quinhentos, seiscentos, oitocentos anos?
“Ah, não, nem pensar nisso!”
A diversão sem precedentes, a felicidade e a alegria sem precedentes produzem uma ansiedade exponencial. Não por tudo vir a correr mal mas por vir a correr TÃO bem. E isso produz uma ansiedade mais potente do que quando corre mal. Por serem muito experientes na lida do que corre mal, mas não tão experientes em relação ao êxito contínuo.
A quinta face ou aspecto do que se traduz por ansiedade é confiança inadequada. Por vezes a confiança inadequada procede da fé cega. Fé cega - por exemplo, aprenderam que enquanto metafísicos, não é suposto que julguem, por ser errado e por ser ruim, por ser terrível e por Deus ficar irado, verdadeiramente irritado convosco, se condenarem. Isso não pode corresponder à verdade, por constituir uma forma de juízo, e aí Deus deixaria de ser Deus, por Deus não julgar, mas em todo o caso…
Aprendem que não se deve julgar. Sugerimos que a razão por que não é aconselhável julgar não é por ser ruim ou errado, mas por o juízo, a condenação provocar mágoa, e que querereis fazer em relação a ser uma pessoa ofensiva? Por conseguinte, por uma questão de opção:
“Eu não quero provocar mágoa.”
E por opção:
“Eu não quero ser crítico.”
Não se trata de questão nenhuma de moral mas pragmática:
“Qual preferirei eu?”
Mas ainda assim muitos de vós sabem que não devem julgar, mas as criticas, as opiniões, as avaliações estão tão próximas umas das outras, e apresentam tantas tonalidades cinza que se torna verdadeiramente difícil, pelo que pensam que não julgar queira dizer deixar de ter opiniões e de proceder a avaliações; confiar tão só em tudo e mais alguma coisa, às cegas! E isso significa ansiedade – fé cega – por não terem opiniões e não procederem a avaliações.
De forma similar a fé cega torna-se apelativa por terem aprendido a tornar-se espirituais, não é? As pessoas espirituais confiam, e se não confiarem não serão espirituais; por isso melhor será que confiem em tudo e mais alguma coisa, ipso facto, automaticamente e sem a menor consideração. Por o preço que pagam por essa consideração será o de levar as pessoas a pensar que não sejam espirituais. De igual modo a fé cega provém do facto de a confiança equivaler à sofisticação. As pessoas sofisticadas do mundo, aqueles que conheceis, são pessoas que confiam. Só os apelidados de reaccionários não têm confiança e são desconfiados. As pessoas sofisticadas e inteligentes confiam, e assim:
“Eu quero ser como eles, quero confiar independentemente do resto.”
Mas de algum modo também pensam que se confiarem serão recompensados, e que Deus os contemplará de cima e dirá:
“Olha para ele, confia; vamos dar-lhe um monte de coisas boas…Vamos recompensá-lo; ele tem mostrado que confia tanto. Isso não é maravilhoso?”
E assim confiar com a esperança de algum modo isso vos trazer uma compensação – isso é fé cega, e representa ansiedade.
Uma outra forma porque a confiança pode ser inadequada é quando confiais em alguém que não é digno dessa confiança, alguém que não merece confiança.
Vejam bem, o amor e a confiança andam muito perto um do outro, sem dúvida, mas formam produtos muito diferentes, comportam energias muito diferentes. O amor, por exemplo, revela-se muito resiliente. O amor pode saltar, passar por cima, o amor pode ser retorcido e virado, o amor pode cair por terra e voltar a mostrar-se activo. Podeis ofender o amor e ele regressar, recuperar. Agora, não recomendamos que o façam por rotina, devido a que mesmo aquilo que é capaz de se revelar elástico poder perder essa faculdade, e eventualmente romper-se; mas nesse sentido é muito resistente. Ao passo que a confiança não. A confiança não tem capacidade de resistência; a confiança revela-se tremendamente frágil, como um cristal fino e delicado que, se deixarem cair se quebra.
E se tiverdes essa coisa chamada amor, não os encorajamos a atirá-la a qualquer um, mas ainda assim, se o fizerdes, ele poderá saltar atrás; mas a confiança é muito frágil; se a derem a alguém que a não consiga merecer, ela romper-se-á. Frequentemente essa é a razão por que nas relações, em que tendes um relacionamento baseado no amor e na confiança, e um dos lados se revela infiel – seja por que forma for que definam isso, sexualmente ou por intermédio da mentira, ou em termos de levar uma vida dupla, ou por vários modos de engano – e tenha rompido essa fé, tenha rompido essa confiança. Muitas vezes, e infelizmente, o que acontece é que o amor ainda se acha presente, só que a confiança não. E muito embora se sintam magoados pelo que o outro lhes tenha feito, e ainda o amarem, não conseguem, isso não evita que não confieis nele. Quem dera que pudessem, mas “Nem os cavalos e os cavaleiros todos do rei conseguiram recompor o Humpty-Dumpty de novo.” (Citação de conto infantil Inglês muito conhecida) E a confiança perdeu-se. E não pode ser reparada. Bom, nem toda a vez se perde; decerto que a confiança pode ser reconstruída, mas por vezes fica de tal modo reduzida a pedaços que não pode ser curada.
Assim, torna-se muito importante não confiar em qualquer pessoa, mas confiar naqueles que tiverem demonstrado que conseguem corresponder à vossa confiança. Trata-se de um dom muito precioso. Estarão eles à altura da vossa confiança? Então, merecerão confiança; caso contrário não merecem. E quando tentais confiar em alguém que não é digno de confiança, sentireis ansiedade, por ser isso que a ansiedade traduz.
E a terceira forma por que confiais inadequadamente é confiar quando a confiança não tem lugar. Quando as condições para a confiança não se acham presentes. Por existirem condições muito bem definidas, entendem, em que o confiar será apropriado e em que não é altura para confiar.
E há quatro condições a satisfazer: A primeira é a de que deve haver uma consequência positiva e uma negativa. A segunda condição é que essa consequência ainda não tenha sucedido; seja positiva ou negativa, mas venha a acontecer no futuro. A terceira condição, é a de que a negativa precisa ser mais negativa do que a positiva seja positiva para poder valer como uma confiança potencial. A negativa precisa ser mais negativa do que a positiva, positiva.
Por exemplo, vocês dispõem neste estado da Califórnia de uma loteria, não? Duas vezes por semana podem ganhar uma multiplicidade de milhões de dólares. Escrevinham os vossos números, investem o vosso dólar e confiam em que esses venham a ser os números acertados. Bom, existirão uma consequência positiva e uma negativa? Existem, tanto podem ganhar como perder. Já o sabem? Não, até Quarta-feira à noite ou Sábado à noite quando o sorteio for feito.
Será a consequência mais negativa do que a positiva será positiva? Não! Porque, se a consequência negativa se vier a verificar, tudo quanto tiverdes perdido será um dólar. Ao passo que, se a consequência positiva se vier a verificar, podereis ganhar muitos dólares. A questão está em que a positiva é de longe mais positiva do que a negativa em consequência do que a loteria não se inscreve na classificação da Confiança.
Peguemos agora num outro exemplo:
“Eu tenho umas informações assim-assim, mas não as posso revelar, por mais ninguém as poder conhecer. E eu vou-te contar, só a ti, mas prometes-me que não a contarás a mais ninguém. Prometes? Se a contares a alguém, isso vai ser o diabo.”
Isso envolverá uma consequência positiva e uma negativa? Envolve. Tanto podereis manter a confiança como rompê-la. Isso irá verificar-se no futuro? Vai, por ainda não ter ocorrido. A consequência negativa pesará mais do que a positiva? Pesa! Porque se revelardes, vai ser o diabo. Mas se não revelardes a informação, o status quo manter-se-á. Por conseguinte, se acontecer a negativa – isso equivalerá a coisas horríveis. Se acontecer a positiva, a vida prosseguirá normalmente como se nada tivesse acontecido.
Aqui temos nós, agora, uma situação em que a confiança se aplica adequadamente por satisfazer as condições da confiança. Mas agora há uma outra condição. A quarta condição está em que sinceramente esperem a positiva.
“Eu tenho a sincera esperança de que não reveles isto a ninguém.”
Mas, entendam, se por trás se puserem com dúvidas…
 “Ah, já sei como é, vais contar a toda a gente, vais dar com a boca no trombone… é espantoso. Eu vou-te contar, mas peço-te, mas já sabes que a experiência que tenho diz-me que irás contar à primeira pessoa com quem te cruzares…”
Não, essa não é uma questão de confiança, por sinceramente não esperardes a consequência positiva, mas de facto esperardes por completo a negativa. E quando confiam, quando as condições não se mostram as correctas, aí sentem ansiedade, por ser o que a ansiedade é -- confiança inadequada.
Assim, a ansiedade é uma de cinco coisas: Emoção indefinida, expectativa de erro, antecipação de humilhação e de rejeição, abandono ou de traição; diversão felicidade ou alegria sem precedentes, e confiança inadequada - quer às cegas, quer relativa a pessoas pouco dignas de confiança, ou quando as condições não são as mais correctas. Esses são os aspectos daquilo que se traduz por ansiedade. De modo que, quando sentem ansiedade, em vez de dizerem:
"Ah, é apenas..." ou do "Ah, é apenas..." ou "Eu posso voltar-me para isso mais tarde."
Vocês têm maneira de o definir em relação seja ao que for. Esse é o primeiro passo: escapar do seu caminho. Mas não é o último passo.
O segundo aspecto de importância para escaparem à teia, consta do saber como chegam a operar a ansiedade. Como é que o fazem, como é que chega a ter lugar, como é que o mostram, como chegam a saber?— como chegam a sentir a ansiedade? Com coisas como a cólera, sabem, há somente umas duas maneiras: berram ou então tornam-se suculentos, não é? Revela-se, pode-se constatar:
"Aí está uma pessoa com raiva."
A mágoa assume umas quantas faces, umas poucas maneiras de ser expressada. Mas a ansiedade assume uma ampla variedade de aspectos, de maneiras de a porem em acção, e para poderem escapar à sua teia, precisam conhecer a maneira que usam. Talvez não todas as formas possíveis, com certeza que não, mas a maneira em que usam a ansiedade. Provavelmente não conseguiríamos enumerar todas essas faces, por em comparação com as centenas de vós que aqui se encontram esta noite existirá provavelmente uma variação no tema que terão conseguido descobrir, mas existem determinados denominadores comuns, determinadas formas consistentes porque a maioria das pessoas chega a manifestar a ansiedade. E aquilo que tem que ver com a forma como manifestam a ansiedade está em que aquilo que estão a fazer não é real, mas uma expressão da ansiedade. Mas que queremos dizer com isto?
Uma das maneiras, por exemplo, por que alguns de vocês manifestam a ansiedade é através do martírio. Encenam o martírio, sentem-se desvalorizados, incompreendidos à mais pequena coisa. O ajudante de garção não lhes deu um segundo copo de água, e vocês sentem-se...
"Ninguém. Ninguém tem apreço por mim.”
Até um miserável copo de água é capaz de os deixar nesse estado.
"Sinto-me completamente incompreendido; viste a maneira como olhou para mim? Vê-se logo como sou incompreendido. A situação não tem conserto, desisto; esquece. A minha vida terminou e o melhor é que me estenda aqui mesmo e morra. Mata-me, acaba comigo já; acaba com isto. Sou tão pouco reconhecido, tão incompreendido."
Não estão bem a sentir-se martirizados, conforme um mártir o sente, vocês estão a aplicar um martírio a vós próprios, porque aquilo que está realmente a suceder é que estão a sentir-se ansiosos. Aquilo em relação ao que realmente se sentem incompreendidos não os vai levar parte nenhuma. Examinemos quem estão a tentar punir - não é o que está a suceder, a raiva que atribuem a Deus não irá fazer com que resulte; o processar do martírio não irá resultar mas parece para todos os efeitos que isso represente um mártir. Não, isto é a forma como aplicam a ansiedade que sentem a vós próprios.
“Os urbanistas montaram todas as luzes do tráfego de forma que sempre que vá pela rua abaixo esteja vermelho. Eles passam a noite a tentar descobrir como fazê-lo na altura em que vou viajar; só para me apanhar. Deus está a tentar encurralar-me. Ele sabe muito bem como sou fraco. Nunca chove em San Francisco excepto quando tiro férias, no meu fim-de-semana. Sou tão incompreendido, tão pouco reconhecido!"
O que realmente estão a dar corpo é à ansiedade mas estão a fazê-lo à semelhança do martírio. Essa é uma das formas.
Outra, está aqueles de vós que brigam, que buscam discussões. Não se sentem furiosos, só têm vontade de brigar. Chegam a casa e olham, à procura da mais pequena pista, da mais pequena e insignificante coisa para armarem discussão. A tampa do dentífrico que está fora do sítio uma vez mais:
"Já te disse um milhão de vezes que a pasta dos dentes seca, e não suporto uma pasta enrijecida, mas tu fazes sempre o mesmo, por total falta de respeito, por não te importares comigo e por nunca me demonstrares amor e por nunca me tratares como deves; mas a propósito, trata da minha pasta dos dentes, E além do mais tu sabes que o sítio do ketchup é na porta do frigorífico. As coisas maiores ficam nas prateleiras, que é para isso que existem, não para as coisas pequenas. Isto é muito importante; não me estou a fazer de mesquinho, isto é importante. Foi assim que o frigorífico foi concebido, e devemos utilizá-lo da forma que foi concebida. As coisas pequenas na porta!"
Brigam e brigam... não estão verdadeiramente furiosos com a pasta dos dentes nem com o frigorífico; sentem ansiedade e captam qualquer disputa que as pessoas ao vosso redor estejam a ter, tanto aqueles que conhecem como aqueles que não conhecem. Simplesmente provocam briga. Muitos de vocês, têm uma reunião às dez da manhã, e às nove e quarenta e cinco telefonam para casa para armar briga.
"Estou? Que é que se passa? Como é que não me fizeste isso? Como? Já me arruinaste o dia."
Sabiam que podiam esperar.
"Ah não, não podia não senhor. Por ter que brigar. Por ser assim que expresso a ansiedade que sinto."
Até outra pessoa se sentir atraída e se meter na briga e acabar a discutir convosco; e mais tarde:
"Porque é que estás a brigar?"
"Ah ah ah, já nem me lembro, passamos a noite toda a discutir. Nem temos ideia do que tenha movido tal discussão; não será uma tolice pegada?”
À excepção das "feridas" e do "sangue" espalhado por todo o lado, (riso) sangue emocional que muita vez é mais prejudicial que o físico. E sobram feridas, e confiança rompida e o amor foi danificado mas...
"Ah ah ah. Mais ninguém se recorda da razão, por ser eu a expressar a ansiedade que sinto. Não será engraçado?”
A briga é uma das maneiras que muitos de vocês empregam.
Outros fazem-no através da preocupação; parte dessa preocupação é estabelecida em termos profissionais; poderão ter um emprego mas a carreira que têm é a da preocupação. É como Hércules e o esforço "Se não me preocupar o mundo ainda deixa de girar, não?" Assistem aos noticiários e obtêm conhecimento de um incidente raro qualquer de peste bubónica e começam a fazer exames, não é?
"Esta manhã pareceu-me estar um bocado escuro, se calhar contraí a peste bubónica."
Preocupação sem que seja propriamente com relação a coisas de substância, só preocupação com tudo, TUDO.
Houve um terramoto nas Filipinas, pelo que é claro que na Califórnia isso é de uma grande preocupação para muitos de vós, razão porque poderão preocupar-se com isso a toda a hora. Mas aqueles que quiserem preocupar-se dão por si a fazê-lo, outros poderão preocupar-se num ritmo diferente mas...
“Para que não me preocupe, percorro a lista quase compulsivamente. Eu tenho que me preocupar, é meu dever, obrigação; se não o fizer Deus e atingir-me-á. Preciso preocupar-me. E gero ansiedade. E não importa que o tempo passe e a preocupação desapareça. Tenho que a gerar; ela nunca se esgota. Eis cinco coisas por que tenho que me preocupar. Dentro de cinco meses verão, todas essas coisas terão passado e nada terá acontecido de errado. Mas não faz mal porque dentro de cinco meses terão tantas outras coisas para as substituir, por mais que cronologicamente tenham saído da minha lista.”
“Tenho receio do que venha a ocorrer na próxima noite de sábado. A próxima segunda-feira virá, sem dúvida, mas receio... Estou sempre a adicionar isso à minha lista e preocupo-me e preocupo-me sem parar.”
“Mas a resposta não responde à preocupação, sabem. É a situação em que os outros são sugados para dentro ou realmente se preocupam com isto de arranjar um artigo ou poder provar-te... Vai ao médico e prova que não tens peste bubónica. Então poderás deixar de te preocupar...”
“Não! Não.”
Porque vejam bem, não chega a ter que ver com a praga, mas com a ansiedade. Não é realmente uma preocupação porque contraiam cancro e morram.
“Eu sei que não tenho caroço nenhum mas virei a ter. Em mim, em ti... Por isso não importa que não haja qualquer indicador, porque isso ainda sucederá. Eu li sobre isso. Preocupação, preocupação.”
Realmente não passa por responder à questão da preocupação, é a ansiedade que estão a gerar com a preocupação. Uma outra forma é através do vício. Os mais óbvios evidentemente são os vícios químicos, o álcool, os vários tipos de drogas, que se tornam na vossa forma de gerar ansiedade.
“Preciso arranjar disso...”
Costumava ser a marijuana, ou cocaína porventura, ou qualquer outra substância quimicamente produzida...
“Preciso arranjá-la, preciso arranjá-la... Não consigo existir sem o ingerir. Preciso tomar o meu café, (ou quatro ou cinco).
No caso de alguns de vós não é tão óbvio, cigarros, drogas, álcool, mas os vícios químicos que têm, mas igualmente o apego pela comida. Alguns de vós são viciados no açúcar, e é desse modo que geram a vossa ansiedade:
“Preciso de ingerir açúcar; tenho que comer algo doce, não me interessa o que seja, só tem que ser doce. Preciso de açúcar.”
Ou chocolate, em determinadas alturas, e não a toda a hora; quando geram ansiedade, precisam que arranjar chocolate. E de facto dessa forma o chocolate opera algo de específico, por a química do chocolate libertar endorfinas, o que consegue em poucos minutos, e injecta-as na corrente sanguínea, reduzindo assim a dor. Por isso a dor não identificada produz ânsia de chocolate. Muitas mulheres que experimentam Síndroma Pré-menstrual, muita vez descobrem que têm vontade de ingerir chocolate, e isso ajuda. Do mesmo modo que a cafeína. Mas o que queremos dizer a esse respeito é que é a razão por que o fazem. Têm vontade de ingerir quatro ou cinco pedaços de doce de seguida.
“Que se passa de errado comigo?”
Bom, muita vez é a libertação das endorfinas que tenta neutralizar a severidade da Síndroma Pré-menstrual. Mas outros de vós recorrem á ansiedade, às formas como geram a ansiedade. Alguns de vós tornam-se comedores obsessivos, e comem em excesso, e são capazes de ingerir vinte e quatro donuts e são capazes de se atravancar neles, por precisarem encher a boca e empanturrar-se, e dão por si a comer em excesso e a estender um potencial dano a vós próprios com esse apego pela química.
Quando estivemos a tratar da ansiedade, o “canal” descobriu que uma das formas particulares que tem de gerar ansiedade com alimentos crocantes; não é com simples alimento mas com alimentos que façam ruído ao mastigar. Por o ruído que faz ser muito importante. Por vezes A Peny e o Michael e o “canal” lá estão sentados à mesa, a empurrar isto ou aquilo sempre que surge um assunto que produza ansiedade, e o “canal” apressa-se distraidamente, enquanto prossegue com a discussão, à procura de algo crocante, pelos cantos da cozinha. Doritos, Bolachas, Pipocas, salgadinhos, não importa. E a Peny e o Michel reparam e perguntam:
“Estás a sentir ansiedade?”
“Porquê? (crunch) Porque é que perguntas isso? (crunch)”
Por fim lá entende, mas seja como for, alguns de vós têm hábitos destes que são químicos.
Outros têm o que chamamos de hábitos mecânicos. Roer as unhas. Conseguir aquela borda áspera, não é? Mas sempre a encontram. Ou aquele pedaço de cutícula solta que nunca chega a sair, após cuja primeira mordida nunca querem saber:
“Ai, ai, nunca mais irei fazer isso.”
Até o fazerem de novo! Mas isso é ansiedade, ou enrolando o cabelo.
“Não, não me sinto ansiosa...”
Só o estão a puxar... Outros mordem a mão, os dedos, ou fazem estalar os nódulos dos dedos. Outros são catadores, e estão sempre a catar. Outros ainda estão a toda a hora a tocar-se. (Riso) Sim o seu nariz ainda está na mesma como pela manhã... Hábitos mecânicos que não são algo que tenham aprendido a fazer, mas é a forma como geram a ansiedade, e de facto há uma certa agitação electrónica que afecta o cérebro e que faz parte do padrão, mas ainda assim, a forma como alguns de vós adoptam esses hábitos tanto químicos quanto mecânicos representam a forma como geram a vossa ansiedade.
Mas ainda há aqueles de vós que geram a sua ansiedade não tanto pela preocupação mas pela depressão. Temos habitualmente dito que depressão é um termo que usado indiscriminadamente quando se sentem em baixo ou tipo ou desnorteados, as pessoas geralmente dizem sentir-se deprimidas. Mas aqueles de vós que se sentem sinceramente deprimidos sabem que isso não é depressão. Depressão é um esburacar, um esvaziamento da experiência profunda, por a verdadeira depressão lhes tirar por completo a força vital e deixa-os confusos e sem fôlego. Aqueles que se sentem sinceramente deprimidos não conseguem ver razão para saírem da cama pela manha, nem para se vestirem e deixarem o quarto. Bem o tentam e buscam uma razão, mas o peso da raiva e da mágoa que se acumulou durante tanto tempo, quando se revelou como verdadeira depressão, mas não conseguem seriamente encontrar uma razão. Aqueles que dizem:
“Precisas fazer alguma coisa divertida, ir ao cinema, ir às compras, vai jantar fora; faz alguma coisa de que gostes verdadeiramente...”
Tudo quanto estão a fazer é a trair a sua própria falta de conhecimento sobre as verdadeiras causas da depressão. Portanto, não estamos a afirmar que a forma como geram ansiedade seja por estarem desnorteados, sem a sentir-se indispostos emocionalmente. Estamos a dizer que alguns de vós caem na depressão, mas essa é uma das coisas mais perigosas, porque quando se vêem sob essas camadas como que de gaze que se tornam tão pesadas que não as conseguem erguer, tanto poderá levar um dia como um mês, um ano, ou uma década. E há quem esteja deprimido há décadas. Mas depois saem dela quase como entraram nela, instantaneamente, e poderão ficar bem por um ou dois ou três anos, mas ela volta a surgir, e vivem a maior parte das suas vidas sob um estado de depressão, e geram ansiedade dessa forma. É uma das piores formas de asfixia, mas é a forma que alguns fazem, e merece ser mencionada.
Outros, geram-na tornando-se justos, e desabafam por tudo e por nada culpando tudo e todos; tudo é alvo de censura, absolutamente tudo, e alguma dessa censura estende-se de tal modo que chega a ser cómica, mas a censura e retidão são uma outra maneira. Alguns de vocês estão sempre à procura de alguém ou de alguma coisa para censurar ou a gerar um espírito de justiça como se estivessem à procura de alguém para se sentirem justos ou em relação a quem se sintam superiores, ou a quem rebaixem por alguma forma, ou ridicularizem, destruam emocionalmente apenas pelo prazer de o fazerem, só pelo gozo do acto, após o qual se detestam, mas geram a sua ansiedade por meio da retidão, pela culpa.
A última maneira que mencionaremos, embora certamente não a última forma por que o façam, mas uma das maneiras mais comuns por que as pessoas geram ansiedade, é por meio da protelação. A procrastinação é a forma como geram a ansiedade. Ficam sentados no emprego a ver a matéria a acumular, e dizem a vós próprios:
“Tenho que deitar mão àquilo; tenho que deitar mão àquilo; vai-me levar três horas, e só disponho de uma hora e meia. Mas irá ser a primeira coisa que farei pela manhã.”
O adiamento do trabalho. Mas em casa é o mesmo; veem as cartas e as contas a empilhar-se:
“Eu sei, eu sei que isso precisa ser pago até ao dia 15, e este mês vou fazê-lo.”
Mas porque é que deixam que o dia 16 e 17 chegue ara pagar as contas? Será por serem burros e estúpidos? Não, é por adiarem sucessivamente.
(continua)
Transcrição e tradução: Amadeu António






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