sexta-feira, 8 de março de 2013

"INTENÇÃO - ATENÇÃO"



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Acção sobre dinâmica da imagem. É por causa de se alimentarem a si mesmos e funcionarem por conta própria que caís nesta situação de crise em que as coisas ocorrem demasiado rápido – não somente nem exclusivamente mas uma parte substancial disso – porque a “dança” se torna demasiado rápida, e o sistema corre por si só.

A atenção, assim que se volta para a sobrevivência, e passa a alimentar-se disso, atrai a vossa intenção, assim como as vossas acções e imagens. Assim que uma coisa qualquer adquirir forma, leva a permanecermos na forma, e é preciso energia para fazer isso, e tratará de obter essa energia onde puder, a aquilo que obtém a maior atenção, aquilo que obtém a maior energia é o que gera a maior força e permanece mais tempo. E esse sistema á capaz de se suportar a si mesmo. É por isso que precisais forçar a embraiagem, ou dizer: “Alto lá! Vamos fazer um intervalo. A que estou eu a prestar atenção, exactamente neste instante?” 

Mas, eu sei que “agora” não ser uma resposta aceitável (riso) “Aaah?”

“Qual é a intenção que tens?”

“Aaah?” O objectivo do melhor – que é ao que corresponde quase sempre o “Aaah”!

“Ser feliz! Ser o melhor que for capaz.” Não é? Maravilha! Sabes o que quer dizer?

“Aaah?” Vejam bem, voltamos de novo àquele: “Aaah?” (Riso)

“Que estás neste exacto momento a fazer?”

“Nada. Estou a respirar. Auf auf auf .” (Riso)

E que propósito terás nisso?”

“Aaah?” (Riso)

Uma vez mais, falamos no extremo, sabemos disso, nem todos vós fazeis exactamente isso, mas compreendeis o que queremos dizer com isto, que é o de buscardes: “Qual será o propósito que tenho?” Ou melhor, começar por vos questionardes: “A que estarei a prestar atenção?” Exactamente agora, enquanto falo. “A que estou eu a prestar atenção? E qual será a intenção que tenho? Que acção? E então porque estou a tirar apontamentos? Bom, talvez por querer impressionar quem está ao meu lado.” Podia ser o caso!

“Por querer anotar a informação. Por querer evitar a informação apelando estar demasiado ocupado a fazer apontamentos para lidar com o que está a ser dito.” Qualquer intenção. Só que a acção reflectirá isso. Quem pensais ser? Que pensais de vós próprios? Como vos sentis em relação a vós próprios, de forma correcta ou incorrecta? E se parardes, se embraiardes a fim de acederdes a esses componentes, é disso que trata a autorreflexão. E quando conseguis fazer isso, é quando efectivamente conseguis travar um mundo que parece conduzir-se em função da necessidade e do acaso; é quando conseguis travar o que vos impele, os vossos instintos, as vossas necessidades e os vossos mecanismos de sobrevivência. É quando conseguis ter acesso e avaliar e formar uma opinião, é quando conseguis suspender a crise ou a derrocada e travar a “dança”, abrandá-la e alterá-la. Mas não é só carregar na embraiagem para encostar na ladeira. Assim que considerardes a atenção/intenção que tendes, a acção que empreendeis, a imagem que tendes, no sentido de a alterardes. Para mudardes a atenção que exerceis, mudai a intenção. Alterai a acção que exerceis para mudardes a imagem. E depois largai a embraiagem de novo, para poderdes engrenar um espaço diferente e uma velocidade diferente. 

E conforme dizemos, com o tempo, à medida que desenvolveis a perícia, à medida que desenvolveis a arte, porventura largar a embraiagem e engrenar uma realidade diferente.


Agora, isso soa tipo: “Ah? Eu vou mesmo parar a olhar para o cabelo daquela mulher, ou para as roupas daquele homem; vou parar para contar as luzes.” (Riso) Entendam, o problema é que simplesmente não podem, com a facilidade com que podeis mudar e alterar, soltando. Estas coisas captam-vos a atenção. Talvez possais mesmo ver como vos captou a tenção. E portanto fingir que não, ou olhar para o outro lado ou negar que vos tenha captado a atenção, não muda a atenção. Entendam que o crescimento não se baseia num processo de linguística, e de utilização de diferentes palavras; mudar o vosso vocabulário não vos tornará numa pessoa diferente. Descobriste-las e testaste-las; não funcionou.

Entendam, se estiverdes apegados, não vos tornais desapegados apenas por meio da negação ou recusa. Ou dizer: “Não vou ver os noticiários; não me digas nada, não pronuncies coisas negativas, não me venhas pôr coisas na cabeça, por eu poder prestar atenção.” Não funciona dessa forma. Pois, o tempo todo, certos reflexos que são reflexos dessa realidade, são coisas que acontecem, e por isso é uma questão de desligar a vossa atenção, de retirardes a atenção que dais, de recuperardes a vossa atenção, se quiserdes; de retirardes a vossa energia, não ao contrário da forma como retirais o vosso poder, mas retirando a vossa atenção, de modo a poderdes colocá-la numa coisa diferente. 

Por vezes pode ser assim fácil, certamente: “Posso parar de contar as luzes; posso parar de me focar aqui ou acolá e mudar isso com uma facilidade assim, em muitos casos. Outras vezes engloba mais intenção e uma maior acção.

“Não sei ao que estou a prestar atenção!” Qual será a intenção que tens. Quais serão as acções que empreendes? Qual será a imagem que tens. Elas mostrar-te-ão. “Eu não sei que intenção tenha!” Olha para a atenção que dás, olha para a imagem que tens, olha para a acçao que empreendes; elas mostrar-to-ão. A peça que falta poderá ser descoberto nos outros, e assim é, de facto. Mas trabalhai com esses componentes. É disso que a autorreflexão trata. E durante o processo de tratardes delas, alterai-as, e a seguir voltar a participar, e voltar a largar a embraiagem e envolver a vossa ilusão de novo, o vosso mundo.

E conforme eu dizia, parece suficientemente directo, soa demasiado simples e fácil, mas entendam, há coisas que podem meter-se no vosso caminho, coisas que vos podem impedir e que podem fazer o que poderá parecer um processo bastante elegante intrinsecamente difícil, e que pode ser preenchido com luta como qualquer outra coisa, se assim o desejardes. O ego negativo, por exemplo. O ego negativo, recordai, é o que vos fornece o conteúdo, ou o vosso ego; se se tornou negativo ou se de facto ainda é positivo não interessa mas o vosso ego é o que fornece a informação; e obviamente se tiverdes um ego negativo acrescido, através do qual detesteis pensar, e capaz de obscurecer, de tornar a busca do vosso reflexo mais difícil: “Detestaria pensar... jamais...a menos que tenha uma intenção angélica no meu corpo...”

(continua)
Transcrição e tradução: Amadeu António

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