domingo, 10 de março de 2013

ESCOLHA – MUDANÇA – GRAUS DE IMPEDIMENTO – PASSOS A SEGUIR



A escolha constitui o princípio da mudança e o final da mudança. A escolha constitui o princípio e o fim da mudança, e as coisas que se intrometem no caminho da vossa escolha, de forma similar também se interpõem no caminho da vossa mudança. A razão por que não sois diferentes do que tendes sido, é por causa de uma qualquer desses pequenos diminutos grãos de areia que se intrometem, vos travaram. Pequenas formas de moleza em relação a coisas irrisórias - cada uma das quais possui um poderoso antídoto - que vos travaram. Os inimigos da escolha são os inimigos da mudança: Inércia. Recusar-se a pensar. 

Recusar-se a sentir: "Não o farei." Isso detém a mudança. Por não poderdes proceder à definição de escolhas quando vos encontrais num estado de inércia. E o antídoto? Começar a pensar; começar a sentir. Pensar qualquer coisa, sentir qualquer coisa! Simplesmente fazer isso - que isso demover-vos-á da inércia! Aí sereis capazes de definir opções de rajada até chegardes às crenças e até chegardes de novo às escolhas, e tereis mudado!

O segundo obstáculo representa a projecção. Projectar os pais em toda a gente que faça parte da vossa vida; projectar o vosso pai em cada homem e a vossa mãe em toda a mulher, vossa ex-amante ou o vosso ex-amante; e em todo e cada novo amigo que arranjais é projectado o vosso melhor amigo do terceiro ano que vos apunhalou pelas costas - projecção, projecção, projecção! Trazeis de volta o passado e cobris com ele, de que modo? Como um projector aéreo com que cobris o presente. Projecção! 

Porquê? "Que é que estás a dizer? Não quero assumir responsabilidade pelo presente! Quero continuar a reviver o passado, uma e outra vez. Não quero lidar com o verdadeiro passado; quero atribuí-lo a ti e atirar com ele para cima de ti. Não quero ser responsável; não quero ser sincera." E o antídoto para isso? Começai a ser sinceros convosco próprios. Dizei a vós próprios a verdade. Começai a assumir um certo nível de responsabilidade, seja em relação ao que for. Abram simplesmente a porta e deixai que as escolhas comecem novamente para cima e para baixo, de modo a mudardes.

E o terceiro é a da identificação. Recusar-vos ser aquele que sois, e identificar-vos sempre com mais alguém: "Ainda sou a criança, ainda sou o adolescente, sou o que está errado; sou o que é forte; sou o rochedo de Gibraltar; sou o fracote; sou aquele de quem precisais tomar conta; sou aquele que sempre se encontra em apuros; sou aquele que está sempre a tentar sair dos apuros; sou todas essas coisas excepto eu, por estar constantemente a identificar. Se estiver a projectar os pais identifico-me com a criança; se estiver a projectar a possibilidade de me estares a ofender estou a projectar o estar errado. "Identificar-me, com qualquer um e com toda a gente excepto comigo; não consigo estabelecer escolhas; não consigo mudar. Por que razão haveria de fazer isso? Por ter medo da intimidade. A intimidade assusta-me." Sim, aqueles de vós que: "Bom, eu receio a intimidade, não tem problema!" 

"Olha lá, esse é um receio significativo! É um receio que te está a impedir de mudares. Não é uma coisa a esmo, mas algo que te está a impedir de seres mais daquilo que és! Porque se tiveres medo da intimidade estarás a projectar, sobretudo a identificar; a identificar e a seguir a projectar nos outros. E como tal, não estarás a proceder a escolhas."

Mas também tendes receio da complexidade da vida; quereis que seja tudo preto no branco: "Que é que devo fazer nesta situação? Que é que devo fazer naquela situação? Que resposta terá isto, que resposta terá aquilo, e exigis uma resposta! "Por que razão existe pobreza? Uma resposta! Porque existirá sofrimento? Uma resposta! Por que razão obtenho êxito? Uma resposta! Não compliques a coisa com respostas complexas do tipo: Deve dever-se a isto, deve dever-se àquilo; nus casos deve-se a isto, em outros deve-se àquilo..." "E se não quero complexidade nesse caso vou identificar e projectar, e deixar de proceder a qualquer escolhas. E o antídoto para isso? Começar a tornar-se íntimo. Deixar que as complexidades da vida vos fascinem e vos interessem.

O quarto? A quarta razão por que não mudais? Enfado. Sim, o tédio. Ao vos sentirdes enfadados impedis-vos de mudar. "Que é que queres fazer?" 

"Não sei, estou entediado!" 

"Queres ir ao cinema?" "Não!"

"Queres ficar em casa?" "Não! Não sei o que quero fazer; estou entediado, estou aborrecido.

"Queres assistir à televisão?" "Não!"

"Não queres ver televisão?" "Não!"

"Queres ler um livro?" "Não!" 

“Que é que queres fazer?” “Não sei, eu não sei, não consigo escolher. Por me sentir atolado no aborrecimento.” Qual será o antídoto para o aborrecimento? Dar.

Porque se sentirá alguém entediado? “Por não querer dar. Eu não quero dar.” Então começai a dar. Se derdes - e referimo-nos de uma forma tangível ao acto de dar – dar uma chamada de telefone, dar alguma coisa de valor, nem que seja um pensamento, uma energia – fazei algo de tangível por mais alguém de uma forma prestativa, escrevam uma carta; façam algo, deem: Não podereis sentir-vos aborrecidos enquanto estiverdes a dar!” Assim, para aqueles de vós que se sentem entediados e não sabem o que fazer, comecem a dar: “estou demasiado aborrecido para dar.” Não; sempre sois capazes de dar. (Riso) E isso é o antídoto: começar a dar que não vos sentireis entediados e aí conseguireis começar a mudar, por poderdes proceder a escolhas durante todo o percurso.

A quinta razão por que não mudais: Inveja. Ciúme. Não estamos aqui a referir-nos a: “Sinto ciúme de ti por que quando cresceres quero que continues ao meu lado por te amar muito...” estamos a referir-nos ao ciúme: “Sinto inveja e vontade de te destruir. Quero-te arrastar para baixo e quero que fracasses e quero que erres; não quero que venças por ser ciumento. Não quero que obtenhas o teu bilhete de lotaria por querer ser eu a ganhá-lo, e se eu não conseguir obtê-lo, mais ninguém o conseguirá. Pelo menos ninguém que conheça.” (Riso) Inveja, inveja, inveja! Esse tipo de ciúme opõe-se à mudança. Não podeis escolher, e desse modo não conseguis mudar. Não conseguis descobrir a combinação nem penetrar na coisa se desempenhardes esses ciúmes vingativos, os ciúmes destrutivos. O desejo que alguém seja irrisório, de modo a poderdes sentir-vos grandiosos – em vez de terdes a coragem ou a audácia de mudar para vós próprios vos tornardes grandiosos.

Muita gente teme aqueles que têm inveja. As pessoas invejosas que ofendem-vos. “Não queiras ser muito bem-sucedido ou as pessoas invejar-te-ão. Não te mostres demasiado alegre por que senão as pessoas enfurecer-se-ão contigo e invejar-te-ão e tentarão despedaçar-te. Não obtenhas demasiado amor, ou tentarão meter-se entre vós.” E fá-lo-ão! As pessoas fazem isso, por causa dos ciúmes que sentem. Não querem ouvir-vos dizer: “Sinto-me feliz,” por isso representar uma ameaça para elas, de modo que fingem que não sois felizes. As pessoas fazem isso, mas não são mais fortes do que vós - a menos que acrediteis nisso! Se pretenderdes acreditar que aqueles que têm inveja de vós sejam mais fortes, podeis; mas de facto elas não são, por a inveja as impedir de mudar. Por isso são negativas, e a negatividade é sempre mais fraca do que a positividade. Pelo que, de facto são mais fracas do que vós.

Agora, se preferirdes acreditar que sejam mais fortes e fingir-vos mortos, podeis; se quiserdes usar isso como uma desculpa, podeis. Mas de facto a positividade é literalmente mais fraca do que a positividade. E a inveja é negatividade e representa fraqueza. Por isso, se alguém sentir inveja de vós, será incapaz de vos ofender. Ela não consegue mudar o suficiente para poder. Não é capaz de proceder às escolhas, às decisões, não é capaz de ter as ideias, os sentimentos, as atitudes ou das crenças para vos ofenderem de uma forma efectiva – a menos que lhes deem permissão para tanto. A menos que tenhais um machado por afiar, para provarem, que as pessoas ciumentas vos ofendem. Mas se descartarem essa crença, não conseguirão tocar-vos.

Por isso, vão em frente e sejam completamente bem-sucedidos e deixai que eles tenham ciúmes. (Risada nervosa isolada) mas não conseguem ofender-vos nem magoar-vos, por não conseguirem escolher, e assim, não conseguem mudar.

O antídoto para a inveja? Dizei não ao vosso ego. Em primeiro lugar admiti que tendes um e depois dizer não ao vosso ego.

E os outros propósitos e obstáculos à mudança? A culpa. A preocupação. A depressão. A raiva, que vos impede; na verdade é a culpa – não devíamos incluir a raiva nesse quadro, excepto a raiva que é suprimida. A raiva suprimida (ou sublimada), a depressão, a culpa, a preocupação – isso impede-vos de mudar, por não conseguirdes eleger. E o antídoto? Riso! 

(Riso da parte do auditório) Riso. Se estiverem deprimidos, começai a rir – não conseguireis continuar deprimidos. (Riso) se vos estiverdes a sentir culpados, começai a rir; (riso da plateia) se vos sentirdes preocupados começai a rir, e não conseguireis sentir mais; e se nada mais conseguir fazer-vos rir, sentai-vos e olhai-vos no espelho. (Gargalhada geral) “Ah, ah ah...!” (Novo surto de riso) Muito em breve começareis a rir, daquele impulso azedo que vos fixa de volta. (Riso generalizado) Começai a rir e não mais vos sentireis deprimidos ou preocupados ou culpados; aí conseguireis definir escolhas, decisões, etc., etc., etc.
 

E o obstáculo final, o último, a autocomiseração. A autocomiseração impede-vos de definir escolhas. Seja onde for. Impede-vos de ser poderosos, absolutamente. “Não consigo mudar.” Tens razão, por sentires pena de ti próprio! É exactamente correcto! O antídoto? Clamai por ajuda. Não comiseração – mas ajuda! Pedi auxílio.

(continua)
Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte

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