quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A CAUSAÇÃO E O VIR A SER


Transcrito e traduzido por Amadeu António

Vós funcionais no presente como uma conduta da luz, uma conduta do futuro. Funcionais como um cristal – não sois um cristal, mas funcionais como um cristal, que amplifica o futuro no presente. Assemelhais-vos a um canal de luz, a uma conduta do futuro e assemelhais-vos ao cristal que amplifica o futuro no presente. Ora bem, dizemos isto por uma razão particular.

Sabeis que o tempo representa uma ilusão que criastes pela conveniência de viverdes no plano físico. Sabíeis em termos místicos e agora também científicos, que o tempo é algo que foi criado pela vossa consciência, que vós o produzistes e que ele tem existência neste plano ilusório chamado físico. E portanto, muito embora funcioneis com base nele, e muitas vezes ele vos iniba, ainda assim constitui uma ilusão. E com consciência de ser uma ilusão, tendes consciência de que o passado, o presente e o futuro existem em simultâneo; e que é apenas por intermédio da utilização dos utensílios e das matérias-primas que procedeis à narrativa do tempo; alinhai-lo e juntai-lo linearmente, por uma questão de conveniência, sem sombra de dúvida, mas ainda assim fazeis isso.

Portanto, todas as coisas que aconteceram e todas quantas vierem a acontecer, existem agora. Vós alinhais a vossa realidade em termos de passado, presente e futuro, mas criai-la com base no futuro e trazei-la ao presente, para depois a dispordes contra o pano de fundo do passado. Afirmamos isso por causa da forma como todas as coisas na realidade funcionam.
Vamos pausar por um instante. Vós possuís na vossa cabeça um cérebro, não é? Pelo menos é o que se espera, não será? (Riso) Há umas evidências que apontam de forma incontestável no sentido de possuirdes. E ao longo de todo o corpo possuís o que é chamado de mente, que coordena as suas actividades por intermédio do vosso cérebro – mas também para além do vosso cérebro. Bom, uma vez mais, os vossos cientistas têm vindo a afirmar que o vosso cérebro constitui aquela massa cinzenta que ele contém, e ao longo do tempo têm vindo a desenvolver várias teorias, que por sua vez, com o tempo se tornaram antiquadas, por serem substituídas por novas teorias, novas formas de percepção. A certa altura as pessoas costumavam pensar que o vosso cérebro não passava de um receptor; que apenas recebia e que reagia – isso era tudo quanto ele fazia. Ainda há gente que elabora equívocos desses, após terem lidos as últimas novidades no campo da publicação ou seja o que for, mas que de qualquer modo avança com a teoria de que o vosso cérebro não passa de um receptor passivo.

Os vossos cientistas têm agora conhecimento de que o vosso cérebro recepciona de uma forma passiva – oh decerto que o faz! – mas faz mais do que isso, por o vosso cérebro pensar activamente e estar constantemente a processar o futuro, desde que o cérebro se desenvolveu a partir dos seus estágios iniciais, o cérebro reticular, que não passa de uma protuberância situada no término da vossa coluna vertebral, que se desenvolveu e colocou sobre si próprio um sistema límbico que permite que o vosso corpo funcione de uma forma mais sofisticada e apresente um sentido de ordem em relação à vossa realidade. E daí fixou esse maravilhoso e enorme hemisférios duplo com uma forma de cogumelo  – o córtex cerebral, conforme é chamado – que vos permite o processamento e o funcionamento massivo que constitui efectivamente a condição humana. E depois, sobre esse córtex, à frente, desenvolveu o que é chamado de lobos frontais. Os vossos cientistas de facto estão a descobrir que o vosso cérebro opera como um holograma - é verdade - cada uma das suas partes é capaz de produzir qualquer das outras, mas cada área possui a sua própria especialidade, e cada área depende das outras. O córtex e os dois hemisférios dependem do sistema reticular e do sistema límbico, a parte mais antiga do cérebro ainda viável e parte integral dessa função cerebral. E os lobos frontais, as porções mais recentes do vosso cérebro, e o núcleo reticular comunicam e trabalham em conjunto e interagem a fim de criar uma sinergia, um todo maior do que o produto das suas partes. E o que de facto os vossos cientistas descobriram, é que as especialidades primordiais e particulares dos lobos frontais se prendem com a criação do futuro; descobriram que se estendem e se alongam no que virá a ser. Descobriram que processa e pensa o futuro, e que o atrai ao presente a fim de nutrir e abastecer o córtex, o sistema límbico e o cérebro reticular.

De facto o vosso cérebro não constitui unicamente o receptor passivo, mas é um coletor e um pensador activo, um criador activo que se estende ao futuro de modo a traze-lo ao presente. Similarmente, os vossos cientistas descobriram, com o estudo que fizeram da molécula do ADN - a fita que revoluteia e que se contorce, e que compõe todo o sistema de mensagens do vosso organismo, que tem início nas duas células que se combinam numa só e que a seguir se regeneram a elas próprias e que em última análise se tornam no feto e por fim se tornam no veículo que ocupais – descobriram que essa molécula de ADN passa o conhecimento que possui de uma célula à outra, de modo que cada célula do vosso organismo possui toda a informação pertencente a todas as outras células, mas assume a sua própria especialidade. Certas células têm a sua própria especialidade, mas possuem em si a informação, o conhecimento de todas as outras células, por intermédio dessa coisa milagrosa chamada A Molécula do ADN.

Essa molécula descreve a verruga que apresentais no ombro e os “três ases” para sairdes disso. A partir dessa molécula, os cientistas obtém o conhecimento teórico quanto à restruturação da totalidade do que sois – o que representa o que chamais de clonagem. Não, ainda não foi praticado sobre a condição humana, mas eles sabem que podem praticá-lo. O ADN não constitui um registo do vosso passado, mas sim um registo do vosso futuro. O ADN não constitui um registo de todos os aspectos embrionários do vosso ser, mas um registo daquilo em que estais a tornar-vos; contém nele próprio – e os cientistas podem descrever-vos não sei quantos milhares de páginas impressas de computador se acham contidas numa simples molécula da estrutura genética entrelaçada no ARN e são transmitidas através do processo dos cromossomas para as células, etc. Não importa a quantidade de páginas que essa informação comporte – o que importa é a qualidade dessa informação e em que consiste essa mesma informação – a qual traduz o vosso futuro.

Cada célula sabe aquilo em que se está a tornar, e é o que é por causa daquilo em que se está a tornar – não em função daquilo que era. O que era, ao mesmo tempo, não era.
Aquilo em que se está a tornar! 

Similarmente, na vossa actividade diária, olhai para aquele que sois agora. Tornastes-vos naquele que sois agora, devido àquele em quem vos estáveis a tornar, ainda destinado a ser. Não por causa do vosso passado. Oh, sem dúvida, sabemos que encarais o vosso passado como o vosso factor motivador, sabemos que tivestes início e que usastes alguém como ponto de partida nessa corrida a que chamais a vossa vida, mas é o desejo em relação à meta final que motiva o corredor; é o desejo que tendes de vos tornardes naquilo em que vos estais a tornar que produz a mudança e não uma reacção contra aquilo que fostes. Pensai nisso. Pensai na pessoa que conheceis na vossa vida que mais admirais. Quem será? Pensai neste exacto instante, ainda que por um momento – em quem será que buscais o melhor e que admirais mais e de quem mais gostais? Essa pessoa tornou-se dessa maneira devido à sua terribilidade ou por causa daquilo em que iria tornar-se?

Sugeriríamos que, quando olhardes honestamente para isso, mesmo apesar do passado, do presente e do futuro serem todos uma coisa só, se existir alguma ordem a que atribuais isso tudo, os coloqueis juntos – passado presente e futuro - mas que criais isso pela ordem inversa: futuro presente e passado. O desejo que tendes de vos tornardes mais do que aquilo que sois é o que vos conduz em frente, e não o ímpeto que tendes de vos tornardes menos do que fostes.

Até mesmo nesse sentido aquela consciência que é Deus, a Deusa, o Todo, essa centelha, essa fonte original que É TUDO, na sua explosão de descoberta não explodiu contra o que existia (ou era) mas explodiu para alcançar o que podia tornar-se. Deus, a Deusa o Todo antes de saber ser Deus, a Deusa, o Todo, desejou saber em que Se estava a tornar, e não no que tinha sido. E vós enquanto a centelha microcósmica que sois, enquanto a expressão microcósmica daquilo que é Tudo, de forma similar, motivais-vos com base naquilo em que vos estais a tornar, e não naquilo que fostes.

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