sábado, 15 de dezembro de 2012

A ACÇÃO QUE EXERCEIS SOBRE O MUNDO NATURAL



Os Mecanismos da Experiência
Seth session 832, January 29, 1979
In The Individual and The Nature of Mass Events

Traduzido por Amadeu Duarte



(No final da sessão passada, que tivemos há duas semanas atrás, Seth fez menção à questão do professor de matemática que tinha escrito à Jane anteriormente, este mês; devido a várias interrupções tidas desde então, não pensei que o Seth voltasse ao assunto da carta – mas fê-lo esta noite)

Ora bem: Boa noite. Ditado.

(“Boa noite, Seth.”)



Na vossa sociedade geralmente tendes a ideia de que uma pessoa deva ter uma vida decente, uma família ou outros tipos de relacionamentos chegados, uma saúde decente, e um sentido de pertença caso o indivíduo queira tornar-se produtivo, satisfeito e contente.


Uma programação social melhor, melhores oportunidades de emprego, planos de saúde ou projectos urbanos são frequentemente considerados os meios que trazem realização “às massas”. Pouco, se alguma coisa de facto, é dito sobre a necessidade intrínseca da alma de sentir que a vida que leva seja dotada de propósito e de sentido. Pouco é dito sobre o desejo inato da personalidade por drama, o tipo de drama espiritual interior em que um indivíduo pode chegar a sentir ser parte de um propósito que é o seu, e que não obstante é maior do que ele próprio.


Existe no homem uma necessidade de sentir e de expressar impulsos heroicos. Os seus verdadeiros instintos conduzem-no espontaneamente na direcção do desejo do melhoramento da qualidade da sua própria vida e da dos outros. Ele precisa encarar-se como uma força no mundo.


Os animais também dramatizam. Eles possuem emoções. Eles sentem parte do drama das estações. Nesses termos acham-se totalmente vivos. A naturerza em toda a sua variedade é defrontada com uma riqueza por parte dos animais que se torna no seu equivalente das vossas estruturas da cultura e da civilização. Reagem à riqueza das suas nuances de uma forma impossível de descrever, de modo que as suas “civilizações" são arquitetadas por meio do entrelaçamento de informações dos sentidos que não conseguis possivelmente perceber.


Os animais sabem, de um modo que vós não conseguis, que as suas existências privadas exercem impacto sobre a natureza da realidade. Estão, pois, envolvidos. Um indivíduo pode possuir riqueza e saúde, gozar de relacionamentos aprazíveis e mesmo de um trabalho satisfatório, e ainda assim viver uma vida despida de todo o género de drama de que falo – porque a menos que sintais que a própria vida possua significado, então toda a vida parecerá obrigatoriamente destituída de significado, e todo o amor e beleza terminem apenas na decadência.

Quando acreditais em um universo formado de uma forma acidental, e quando imaginais ser membro de uma espécie gerada de uma forma acidental, então a vida privada parecerá destituída de sentido, e os acontecimentos podem parecer caóticos. Acontecimentos desastrosos tidos na conta de produzidos pela ira de Deus poderiam pelo menos ser entendidos nesse contexto, mas muitos de vós viveis num mundo subjectivo em que os acontecimentos da vossa vida parecem não possuir uma razão particular – ou de facto muitas vezes parecem dar-se em directa oposição aos desejos que tendes. 


Pretendemos examinar os mecanismos íntimos da experiência, pelo que nos vamos voltar rapidamente para um exemplo como esse.



Um homem a quem chamarei de “Professor Y” escreveu ao Ruburt (noma da essência da Jane Roberts). Ele trabalhou numa universidade da sua localidade, embora fosse originário de um país estrangeiro. A sua carta descrevia a história do infortúnio que sofrera. Ele tinha ido de férias, e voltou para descobrir que um incêndio que se tinha deflagrado no apartamento em que viva lhe tinha arruinado vinte anos do trabalho de pesquisa. Embora o apartamento tenha ficado danificado, ainda era habitável. Contudo, ele não tinha feito qualquer seguro sobre o seu trabalho, nem sobre nenhuma da mobília que tinha ardido.


Pior que isso – no ano anterior, também enquanto se encontrava de férias, tinha-lhe morrido um filho num acidente de carro. O carro não tinha seguro, e o nosso professor viu-se financeiramente falido após ter pago os estragos.


Porque estaria tudo aquilo a acontecer com ele, perguntava o professor. Ele também mencionava que tinha vindo a contactar uma “entidade”, no tabuleiro Ouija, e perguntava se o Ruburt pensava que devesse continuar.


O nosso Ruburt ficou comovido com a história do homem, e imaginou que o professor estivesse no mais melancólico dos ânimos, como, aliás, a sua carta deixava entender. Em vez de lhe escrever, porém, o Ruburt telefonou-lhe, e antes de mais tentou expressar-lhe o pesar que sentia pelo infortúnio que tinha sofrido. “Precisa examinar as crenças que tem,” disse o Ruburt, “e descobrir a razão para o incêndio, por eu acreditar que nós formamos a nossa própria realidade, por mais difícil que possa parecer numa altura como essa.”


O Ruburt ficou muito preocupado e delicadamente questionou o professor, mas o professor disse que não tinha crenças nenhumas em particular em relação a incêndios, e que certamente não deveria existir razão nenhuma no mundo por que quisesse ver os seus papeis queimados. Por essa altura, o Ruburt notou que o professor estava impacientemente a tentar mudar de assunto.


“Que outra coisa tem em mente?” perguntou o Ruburt – e instantaneamente, e com um enorme entusiasmo e a voz cheia de esperança e de vitalidade, o professor disse: “Eu realmente queria ouvir a opinião que tem sobre o Demetrious – por esse não ser o nome exacto.”

Completamente confuso, o Ruburt disse: “Era o seu filho?”


“Não, não, não,” respondeu o professor, como se quisesse saber como possivelmente o Ruburt teria esquecido um nome tão importante. “É o nome do espírito com quem falo no tabuleiro Ouija. Tratar-se-á de uma entidade ou não? Deverei fazer o que ele me diz?”

O Ruburt levou algum tempo a reajustar-se aos modos do homem. Ele estava, pois, com dificuldade em entender como uma pessoa que tinha acabado de perder o trabalho de 20 anos de pesquisa podia, em vez disso, estar tão preocupado com o que o Ruburt considerava como um exemplo tão simples da comunicação de uma pessoa com a psique. Assim, o Ruburt tentou explicar:



“É claro que a entidade é psicologicamente válida; pelo menos está a estabelecer contacto com outras porções da sua própria psique.”


O Ruburt recomendou ao professor para ler os livros que tinha publicado, que eles explicavam esse fenómeno. O professor interrompeu para dizer: “ O problema real que tenho é o seguinte: tenho uma amiga com quem espero casar, mas ela não aprova as actividades que mantenho com o meu tabuleiro Ouija. Que deverei fazer?”


O Ruburt disse ao homem que ele precisava tomar uma decisão. Por fim, o Ruburt prometeu que enviaria energia, e desligou. O homem não se conseguia convencer que tivesse tido qualquer parte no incêndio que lhe tinha destruído o trabalho de pesquisa. O Ruburt deixou a conversa nesse pé – embora tivesse ficado impressionado com a resiliência do homem, e pela óbvia exuberância que expressara ao falar na entidade do tabuleiro Ouija.

Eis o que aconteceu:


O professor Y acredita na respeitabilidade, e acha que a profissão que tem é gratificante, com respeito a isso. A sua pesquisa, porém, não o estava a conduzir a parte nenhuma. Ele tinha dito a toda a gente que um dia a iria publicar. Por outro lado, percebeu muito bem que a pesquisa não o estava a conduzir a parte nenhuma, e que só servia de fachada. Em determinadas áreas, ele não se sentia confortável, nesta nação. Usou a ideia da pesquisa para se destacar dos outros de uma forma superior. Na verdade sentia-se cansado da posição que assumia na universidade, e viu-se diante de um dilema, dado a universidade contava que um belo dia viesse a produzir ou a publicar a pesquisa que tinha feito.

A solução, é claro, passava pela destruição dos papéis – mas não por uma forma por que ele pudesse ser considerado responsável, caso a tivesse cometido directamente, ou sido cometido por outro. O seu filho favorito tinha morrido (pelas suas próprias razões) no ano anterior, enquanto o nosso professor tinha ido de férias. O seu casamento tinha sofrido um rompimento há imenso tempo, e agora, com a morte do seu filho certos laços foram quebrados. E ele apaixonou-se. Procurou uma forma de sair da situação em que se via – e assim, com o sentido de um perfeito drama, durante as férias do ano seguinte (deste ano) ele cortou todos os laços que tinha deixado, por assim dizer.


O incêndio começou devido a um fio em mau estado. Certamente, o professor não tinha ideia de estar a sabotar o equipamento eléctrico do apartamento em que vivia, no entanto o objectivo que tinha fez precisamente isso. O homem pode e altera a matéria. O nosso professor pode escrever sobre as "circunstâncias desastrosas" que viveu, mas a voz que utilizou falavam pelo estado de alívio que sentia e do sentido de elação e de liberdade que era impossível de ocultar.

Ele tinha vivido a sua vida prévia de uma forma tão estrita que carecia desse drama e do entusiasmo que é tão importante. As experiências levadas a cabo com o tabuleiro Ouija, tão aparentemente contraditórias, permitiu que libertasse e expressasse emoções e sentimentos há muito enterrados. Ele não poderia ter asseverado a si mesmo que a sua vida continha sentido, mas a psique, ao personificá-lo por ele próprio, podia transmitir-lhe a verdade: que a sua existêncua - a sua existência - era válida e necessaria no esquema do universo.

Simbolicamente, o nosso professor tinha vontade de "chegar o fogo" aos papéis.

Ele estava bastante ciente de por vezes ter tais pensamentos, mas expulsava-os da sua consciência para a clandestinidade, por assim dizer. O objectivo que tinha foi-se avolumando e começou a gerar uma fraqueza num fio da electricidade particular que viria por fim a culminar num incêndio. Haveria de se dar muito convenientemente quando ele estivesse ausente, e uma actividade poltergeist insuspeita desse tipo acontece muitas vezes.

Esqueceis que os veículos fios, aviões, e navios, conquanto representem conquistas tecnológicas, ainda fazem parte do mundo natural. Eles fazem, pois, parte da natureza, e têm existência nela. Em outras partes tentei  explicar a parte que o homem exerce na formação do tempo, por exemplo; e do mesmo modo, as emoç\oes e objectivos que tem afectam os veículos que conduz, os aviões que pilota, e os edifícios em que vive.

Certas pessoas, por exemplo, parecem ter uma sorte desafortunada com os automóveis que estão constantemente a falhar de um modo ou de outro. Isso envolve muito mais do que uma questão de sorte ou de veículos mal concebidos, por outros não sofrerem quaisquer problemas com os mesmos modelos. Vós afectais todas as partes do vosso mundo, e as crenças que tendes, por exemplo, em relação às máquinas, terão muito mais que ver com a sua eficiência ou falta dela.

Quando afirmo repetidamente que "vós formais os acontecimentos que têm lugar nas vossas vidas," estou a referir-me a uma mecânica interior tão vasta que chega a incluir a telepatia e a clarividência, é claro, e toma como certo o poder da mente de alterar os mecanismos físicos.

O professor, por intermédio de métodos bastante pouco ortodoxos, está agora a permitir-se redescobrir o sentido da sua vida. Esse é um procedimento bastante terapeutico. Caso ele tivesse permitido aos pensamentos perturbadores que tinha uma maior liberdade, e tivesse tratado deles, porém, que teria simplesmente podido queimado os papéis e deitado para o bidão da cinza, mas ele não acreditava na importância dos próprios sentimentos que tinha.  Ele sentiu-se impotente.

O incêndio que teve lugar salvou-lhe a reputação, e ao mesmo tempo representa a própria necessidade que sente de se libertar de uma trabalho que descobriu ser restritivo e pouco gratificante. Goza de um desculpa impecável para deixar de publicar o material - pois quem alguma vez acreditaria que o objectivo que tinha levaria os fios a tornar-se defeituosos?

Os sentimentos que tinha em relação à pesquisa que fez afogaram os humores elevados que tinha e corroeram a inclinação natural que tinha em relação à exploração do mundo natural. Um homem era, pois, responsável, embora não percebesse isso, por ter ateado o fogo ao próprio apartamento a fim de poder permitir-se redescobrir o sentido da sua própria vida.

Que tipo de acontecimentos não conseguirão as pessoas formar quando se sentem impotentes, quando as suas vidas parecem destituídas de sentido - e que mecanismos estão por detrás desses acontecimentos?