sábado, 20 de outubro de 2012

RECEITAS DE TELEVISÃO - Seth




Traduzido por Amadeu Duarte

Examinai a literatura que ledes, os programas televisivos a que assistis, e dizei a vós próprios para ignorardes aquelas indicações dadas em relação às fraquezas corporais. Dizei a vós próprios para ignorardes a literatura ou os programas que se pronunciem com autoridade acerca dos instintos assassinos da espécie. Fazei um esforço por libertar o vosso intelecto de tais crenças prejudiciais. Dai uma oportunidade às vossas próprias capacidades. Se aprenderdes a confiar na vossa integridade básica de pessoa, então sereis capazes de aceder às vossas capacidades com clareza, sem as exagerar nem as depreciar.
O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Os comprimidos, as poções e injecções que supostamente deveriam combater a constipação e a gripe ganham um realce proeminente, de modo a servir de recordação para aqueles que de outro modo as poderiam ter esquecido os tempos de dificuldade que se avizinham. Os anúncios de televisão trazem uma nova barragem, de modo que podeis ir da estação febre do feno até à estação da gripe sem perder nenhum remédio pessoal.

Os vossos dramas televisivos, os espectáculos de polícias e ladrões, as produções de espionagem são simplistas, no entanto aliviam a tensão de uma forma de uma forma que os vossos anúncios de saúde pública não conseguem fazer. O espectador poderá dizer: “È claro que me sinto em pânico e inseguro, e assutado, por viver num mundo tão violento.” O medo generalizado pode encontrar uma razão para a sua existência. Mas os programas pelo menos conseguem fornecer uma solução em termos dramáticos, enquanto os anúncios da saúde pública continuam a produzir mal-estar. Essas meditações de massas reforçam, pois, as condições negativas.

No geral, pois, os espectáculos de cariz violento prestam um serviço, pelo facto de geralmente promoverem o sentido do poder individual do homem ou da mulher sobre um dado conjunto de circunstâncias. Quando muito, os anúncios do serviço público introduzem o médico como mediador: É suposto que leveis o vosso corpo ao médico tal como levais o carro a uma garagem, para substituírem as suas peças. O vosso corpo é visto como um veículo que se encontra fora de controlo, e que necessita de constante escrutínio.
 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

A Ruburt (Jane) e o Joseph (Rob) compraram recentemente uma televisão a cores, de modo que o mundo televisivo deles agora não é mais a preto e branco. Eu utilizei a televisão como uma analogia em várias alturas, e gostaria de o fazer novamente, para mostrar o modo como os eventos físicos são moldados, e tentar descrever os muitos métodos usados pelas pessoas na escolha daqueles eventos particulares que virão a ser pessoalmente defrontados.

Não só a televisão serve efectivamente como um meio de massas para a meditação comunitária, como também vos apresenta sonhos detalhados e manufacturados em que cada espectador partilha até determinado ponto. Vamos aqui empregar algumas distinções, pelo que vou introduzir os termos “Enquadramento 1” e “Enquadramento 2”, a fim de tornar a discussão mais clara. Vamos chamar ao mundo conforme o experimentais em termos físicos, Enquadramento 1. Nesse Enquadramento 1, assistis, por exemplo, a programas televisivos. 

Dispondes da escolha de muitos canais. Tendes os vossos programas favoritos. Seguis certas cenas ou autores. Assistis a todos esses dramas, dificilmente compreendendo como é que aparecem no vosso ecrã, para início de conversa. Contudo, estais certos, de que se comprardes um aparelho de televisão, ele funcione da maneira esperada, quer estejais ou não familiarizados com a electrónica. 

Mudais de canal para canal com resultados previsíveis. O programa destinado ao canal 9, por exemplo, não aprece subitamente no canal 6. Até mesmo os próprios actores que tomam parte em tais sagas, fazem a menor ideia dos eventos que estão envolvidos para que as suas próprias imagens apareçam no vosso ecrã de televisão. A sua função consiste em actuar, tomando como certo que os técnicos os acompanhem.

Agora, algures, há um director de programas, que precisa tomar ao seu cuidado toda a programação. Os espectáculos precisam ser apresentados a horas, e aos actores atribuídos os seus papéis. O nosso director hipotético saberá quais os actores que estarão disponíveis, qual o desempenho de papéis que os actores preferem, quais são os heróis ou as heroínas, e qual o Don Juan sorridente que sempre consegue a rapariga – e em geral quem representa os bons e os maus.

Nesta descrição detalhada que aqui emprego, não há necessidade da multiplicidade de eventos que precisa ocorrer para poderdes assistir ao vosso programa favorito. Ligais o interruptor e ele aí está, enquanto todo esse trabalho de bastidores permanece desconhecido para vós. Tomais isso como um dado adquirido. Cabe-vos simplesmente escolher os programas da vossa preferência em qualquer noite. Muitos outros assistem a esses mesmos programas, é claro, todavia, cada um reagirá de modo bastante individual.

Agora, por instantes imaginemos que os eventos físicos ocorrem do mesmo modo – que vós escolheis aqueles que surgem no ecrã da vossa experiência. Estais bastante familiarizados com os eventos da vossa própria vida, por serdes, claro está o vosso próprio actor ou atriz principal, vilão ou vítima, ou seja o que for. Tal como desconheceis o que acontece no estúdio de televisão antes de observardes um programa, contudo, também desconheceis o que se passa no quadro da realidade antes de experimentardes os acontecimentos físicos. Vamos chamar a esse vasto estúdio mental e universal “desconhecido” Enquadramento 2.

Neste livro iremos dizer-vos o que se passa por detrás das cenas – para vos mostrar o modo como vós escolheis os vossos programas físicos diários, e para vos descrever a forma como essas escolhas pessoais se misturam e fundem para formar uma realidade de massas. Por ora, vamos voltar de novo à televisão. Podeis desligar um programa que vos ofenda. Podeis escolher comprar ou não um produto cujas virtudes estejam a ser elogiadas. A televisão apresenta-vos um espelho da vossa sociedade. Ela reflecte e volta a reflectir através de milhões de lares os gigantescos sonhos e temores, as esperanças e os terrores dos acontecimentos que se dão na mais privada esfera do indivíduo.

 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”


A televisão interage com as vossas vidas, mas não é a causa das vossas vidas. Não causa os acontecimentos que retrata. Com a vossa enorme crença na tecnologia, muitas vezes parece a muita gente que a televisão cause violência, por exemplo, ou que provoque uma afeição por um materialismo exagerado, ou que se torne na causa de uma moral prolixa. A televisão reflecte. De certo modo nem sequer chega a distorcer, embora possa reflectir distorções. Os escritores e os actores dos dramas televisivos estão em sintonia com a mente das massas. Eles não são líderes nem seguidores, mas criadores que reflectem, cientes agudamente dos padrões generalizados emocionais e psíquicos da geração.

Também fazem escolhas quanto aos actos em que tomarão parte. Cada um tem o seu tipo de papel favorito, mesmo que seja o papel de um dissidente. Para os actores, é claro, os seus papéis tornam-se partes indeléveis da suas experiências pessoais, enquanto aqueles que observam as cenas assumem largamente o papel de observadores.

Tendes, por intermédio dos vossos jornais e revistas, consciência desses dramas, da emissão de notícias, ou outros programas que estejam presentemente a ser emitidos. Do mesmo modo estais conscientes, para falar em termos gerais, dos “programas” que estão a ser fisicamente apresentados na vossa própria nação e por todo o mundo. Decidis em qual dessas aventuras desejais tomar parte – e quais as que experimentareis na vida normal, ou no Enquadramento 1.
Os mecanismos que antecedem a vossa experiência têm lugar no vasto estúdio mental do Enquadramento 2. Aí, todos os detalhes são organizados, os encontros aparentemente fortuitos, por exemplo, as inexplicáveis coincidências que poderão ter que ocorrer antes de um evento físico poder ter lugar.

 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Os vossos pensamentos e crenças e desejos formam os acontecimentos a que assistis na televisão. Se quiserdes mudar o vosso mundo, precisareis primeiro mudar os pensamentos, as expectativas e crenças que tendes. Se cada leitor destas palavras mudar as suas atitudes, ainda que não tenha sido reescrita uma única letra da lei, amanhã o mundo terá mudado para melhor. As novas leis segui-lo-ão.

“O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Conclusão: Vós sois indivíduos, contudo cada um de vós forma uma parte da realidade do vosso mundo. No nível consciente, geralmente só tendes consciência dos vossos próprios pensamentos, mas esses pensamentos fundem-se com os pensamentos de todos os outros pelo mundo fora. Compreendeis o que a televisão é. Noutros níveis, contudo, carregais uma imagem das notícias do mundo, uma que é sintonizada pelas células que compõem toda a matéria viva. Quando tendes um impulso no sentido de agir, trata-se do vosso próprio impulso, no entanto também faz parte da acção do mundo. Nesses termos, existem sistemas interiores semelhantes a sistemas neurológicos que fornecem uma comunicação constante por meio de todas as partes do mundo. Se aceitardes o facto de que o homem constitui basicamente uma excelente criatura, então dareis azo a movimentos livres e naturais inerentes à vossa própria natureza psíquica – e essa natureza brota dos vossos impulsos, e não se opõem a eles.

Não existe evento algum à face da terra em que cada um de vós não tenha representado uma parte, conquanto diminuta, devido à natureza dos vossos pensamentos, crenças, e expectativas.
Não existe acto público que da mesma forma não estejais envolvidos. Vós estais intimamente ligados a todos os acontecimentos históricos da vossa vida.

Em certa medida vós participastes no acto de levar o homem à lua, quer tenhais ou não tido qualquer ligação com a própria ocorrência física. Os vossos pensamentos foram tão responsáveis pela colocação do homem na lua quanto qualquer foguetão o foi. Podeis, agora, deixar-vos envolver numa nova exploração, uma em que as civilizações e organizações do homem alteram o seu curso, e em que reflitam os seus melhores propósitos e ideais. Podereis fazer isso cuidando que cada passo que pessoalmente dais seja idealmente adequado aos fins que esperais alcançar. Cuidareis de fazer com que os vossos métodos sejam os ideais.

Se fizerdes isso, a vossa vida será automaticamente provida de emoção, entusiasmo natural e criatividade, e essas características reflectir-se-ão nos mundos externos social, político, económico e científico. Trata-se de um desafio que vale mais do que o esforço que envolve. É um desafio que eu espero que cada leitor aceite.

“O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

NT: Veja-se o exemplo da síndrome criada pelos laboratórios farmacêuticos, ou "Síndrome da Pança", que apontaram como síndrame metabólica grave que conjuga vários indicadores como a diabetes, a hipertensão e o excesso de peso, e visa tratá-la no quadro conjunto desses elementos. Na verdade, segundo outros técnicos, essa síndrome nunca existiu, e o seu tratamento, efectivado nessa base, não passa de uma vigarice!

Nas campanhas de informação estatal da França e do Canadá foi sugerido que se tratava de uma forma de padecimento grave, mas o móbil que se esconde por trás dessa campanha traduz-se por uma palavra - VENDER medicamentos!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SOBRE A INTUIÇÃO



Transcrito e Traduzido por Amadeu Duarte

Que condição atmosférica excelente a que criaram para o seminário desta tarde dedicado à intuição. Deve indicar deveras o facto de estarem preparados e dispostos a absorver todo o tipo de informação com a criação de um céu claro e belo. Pois bem, de facto estão preparados, sem sombra de dúvida, porque na caminha espiritual e busca que empreendem, conforme a podereis entender, é já tempo para olharmos de uma forma bastante específica esta questão da intuição. Tanto para desenvolverdes a intuição que já possuís, de facto, pois sois todos muito intuitivos, sem sombra de dúvida, mas por a chave disso estar em desenvolvê-la de uma forma mais completa e em vos abrirdes a uma maior parcela dessa mesma intuição que se acha efectivamente presente.
...

Mas queremos começar por abordar a importância que a intuição apresenta. Trata-se de uma palavra agradável e que soa bem, conforme dissemos, e que pode ir desde uma forma qualquer de brincadeira que se prenda com a área da suposição até um arrepio psíquico pela espinha acima, mas para a maioria, a intuição é aquele tipo de coisa... sabem como é... uma daquelas coisas que as pessoas têm e que por vezes usam sem espécie nenhuma de sentido de abordagem ou de exploração e sem nenhum tipo de precisão, e que mais parece um tipo de situação daquelas de acertar ou de errar.

E sem dúvida nenhuma escutastes já maravilhosas histórias sobre vários indivíduos que passam por momentos do tipo “Ah ah!” e “Eureka” e várias e magníficas percepções ou revelações, e decerto que estareis familiarizados com a teoria da relatividade promulgada por Einstein, que lhe sobreveio através de um sonho e que resultou na sensação inicial, na percepção inicial do impacto intuitivo de alguma coisa dentro dele que precisava ser desenvolvida e compreendida com uma maior clareza e que agora se tornou efectivamente num facto e numa parte principal da corrente do pensamento que lida com todas essas coisas.

Mas nesta tarde queremos começar pela consideração da importância que a intuição tem. Porque de facto, na jornada espiritual que trilhais, mencionamos e falamos sobre vários passos iniciais que são importantes e que cumpre efectivamente dar; de facto esses primeiros passos são o desenvolvimento de um relacionamento amável, o desenvolvimento de um relacionamento carinhoso convosco próprios e com os demais. Funcionar ou proceder a partir de uma base assente no facto de serdes uma pessoa amável constitui um modo ou método particular de dar início ao desenvolvimento da excelência e aos vários componentes inerentes a essa função, presentes no âmago da criação elegante da realidade.

De modo semelhante, o do desenvolvimento dos sete valores do Eu: percepção de si-mesmo, autoestima, valor próprio, amor-próprio, autoconfiança, respeito pessoal e realização pessoal, o que em última análise conduz ao amor incondicional, como primeiro passo da vossa caminhada espiritual, da vossa aventura espiritual. Mas igualmente, o passo inicial, um tanto amorfo, um tanto abstracto mas ainda assim válido, que é o de estabelecerdes uma noção do sentido de comunicação ou de comunhão com o vosso Eu Superior numa base definida em termos de regularidade.

Mas sugerimos muito claramente que podeis pegar numa qualquer, ou em duas, três ou quatro dessas actividades particulares ao vos aventurardes inicialmente, ao dardes os primeiros passos no domínio do desconhecido e dessa coisa ambígua chamada espiritualidade.
E aquilo que aprendeis ao dar um ou uma combinação desses passos é que fundamentalmente precisais dar os quatro; fundamentalmente precisais trabalhar até certo ponto para estabelecer uma certa proficiência em cada um desses componentes, e funcionar de modo excelente. E em segundo lugar, precisais aceitar e conhecer o valor dos vossos próprios componentes, de ter esse sentido de serdes uma pessoa carinhosa, de funcionardes nessa qualidade, e muito claramente, de terdes um sentido de unidade e de união com o vosso Eu Superior.

E ao começardes por esses passos iniciais da vossa espiritualidade, também descobris que é um passo inicial e que constitui um passo contínuo, que sempre precisais remeter e renovar essas qualidades particulares em vós, absolutamente. E ao longo de toda a vossa jornada, por onde quer que ela vos leve, nesta vida e para além desta vida, para reinos mais elevados, em que com certeza ainda ireis lidar com os valores do ser conforme são definidos nesses níveis: com o amor, com a comunhão com o vosso Eu Superior - em que progressivamente vos tornareis mais num só - e com certeza funcionar de uma forma ainda mais importante nesses níveis superiores, com a excelência.

Assim trata-se de um passo inicial e de um passo terminal; um passo em contínua expansão. Mas o desenvolvimento de um relacionamento vivo, arejado, abrangente com Deus, com a Deusa, com o Todo tem manifestamente muito mais que se lhe diga do que apenas esses quatro passos. E existem em definitivo muitos outros passos e muitas outras contingências envolvidas nessa complexa e intrincada actividade da vossa jornada espiritual.

Um desses passos, um passo bastante necessário consiste no desenvolvimento da intuição. Não é opcional; o que é opcional é a altura em que a desenvolvereis e o quanto a desenvolvereis. Mas eventualmente precisareis desenvolver uma função intuitiva de forma consciente. Porque de facto todos vós funcionais intuitivamente; tal como todos criais a vossa realidade com base nos vossos pensamentos, nos vossos sentimentos, nas vossas atitudes e crenças. E todos vós manifestais essas ilusões neste vosso plano físico - quer acrediteis nisso ou não, quer saibais disso ou não, quer queirais aceitar isso ou não. O próprio facto de criardes a vossa realidade, o próprio facto de usardes os vossos pensamentos e sentimentos e atitudes e crenças para manifestardes a realidade, pode ser usado para provar em termos conclusivos que não a criais, e isso denota a beleza do sistema; o facto de poder ser usado para provar que não existe; mas é claro que só provais em termos conclusivos que existe.

Mas o desenvolvimento, o vosso desenvolvimento espiritual envolve não a decisão de virdes a criar a vossa realidade, mas a descoberta de que o fazem e de o fazerem de forma consciente. O mesmo se passa com a intuição. Não é decidir: “Ah, muito bem, penso que vou tornar-me intuitivo a partir de agora, como se nunca tivesse sido antes, na minha vida. Creio que vou descobrir como se consegue tal coisa, e começar a fazê-lo.” Não, vós já sois altamente intuitivos. Toda a gente o é, e aqueles de vós que se envolvem com o desenvolvimento, aqueles de vós que se envolvem numa sincera espiritualidade – estabelecemos essa distinção, por existir muita espiritualidade por aí que é menos sincera – mas aqueles de vós que se acham envolvidos, são particularmente intuitivos; só que muitas vezes fingem não ser, muitas vezes negam esse facto, e atribuís tudo o que vem a vós intuitivamente a alguém ou fingis não ter acontecido ou convenientemente esqueceis.

Assim o trabalho, a tarefa, a obrigação que vos cabe, envolvidos que vos achais na vossa jornada espiritual é agora, nesta altura, voltar-vos para algo que sois vós, algo que tendes vindo a operar o tempo todo, e aceitá-lo de uma forma consciente. Para a seguir o desenvolverdes conscientemente, desenvolverdes o que possuis de uma forma inata, desenvolverdes mais do que o que possuís naturalmente. Desenvolver a destreza de ser uma pessoa intuitiva.

A intuição é o veículo que vos aproxima mais de Deus, da Deusa, do Todo. E também representa o combustível que impulsiona esse veículo. Há muitos que vos dirão – e correctamente! - que sois Deus; mas há poucos que vos dirão – mais acertadamente ainda! – que sois Deus, a Deusa, e o Todo. Mas entendam, muitos utilizarão essa verdade para justificar complacência, para justificar um estado de sonambulismo, e para pensar que já serão perfeitos. Muitos utilizarão essa verdade de uma forma errónea, e em vez de vos explicarem que, sim, já sois Deus, a Deusa, o Todo, a tarefa que vos cabe consiste em vos descobrirdes a vós, devido a que por meio dessa autodescoberta vos torneis mais Deus, a Deusa, o Todo. Por a parte de vós que já é Deus, a Deusa, o Todo agora, ser tão pequena – efectiva mas diminuta – e por o objectivo da vossa espiritualidade consistir em a expandirdes, em vos tornardes mais nela, de modo que quanto mais progredirdes mais vos tornareis e mais próximos de Deus, da Deusa, do Todo.

Não sois perfeitos do jeito que sois; tendes o desenvolvimento, a expansão e o chegar adiante. Graças a Deus que não sois perfeitos da forma que sois, porquanto, se vos olhar-vos ao espelho, de forma literal ou figurativa, podeis chegar à conclusão de que: “É isso aí!” O que seria bastante sombrio, no mínimo! (Riso) Mas é o começo disso que pode tornar-se muito excitante. É a semente dentro de vós, algures por entre esses olhos, por detrás desse corpo, algures escondido nele e no entanto sem lá se encontrar de todo, essa semente, essa centelha, esse Deus, essa Deusa, esse Todo. E por intermédio da descoberta de quem sois, vós descobris Isso. E expandis Isso – dentro de vós. E o veículo para isso, e o combustível desse veículo é a intuição.
É muito importante que a desenvolvais, e até certo ponto é crítico; e é óptimo desenvolvê-la antes de se tornar crítica, de forma a poderdes voltar-vos para ela com elegância e com graça. Mas não somente desenvolver-se espiritualmente, e obter êxito nisso, como desenvolver-se espiritualmente de modo fácil, sem grande esforço, sem sofrimento. Não somente que obtenhais sucesso, mas a forma como o obtendes, abre a porta mágica, abre a passagem escondida para maiores níveis de espiritualidade que de outra forma não descobriríeis.

Poderíamos dizer que se assemelha-se quase a um satélite a girar em órbita, preso num campo gravitacional, mas numa órbita que gira e gira ao redor sem parar; a mover-se, sem a menor dúvida, mas a faze-lo em círculos; a progredir, mas sem conseguir aproximar-se da sua fonte ou objectivo – o que dá no mesmo. E vós precisais sair dessa órbita; precisais de um aumento de energia para conseguirdes abandonar a órbita, e esse incremento, esse impulso de energia é a intuição. E para conferirdes a vós próprios esse impulso precisais de algo que o alimente, e esse combustível é igualmente a intuição.

Usando essa mesma analogia - mas ficai cientes de que todas as analogias em se desmembram, última análise - gostaríamos de sugerir que pela utilização dessa analogia, podíeis ver a vossa existência pessoal actual como que em órbita, a circundar o vosso inconsciente pessoal e o inconsciente colectivo, às voltas sem parar dentro da sua esfera, do seu campo gravitacional, da sua esfera de influência, da sua bolsa.

A nutrindo-vos actualmente com o que podemos chamar de lógica pessoal e colectiva. Utilizamos esse termo, “lógica pessoal” e “lógica colectiva” ao contrário de lógica induzida ou deduzida, por que com toda a clareza, 90% daquilo a que as pessoas se referem como “lógico” não o é. Não dizemos que não é por de algum modo ser ilógico; o que queremos dizer é que na realidade não se enquadra naquilo que representa a lógica. A lógica é, quer dedutiva – um processo de silogismos, uma combinação de afirmações (três, para ser mais exacto) que redundam numa conclusão, que por sua vez é lógica; isto é assim, aquilo é assado, pelo que aquele outro será... etc. Assim como também pode ser indutiva, que pega na coisa específica e a extrapola ou expande numa generalização.

Qualquer coisa que não se enquadre constitui essa abordagem silogística não é lógica, mas será porventura pensar ou raciocinar e vários outros componentes que se prendem com a reunião de pedaços de informação numa forma qualquer estranha para chegar a fazer algum sentido razoável, mas não é lógica. Não se enquadra necessariamente nem decorre em absoluto da afirmação corrente: “Os humanos são mortais; de modo que como fulano é humano, também é mortal.” Esse é um raciocínio induzido por um silogismo que o reverte para a indução, e noventa por cento daquilo que dizeis ser lógico - seja uma conclusão lógica ou uma resposta lógica, que faça sentido em termos lógicos, na realidade não faz; só que utilizais o termo como um tipo qualquer de carimbo de aprovação, pelo que nos passaremos a referir a isso como lógica pessoal e colectiva. Mas isso constitui o combustível corrente que mantém esse movimento orbital ao redor do inconsciente colectivo por meio do vosso inconsciente pessoal.

Precisais de mudar de combustível e de passar a usar a intuição como combustível, não de uma forma exclusiva, nem deitando fora o poder do vosso raciocínio nem o vosso pensar, evidentemente, mas talvez utilizando-o como um aditivo ao combustível, um produto da STP ou algo do género, que faça esse combustível queimar de uma forma mais eficaz e eficiente, de forma a poderdes impulsionar-vos para fora da órbita, e ir além dela, para fora desse inconsciente colectivo, por meio do uso da intuição; não conseguis descobrir uma forma para isso, não podeis avançar por meio da lógica, precisais faze-lo intuitivamente. “Óptimo! Mas como é que o fazemos?” É a isso que iremos chegar.

Mas torna-se importante avançar, e não só avançar mas progredir, chegar mais perto da vossa fonte, de Deus, da Deusa, do Todo, adicionando ao combustível essa intuição e impulsionando-vos para fora da órbita, para fora da posição de prisão, que se assemelha ao movimento quando na realidade não é, tal como a órbita em que vos encontrais. Do mesmo modo conforme dissemos, afastar-se do inconsciente colectivo, envolve dois conceitos bastante importantes. O da concepção e da percepção. E o do estabelecimento do domínio em substituição da vossa habitual dominação (controlo). Dois conceitos críticos que são essenciais se verdadeiramente quiserem afastar-se do vosso inconsciente colectivo, ainda que de tempos a tempos, se não inteiramente.

Quando consideram o conceber, que vai além do mero reorganizar daquilo que já é do vosso conhecimento, e vai além do uso da imaginação, e traduz o desenvolvimento de algo novo, de algo que não tenha existido, a intuição revela-se evidentemente uma parte integrante disso. E de forma similar à da percepção, vai além do mero compreender, e assenta no domínio que é o da intuição. E por isso, crítico à percepção e à concepção é uma consciência que opere com a intuição. E para que actue claramente fora do domínio do controlo e mais dentro da situação de ter domínio, um dos factores mais chave é a capacidade co-criativa, junto com Deus, com a Deusa, com o Todo. Não manipular Deus, a Deusa, o Todo, nem tentar levar a melhor de modo a levá-Lo a dar-lhes a realidade que pretendem, enganando-O, o que é um tanto arrogante presumir que se possa fazer, mas seja como for… É co-criar juntos, decidir em conjunto, e depois ser responsável individualmente por aquilo que criam.

Para terem essa capacidade de co-criação, precisam permanecer abertos e dispostos, e ser capazes de operar de forma intuitiva. Assim, mesmo para se afastarem desse inconsciente colectivo, e para passarem - para o quê? Para o domínio intuitivo, sim - precisarão usar a intuição para lá chegar. Quanta falta de lógica! Precisam usar a própria coisa que precisam alcançar para lá chegar, para o alcançarem! Sim, bastante ilógico, mas por outro lado bastante maravilhoso, assim que começarem a utilizar a intuição para lá chegar, eis que terão lá chegado – não terá levado tempo nenhum a chegar, e não precisarão ir a parte nenhuma.

Na conversa que tivemos acerca do ano da oportunidade, 1985, falamos dos alicerces ou fundamentos que eram únicos na relação que tinham com esse ano e por conseguinte, durante os doze anos subsequentes. E na altura referimos que esses fundamentos voltariam a surgir um e outra vez neste ano, e assim voltaram a surgir nesta altura particular ao considerarmos a intuição. Por, uma vez mais, a intuição constituir uma parte muito crítica de cada um desses quatro alicerces. O fundamento deste ano de 85 assenta no culminar e no manifestar, quer do passado quer do inconsciente colectivo, quer do futuro – ou da intuição. Por ser assim que descobrem o futuro, por ser assim que o produzem, por ser assim que o trazem à baila, e não apenas decidindo que isto é o que é, mas com consciência daquilo que é. Produzi-lo, manifestá-lo. E por isso crítica, e parte integrante desse alicerce é a presença e a função da intuição.

O facto de ser o ano da oportunidade – o que representa o segundo fundamento - assenta no facto de as oportunidades se apresentarem por todos os lados, muitas oportunidades, tantas que por vezes se verão oprimidos com a quantidade. Algumas serão selecionadas, outras serão ignoradas, preteridas. Quais? Como o sabereis? Adivinhando? Mas se adivinharem incorrectamente, então adivinharão mal, de forma errada. Se adivinharem correctamente, isso será intuição. Por isso, a intuição forma uma parte vital importante da tomada dessas decisões, da formação dessas formas de discernimento, relativamente às oportunidades que lhes irão ser arremessadas, ou que irão agarrar ou tirar proveito; e de quais irão ficar a ver passar. Por poderem ficar presos com tantas oportunidades quanto podem ficar sem nenhuma. Os contrários são os mesmos – precisam recordar-se disso.

O terceiro fundamento subjacente assenta em que, agora mais do que alguma outra vez, a totalidade, o realismo virá não só do facto de serem bem-sucedidos, mas da forma como são bem-sucedidos. Isso irá ser fonte de muito desapontamento para muita gente, que tem vindo a divertir-se com o falhanço há muito tempo e que por fim, durante este ano irão sair bem-sucedidos: “Tam-tam, aqui estou eu. Finalmente cheguei à coluna do sucesso; atravessei a linha dos débitos para os créditos ou seja o que for. Plantei, por fim, os pés firmemente em terreno de sucesso.” Mas agora não vai tornar-se na importante medida; (Riso) Não se trata mais de se saírem simplesmente bem-sucedidos mas a forma como se saírem bem. É isso que irá deixar as pessoas desapontadas: “Ei, olha, o facto de me ter saído bem basta, não?” Não! Estão constantemente atrás, não é? (Riso)

Mas a forma como se saem bem. “Oh, que quererá isso dizer?” Com facilidade, com lisura, com graça, com dignidade, com elegância, com excelência, com amor, com confiança, com todo o tipo de termos positivos. E com um filamento que conduza muito disso tudo em conjunto – não tudo, mas muito disso. Isso é intuitivo. Sair-se bem com um sentido de intuição, com um sentido de sorte, com um sentido de saber, com um sentido daquele clarão súbito do: “Ah-ah! Eureka. Aleluia - tudo isso!” Isso torna a forma como são bem-sucedidos plausível.


E por fim, claro que o fundamento subjacente final assenta na decisão; em começar a definir - entendam se fazem o favor - começar a definir a decisão se irão tomar parte, participar no sucesso do vosso planeta com a compreensão de que o planeta já irá ser bem-sucedido, o que já constitui uma dado adquirido. Assim, não é uma questão de saber se irão sobreviver ou não - sim, irão, enquanto planeta; a questão reside em saber se irão ser participantes nessa sobrevivência, ou observadores. E a forma porque participam é sendo bem-sucedidos, é tendo sendo auto-suficientes, sendo autônomos. De facto, podemos reunir vários componentes da personalidade, componentes da imagem, como os de serem únicos, autoconfiantes, auto-suficientes, corajosos, compassivos, de se autorrealizarem, de serem espontâneos. Vários componentes que falam por essa independência, enquanto uma outra  qualidade que é, essa independência de contribuição: "Eu não dependo nem prejudico indevidamente o planeta com a minha presença. De facto, o planeta encontra-se bem melhor por causa de mim. Não necessariamente por lhe estar a fazer algo, ou em prole dele, directamente, mas pelo facto de me sair bem-sucedido, auto-suficiente, autônomo, único, espontâneo, auto-realizado, corajoso, compassivo, pelo que sirvo de centelha, de inspiração, de luz, numa posição, caso contrário, de trevas.