sábado, 29 de setembro de 2012

PAZ INTERIOR



A PRÁTICA EFECTIVA DA IMAGINAÇÃO ACTIVA

Transcrição tradução e desenho da autoria de Amadeu Duarte

Hoje queremos trabalhar com algumas das emoções obsessivas que tendes, emoções recorrentes que se vos intrometem no caminho da vossa Paz Interior. Queremos trabalhar com a ansiedade, com a preocupação, e com a confusão e a dúvida.

De modo notório, essas não são as únicas coisas que se intrometem no caminho da Paz Interior – a raiva e a mágoa não expressadas, a autocomiseração e o medo. Com as emoções mais explosivas já vós vos achais familiarizados; também vamos falar desses sentimentos, mas muito mais rapidamente. Contudo, queremos focar-nos nessas emoções obsessivas por a maioria de vós agora já dispor de meios para lidar com emoções explosivas da raiva, da mágoa, da autocomiseração, etc. São as pequenas emoções, aquelas emoções mais subtis que ainda se interpõem no caminho da obtenção do sentido de Paz Interior que buscais.

O que tem de interessante em relação a essas emoções, e é comum a todas, é que todos vós as sentis, pelo menos algumas, de tempos a tempos, com relativa frequência, mas não chegais realmente a saber aquilo de que constam. Os termos, sois capazes de expressar: “Ah, sinto-me em estado de ansiedade,” ou “Sinto-me preocupado ou confuso ou mesmo em dúvida,” mas sereis realmente capazes de definir o que quererá dizer estar ansioso em relação a uma dada coisa? E em que medida diferirá isso da dúvida, da confusão ou da preocupado? Podeis procurar no diccionário e descobrir uma sequência de palavras a que chamais definição. Mas sabereis realmente o que serão essas emoções?

Essas emoções geralmente obtêm o que chamamos de “definição metafísica universal”. A ansiedade é definida na definição metafísica universal como: “Bom, sabes, a ansiedade? Bom, é... sabes...bom... é quando me sinto ansioso, sabes?” Os restantes termos, infelizmente, enquadra-se no mesmo tipo de definição.


Sem compreenderem aquilo em que tais emoções recorrentes consistem, sem uma compreensão da sua subtileza – sem serem capazes de distinguir uma das outras – torna-se sobremodo difícil reconhecer o que se passa convosco. Não é impossível, mas torna-se exageradamente difícil. Para cúmulo, torna-se ainda mais difícil reconhecer o que se passa convosco, e imprudente mesmo pensar em perdoar-vos a vós próprios, assim como completamente impossível mudar de uma forma permanente. Quando muito, podereis lidar com uma ou outra forma de ansiedade ou de preocupação, de confusão ou de dúvida. Geralmente trata-se de um sentimento temporário: A situação com base em que tereis vindo a sentir tal emoção acaba por passar. O sentimento desaparece e ficais a pensar: “Ah, já me livrei da ansiedade que sentia,” somente para descobrirdes que ela acaba por surgir de novo. Isso não gera segurança, não gera certeza, não gera um sentido de: “Já não sou afectado pela ansiedade pelo que ela poderá surgir amanhã, no dia seguinte ou nunca, que eu tenho algo que consigo aplicar-lhe. Posso deter esse sentimento, e voltar-me para os sentimentos que quero cultivar.” Consequentemente, embora uma situação particular que produza uma dessas emoções obsessivas possa eclodir e evadir-se, sois constantemente atormentados por ela.


Ao vos verdes tão atormentados, acabais esforçando-vos por alcançar e mesmo captar essa Paz Interior somente para descobrir que vos escapa por entre os dedos de novo. Podereis pensar que talvez tenhais que passar a vida toda sem ter Paz Interior. Não há “talvez” algum em relação a isso. É claro que podeis. Já o tereis conseguido centenas e centenas de vezes. Assim, não é uma questão de conseguirdes sobreviver ou não, por que é claro que podeis. Mas é uma questão da qualidade dessa sobrevivência e da qualidade do vosso desenvolvimento espiritual pelo qual se torna importante desenvolver essa Paz Interior.


OS BENEFÍCIOS DA PAZ INTERIOR

E há razões para tal, e para desenvolverdes essa Paz, com certeza que há várias razões. Antes de mais, por ser mais divertido viver a vossa vida livres desses emoções obsessivas, é muito mais divertido viver a vossa vida num estado de Paz Interior. E torna-se muito mais fácil aprender a ter graça, com ela. É o foco espiritual mais significativo que tendes nesta como em qualquer experiência de crescimento que envolvais. Além disso, é muito mais fácil e o caminho torna-se muito mais suave no sentido de aprenderdes a criar o vosso êxito conscientemente, se o conseguirdes a partir de um estado de Paz Interior. Mais, os fins ou objectivos para a fisicalidade que experimentais nesta vida – os enfoques, as coisas que viestes fazer e vos propusestes aprender – poderão ser aprendidas de modo muito mais efectivo, muito mais rápido, se forem experimentadas e exploradas num estado de Paz Interior. E por fim, sabe bem.

Estas são as razões óbvias, mas também existem as menos óbvias, mas nem por isso menos importantes, por que lutar para alcançara Paz Interior. E a primeira dessas razões é o facto do vosso mundo externo consistir num reflexo, um reflexo simbólico, da vossa Realidade Interior. Será realmente de surpreender que numa altura em que, um ano de oportunidade em que ocorre uma tremenda expansão que muitos de vós já experimentastes, neste ano de1985, seja espantosamente de surpreender o quanto está a ocorrer e o quão tereis mudado e o quão tereis crescido; constituirá alguma surpresa o facto deste período do ano ter que ver com levantar voo e subir e realmente obter essa sensação de estar em movimento nesse sentido crescente de vós próprios – por o terrorismo do vosso próprio martírio poder raptar-vos e tentar aprisionar-vos, ao estardes prontos para decolar de regresso a casa, e estardes prestes a completar e a avançar em frente e a seguir em frente em muitas áreas do vosso viver? Vejam bem, o mundo exterior é uma expressão simbólica da realidade interior. E à medida que a realidade interior obtém um sentido de paz interior, também vós passais a exercer impacto na paz exterior.

Ora bem; o facto de um de vós estabelecer a paz interior pode não produzir a paz mundial, mas pelo menos contribui para ela. E aqueles de vós que pretendem tanto concorrer com uma contribuição qualquer, e pretendem exercer um tipo qualquer de impacto no vosso mundo, e que querem estabelecer um tipo qualquer de diferença para futuro, na forma que as coisas acontecem, um dos meios mais valiosos é através do estabelecimento dessa paz interior. Pois, tal como esse mundo se reflecte em vós, também vós vos reflectis nele – além de se tornar uma razão bastante válida, de facto, a estabelecer a paz interior. Não resulta tanto em notoriedade, nem em publicações nos jornais nem em fotografias nem seja lá o que for, mas nós sugeriríamos que cada um individualmente e em grupo poderá exercer um tremendo impacto no vosso mundo exterior, que tanto vos assusta por vezes.

Uma segunda razão para desenvolverdes a paz interior... Há uma canção que tem um trecho maravilhoso, sabeis? “O amor assemelha-se a uma flor, e tu à sua única semente.” É um trecho maravilhoso, esse, um conceito maravilhoso a considerar. E nós mencionamos as centelhas de amor e as sementes de espiritualidade. De facto, o que alimenta essa centelha e faz germinar essa semente é a Paz Interior. E assim, para estabelecerdes e vos tornardes nessa centelha que tanto quereis ser – tornar-vos nessa semente da espiritualidade - a Paz Interior é uma parte vital dessa busca.

Em terceiro lugar, é uma inspiração de crescimento para os outros. Sugeriríamos que o vosso êxito material pode tornar-se numa fonte de inspiração para que outros se tornem materialmente bem-sucedidos, mas traduz a realidade do vosso sentimento, mais do que a vossa realidade material, que inspira espiritualmente. Isso não quer dizer que não devais obter sucesso material. Obtende tudo quanto quiserdes, e tornai-vos o quanto quiserdes numa inspiração se quiserdes que os outros alcancem o mesmo nesse plano ilusório físico – todo o “material” que desejardes. Mas para serdes essa centelha, para vos tornardes nessa inspiração que leve os outros á percepção do despertar espiritual, só através da realidade do que SENTIS. É portanto a inspiração REAL que provém da vossa paz interior que poderá despertar a curiosidade dos outros o suficiente para os levar a aventurar-se nos domínios da espiritualidade.

Em quarto lugar, nesta época, à medida que vos aproximais do final do século, vai haver muita gente que vai querer tirar partido da vossa falta de paz interior, tirar partido dos vossos temores e inseguranças. Alguns de fora da comunidade metafísica, mas infelizmente, alguns virão das suas fileiras. Haverá muita conversa sobre o Dia do Juízo, muita conversa sobre devastação, destinada a assustar-vos. Por isso, torna-se importante que individualmente estabeleçais a ressonância da Paz Interior de forma a evitardes a sedução do medo e também para permanecerdes como um ponto de elevação da ressonância que infelizmente vai ser intencionalmente reduzida por alguns. Ao vos perceberdes como esse feixe de luz, aquele pilar, aquela centelha, aquela semente – seja qual for o termo que empregueis, não só para inspirardes, mas para servirdes como ponto de ressonância, para elevardes a ressonância, por a ressonância vir a acompanhar. Ou vos sustentareis e vos erguereis ou vos reduzireis. E assim, a paz interior pode representar um instrumento para o que quereis realizar.

Assim, o que queremos fazer nesta tarde, é realmente falar sobre as emoções mais explosivas e as obsessivas para abrirmos a porta a essa paz interior, abrirmos a porta à possibilidade de poderdes chegar a obter um sentido da paz interior de verdade. E uma vez essa porta aberta, ver como haveis de percorrer esse limiar, como entrar nesse lugar.

E para tanto, torna-se não só importante tratar das emoções mais explosivas e das emoções obsessivas que permanecem arduamente no caminho, libertar essa negatividade, esses obstáculos, como igualmente importante substituí-los por algo. Substituir o que tiverdes removido com quatro importantes conceitos: um dos quais é o do amor; o segundo é o da confiança, o terceiro, o da expectativa, e o quarto, o do entusiasmo.

ira

E assim, para avançarmos nessas direcções, começaremos por falar das mais explosivas, das mais expressivas, não é? Já sabeis bem aquilo que traduzem para não precisarmos definir aquilo em que consiste a ira; sois suficientemente capazes de dizer quando alguém se encontra irritado e quando vós vos encontrais furiosos apesar de conseguirdes suprimir a emoção e de todas as outras coisas que fazeis com ela, muito embora vos sintais bastante confortáveis com a aceitação do facto de tais coisas existirem, e sois suficientemente capazes de as identificar, mas que fazer em relação a elas?


Mas com efeito falamos extensivamente sobre ela, pelo que não vamos entrar em muitos detalhes sobre o modo de tratar a ira, mas enquadrado no objectivo desta tarde pretendemos cobrir mais umas quantas formas potentes de libertar a ira, por ser muito importante que a liberteis, ou expresseis e liberteis essa ira. Por que claramente, se não o fizerdes, depositá-la-eis dentro de vós - na verdade não existe "interior" algum, realmente não existe sítio algum onde a esconder; ides empilhá-la num braço ou numa perna e provocar artrite, ides empilhá-la num órgão interno e provocar um cancro. Ides depositá-la algures dentro de vós e criar uma realidade de infelicidade, de uma forma ou de outra. Vós realmente não conseguis esconder-vos disso. Mas se lidardes de um modo apropriado com a ira que sentis, nesse caso não tereis que provocar essas outras funções degenerativas na vossa realidade.

Agora obviamente em relação à expressão da ira - no modo de falar dela, de a proferir, de usardes essa maravilhosa qualidade do discurso de que dispondes para expressar essa ira, a palavra-chave é “adequadamente". Por muitos poderem, com bastante maldade expressar essa ira de uma forma completamente inadequada para provar que jamais a deveriam ter expressado, para início de conversa: Como ir para o trabalho e dizer ao patrão o que pensais de verdade acerca das roupas que enverga ou da forma com trata a mulher, ou do carro que usa, etc.; essa não constitui a expressão mais apropriada dessa ira, certamente, mas alguns que se sentem determinados a provar que tal expressão seja uma coisa perniciosa, fá-la-ão, e discutirão por causa disso e provarão com êxito as limitações de que padecem. Assim, a descoberta dessa forma apropriada bem como, é claro, a expressão verbal quando uma outra pessoa se acha envolvida, decerto, constitui o primeiro modo.

Em segundo lugar, podeis falar para vós próprios ao espelho. Ao vos sentardes diante de um espelho, aquele que vos olha de volta é demasiadamente paciente. Ela não arreda pé dali nem desaparece. E dá-vos atenção; podeis falar com ela e podeis encolerizar-vos e enfurecer-vos e mostrar-lhe um punho cerrado; podeis fazer todo o tipo de coisas. E ela jamais se afasta, jamais responde com modos mal-humorados, sabeis. E é um óptimo modo de desabafar uma enorme quantidade dessa emoção, uma grande quantidade dessa ira que sabeis não se prestar a uma expressão por outras vias mais directas.

Depois, podeis redigi-la ela, por certo, e muitos de vós conseguem fazer isso maravilhosamente através de uma processo de manutenção de um diário para a expressão dessa ira; pô-la por escrito. Uma das melhores formas de o fazer é por intermédio da Carta do Ódio, conforme por vezes lhe chamamos, de uma forma efectivamente bastante eufemística. Uma carta que escreveis a alguém. Jamais a enviais, é claro. Mas chegais a redigi-la: "Caro fulano de tal..." e expressais a ira de uma forma tão veemente quanto possível, com fluidez e rapidez sem prestar atenção à ortografia, nem à gramática nem à pontuação. Plasmais simplesmente isso num pedaço de papel. Não assineis a carta, "Com afecto, fulano de tal." Assinai-la, todavia, e dobrai-la e escondei-la. Escondei-la mas é óbvio que sabeis onde ela está, por terdes sido vós quem a terá escondido - mas ocultai-la no que represente um esconderijo; não a colocais no topo da secretária, mas debaixo do mata-borrão, ou entre dois livros bastante especiais, ou na estante. Escondei-la e representais a simbologia inerente ao modo com que tendes vindo a ocultar esse sentimento desde sempre. No dia seguinte puxai dela e voltai a lê-la. Acentuai-lhe os termos; que de algum modo tendes consciência: "Definitivamente deixaste-me furioso, sem dúvida; fiquei um pouquinho aborrecido e por fim acabei furioso." Acentuais a coisa. Eliminai a edição que lhe tínheis imprimido e o tom de atenuação. Reforçai-a. Corrigi-a e arrumai com ela, e escondei-la de novo. No próximo dia puxais dela, e a tendência que ides ter será a de a passar ao de leve. Isso não. Leiam-na palavra a palavra, com delicadeza: "Ah, isto está a tornar-se entediante. " Precisamente. Por estardes a aliviar, ela deixa de apresentar a carga que tinha. Após a terdes lido por uma terceira vez, ao terceiro dia, então com segurança queimais a carta para libertar a energia. Para libertar a energia; à medida que a ira é libertada passará a funcionar incrivelmente bem, tão bem que assim que o fizerdes e a coisa funcionar seja provável que venhais a esquecer a coisa. É um modo bastante efectivo de trabalhar e de escrever, etc.

Uma outra maneira, nesse sentido, é meditando nisso. Entrai numa meditação e visualizai a pessoa ou a situação, expressai essa ira de uma forma tão volátil ou vigorosa quanto puderdes, para a libertardes, e queimai-a do vosso sistema de modo a que não se aloje algures e provoque uma realidade perniciosa.

As velhas fúrias, aquelas provenientes da vossa infância e adolescência, também precisam ser claramente libertadas. Um dos métodos mais poderosos de pôr isso em prática é em primeiro lugar proceder à elaboração da vossa lista das dez coisas que mais vos deixam furiosos ao longo dos vossos vinte ou trinta ou quarenta anos de vida. Tomai cada uma delas, e com ela escrevei como se estivésseis a narrar a alguém como aconteceu. E a seguir entrai regressai, em meditação, a essa altura; se tiver sido quando estáveis com cinco ou seis anos, ides até esses cinco ou seis anos. E familiarizais-vos com – onde é que habitáveis? Onde era o vosso quarto? Que aspecto tinha a cozinha? E a sala de estar? Coisas desse tipo. Para vos compenetrardes com a situação desses cinco ou seis anos. A seguir experimentai a situação tal qual tenha decorrido, fazendo o que fazíeis nessa altura: encher-vos de ira, ferrar a língua, chorar, correr, jurar que não voltareis a sair do quarto. Seja o que for que tiverdes feito com essa fúria – fazei a mesma coisa que fizestes.

Mas então, em vez de vos deterdes por aí, procedei a uma representação instantânea. Voltais a isso e representais a coisa uma vez mais. Desta vez, expressais o que desejaríeis ter. Se vos sentistes tão irritados a ponto de poderdes ter vontade de pontapear alguém, então pontapeai alguém em meditação. Se vos sentistes de tal modo zangados que poderíeis ter cuspido em alguém, então cuspi. Seja o que o tenha sido: “Vou queimar a casa com os meus pais lá dentro!” Óptimo, pegai fogo à vossa casa com os vossos pais nela (na meditação). Isso irá causar alguma coisa terrível? Não, por a intenção que tendes ser a de libertar a fúria, e não de a produzir. Quem dera que tivésseis tanta confiança na programação positiva quanto o receio que tendes da programação negativa que fazeis! “Se uma vez fizer uma meditação em que me senti furioso – aaah! Pode acontecer algo de horrível. Mas posso fazer dez milhões de meditações positivas que isso resulta em nada!” (Riso)

É a intenção. E a intenção em que isso assenta não é a de causar negatividade nem prejuízo nenhum, mas libertar aquela negatividade e a mágoa que tiverdes vindo a carregar durante todo esse tempo. Se realmente quiserdes libertá-las, então libertai-as e não vos debruceis nelas fingindo que não estão lá.

Agora; o truque que se prende com isso – o que isso tem de diferente do papel das representações e das abordagens psicológicas mais tradicionais, em que vos sentais e o terapeuta faz o papel da vossa mãe ou do vosso pai e dizeis sentir-vos cansados, etc., ou em que vos sentais em frente a uma cadeira vazia e vos enfureceis e vos deixais enraivecer ou encalhais ou seja lá o que for – a diferença está em não chegardes a sentir-vos tão irritados quanto isso! Não vos encontrais tão furiosos que não possais ficar a pé essa meia-hora a assistir à televisão. Conseguis entender a razão por que vos mandam para a cama ou seja lá para onde for. Mas esse catraio de cinco anos não consegue entender; esse catraio de cinco anos é aquele que se sente furioso. Portanto, o papel da representação disso torna-se num trauma tão intenso, ao libertar porventura apenas uma frincha. Mas tornar-vos na coisa pode libertá-la de uma vez por todas.

Deste modo, assim que conseguirdes essa representação instantânea, quando ides e redigis isso tudo – numa frase ou duas – redigi isso justamente quando não sois capazes de pensar nisso com clareza. Então redigi uma frase ou duas em relação ao que isso vos tiver feito sentir – fazer o que fizestes. A seguir, numa outra ocasião (não no mesmo dia) fazei isso por uma segunda vez, e a seguir num outro dia, uma terceira vez. Até que com o tempo façais valer o vosso método por toda a lista das dez coisas que vos pesam mais, e com isso libertai essas e outras que não sejam tão significativas. Isso equivale a libertar-vos dessa ira passada de modo que tudo o que reste por fazer seja a ira actual, a qual então passais a processar, falando directamente ou meditando através da técnica do espelho ou da anotação disso. Torna-se importante que façais isso e que entreis em contacto com isso. Muitos de vós já o terão feito, evidentemente.



MÁGOA ou OFENSA

E depois, é claro, há a mágoa. Mas a mágoa é um tanto diferente, de facto; é por vezes tratada de forma muito semelhante mas é diferente, por constituir uma emoção, que leva tempo a sarar. A ira pode ser curada instantaneamente: alguém vos deixa zangados, e vós explodis, e expressai-la, e esse alguém torna-se responsável pela manifestação de ira que expressais e tem que tratar dela, e vós dais a coisa por terminada e sentis-vos aliviados, tudo fica bem, e ides à vossa vida, e não a carregais convosco; passado uma hora ou dois ou três dias não está mais presente. Bom, é claro que podeis pensar: “Bom, consigo fazer isso em relação à mágoa, à dor, à forma como aquilo realmente me pareceu deixar ofendido, eu expeli essa mágoa, esse alguém responde por isso e eu fico bem; mas não funcionou, que será que está errado comigo?” Mas é que a mágoa constitui uma ferida, um corte, um rasgão na vossa autoestima, na vossa essência, e leva tempo a curar.

A ofensa, a mágoa, constitui provavelmente a pior coisa que podeis fazer a alguém. Se deixardes alguém irritado, sereis capazes de lidar com isso – dependendo do grau da irritação e da intenção. Mas se ofenderdes alguém, nesse caso tornar-se-á difícil de lidar com isso por levar tempo. Para ele torna-se mais difícil de sanar, e ainda mais para vós enquanto uma responsabilidade com que arcais – que tereis que corrigir algures, em algum lugar. Constitui aquela emoção que emprega tempo. É justamente por isso a coisa mais devastadora que podeis fazer a alguém - magoá-la de uma forma consciente. E magoá-la em termos físicos torna-se menos prejudicial do que ofendê-la emocional, psíquica ou espiritualmente. Porque uma dor física cura-se; terá equivalido ao rompimento de uma ilusão à provocação de uma mancha negra num fundo de luz. Mas uma mágoa emocional é real. Uma dor psíquica – desencaminhar alguém do seu caminho – torna-se pernicioso para o seu crescimento, e tereis levado alguém a retardar-se; envolve “Carma” em que incorreis. E ofender ou magoar espiritualmente alguém, aconselhar mal alguém, representa a maior ofensa de todas. A mágoa leva tempo a curar, e constitui a emoção mais devastadora que tendes – não a mais comum mas a mais devastadora. E da mesma forma, assim que abandonais o tempo, a mágoa deixa de existir. “Então equilibra-se,” direis vós. É a pior coisa que pode ocorrer na vossa vida física devido ao factor do tempo, e ao tempo que gastais com ela, e com que trabalhais, e a mágoa, o rasgão, o corte, a ferida que produz, mas assim que puserdes um pé fora do âmbito do tempo então a mágoa diminui. Assim tudo se equilibra, tudo no seu próprio estado apropriado.

Mas, como havereis de lidar com ela? Entendeis? Ora bem, tratai-la de forma semelhante – comecemos pelas velhas mágoas – praticamente fazeis isso do mesmo modo, a lista das dez mágoas que mais pesam. As coisas da vossa década dos vinte ou trinta, as dez mais, as mágoas mais significativas. E anotai-las. De uma forma bastante sucinta, uma palavra ou duas que a tornem presente. Quero dizer, considerais uma de cada vez e experimentai-las e fazeis a mesma coisa nos termos do método em que tiverdes tratado a mágoa, da forma que o tiverdes feito: detendo-a, tratais da mágoa da forma que a desejaríeis ter tratado, etc.. Saís, redigis uma frase ou duas – é importante que o anoteis, “As coisas tornam-se deslocadas,” não tem problema, mas precisais anotar a coisa, por efectivamente envolver o movimento da musculatura e a energia eletromagnética dos nervos no processo de o anotar e por o consolidar, ao invés de apenas pensardes nisso. Pensais simplesmente: “Ah, senti-me bem em relação a isso, senti-me aliviado, e muito mais leve.” E anotais: “Ah, senti-me aliviado, senti-me melhor em relação àquilo, e muito mais leve.” O acto de redigirdes isso cria-vos uma ligação e torna isso mais real do que meramente pensar nisso com o cérebro. Assim, torna-se importante que anoteis isso, mesmo que a seguir atireis com o que tiverdes escrito para o lixo. Isso habilita-vos a lidar com as velhas mágoas, por a maioria delas, quer tenham porventura sido sanadas ou deixado cicatrizes, ou o que for que tiver resultado e sido reparado, poder em certa medida ser corrigido e suavizado e aclarar-vos mais o trabalho.

E em relação às mágoas ou ofensas correntes? Bom, as mágoas ou ofensas correntes tratais de um modo um pouco diferente. Em relação à expressão da mágoa, torna-se importante que vos permitais senti-la. Por isso, se vos sentirdes magoados ou ofendidos – alguém vos magoa os sentimentos ou algo terá ocorrido que vos tenha magoado de verdade, então torna-se importante que concedais a vós próprios algum tempo. Estabelecei um tempo, numa manhã qualquer: vinte minutos. Planeai isso com antecedência. “Muito bem, não é Domingo, pelo que esta noite penso que vou tratar de alguma mágoa: eu sei que ela está presente, por isso vamos ver, vou tratar dela desde por volta das oito até às nove da noite. E às nove vou planear alguma coisa divertida, algo de que goste de fazer, algo que me deixe animado e feliz, por não pretender deixar-me apanhar nas malhas dessa expressão da mágoa; não estou para me deixar aprisionar por ela e ter que passar a noite toda a desenrolar essa mágoa, pelo que vai desenrolar-se deste modo. Assim, as oito horas chegam e eu começo a sentir a mágoa; sinto-a e permito-me gemer e lamentar-me e lastimar-me em torno dela, e talvez venha a precisar de dar uns uivos ou seja o que for, o que precisar fazer – pronunciá-la, tocá-la para fora, pensar nela, falar ao espelho, sentir essa mágoa, seja o que for, abrir a ferida novamente, num certo sentido, para limpar a coisa. E assim experimentais a coisa durante uns vinte ou trinta minutos ou seja lá quanto tempo for.

Ora bem, o truque aqui tem que ver com o facto de não pensardes em mais nada: se estiverdes a sentir a mágoa, senti a mágoa, e nada mais. Não ides pôr-vos a indagar: “Hmm.” Se a televisão mostrar algo, “Vamos lá ver,” não é? Ou, “Gostava de saber o que fulano ou beltrano andam a fazer em suas casas,” ou seja lá o que for. “Oh, esqueci-me de que tinha que fazer aquele telefonema.” Não, não, não. Precisais permanecer com o sentimento da mágoa e nada mais – sem ira, conforme por vezes pode estar associada, sem nenhuma curiosidade em relação a mais nada. Só a mágoa. Conforme sugerimos que ao vos focardes nela, em primeiro lugar vai-se-vos tornar entediante. Ides achar bastante difícil sentir a mágoa de uma forma concreta e de uma forma ininterrupta durante uns vinte minutos. Ide sentir isso como um desafiado – muitos deparam-se com esse desafio. Podeis sentir mágoa, mas, mesmo assim, sim, esta é mesmo uma mágoa desconforme em que podíeis ficar presos. Mas experimentai essa mágoa durante uns vinte ou trinta minutos ou seja por quanto tempo for, e em seguida parai. Parais aí: “Já está feito. É tudo quanto estou a fazer com ela de momento. E a seguir preparais-vos para prosseguir e fazer o que quer que tenhais planeado que seja divertido e que vos vá animar e que seja agradável de fazer e vos deixe felizes.

Poderá exigir umas duas ou três vezes, mas sugeriríamos que o fizésseis da mesma forma, que haveis de libertar a mágoa, e que ela será curada. Será sanada e ficareis livres. “Mas eles precisam curá-la!” Não conteis com isso. Eles podem nem saber que terão cometido esse acto, e além disso, não conseguem efectivamente curá-la. Podem assumir responsabilidade por ela, e chegar a saber que vos terão ofendido, e a responsabilizar-se por ela e explicarem os “porquê” e os “como” e “onde”, e o que sentem em relação a isso e comprometer-se em não mais o cometerem de novo. E isso poderá parecer maravilhoso, e de facto é uma parte importante do todo. Mas precisais curar a vossa própria mágoa! Se não o fizerdes tornar-se-á numa cicatriz tal como qualquer outra ferida que não é devidamente tratada. E pode infectar, e tornar-se perniciosa. “Oh Deus, terei alguma mágoa a tratar, etc.?” É tipo aquele pacote em que, precisais pedir, mas não podereis pagá-lo, não é? Se não souberdes, o provável é que não tenhais nada, não é? Por poderdes sentir-vos magoados, naquele sentido do rompimento, nos termos da ferida e isso vos drenar-vos as anergias todas – muito certamente.

Uma outra coisa em relação à ira e à mágoa – por poderem enquadrar-se – é perceber que na vossa sociedade tendes permissão para nutrir uma ou a outra. As mulheres são capazes de sentir mágoa, mas não lhes é permitido irritar-se. Assim, se uma mulher se irritar e der um pontapé numa lata do lixo de encontro à parede da sala, ela “está a portar-se como uma verdadeira cabra.” A forma como uma mulher é capaz de expressar a mágoa é através das lágrimas. Uma mulher é capaz de chorar caso se sinta feliz, é capaz de chorar caso se sinta infeliz, é capaz de chorar caso se sinta magoada, caso se sinta assim ou assado. Uma mulher pode basicamente chorar. Qualquer outro tipo de expressão não é lhe negada! De modo que, muitas mulheres chegam a ter problemas nos seguintes termos: “Tiveste problemas em tratar da mágoa que sentes, por ser tudo quanto te é permitido tratar. Podes sentir uma raiva formidável que previamente tenhas deixado enterrada, amontoada, por não saberes muito bem o que fosse, e que represente a ira que sentes.”

De forma similar, aos homens é permitido que se zanguem, mas não lhes é permitido sentir-se magoados. Sentir-se magoado é um sinal de fraqueza. Para serdes um homem na vossa sociedade, sabeis, podeis pontapear uma lata de lixo que isso equivale a dizer: “Deus, como é estupendo sentir estas emoções?” É cá uma sensibilidade! Mas ser magoado e dar conta disso de forma sincera, isso já se revela num enorme desconforto; um enorme desconforto, tanto para os homens como para as mulheres, ver um homem dizer: “Sinto-me magoado de verdade,” ou, “Magoaste-me!” “Ah, não, podes sentir-te irritado, ou dizer que lhe estragaste o dia, ou qualquer outra apelação, mas não digas isso, sabes, seja por onde der!” Assim, muitos homens referindo-se à vossa mágoa chamaram-lhe ira e procuraram libertar a ira e questionaram-se quanto à razão de isso não resultar. Precisais voltar atrás e tratar da mágoa que sentis, apesar da sociedade dizer que seja sinal de fraqueza um homem admitir ou sequer chegar a sentir mágoa.

Compreendemos que isso esteja a mudar, mas sugeríamos que ainda não terá mudado, e que ainda não tenha sofrido a mudança suficiente ou não terá mudado de uma forma tão rápida para poderdes dar-vos ao luxo de esperar até que a sociedade vos aprove e diga: “Não faz mal que os homens sintam mágoa.” Estais à espera do anúncio, sabeis, mas bem que podíeis cancelar a subscrição por poder não chegar a ser publicado. Mas é muito importante tratar dessas, e sugeriríamos que os homens tenham consciência de que provavelmente sentem uma tremenda quantidade de mágoa ou dor, e que terão reduzido a ira ou a tenham rejeitado por completo, e a terão expressado na sua realidade através da frustração e do desafio e da pressão e da agonia, mas que procuram vazar essa mágoa a fazer com que saia sorrateiramente sem o saberem.

E que as mulheres que provavelmente carregam muita ira, que terão reduzido a mágoa, que isso efectivamente é ira, que de certo modo terão enterrado debaixo de alguns nódulos ou caroços e de várias coisas que deram para o torto na sua fisicalidade, mais configuradas para isso. E em relação às restantes emoções obsessivas, como a autocomiseração? Bom, a autocomiseração, sabem, este vai ser um ano em que ela vai constar como um dos inconvenientes. A autocomiseração constitui uma forma bruta.


AUTOCOMISERAÇÃO


Já falamos da vitimização, já falamos do martírio, chegamos mesmo afalar da autocomiseração ao natural, não? Mas existem mesmo muitos métodos de lidar com ela. Mas resume-se tudo a um conceito: Quando dais por vós a sentir autocomiseração, seja na forma de vítimas – o que a maioria de vós é suficientemente sofisticada para não saber o que fazer, por se tornar demasiado óbvio para vós – ou do martírio, ou simples autocomiseração ao natural. Se vos detiverdes e honestamente dialogardes convosco próprios: “Quem estarei eu a punir?” E quando disserdes: “A mim próprio,” não aceiteis essa resposta. Isso é verdade, mas só irá fortalecer a autocomiseração que sentis. “A quem estarei eu a castigar? A mim próprio, certo, mas a quem mais?” Por compreender sempre mais alguém implicado que estais a castigar. Pode ser a vossa mãe, o vosso pai, por causa do passado, talvez um irmão ou esposo, pode ser um companheiro de negócios – mas há mais alguém que estareis a tentar punir.



E se fordes senhores disso, quando derdes por vós num pranto ou a abrir a boca por várias formas de autocomiseração: “Estou a punir – não a tentar punir – estou a castigar mais alguém, e provável e definitivamente a mim próprio também.” Interrogai-vos: “Estou a punir mais alguém: Quem, e porquê? E quererei realmente fazer isso? Estou a magoar alguém. Estou a feri-lo. Estou a abrir-lhe uma brecha na autoestima.” E não, “Por mais ninguém ter conhecimento de me encontrar nesta situação.” Isso é altamente improvável. Muito raramente as vítimas ou os mártires mantêm a vitimização ou o martírio que sentem em privado.





Sempre tem lugar o caso em que dizeis: “Não, não. Eu sou uma vítima e um mártir, mas só me estou a castigar a mim próprio, só me estou a magoar a mim próprio.” Porém, quando sois questionados sobre quem vos terá magoado no passado sois capazes de enumerar este e aquele e aquele outro. Em que estado mental se encontrariam eles? De vítima e de mártir. Bom, se as vítimas e os mártires acabam somente por se magoar a eles próprios, como é que acabam por vos magoar a vós? Vocês desejariam que fosse assim, entendem, quereríeis que as vítimas e os mártires me magoassem, mas dizeis: “A vitimização e o martírio que sinto não magoa mais ninguém.” Mas a coisa não funciona assim. As vítimas magoam os outros. Os mártires ferem os outros. Se deveras chegardes a confrontar-vos convosco próprios ao espelho em relação a isso, e chegardes a apropriar-vos disso, não sereis efectivamente capazes de justificar a continuação disso. E isso consiste no cerne das várias técnicas que mencionamos relativamente ao modo de tratar da autocomiseração que sentis.



MEDO



E o medo constitui a emoção base, absolutamente. E o medo, o medo básico consta de medo de perder. Desde o primeiro instante em que vos separastes do vosso Ser, de Deus, da Deusa, do Todo, esse medo instaurou-se: “E se eu não conseguir voltar?” O próprio âmago do medo, que é expressado na Bíblia e nos mitos e por outras formas, é o medo: “Conseguirei voltar ao paraíso? Poderei voltar a Deus, à Deusa, ao Todo?” Esse medo básico é capaz de produzir todo o tipo de receios, os quais por sua vez produzem todo o tipo de emoções. Muita da ira, da mágoa e da autocomiseração que sentis procede do medo. Mas constitui igualmente a sua própria emoção, e há maneiras de tratar isso. Poderá ser que o medo que sentis represente a qualidade explosiva por excelência das emoções explosivas. E uma das maneiras mais poderosas de tratar o vosso medo é enfrentando-o...



Isto não passa de um aparte, sabeis, mas mesmo assim, foi registado que a destruição da Atlântida se deu por três fases distintas. A primeira civilização era uma enorme massa de terra e não foi destruída da noite para o dia à semelhança de Pompeia ou seja lá o que for. Demorou vários meses, mas as pessoas não entenderam bem o que estava a passar-se e fugiram das tempestades e do tempo, dos terramotos, e de vários fenómenos de ordem natural que ocorreram e depois, é claro, devido ao desenvolvimento tecnológico, o impacto que aqueles acontecimentos naturais produziram na tecnologia produziu um monte de radiações e de envenenamento e de poluição e coisas do género. Provavelmente morreu mais gente devido às explosões geradas pela tecnologia do que vitimada pelas explosões de ordem natural, mas de qualquer maneira, sugeriríamos que tenha sido destruída desse modo.



A segunda civilização, foi efectivamente composta por duas massas de terra. De modo similar, quando a destruição se abateu as pessoas fugiram dela e tentaram escapar para a ilha mais a norte mas não o conseguiram muito bem, embora alguns o tenham conseguido. A terceira civilização final foi composta por uma série de ilhas, e uma vez mais eles fugiram da destruição que teve lugar, dessa vez tendo sido capazes de escapar e um enorme número deles conseguiram abrir caminho por entre coisas desse tipo, mas o que se revela interessante aqui é que de todas essas três vezes eles fugiram desse terror em vez de correrem para ele, e nós sugeriríamos que a maior parte da civilização, muito claramente, certas ilhas ainda localizadas no Oceano Atlântico que fizeram parte da Atlântida, demasiado pequenas para serem ocupadas, se quisermos... digamos, algumas pequenas ilhas localizadas no leito, etc.,  que se tornaram rocha, pelo que ninguém incomodou a pensar que pudesse ocupar tal coisa, tal como Bemini e várias ilhas das Caraíbas, etc., que se situavam por ali, então essa terceira civilização da Atlântida ficou demasiado pequena para ser ocupada mas aquela destruição proveniente do sul que se deu desse modo, as pessoas fugiram dela e talvez tenham alcançado. Podiam ter sobrevivido nessas pequenas ilhas o lá o que for, porém, sugeriríamos que a mensagem efectiva que isso deixa entender, simbólica, tal como a vossa realidade efectivamente constitui uma completa metáfora, é a de confrontardes e de enfrentardes os medos que sentis e de vos direccionardes para eles em vez de lhes fugirdes.



Agora, de facto, podeis tomar a retaguarda de um medo e obter uma perspectiva dele. Não estamos a dizer que tenhais que posicionar-vos directamente em frente de cada um deles. Mas, se tiverdes identificado um receio em relação a uma coisa qualquer, voltai-vos para ele, e a beleza que isso contém é que podeis voltar-vos para ele metafisica ou meditativamente. Não tendes literalmente que vos colocar na frente do automóvel nem voar literalmente num avião para ver se caís, Reproduz isso na vossa mente de uma forma tão real em relação ao vosso sistema nervoso ou em relação ao vosso corpo.



E sugeriríamos existirem duas abordagens relativamente a isso: Uma – se existir alguma coisa que temais, representai-a, reproduzi-a numa meditação. Fazei isso nesse nível, em vez de o fazerdes no nível físico. Isso é capaz de libertar esse tipo de fobias. Há uma técnica ligada a isso, mas é suficiente neste momento. A maioria dos temores são de origem emocional, ao invés de medos de ordem física, todavia, e aqueles que conquistais, tratai-los confrontando-os. Se tiverdes medo de alguma coisa, sugeriríamos para fazerdes uma meditação e confrontai a experiência, enfrentai-a. Experimentai a pior coisa que possivelmente possa ocorrer. “Sinto tanto medo de perder o emprego que tenho.” Óptimo. Fazei uma meditação em que ficais sem o emprego. Deixai que sejais despedidos da pior das formas. Com o patrão aos berros no outro lado da sala. Fizestes tanta asneira que acabastes sendo despedidos, ou seja lá o que for. “Eu sempre pensei que pudesse ser a coisa mais...!” A coisa mais temível e devastadora que podia acontecer. “Acabei justamente de comprar o meu barco novo e a casa e a minha caravana e fiz a reserva das férias, e acabei sendo despedido.” Óptimo, representai isso por meio dessa actividade meditativa e passai pela experiência de demissão e a seguir procedei a um plano alternativo. “Que hei-de eu fazer? Vou vender a casa, e a caravana, vou duas semanas de férias,” seja o que for que fizerdes, “e quando voltar hei-de descobrir.” Planeai a abordagem, nesse estado. A seguir representai-a e anotai a estratégia particular que encontrardes nesse particular respeito, e depois, sugeriríamos que o representásseis, da forma que quiserdes que venha a acontecer, ao invés. E sugeriríamos aqui que, embora isso possa parecer demasiado simplista, resulta. Resulta na libertação desses medos.



Em particular se os reproduzirdes e descobrirdes aquilo em cuja direcção deveríeis voltar-vos : “Qual ordem de prioridades terei eu para produzir tudo isso? – será a da vítima total, a da autocomiseração completa, uma oportunidade final de punir a família por ter sido um tal fardo para mim; seja o que for. Ao descobrirdes isso, podereis perceber: “Olha, ou eu encontro uma outra forma de o fazer, ou não terei que o fazer de todo.” Portanto, se quiserdes realmente castigar alguém, por causa de: “Ele ter sido injusto para mim, e eu ter que ser confrontado com o fracasso, talvez consiga descobrir uma outra maneira, e talvez possa esvaziar-lhe os pneus ou algo desse género.” Mas, mais precisamente, e de modo mais válido: “Talvez o consiga libertar, de modo a não precisar castigar-me e por fim mostrar-lhes – o que quer que isso significar.” Mas se confrontardes esses temores, essas fobias, então reproduzi-as, de modo a serdes capazes de o fazer assim, em vez de em termos físicos – um medo emocional – de modo a poderdes experimentá-lo, planear as alternativas que tiverdes e agir em conformidade.


Agora, é claro que cobrimos isto muito rapidamente de propósito, e existe muito material de referência para um trabalho aprofundado posterior se identificardes um desses sentimentos como um animal de estimação vosso.


AS EMOÇÕES OBSESIVAS

Assim, queremos agora avançar e olhar essas emoções obsessivas - as emoções recorrentes e subtis mas ainda assim danosas e mesmo destrutivas com que lidais. E queremos começar por olhar àquilo que são. Assim, comecemos pela ansiedade.

Ansiedade

Em que consistirá a ansiedade? A ansiedade consta da combinação de uma qualquer de quatro coisas. E tudo se resume a ela. Podeis alterar os termos e esse tipo de coisa, mas quando a questão tem que ver com a ansiedade, resume-se a quatro aspectos particulares. Antes de mais, a ansiedade constitui ira, mágoa, autocomiseração, ou medo, não identificados. Quando sentis qualquer dessas emoções explosivas, mas vos recusais identificá-las como tal, então trata-se de ansiedade. Não só é chamada ansiedade - é ansiedade de facto! Tal como quando vos sentis, por exemplo, aterrados com a possibilidade de sofrerdes de baixos níveis de cálcio no sangue (Hypocalcemia). Podeis reconhecer que ficais magoados e que sentis autocomiseração de tempos a tempos, e tereis mesmo identificado temor, mas para além disso, não nem sequer chegais a sentir raiva. Talvez ansiosos quando a ansiedade vos ataca como a ninguém, mas jamais raiva. A emoção estrondosa não identificada é o que produz ou constitui ansiedade.


A segunda coisa de que a ansiedade consta, é contar com o erro. Esperais cometer um engano; esperais fazer a coisa mal. Isso é ansiedade. Também traduz rejeição ou humilhação antecipadas. Vós antecipais: "Vai dar nisto, eu sei, eu sei, eu já sei." Não importa que o que fizerdes ou programardes possa rebentar-vos na cara, isso não vai acontecer. "Eu já sei que vou ser rejeitado. Eu sei que vou ser humilhado. Estou a marchar para a minha condenação, vês?" Isso é ansiedade.



E em quarto lugar, constitui uma confiança deslocada. Isso é importante: confiança equivocada. Vejam bem: "Confiai em vós próprios." Sabeis que devíeis fazer isso, e tudo o mais. Mas isso foi reduzido a ponto de que, quando duvidais e não sabeis o que dizer, dizeis: "Ah, precisas somente confiar mais em ti. Estou certo de que isso irá reparar tudo." Basicamente não passa de uma maneira de dizer: "Não faço a menor ideia do que se está a passar. E como jamais admito o fracasso, vou-te dizer para confiares em ti." Assim, tornou-se num termo descartável, um conceito para usar e deitar fora: "Ah, confia simplesmente em ti!"


Mas existem quatro condições que precisam ser satisfeitas para poderdes potencialmente ter uma situação de confiança. Se tentardes confiar em vós quando a confiança não é apropriada, ides sentir ansiedade. "Não compreendo, eu realmente tenho vindo a confiar em mim próprio, e tem funcionado maravilhosamente, mas de repente sinto ansiedade." Ah, por essa ser uma situação em que tentais confiar em vós quando não era confiança o que devíeis fazer. A confiança não se aplica. E se essas quatro condições forem satisfeitas, então a confiança revelar-se-á o sentimento adequado. Se essas quatro condições não forem satisfeitas, a confiança não se revelará apropriada. Por não traduzir uma condição de confiar, e se tentardes confiar isso ir produzir ansiedade. Essas quatro condições, antes de mais: eventualmente precisará apresentar-se um positivo e um negativo. Tem que resultar um potencial aspecto positivo e um negativo da situação.

Segundo, esse aspecto positivo e negativo têm que ser decididos algures no que chamais de "futuro". Não pode ser determinado já - pelo menos, na percepção que tendes; embora o presente o passado e o futuro existam todos em simultâneo e assim... Mas nós sugeriríamos que, do nosso ponto de vista, na vossa realidade linear, na vossa condição física, existe um conceito de coisas que ainda não sejam do vosso conhecimento, pelo que sugeriríamos que pertence ao domínio do desconhecido o facto do positivo ou o negativo virem a ocorrer.

A terceira condição, que por vezes é a mais crítica, é que o potencial dano resultante do aspecto negativo tem que ser mais prejudicial do que o potencial benefício benéfico. O dano tem que ser mais pernicioso do que o benefício benéfico. Agora, para ilustrar a questão, se fordes a Las Vegas e colocardes uma moeda de vinte e cinco cêntimos na máquina do casino (slot machine) e puxardes o manípulo, e prejuízo que podeis ter é perder vinte e cinco cêntimos; o benefício é que podeis ganhar cem dólares. Isso não engloba a situação de confiardes em vós. Por estar em jogo um benefício e um prejuízo, ganhais ou perdeis, mas não sabeis até puxardes o manípulo e ele regressar à posição anterior e a máquina girar. Aí ficareis a saber. Mas o prejuízo não se revela potencialmente mais um prejuízo do que o benefício benéfico. Por isso, a situação de confiança não se aplica ao jogo.


E a quarta condição – vamos voltar a isso só como um exemplo de uma situação de confiança. Tendes um amigo e podeis contar-lhe um segredo; e ocorre-vos dizer-lhe: “Tens que me prometer que jamais o contarás seja a quem for. Vou ser decente em relação a isso, e dizer-te isso em primeiro lugar, e perguntar-te se poderei confiar em ti em relação a ele, em vez de to contar primeiro e tentar fazer-te prometer que não contarás a ninguém. Por isso, estou a tratar isto apropriadamente, etc., por ter algo em relação ao que preciso confiar em ti; posso contar-to e confiar em ti ou não? Posso sim, tudo bem.” E contais-lho. Prejuízo e benefício – ele tanto poderá manter a confiança, de facto, e não contar nada, como poderá quebrar a promessa. Não tendes conhecimento disso até o ficardes a saber futuramente. Se ele contar, o dano vai ser maior do que o benefício por manter a confiança e tudo o mais na mesma. Se romper com a promessa, aí vai ser o inferno, não é? Assim, o prejuízo é mais danoso do que o benefício é benéfico.


E a quarta condição é a de que precisais esperar honestamente o positivo. Agora, se vos deparardes com uma situação em que vos questionais: “Deverei confiar em mim nesta situação?” Percorram para essa lista e vejam. Se obtiverdes um sim em tudo quanto ela enuncia ou se for adequado então a confiança é efectivamente apropriada. Será apropriada para essa situação. Se obtiverdes nota “não” em todas as questões do enunciado – a confiança não será apropriada.

E quando aplicais a vós a situação da confiança equivocada sentis-vos ansiosos – ansiedade. Portanto, é nisso que a ansiedade consiste: uma ou a combinação dessas quatro; e elas tendem a sobrepor-se, mas não podem ser separadas.

preocupação


Preocupação; não será uma emoção divertida, essa? A preocupação, de modo semelhante consta de quatro coisas distintas:



 “Sinto-me preocupado com o facto de se me sentir ansioso elas possam sobrepor-se.” “Nem por isso. Podeis senti-las a ambas, mas elas não chegam a sobrepor-se; poderão acompanhar uma à outra mas não se sobrepõem. A primeira coisa em que a preocupação consiste é ira antecipada. A culpa é ira que sentis que não tendes o direito de ter. Não a cem por cento, mas o mais das vezes é ira que não tendes a sensação de ter o direito de ter. Deveríeis ter feito uma chamada a alguém na noite passada, às oito da noite, para ver se vos podíeis encontrar, e vós esquecestes o telefonema por completo! E hoje sentis-vos culpados. A culpa é ira que sentis não ter direito a sentir. O que realmente se está a passar é que vos sentis zangado com ela: “Eu prometi telefonar-lhe. E sinto-me zangado por agora ela fica com má impressão de mim; estou zangada com ela por ela ter lá estado, seja lá por que for. Mas não tenho esse direito, por ter estragado tudo.” Bom, concordamos, não tendes o direito, mas é isso que a culpa traduz – essa ira que sentis, e que não acreditais ter o direito de sentir. Assim, como no caso da culpa, converteis, expressais a ira e libertai-la e deixais de vos sentir culpados e podeis assumir responsabilidade, etc. A depressão é ira em relação à qual pensais ides meter-vos em sarilhos: “Se lhe contar que estou zangado, ela vai-me esmurrar o nariz. Ou vai-me detestar. Ou não vai mais falar comigo.”



Ira em relação à qual vos ides meter em apuros. “Por isso, em vez de me meter em sarilhos, deprimo. Estou deprimido. A culpa é ira que antecipais. “Oh não, vamos lá ver. Esta noite alguém vai aparecer, pelo que me sinto preocupado se vou chegar a casa a tempo. Bem, vou sair deste seminário a tempo e horas para poder chegar a tempo – oh, só que me sinto tão preocupado com isso.” O que estais efectivamente a dizer é: “Eu estou a antecipar a ira e por essa altura vou-me sentir furioso, vou ficar irritado.” Um aspecto dessa preocupação traduz, nos termos “assim e assim”, sabeis: “Temos gente a voar para a Grécia, etc., e eu sinto-me preocupado a valer por eles poderem ser raptados. Sinto preocupação em relação a qualquer coisa desse tipo.” E ainda nesta perspectiva, o que com aqui tem lugar - mas esta não é a única perspectiva referente à preocupação – mas essa perspectiva engloba: “Se eles vierem a ser raptados eu vou-me sentir fulo, irritado com eles, por me terem estragado a vida. Oh, é tão egoísta, é tão errado, etc.”



Mas ainda assim é o que a preocupação traduz – ira antecipada: “Vou-me irritar se alguma coisa ali acontecer.” E se olhardes, muitos de vós, para aquilo por que vos sentis preocupados: que será que vos deixa preocupados? Se tiverdes olhado com honestidade e encontrardes muitos, muitos casos, isso é exactamente o que tem lugar: “Estou a antecipar a irritação. Por alguma coisa ir dar para o torto ou correr mal ou algo não vai correr bem de alguma forma. Estou a antecipar a ira. É essa a preocupação que sinto.” Mas há uma maneira de tratar isso conforme iremos mencionar mais tarde, mas para compreenderdes o que é a preocupação, se virdes: “Oh, sinto-me tão preocupado, sinto-me tão preocupado.” Se for isso, podeis admitir para vós próprios, que o que realmente está a acontecer, percebem, e então de certa forma já podereis falar sobre isso; mas mesmo assim, essa é a primeira qualidade.


A segunda qualidade, que se assemelha mais ao que a maioria de vós tem, é a preocupação que se reveste de um carácter de obrigação como uma forma de provar que não estais a assumir a vossa vida como facto adquirido, como coisa certa. Muitos de vós sentem ter a obrigação de se preocupar para demonstrar atenção, e o quanto apreciais ou valorizais. Por que se disserdes: “Quem, eu? Preocupado? Parece que estou a presumir que a minha vida seja garantida. Parece: “Sabes... bom... não valorizas o que tens? Não devias preocupar-te com isso e devias mostrar gratidão. Se te preocupares, Deus, a Deus, o Todo vai-se sentir aborrecido contigo.”

Sabem como é, possuís todas essas coisas maravilhosas e dizeis: “Sinto-me tão preocupado por as coisas poderem correr mal. Sinto-me tão preocupado por qualquer coisa poder estragar tudo. É a maneira que tenho de mostrar a Deus, á Deusa, ao Todo que me interesso. Não estou a ser assumir a minha vida como garantida! Não estou justamente a dizer que essas coisas maravilhosas me estão a vir ao encontro? Terei dito que estou a obter alguma vantagem sobre alguém? Vou-me preocupar com isso para demonstrar o quanto me interesso – essa é a parte que tenho nisso! Estou a programar preocupação. (Riso) Visualizo estas técnicas de programação de que disponho, por entre umas dez ou quinze de modo a atrair isto, neutralizar aquilo, de modo que não há como isso não possa funcionar, não é? Mas sinto-me preocupado, de qualquer maneira!” Porque, se não conseguirdes, tendes uma entrevista para um emprego: “Vou programar, e fazer isto, e visualizar, auscultar o futuro e usar a técnica de dois ou três segundos, a técnica do círculo de luz, e usar o segredo da manifestação e de autonomia que por acaso conheço.” Porque, se não me preocupar estarei a dizer: “Hei, não tens aquela entrevista para um emprego na Quarta-feira?” “Tenho”” “Como é que te sentes?” “Óptimo!” “Sentes-te verdadeiramente confiante? Sentir-te-ás arrogante, meu filho da mãe? Rapaz, não te estás a tornar cada vez mais pretensioso?” Pensais que o mínimo que podeis fazer é preocupar-vos em relação à coisa, não será? Exactamente. E assim fazeis!

Não quereis parecer pretensiosos nem arrogantes. Não quereis que pareça que estais a tomar a coisa por garantida, não quereis dar a entender que esperais criar a vossa própria realidade. Quando vos preocupais desse modo, passais uma imagem muito conflituosa à vossa Mente Inconsciente e à vossa Mente Inconsciente, as quais interpretam literalmente aquilo que sentis. Consequentemente, toda a vossa programação e técnicas extraordinárias vão em espiral cano abaixo – por vos estardes a preocupar. Assim, quando acordais pela manhã, não vos preocupais quanto ao facto de ainda estardes vivos. (Riso) Podereis preocupar-vos quanto ao acto de acordar de manhã, mas como acordais, não vos preocupais com isso. E a seguir coreis para o banheiro para vos certificardes de ainda serdes um homem ou uma mulher. Não vos preocupais com coisas do tipo: “Estamos bastante determinados, não?” Correis para o banheiro para ver se ainda fazeis parte da corrida em que estáveis no dia anterior. E várias outras coisas, em relação às quais não vos preocupais, não é? Por presumirdes que sejam garantidas... Bom, talvez! Mas se o fizésseis, veríeis que seríeis um pouco prejudicados. (Riso)

E assim fazeis, programais com a convicção e a atitude de que vá funcionar, e depois preocupais-vos, o que diz: “Não creio que vá resultar.” E passais uma hora a programar o dia e passais vinte e quatro horas a preocupar-vos. E depois questionais-vos quanto ao que a vossa realidade virá a assemelhar-se. Mas não quer dizer que sejais burros, mas sim que realmente sentis que de algum modo deveis fazer isso - que é vossa obrigação: “É a parte que me toca nisso. Vou dizer isto para Deus, Deusa, o Todo, ao meu Eu Superior, aos meus concelheiros, à roda seja lá do que for, que há-de acontecer pelo melhor, e que a parte que me toca nisso é sentar-me aqui e preocupar-me. E é desse modo que vou obter a coisa. Entendam, é assim que a coisa vai funcionar, por que eu paguei as minhas dívidas, preocupando-me.”

Há muitos que se preocupam, e muitos dos que se envolvem com a espiritualidade, por sentirdes: “Olha, consegui tanta coisa! As técnicas que utilizo estão a resultar e a conduzir-me a vida, e a criá-la à medida que prossigo, alegre e contente.” E muitos de vós, que vos encontrais aqui, encontrais-vos nessa posição, absolutamente. Podeis com honestidade olhar para a vossa vida e dizer: “Eu sei que estou a criar isto, e sei que pisei nisso nos últimos seis meses.” E depois sentis. “Mas não o deveria dar isso por certo. Devia sentir-me grato, quando a única via por que o consigo seja – preocupar-me?

O terceiro componente da preocupação é a falta de merecimento: “Eu não mereço a realidade que tenho.” Ou então: “Não mereço o sucesso que desejo. E assim, para compensar essa falta de merecimento, vou-me preocupar.” Entendam, podeis programar a coisa e consegui-la – justamente por o merecerdes: “Eu programo a coisa e obtenho-a – por me preocupar em relação a ela. Desse modo, vou suplantar o merecimento de que não creio gozar, com a preocupação. E de algum modo isso irá compor a preocupação, ou representa o meu carma, ou seja lá o que for.”

Quando falamos sobre o domínio, mencionamos o terceiro factor de dominação e o terceiro factor do domínio, aquele factor de estar na posição de dominação, o sentimento: “Eu posso manipular Deus, a Deusa, o Todo” enquanto entretendes convosco próprios: “Eu posso colocar-me de joelhos e de mãos no chão e chorar e lamentar-me, até Ele se apiedar de mim, e eu obter aquilo que quero.” Ao invés de, a partir da posição de domínio, ser um cocriador com Deus, com a Deusa, com o Todo




Nessa altura em particular em que falamos acerca da arrogância, também sugerimos que não vos amáveis, e referimos as áreas em que não vos amais, aqui na perspectiva do amor que Deus, a Deusa, o Todo tem por vós. O vosso Eu Superior ama-vos. A vossa alma ama-vos. O vosso ser espiritual ama-vos. Mas vós não. A arrogância reside no facto de saberdes mais: "Eles devem ser tolos por me amarem. Eu sei mais. Eu não sou digno de ser amado. Recuso-me a amar-me a mim próprio." Isso apresenta uma enorme arrogância, sem sombra de dúvida. Mas, para esse efeito, Deus, a Deusa, o Todo, o vosso Eu Superior, a vossa alma, o vosso ser espiritual e os vossos concelheiros amam-vos. Vós tendes uma certa obrigação de vos amardes a vós próprios. Não podeis continuar a representar o jogo de o não fazerem para poderdes manipulá-los e levá-los a fazer alguma coisa por vós.

A esta altura também acrescentaríamos que há aqueles, que com toda a clareza sabem disso, mas que ainda assim não se amam - por não acreditarem merecer ser amados: "Deus, a Deusa, o Todo podem-me amar, mas eu não mereço esse amor. O meu Eu Superior pode amar-me que eu não mereço tal amor. A minha alma, os meus concelheiros, o meu ser espiritual, também eles me amam todos, mas eu não mereço isso. Isso radica bastante na graça da parte deles, mas eu não a mereço. E por isso, não posso amar-me a mim próprio - até chegar a ser merecedor disso! E até que esse tempo chegue, preciso compensar a carência que sinto com a preocupação. E se eu me preocupar o suficiente, isso talvez venha a compensar. Mas vou ficar sempre a pensar que sou indigno e que não mereço."

Para alguns trata-se de um jogo, reconhecidamente, mas para outros é bastante real; Eles não estão a representar jogo nenhum mas falam a sério, e realmente não pensam merecer. Ou seja, vós representais o facto de não acreditardes nisso. Todavia nós sugerimos que isso é um facto. E a preocupação torna-se na compensação para tal falta de merecimento. E por fim, a preocupação constitui o medo de perder controlo sobre o desconhecido. Um medo de perder o controlo sobre o desconhecido. É quando vos preocupais: "Não sei exactamente o que se vai passar, não sei no que isto vai resultar. E em vez de enfrentar isso, e de tratar disso, penso que me vou deixar encher de preocupação." Assim, a preocupação é qualquer desses factores ou a combinação deles, e é distinta da ansiedade. Sem dúvida.

CONFUSÃO

A terceira: a confusão. A confusão não chega a constituir realmente uma emoção. "Como é que te sentes? Confuso. Bom, o facto de o poderes usar num certo sentido, não me leva a crer que se trate de uma emoção, não é? Por vezes também te sentes como uma casa, e isso tampouco constitui uma emoção." (Riso) De qualquer modo, chega quase a ser incluído nesse grupo particular, mas devido aos equívocos tão frequentes, chega a ser levado na conta de uma emoção, pelo que pode ser considerado nessa classificação.

Também há quatro coisas que a confusão circunscreve:

Antes de mais, a confusão é uma emoção mais ampliada. É uma emoção que se apresenta de tal modo vasta que não a conseguis identificar. É como olhar para uma gota de água, sabem; podeis olhar um copo de água com uma lupa e identificar – o quê? Água! Mas retirais uma gotícula de água e colocai-la sobre um diapositivo, e olhais para ela: "Oh, meu Deus, o que é isto? Está a mover-se." Já mencionamos o facto da água se encontrar realmente em movimento, mas de qualquer modo sugeriríamos aqui que a não conseguis identificar por a aumentardes de uma forma exponencial. Agora olhai para aqueles livros que apresentam aquelas imagens dos folículos de um cabelo ampliados com uma enorme potência (ao microscópio electrónico),ou do terminal de um dedo vosso, etc., ou todos aqueles insectos diminutos...

De qualquer maneira, sugeriríamos que isso vos poderá dar uma ideia. Não os conseguiríeis identificar nesses termos, não é? Por se encontrarem de tal modo ampliados que muitas vezes precisais que vos chamem à atenção: "Oh, meu Deus, olha para aquilo. Aquilo representa um quarto de polegada de pele do meu dedo polegar esquerdo, ou seja lá o que for." Então, quando vos disserem o que é, ides ficar a saber do que se trata. Com a confusão passa-se o mesmo: sentis ira, ou felicidade ou amor ou medo - de tal modo intenso que não conseguis identificar. É de tal modo ampliado que não conseguis identificar, do que resulta: "Sinto-me confuso!"

Também pode tratar-se de um sem número de emoções que estejais a sentir, que geralmente é o que a amplia ou aumenta, pelo que o provável é que estejais a sentir toda uma penca delas ao mesmo tempo em resultado do que vos sintais verdadeiramente sobrecarregados pelo volume e amplitude da coisa, e por isso mesmo, consumidos - e confusos. Desse modo, essa é a primeira das coisas a que a confusão se reduz. A segunda, é que a confusão também pode representar a completa negação do sentimento. É ambas as coisas: Estou a sentir tanto que me encontro confuso, ou estou a tentar negar o facto de estar a sentir alguma coisa, pelo que me sinto confuso. Aqueles que não querem sentir nem chegam a admitir ter um sentimento haverão finalmente de concordar: "Muito bem, estou confuso." Dareis isso por garantido tanto mais por o que estais a fazer é negar os sentimentos que tendes.

Em terceiro lugar, a confusão constitui a "face inocente" da vitimização e do martírio: "Quem, eu? Eu estou a ser martirizado; estou a ser uma víctima; bom, estou tão confuso!" É claro que jamais tereis feito algo assim, mas podeis ver como isso tem lugar no caso de outros, não? É aquela máscara inocente do: "Eu estou a magoar-te? Com certeza que estás a gozar." É a confusão que tem lugar em particular quando sois apanhados: "Eu simplesmente não sei, estou tão confuso!" Assim, trata-se disso, mas também sugeriríamos que a confusão seja igualmente a recusa de ser real, e uma inabalável teimosia no sentido de se manter superficial, de se agarrar ao passado, basicamente. E que frequentemente também é isso que produz superficialidade na vossa vida, etc. Não conseguem encontrar profundidade nenhuma no seu viver, etcetera; nada os leva a sentir, nada possui qualquer significado, nada chega a ter qualquer valor, é tão só o dia-a-dia, e isso torna-se excessivamente confuso. Por realmente se agarrarem ao passado e tentarem viver nele, e nesta realidade isso tornar a coisa muito difícil, já que isso nem sequer tem existência como uma ilusão, pelo que torna a coisa muito difícil. Assim, esses acabam por se confundir sobremodo ao longo de tais linhas. Assim, é isso o que a confusão envolve.


DÚVIDA

Agora a dúvida. A dúvida, a inocente dúvida. (Riso) Provavelmente, a mais suave e a menos prejudicial de todos, não? Na realidade nem por isso. Nem por isso. A dúvida é porventura uma das mais destrutivas dessas emoções recorrentes. A dúvida consta de uma falta de confiança ao contrário de uma confiança indevida. Quando tentais confiar em vós numa situação em que devíeis confiar mas não conseguis, isso é dúvida. Numa situação em que tentais confiar em vós não devíeis confiar, isso é ansiedade. São sentimentos completamente diferentes, e torna-se importante ter noção dessa distinção, de modo a que quando tentardes distinguir o que se passa convosco, possais compreender. Portanto, antes de mais, trata-se disso, de falta de confiança: “Não confio em mim próprio.”

Em segundo lugar, sugeriríamos que a dúvida representa um apoio do ego negativo. Numa realidade em que sabeis que a criais, em que tendes domínio, e em que de facto sois o criador de todas as coisas por intermédio do vosso pensamento, duvidar de vós próprios representa um apoio do ego negativo. Constitui uma das suas maiores alavancas, tentar erguer-vos: “É dúvida? Tens a certeza? Tens a certeza?” A pequenina voz, sabem: “Tens a certeza?” “Eu sei que isso vai acontecer!” “Tens a certeza?” (Riso) “Creio que sei. Bom, pensava que sabia. Bom, talvez não saiba. O provável é que não saiba; provavelmente estou errado e tu estás certo...”

Essa transição pode ocorrer em cerca de trinta segundos e alguns de vós, muitos de vós sabeis - já passastes por isso, não? Não se trata de dúvida mas de apoio pelo que acabais por apoiar o ego: “Ah, eu simplesmente tenho tantas dúvidas de mim, eu cheguei a duvidar que isto não fosse resultar, eu simplesmente duvido, duvido, duvido.” É basicamente que eu pareço apoiar o meu ego negativo. Deixo que ele represente o seu jogo e acabo acreditando nele.”

Terceiro, e talvez o mais estranho em relação à dúvida é a teoria do controlo. A dúvida é dominação. “A dúvida, a dúvida inofensiva?” “Pois é, controlo, faz-me pensar no poder, na intimidação, e creio que... não me faz pensar na pequena dúvida covarde.” A Virginia Satir, sabem tem aquele extraordinário modo de expor aquilo que estamos aqui a dizer. Ela emprega o “valentão e o fracote”. E a forma como ela expressa a coisa é dizendo que o fraco cai de joelhos e de mãos no chão, como todos os fracos, ou tímidos e assustados: “Oh, eu sou tão fraco.” Enquanto o fanfarrão permanece de pé com um pé sobre as costas do fraco, coisa que de facto todos os fanfarrões sempre fazem. E com o outro na cadeira, entendem, em toda a sua força e poder.

Muito bem. Agora; vamos deslocar o fanfarrão de alguma forma: para a frente, para trás, assim e assado; nada chega realmente a mudar. O fanfarrão ainda está por cima. Mas deslocai o fracote – e o fanfarrão cai! Assim, aquele que detém poder, numa situação dessas, é o que permanece sobre os joelhos e as mãos. Todo o fanfarrão precisa de alguém para ser fanfarrão, e assim que aquele que está por baixo decidir deslocar-se, o fanfarrão desmorona. A dúvida opera do mesmo modo; uma das formas mais poderosas de dominação é a dúvida.

A dúvida produz o sentido de: “Eu preciso manipular para poder criar a minha realidade. Preciso ter poder para controlar os outros. Eu preciso tentar alcançar Deus, a Deusa, o Todo para que cuide das minhas fraquezas, me apoie o ego negativo nas contendas, e para viver num mundo que é assustador e que vai desmoronar a qualquer altura: Preciso ter consciência de todos os imprevistos antes de me atrever a pôr um pé no exterior. Preciso tirar e preciso culpar.” A dúvida apoia cada uma das contingências da dominação, e nenhuma das contingências do domínio. Não existe o menor sentido da produção criativa da realidade como um poder, como uma capacidade de acção, em oposição à própria acção. Como uma cocriação com Deus, com a Deusa, com o Todo, em apoio a um eu espiritual num mundo amistoso... “Ah, eu duvido disso!” Dar? Amar? Não, não há lugar a tais coisas. A dúvida consiste no desejo de dominar sem chegar a dize-lo.

Pois, o que será que podeis fazer quando alguém duvida? “Eu... eu... eu simplesmente duvido de mim próprio.” Que é que podeis fazer? A resposta resulta um pouco difícil, e prolonga muito explicar a coisa mais uma vez. Acompanhai isso de novo, repeti-o vós próprios, e depois despendei uma vida inteira com isso. Quem está no controlo? “Eu... eu... não tenho a certeza. Eu estou simplesmente a duvidar de mim próprio. Poderias explicar-me isso de novo?” “Como estás?”  “Estou lindamente, mas duvido que tenha atingido isso, duvido que já tenha solucionado o problema... assim tão rapidamente. Duvido que o consiga fazer sozinho.” Quem está no controlo? Vejam bem, dominação, controlo, sem sombra de dúvida.

E por fim, a dúvida constitui uma tentativa – por favor escutam isto – para não serdes responsáveis. Realçamos isto por não haver maneira de deixardes de assumir responsabilidade. Enganais-vos, mentis a vós próprios: “Eu evitei a responsabilidade.” Onde? Adiastes a responsabilidade, não a evitastes. Não podeis evitar a responsabilidade. “Não me sinto responsável por isto.” És. Não o podes negar. És. Podeis atrasar a responsabilidade, mas não a podereis negar. Pensai nisso por um instante; vós sois responsáveis pela vossa realidade – não se trata de uma opção! Gostarias de ser responsável pela tua realidade? E vós? E vós? “Não, creio que não.”Não, não é uma opção. Quereis ser conscientemente responsáveis pela vossa realidade – isso é uma opção! A opção tem lugar entre a consciência disso e a sensação de serdes capazes de exercer um domínio imbuído de responsabilidade, de ter poder e responsabilidade, ou de ser impotente de uma forma responsável; mas sempre tereis responsabilidade, não podeis evitar a responsabilidade.

“De modo nenhum.” Podeis evitá-la mas não a podeis negar. Vamos esclarecer isto; em última análise não a conseguis evitar, sempre sereis responsáveis. Poderá ser pelo término da vida mais cedo, pode ser por meio de uma tragédia, no sentido emocional, físico, psíquico ou mental, pode ser por um acréscimo de vinte ou de trinta vidas adicionais que vireis a experimentar, mas eventualmente acabareis responsabilizando-vos pela vossa vida, pelo vosso crescimento, pelo vosso desenvolvimento. Por isso, aquele que duvida está a tentar contornar isso: É muito estúpido, por não ser capaz, mas vós não o podeis convencer do contrário.

 “Ah, bom, a dúvida leva-me de algum modo a renunciar à responsabilidade que me cabe.” Podereis adiá-la mas jamais negá-la. Em última análise precisareis assumir essa responsabilidade. Portanto, por que não de forma consciente, de uma forma imbuída de poder, ao invés de o fazerdes inconscientemente e impotentes e de modo interminável?


Assim, essas são as emoções obsessivas. Mesmo quando tiverdes tratado da vossa ira – muitos de vós terão certamente ouvido essa – muitos terão tratado da vossa autocomiseração nas suas diversas formas, e tratado dos vossos temores. “Eu sei que voltarão a eclodir, mas lido com elas...” O truque, entendam, não está em dizer: “Não me vou sentir irritado de novo; não me vou sentir magoado, não me vou isto, não vou aquilo.” Nisso não é que reside o truque. E a esse respeito, nem sequer corresponde à verdade. Sentis-vos deslocados: “Jamais voltarei a sentir qualquer dessas coisas...!” Enquanto fordes físicos, sentis essas coisas, de tempos a tempos. Talvez não todas, mas muitas. Se as negardes dizendo que as não sentireis, estareis justamente a tornar-vos insensíveis em relação a elas, a esse particular respeito. A questão está em saber como lidar com isso. Assim, muitos de vós na verdade ficam zangados, e lidam com isso de uma forma construtiva, produtiva, tornando a vossa ira em algo que vos ajude a crescer. Tratais da vossa mágoa e quando uma nova mágoa surge voltais a tratar dela, e tereis mesmo tratado da autocomiseração a ponto de não mais vos pordes de novo com representações dessas, de modo que quando dizeis que a vossa autocomiseração não é real, que a ira ou a mágoa ou a autocomiseração seja uma invenção, de modo que a podereis erradicar, e jamais chegareis a sentir autocomiseração de novo.

O medo é real, pelo que o sentis, entendem. Todavia, a forma como lidais com ele, é chave! Uma pessoa espiritual é medida não pela perfeição mas pela forma como lida com as imperfeições que apresenta.

Assim, tratais dessas, mas ainda assim, onde está a paz interior, com essas emoções recorrentes? Mas conforme podeis aprender a lidar com essas emoções recorrentes, também sereis efectivamente capazes de lidar com elas, e assim também podeis dispor de paz interior.

A meditação é realmente fantástica mas sugeriríamos que também pode ser bastante eficaz – se permitirdes que o seja. Porque, entendam, a vossa mente subconsciente, a vossa mente inconsciente - a vossa mente consciente! – só necessita de imagens, tão simbólicas quanto o preferirdes, para saber o que fazer, para conhecer a vossa intenção. E isso pode ser reforçado uma e outra vez.

E assim, agora olhemos a forma como haveis de lidar com essas emoções particulares, tanto as obsessivas como as explosivas. Já falamos das explosivas e desse tipo de coisa pelo que não vamos repetir, mas quando não tendes a certeza de se tratar de ansiedade ou se é confusão ou preocupação, ou dúvida o que está a acometer-vos, a primeira coisa a fazer é parar, dividir a coisa, para ver do que é que está a ocorrer e tentar delinear: “Em que situação me encontro? Será isto ansiedade? Será dúvida? Será o quê? E enquanto actuais assim, tentai igualmente identificar se se trata de uma explosiva em vez de uma obcecante que está a ter lugar.

Mas decerto que se a puderdes identificar como ira ou mágoa ou autocomiseração ou medo, então disporeis de métodos para lidar com isso, mas digamos claramente para fins que se prendem com este debate: “Não, é uma dessas recorrentes; é ansiedade de novo, ou então é a preocupação que sinto ou seja lá o que for.” Bom, partindo disso, se começardes por distinguir a título de um passo inicial: “Que será que sinto e que será que está a produzir isso?” E caso se trate de uma emoção recorrente significativa, então movei-a para esse nível e tratai dela. Se não for, então considerai os benefícios. Nós vamos dar-vos um ponto de partida em relação a isso, está bem?




AS TÓNICAS

Portanto, antevejam as compensações que possam resultar. Mais, podeis acrescentar algumas das vossas a condimentar. Há quatro formas de compensação crítica que vão estar em operação, mas podeis acrescentar mais algumas das vossas: Uma vai ser com o objectivo da autocomiseração, da parte de quem sente pena de si mesmo, e pretende usar isso como uma forma de manipulação. E outra vai ser a parte que quer dominar; a parte que quer dominar, que opta pela dominação ao invés do domínio. E em terceiro lugar, a parte que quer convencer-vos de que não mereceis ser felizes. Que não mereceis o melhor.

E por fim, a parte de vós que pretende provar que a metafísica não resulta. Que vós não criais verdadeiramente a vossa realidade. Pois é, a presunção de que vos achais envolvidos com a metafísica, ou que acrediteis nisso, funcionais com base nisso, etc. Mas sugeriríamos aqui que muita gente usa essa mesma verdade: “Eu crio a minha própria realidade,” para criar uma realidade que pareça que eles não a criam de todo. Mas a verdade é de tal modo poderosa que não precisa fazer-se valer ou defender. E desse modo, podeis utilizar essa verdade: “Eu crio a minha própria realidade,” de modo a criar uma realidade que pareça ostensivamente que não tenhais nada que ver com ela. E que ela vos acontece, pura e simplesmente (vítima).

Portanto, sugerimos que essas vão estar presentes, combinadas ou até certo ponto algumas vão estar presentes para além de poderdes ter mais algumas das vossas. Assim, olhais para essas compensações e vedes: “Que é que estou realmente aqui a fazer?” E a seguir podeis libertá-las; podeis libertar essas obsessivas e substituí-las.

De modo que, para olharmos mais fundo e de uma forma específica sobre como haveis de libertar essas emoções em particular, começamos de novo pela ansiedade.

A palavra chave no caso da ansiedade,... o tónico para a ansiedade é o domínio. E portanto, se estiverdes a sentir ansiedade a ponto de vos sentirdes completamente ansiosos que não conseguis possivelmente classificar se é uma emoção não identificada ou se estareis a confiar na altura indevida, ou na situação indevida, seja o que for, então a tónica passa pelo domínio. Se providenciardes a vós próprios domínio... “Espera, que queres dizer com providenciardes?” Bom, aqueles de vós que estiveram connosco no fim-de-semana passado lembrar-se-ão que os deixamos fazer uma meditação por vossa livre e espontânea vontade durante um dos intervalos, em que os vossos conselheiros ou o vosso Eu Superior ou alguém entrou na vossa meditação e nos providenciou informação, conhecimento, compreensão; não para pensardes e compreenderdes por intermédio do vosso pensamento mas para vosso cultivo. O mesmo acontece com o domínio; se providenciardes a vós próprios, ou tiverdes os vossos conselheiros ou o vosso Eu Superior que vos venha cultivar, em cada um desses sete aspectos; quero dizer, a posição de domínio. Não para a captardes intelectualmente ou pensardes acerca dela, ou para a assimilar, absorver no vosso sistema, sugerimos aqui que isso conterá a ansiedade. Então podereis classificar o que estiver especificamente a produzir isso, e podereis tratar dela. Obviamente, se for uma das explosivas não identificadas, então identificai-la e tratai dessa actividade particular. A ansiedade desaparecerá.


Se for uma situação de erro antecipado, olhais para o que erro antecipado representa, desempenhai-lo e descobri-lo: “Porque quereria eu fazer tal coisa? Por que desejaria eu criar essa realidade? Que ganharia eu com isso?” Suplantai isso e começai a criar aquilo que quereis, em vez disso. Suplantai isso apossando-vos do que seja verdadeiro e deixai que isso se solte e passe. Se se tratar de uma situação de humilhação e de rejeição antecipada, tratai dela virtualmente da mesma forma: “Por que quereria eu isso? Que prazer me irá isso trazer?” “Bom, para mim é... mas para o meu ego, tudo bem.” “Que prazer e por que razão estarei a permitir que o meu ego disponha disto? Não, vou negar isso. Vou programar uma retirada e pôr-me de fora.” O que nós sugeríamos numa situação dessas é que a ansiedade desaparecerá da mesma forma. E por fim, se se tratar de uma situação de confiança deslocada, então não confieis em vós nisso. Utilizai um outro programa qualquer, seja qual for mas não confieis, não conteis com a confiança: “Bom, eu estava a tentar confiar em mim.” Não façam isso! Contai com o domínio que tiverdes, contai com a programação que conseguirdes estabelecer, contai com aquilo que conheceis, contai com o que quer que for, mas não conteis com a confiança quando ela se acha deslocada. Não vão para a cama a tentar confiar em pilhas de dinheiro. Trabalhai com os concelheiros, trabalhai com o que quiserdes se o preferirdes, mas não conteis com a confiança. Ou voltareis ao mesmo após um fim-de-semana muito cansativo. Não será?

Vejam bem, não podeis libertar isso desse modo, a tónica geral assenta no domínio sobre as áreas específicas em que conseguirdes libertar em vez de em métodos específicos. Agora, quando olhais para a preocupação, ela também representa um tónico generalizado, e alguns de vós dão por si de tal modo apanhados na preocupação que não conseguem começar a resolver isso, etc. :”Sinto-me simplesmente demasiado preocupado para pensar nisso; estou demasiado preocupado para fazer seja o que for; sinto-me paralisado pela preocupação.” A tónica assenta na gratidão. Sim, na gratidão. Se começardes a sentir-vos gratos pelo que tiverdes criado e pelo que vos tiver sido dado, a preocupação terminará como uma chuvada. Ela parará e gerar-se-á uma limpeza pelo menos suficientemente prolongada para poderdes apreender a coisa e para vos recompordes. “E é pela gratidão e pelo amor que criei que agradeço a mim próprio. E pelo que me foi dado pelo meu Eu Superior, pelos meus concelheiros, pela minha realidade, por Deus, pela Deusa, pelo Todo.”


Agora, em relação às áreas específicas...

Ira antecipada. O que aqui tem lugar é quase utilizardes a analogia da ira como um reservatório. Mantendes esse reservatório da ira de modo que o que fazeis com a ira antecipada é: "Estou a antecipar a semana que vem, o mês que vem, o amanhã, os próximos vinte minutos, sempre e toda a vez que me preocupar, e vou sentir-me furioso. E nessa antecipação vou deixando escorrer ira. É como se não quisesse que esse reservatório deitasse por fora, não quisesse que essas comportas se abrissem e destruir toda a minha realidade com a ira, pelo que o que faço é extrair por intermédio da preocupação.” E alguns de vós fazem isso. Por que: "Não enfrentarei os acessos de fúria que tenho até que tenha acabado com elas no passado ou no presente. Mas uma parte de mim quer-se ver livre das coisas, por as não querer carregar comigo às voltas, razão porque as descarrego.

Descarrego-as muitas vezes por intermédio da preocupação e caso não consiga sentir-me preocupado por vinte horas seguidas, posso ser descarregado de volta para a fúria, de modo que se torna um pouco menos provável que rebente com a minha realidade no meio de um surto qualquer de ira desenfreada ou de autodestruição. Bom, o modo de lidar com essa actividade particular consiste em conduzir a ira ao tempo presente. "Sinto-me preocupada...Ora bem, deixa que perceba que estou a antecipar o facto de vir a sentir-me furioso com fulano de tal na semana que vem. Deixa-me ver por que razão me sinto agora irritado. Nada! estou, sim! Eu sei que estou por estar a antecipar essa raiva, pelo que tem que haver alguma coisa por aqui, e posso descobri-la, se me dispuser a procurar." E haveis de descobrir qualquer coisa que traga essa fúria do futuro antecipado para o presente actual; expressai-la através de um dos meios de expressão da ira, e gostaríamos a esta altura de sugerir, pronto, tereis terminado com ela. A ira terá desaparecido. E nessa medida, mantendo-vos a descarregá-la dessa forma de modo que nem necessidade tereis de criar a necessidade de vos preocupardes. Agora, nessa medida, a preocupação representa a vossa obrigação: "É a parte que me toca nesta função de cocriação. Consumo-me com o facto de Deus poder fazer a sua parte, não é?"




Mas o que aqui é chave é que aquilo que estais a tentar fazer é mostrar que vos sentis gratos. Isso é tudo quanto a preocupação representa: não é que sejais uma pessoa má! Preocupais-vos por quererdes provar que vos sentis gratos. Porque não sentir simplesmente gratidão? Nem pensar! “Ah, pois é, não está mal visto.” Não é?

Mas isso é tão simples, e isso é tudo que é preciso; percebei: “Muito bem, sabes, sinto-me preocupado por sentir ter o dever, a obrigação, de me sentir. É a parte que me cabe em relação a isso: “Não quero que ninguém pense que me estou a tornar arrogante ou elegante. Pronto, assim o que vou fazer em vez disso é sentir-me grato, agora. Tão grato para com Deus, para com a Deusa, para com o Todo; grato para com o meu Eu Superior, para com a minha Alma, para com os meus Conselheiros, para com os meus Amigos e aqueles ao meu redor, para aqueles que me valem quando é preciso. E sinto-me inundado de gratidão. Não resta espaço nenhum para a preocupação, por estar a realizar aquilo de que andava em busca – o desejo, de não ter isso por certo, o que consigo com a gratidão, em vez da preocupação.” E ela desaparecerá com toda a clareza.

Ora bem, na medida em que vos sentirdes preocupados, e que a preocupação que sentis está ligada a um sentido de falta de merecimento, gostaríamos de sugerir, optai pela disposição. Conforme falamos na semana dedicada aos segredos da capacitação, uma das coisas mais importantes é compreender que começais com o merecimento total de um bebé, sabeis. Não sabeis porquê, mas mereceis tudo, não é? Toda a atenção, tudo e mais alguma coisa e jamais chegais a pensar nisso nesse particular sentido, apenas mereceis tudo. E entre a altura em que nasceis e até aos sete anos e meio, esse merecimento terá sofrido uma erosão a ponto de não mais terdes nenhum. Quando estais nesse ponto de não possuir qualquer merecimento, muitos permanecem aí para o resto das suas vidas, constantemente a lutar, constantemente à procura de validação, à procura da aprovação dos outros, e a empreender várias actividades a fim de tentarem obter algum merecimento. Ou a retrair-se para o resto da vida simplesmente por o desejarem e jamais o obterem.

Bom, podeis tentar por vários meios e é-vos dito: “Devias sentir um maior merecimento; devias merecer mais,” sim, é verdade, devíeis, mas de que modo o conseguireis?

Antes de mais, a maneira de o conseguirdes é por meio da sintonia com a disposição. “Olha, não importa que eu mereça ter isto ou não. Estou na disposição de ter. Estou disposto a criá-lo.” E ao vos permitirdes mover nessa direcção, nos termos: “Estou disposto! Estou disposto a ter a minha realidade assim; quer o mereça ou não!” Assim que começardes a produzir com base nessa posição, o que acabará por acontecer é que começareis a sentir que mereceis. Começais a sentir que esse merecimento sucede de forma automática.

A outra maneira é indagar e descobrir o que tiverdes feito de terrível e de tão imperdoável. É daí que procede a vossa falta de merecimento: “Eu sei que devia merecer, mas não sabes que eu cometi isto.” “Que foi que fizeste?” Por isso, perdoar-vos e buscar o perdão. Isso erradicará a falta de merecimento, e desse modo eliminará a necessidade de preocupação, como uma ferramenta correspondente: essa falta de merecimento.

Por fim, se a preocupação que sentirdes estiver ligada a um sentido do desconhecido, rendei-vos. Rendei-vos ao vosso Eu Superior e a Deus, à Deusa, ao Todo. “Não sei como controlar esta situação.” Não tenteis. Rendei-vos e confiai, e não haverá preocupação. Rendei-vos e confiai, e não vos sentireis preocupados.

Ora bem; ao olhardes para a confusão, o antídoto geral, ou a tónica que venha a resultar no caso da confusão é obter uma perspectiva. Recuai para longe dela para obterdes uma melhor perspectiva da situação. Não fiqueis especados a olhar para o vosso problema e a interrogar-vos sobre a razão por não perceberdes coisa nenhuma, por que não conseguis descobrir a coisa. Afastai-vos dele! Colocai-o em perspectiva. E nessa medida, dessa forma, não haverá problema assim desconforme de que preciseis fugir, não é? Além do mais, embora enfrentais os vossos receios indo ao seu encontro, na verdade por vezes para igualardes isso precisais começar do início, de modo de vos retirardes dele para obterdes uma perspectiva. Mas obviamente, nesse sentido particular, caso se trate de um agravamento, pegai em cada emoção que sentis e senti-a em separado. “Sinto-me tão confuso, sinto-me tão assustado, sinto-me contente, sinto-me só, sinto-me excitado, etc.” Oh, não vos detenhais. Pegai numa de cada vez e tratai dela. Se for uma emoção positiva, tratai dela; Não para a libertar mas para a embelezar. Se for uma emoção negativa tratai de a libertar, sem sombra de dúvida. Mas não tenteis lidar com ela quando vos sentirdes zangados e magoados e estiverdes a amar e estiverdes alegres e sentirdes medo, e estiverdes na dúvida, etc. Desmontai isso; uma de cada vez. E vereis que a confusão desaparece.

Se for uma questão de vos recusardes a sentir, então começai a sentir qualquer coisa. Começai por onde quiserdes. Beliscai-vos, se tiverdes que o fazer, para vos sentirdes magoados. A sério! Nessa medida, certos indivíduos encontram-se completamente entorpecidos para sentir qualquer emoção. Não que tenhais que sair por aí a beliscá-los, mas que deviam fazer isso a eles próprios nesse sentido, beliscarem-se a valer: “Oh, isso dói!” Senti isso! Porque, vejam bem, haveis de vos obrigar a sentir – eventualmente! E aqueles que se encontram completamente entorpecidos eventualmente farão alguma coisa para fazer com que sintam – quer por serem prejudiciais para com os outros de modo que por fim acabem por sentir o que estiverem a fazer, ou por se prejudicarem a eles próprios, por meio de vários acidentes de automóvel e montes de coisas estranhas e dolorosas. Isso é o resultado daqueles que não sentem, nem todos, não é um quadro a preto e branco e o facto de toda a gente que se encontra em sofrimento se deva a não sentirem. Sem qualquer juízo de valor quanto a isso. É só para entenderdes que por vezes as pessoas criam esses acidentes e colocam-se em situações de dor excruciante e situações dolorosas devido a poderem “sentir alguma coisa.”

Mas gostaríamos de sugerir que infelizmente, muitas tragédias sucedem por não se permitirem sentir isso. Assim, começai a sentir!

Se a confusão que sentirdes proceder do entorpecimento. Se suceder como uma máscara para a autocomiseração, obviamente que se revelará difícil lidar com isso. Mudai-a para o tipo explosivo que é e começai a tratar dela. Na medida em que pretender permanecer superficial, confrontai-a.

É aí que a técnica do espelho pode resultar com toda a clareza. Sentai-vos em frente ao espelho e olhai para a pessoa que se posiciona em frente de vós. Despendei uns cinco minutos a estudar esse rosto. Olhai para as sobrancelhas, para o corte de cabelo, os olhos. Estudai o rosto: “Vou contemplar este rosto por uns cinco minutos e vou recordá-lo por toda a vida.” Desse modo estudando-o, estudando-o, estudando-o. Assim que tiverdes finalizado esse estudo, falai com ela sobre o quão essa pessoa apresenta de frívolo, de irreal, o quão completamente presa ao passado se encontra. “Sabes que mais? Sou completamente superficial. Não tenho qualquer sentido de profundidade.” E começai a sentir o que isso compreende. Começai a sentir isso. E isso irá fazer-vos estourar a coisa por meio disso. Talvez não vos torneis subitamente na pessoa mais profunda e mais sensível do planeta, mas começareis. E não tereis qualquer necessidade de utilizar a confusão com esse propósito particular de permanecerdes superficiais.

E, é claro, em relação à dúvida, desenvolvei a confiança. Desenvolvei a confiança. E o antídoto, ou melhor, a tónica para a dúvida reside na autoconfiança. Bom, já falamos sobre a fórmula da autoconfiança, no passado. Confiança, junto com humildade, mais esperança. Tudo multiplicado pela coragem. De modo a poderdes descobrir o vosso próprio quociente da autoconfiança. “Terei suficiente, ou não?” Podeis descobrir isso. Através da atribuição de graus: “Quão confiarei eu em mim próprio?” Atribuo um grau ao nível de humildade que tenho, ao nível de esperança que tenho, ou nível de coragem ou de compaixão que tenho. Percorrendo essa fórmula, encontrareis a formulação que vos indicará a posição que tiverdes com respeito à autoconfiança. Mas ao duvidardes de vós próprios, desenvolvei essa autoconfiança, tratai de desenvolver esse componente particular da autoconfiança e a dúvida desvanecer-se-á. A dúvida desgastar-se-á, evaporará. É por isso que na vossa meditação voltais as costas a ela, por não querer ser abandonada.

Quanto às suas particularidades, realmente nesse sentido, a confiança e a esperança e a humildade e a coragem constituem realmente factores a desenvolver e a compreender, e assim, sugeriríamos aqui que para se posicionarem no lugar da falta de confiança então confiai. Desenvolvei isso.




Já vamos falar nisso daqui a um instante, não os vamos deixar com: “Confiai em vós, simplesmente!”

Se for, com respeito a isso, no sentido de dar apoio ao ego, então admiti-o; enfrentai a verdade. Rebentai com o ego negativo. Percebei onde ele vos quer conduzir de verdade. Percebei que ele representa o vosso inimigo e que tenta destruir-vos. O vosso ego negativo não é vosso amigo. Nós afirmamos isso com frequência. “Ah, eu sei disso. Eu sei disso. Não podemos fazer nada em relação a isso, não é?” (Riso) Mas ao enfrentardes isso de verdade: “É isso, eu estou a apoiar e a concordar com o meu ego negativo, mas vou tratar de o estourar, libertá-lo e seguir em frente.”

Na medida em que a dúvida representa o desejo que tendes de dominar, então movei-vos na direcção do domínio. Admiti a verdade, reconhecei-a, admiti-a, perdoai-vos a vós próprios por vos agarrardes de forma tão desesperada ao controlo, e mudai-o.

Na medida em que a dúvida representa uma tentativa para não serdes responsáveis, considerai porventura a forma como planeais fazer isso. Esquematizai a estratégia que tendes para jamais serdes responsáveis. E aí talvez percebais que não podeis. Acabareis por ser responsáveis, assim, porque não faze-lo agora? Porque não faze-lo de forma consciente? Por que não faze-lo com vigor? Isso poderá reduzir e eliminar a dúvida.

Bom; essencialmente ao reduzirmos cada um desses componentes a cada caso, mas trabalhai primordialmente com o domínio, com a gratidão, e com a possibilidade de vos colocardes em perspectiva. Considerai-vos a vós próprios com uma maior ligeireza e sem preocupação, e senti essa confiança no vosso íntimo. Não sois tão terrivelmente sérios nem graves como muitas vezes, ou como fingis ser, por vezes. Recuai, considerai-vos com uma maior ligeireza e senti essa confiança em vós próprios. Essas são as tónicas e os antídotos principais para essas emoções recorrentes e obsessivas. Agora, trabalhar com elas irá resultar. E aqueles de vós que assistiram a este workshop em Los Angeles verificaram ser esse o caso. Mais. Já conversamos com alguns deles e eles mostraram-se surpreendidos com a diferença que as coisas apresentam. Agora que têm consciência daquilo que sentem e são capazes de o identificar e de trabalhar isso de imediato.

Contudo, entendam, não tem só que ver com a libertação. Precisais substituí-las.

A criança que brinca na praia junto à água abre um buraco na areia, e em poucos minutos ele enche-se de novo. Por a areia estar húmida e escorrer de novo, e de forma similar, podeis desenterrar toda a ansiedade que sentis, toda a preocupação e dúvida, e toda a confusão e dúvida que sentis, mas se não colocardes nada no lugar disso, então isso voltará a ficar cheio exactamente com o que tinha antes. E ireis sentir preocupação, ireis sentir dúvida, sentir ansiedade e confusão. Assim, com que ireis preencher o lugar disso? Com todos os quatro elementos: Amor, confiança, expectativa e entusiasmo. “Todas os quatro?” Claro, todos os quatro. Substituir um com todos os quatro. Absolutamente!



AMOR

Ora bem, ouvis com frequência estas coisas: “O teu problema é não te amares o suficiente. Ama-te mais.” “Aprovado!” (Riso) Lês livros sobre autoajuda; seja sobre o que for. Há sempre um capítulo dedicado ao amor-próprio. E vocês lêem-no, e basicamente aquilo que diz é: As pessoas não se amam o suficiente. Para serem felizes deviam amar-se mais. Deviam amar-se mais. Deviam amar-se mais do que amam. Deviam amar-se mais. Assim, façam isso. Final do capítulo. Capítulo seguinte.

 E dais uma olhada nas páginas que devem estar coladas, não é? (Riso) “Ama-te mas é mais! Anda lá, ama-te mais.” Mas é claro que a certa altura isso assemelha-se mais ou menos à situação em que quando não compreendemos de todo a palavra, fingimos compreender, por não querermos parecer mal, não? Assim, em relação a isso: “Estás a amar-te mais?” “Ah, estou sim! Estou. Tu não estás?” “Estou, estou.” Agora toda a gente está de acordo: “Estamos todos a amar-nos mais a nós próprios, não estamos?” (Riso) “Ah, sim, eu estou, a sentir por dentro.” 


“Não, não estou.” Tal como a pessoa que se encontra ao vosso lado diz: “Sim, eu pensava que sim, por também não estar a sentir isso, e a pensar ser o único/a. Quem me dera poder contribuir para a falta de merecimento de que padece, mas deve haver algo de verdadeiramente errado consigo, por ao olhar ao redor na sala, toda a gente está a sentir tanto amor, excepto eu.” Por que ninguém chega verdadeiramente a interessar-se por vos dizer como sentir amor-próprio. Dir-vos-ão belas frases - o amor-próprio é isto ou aquilo, e empregarão várias analogias, várias metáforas fantásticas e que não vos servirão de muito para poderem chegar a transmitir-vos uma imagem: “Como será amar-me a mim próprio em meio a este tipo de coisa? A que se assemelhará amar?”

Estamos a falar de vos amardes a vós próprios, entendem, mas também de amardes os outros. Isso faz parte do que precisais de preencher para terdes essa paz interior. Para vos livrardes dessas coisas, mas também, para colocardes algo no seu lugar, para terdes essa paz interior. “Que coisa será?” “Bom, amor, um enorme amor. Façam isso!” (Riso) Certa gente pensa que seja ir para a cama com alguém, e em certa medida pode querer dizer isso, mas não é... de qualquer modo é limitado. Apreçais-vos a descobrir alguém que possais levar para a cama, levai-lo/a convosco, contraís herpes e aí... (Riso) “Que terá o amor a ver com isso, ah?” (Riso)

Assim, há certas coisas específicas a fazer, e certas direcções a tomar para amar. Falamos extensamente disso, assim como do amar, e de vos amardes a vós próprios, de amor incondicional.

Basicamente o amor constitui uma função. É algo que aprendeis a fazer. Não é que o façais de uma forma automática. Numa determinada altura fizestes isso de forma automática. Mas acabastes a falar de cor com respeito a isso; convencestes-vos de que a humanidade não tem amor. Para apoiardes o vosso ego e esse tipo de coisa, é agora tempo de a humanidade num todo começar a perceber: “Olha lá, nós temos capacidade de amar.” Mas precisais saber como! E se não vos disserem como consegui-lo, isso não irá ter qualquer serventia. Assim, há maneiras, coisas a fazer, funções a pôr em prática. E muito especificamente essas funções são, antes de mais: Dar. É assim que podeis amar. A segunda é responder, ou ser responsável. A terceira consiste em respeitar. A quarta é conhecer. A quinta consiste em ter humildade. Bom, humildade não quer dizer servitude, pôr-se de joelhos, beijar ou lamber os pés de alguém; não, não é o que ser humilde quer dizer.

Não quer dizer ser um covarde, não, não quer. Humildade é o sentido de que cada momento é completamente novo, e só porque as coisas foram como foram no passado, não quer dizer que não têm que ser iguais de novo. “Eu estou disposto e aberto a deparar-me com cada momento como inteiramente novo.” Isso é humildade! “Oh Deus do céu, toda a vez que eu passo por isso, é isso que acontece e eu vou visitar A e B. Por isso, é o que vai acontecer de novo.” Com uma total falta de humildade. “Sempre que o tentei foi isto que aconteceu.” Mas desta vez pode ser diferente.” E assim abordais a coisa de uma forma completamente nova. Isso é ter humildade! Amar é ter humildade. Disponibilizar, prestar, essa humildade e essa coragem. O sexto elemento inerente ao amor é a coragem, ter coragem e importar-se.

Ter interesse por alguém ou por alguma coisa – por vós ou por mais alguém. “Mas, com que propósito? Podemos dar, entendes, e andar por aí a passar notas de cinco pela sala. Será que isso quer dizer que amamos alguém? Olha, que indivíduo mais caridoso eu sou. Aqui tendes uma nota para cada um.” Alguém mais: “Olha, aqui também, estou a amar mais, não é? Alguns de vós pensam que queira dizer isso, “Vamos lá gente, tratem de me amar, não é? Eu pratiquei um acto espiritual, não é?” Gostaríamos de sugerir que não, não é isso. Não é só dar, apenas dar. Alguns pensam que seja, e depois... É dar de forma a proporcionar qualquer coisa. Proporcionar o quê?

Também em relação a isso, há sete coisas particulares que podem ser proporcionadas:

Não precisais proporcionar todas as sete, mas proporcionar, antes de mais, segurança, proporcionar prazer, prover honestidade e vulnerabilidade, prover confiança. Dar de modo a produzir confiança. Dar, de modo a produzirdes interesse e intimidade. Dar, de modo a produzirdes confiança. Dar, de modo a produzirdes interesse e intimidade. Dar, de modo a reduzirdes o medo da perda. Dar de modo a que esse alguém, ou vós próprios, possa conhecer-vos melhor, ou a ele próprio/a. De modo que, se derdes com esses propósitos específicos em mente, e nesse sentido específico do acto, isso representará um acto amoroso.

E se responderdes, se fordes responsáveis em relação a vós e a outro de modo a dar, ou melhor, para poderdes proporcionar segurança, prazer, etc. – caso respeiteis essa pessoa de modo a serdes capazes de produzir segurança, prazer, confiança, vulnerabilidade, etc. – chegar tão só a ter esse sentido de humildade desses imbuído da intenção de produzir tais qualidades e interesse por produzirdes essas sete qualidades, isso representa a maneira de amar. Ao considerardes o que estiverdes a fazer: “Que é que estou a fazer? Que estou a dar, a mim próprio e aos outros? A separar ambos, a amar-vos a vós e a amar os outros.” A mesma função produzindo os mesmos resultados. “Que poderei fazer para aperfeiçoar a minha capacidade de dar? Que poderei fazer para proporcionar segurança e prazer, honestidade e confiança, e reduzir o medo da perda? Que poderei fazer para poder pôr a minha humildade a funcionar de modo a produzir esses factores?

Podeis aperfeiçoar isso e maravilhar-vos: “Estarei eu a dar, estarei a amar? Olha para o que estou a fazer, estarei a fazer algumas dessas sete coisas e estará alguma delas a produzir alguma dessas sete coisas?” E se fordes honestamente capazes de responder com um “Sim” - e sempre podeis usar a palavra, por ser uma palavra fácil de usar – mas se fordes realmente capazes de responder “Sim”, então sabereis: “Estou a amar – a mim próprio ou outra pessoa!” É bastante claro, não é nenhum tipo de: “Bom, eu digo que estou, pelo que estou mesmo.” Podeis olhar isso e ver de uma forma bastante específica e podeis olhar e ver: “Onde preciso melhorar, onde preciso fazer por ser mais.” E assim, esse é o primeiro factor: “Ao libertar esses factores de modo a poder distinguir essa paz interior, ter essa paz interior preciso amar – a mim próprio/a e aos outros. Preciso amar.”



CONFIANÇA

Além disso precisais confiar. E uma vez mais, falamos da confiança em inúmeras ocasiões, e não se trata daquele tipo de coisa de acertar ou errar. Não é só suspender a respiração, premir o nariz e pronunciar a palavra, esperando por Deus que funcione de verdade, uh? Não, isso não é confiança. A confiança baseia-se nas limitações do vosso Eu: baseia-se na vossa fisicalidade, na vossa mentalidade, na vossa emotividade, e no vosso psiquismo. A assim, se olhardes a coisa por esse ângulo, não precisareis depender de:” Eu tive um clarão psíquico de que vai tudo dar certo. Por isso, vou aproveitar essa oportunidade, e carregá-la ou conduzi-la seja ao que for.” Não. Olhemos para o todo que a confiança envolve: “Que é que o meu corpo diz, que é que o meu intelecto diz, que é que o sentimento que tenho diz, e que é que obtenho por via da intuição?”

E reuni isso tudo, que a partir dessa combinação surgir um exponencial que constitui a base da confiança. E experimentai, experimentai-a. Podeis praticar a confiança em vós próprios. Que vos dirá a vossa mente? Que vos dirá o corpo? Que vos dirão os sentimentos que tendes? Que vos dirá a psique? E vejam. Tentai fazer isso em situações inconsequentes. Ponham em prática o: “Que será que vai chegar no correio hoje?” Ou “adivinhar” o que a amiga vai trazer vestido esta noite para o jantar. “Que será que vai acontecer amanhã no emprego?” Tenho que confiar nisto e naquilo. Eu tenho este encontro e tenho que confiar em mim mesma. Com é que me sentirei em relação a esses quatro componentes, e será que combinam em termos da sinergia da confiança?

Mas se der para o torto, aí passais a aprender: “Onde foi que eu errei, que foi que não resultou bem neste caso?” Podeis praticar.

Mas o que também tem lugar neste caso é que a vossa Consciência Superior passará a interferir caso estiverdes a estragar tudo. A vossa Consciência Superior permanece mais ou menos sentada a observar-vos: “Como estará ele/a a sair-se? Ah, está a sair-se bem. Permanece mais ou menos parado. Livre de perigo.” (Riso)

Mas de súbito começais a ter confiança em vós: “Oh meu Deus...” (Riso)

“Ele/a está a acreditar no que obtém e melhor será que façamos algo com respeito a isso,” e a Consciência Superior vai interferir se, nesse sentido, for para aclarar essa confiança.” Mas precisais começar a fazer uso dela. Ora bem, não sugerimos que a comeceis a usar nas questões mais importantes: “Claro, eu tive mesmo esta intuição de dever ir para o Alaska, razão por que vou confiar nela e vou-me mudar amanhã.” Não, não façam isso. Não façam isso! Até saberdes, até poderdes confiar na confiança que tendes. Se chegardes a confiar por inteiro na confiança que tendes e tiverdes esse pressentimento, então, certamente, mas gostaríamos aqui de sugerir que não façam isso até essa altura.

Assim, podeis praticar, e tereis muito onde praticar se o fizerdes adequadamente, a fim de desenvolverdes esse sentido de confiança.

A terceira é a expectativa (esperança).

EXPECTATIVA

Sobre isso não falamos: a expectativa. E gostaríamos aqui de sugerir, em benefício de quantos nos estejam a escutar pela gravação, que os naturais da Califórnia vão ter mais dificuldade com isso, do que as pessoas de outras partes da nação, por terem sido tão sujeitos a uma lavagem cerebral em relação à MODA da expectativa. “Espera um milagre,” constitui um óptimo conceito. Mas quando vemos isso colado em cada para-choques, em cada máquina de selos postais, e a cuspir esse tipo de coisa desbotada: “Espera por um milagre, espera um milagre,” deixa de fazer qualquer sentido, entendem.

Tende esperança! Só que isso tem sido de tal forma parte das relações públicas da Califórnia que vós: Ah, eu sinto-me por cima, tenho elevadas expectativas; ah, eu tenho esperança nisto, eu tenho esperança naquilo, eu tenho esperança...” Tem sido uma palavra tão em voga, que nem sequer pensastes muito no que envolva ou signifique ter esperança em relação a uma coisa qualquer. Muitas vezes o significado que tem não passa de fanfarronice, uma forma de intimidação: “Se o pronunciar suficientemente alto, de um jeito qualquer alguém o escutará e irá facultar-me essa esperança. Geralmente é usado para acalmar as pessoas: “Ah, eu espero que estes investimentos venham a resultar, Eu espero, eu espero, e tenho a esperança de que me traga um monte de dinheiro...”  “Não tenho mais, perdi-o, e espero que sejas suficientemente grandioso para compreenderes ou perceberes que tu crias a tua própria realidade ou seja o que for...!” (Riso)

É muito usada mas não verdadeiramente sentida, essa esperança, para poder fazer-se presente. E muitos de vós aprenderam a não ter esperança, entendem? É por isso que ficais tão esquizofrénicos: “Não contes que venha a resultar, só irás sair desapontado/a. Não tenhas esperanças. Não contes com isso.”

Aprendestes isso mesmo ainda crianças, sabeis? “Oh, mal posso esperar que a escola acabe, etc. O Verão vai ser cá tão estupendo, ou seja o que for.” Ou então, “Mal posso esperar pelo primeiro dia de escola. Vai ser tão maravilhoso, etc.” “Bom, não esperes grande coisa. Podes ficar desapontado. Numa festa de aniversário, ou no Natal, as crianças podem realmente chegar a sentir-se esperançosas ou ambiciosas. Assim, seja como for, é-lhes dito com clareza: “Não tenhas esperança! Porque vais acabar por sentir desapontamento.” Como quando é feita a correspondência; se esperares isso, acabarás desapontado. E assim, aquilo que fazeis é baixar o nível da expectativa, não é? “Não conto que venha a resultar muito bem.” “Como poderá isso resultar em qualquer dos vossos casos?” Quando não resultou bem: “Olha, sinto-me bem!”

Alguma vez terá resultado no vosso caso? Quando não deu certo: “Olha, sinto-me óptimo. Não contava que isso resultasse em absoluto. E como tal, não me sinto desapontado; não sinto mágoa, de todo em todo.” “Ficaste sim! Não resultou. Mentiram-te.” Não tenhas esperança, ou acabarás desapontado, etc. Mas se não esperardes ainda ides sentir essa mágoa! Na mesma exacta medida.

“Bom, recordo-me daquele emprego que eu e mais outros não tínhamos esperança de conseguir, em razão do que não me senti desapontado por não ter conseguido. Não era expectativa, era mais a situação de saber a que queríamos realmente referir-nos. Eu sabia que não ia conseguir aquele emprego; Eu fiz aquilo de propósito e...” Mas mesmo quando ouvis que mais alguém o tenha conseguido ficais: “Aaah! Bom, tenho que admitir ter sido um pequeno transe. Eu menti a Deus.” Mas isso está presente, em absoluto!

Assim, gostaríamos aqui de sugerir que, na verdade, dizeis que ou diminuís as expectativas que tendes em relação a alguma experiência de infância, ou que vos foi ensinado desde a infância a não esperar demais. Quão os negareis a vós próprios? Quanto vos negareis a vós próprios por fazer isso? Ou então sentis-vos tão excitados em relação a esse “Eu espero, eu espero, eu espero,” que isso perde todo o sentido que tinha, e se tornou numa espécie qualquer de estrabismo nesse sentido particular. Ou este tipo armadura da esperança, ou seja lá o que for. E na verdade não faz qualquer sentido. (Riso)

De facto, a expetativa representa uma coisa maravilhosa, e gostaríamos de sugerir que esperásseis SEMPRE o melhor. Esperai SEMPRE o melhor. Porque aí, será mais provável que venha a acontecer. E se por acaso não acontecer, estareis muito mais em posição de poder lidar melhor com o desapontamento. Enquanto se não tiverdes esperança, então não ides obter aquilo que quereis. E quando isso se desmorona, ficais de tal modo fracos que não sois muito capazes de lidar com o desapontamento, excepto deslizar para a pressão ou a raiva por vos sentirdes em apuros. Assim, gostaríamos de sugerir que espereis sempre o melhor.




Agora, só a expectativa não vai produzir isso: “Mas, mas, mas, não entendo. Eu esperava que acontecesse isto mas não aconteceu.” Bom, a expectativa não está a fazer com que isso ocorra; nem a programação que fazeis, as vossas crenças, as atitudes que tomais, as opções que tomais, e tudo quanto tem que ver com a forma como manifestais a vossa realidade física. Mas se tiverdes elevadas expectativas isso irá fazer com que se torne mais provável do que expectativas de fraco índice, e vai-vos deixar melhor preparados para lidar com o sucesso ou a falta dele, de qualquer forma. Por isso, com respeito a isso, para trabalhardes com isso, torna-se sobremodo importante ter essa elevada expectativa, mas uma expectativa sincera, e não o mero palavreado. Uma sincera e honesta: “Espero sinceramente que isso ocorra. Ao nível do instinto.” Aquilo que fazeis é prolongar a alegria que sentis com isso.

Como é que isso se dá num aniversário? Bom, talvez para alguns de vós seja mais no Natal. Ou no aniversário de alguém. Uma festa ou algo do género, um tipo qualquer de diversão que espereis venha a ser em grande, mas: “Não vou esperar que aconteça muita coisa!” Em razão do que, durante mais ou menos uma semana: “Ai, ai, ai.” Lá acaba por acontecer e de uma forma fantástica. “Oh, é maravilhoso; correspondeu a tudo quanto esperava e ainda suplantou. Mas eu só experimentei isso durante um certo tempo, entendes, três ou quatro horas, na festa ou no evento ou seja no que for que estava à espera.” Ao passo que: Se me permitir ter duas semanas de expectativa elevada, disporei de duas semanas e desse número de horas para me sentir bem em relação a isso.

Quantos de vós já fizeram férias? Umas férias prolongadas e bem merecidas! E não vos permitis nenhum logro, por não quererdes estragar essas férias. Assim, lá ides por duas semanas – ao passo que poderíeis gozar meses. A alegria, a felicidade, o entusiasmo: “Oh, estou de tal modo entusiasmado em relação a isso que até sonho e tenho devaneios com as férias, e não paro de pensar nelas...” “Bom, não admitas nenhum logro!” “Porque não? Podíamos ter seis meses de férias!” (Riso) Bom, tem sido assim durante grande parte da vossa vida. Se vos permitirdes esperar o melhor, pode resultar desse modo, com toda a clareza. Portanto, permiti-vos sentir aquela sensação de expectativa SINCERA – e não a excitação nem a negação – mas a sensação de expectativa SINCERA.



ENTUSIASMO

Gostaríamos de sugerir que, com um amor, uma confiança e uma expectativa assim, estais encaminhados no sentido do entusiasmo. O entusiasmo é uma coisa maravilhosa, e uma vez mais, muito difícil para os habitantes da Califórnia por – também aí – terdes sido alardeados com ele. Grande parte das campanhas de relações públicas que se prendem com o potencial humano, grande parte das campanhas que se prendem com os Californianos mais distanciados ou seja o que for, sabem, têm sido no sentido do entusiasmo. “Ter entusiasmo e existir apenas.” E isso tem rolado sobre um tipo qualquer de energia elevada ou maníaca a que se tem chamado entusiasmo. Tantos de vós repetem agora: “Sê entusiasta.” Agora? Não sereis levados a pensar em... num enorme sorriso e nesse tipo de energia cinética, em falar verdadeiramente alto e dar palmadinhas nas costas uns dos outros: “Pá, não seremos verdadeiros entusiastas?” (Riso) Um de vós: “Ah, tu és entusiasta, e eu também, claro. Os dois!” Para trás e para diante.” Isso descende directamente do lixo, absolutamente. “Mais ninguém é tão entusiasta como nós, os Californianos,” absolutamente. Se tiverdes chegado, a esse particular respeito, a ponto de não saberdes realmente o que o entusiasmo seja, vós simplesmente: “Ah, é usar uma voz de uma gama mais elevada. Um pouco mais que sonhar; um pouco mais carinhosos, e: Caramba, que entusiasmante, que energia!”

Mas aqui gostaríamos de sugerir que não é desse tipo de entusiasmo que estamos a falar, por isso não ser entusiasmo. Aquilo que estamos a querer dizer nesses termos é de um entusiasmo honesto e sincero, que constitui, antes de mais, uma felicidade; sentir-se feliz, que é sentir-se em harmonia com o momento. É sentir-se em harmonia com a forma como a vossa realidade é agora. Talvez não completamente satisfeitos, nem contentes com ela: “Tenho vontade de mudar. Todavia sinto-me contente com isso de momento. Por aquilo que sou e pelo que estou a fazer, sinto-me feliz.” Esse é o primeiro passo para se sentir entusiasmado. No entanto, trata-se de um estado de espírito. E o entusiasmo envolve esse estado de espírito, mas também envolve um estado de fazer. Deve existir acção associada a essa felicidade para poder tornar-se entusiasmo. E é quando, a esse particular respeito, combina a sensação de felicidade com a da humildade. Mas, uma vez mais, a humildade é aquele sentido de cada instante poder ser completamente novo. E, portanto,“sinto-me ansioso por apreciar este momento e experimentar o seguinte.”

Apreciai a experiência; apreciai a experiência; abri-vos a cada instante como completamente novo. Isso é verdadeira humildade. Uma experiência de humildade, e como tal é aferida nos termos: Ah, esta é uma experiência de humildade!” Certamente que é! O que provoca em vós é que nem tudo consiste numa só resposta. Nem toda a gente tem que pensar nos mesmos termos; todo o mundo vê o motivo para o mesmo; a situação de toda a gente não tem que ser como sempre tem sido; existe algo chamado crescimento, existe algo como transformação, existe mesmo a transcendência, pelo amor de Deus. “Mas eu vou tornar-se humilde, vou passar a adoptar essa humildade, e passar a encarar cada dia como completamente novo, cada instante como um momento completamente novo. Disposto a que seja diferente. Não tem que ser diferente. Bom, quando ides para casa e vos sentais na mesma cadeira dia-após-dia, não precisais experimentar o: “Caramba, olha quão humilde eu sou!” Mas é que deveis abrir-vos a cada dia como novo, completamente novo. Uma experiência de humildade estupenda.



ESPERANÇA

Mas o terceiro componente é a esperança. A esperança é algo que por vezes é muito confuso: “Cruza os dedos, respira fundo, fecha os olhos e espera por Deus que resulte. Espera pelos céus que resulte. Esperar que alguém, não é?” A esperança como um tipo qualquer de fé cega. Não estamos a falar disso. O que queremos dizer com esperança é que olheis para a vossa realidade actual, e nela percebais os germes do futuro. E ao olhardes para a vossa realidade, seja ela qual for, seja o que for – bom, mau, diferente; olhais isso tudo. E percebeis as possibilidades do que pode ser, a partir daquilo que sois, neste exacto instante. É isso que queremos dizer com o que tudo o que refere esperança.

Na vossa linguagem tendes todo o tipo de palavras, mas essas palavras podem ser bastante limitativas, entendem, mas também podem auxiliar bastante na vossa expressão. Mas tendes muitas palavras, algumas das quais querendo dizer a mesma coisa, mas muitas outras vezes elas merecem uma resposta nova para uma coisa diferente, pelo que é importante que não desconsidereis as vossas palavras apenas como: “Ah, é só uma questão de semântica!” Claro que quando tendes um método de comunicação desses - e a comunicação verbal e a palavra escrita são importantes - não as ponham de lado com um “é só uma questão de semântica”. E nós gostaríamos de aqui sugerir que, para compreenderdes a esperança, não é só dizer cegamente: “Bom, espero que tudo corra bem, “ e pronto. Com base no quê? Com base no facto de eu ser isto, e aquilo, e aquele outro, e de dispor disto na minha realidade, e de dispor daquilo na minha realidade, e daquele outro.

Com base nisso, eu passo, pois, ter um sentido de esperança. Combinais a felicidade, a humildade, e a esperança, e então passais a agir com base nisso. Fazei alguma coisa com isso. Isso é entusiasmo. É isso que queremos dizer, e é o que o verdadeiro entusiasmo quer dizer. Não o Hurra Hurra nem o Hip Hip Hurra mas o sentido de sentirem esse contentamento agora e de ver agora os potenciais do futuro, dispostos a ter cada coisa como nova; e a seguir fazer alguma coisa, agir com base nisso, funcionar a partir dessa situação. Isso é entusiasmo.

E à medida que vos permitirdes sentir o amor por vós e pelos outros, confiando em vós e naqueles que têm significado para vós, e tendes elevadas expectativas e um entusiasmo grandioso, conhecereis a paz interior. Vireis a sentir essa sensação de Paz Interior. É uma solidez tranquila no núcleo que radia para fora numa enorme actividade, num enorme envolvimento, numa grande produtividade e excitação. Um factor interessante nisso é que os quatro componentes que são necessários para substituir as emoções obsessivas, para poderem produzir paz interior são curiosamente também os factores de motivação mais poderosos que possuís. Com base no que vos motivais, ou no que fazeis ou sois alguma coisa; com base no amor, com base na confiança, com base na expectativa, ou com base no entusiasmo.

E enquanto seres espirituais, enquanto metafísicos, eles são os quatro instrumentos mais poderosos que tendes. Amar, obviamente, confiar, esperar e ter entusiasmo. É curioso que cada um desses quatro factores tenha – por parte do vosso ego individual e por parte do inconsciente colectivo da sociedade – sido diluído. “Amor, amor, amor. Ama simplesmente toda a gente, diz apenas que amas toda a gente quer estejas ou não a dizer o que sentes. E não percas tempo a descobrir como fazer isso, o que seja nem como se enquadra; ama apenas, anda lá, ama simplesmente mais.” “Claro, eu sei que preciso ter mais amor por mim próprio. Muito obrigado.” Não quereis ouvir tal coisa. É sempre a mesma velha coisa, não é? Não tendes vontade de ouvir tal coisa. Foi enfraquecido. Confiança, “Para voltar a ouvir isso de novo? Deita isso fora. Quando estiveres em dúvida, diz-lhes simplesmente: “Confiai, e fazei simplesmente isso. Confiai simplesmente em vós próprios, etc.” uma vez mais, sem nenhum sentido do que compreenda, nem de como trabalhar com isso.

Expectativa? “Ou fazemos hurra, hurra, ou não teremos expectativa.” Entusiasmo? “Não sejas infantil. Vamos lá, põe-te sério, cai na real. Sê realista.” Vêem, cada um deles foi reduzido a ponto de ficar em água, por ser débil. E torna-se interessante, nesse sentido, que os instrumentos mais poderosos sejam alvo de tal enfraquecimento. Mas, à medida que vos permitirdes compreender e ver isso, começareis a desenvolver isso por vós próprios.

Já falamos sobre a confiança tantas vezes, como uma chave importante, como um instrumento importante. Já falei com muitos de vós, individualmente, e tive ocasião de referir; “Aquilo com que agora estás a trabalhar é com a confiança, e vez por outra, isso irá surgir para te testar nas áreas que se prendem com a confiança, a fim de te proporcionar a oportunidade de aprenderes a confiar mais em ti. Porque, enquanto seres espirituais, vale como um dos mais importantes instrumentos que tendes a fim de estabelecer domínio.”

“Mas para amardes efectivamente de um modo que TU possas identificar, não apenas por meio de um sentimento aconchegante, mas por um modo que TU possas identificar em termos específicos. É prático, sim, mas tu vives numa realidade em que precisas de um tipo qualquer de um apoio concreto para entenderes estas coisas mais esotéricas e abstractas, e para te garantir o sentido do teu poder. De modo a não teres que dizer: “Estarei a amar-me o suficiente?” E em vez disso, poderes dizer: “Eu sei que me estou a amar o suficiente por estar a dar e a responder e a respeitar e a ter conhecimento, e a ter humildade, e a ter compaixão e coragem, e a ter interesse, ao proporcionar esses factores. Assim, sei que me estou a amar mais. Essa é a perspectiva que tenho; como perceberás tu isso?” Ou seja, mais alguma coisa que possa fazer para isso, mais alguma coisa que lhe possa acrescentar?

“TU estás a tomar o teu poder de volta, entendes. TU estás a ser o/a único/a que sabe.”

E era nesse sentido que conversávamos juntos, e partilhávamos, a fim de crescermos, de rirmos juntos, de sermos, no sentido de sermos um amigo ao vosso lado. Entendam, ao vos poderdes abrir, podereis abrir-vos a SER amados tanto quanto a amardes. Como muitos de vós poderão ter notado o que fizemos no último fim-de-semana, quanto aos Segredos sobre a Manifestação. Nessas meditações que foram inseridas falamos de vos abrirdes a fim de nos deixardes amar-vos. Porque, entendam, nós amámos-vos, mas muitas vezes a vossa incapacidade de vos amardes a vós próprios barra esse amor, e por isso, não nos permitireis amar-vos. Não deixais que vos toquemos. Não nos permitis chegar até vós.

Quando vos abris e começais a amar-vos suficientemente, então abrir-vos-eis e deixar-nos-eis amar-vos, e então poderemos amar-vos de uma forma que ainda precisais entender. Mas cada vez mais estais a colocar-vos nessa posição, agora; em que podeis acreditar ser possível, que talvez mereçais ser amados; e talvez mereçais que esse amor signifique alguma coisa, faça alguma coisa, seja alguma coisa. E é quando isso se abre, entendem. O amor constitui o instrumento mais poderoso, mas precisais pô-lo em prática e tornar-vos nele, e deixar que vos seja estendido, para receberdes o seu total impacto. Não é só um abraço e um aperto de mão, mas abrir-vos de verdade e deixar que essas coisas ocorram, deixar que tenham lugar.

Permiti-vos explorar as emoções recorrentes. Trabalhai com elas a fim de abrirdes essa porta para a paz interior. Assim que tiverdes aberto essa porta e reduzido substancialmente e sentido a confiança do saber que podeis continuamente reduzir essas emoções obsessivas à não existência, preenchendo esse vazio e passando a ter essa Paz Interior, podeis ser a centelha que quereis ser. Podeis ser a inspiração que sois.