domingo, 15 de julho de 2012

SETH DISSERTA SOBRE A NATUREZA DO HOMEM, A SEGURANÇA E A INTEGRIDADE







Tradução: Amadeu Duarte

Percebeis que um tigre, ao seguir a própria natureza, não seja mau. Todavia, ao olhardes para a vossa própria espécie, é frequente inclinar-vos a ser menos generosos e compassivos, e menos compreensivos. Torna-se fácil condenar a vossa própria espécie. Pode ser-vos mais difícil compreender, mas a vossa espécie é bem-intencionada.

Compreendeis que o tigre tenha existência num certo ambiente e reaja de acordo com a sua natureza. Assim procede o homem. Até mesmo as atrocidades que comete são cometidas como uma tentativa distorcida de atingir o que considera como bons objectivos. Muitas vezes fracassa no alcance desses objectivos, ou mesmo na compreensão do modo como os próprios métodos que emprega o impedem de os alcançar.

O homem, todavia, é na verdade tão abençoado quanto os animais e os seus fracassos constituem o resultado da sua falta de compreensão. Ele acha-se confrontado com um mundo consciente de longe muito mais complexo do que o resto dos outros animais, e lida em particular com símbolos e ideias que em seguida são projectados externamente na realidade, ou que precisam ser testados. Se pudessem ser testados mentalmente no vosso contexto, não haveria necessidade da existência física.

Isso subentende muitos problemas complicados pelo que o melhor que terei a fazer é simplificar. É como se o homem dissesse: “E que tal esta ideia? Que poderemos fazer com ela? Que acontecerá se a jogarmos na realidade física? Onde poderemos nós chegar com qualquer das grandes ideias sociais, científicas, religiosas que constituem rebentos tão peculiares à mente do homem?” Se tais problemas fossem passíveis de ser elaborados num estirador não físico, uma vez mais, o grande desafio da existência física não seria nem necessário nem significativo.

Até que ponto poderá, digamos, o nacionalismo ser conduzido? Em que medida poderá o mundo ser tratado com se fosse exterior ao homem, como um objecto? Que poderá o homem aprender ao tratar o corpo como se fosse uma máquina? Como se fosse uma miragem? Como se fosse conduzido pelo instinto cego? Com se fosse possuído por uma alma? Em certa medida, essas são reflexões únicas e criativas que da parte exclusiva dos animais seriam consideradas como altamente curiosas e feitos intelectuais iluminados. Os animais precisam relacionar-se com a terra, e assim precisa também o homem.

Conforme os animais devem divertir-se, acasalar, caçar as suas presas, ou alimentar-se com as suas bagas num contexto físico composto de sol, solo, árvores, neve, vento e granizo, também de modo diferente o homem precisa perseguir as ideias que tece ao envolve-las nas realidades elementares da terra, e percebendo-as como acontecimentos.

Quando se revela destrutivo, o homem não é destrutivo com base na destruição; mas em resultado de um desejo de alcançar o que pensa constituir o objectivo particular que se lhe afeiçoa como bom, em resultado do que se esquece de examinar a bondade inerente aos métodos que emprega.

O animal que caça e mata a sua presa serve o propósito maior de preservar o equilíbrio da natureza, quer tenha ou não consciência disso – e uma vez mais, o objectivo com que o faz não é maldoso. O homem consome ideias. Ao proceder assim, contribui para um tipo de equilíbrio diferente, do qual em geral não tem consciência. Mas nenhum homem age verdadeiramente fora do contexto do objectivo puro, no sentido de agir de forma errada ou de ser depravado.

As tempestades rasgam o céu de Verão ao emitirem trovões e relâmpagos. Os terremotos devastam os campos e conquanto possais lastimar profundamente a destruição operada, tendes consciência de que nem o terramoto nem as tempestades constituem um mal. Não só são destituídos de propósitos errados como a condição generalizada que geram corrige o equilíbrio terreno.

Isto exige uma compreensão requintada, de que tenho consciência. Ainda assim, as tempestades destrutivas operadas pela humanidade não podem essencialmente ser levadas na conta de mais maldosas do que um terramoto. Enquanto os trabalhos do homem possam muitas vezes por certo parecer destrutivos, não deveis culpabilizar o objectivo do homem, nem deveis alguma vez cometer o erro de confundir o homem com os seus trabalhos. Porque muitos artistas bem-intencionados, imbuídos das melhores intenções, produzem por vezes trabalhos de qualidade inferior tanto o mais dececionantes e deploráveis para eles devido à benevolência original que tinham por objectivo.

A falta de conhecimento e de técnicas e de métodos que têm podem, pois, tornar-se manifestas, Ao se concentrarem com demasiado afinco no mundo dos jornais e das reportagens negativas que dão conta das acções cometidas pelos homens, torna-se verdadeiramente fácil perder de vista aquilo que vos digo ser a boa intenção de todo o homem e de toda a mulher. Essa boa intenção pode ser confundida, mal executada e emaranhada em meio ao conflito de crenças, estrangulada pelas mãos ensanguentadas de assassinos e de guerras, e ainda assim nenhum homem ou mulher jamais a perder. Isso representa a esperança da espécie, e essa boa intenção é passada ou longo de gerações. Essa iluminação é muito mais potente do que os ódios e os rancores nacionais, que também podem ser passados adiante.

É um imperativo para toa e qualquer paz de espírito acreditar na existência da boa-intenção inata no homem. Ela é partilhada por todos os outros animais. Cada animal sabe que o outro poderá lutar ou mostrar posturas agressivas, ou defender o ninho. Todo o animal sabe que em tempos de escassez ele poderá ser presa de outro. Contudo, à excepção dessas situações, os animais não temem uns aos outros. Eles sabem que entre si, todos possuem uma boa-intenção. Concedei à vossa espécie o mesmo.

Ora bem; distingui, na vossa mente, o homem dos seus trabalhos. Discuti o quanto quiserdes os seus trabalhos ao lerdes sobre os erros e a estupidez, a perfídia que cometem ou a guerra que movem. Recolhei páginas e resmas de material desse se isso vos satisfizer o desejo, e ao dizer isto estou a dirigir-me a todo aquele que esperar descobrir uma pitada de verdadeira paz de espírito ou de criatividade. Recolhei livros de fracassos do homem. Pessoalmente, não tenho ideia da razão por que alguém se daria ao trabalho de recolher os piores trabalhos de uma artista qualquer e obter prazer em rasgá-los. O homem produziu alguns trabalhos estupendos. O elevado nível de comunicação verbal, as inumeráveis variedades de interacção emocional e de intercâmbio cultural, a facilidade com que exterioriza ideias e conceitos, o alcance da imaginação – tudo isso e muito mais, é único no universo.

Identificar o homem com os seus trabalhos mais pobres é buscar propositadamente os erros num bom artista, e em seguida passar a condená-lo. Faze-lo, significa condenar-vos a vós, pessoalmente.

Se um cientista afirmar que a consciência é o resultado do acaso, ou as teorias de Darwin disserem que o homem é um filho triunfador de assassinos, muitos serão os que refutarão isso. Se, contudo, disserdes que os homens são uns idiotas ou que não são dignos de pisar o chão que pisam, estareis a afirmar o mesmo. Por precisardes preocupar-vos com esta realidade conforme a conheceis; nesses termos, condenar o homem significa condenar a espécie conforme a conheceis, assim como os termos práticos do vosso mundo.

Dizer que as pessoas podem escapar para uma outra probabilidade constitui um pretexto pragmático – isso está afastado da realidade das probabilidades, por estar a falar do ponto de vista emocional. Agora; em termos físicos, o vosso corpo tem uma postura no tempo e no espaço. Vou referir-me à experiência primária e secundária. Chamemos experiência primária àquilo que tem existência imediata em termos dos sentidos do vosso momento no tempo – no contacto do corpo com o meio. Estou aqui a estabelecer certas distinções para tornar a nossa informação – ou monólogo - mais acessível.

Consequentemente, irei chamar experiência secundária àquela informação que vem ao vosso encontro, digamos, por intermédio da leitura, da televisão, do debate com outros, das cartas, etc. O tipo secundário de experiência é, em larga medida, simbólico. Isto deveria ficar claro. A leitura sobre cenários de guerra feita numa tarde sossegada não é o mesmo que estar presente, por mais vívida que seja a descrição. Ler sobre o corte de fornecimento de energia não é o mesmo que permanecer numa casa gelada. Ler sobre a possível aniquilação da humanidade por meio de uma destruição nuclear ou outras formas de estupidez, enquanto vos sentis relaxados na vossa sala de estar, acha-se obviamente muito distanciado da realidade descrita no artigo.

Nos níveis em que nos achamos interessados, o corpo deverá reagir primordialmente ao presente, á existência primária imediata situada no espaço e no tempo. Noutros níveis acha-se equipado para lidar com muitos tipos de informação, por ter mencionado anteriormente a faculdade de precognição de que as células gozam. Mas o corpo depende da mente consciente para lhe dar uma estimativa clara das exactas condições do espaço e tempo que ocupa. Depende desse conhecimento.

Se vos encontrardes abrigados em segurança num aposento confortável sem incorrerdes em perigo algum, os vossos sentidos deverão transmitir-vos essa informação com precisão. A vossa mente consciente deverá assimilá-la e olhar ao vosso redor e constatar que não incorrereis em perigo algum deverá representar uma realização suficientemente fácil. A vossa mente consciente é destinada a fornecer ao vosso corpo uma avaliação do que passarei a designar por condições culturais., por existirem formas de sofisticação e de especificidade que no vosso entendimento só a consciência poderá avaliar.

Se for em condições naturalmente seguras em termos de experiência primária, vós ficareis sobrecarregados com sinais de ausência de segurança provenientes da experiencia secundária – ou seja, a partir da vossa leitura ou lá o que for em relação ao que estiverdes a usar da incapacidade de discriminação. Não sereis capazes de diferenciar entre a situação segura presente e a imaginada, que talvez seja de insegurança a suscitar o alarme de perigo.

Os mecanismos corporais ficam altamente desorientados. Os sinais transmitidos ao corpo tornam-se muito contraditórios, de modo que após algum tempo, e caso tais condições prossigam, não mais sereis capazes de dizer se incorreis num perigo real ou num perigo imaginário. A vossa mente força o corpo a permanecer num estado de alerta permanente – mas para maior infelicidade, treinais-vos no sentido de ignorar a resposta sensual directa que gerais no presente instante.

O vosso corpo poderá dizer-vos que vos encontrais a salvo, e os vossos sentidos mostrar-vos que não estais diante de qualquer perigo presente, mas ainda assim tereis começado de tal forma a depender da consciência secundária que deixais de confiar nas reacções do vosso ser.

Contudo, devido ao enorme dom que o homem tem na imaginação, os sinais de alarme não só invadem o momento de segurança presente como vão repercutir no próximo e no seguinte, e são infinitamente projectados no futuro. Seja em que medida for, e de que maneira for, cada um vê-se assim furtado na sua crença na capacidade pessoal para agir com significado ou com um propósito no presente. O corpo não pode agir sobre o amanhã enquanto permanece no dia de hoje. Os dados de informação que recebe precisam ser claros.

Esse sentimento resultante da impotência conduz a um estado de desespero em grau variado, e um ânimo desses não se enquadra em nenhuns detalhes específicos mas invade a vida emocional caso seja permitido. Em qualquer grau que seja, o material crítico de cariz condenatório torna-se muitas vezes numa profecia pessoal, pois aqueles que lhe atribuem mérito permitem que lhes tolha as reacções.

Nos vossos termos, e nos termos pertinentes à sensação íntima, enquanto viveis, a vossa realidade deve corresponder ao que percebeis no quadro do vosso tempo e do que criais nesse enquadramento conforme é experimentado. Portanto, eu peço-vos para não vos comportardes como se o homem venha a destruir-se em algum momento futuro e a não vos portardes como se o homem fosse um imbecil condenado á extinção, um animal burro obtuso e meio louco possuidor de um cérebro descontrolado.

Nenhuma das destruições profetizadas que o homem tanto teme constitui uma realidade no vosso tempo; nem tampouco por todos os profetas críticos de todas as eras, e todos os precursores da condenação terá a criatividade do homem destruído a si própria nesses termos. Há aqueles que fazem carreira com base na condenação das falhas e dos fracassos dos outros ou da própria espécie, e por causa de tal atitude, a enorme energia e boa-intenção do homem permanece invisível.

O homem encontra-se num processo de transformação. Os seus trabalhos são deficientes, mas constituem os trabalhos deficientes de aprendizes de génios, artistas em construção, cujos fracassos são na verdade importantes e grotescos apenas à luz do sentido de génio que possuem, que sempre o conduzirão directamente em frente. Quando considerais o futuro, nos vossos termos, as realizações construtivas mostram-se tão realistas quanto as destrutivas. Nesses termos, cada ano da existência do homem de facto justifica uma perspectiva mais optimista do que pessimista.

Não podeis situar a boa-intenção do homem fora do contexto físico, porque fora desse contexto não tendes a criatura que conheceis! Não podeis afirmar que a natureza seja boa e que tenha gerado o homem, que constitui como que um cancro nela, por a natureza poder fazer mais sentido. Tampouco podereis dizer que a Natureza destrua o homem caso ele a ofenda, ou que a Natureza apresente muito pouca utilidade para a sua própria espécie, mas que só pretende promover a Vida, por a Natureza se achar em cada membro de cada espécie; e sem cada membro de cada espécie, a Natureza, com letra maiúscula ou minúscula, não teria existência.

Por serdes criaturas naturais, existe em vós um estado natural de ser. E esse estado pode representar um estado onipresente de paz, de vitalidade e de compreensão. O que quer que os vossos cientistas pensem, o vosso corpo e a vossa consciência e o vosso universo brotam consequentemente, constantemente na actualização por meio do cultivo da experiência clara da vossa própria consciência e ser com tempo e com o momento conforme o sentis. Podereis tirar partido de uma maior vitalidade e poder que tendes ao vosso dispor, para por fim confiardes nos dados da informação imediata e não na experiência secundária, conforme foi descrito.

Essa informação primária dos sentidos, conquanto localizada no presente, e vos proporcione a necessária postura no tempo, ainda poderá abrir-vos a intemporalidade de que todo o tempo emerge, poderá trazer-vos intimações intuitivas que sugiram a natureza constante do estado de vir-a-ser do universo. Esse tipo de experiência permitir-vos-á um vislumbre dos padrões mais vastos da criatividade humana e da parte que vos cabe nela.

Na vossa sociedade fostes ensinados a concentrar-vos nas críticas e nas falhas; e na vossa época parece que tudo venha a operar de modo errado, e que abandonado à sua sorte, o mundo se venha a arruinar e o universo venha a fenecer e o homem se destrua a si próprio; e essas crenças infiltraram-se de tal modo nas vossas crenças e comportamentos que passaram a organizar muita da vossa experiência e a furtar-vos os benefícios que a própria natureza ministra em toda a parte através da experiência primária directa. Frequentemente ignorais a realidade dos vossos sentidos no mundo da vitalidade e conforto exuberante do momento diário, ao exagerardes a importância da experiência secundária conforme definida nos termos deste debate.

A profecia ou projecção mais negativa parecerá ser a mais prática; quando ledes sobre as mentiras do mundo direis com toda a honestidade e sem qualquer sentido de humor: “Com poderei eu ignorar a realidade, a realidade destrutiva do presente?” Contudo, nos termos mais práticos e imediatos, mundanos, vós e o vosso mundo encontrais-vos naturalmente fisicamente seguros, conforme os vossos sentidos corporais imediatamente podem perceber. No mais básico dos termos corporais, não estais a reagir às condições do presente. Isso seria por demais evidente caso experimentásseis fisicamente as condições sobre as quais podereis estar a ler. Se o mundo desabasse sobre os vossos ombros, tornar-se-ia por demais evidente que compreenderíeis que “antes” estaríeis a reagir a uma situação imaginada e não real.

Receio que parte disto ainda escape à vossa compreensão. Mas embora possam vir a ocorrer desastres, imaginários ou defrontados em segunda mão mais tarde, eles diferirão de longe daqueles que são defrontados em termos físicos.

Ao cismardes em termos negativos sobre o que posa vir a acontecer no futuro, só agravais a sua natureza infeliz, e destruis a vossa própria posição. A posição que assumis no tempo é altamente importante, por constituir a vossa base prática de operações. Com respeito a isso, deveis confiar nas informações dos vossos sentidos. De outra forma confundireis a vossa posição psicológica e corporal, pois o corpo não poderá permanecer numa condição de segurança e de perigo ao mesmo tempo, e desperdiçar os seus recursos em lutas imaginárias.

Para certos indivíduos, a pobreza, o assassínio, a traição, a corrupção, constituem uma experiência primária e precisa ser lidado por exigirem uma acçao imediata. O corpo precisa reagir. Tais indivíduos são espancados ou roubados. Essas são informações provenientes dos sentidos imediatos. E, de uma forma ou de outra, reagem. Conquanto débeis, o ponto de poder delas corresponde de imediato ao seu ponto de perigo. Não podeis reagir fisicamente da mesma forma com que tiverdes projectado ou imaginado perigos. Pareceis não ter qualquer reacção possível. Sentis-vos frustrados.

Fostes feitos para lidar com a vossa experiência primária, imediata, e ao agirdes assim, cuidais da responsabilidade que vos cabe. Sereis capazes de assumir a acção na vossa própria experiência, e desse modo afectar outros. Não precisais ignorar guerras que se estejam a travar noutros pontos do vosso globo, nem fechar os olhos a elas. Mas, se permitirdes que essas experiências vos turbem a vossa intersecção presente válida que estabeleceis com a realidade, então falareis e agireis a partir de uma posição que não vos pertence, e negareis ao mundo todo e qualquer benefício que a vossa versão da realidade presente possa permitir-vos dar.

A realidade natural de criaturas dos vossos sentidos deve permanecer clara, e só então podereis colher total vantagem dessas intuições e visões que deverão advir através da intersecção privada que estabeleceis com o espaço e com o tempo. Nesses termos, a integridade constante da natureza rodear-vos-á em toda a parte. Ela representa a vossa experiência directa e propicia-vos um conforto, criatividade e inspiração que só impedireis se permitirdes que a experiência secundária suplante o vosso confronto diário com a terra física.
In Nature of the Psyche; It’s Human Experience Sessão 799

COMPLICANDO OS PROBLEMAS





SEth fala sobre o modo como as pessoas e as nações complicam os problemas

Tradução: Amadeu Duarte

Toda a vossa civilização está convencida de que a forma de solucionar um problema – qualquer problema, seja ele privado ou geral – passe pelo exagero, pela projecção do seu pior aspecto; e nessa medida, pois, supõe que vos faça tomar a medida adequada. Infelizmente, porém, tal abordagem não resolve nenhum problema e só os agrava, quer a nação esteja a tentar resolver problemas que tenham que ver com a energia ou de ordem social, ou o indivíduo esteja a tentar superar um dilema.

Contudo, vós achais-vos de tal modo imersos num método de resolução dos problemas que eles voltam a assombrar-vos (dirigindo-se à Ruburt e ao Rob). Pelo menos podeis ter consciência disso e ficar alerta, mas contrariamente a todo o conhecimento convencional, a resolução dos erros do passado não conduz à sabedoria.

Quando vos deixais inundar pela preocupação, claro está, concentrais-vos ainda mais no problema – no facto de ser tão mau e no que possa vir a acontecer caso a situação em que se circunscreve ainda se agrave mais futuramente. O problema é, assim, agravado, seja em que grau for, e quando vos descrevo tais motivos por vezes utilizai-los para agravo da desaprovação privada ou conjunta que subscreveis.

A crença é a de que vos amedrontareis suficientemente por meio de tais projecções imaginárias para que isso vos force à mudança – mas a noção do indivíduo que segue esse método não muda para melhor. Em vez disso, agrava a condição original ao vos concentrardes nela até ela parecer mais avultada do que anteriormente. Tais métodos provocam pânico, nacional ou individual.

Para resolver um problema começais por minimizar-lhe as características, e por lhe diminuir a importância de que se reveste, por lhe furtar a vossa atenção e lhe recusar a vossa energia. O método traduz o oposto, claro está, do que vos foi ensinado É por isso que parece tão pouco prático. Eu já o referi um sem número de vezes – mas percebo que vos pareça difícil. Por isso, na medida em que vos concentrardes nos vossos prazeres e nas vossas realizações, e na exacta proporção em que vos relacionardes com o instante psíquico e biológico, também vos refrescareis. Não estareis a projectar em termos negativos e estareis a permitir que o problema se desenvencilhe.

Estareis a negar-lhe a energia da vossa atenção que lhe confere continuidade. Não despendereis tempo a pensar que não tenhais empregado as vossas capacidades de forma adequada Tomareis como certo que estais a usá-las adequadamente, e isso permitirá que essas capacidades se desenvolvam por completo.

In Personal Sessions Book 4, Sessão 14/08/1978

domingo, 1 de julho de 2012

AFIRMAÇÃO,O APERFEIÇOAMENTO PRÁTICO DA VOSSA VIDA E A NOVA ESTRUTURA DE CRENÇAS






(The Nature of Personal Reality)
Capítulo 22

Tradução: Amadeu António

Se tiverdes amor e respeito por vós próprios, então haveis de confiar no rumo que tomais, e aceitareis a vossa situação actual, seja ela qual for, como parte desse rumo, e percebereis que dela poderão vir todos os elementos criativos de que precisais.
Ao serdes quem sois e confiardes na vossa própria integridade, haveis automaticamente de ajudar os outros.
De pouco valerá repetir sugestões do tipo: “Eu sou uma pessoa digna, e tenho confiança em mim e na minha integridade,” se ao mesmo tempo temerdes as próprias emoções e vos perturbais sempre que dais por vós no que considerais como um quadro negativo de ideias.

Tal como os amantes conseguem perceber o “ideal” na pessoa amada e ainda assim estar bem cientes de certas imperfeições, certos desvios em relação a esse ideal, também vós podeis, se tiverdes amor por vós próprios, perceber que aquilo que pensais ser imperfeições sejam em vez disso tentativas feitas no sentido de uma transformação mais completa. Não podeis sentir amor por vós próprios ao mesmo tempo que detestais as emoções que fluem através de vós; por que, se por um lado não sois as emoções que sentis, por outro identificais-vos tanto com elas que ao detestá-las, detestais-vos a vós próprios.

Utilizai a vossa mente consciente e a sua lógica. Se descobrirdes que vos sentis indignos, então não procureis simplesmente aplicar uma crença mais positiva a essa já existente. Em vez disso, descobri as razões para a vossa primeira crença. Se ainda o não tiverdes feito, anotai os sentimentos que notais ter em relação a vós próprios. Sede completamente honestos. Que diríeis a mais alguém que visse ao vosso encontro movido pelas mesmas razões?

Examinai aquilo que tiverdes escrito e percebei que isso envolve um conjunto de crenças. Existe toda uma diferença entre acreditar que sejais dignos e o facto de não vos sentirdes dignos. A seguir fazei uma lista das capacidades e realizações que obtivestes. Deve ela incluir coisas como dar-se bem com os outros, ser atraente, ser benigno para com as plantas ou os animais, ser um bom cozinheiro ou carpinteiro. Qualquer talento ou conquista deverá ser anotado com tanta honestidade quanto aquela com que tiverdes detalhado os mais pormenorizados “defeitos”, antes.

Não existe nenhum ser humano vivo que não possua capacidades criativas próprias, e não apresente realizações e características excelentes, de modo que se seguirdes estas instruções havereis de descobrir que sois verdadeiramente um indivíduo digno.

Quando derdes por vós num estado de espírito de inferioridade olhai para a vossa segunda lista, formada pelas capacidades e realizações. A seguir usai de uma sugestão positiva acerca do vosso próprio mérito apiada no vosso próprio autoexame. Podereis dizer. “Mas eu tenho consciência de possuir enormes capacidades que não estou a utilizar. Quando me comparo com outros, sinto-me aquém. Que diferença farão algumas realizações mundanas que são partilhadas por muitos outros, que não são de forma nenhuma únicas? Sem dúvida o meu destino envolverá muito mais do que isso. Sinto anelo por coisas que não consigo expressar.”

Em primeiro lugar, precisais compreender que na vossa própria singularidade se torna difícil comparar-vos com os outros, por que ao fazerdes isso tentareis rivalizar com qualidades que lhes são inerentes, e nessa justa medida, negais o vosso próprio ser miraculoso e visão. Assim que começardes a comparar-vos com os outros, não mais podereis parar. Haveis de qualquer jeito de encontrar sempre alguém mais talentoso que vós e desse modo haveis de continuar insatisfeitos.

Em vez disso, se trabalhardes as crenças que tendes, tende como certo que a vossa vida é importante; começai com ela e a posição que ocupais. Não vos desprezeis por não terdes alcançado algum ideal nobre mas começai a utilizar os talentos que possuís pelo melhor da vossa capacidade, com consciência de nelas assentar a vossa realização pessoal.

Todo o auxílio que prestardes aos outros deverá proceder da utilização criativa das vossas próprias características e de mais ninguém. Não vos aborreçais convosco próprios quando vos virdes em situações de vida negativas. Em vez disso, interrogai-vos de uma forma construtiva da razão para estardes a fazer isso. A resposta virá a vós.

Utilizai o conhecimento com uma ponte. Deixai que as emoções que se acharem envolvidas tenham lugar, sejam quais forem. Se fizerdes isso de uma forma honesta, os sentimentos de falta de valor próprio e o desânimo desaparecerão e alterar-se-ão espontaneamente. Podeis mesmo descobrir-vos impacientes em relação aos próprios sentimentos, ou mesmo aborrecimento, e desse modo descartá-los. Contudo, não digais automaticamente a vós próprios que eles sejam errados, para a seguir procurar aplicar uma crença “positiva” como um penso rápido.

Usai de sentido de humor em relação a vós próprios – não de um tipo malicioso, mas de um tipo de bom humor gentil. A elevada seriedade é apropriada quando não é forçada e sucede com naturalidade. Se for prolongada, pode tornar-se pomposa. Se vos permitirdes tornar progressivamente mais conscientes das vossas crenças, podereis trabalhar com elas. É tolo procurar lutar com o que achais sejam crenças negativas, ou deixar-se atemorizar por elas. Elas não são mistério nenhum. Podereis descobrir que muitas terão servido bons propósitos em determinada altura, e que tereis acabado por as enfatizar em demasia. Podem ter que ser reestruturadas ao invés de ser negadas.

Certas crenças prestam-se-vos a um serviço positivo em determinados períodos da vossa vida. Contudo, por as não terdes examinado, podereis carregá-las muito para além de terem servido o propósito que tinham, e podem agora agir contra vós. Por exemplo: muitos dos jovens acredita, em uma ou outra altura, que os pais sejam omnipotentes – crença muito prática que confere às crianças um sentido de segurança. Ao atingirem a adolescência, esses mesmos filhos ficam chocados ao descobrir que os seus pais são bastante humanos e falíveis, e logo uma outra convicção se impõe: uma crença na incompetência e inferioridade das gerações mais velhas, e na rigidez e insensibilidade daqueles que governam o mundo. Muitos, ao entrarem na idade adulta, pensam que as gerações mais velhas tenham feito tudo mal. Contudo, tal crença liberta-os dos conceitos infantis em que os mais velhos tinham sempre não só razão, como eram infalíveis, e coloca-os diante do desafio de enfrentar os problemas pessoais e do mundo.

Durante um certo tempo, os novos adultos sentem com frequência ser invencíveis e ir além dos limites da criatura que os caracterizam; tal crença, uma vez mais, endossa-lhes a força e o vigor de que precisam para dar início à vida independente e para moldarem o seu mundo. No entanto, em termos materiais, mais cedo ou mais tarde, todos precisarão compreender não só os desafios como as outras características peculiares inerentes à sua condição em que nenhuma dessas crenças generalizadas basicamente faz sentido.

Se, por altura dos quarenta ainda acreditardes na infantilidade dos vossos pais, então mantereis essa ideia muito para além dos benefícios que vos poderia trazer. Se usardes dos métodos mencionados neste livro, devereis poder descobrir as razões para tal crença, por vos impedir de exercer a vossa própria independência e construir o vosso próprio mundo. Se vos encontrardes na casa dos cinquenta e ainda estiverdes convencidos de que as velhas gerações são rígidas e que se encontram a ponto de se tornar senis pela incompetência mental e detioração física que apresentam, então estareis a agarrar-vos à velha crença da ineficácia das gerações mais velhas, e a repetir sugestões negativas.
Já pelo contrário, se estiverdes com 50 e acreditardes ainda que a juventude seja a única parte gloriosa e eficiente da vida, estareis, claro está, a fazer a mesma coisa.

Um adulto jovem que seja dotado numa área particular pode abrigar a crença de que a capacidade que tenha o torne superior a todos os outros. Isso pode revelar-se bastante benéfico para a pessoa em questão numa certa altura, por lhe proporcionar o ímpeto necessário para o desenvolvimento e a independência necessários para que a capacidade possa crescer. Esse mesmo indivíduo, anos mais tarde, poderá descobrir ter carregado essa mesma crença por tempo demasiado, pelo que se verá privado de um intercâmbio emocional muito importante com os seus contemporâneos, ou que se tenha tornado restritivo noutros sentidos.

Uma jovem mãe pode acreditar que o seu filho seja mais importante do que o seu marido, e de acordo com as circunstâncias, essa crença poderá auxiliá-la a prestar a atenção necessária à criança – mas se o conceito se mantiver quando a criança crescer e se tornar mais velha, então poderá igualmente tornar-se altamente restritiva. Toda a vida adulta de uma mulher pode ser estruturada de acordo com tal ideia se não aprender a examinar os conteúdos da sua mente.

Uma crença que apresente resultados positivos para uma mulher na casa dos vinte, não terá necessariamente o mesmo efeito numa mulher de 40, que, a título de exemplo, possa prestar ainda mais atenção aos filhos do que ao marido. Muitas das crenças que tendes, são, é claro, de cariz cultural, mas ainda assim tereis aceitado aqueles que tenham servido os propósitos que tínheis. Por regra, os homens na vossa sociedade acreditam possuir a prerrogativa da lógica, enquanto as mulheres são consideradas intuitivas. As mulheres que agora procuram fazer valer os seus direitos, caem frequentemente na mesma cilada; só que pelo sentido inverso – ao tentarem negar o que pensam ser os elementos inferiores da intuição pelo que pensam ser os superiores da lógica. Assim, certas crenças estruturar-vos-ão a vida, muitas vezes por determinados períodos. Haveis de superar muitas delas; e quando o fizerdes, a estrutura interior mudará, mas não devereis covardemente aquiescer a crenças residuais assim que as tiverdes reconhecido: “Sinto ser inferior, por a minha mãe me ter detestado,” ou “Sinto-me destituído de valor, por ter sido um magricela e um diminuído em catraio.”

Ao trabalhardes as crenças que tendes, podereis descobrir que uma sensação de inferioridade pareça brotar de tais episódios. Compete-vos a vós, enquanto adultos, alçar-vos acima das vossas crenças, e perceber que a mãe que detesta o filho já se encontra em apuros, e que tal rancor fala mais acerca da mãe do que da sua prole. Cabe a vós compreender que já sois crescidos, e não crianças que possam ser intimidadas.


O PONTO DO PODER ESTÁ NO PRESENTE

Esse ponto não reside no passado a menos que, de uma forma servil decidais concordar a crenças antiquadas que não mais vos servem. Se acreditásseis não ter dignidade alguma por terdes sido esqueléticos e mal tratados, então de algum modo e sem a menor dúvida teríeis usado essa crença com vista nos vossos próprios propósitos. Admiti-o. Descobri que propósitos terão sido. Talvez tenhais compensado e vos tenhais tornado atletas ou usado o ímpeto para avançardes em frente no vosso caminho.
Se a vossa mãe vos tiver detestado podereis utilizar isso para fazer valer a vossa independência, para vos proporcionar uma desculpa ou caminho; mas em todos os casos, vós moldais a vossa própria realidade, e desse modo tereis concordado com isso.

Muitos dos que me escrevem sentem possuir poderes psíquicos ou capacidades invulgares no campo da escrita, ou sentem uma extraordinária vontade de ajudar os outros. Comparam constantemente aquilo que fazem com o que pensam ser capazes de fazer, mas muitas vezes sem fazerem nada para desenvolverem as próprias capacidades. Pretendem escrever grandes teorias filosóficas, por exemplo, sem que jamais tenham tocado o papel com a caneta, ou confiado em si o suficiente para darem início a tal coisa.

Algumas desejam ajudar todo o mundo, sem que mais façam do que entreter esse desejo sem tentarem implementar tudo isso em termos práticos. O ideal que têm em mente torna-se de tal modo pronunciado que se sentem constantemente insatisfeitos com o próprio desempenho; contudo, sentem receio em dar início a isso. O reconhecimento afectuoso da sua própria singularidade revelar-lhes-ia por si só como começar a fazer uso das capacidades à sua própria maneira, e a confiar na sua presente situação. O ideal ainda não se terá materializado. É apenas a essência de um rumo. Mas esse rumo só poderá ser descoberto pela utilização do que tendes no momento que possais reconhecer e a concordância com as vossas próprias capacidades, e utilizando-as por intermédio do poder do presente.
Sessão 676

Certamente que nada de errado existe em pedir auxílio aos outros quando pensais precisar dele, e por vezes saís com muito a ganhar com isso. Contudo, alguns há que por sistema buscam ajuda da parte dos outros e que a usam como um meio de evitar a responsabilidade. No caso de problemas especificamente físicos, a ajuda deve ser procurada nas áreas em que tendes poucos conhecimentos. Mas muitos acorrem a outros -  a psíquicos, médicos, psiquiatras, sacerdotes, pastores, amigos – em busca de respostas para situações as globais da vida, e ao fazerem isso negam as próprias capacidades de auto compreensão e crescimento. Por causa das vossas estruturas educativas, o indivíduo aprende a ter cautela em relação ao seu ser interior, conforme foi mencionado (Sessão 614, Capítulo 2), pelo que infelizmente o homem ou mulher comum busca soluções para os problemas pessoais no exterior de si próprio, onde menos poderão ser encontrados. Se usardes os métodos traçados neste livro, devereis passar a conhecer-vos de uma modo muito mais íntimo do que antes, e habilitar-vos a lidar com a vossa realidade pessoal.

O simples facto de terdes consciência de moldardes a vossa realidade, poderá libertar-vos de alguns conceitos restritivos que vos tenham limitado no passado. Podereis então examinar as crenças que tendes de uma forma criativa, e descobrir os pontos de conexão que apresentem com a experiência que fazeis. O mero conhecimento consciente desencadeará respostas intuitivas no ser interior, de modo que recebereis uma informação útil por intermédio de sonhos, impulsos, e pensamentos padronizados.

Se afirmardes a graça básica do vosso ser, isso irá automaticamente enfraquecer as crenças que tiverdes que se revelarem contrárias a esse princípio. Haveis de ser capazes de manter um equilíbrio, na vossa experiência, entre a visão de um “Eu” ideal e todos os desvios que possam apresentar-se em relação a ele, naturalmente. Começareis na situação em que vos encontrais e alegremente começareis a expandir aqueles atributos que possuirdes agora, sem esperardes que surjam completamente desenvolvidos. Haveis de vos amar a vós próprios, e não sentir dificuldade em amar o próximo.

Uma vez mais, não quer dizer que devais andar constantemente de sorriso na boca, mas afirmar a vossa vitalidade e graça inerentes às dimensões da criatura que sois. Assim que começardes a comparar aquilo que sois com um conceito ideal qualquer que tenhais de vós próprios, haveis automaticamente de sentir culpa. Até trabalhardes as crenças que tendes, essa culpa poderá ser provocada pelas ocorrências e características mais inofensivas. É uma excelente ideia fazer uma lista de actos ou incidentes específicos que despertem em vós um sentimento de culpa. Frequentemente vereis facilmente que remontam às crenças da infância – algumas inculcadas por algum progenitor bem-intencionado no sentido de vos proteger, ou com base na ignorância de adultos. Contudo, forem trazidos à luz do dia, muitas delas dissolver-se-ão diante da vossa compreensão.

Quando afirmais a vossa própria rectidão no universo, passais a cooperar com outros com facilidade e de forma automática, como parte da vossa natureza. Ao vos assumirdes por aquele que sois, ajudais outros a serem eles próprios. Não sentireis inveja de talentos que não possuís e desse modo podereis encorajar com sinceridade esses mesmos talentos nos outros. Por reconhecerdes a singularidade que vos caracteriza, não sentireis necessidade de dominar os outros nem necessidade de os adular servilmente ou de vos rebaixar diante deles.

Deveis começar a confiar em vós, em qualquer altura, e eu sugiro que o façam já. Caso o não fizerem, então haveis de tentar com que outros vos façam prova do mérito que tendes, e jamais vos sentireis satisfeitos. Sempre havereis de perguntar aos outros o que deveis fazer, enquanto ao mesmo tempo vos ressentis daqueles a quem pedis tal orientação, por vos parecer que a experiência deles seja legítima enquanto a vossa falsa. Haveis de vos sentir enganados. Vereis que exagerais os aspectos negativos da vossa vida, assim como o lado positivo da experiência dos outros.

Vós sois uma personalidade multidimensional. Confiai no milagre do vosso próprio ser. Não estabeleçais distinções entre o físico e o espiritual nas vossas vidas, por o espiritual se pronunciar com voz física e o corpo consistir numa criação do espírito. Não coloqueis as palavras dos gurus, dos sacerdotes, dos pastores, dos cientistas, dos psicólogos, dos amigos – ou as minhas – acima dos sentimentos do vosso próprio ser. Podeis aprender muito com os outros, mas o conhecimento mais profundo deve proceder do vosso íntimo.

A vossa própria consciência embarcou numa realidade que basicamente não pode ser experimentada por mais ninguém, por ser única e intransmissível e comportar o seu próprio significado, e segue o seu próprio curso de transformação. Compartilhais uma existência com outras pessoas que experimentam os seus próprios rumos, à sua maneira, e fazeis essa jornada em comum. Sede amáveis para convosco próprios e para com os vossos companheiros. Eu também me encontro numa jornada, e tento transmitir-vos toda a informação e conhecimento que possuo por intermédio do Ruburt e do Joseph, que fazem parte de mim no vosso tempo e espaço. Mas eles são eles próprios assim como eu sou eu próprio.

As crenças que o Ruburt tinha na natureza da consciência ajudaram a que estas sessões tivessem lugar. O Ruburt e o Joseph trabalharam ambos a natureza da criatividade, e desde cedo cada um deles buscou respostas – mas acima de tudo confiaram no destino e na graça do seu ser. Por vezes, poderão ter sentido que perderam o rumo, e podem ter tido problemas em que tenham temporariamente perdido o objectivo; no entanto, a crença que tinham neles próprios individualmente e em conjunto foi suficientemente forte para lhe outorgar a sua presente realidade.

Muitos dos que escrevem pretendem desenvolver e utilizar essas mesmas capacidades, no entanto torna-se óbvio, a partir das cartas que enviam, que as crenças que mantêm os impedem de ter suficiente confiança no ser interior. Não podeis temer o vosso próprio ser e esperar percorrer os seus caminhos nem explorar as dimensões que encerra. Primeiro, precisais dar o simples passo da afirmação da vossa identidade. Essa afirmação libertará aqueles atributos que possuís e abrirá novas vias à experiência. Elas serão vossas, conforme devem ser.

Quando pedis aos outros para interpretar os sonhos que tendes, por exemplo, estais automaticamente a colocar a realização dos vossos próprios potenciais a um passo de distância. Quando pedis a outro para vos dizer que rumo a vossa vida deverá tomar, então em certa medida evitareis perceber que ela vos pertence. E sem tal consciência, nenhum método vos ajudará. Agora, nos termos vulgares, este livro não inclui qualquer instrução esotérica que vos ajude a alcançar o que pensais ser um desenvolvimento espiritual ou perícia no campo psíquico. No entanto constitui uma preliminar para todos quantos queiram utilizar a sua condição de criaturas como um marco para perceber e experimentar outras realidades.

Conforme mencionei atrás, por negardes a carne não é que vos ireis tornar mais espirituais. Esta é a vida que estais a viver! Confiai na vida que flui através de vós. Se assim fizerdes, outras realidades se farão patentes e acrescentarão dimensão e profundidade à vossa presente realidade.

Vós compondes a vossa própria realidade – seja em que direcção for que tomeis ou em que dimensão for em que vos encontrardes

Antes de embarcardes em outras jornadas da consciência, compreendei que as vossas crenças vos seguirão e que vos moldarão a experiência aí conforme o fazem aqui. Se acreditardes em demónios, haveis de os defrontar – nesta vida, na qualidade de inimigos, e em outros domínios da consciência como diabos ou “espíritos malignos”.

Se temerdes as vossas emoções e acreditardes que sejam erradas, então quando tentardes experiências psíquicas podereis acreditar estar possuídos. Os vossos sentimentos reprimidos parecer-vos-ão demoníacos. Tereis medo de os atribuir a vós próprios e assim pensareis que pertençam a algum espírito desencarnado. Desse modo, é muito importante que compreendais a verdadeira inocência que caracteriza todo sentimento, porque cada um deles, caso lhe seja permitido seguir o seu curso, conduzi-los-á de volta à realidade do amor.

Não confieis em ninguém que vos diga que sois malvados ou culpados por causa da vossa natureza ou da vossa existência física ou de outro dogma qualquer que se pareça. Não confieis naqueles que vos afastem para além de vós próprios. Não sigais a quem vos disser que precisais fazer penitência, seja de que forma for. Confiai, ao invés, na espontaneidade do vosso próprio ser e na vida que vos pertence. Se não gostardes da situação em que vos encontrais, então examinai as crenças que tendes. Trazei-as à luz. Nada tendes a recear em vós.

A minha vida pertence-me e eu dou-lhe forma

Dizei isso a vós próprios com frequência. Dai forma à vossa própria vida agora, usando as crenças que tendes, conforme um artista o faz com a cor. Não há condição que não consigais mudar, excepto uma indiscutivelmente aceita à nascença, no domínio da criatura que vos caracteriza, como a susceptibilidade para a perda de um órgão ou o padecimento de uma disfunção. Se vos achardes repletos de auto compaixão por padecerdes de uma enfermidade, ou por determinada situação de vida tomai a iniciativa. Enfrentai com honestidade as crenças que tendes e descobri a razão para tal dificuldade.

Falo da vitalidade interna que é inerente a todos os meus leitores, juntamente com o conhecimento interior que também é pertença deles. Termino dizendo, conforme já afirmei anteriormente: São-vos dadas as dádivas dos deuses; vós criais a vossa realidade de acordo com as crenças que tendes; vossa é a energia criativa que compõe o vosso mundo; não há limites para o ser, á excepção daqueles em que acreditardes.

Eu sou Seth. Pronuncio o meu nome com júbilo, apesar de os nomes não serem importantes. De igual modo, pronunciai o vosso próprio nome, a cada manhã, de um modo assertivo. Vós criais a vossa vida por intermédio do poder interior do vosso ser, cuja fonte se acha em vós e ainda assim, além daquele que tendes consciência de ser. Utilizai essas capacidades criativas com um abandono baseado na compreensão. Honrai-vos a vós próprios e avançar por entre a divindade do vosso ser.