sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

TOZAN RYOKAI - EXCERTOS



Tradução: Amadeu Duarte 2002
                                         
ESPELHO PRECIOSO DA LEI



Sem erro, sem dúvida, assim é a verdade
                       Todavia, nem o Buda nem os Mestres falaram dela
Agora podem obtê-la
Por isso rogo-lhes que a conservem intacta.


A neve branca amontoa-se na bandeja de prata
A luz da lua envolve a garça branca
Ambos são idênticos mas não a mesma coisa
Podemos confundi-las
Contudo, fácil é distinguir o seu sentido


A consciência da coisa não reside na linguagem
A palavra turva-nos e precipita-nos
No abismo da ausência de significado
No desacordo com a palavra topamos com os limites da dúvida.


Ir ao encontro, tocar a “coisa”
Rejeição, apego, tudo isso é inadequado
Expressar por meio dos adornos da linguagem é desvirtuar
É justamente em plena noite
Que a claridade do luar mais se destaca
Á aurora do amanhecer não é tão clara
Isso é regra
Ainda que não seja destituída de consciência,
Não é destituída de linguagem.
Conquanto não seja restrito à consciência, será eloquente.


Forma e reflexo frente a frente
Vós não sois o reflexo, ele é que é a vossa imagem



É como uma criança que, apesar de possuir os sentidos desenvolvidos
Nem avança nem retrocede;
Não vai, não vem, nem fica;
Não chega de repente nem fala;
Nem se ergue nem permanece sentada;
Mas tagarela sem dizer nada nem chegar a um objectivo
Devido à inadequação do seu discurso



Nas seis linhas do hexagrama "Fogo" (do I Ching)
Integram-se o relativo e o absoluto, e juntos formam três
Com a realização da transformação fazem cinco
E assemelha-se ao sabor de uma especiaria de cinco aromas
Ou ao ceptro de diamante.


O subtil pertence ao absoluto
Quando o direito e o oblíquo de encontram
E a indagação e a resposta despontam em conjunto, confundindo-se,
Estreitamente ligadas na origem, do mesmo modo que o Processo, incluindo a integração e o modo
A martelada e a canção eclodem conjuntamente
Íntimas com a origem e familiar com o Caminho



A compreensão do Princípio e do método
Ajustam a conduta ao Caminho
Agir com precaução é favorável; não se deve violá-la com o erro
Residindo na naturalidade, e ainda assim subtil
Tanto puro (inocente) como misterioso
Sem que isso pertença á confusão nem ao despertar (Esclarecimento)


Sob as condições adequadas e na devida ocasião
Realiza-se ela no silêncio e na serenidade do coração
Tão diminuta é, que cabe na ausência de espaço
Tão imensa, que excede toda a direcção e local
Todavia ao menor desvio
Perdemos a sintonia dessa harmonia.


Porque se estabeleceu princípios e medidas
Subsistem agora o súbito e o gradual
Quando tais aproximações deixarem de ser regra
Se mesmo o princípio for penetrado e a medida suprimida
Fluirá uma verdade constante que se derramará


Permanecer externamente tranquilo e interiormente agitado
É assemelhar-se a um potro amarrado ou a um rato escondido
Os sábios de outrora, apiedando-se disso
Ensinaram de que modo usar a Verdade


Da forma como avança a confusão
Até mesmo o negro é considerado branco
Quando a ilusão se desvanece
A mente realiza a própria simplicidade do si mesmo


Se quiserdes seguir o caminho dos sábios
Observai os ancestrais precedentes, com vista a satisfazer
A realização da Mente
Meditai sob a árvore do tempo infinito


Do apego decorre a perda e o supérfluo
E assim assemelhamo-nos a um tigre carente ou  a um cavalo atado
Devido à concepção subjectiva
Apreciamos equipamentos preciosos e roupas finas
Devido á existência do invulgar e ao assombro
Valorizamos gatos e bois


Com habilidade o arqueiro pode acertar o alvo a cem passos
Se as flechas se tocam em pleno voo
A mais apurada técnica perde a sua eficácia


Quando o homem reservado se põe a cantar
A mulher insensível levanta-se e dança
Isto não pode ser alcançado pela percepção subjectiva
E chega mesmo a ser impensável


Os súbditos devem obedecer ao rei
E um filho aos seus pais
Não o seguir não é dever filial
Desobediência contrária à sua função


Praticai sem conhecimento e trabalhai sem segredo
Assemelhando-vos a um ignorante
Se assim alcançardes continuidade

                                Poderá chamar-se mestria verdadeira





O SEGREDO DO ELIXIR DA MENTE
Tozan Ryokai
                                      

                                                          

Possuo um remédio a que chamo elixir da mente
Que foi refinado durante anos, no forno de aflições e dores
Até ser capaz de reconhecer-lhe a cor imutável, na origem
É brilhante de uma radiância que ilumina o universo.



Abre-nos ele o Olho da realidade a fim de podermos ver com precisão
E pode transformar o mortal comum num sábio, instantaneamente
A fim de discernir o real do falso, e completar o trabalho
Procura esse refinamento em todas as ocasiões.



Não possui forma, nem é redondo nem quadrado
Não há nada nas palavras, nem palavras para o que é
A exploração deliberada é contrária à sua verdadeira função
Quando se medita sem intenção, então tudo é Zen.



Ele nem permanece inactivo, nem se ergue desperto
No entanto, tudo obedece ao seu comando
Mesmo a terra, qualquer que seja o lugar
Uma vez posta nesse "forno", torna-se Aquilo.



A minha ideia é não possuir nenhuma ideia particular
E o meu conhecimento, não possuir nenhum, em particular
Não existe uniformidade nem dissemelhança
Quando a aparência não muda, torna-se o discernimento difícil
Quando nada mais surge de dentro

                               Não utilizes nada mais para o estabilizar

A fusão da experiência com o Vazio verdadeiro, não significa cultivo.


                                                                 


NO CORAÇÃO DO MISTÉRIO

Tozan Ryokai
                                                

Dia após dia ao longo de extensos Outonos vem o sol deitar-se à minha porta


Hora a hora, ao longo de extensos Verãos, a lua brilha diante da galeria


Se toda a miríade de objectos são do gosto dos antigos Budas


Isso deve-se a que os homens seguidores do Caminho vivam sob o céu azul


Velhos cidadãos sacham febrilmente os rebentos bons; ervas de bom augúrio


Enquanto boieiros deixam o gado pastar a campo aberto, negligentemente


É difícil escutar o estranho som que os dragões fazem a suspirar pelos ossos decrépitos


E quem pode ouvir os cavalos do bosque, quando relincham?


No exterior do bosque de bambus, a noite é clara, e o velho espelho cintila inutilmente


No interior do seu palácio, o rei do Vazio resplandece a cada mil fogos


A fonte é límpida e a água profunda
Sobre o barco sacudido esperamos pelos remos


No próprio local do despertar dos antigos Budas, esperamos o herdeiro montado no seu carro


Nem um traço de sombra ao pé da árvore; ao longo de eras tudo é pureza


É admirável ver as florestas desertas, quando se perde tanto tempo em disputas


Erguer e baixar a pata, não é modo singular na ave
Sentar-se e deitar-se, nada tem de misterioso


Caminhar sobre o caminho sem o deixar, e voltar como se desobedecesse a seu pai


À meia-noite brilha verdadeiramente a claridade e a aurora não aparece


Antes caminhamos sem lá chegar, e depois não se consegue ir mais longe


Desse modo não se detém o barqueiro, e a sua constância é inabalável


A lua sobre a água profunda e azul, não consegue submergir no furor das ondas


As nuvens brancas não têm raízes e desse modo fixam-se nos montes verdejantes

Por instinto, os grous não se detêm nos cumes elevados
E as árvores sagradas são tão altas que as aves lá não chegam

Em vão se toca o tambor- quem reconhece a musica?
Inutilmente se estabelece a batida- quem poderá bater palmas?

Com a sua corneta, como não haverá o musico de fazer uma barulheira de cinco notas?

A sua harmonia ergue-se até ao céu azul
Cabe a vós divertir-vos e cantar a vosso modo
  
                                                 


OS CINCO ESTÁGIOS DA MEDITAÇÃO
Tozan Ryokai




1- O Nominal oculto sob o fenomenal
2- O fenomenal apontando o nominal
3- O nominal participa conscientemente no fenomenal
4- Os dois atingem a harmonia
5- Alcança-se o coração da harmonia



Estas cinco posições pretendiam indicar os estágios progressivos da vida espiritual e iluminação.

No primeiro grau, o estudante encontra-se mais ou menos inconsciente do aspecto nominal que nele existe e dirige a sua atenção para o fenomenal. Em vez do anfitrião que já é, continua a acreditar ser o hóspede.

Todavia, na realidade o nominal e o fenomenal formam um todo contínuo, uma "identidade misteriosa", pelo que até mesmo uma atenção unilateral para com o fenomenal e um estudo sério das suas leis e inter-relações, poderá constituir um preparo útil para o estudante.
A descoberta do subjectivo no objectivo constitui um começo no processo da autodescoberta.

Também no plano moral o estudante começa por se comportar de acordo com os costumes prevalecentes na sua comunidade, considerando-os como sagrados e universalmente aplicáveis ao homem indistintamente com relação a raça e credo. Porém, á medida que ganha experiência acaba também por concluir que aquilo que lhe é familiar não é necessariamente correcto, e o que não é tanto familiar não é necessariamente errado.

 Confundido por um instante pelo fenómeno dos padrões morais em conflito, é inevitavelmente levado a revoltar-se em si mesmo e a procurar conselho da razão e da consciência. Desse modo, torna-se mais consciente de que é essencialmente um homem livre e não um escravo.

A caracterização que Tung-shan estabelece deste primeiro nível, é a seguinte:

O nominal oculto sob o fenomenal!
No crepúsculo (começo da noite)
Antes da lua se erguer
É fácil não reconhecer a pessoa que encontramos
Devagar, bem devagar aproximamo-nos dela como de um estranho, com as habituais desconfianças.

No segundo estágio assistimos ao fenomenal a deslocar-se para o nominal. É um movimento centrípeto. A luz despontou em nós e quando distinguimos com clareza o nosso velho amigo, deixamos de lado os velhos anseios e desconfianças gerados pelas experiências dolorosas do passado, quando costumávamos ser traídos por pessoas que, insensatamente tomámos por amigos, mas que se revelaram ladrões e assaltantes.
Achámo-nos desapontados com o mundo das ilusões e, ao mesmo tempo, encontramo-nos despertos para o real e imutável. Este estágio é marcado pela experiência crucial da iluminação (esclarecimento espiritual):

O fenomenal desloca-se para o nominal!
A aurora despontou, para surpresa da velha mulher
Que, por acaso, encontra um antigo espelho, onde percebe, clara e distintamente
O seu próprio rosto, tão diferente de todas as imagens que tinha formado de si própria!
A partir de agora, nunca mais ignorará que possui a cabeça no (seu) lugar
Nem se agarrará às suas meras sombras.

No segundo estágio, após a iluminação, uma pessoa torna-se aquilo que realmente é, um verdadeiro homem livre, um anfitrião e príncipe. Passou definitivamente para o "estágio da personalidade".


Pode ser chamado um "homem nominal". Agora, o homem nominal pode regressar ao mundo fenomenal para trabalhar e ensinar, para o bem dos outros.

O terceiro estágio é denominado "regressar do nominal".  O homem que o empreende está no mundo mas não pertence ao mundo:


Regressar do nominal!
Numa nuvem de poeira, percorre uma estrada secreta, livre do alcance da poeira
Embora distinguindo-se presentemente por guardar coisas não ditas, de que faz tabu.
Diz mais do as mais eloquentes "línguas" do passado.


Por outras palavras, ao regressar do nominal, compreende até que ponto é impossível transmitir por palavras- às pessoas que ainda se encontram no primeiro estágio- as coisas que experimentará pessoalmente e conhecerá intimamente, e como seria enganador para elas tentar oferecer-lhes algumas fórmulas simples e fáceis de memorizar, em lugar da "coisa verdadeira". Justamente por isso os mestres do Chan seguiram a via negativa e uma abordagem esotérica, muito afastada dos caminhos batidos, com a única finalidade de despertar o potencial adormecido dos alunos, levando-os a pensar por si mesmos e a serem os homens que são.

Quando um homem iluminado penetrou profundamente no mundo  fenomenal, sente-se mais à vontade no mundo até compreender que a perturbação e a emoção nada mais são que a iluminação.
Acaba por conhecer por experiência própria o que o seu intelecto já compreendeu - que nominal e fenomenal são essencialmente um único aspecto. Compreende que tanto um como o outro aspecto pertencem ao reino da relatividade e não ao do absoluto:


O nominal e o fenomenal encontram-se!
Não há necessidade de evitar as suas espadas cruzadas!
O soldado experiente floresce no meio do fogo, como o lótus mágico
Ao passo que constantemente os seus desejos heroicos penetram para lá dos céus.


No estágio final alcança-se o coração da união do nominal com o fenomenal. No coração, a união transforma-se numa unidade.
No quarto estágio existia ainda a aspiração a pairar para lá do cosmos e por isso podemos designá-lo por "estágio metafísico". Este estágio, por outro lado, é "trans-metafísico".
Tendo-se elevado até ao transcendental, o homem deve agora regressar a este mundo nominal-fenomenal. No quarto estágio foi heroico. No estágio presente, descobre o céu na terra, e até as coisas mais simples da vida são paradisíacas:

Vejam, ele alcançou a unidade suprema!
Para lá do ser e do não-ser
Quem ousará seguir as rimas da sua poesia?
Deixai que outros aspirem ao extraordinário!
Feliz está por voltar a casa e sentar-se no meio das cinzas!


 
Um outro esboço deixado por Tung-shan, algo diferente dos cinco estágios, refere o mesmo conjunto de conceitos sob um diferente ângulo.

1-    Hsiang- Admiração, atracção ou aspiração
2-    Feng- Submissão voluntária
3-    Kung- Fruição múltipla
4-    Kung Kung- Fruição da fruição


No estágio inicial de Hsiang, o mestre deve ser o tipo de pessoa cuja conduta e sabedoria leva a inspirar amor e admiração nos discípulos:

Todos os santos governantes seguiram o modelo do imperador Yao, que tratou o seu povo com respeito e humildade. Sempre que passava pelas ruas e mercados apinhados, o povo todo o saudava pelo seu governo benevolente.

No estágio de Feng, espera-se que o discípulo se dedique, do fundo do coração, a uma sóbria meditação e disciplina estrita. Os fervores iniciais devem agora ser transformados num fogo estável:

Porque despiste o teu elegante traje? O apelo do cuco incita os viajantes a voltar para casa! Mesmo depois de as flores terem caído, o apelo continuará. Na espessura dos bosques, por entre os picos alcantilados.

Nesta fase, o discípulo é já iniciado na tarefa de toda uma vida que é a de viver, ou ser ele próprio.
Fá-lo em obrigação a um apelo que o incita a "regressar ao lar". Pode ser a voz de um familiar chegado ou amigo que se preocupa connosco, sem egoísmo, e que nos previne sobre o nosso vaguear sem finalidade. Contudo, nesta fase o discípulo está mais interessado na mensagem que no mensageiro. Encontra-se ainda no "estágio da fé" e não no da "personalidade". O recolhimento incitado é o começo da vida interior.
O terceiro estágio, o da fruição, é um período de descanso e deleite. O descanso foi bem merecido mas o deleite constitui uma surpreendente dádiva:

A árvore seca floresce numa nova Primavera, muito longe do reinado do tempo. O caçador do unicórnio cavalga de costas montado num elefante branco de jade. Despreocupado faz a sua altaneira casa para lá dos picos infinitos, onde a lua clara e a brisa pura o preenchem de dias felizes.

Agora, o seguidor do Caminho penetrou na via da passividade frutífera, deixando que seja o Caminho a dirigir o seu curso em vez de tentar dirigir o curso do Caminho.
No estágio seguinte descobrimos o novo rebento a espalhar-se pelos três reinos, tal como indicam os versos seguintes. No estágio precedente foi o florescer da árvore seca que criou um rebento por si própria:

Não há conflito entre os Budas e todos os seres vivos. As montanhas são naturalmente altas, tal como as águas são, naturalmente, profundas. O que provam todas essas distinções de espécie e grau? Onde quer que a perdiz cante, todo o género de flores se abre novamente!

Só aquele que sabe que há um homem para lá do Buda pode participar neste discurso. Trata-se de um não-Buda. Aos olhos de tal homem não podem existir diferenças importantes entre os budas e os restantes seres. Além disso não temos porque interferir com as qualidades intrínsecas do "natural"; as montanhas são altas e as águas são profundas. Que direito teremos de transformar sujeitos em objecto do nosso julgamento? Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem. No entanto, como agora estamos livres de tendências e hábitos discriminatórios, somos como as perdizes que cantam fazendo florescer todo o tipo de flores.

O quinto e último estágio denomina-se fruição da fruição. No terceiro estágio tínhamos apenas a fruição e no quarto ela era nossa e pertencia ao mundo. Todavia, Tung-shan não quis deter-se aí! Tal como a cotovia pela manhã, ele continua a pairar no alto até lhe ser impossível elevar-se mais:

Logo que as tuas antenas começam a agitar-se, a infelicidade é já intolerável. A mais ténue intenção de perseguir o estado de Buda é causa de vergonha. No vazio das eras sem fim jamais alguém conheceu intimamente aquele que viajou para sul, visitando cinquenta e três iluminados.




                  Breve Resumo dos Cinco Estágios da Iluminação


Estes são níveis diferentes de realização Zen que designam tipos de relação mútua entre Sho e Hen, ou seja, o absoluto e o relativo enquanto aspectos diferenciáveis do Um.  O Sho, que pode significar "dentro" ou "entre", exprime uma interacção com Hen.


                Sho-  O absoluto                                         Hen- O relativo
                         A essência                                                  O manifesto
                         O idêntico                                                  Forma e cor
                         A unidade                                                   A diferença
                         A verdadeira natureza                                  A multiplicidade
                                                                                          
As qualidades

1-    Sho shu hen-  (Interpretado literalmente como Hen no meio de Sho) Neste nível de realização o mundo dos fenómenos é dominante mas percebido como uma manifestação do Ser absoluto, ou a nossa verdadeira natureza.


2-    Hen shu sho-  (Literalmente interpretado como  Sho em meio e Hen) Neste segundo estágio de iluminação, é o aspecto indiferenciado da não-diversidade que surge em primeiro plano e a diversidade que retrocede para segundo plano.

3-    Sho shu rai-  (Literalmente interpretado como o Um procedente do âmago de sho e, portanto, procedente de hen, em razão da sua dependência mútua) Este é um nível de realização em que nenhum reconhecimento do corpo ou da mente permanece. Um e outro "completamente desaparecidos". É a experiência da Vacuidade, ou Shunyata.

4-    Ken shu shi-  (Interpretado literalmente como penetração no âmago de ambos os aspectos solidários) Neste estágio toma-se consciência de uma extrema acuidade com relação àquilo que cada coisa possui de específico. A singularidade de cada objecto é percebida de acordo com o seu mais alto grau da qualidade de ser único, singular. Agora, um copo é um COPO. A vacuidade desaparece dos fenómenos.

5-    Ken shu to-  (Interpretado como remate literal ao coração dos dois) Neste quinto e último estágio a forma e o vazio interpenetram-se de tal modo que não subsiste mais consciência de qualquer um. Ideias de Satori ou Ilusão são completamente varridas. Desse estágio de consciência brota o acto espontâneo sem desejo nem intenção, nem do cérebro nem do coração- que reage a todas as circunstâncias que se apresentam. É o estágio da liberdade interior perfeita.

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