sexta-feira, 2 de novembro de 2012

UMA NOVA ESPIRITUALIDADE



Transcrição e tradução: Amadeu Duarte
(Trabalho em Curso)


Queremos explorar e olhar mais de perto o que aconteceu nestes últimos dez anos, e o que vai acontecer nos próximos dez anos. Por essa altura falávamos sobre a consciência da Califórnia e explorávamos a Nova Era e a Nova Espiritualidade e explorávamos as coisas que estavam a ocorrer, e estávamos a dar uma espreitadela no que viria ter lugar nos próximos vinte anos. Pois bem, esta noite estamos dispostos a voltar a olhar, e a olhar mais fundo e a realçar aquilo que vai ocorrer nos próximos dez anos deste mesmo período de tempo.

O círculo termina onde começa, e a espiral passa acima e além dos lugares por onde já passou. Alguns de vós estão a completar um círculo, esta noite; alguns de vós estão a dar continuidade a uma espiral, e todos vós estais a crescer. Por isso, será porventura apropriado que por esta altura, 1989, o ano da Renovação, e neste exacto período, (meados de Agosto) meados do que chamais de Dias de Cão e da Canícula que compõe o Verão, uma época anual em que a natureza e a consciência se renovam, será apropriado que nos detenhamos, e será dar uma olhada nesses círculos e nessas espirais de crescimento em que tendes vindo a estar envolvidos. É apropriado será igualmente que nos detenhamos e damos uma olhada tanto para trás como para a frente, para a Nova Era, para a Nova Espiritualidade; que damos uma espreitadela para trás e para a frente, para a vossa realidade e para a realidade do vosso mundo. É apropriado, sem dúvida, que paremos e olhemos para trás e para diante, mas que nos detenhamos apenas por breves instantes, para a seguir nos pormos de novo em marcha, por existirem tantas áreas ainda a explorar e tanto a fazer.

E neste ano de 1989, falamos sobre a renovação do ano. E antes de ter começado, em Dezembro passado, mencionamos o facto de ele apresentar as suas resistências e dificuldades; um tempo de trevas e um tempo de inatividade muito certamente. E dissemos também que também iria dar-se um aumento da luz e que iriam surgir oportunidades, e sugerimos que a chave, a chave única por entre todas as chaves com que viríeis a procurar, aquela chave singular que se iria revelar da maior importância, era a chave da renovação, a chave do fazer de novo, a chave da vossa própria revalorização e da revalorização da vossa realidade. Sugerimos que o ano vos iria forçar com isso. Que iriam acontecer coisas na vossa realidade - ao nível pessoal e global - que vos levariam a renovar, a dar uma olhada, a reavaliar, a revalorizar, a refazer e a provocar alterações nessa renovação, sem dúvida.

Também sugerimos e os encorajamos que, mesmo numa situação em que não vos vísseis forçados, mesmo quando não fosse absolutamente necessário, para irdes em frente e o fazerdes na mesma. Que se o fizésseis e pegásseis nessa chave e começásseis activamente a instaurar renovação não somente nas áreas em que vos sentísseis compelidos a fazê-lo – por tudo quanto se posicionasse diante de vós não passar de uma parede de tijolos – mas igualmente nos locais em que tivésseis oportunidade de o fazer, onde de facto onde ainda vos restassem áreas de sonhos, áreas de oportunidade. E que a chave estava nessa renovação.


Não é por acaso que a renovação devesse dar-se justamente neste ano por vos encontrardes no limiar da última década deste século, da última década deste milénio. Não é por acaso que antes de embarcardes nesse século vinte e um, e de facto antes de embarcardes na última década, que decerto representa um período de preparação, que renovásseis, revalorizásseis e reavaliásseis e com isso désseis um passo em frente. Este é um período de preparação, por certo, de preparação para a forma como ides lidar com isso e com essa década ainda por vir. Em 1979, por altura do fim do ano, sugerimos representar um tempo de colheita, um período de colheita do que fizestes, mas igualmente um tempo de preparação para o que viríeis a fazer, e que dispúnheis de vinte anos para o fazer. Ora bem, o Outono de 1989 constitui igualmente um período de colheita para vos preparardes, ou para vos preparardes de novo para o que ides fazer. Dispondes agora de dez anos.

Esse preparo em que embarcastes ou em que continuais a embarcar, ou em que começareis a embarcar este ano, essa preparação irá determinar o mundo com que vos ireis deparar, o mundo que ides pisar, ao avançardes um pouco graciosamente e um tanto desajeitadamente para esse século 21. Agora; notai que dissemos que iria determinar que mundo iríeis criar e descobrir, não dissemos que realidade iríeis criar e descobrir. E decerto, o vosso preparo irá em absoluto exercer um impacto determinante sobre a realidade que criais; claro que é assim, claro que isso é um dado adquirido. Mas também irá exercer impacto no mundo que vós – não vós no geral, mas vós enquanto indivíduos – ireis exercer no mundo que ireis descobrir. Sim, é um tempo sério. Não é que o mundo venha a terminar; não se trata da questão de uma escolha entre a possibilidade do mundo terminar ou não, mas da questão de um mundo que tem início. Mas, que mundo, que mundo começará para vós, à medida que entrais no vosso século 21?

A vossa preparação, aquilo que fizerdes nesta década em que estais para embarcar, irá representar o factor determinante mais significativo, o factor determinante mais expressivo do mundo com que vireis a deparar-vos. “Bom, eu crio a minha própria realidade, não é? Não aprendi outra coisa, pois não?” (Riso) “Quero dizer, disponho de tempo, não é?” Ah, sim, absolutamente, dispondes de tempo e sabeis que mais? Também dispondes de espaço. E sempre dispondes de tempo e sempre dispondes de espaço. Mas em determinado tempo e espaço ides precisar dispensar um tempo e arranjar espaço para vos preparardes para escolher.

Em 1979 tínheis vinte anos. Em 1989 tendes dez anos; não para um mundo que termina conforme alguns prognosticadores afirmaram e esperaram, mas para um mundo que tem início. Quase seria mais fácil se ele terminasse, sabeis? Mas: “Que haverá a preparar?” (Riso) “É só deixar-nos levar e adaptarmo-nos, não é?” (Riso) É. E rebentar no sopro de uma luz branca brilhante chamada bomba atómica, por entre todas as árvores que cairão e o desaparecimento do oxigénio – puf! Que mais haverá a preparar, não? Não, não é uma preparação para o fim, mas preparar-vos para um começo. Por que muito embora isso não vá ter lugar em Janeiro do ano 2000, conforme claramente não irá ocorrer, à medida que avançardes para esse século vinte e um ireis passar para um mundo completamente novo. Um mundo que está a começar; e nesse período de preparação ireis determinar a forma como ireis eclodir nesse mundo, que realidade ireis criar e que traços largos ireis ser capazes de lhe aplicar; o que o vosso século 21 irá representar. Dispondes de dez anos para estabelecer essas opções, pelo que, sim, tendes tempo e sim, e tendes espaço, mas é tempo de começardes a tomar e a criar - a tomar tempo e a criar espaço para vos preparardes.

E assim é que esta noite pretendemos iniciar essa preparação partilhando algumas das nossas observações; queremos trabalhar convosco para olharmos o que teve lugar, o que está a acontecer, e o que virá a ocorrer, na Nova Era, na Nova Espiritualidade, na vossa realidade e na realidade do vosso mundo.

Assim, a pergunta que provavelmente colocastes milhares de vezes, foi: O que é a Nova Era? Bom, há dez anos atrás falamos daquilo que a Nova Era representava, e sugerimos que de variadíssimas formas estava a ter início então, embora as pessoas andassem atrás de uma data específica, mas que a Nova Era estava a começar por essa altura, e que iria estar continuamente a começar, conforme sempre esteve no início. Vejam bem, é importante compreender que a Nova Era não constitui um período de tempo no calendário; de facto é um tempo de consciência. E que ao longo da história da humanidade e dos recessos iniciais da Lemúria ou da Atlântida, ou da Idade Média (das trevas) ou do surgimento das dinastias gloriosas orientais, ou das diversas partes do mundo aborígene que existiram por aí, sempre existiram indivíduos que descobriram essa Nova Era, e que quando a descobriram não mais foram capazes de a travar, não puderam fingir não estar a ter lugar, não puderam fingir que não tinha ocorrido, mas tratava-se de indivíduos muitas vezes perdidos por entre as ervas daninhas da humanidade, da consciência humana, do género humano.

E o que era diferente então, há dez anos atrás, é que cada vez mais indivíduos se encontravam em busca dessa Nova Era; não por que algum potencial humano tenha cunhado a frase; não por que os yuppies ou o que quer que lhes tenham chamado na altura tenham decidido criar uma abordagem caprichosa da realidade.

Não, a Nova Era era nova mas não nova em toda a plenitude do seu sentido. Ela sempre esteve lá, pronta a ser percebida como uma pista tão prontamente limpassem a desordem e a removêsseis, e afastásseis a névoa do caminho para poderdes ver essa Nova Era; e o que era tão singular em relação a esse período – dez anos atrás – era que cada vez mais pessoas o estavam a fazer conscientemente e um número maior de gente o estava a fazer de uma forma evidente. E desse modo teve início a Nova Era, não por que tenha começado mas por ter começado a tornar-se evidente. E por continuar a ser visível. E por vos encontrardes numa posição de não terdes a opção de fingir que não estava presente.

Sugerimos por essa altura que a Nova Era não era simplesmente a “velha era” endireitada; não representava a “velha era” trazida de volta à vida, para dar lugar à criação de novas ideias em trono dela, mas que era nova. A palavra “nova” tinha significado: Era nova, querendo dizer que não era velha, mas sim nova. Sugerimos por essa altura que ela teria certas características, e sugerimos que a primeira e a mais importante dessas características seria o facto da Nova Erra ser uma era em que as pessoas, os indivíduos, tomariam de volta o seu poder pessoal. Agora; onde será que já não terão escutado isso? A era em que tomarão de volta o vosso poder pessoal.

Não no sentido de o retomarem a partir de uma autoridade central para depois o estabelecerdes por entre várias autoridades descentralizadas; não, não representava o acto de o tomarem de uma para a outorgarem a outra, mas de o retomarem. Não significava realmente tomá-lo de ninguém mas descobri-lo dentro de vós; tomar o vosso poder de volta e não passá-lo da centralização para a descentralização. E também não quer dizer distribuí-lo, espelhá-lo por entre aqueles que não tinham poder; não tem que ver com a redistribuição do poder nem com a redistribuição da riqueza mas com a retoma do vosso poder pessoal.



E retomá-lo da mesma forma que o cedestes; vós cedeste-lo; ninguém vo-lo tirou; ninguém vo-lo roubou, entrando sorrateiramente a meio da noite na vossa consciência para vos arrancar o poder enquanto vos encontráveis distraídos. Vós cedeste-lo; não o fizestes escrevendo num papel: “Eu vou desistir do poder que gozo.” Cedeste-lo por via das crenças e atitudes; cedeste-lo por via dos pensamentos e dos sentimentos que sentistes e pensastes e por via das decisões e escolhas que estabelecestes, aparentemente às cegas e inconscientemente, ou subconscientemente. Cedeste-lo por via das vossas matérias-primas, por via das decisões, pensamentos e sentimentos que estabelecestes: as vossas atitudes e crenças.

E esse é o modo por que terá que ser retomado; não pela via da força, não pela intimidação nem por intermédio de um monte de pessoas; embora tais actividades sejam necessárias para despoletar um fogo, para obter uma fagulha com o golpear de duas pedras, mas o poder foi para ser retomado pela mudança das crenças e atitudes que tendes; pela mudança dos pensamentos e sentimentos que tendes e pelo estabelecimento de novas decisões e escolhas. Para o retomardes da mesma forma que o cedestes; pelos mesmos processos e pelas mesmas vias, para retomardes o poder que cedestes. Ninguém vo-lo tirou, e ninguém vo-lo poderia dar de volta – excepto vós.

A Nova Era, conforme mencionamos na altura, é igualmente uma era de tomada de responsabilidade, ser capaz – mas não só ser capaz como ter disposição – de responder. Não só tomar de volta o vosso poder e mantê-lo por via de um modo qualquer possessivo, mas usá-lo, usar activamente o vosso poder, e ser responsável, responder ao que criais com base nisso, reclamar e recuperar o poder; esses são os dois principais componentes daquilo que compunha a Nova Era nessa altura.

Também sugerimos que a Nova Era representava uma crise de consciência, uma crise da escolha; era tempo das pessoas começarem a tornar-se conscientes das escolhas a que procediam. E de não se esconderem em grupos mas em vez disso começarem a ser indivíduos - ou conforme os termos empregues por Maslow, de vos actualizardes; ou os termos usados por Rogers, de vos individualizardes - sugerindo na altura que isso era o que a Nova Era subentendia, o que essa coisa de se tornarem mais visíveis subentendia. Definir escolhas, sem deixar mais os outros defini-las por vós; e não se disporem mais a definir escolhas às cegas ou ao calhas, mas em vez disso descobrir e começar a compreender porque estareis a definir escolhas, e não somente porquê mas como, para entenderdes o mecanismo, para compreenderdes o processo da tomada de decisões e da definição de escolhas, e tornar-vos um pouco mais conscientes do que estais a fazer.

Uma crise na consciência: quem vai tomar a seu cargo, não só o mundo, mas quem vai ser responsável por vós: o vosso consciente ou o vosso subconsciente ou o vosso inconsciente; o adulto ou o adolescente ou a criança em vós. Também sugerimos que o quarto aspecto conclusivo daquilo que subentendia a Nova Era, em 1979, consistia  num tempo de mudança de paradigmas, tempo de vos afastardes do pensar linear da lógica, para um pensar mágico e exponencial. Sugerindo com toda a clareza a existência de problemas, problemas para os quais não pareciam existir soluções, por as buscardes no velho contexto, e as procurardes de uma forma linear, e tentardes resolver os problemas do modo que sempre foram resolvidos, seja quando for ou onde for, e explicardes que essas soluções não vão estar presentes nesse paradigma linear, nesse processo lógico. Mas que em vez disso, que só podiam ser descobertas quando vos predispusésseis a descobrir um novo paradigma, quando vos predispusésseis a olhar para a vossa realidade como uma expressão exponente de magia, dando a entender que era tempo de deixarem de tentar limpar o velho pavimento, mas de criar um novo.

Esses eram os componentes que abrangiam aquilo que a Nova Era representava na altura. Temas que tratamos, por vários processos e de várias formas durante a última década, ao longo de noites e de fins-de-semana, e de  seminários intensivos, de dias a fio, por vários tipos de abordagem tidos com muitos de vós pessoalmente, através das conversas privadas que tivemos convosco. Retomar o vosso poder, retomar a responsabilidade, começar a definir escolhas de uma forma mais consciente, e alterar o paradigma. Falamos da crise inerente à Nova Era, como uma crise do poder, uma crise da responsabilidade, uma crise da escolha e uma crise do contexto. 
Olhamos a evolução do indivíduo por pensardes em vós próprios, certa vez, como parte integrante da natureza e não separados, e o avanço que tivestes rumo à descoberta da individualidade que subentendia levardes de imediato com a solidão que reservava atirada directamente à cara, apressando-vos, conforme o fizestes, a formar grupos, não para descobrirdes respostas mas para descobrirdes  esconderijos.

Quando, uma vez mais, estais agora a emergir como indivíduos, assim como a actualização e individualização do ser, quando vos vedes confrontados com a opção de avançar em frente para uma nova forma de grupo, ou para trás, para o lodaçal do vazio, para o lamaçal da inexistência e da falta de identidade. Nessa altura, a Nova Era era uma crise, e ao entrardes nos anos oitenta constatastes que a crise emergiu com mais clareza e uma maior evidência e uma maior expressão do que antes.

Mas que coisa representará a Nova Era agora? Bom, gostaríamos de sugerir, antes de mais, que a Nova Era evoluiu; não é estática, mas evoluiu, à sua maneira, como um organismo vivo, uma consciência viva, se quiserdes, que se  encontra em mudança e  que está a crescer. A evolução constitui um processo de mudança e de crescimento; crescimento que ocorre continuamente, e mudança que se dá instantaneamente; onde o círculo se torna na espiral, o círculo do crescimento, adiciona uma mudança instantânea destinada a produzir a espiral da evolução.

E a Nova Era, não ao contrário de vós, tem vindo a crescer e tem vindo a mudar, e assim a Nova Era evoluiu. A Nova Era não é mais aquilo que era, há dez anos. Tampouco será daqui a dez anos, aquilo que é hoje. Assim queremos dar uma olhadela no que é essa Nova Era que se encontra viva agora e que está em operação agora. Ela cresceu, evoluiu, mudou. Alguns quererão pensar que sim; outros ainda querem ver a Nova Era pelo que outrora foi ou pelo que esperavam que fosse, há muito tempo. Querem agarrar-se a isso e permanecer onde costumava estar. E dão por si mais alienados, e mais separados e mais distanciados e a interrogar-se onde estará a parada, para onde terá ido tudo e a tentar saber o que esteja a acontecer ao seu redor, por que não parece estar a resultar mais conforme costumava.



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