domingo, 18 de novembro de 2012

MUDAR O MUNDO




Tradução de Amadeu Duarte
Palestra proferida por Seth no Colégio de Boston, em 25 de Março de 1967
Sessão 329, Early Sessions
"Ora bem, prezados amigos, jamais existe qualquer justificação para a guerra, nem justificação alguma para a matança.

É verdade que basicamente não existe morte, mas isso não pode ser usado como uma desculpa no vosso sistema de sentidos. Uma vez que a criastes precisais lidar com ela. Enquanto acreditardes que uma bala é capaz de matar um homem, cabe-vos a vós não matar.

Quando perceberdes que uma bala não consegue matar um homem, então não precisareis matar. Todos já vivestes antes, e muitos de vós viverão na forma física de novo. Alguns de vós terminarão (o ciclo das) reincarnações após esta vida. Há um rapaz no terceiro ou quarto assento da fila da esquerda, junto à parede que se encontra na sua última encarnação neste sistema.

Todos vós possuís uma única responsabilidade, que é a responsabilidade para convosco, para com o vosso ser. Não necessáriamente para com o ser conforme o conheceis mas para com todo o vosso Ser. É vossa responsabilidade – entendei - desenvolver as capacidades que tendes. É vossa responsabilidade materializar os potenciais que tendes no vosso próprio sistema.
Eu não sou nenhm espírito vigilante nem avozinho pernilongo do mundo do espírito. Eu vivi simplesmente no vosso sistema e planeta. A menos que estejais familiarizados com o material (Material Seth) valer-me-á de muito pouco adentrar qualquer problema ou questão, por não dispordes de bases de referências que vos permitam entender. A única mensagem que vos posso transmitir com clareza é a de precisardes desenvolver as capacidades que tendes. Precisais sondar o lado intuitivo do vosso ser, por virdes a descobrir muito conhecimento aí.

Os livros ajudar-vos-ão, mas o conhecimento mais vasto está enterrado nas camadas do Ser.Todos possuís capacidades, e todos possuís obrigações; ambas procedem de experiências de outras vidas passadas. As porções íntimas da vossa personalidade conhecem os detalhes das vossas vidas passadas. As capacidades que agora possuís foram desenvolvidas em vidas pregressas. Aqueles problemas que não podem ser resolvidos ao nível psíquico ou mental, tereis que resolver no sistema físico.

Tereis que tratar desses problemas nos termos da informação dos sentidos. É por essa razão que as capacidades que tendes no vosso sistema ainda operam no quadro dos sistemas de guerra. Não existe céu nem inferno conforme os termos Cristãos empregues. Contudo, se uma personalidade acreditar vigorosamente na realidade do inferno, após a morte deverá experimentar a alucinação de um inferno durante algum tempo, como uma criação sua.

Essa experiência será de curta duração. De facto o céu e o inferno não passam de simples representações. Originalmente representavam percepções intuitivas. Mas nenhum céu ou inferno tem existência nesses termos. Não existe, no universo assim como em sistema nenhum, lugar para eles. Vós criais a vossa realidade de acordo com as crenças e as expectativas que tendes. Assim, cabe-vos a vós examinar com toda a clareza as crenças que tendes e as expectativas que alimentais.

A esta altura as vossas vidas constituem o resultado das expectativas íntimas que alimentais. Se não gostardes das vidas que levais, então examinai as expectativas que tendes. As vossas vidas futuras serão o resultado das vossas próprias expectativas, uma vez mais. Mudai essas expectativas agora, se necessário.

Todo o pensamento, de uma forma ou de outra, é construído por vós em termos físicos. Não podeis escapar ao resultado provocado por um simples pensamento. E todo pensamento constitui um facto, uma realidade que vai afectar toda a acção e formar o vosso ambiente físico. Ao vos sentardes a escutar a minha voz, estais subconscientemente a formar o ambiente físico da vossa sala de aulas. Estais a formar as vossas cadeiras materiais, o vosso quadro, estais a formar a realidade conforme a conheceis. Então, com os vossos sentidos físicos, percebeis aquilo que tiverdes criado.

Se não gostardes daquilo que virdes, quem havereis de culpar? Por isso ser criação (construção) vossa, moldada numa réplica exacta dos próprios pensamentos que tendes. Agora não dispomos de tempo para podermos exlpicar como isso se processa, mas explicamos isso no material (Seth Material). Existem certas ligações telepáticas que representam aquilo que designamos por premissas, de que todos tendes consciência telepaticamente. Pela utilização delas formais o ambiente físico de forma suficientemente coesiva para poderdes todos concordar com aquilo que percebeis em termos visuais, e com o que cheirais e tocais.
De certo modo é tudo producto de uma alucinação, e ainda assim constitui a vossa realidade, a realidade com que precisais trabalhar. Se não gostardes dos aspectos do mundo dos adultos, então melhor será que mudeis as expectativas que tendes já. O mundo que os vossos pais habitam é um mundo criado por eles. Ele começa por existir inicialmente na ideia. Começou por ter existência nos domínios mentais. Começou por ser constituído pelo material que compõe os sonhos, e isso deu origem ao seu universo, e com base nisso criaram o seu mundo.
É o mundo em que agora ides viver, e se não defrontardes os problemas que comporta, se não conseguirdes solver o dilema que apresenta, não será culpa deles mas vossa. Por também participardes nele. Todas as gerações têm assento nele; as gerações mais novas têm assento nele, aparentemente inpotentes enquanto os seus pais governam o mundo. Mas os jovens impotentes amadurecerão, e crescerão e tornar-se-ão pais. Tornar-se-ão adultos, mas e o mundo deles?
Que mudanças provocarão? Quantos deles, após terem criticado os mais velhos, examinarão os próprios corações? Quantos exigirão utilizar os próprios potenciais? Quantos exigirão o melhor deles próprios? Mas é isso que deveis fazer. Qualquer coisa que fique aquém disso representará um desastre. A exploração do espaço interior - essa é a missão que vos cabe. Ela conduzir-vos-á aos domínios mais excitantes que alguma vez poderíeis imaginar. Isso remodelará e refará literalmente o vosso mundo. Se encarardes nem que seja um detalhe no vosso universo que vos cause repugnância, antão procurai dentro de vós, por o terdes ajudado a criar.

Podereis alterá-lo em termos físicos de vos dispuserdes a tal. Mas mudança alguma será efectivada, por voltar a brotar numa nova forma. Todo o progresso real é mental. Precisais mudar as ideias que tendes se quiserdes mudar o mundo. Se quiserdes pôr um termo à guerra, precisais mudar-vos a vós próprios. É a ideia da guerra que precisais combater.

Haveis de descobrir exactamente aquilo que desejardes descobrir. Haveis de tornar as vossas vidas exactamente no que esperais tornar as vossas vidas. Os encantos que existem no vosso universo físico são o resultado do pensamento construtivo e positivo. A fealdade constitui o resultado directo do pensamento negativo.
Quantos de vós se encontrarão enfermos? Quantos dos vossos pais se encontrarão doentes? A doença constitui uma materialização de uma enfermidade interior. Talvez possais livrar-vos dos sintomas físicos pela ministração de medicamentos, mas a enfermidade irromperá de novo, e de novo. Só podereis livrar-vos dessa condição por meio da descoberta da razão íntima dela, pela descoberta das enfermidades interiores. E há várias formas de conseguirdes isso.

Muitos destes temas debatemos nós nas sessões que tivemos, e agora não há tempo para vo-lo explicarmos. Olhais onde parecerá não existir nada, por na verdade nenhum local se encontrar realmente vazio. Onde parecer não existir nada, aí não heverá distorção. No aparente vazio, a realidade pode revelar-se se souberdes como olhar. Aquilo que parece estar repleto, aquele espaço que parece estar pleno, é enganoso, por a realidade já se ter prestado à cristalização.

Tudo o que conseguirdes ver e sentir e tocar terá existência na vossa própria realidade, sem dúvida, e nela será legítimo e válido. Também se acha altamente distorcido, por os vossos sentidos físicos constituírem mentirosos adoráveis que constantemente vos traem. Eles formam a realidade por vós, e no entanto a realidade que formam é altamente distorcida; e aquilo que vedes, caros amigos, não tem existência e o que existe não conseguis ver.
Lamento a brevidade do tempo disponível para me dirigir a vós. Também lamento as limitações obrigatórias que me são impostas por este meio de comunicação. Não obstante, dirijo-me a vós nos termos do mais profundo afecto. A voz que precisamos necessariamente usar infelizmente acha-se destituída de humor, e no entanto eu sou um “homem” bem-humorado. Dirijo-vos de facto a todos a minha benção, por ter bençãos a dar. Olhai ao vosso redor e nas vossas redondezas. Olhai no interior dessas vossas redondezas. Não confieis naquilo que vedes.
Dirijo-me ainda aos vossos estudantes. Sois mais velhos do que pensais. Existe em vós conhecimento que não percebeis possuir, e conhecimento que todos podeis utilizar. Podeis pensar ter 16 anos de idade. Podeis pensar ter existido por um determinado período de anos. Podeis pensar que antes desse tempo não existisse nada. Podeis olhar de volta para um tempo e não recordar qualquer identidade, e surpreender-vos: Quem terei eu sido nessa altura? E como foi que vim aqui parar?
E ainda assim uma porção de vós conhece a resposta, e uma porção de vós sabe quem sois, e as recordações das vossas vidas anteriores não estão nos vossos génes nem nos vossos cromossomas, mas na realidade psíquica que forma esses génes e cromossomas. Por a identidade ser diferente da do nome que tendes. O mecanismo físico possui efectivamente cromossomas, só que esses cromossomas físicos possuem uma contraparte psíquica, e essa contraparte psíquica constitui o original; e em vós acha-se a informação codificada que comporta todas as vossas vidas passadas e todo o vosso conhecimento, mas acha-se escondido tão fundo dentro de vós que o subconsciente conforme o conheceis não percebe a verdade, por o subconsciente (tal como o percebeis) ser de facto uma coisa muito superficial que contém unicamente as lembranças ocultas relativas apenas a esta vida.
Mas para além desta vida, e antes desta vida, e moldando esta vida, existem identidades e realidades que não se acham mortas. A identidade enquanto experiência é coisa íntima. É uma realidade psíquica mas possui uma existência electromagnética. A identidade, o ser que sois, é composta pelos seres ou Eus que fostes e, meus queridos amigos, pelos seres que vireis a ser. Aqueles Eus que fostes ainda têm existência. Os seres que vireis a ser já existem. As vidas que vivestes, nos termos da compreensão que tendes, ainda estão a ser vividas. Não existe passado, presente nem futuro.
O tempo, conforme o conheceis, constitui uma distorção produzida pela operação dos sentidos físicos. A experiência directa não tem necessidade de tempo físico. Vós existis agora, ponto final. O passado, o presente e o futuro tal como os conheceis, são uma ilusão e no entanto têm existência agora. Hoje podeis influenciar o passado: podeis ter lembranças do futuro.
Podeis tirar partido do conhecimento futuro, hoje. Podeis alterar o passado amanhã. O vosso tempo é válido unicamente no vosso sistema, e nem sequer é particularmente válido nesse sistema. Os sonhos que sonhais são tão reais quanto a sala de aulas em que vos encontrais. Os sonhos que tendes moldam-vos o dia de hoje.
De certa forma, encontrais-vos mais despertos quando dormis do que estais quando vos sentais na sala de aulas e escutais a minha voz. Para o vosso Eu do estado de vigília os vossos sonhos parecem ilusões. Terei que vos dizer ao que se assemelharão as vossas experiências normais do estado desperto para o Eu que sonha? Precisarei dizer-vos qual das duas realidades será mais válida e qual será a menos distorcida? Terei que vos dizer onde terão origem as capacidades que tendes?
Acreditais que essas capacidades terão início no Eu que se senta na sala de aulas? Que terá a vossa identidade que ver com o Eu que escova os vossos dentes? No entanto, decerto que estais completamente despertos quando escovais os dentes, e quando sonhais certamente que direis que estais a dormir e que a vossa conssciência se acha morta.
Quão morta se encontrará a consciência que dorme, e para onde viajais quando dormis? Quantas milhas cobris ao dia? Quantas milhas cobris num sonho? Aprendeis mais coisas num sonho do que aprendeis na sala de aulas. Aprendeis (apreendeis) a vossa identidade no estado de sonho. Mesmo quando sonhais tendes experiências que são mais reais e mais válidas do que qualquer que tiverdes quando tendes os olhos completamente abertos.
Isso não quer dizer que não devais manipular no universo material. Não vos estou a dizer que devais esquecer as responsabilidades que tendes na vida material. Estou a dizer-vos que a origem e a capacidade e o poder e a identidade têm origem fundo na personalidade, e que essas origens pouco têm que ver com o Eu acordado com que estais tão familiarizados.
O Eu que se senta na aula não é aquele que deseja saber mais do estado de sonho, e o Eu que quer saber mais no estado de sonho, é, meus caros amigos, muito mais educado do que o Eu que se senta aqui na sala de aulas. Que conhecerá o Eu com que vos identificais? A quem precisará dar ouvidos? Aquele a quem chamais o que sois conhece relativamente pouco. Ele terá, porventura, 16 anos. De facto a identidade interior conhece, e a identidade interior tem consci~encia de que conhece. Encontrais-vos todos num limiar. Um número incontável de biliões já estiveram nesse patamar.
Se vos venderdes por um preço, fareis o seguinte. Direis: eu sou um organismo físico que vive nos limites traçados por mim com base no espaço e no tempo. Encontro-me à mercê do meio que me rodeia. Se não vos venderdes por preço nenhum, direis: Eu sou um indivíduo. Eu formo o meu meio físico. Altero e construo o meu mundo. Sou livre do espaço e do tempo. Faço parte da mente sã. Sou mais do que aquilo que sei ser, e não existe lugar algum em mim em que a criatividade não exista. Eu moldarei o universo físico de acordo com a imagem que tenho em mente. Não posso matar, por existir somente vida, e a vida não poder ser aniquilada.
Àqueles de vós que quererão mudar o mundo, direi o seguinte: Escutai, porque se quiserdes mudar o vosso mundo precisais dar atenção à voz que se encontra dentro de vós. Precisais examinar os prórios sonhos que tendes. Precisais inspeccionar as porções mais recônditas do vosso ser, e a partir daí havereis efectivamente de ser ressuscitados.
Por o pensamento semear o mundo e o mundo semear o universo. A alma Submissa é, de facto, a alma que acredita ser um ser material. Ela acha-se, pois, à mercê da camuflagem física e não percebe que é aquilo que é. Precisa habitar o mundo que criou, um mundo infeliz e cruel.
A personalidade humana é livre. Todas as limitações são as que são criadas por ela própria. Se não quiserdes ser limitados, então não crieis limites artificiais. Se quiserdes ver através do espaço e do tempo, não empresteis qualquer validade às distorções do espaço e do tempo. Dificilmente podereis seguir os vossos sonhos se considerardes os sonhos que tiverdes alucinações. Dificilmente podereis elevar-vos á estatura do vosso potencial, se pensardes ser uma criatura física limitada pelos entraves físicos do tempo e do espaço, para em breve cair corrompida numa sepultura prematura e imunda. Se pensardes que sois isso, então, para todos os efeitos práticos, isso deverá corresponder ao que sereis – por ora. Por outro lado, se perceberdes que sois ilimitados, e que sois parte do Todo, então efectivamente deverá ser conforme o enunciardes.
Despedaçai, pois, essas fronteiras artificiais que definistes para vós próprios, e que aceitastes dos demais. Se quiserdes chegar a velhos no vosso sistema, então alcançai a maturidade nele. Não vos deixeis tornar velhos e senis. Crescei na sabedoria, por a sabedoria já se encontrar dentro de vós.
O Ser em que devereis tornar-vos já tem existência. Se perceberdes o potencial que tendes, então descobrireis que já se encontra realizado.
E agora passo a desejar-vos as boas noites e a dirigir-vos as minhas bençãos, e a dizer boa noite uma vez mais a todos.”

Sem comentários:

Enviar um comentário