sábado, 20 de outubro de 2012

RECEITAS DE TELEVISÃO - Seth




Traduzido por Amadeu Duarte

Examinai a literatura que ledes, os programas televisivos a que assistis, e dizei a vós próprios para ignorardes aquelas indicações dadas em relação às fraquezas corporais. Dizei a vós próprios para ignorardes a literatura ou os programas que se pronunciem com autoridade acerca dos instintos assassinos da espécie. Fazei um esforço por libertar o vosso intelecto de tais crenças prejudiciais. Dai uma oportunidade às vossas próprias capacidades. Se aprenderdes a confiar na vossa integridade básica de pessoa, então sereis capazes de aceder às vossas capacidades com clareza, sem as exagerar nem as depreciar.
O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Os comprimidos, as poções e injecções que supostamente deveriam combater a constipação e a gripe ganham um realce proeminente, de modo a servir de recordação para aqueles que de outro modo as poderiam ter esquecido os tempos de dificuldade que se avizinham. Os anúncios de televisão trazem uma nova barragem, de modo que podeis ir da estação febre do feno até à estação da gripe sem perder nenhum remédio pessoal.

Os vossos dramas televisivos, os espectáculos de polícias e ladrões, as produções de espionagem são simplistas, no entanto aliviam a tensão de uma forma de uma forma que os vossos anúncios de saúde pública não conseguem fazer. O espectador poderá dizer: “È claro que me sinto em pânico e inseguro, e assutado, por viver num mundo tão violento.” O medo generalizado pode encontrar uma razão para a sua existência. Mas os programas pelo menos conseguem fornecer uma solução em termos dramáticos, enquanto os anúncios da saúde pública continuam a produzir mal-estar. Essas meditações de massas reforçam, pois, as condições negativas.

No geral, pois, os espectáculos de cariz violento prestam um serviço, pelo facto de geralmente promoverem o sentido do poder individual do homem ou da mulher sobre um dado conjunto de circunstâncias. Quando muito, os anúncios do serviço público introduzem o médico como mediador: É suposto que leveis o vosso corpo ao médico tal como levais o carro a uma garagem, para substituírem as suas peças. O vosso corpo é visto como um veículo que se encontra fora de controlo, e que necessita de constante escrutínio.
 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

A Ruburt (Jane) e o Joseph (Rob) compraram recentemente uma televisão a cores, de modo que o mundo televisivo deles agora não é mais a preto e branco. Eu utilizei a televisão como uma analogia em várias alturas, e gostaria de o fazer novamente, para mostrar o modo como os eventos físicos são moldados, e tentar descrever os muitos métodos usados pelas pessoas na escolha daqueles eventos particulares que virão a ser pessoalmente defrontados.

Não só a televisão serve efectivamente como um meio de massas para a meditação comunitária, como também vos apresenta sonhos detalhados e manufacturados em que cada espectador partilha até determinado ponto. Vamos aqui empregar algumas distinções, pelo que vou introduzir os termos “Enquadramento 1” e “Enquadramento 2”, a fim de tornar a discussão mais clara. Vamos chamar ao mundo conforme o experimentais em termos físicos, Enquadramento 1. Nesse Enquadramento 1, assistis, por exemplo, a programas televisivos. 

Dispondes da escolha de muitos canais. Tendes os vossos programas favoritos. Seguis certas cenas ou autores. Assistis a todos esses dramas, dificilmente compreendendo como é que aparecem no vosso ecrã, para início de conversa. Contudo, estais certos, de que se comprardes um aparelho de televisão, ele funcione da maneira esperada, quer estejais ou não familiarizados com a electrónica. 

Mudais de canal para canal com resultados previsíveis. O programa destinado ao canal 9, por exemplo, não aprece subitamente no canal 6. Até mesmo os próprios actores que tomam parte em tais sagas, fazem a menor ideia dos eventos que estão envolvidos para que as suas próprias imagens apareçam no vosso ecrã de televisão. A sua função consiste em actuar, tomando como certo que os técnicos os acompanhem.

Agora, algures, há um director de programas, que precisa tomar ao seu cuidado toda a programação. Os espectáculos precisam ser apresentados a horas, e aos actores atribuídos os seus papéis. O nosso director hipotético saberá quais os actores que estarão disponíveis, qual o desempenho de papéis que os actores preferem, quais são os heróis ou as heroínas, e qual o Don Juan sorridente que sempre consegue a rapariga – e em geral quem representa os bons e os maus.

Nesta descrição detalhada que aqui emprego, não há necessidade da multiplicidade de eventos que precisa ocorrer para poderdes assistir ao vosso programa favorito. Ligais o interruptor e ele aí está, enquanto todo esse trabalho de bastidores permanece desconhecido para vós. Tomais isso como um dado adquirido. Cabe-vos simplesmente escolher os programas da vossa preferência em qualquer noite. Muitos outros assistem a esses mesmos programas, é claro, todavia, cada um reagirá de modo bastante individual.

Agora, por instantes imaginemos que os eventos físicos ocorrem do mesmo modo – que vós escolheis aqueles que surgem no ecrã da vossa experiência. Estais bastante familiarizados com os eventos da vossa própria vida, por serdes, claro está o vosso próprio actor ou atriz principal, vilão ou vítima, ou seja o que for. Tal como desconheceis o que acontece no estúdio de televisão antes de observardes um programa, contudo, também desconheceis o que se passa no quadro da realidade antes de experimentardes os acontecimentos físicos. Vamos chamar a esse vasto estúdio mental e universal “desconhecido” Enquadramento 2.

Neste livro iremos dizer-vos o que se passa por detrás das cenas – para vos mostrar o modo como vós escolheis os vossos programas físicos diários, e para vos descrever a forma como essas escolhas pessoais se misturam e fundem para formar uma realidade de massas. Por ora, vamos voltar de novo à televisão. Podeis desligar um programa que vos ofenda. Podeis escolher comprar ou não um produto cujas virtudes estejam a ser elogiadas. A televisão apresenta-vos um espelho da vossa sociedade. Ela reflecte e volta a reflectir através de milhões de lares os gigantescos sonhos e temores, as esperanças e os terrores dos acontecimentos que se dão na mais privada esfera do indivíduo.

 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”


A televisão interage com as vossas vidas, mas não é a causa das vossas vidas. Não causa os acontecimentos que retrata. Com a vossa enorme crença na tecnologia, muitas vezes parece a muita gente que a televisão cause violência, por exemplo, ou que provoque uma afeição por um materialismo exagerado, ou que se torne na causa de uma moral prolixa. A televisão reflecte. De certo modo nem sequer chega a distorcer, embora possa reflectir distorções. Os escritores e os actores dos dramas televisivos estão em sintonia com a mente das massas. Eles não são líderes nem seguidores, mas criadores que reflectem, cientes agudamente dos padrões generalizados emocionais e psíquicos da geração.

Também fazem escolhas quanto aos actos em que tomarão parte. Cada um tem o seu tipo de papel favorito, mesmo que seja o papel de um dissidente. Para os actores, é claro, os seus papéis tornam-se partes indeléveis da suas experiências pessoais, enquanto aqueles que observam as cenas assumem largamente o papel de observadores.

Tendes, por intermédio dos vossos jornais e revistas, consciência desses dramas, da emissão de notícias, ou outros programas que estejam presentemente a ser emitidos. Do mesmo modo estais conscientes, para falar em termos gerais, dos “programas” que estão a ser fisicamente apresentados na vossa própria nação e por todo o mundo. Decidis em qual dessas aventuras desejais tomar parte – e quais as que experimentareis na vida normal, ou no Enquadramento 1.
Os mecanismos que antecedem a vossa experiência têm lugar no vasto estúdio mental do Enquadramento 2. Aí, todos os detalhes são organizados, os encontros aparentemente fortuitos, por exemplo, as inexplicáveis coincidências que poderão ter que ocorrer antes de um evento físico poder ter lugar.

 “O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Os vossos pensamentos e crenças e desejos formam os acontecimentos a que assistis na televisão. Se quiserdes mudar o vosso mundo, precisareis primeiro mudar os pensamentos, as expectativas e crenças que tendes. Se cada leitor destas palavras mudar as suas atitudes, ainda que não tenha sido reescrita uma única letra da lei, amanhã o mundo terá mudado para melhor. As novas leis segui-lo-ão.

“O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

Conclusão: Vós sois indivíduos, contudo cada um de vós forma uma parte da realidade do vosso mundo. No nível consciente, geralmente só tendes consciência dos vossos próprios pensamentos, mas esses pensamentos fundem-se com os pensamentos de todos os outros pelo mundo fora. Compreendeis o que a televisão é. Noutros níveis, contudo, carregais uma imagem das notícias do mundo, uma que é sintonizada pelas células que compõem toda a matéria viva. Quando tendes um impulso no sentido de agir, trata-se do vosso próprio impulso, no entanto também faz parte da acção do mundo. Nesses termos, existem sistemas interiores semelhantes a sistemas neurológicos que fornecem uma comunicação constante por meio de todas as partes do mundo. Se aceitardes o facto de que o homem constitui basicamente uma excelente criatura, então dareis azo a movimentos livres e naturais inerentes à vossa própria natureza psíquica – e essa natureza brota dos vossos impulsos, e não se opõem a eles.

Não existe evento algum à face da terra em que cada um de vós não tenha representado uma parte, conquanto diminuta, devido à natureza dos vossos pensamentos, crenças, e expectativas.
Não existe acto público que da mesma forma não estejais envolvidos. Vós estais intimamente ligados a todos os acontecimentos históricos da vossa vida.

Em certa medida vós participastes no acto de levar o homem à lua, quer tenhais ou não tido qualquer ligação com a própria ocorrência física. Os vossos pensamentos foram tão responsáveis pela colocação do homem na lua quanto qualquer foguetão o foi. Podeis, agora, deixar-vos envolver numa nova exploração, uma em que as civilizações e organizações do homem alteram o seu curso, e em que reflitam os seus melhores propósitos e ideais. Podereis fazer isso cuidando que cada passo que pessoalmente dais seja idealmente adequado aos fins que esperais alcançar. Cuidareis de fazer com que os vossos métodos sejam os ideais.

Se fizerdes isso, a vossa vida será automaticamente provida de emoção, entusiasmo natural e criatividade, e essas características reflectir-se-ão nos mundos externos social, político, económico e científico. Trata-se de um desafio que vale mais do que o esforço que envolve. É um desafio que eu espero que cada leitor aceite.

“O Indivíduo e a Natureza dos Eventos de Massas”

NT: Veja-se o exemplo da síndrome criada pelos laboratórios farmacêuticos, ou "Síndrome da Pança", que apontaram como síndrame metabólica grave que conjuga vários indicadores como a diabetes, a hipertensão e o excesso de peso, e visa tratá-la no quadro conjunto desses elementos. Na verdade, segundo outros técnicos, essa síndrome nunca existiu, e o seu tratamento, efectivado nessa base, não passa de uma vigarice!

Nas campanhas de informação estatal da França e do Canadá foi sugerido que se tratava de uma forma de padecimento grave, mas o móbil que se esconde por trás dessa campanha traduz-se por uma palavra - VENDER medicamentos!

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