quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SOBRE A ESPIRITUALIDADE






SOBRE A ESPIRITUALIDADE 

No tópico desta tarde, não se vão deparar com o tópico intitulado Os Segredos, e a subsequente lista de sete que compreende. Esta tarde vão precisar fazer algum trabalho sob um tópico dessa natureza por os segredos se encontrarem aqui e nós os irmos abordar, só que eles não vão ser delineados nem estabelecidos com tanta clareza e de maneira tão óbvia por vós. Ides precisar procurá-los e fazer-lhes justiça por vós próprios.

Vamos falar de segredos, porém, não os vamos delinear de uma forma clara e óbvia para vós; ides precisar procurá-los e descobri-los por vós próprios. Além disso, no tópico “segredos” subordinado à área da espiritualidade, não os vamos divulgar todos; vamos tratar de muitos deles e alinhavar de uma forma ordenada ao redor deles, e acima e abaixo de muito do que vamos abordar hoje, mas existem outros segredos, segredos que vão além do que vamos tratar, que se vos apresentam mesmo no nível subliminal, segredos que se destinam a uma descoberta da vossa parte. Segredos muito privados que pertencem a vós e somente a vós e se posicionam entre vós e a vossa espiritualidade. Porque de facto a espiritualidade consiste num assunto privado que se situa entre vós e a vossa realidade, e entre vós e o vosso Deus. E assim, vós tendes os vossos próprios segredos.

Mas, à medida que escutais e trabalhais com base no material de hoje, sim, vireis a pôr a nu os segredos de ordem genérica que vamos tratar e os conceitos, os princípios de ordem genérica que a seu modo têm permanecido ocultos bem diante dos vossos olhos durante o tempo em que tendes estado encarnados. E consequentemente, com isso dispondes igualmente da oportunidade de descobrir esses segredos privados e pessoais que se estão a desdobrar no tecido da vossa própria consciência.

Ora bem; ao escutardes nesta tarde, e ao trabalhardes com base no material, alguns de vós irão tirar notas copiosas que mais tarde irão voltar a ler, em casa, e com que irão trabalhar durante algumas semanas, até que a próxima ocorrência ou intriga tenha lugar, a seguir ao que o arquivareis para que acabe esquecido. Talvez o venham a trazer de novo á luz, durante a vossa vida, ou lá pelo final, ou numa altura qualquer altura de crise, ou talvez venha a permanecer lá até se perder no esquecimento por todo o sempre.

Há outros que irão tornar-se mais diligentes que isso e que irão pegar nos dados informativos e trabalhar com base neles e memorizá-los de cor e os que os irão entrelaçar no seu complexo e preenchido programa metafísico numa base semanal ou diária qualquer. E com frequência irão retirar o material e percorrer a sua lista espiritual e proceder a uma avaliação pessoal, quer de uma forma deficiente e carente quer com base na determinação para fazer alguma coisa acerca dela, por se terem na conta de perfeitos, e se interrogarem sobre o que é que lhes faltará, e da razão por que não estará a resultar. E depois, irão haver alguns que, ao escutarem e atenderem ao que for dito nesta tarde, irão quer sentir quer conhecer algo bastante antigo em vós, que irá começar a mexer. E também vós ireis pegar no material e nas vossas notas copiosas, e voltar para casa e memorizá-las de cor, e utilizar a vossa lista de dados, só que não a ireis aplicar a título de conclusão da vossa espiritualidade, não ireis escutar o que foi aqui dito e voltar a perpassar as notas que tiverdes feito ou voltar a ter as ideias que tiverdes tido como uma conclusão da vossa espiritualidade, esperando que de um modo qualquer vos contagie. Em vez disso, ireis fazer isso como um tipo qualquer de senha de acesso que vos faculte admissão a um domínio bastante místico e mágico, para desdobrardes a vossa espiritualidade. Por a informação que resultar nesta tarde se prestar a isso – não como uma conclusão – nos termos de que, se a conseguirdes memorizar e saborear e juntar toda de uma forma algo convincente – isso signifique que sejais de algum modo espirituais, mas mais como uma senha secreta, uma senha secreta ou um ritual de compreensão, um ritual de vibração, um ritual de conhecimento que vos abra a porta que vos admita, a porta que de outro modo permanecerá fechada; talvez não, mas que de outro modo talvez venha a permanecer fechada, e que vos faculte uma entrada que possais usar para passardes para o reino de vós próprios, para aquela parte mística e mágica de vós que está em vias de se tornar na vossa espiritualidade.

Agora; para que grupo desses ireis passar? Não nos compete a nós delinear isso quando em conversas subsequentes vierem a interrogar-nos sobre essa posição. Compete-vos a vós decidir a que grupo vireis a pertencer. E neste ano (1984) que enfatiza as decisões e as escolhas, e que enfatiza a mudança nos relacionamentos e nas imagens, constitui uma altura bastante oportuna para definir essa escolha. Não precisais defini-la hoje, mas ireis decidir isso, quer de uma forma consciente e propositada quer por omissão.

Para começarmos, devemos dar uma olhada no termo “espiritual”. O próprio termo conjura tantas imagens empoeiradas e ideias estranhas que muitas vezes vos assusta e vos leva a sentir vontade de fugir; de facto muitos de vós entrastes na metafísica numa tentativa de fugir desses retratos da espiritualidade. E apreciastes a metafísica que não fale de nenhum Deus nem de coisa nenhuma que se situe acima de vós, e que diga que tudo está dentro de vós e que vós sois tudo, e que não existe mais nem menos; gostais da metafísica que representou a vossa marca não espiritual: “É assim que se consegue o dinheiro, é desta forma que se consegue o marido ou a mulher, é assim que se obtém aquele emprego.” Apreciais esse tipo de metafísica e a certa altura ela representou uma metafísica importante, e gostastes desses estágios iniciais em que a vossa metafísica era simplesmente motivada com base no desejo de pôr um termo ao lixo e de obter as coisas boas.

Mas precisais entender que, ao avançardes, estais agora a chegar a um ponto em que precisais confrontar o significado do ser espiritual, o que significa ter espiritualidade, o que significa estar envolvido com Deus, com a Deusa, com Tudo o Que Existe, com o vosso Deus. E isso pode-vos assustar e fazer sentir que estais a regressar ao ponto em que tereis começado, de volta a todas aquelas coisas da religião, a todas aquelas coisas da Igreja; a oração, Deus, Maria, Jesus e o Espírito Santo e todo esse género de coisas que ficaram para trás, e às portas do que aqui vos encontrais de novo. E isso deve-se ao facto das imagens que rodeiam esse termo “espiritual” sejam frequentemente bastante destrutivas para alguns; para outros essas imagens da Escola Dominical ou da Igreja e dos sermões prolongados e entediantes não fazem o menor sentido; os retractos de lápis gastos e dos pequenos envelopes engraçados e de coisas desse tipo, e de rabiscos e desenhos, imagens de um tédio acre que são retratadas contra esse quase incontrolável impulso para irresponsavelmente e sem mais cuidados vos levantardes e fugirdes a gritar.

É engraçado como durante a semana ficais tão estampados na televisão ou na criança e saís para vos divertir e não fazeis isso, mas ao Domingo, tendes que lá ir e encubar-vos nesse lugar de bancos quentes. Isso é tudo quanto representa a espiritualidade, esse tipo de tédio austero e severo que suportais por um curto período de tempo, para depois poderdes ir brincar e enfurecer-vos sem cuidados e de forma irresponsável.

E assim mantendes essa imagem, e a seguir voltais-vos para a espiritualidade metafísica, que não obstante não ser o termo apropriado, usaremos temporariamente, e considerai-la da mesma forma e dizeis: “Muito bem, vou-me tornar espiritual,” enquanto vos sentais de forma tão equilibrada que nem no chão tocais com os pés. E usais os lápis gastos e prestais atenção de uma forma entediada até à altura em que possais erguer-vos e sair de lá para brincar, para ser irresponsáveis e desistir da ideia dizendo: “Esta manhã fui espiritual. E agora não preciso sê-lo. Já lá cheguei, pelo que agora posso ir brincar, e ser uma criança barulhenta e entusiasta mas irresponsável.”

Para outros, o retracto da espiritualidade com certeza consta de uma superioridade arrogante e pomposa, de um egotismo repleto de hipocrisia e deficiente por acção de várias formas de vitimização ou de martírio, a hipocrisia do amor pronunciado em moldes detestáveis e aquela exigência de limitação num mundo sem limites, aquele temor a Deus enquanto sois advertidos de que Deus vos ama; as contradições dessa arrogância, a contradição dessa superioridade, e de forma similar, caso abordeis a espiritualidade com tais imagens em mente ireis abordar a espiritualidade como um curso de postura, que tenha que ver com a forma de ficar mais ereto, de manter o nariz num certo ângulo, e de olhar de cima com desdém, e como uma forma de justificardes as vossas contradições e de vos agarrardes à vossa vitimização e ao vosso martírio e às vossas formas de autocomiseração, pensando e dizendo a vós próprios erroneamente que estais a ser espirituais.

E ainda para outros, a espiritualidade representa aquela doutrina ou dogma complexo e retorcido de um tipo pegajoso, aquele tipo de tom de voz profundo que de alguma forma está associada à espiritualidade, banhado em sorrisos e uma esplendida vulnerabilidade que não passa de uma armadilha, toda aquela aspereza que na realidade constitui uma capa da impotência e da alienação e da solidão e do ódio e da amargura das promessas insatisfeitas do ego. A isso chamais vós espiritualidade.

Percebeis esses indivíduos, e eles incomodam-vos, e aborrecem-vos, e vós sentis como se estivésseis a ser julgados desde os cabelos até à ponta dos dedos dos pés, em meio àquele sorriso falso, e àquele inclinar da cabeça, e à glicerina que devem usar nos olhos ou algo parecido, para parecerem espirituais. Tudo para cobrir a alienação e a solidão e a amargura causadas pelas promessas não cumpridas do ego.

Assim, de facto pensais na vossa espiritualidade em termos que tais: “Bom, vou-me tornar espiritual. Não, eu preciso... não, não vou, não consigo, é assustador.” Mas há outros retractos, outras imagens de sofrimento, imagens de culpa, imagens da indecência e da imoralidade da humanidade, e do vómito que sois, de precisardes rastejar com os joelhos e as palmas das mãos a sangrar a suplicar o perdão ou talvez um sorriso da parte de um Deus que por um lado precisais temer, e que por outro deveis amar; um Deus que precisais temer e que vos é dito que vos ama, um Deus que é pai, e que deixa de fora a mãe, e um Deus que é masculino e deixa de parte tudo quanto é feminino. Os retractos repulsivos do martírio e do sofrimento, as imagens desagradáveis da luta e das dificuldades. Ou seja, ser espirituais com base nisso? É disso que estais a tentar desistir, com a libertação dos bloqueios que vos prendem e o abrir mão de todas essas limitações. Agora, deveríeis dar meia volta e acolher tudo isso como um tipo qualquer de empenho espiritual? Não. Vós fugis do que essas imagens constituem; não da espiritualidade. As imagens que são classificadas dessa forma pertencem talvez à religião organizada, que faz da espiritualidade o seu pior inimigo. Por a espiritualidade consistir na liberdade, e em vós e no relacionamento que tendes com a vossa espiritualidade e não com os diáconos, os presbíteros, os sacerdotes, seja de que denominação for.

E há tanto que é organizado e designado por espiritualidade aos Domingos de manhã e às Quartas-feiras à noite, com as vossas cartas de compromisso e os vossos serviços pela comunidade e os chás da tarde das senhoras, que representa justamente o que se intromete no caminho daquilo que seja a verdadeira espiritualidade; representa exactamente o seu pior inimigo, que encara a espiritualidade como o seu pior inimigo. Porque a espiritualidade é liberdade. E com a promessa espiritual de domínio (soberania) da vossa realidade, o inimigo, muitas vezes – não sempre - mas frequentemente organiza-se nos termos de uma religião.

À noite, na vossa cultura ocidental, usais a vossa Bíblia como base, o Velho tanto quanto o Novo Testamento. Não há muito que se possa dizer quanto à forma como as religiões são todas organizadas; fala-se da Igreja, mas não do modo como as diversas igrejas se organizam como grandes negócios. Assim, fugis dessas imagens e rotulai-las de espiritualidade, e fugis dessa espiritualidade. Mas por fugirdes com medo, e por sempre precisardes confrontar os medos que sentis, encaminhais-vos justamente na direcção dela.

Quer volteis costas a isso a que chamais “espiritualidade”, voltando-vos para a ciência, ou volteis costas a isso ao alinhardes pela metafísica, ou vos volteis para o niilismo em que assenta o existencialismo, não importa, por irdes justamente na direcção dessas imagens de novo, por na verdade na ciência e nas voltas por que a comunidade científica passa, na forma pura da ciência, também se apresentar aquele tédio chocante, a arrogância e a reverência oca e pegajosa. E existe sofrimento, e sacrifício, não tão diferente quanto o que supostamente está ligado a esse lixo. Mas na metafísica, decerto, encontram-se por toda a parte, e as esquinas muitas vezes estão repletas dessas imagens, aqueles que se defrontam com o tédio duro do crescimento metafísico e com a penumbra que aí reina. Há aqueles que sem dúvida assumem uma posição de arrogância em relação à superioridade do dogma que defendem, e aqueles fanáticos pegajosos com os julgamentos que formulam, e aqueles que requerem sofrimento e luta e adversidades como uma coisa boa, por as consciências superiores vos estarem a ajudar a crescer; como a maneira que os vossos gurus vêem ser melhor para vós. Mas isso acha-se mesmo presente no vazio desse niilismo, nada mais para além do que é puramente existencial, as mesmas imagens, os mesmos retractos, coloridos de uma forma ligeiramente diferente e com um matiz ligeiramente diferente, mas que fazem parte do mesmo “negativo”.

Portanto, quando fugis da espiritualidade por uma questão de medo, correis exactamente para esses quadros repulsivos de novo. E o que é importante agora, e se torna cada vez mais importante, é que mudeis esses quadros, esses retractos, e vos volteis no sentido da espiritualidade – não fugir dela, mas avançar em direcção a ela. Haveis de descobrir que não podereis fazer outra coisa. 

Portanto que coisa será a espiritualidade? Colocado de forma simples, a espiritualidade é o relacionamento que tendes com Deus; bom, isso evoca toda uma série de imagens, (riso) mas não dessa forma, por as imagens serem virtualmente as mesmas. As imagens são virtualmente as mesmas que aquelas que tendes para aquilo que é tido na conta de espiritual. A espiritualidade é o relacionamento que tendes com Deus, mesmo no caso de terdes rejeitado Deus. Isso é um relacionamento – de rejeição, subentenda-se – mas um relacionamento não obstante.
Mesmo que não reconheçais a existência de um Deus, Deusa, Tudo O Que Existe; esse é o relacionamento, e como tal tereis uma espiritualidade. Independentemente do facto de fugirdes dela, independentemente do quanto a negardes, tereis um relacionamento com Deus, sereis e tereis espirituais e tereis um grau de espiritualidade.

Assim, podíamos presumir que não podereis tornar-vos espirituais - descobrir a espiritualidade pela primeira vez, descobrir essa coisa que jamais tereis tido. Só podeis desvendar e trabalhar com a espiritualidade que tiverdes. Por isso, nessa medida, participar neste seminário subordinado à Espiritualidade e decidir: “Bom, ainda não me sinto preparado para ela, tenho um montão de outras coisas para tratar em primeiro lugar,” não faz qualquer sentido. Por vos encontrardes num relacionamento com Deus, e quanto mais depressa conseguirdes um reconhecimento formal disso mais cedo podereis começar a fazer alguma coisa a respeito.

Assim, para descobrirdes a vossa espiritualidade, ou sequer que tipo de espiritualidade tereis: “Por mais que digas que a espiritualidade seja a relação com Deus, que diabo quererá isso dizer?” Bom, tendes que saber aquilo que Deus é. Ora bem, não vamos gastar o resto do tempo a definir Deus; mas queremos despender um pouquinho desse tempo a dar uma olhada em alguns dos componentes, porque, entendei, não podeis realmente descobrir Deus, mas podeis descobrir algumas das peças que vos conduzirão a Ele; alguns resíduos, algumas migalhas que vos conduzirão a casa.

Portanto, que coisa será Deus, ou quem será Deus? Antes de mais, o termo é empregue no conjuntivo e deve ser colocado em termos de Deus, Deusa, Tudo Quanto Existe, como um termo singular. Por não constituir apenas uma energia masculina como tão bem descobris por vós próprios, por também ser uma energia feminina forte e potente; não uma energia feminina apenas mas também uma energia masculina. Que coisa será Deus? Bom, há certos componentes, com certeza. É-vos dito na Bíblia - seja qual for a religião ocidental que pratiqueis - que o homem foi criado à imagem de Deus. Bom, de facto a Bíblia refere que foi o átomo que foi criado à imagem de Deus, e não o homem. Essa é uma distinção significativa a salvaguardar, por que de facto, o animal, a criatura fisiologicamente evoluída – o homem, (ou a mulher) a humanidade, o gênero feminino, o Homo Sapiens ou seja lá o que for... Bom, o átomo constituiu o homem especial. E o átomo foi criado à imagem de Deus.

Mas depois vai mais longe e sugere que sois todos descendentes desse átomo, por terdes sido o primeiro Homem de Deus! O que quererá tudo isso dizer? Muitos optaram por tornar isso na versão óbvia da descendência da mulher, a partir da costela de Adão, o que a torna inferior, ou uma parte do homem, que por sua vez é uma parte de Deus. Bom, não é o que isso quer dizer; o átomo não tem a supremacia do gênero masculino, mas em vez disso, um tipo especial de humano – homem ou mulher - que foi criado à imagem de Deus. 

Agora, que quererá isso dizer? Quererá dizer que Deus possui imaginação, por que criar uma imagem é imaginar, e consequentemente, o homem terá criado ou os humanos terão sido criados na imaginação de Deus? Sem dúvida! O átomo foi criado à imagem de Deus, mas à imagem que Deus tinha do quê? Olhais para vós próprios no sentido microcósmico – qual será a imagem que tendes? “Bom, imagem de quê?” A imagem que tendes do mundo, a imagem que tendes do êxito, a imagem que tendes do sofrimento e da infelicidade. Mas sabeis, que imagem será essa? Ora, a vossa própria imagem!

Isso provavelmente já conseguis delinear, não? E assim, nesse sentido, será a humanidade uma imagem projectada do Ser que é Deus? Sem dúvida! Tal como vós vos sentais e fechais os olhos e conseguis visualizar-vos a vós próprios na vossa mente à imagem de uma pessoa bem-sucedida, de uma pessoa amável, sim, e sois mesmo capazes de mudar essa imagem, não sereis? Sois, sim. Mas também Deus é capaz!

Não representarão então, as mudanças que ocorrem, a evolução da consciência, a evolução do gênero humano? Não representará, porventura, a evolução de Deus? E à medida que Deus evolui no conceito que faz d’Ele próprio, também não evoluireis vós no vosso? Com certeza!
Que coisa será a alma, senão a divindade em vós, aquilo de que estais imbuídos? Ou seja, a imagem que Deus tem de Si-mesmo. Tal como vós vos sentais e olhais para aquilo que perfaz a vossa imagem, talvez por uma página redigida que reduzis a um parágrafo, a uma frase, a uma palavra, a palavras de cinco letras que terminem em I ou G (alusão aos prefixos com que se classificam os gurus dos vários credos e das várias denominações de fé), em vez de pegardes na imagem tal qual é, e depois prosseguis para escolher outras cinco palavras e para outra frase, e para outro parágrafo e para outra página, também porventura Deus se “sente” e faça o mesmo. E vós sois o produto dessa ideia.

O átomo foi criado à imagem de Deus. Portanto, vós sois Deus, sim, é completamente verdade, mas uma parte pequena de Deus. Semelhantes a uma ideia tremeluzente, sois vós, num pequeno pedaço do que sois. Possuís uma alma e sois criados à imagem que Deus tem d’Ele próprio. Também é filosoficamente dito justamente o contrário; que o homem cria Deus à sua imagem; e isso é igualmente verdadeiro, porque vós enquanto seres evoluídos, criais um Deus, uma figura paterna, uma autoridade qualquer, uma autorização qualquer para além de vós próprios, que passais a imbuir dos vossos desejos mais intensos e dos vossos dons mais acentuados. 

Evidentemente, o deus vingativo que é retractado no Velho Testamento da vossa Bíblia, evoluiu com base na civilização, que imbuiu esse deus com a permissão para matar, para prejudicar e para se vingar, para destruir. E de facto o desenvolvimento que a consciência sofreu ao longo das várias civilizações... tendes a vossa actual civilização, ou civilização moderna, que começou no oriente e no Egipto e em locais dessa natureza, como uma consequência da destruição Atlante, nas suas três tentativas separadas de plenitude, mas quer acrediteis nisso ou não - que não tem importância - porque a civilização anterior à Atlante, e antes dessa à Mu ou à Lemúria, localizada conforme foi referido no Oceano Pacífico e que afundou, ou seja o que for que lhe aconteceu, ou que ainda permaneça lá... Vós pensais que isso compreenda o retracto completo, mas antes dessa, teve lugar um outro desenvolvimento da humanidade ou da consciência, cuja primeira tentativa, conforme sugerimos, e mesmo antes dessa, um tentativa inicial anterior que se posicionaria nos moldes de qualidades animalistas que lhes foram atribuídas e que de algum modo prevalecem.

Mas nessa civilização que antecedeu a Lemúria, desenvolviam e exercitavam a ausência de violência, o que acabou por resultar na sua destruição, por se terem esquecido de se livrar do medo (Civilização essas que foi apresentada por uma outra entidade chamada Seth, e que chamou de Lumaniana). Portanto, foi uma civilização subterrânea cujas cavernas fazem parte dessas cavernas misteriosas que se situam na região do Peru e que também aparecem ao longo da Espanha, nas montanhas dos Pirenéus, os remanescentes que por lá se encontram. Mas sugeriríamos que essa civilização viveu submersa por não conseguir cometer nenhuma forma de violência, apesar de terem um imenso medo.

E ao se destruir e desaparecer, e ao se dispersarem e se misturar com os bárbaros, nessa terra chamada Lemúria, essa civilização de facto criou um deus que era capaz de produzir actos de violência capazes de aplacar o medo. E um deus que então se desenvolveu; não é um deus novo, não é o Deus novo da religião cristã que tem início no Velho Testamento, mas um deus que consiste nessa projecção que é criada à imagem do homem. E nessa medida, é evidentemente que Deus constitui igualmente um pedaço da imagem que tendes de vós. Isso não está desligado, mas se conseguirdes entrar em sintonia com um certo sentido de conceptualização nessa área, quanto ao modo como isso se enquadra tudo, de serdes fruto da imaginação de Deus, também Deus é fruto da vossa imaginação, e a frase “Como é em cima, assim é em baixo” se tornará inequivocamente óbvia. Sois UM com Deus, mas Deus é uma parte maior dessa unidade do que vós; por Deus saber disso, enquanto vós não.

Para vós isso não passa de palavras: “Ah, não, eu consigo sentir essa unidade,” Ainda assim, não passa de palavras. Quando conhecerdes a Unidade, então sereis Deus. Sois Deus, mas Não Tanto Deus quanto pensais ser, e Mais do que aquilo que podeis conceber! “Assim como é em cima, assim é em baixo.” Na metafísica cabalista, existe a Árvore da Vida, e não vamos delinear tudo isso por representar o estudo de toda uma vida, mas há a Árvore da Vida e na base dessa Árvore estão a raiz, que são chamadas Malkuth, e no topo situação a coroa chamada Keter. E é desenhada dessa forma com uma raiz isolada proveniente da semente singular que se segmenta ao brotar para fora e ao espalhar-se, para se completar no pentáculo, no ponto da coroa, na divindade.

Um dos segredos da compreensão cabalista, é o facto de a árvore estar ao contrário. Ela é propositadamente desenhada ao contrário, por de facto na base se situar o Keter, a cabeça, a divindade, e daí ter crescido a raiz – vós como o pentáculo de Deus; vós como a melhor criação de Deus. Por em vós ter lugar o culminar do Tudo Quanto Existe – não o começo!
E isso, na compreensão cabalista – o facto do diagrama da árvore e a memorização de de todos aqueles termos e os significados simbólicos dos pilares da misericórdia e do pilar da austeridade e do equilíbrio que tem lugar entre ambos - uma pessoa pode estudar isso anos e anos a fio e levar uma vida inteira sem chegar a saber por que razão a árvore é descrita ao contrário – para despistar as pessoas. E esse é o mistério, entendem, porque o mistério sempre tem que entrar nisso. 

Quando deixamos de fora, ou coloca demasiado... nós usamos aquela analogia da receita. Se tiverdes confecionado um bolo e quiserdes fazer um outro bolo e vos deparais com uma receita que diz que deveis utilizar tantas gramas de manteiga e mais dois copos e meio de açúcar, mais três copos de farinha e trinta e cinco ovos... Ah! Sabeis que algo está mal, por as proporções não estão correctas; para essa quantidade de ovos precisaríeis de usar muito mais manteiga e farinha. Mas, se jamais tiverdes feito um bolo na vossa vida, acabaríeis por o fazer à vossa maneira. E cozeríeis o desgraçado e no final teríeis... uma coisa muito estranha a que rotulais de “bolo”. (Riso generalizado) Desse jeito a receita não precisa ser mantida em segredo; só a proporção dos ingredientes é que precisa ser modificada.

A assim, a árvore da vida pode ser desenhada em livros e por toda a parte que toda a gente saberá dizer ao que se assemelha; mas está de pernas para o ar! E a menos que saibais disso, o poder que contém não vos pertencerá. Chamar-lhe-eis metafísica, chamar-lhe-eis espiritualidade, mas não será. Na base situa-se o Keter, a coroa, enquanto no topo está a raiz – a humanidade. E aquilo que também não é conhecido é que a árvore, conforme se acha desenhada, virada do avesso, cria um reflexo em cima e na parte de baixo. Por isso, em última análise, o Keter ou coroa situa-se no topo e vós situais-vos na raiz. Mas é importante – não podemos considerar todos os aspectos de importância que comporta, por não termos essa intenção – a questão que com isto queremos deixar clara é que, se considerardes isso, e o que temos vindo tentando dizer - que vós enquanto a raiz, avançais na progressão e evolução que percorreis, chegais a um senso de santidade, atingis à coroa. Isso acontece e aí passais a manifestar-vos; então manifestais-vos na forma física.

Antes da vossa existência física, no estado de consciência destituído de corpo, ou forma, passais por todo o processo evolutivo que se estendo do nada até ao Todo, e de seguida configurais esse Todo no mundo como o Vazio e desenvolvei-lo até chegar a ser Tudo, o auge da humanidade, e a seguir repetis isso uma terceira vez. Tomais esse Todo que sois enquanto humanos e despis-vos disso até vos tornardes de novo na coroa, até vos tornardes TUDO enquanto consciência, TUDO enquanto Deus. Ao fazerdes isso, começais como Deus e acabais como Deus e entendeis-vos ao Todo e ao Nada da condição humana, e depois voltais de novo. E esse é o fenómeno do vosso desenvolvimento. Como é que decidis tornar-vos humanos? Como é que decidis quando procedeis do vosso Eu Superior e dividis-vos e todo esse tipo de verborreia que se esforça por explicar algo que se situa além dos limites da vossa língua e capacidade de explicação e além da realidade limitada do tempo? Todavia, sobrevém neste sentido: passais por toda a experiência completamente anterior à vossa existência, e então manifestais-vos e evoluís ao longo dos diferentes Reinos até alcançardes o pentáculo do ser humano, para perceberdes que esse pentáculo da condição humana não passa da raiz de Deus. O “Assim em cima como em baixo,” repete-se a si mesmo, ao vos despirdes disso tudo, de volta à origem, de volta à centelha que sois.

“Assim em cima como em baixo”, isso é igualmente Deus; vós sois Deus, Deus sois vós, só que Deus é mais de vós, e mais d’Ele próprio do que vós sois. Mas depois há todo este conceito de que Deus é luz, o que também é verdade. Deus é luz, e vós actualmente sabeis, com base nos vossos físicos contemporâneos e nos vossos químicos quânticos e físico e biólogos que a vossa realidade é composta por matéria que se divide em átomos, que por sua vez se decompõem em estruturas moleculares compostas por electrões e protões, que por sua vez se dividem em partículas subatómicas, que por sua vez se decompõem em unidades de energia, que por sua vez se dividem em LUZ. 

E o âmago da vossa realidade é composto de luz; luz aprisionada, mas não obstante, luz. Tudo é luz. E tudo se acha ligado e é UNO. Nesse nível – luz! E essas pequeninas bolhas de luz aprisionada que se movem tanto no sentido do sentido dos ponteiros do relógio como no sentido contrário e que se tornam buracos brancos ou buracos negros, vibram em frequências particulares de modo a criar as partículas subatómicas, e a criar as partículas atómicas, e a criar os átomos e a criar a matéria a que chamais real.

Isso, a vossa realidade constitui o pentáculo da luz, é luz na sua forma mais grandiosa, e deve voltar à luz, na sua forma mais diminuta e na sua forma mais poderosa. A luz é aprisionada pelas forças - pelas quatro forças: pela gravidade, pela força mais forte que une, pela força fraca que divide, e pela força electromagnética, em relação á qual os vossos cientistas ainda estão a descobrir por que faz o que faz, e como. As quatro forças do vosso universo aprisionam a luz, e desse aprisionamento desenvolvem-se os quatro elementos: ar, água, fogo e terra, e formam aqueles elementos que na vossa realidade chamais de sólidos e reais.

A vossa realidade é Deus aprisionado, mantido cativo pela força – pelas quatro forças. Bom, o que é que compõem a gravidade? “Ora, gravidade é gravidade, não é?” Os cientistas estão a descobrir que a gravidade constitui uma partícula e uma onda; (separados do Todo)
Bom, garantidamente que ainda não possuem a tubos de ensaios para a gravidade, mas depois a certa altura não dispunham de antimatéria, e agora dispõem! Matéria que se move no sentido inverso, no tempo. É uma teoria que acharam no topo de um monte (riso) a leste de San Diego. (Riso) Os cientistas estão a postular e a descobrir que a gravidade é algo que serão capazes de capturar; ainda não o fizeram, mas já sabem que o conseguem. Assim também acontece com a força forte e a força fraca e a força electromagnética; assim é igualmente composta a luz aprisionada. Luz aprisionada que se aprisiona a ela própria – que é o que a vossa realidade é!

A vossa realidade é Deus aprisionado; aprisionado por Deus, para produzir Deus. A vossa realidade conforme vós próprios a conheceis, constitui pensamento congelado; por aquilo que pensais ser aquilo (em) que viveis. E o que mantendes na consciência é o que produz esta realidade; as vossas atitudes e crenças, os pensamentos que tendes como um produto dessas crenças e atitudes, congela-se a si mesmo; vós congelai-los no concreto.

“Ah, isso era o que eu já pensava que acontece, eu já conhecia isso, e olha como é tal e qual!” (Riso) O mistério dos mistérios, não é? “Eu temia isso, eu temia isso.” Revelais-vos agora tão profundos, como se alguém de uma forma qualquer vo-lo fosse tirar ou que fizesse com que isso dê certo.
Assim, vós aprisionais o vosso pensamento e manifestai-lo no exterior, mas ele ainda sois apenas vós. Assim, não fazeis nada mais ou menos glorioso que Deus, já que Deus se deixa aprisionar a Ele mesmo, a Ela mesmo, a Si mesmo; em Si mesmo, n’Ela mesmo e n’Ele mesmo, e passa a manifestar-se - como vós. E vós, ao levardes isso um passo adiante, cristalizais o vosso pensamento e situai-lo num contexto a que chamais a vossa realidade.

Deus é amor, essa é a razão, mas isso também é verdade; e é essa a razão por que fazeis tudo isso. Por que razão mudais a vossa imagem? Olhais para vós próprios a certa altura e dizeis: “A imagem que tenho é assustadora e a imagem de uma pessoa fraca, assustada com o mundo e que se assusta com toda a gente, receosa em relação ao sucesso, com receio da felicidade, com receio da intimidade. Tenho vontade de a mudar. E vou conseguir isso mudando a imagem que tenho de mim e passar a ver-me como forte e poderoso e bem-sucedida, passar a ver-me pela imagem de uma pessoa que é capaz de sustentar aquele nível de êxito e de felicidade, aquele nível de intimidade, aquele nível de alegria e de felicidade e de dádiva. 

E ao mudar a imagem que tenho também eu mudo, tornando-me nessa imagem que tiver criado. Deitei fora aquele gancho com que me debatia, elevo-me a essa imagem e torno-me naquilo que eu própria estabeleci que ia ser. Porquê? De modo a poderdes fazer uma de duas coisas - pela seguinte ordem: de modo a poderdes ser amáveis e de modo a poderdes ser amados; de modo a poderdes ser UNOS com Deus; de modo a poderdes ser amáveis e ser amados. Isso condensa-se no foco que tendes nesta vida, que é o de aprenderdes a obter graça (satisfação). Que satisfação? Beber dez cervejas numa só noite? Não. Ser amáveis e ser amados, é essa satisfação! É essa a maneira de o fazerdes.

À medida que Deus se descobre a Si-mesmo, para amar e ser amado, é de modo semelhante a razão por que Deus criou uma imagem de Si-mesmo. Para poder crescer - em vós - e para que essa imagem retorne ou cresça em Deus. Deus é tudo; e Deus é tudo quanto é real. Podemos mesmo sugerir muito acertadamente que a realidade é Deus em movimento. Deus é tudo quanto é real.

Mas, e que dizer do sofrimento, e de toda a destruição? Não é real! Essa é a questão que a metafísica defende – perceber que todo o sofrimento e dor que sentis não são reais. É por isso que lidais com a vossa criança no vosso íntimo, para libertar essa ilusão de dor, da injustiça, de não serdes amados; é por isso que lidais com o adolescente com todas as imagens de dureza que ele tem, subordinadas ao modo como a vida deveria ser piedosamente reduzida a pequenas caixas a branco e preto – para libertardes a ilusão! Deus é tudo quanto é real; o vosso ego é tudo quanto é irreal.

Todo o sofrimento, toda a dor, toda a vitimização, todo o martírio, toda a limitação, constituem o ego; tudo quanto é real, é Deus. “Bom, que é que é real? Pensei que era tudo ilusão.” É, mas algumas ilusões são mais reais do que outras. (Riso)

Como aquela maravilhosa linha de uma canção maravilhosa que diz: “Neste mundo tão incrível e maravilhoso, como saberei o que é real? Como hei-de saber se é real? Por me ter ensinado a amar é que sei que é real.” E é assim que tudo se encaixa; e por ser assim que aquilo que é realmente real é aquilo que nos ensina a amar. E o que não é verdadeiramente real, é o que não vos ensina a amar. E é por isso que claramente sugerimos que todo guru, todo mestre, todo o líder espiritual que vos lança obstáculos no caminho para vosso próprio bem, está a mentir. Vós já fazeis isso quanto baste, para não precisardes de ajuda nenhuma: “Porque me mentiste?” “Bom, foi para teu próprio bem.” Isso é uma mentira! Isso procede do ego e não é real. Porque, avançar da forma mais rápida, é amar, e amar somente. 

Quererá isso dizer que não deveis irritar-vos? Não, vamos alterar essas imagens doces e pegajosas. Quererá dizer que jamais sentireis ofensa ou jamais tereis maçadas? Não. Não quer dizer semelhante coisa; vamos mudar essas imagens. Mas Deus é amor e Deus é todo amor, e luz. E vós sois o reflexo disso; vós sois o reflexo que conseguis enquadrar. Sois a imagem de Deus, pelo que ao melhorar a imagem que Deus tem de Si próprio, também vós melhorais. E na medida em que vós a melhorais, também Deus melhora a imagem que tem de Si Mesmo. “Assim como é em cima, também é em baixo.”

A realidade é Deus em movimento; a vossa realidade é um reflexo da vossa espiritualidade. Que coisa é? É tudo quanto existe ao vosso redor! A vossa realidade é a vossa espiritualidade! É a forma como estais a actuar AGORA. Esse é o relacionamento que tendes com Deus, com a miríade de pedaços de Deus, que se encontram ao vosso redor. Isso é a vossa espiritualidade. A vossa espiritualidade é o relacionamento que tendes com o vosso espírito, com a vossa luz, com o vosso amor, com o vosso Deus.

Assim, que coisa é a espiritualidade? Ser uma pessoa espiritual e desenvolver a vossa espiritualidade é conhecer aquilo que tendes sido, saber aquilo que sois, e conhecer aquilo em que vos estais a tornar; todos esses três componentes – todos os três! Ser espiritual é igualmente saber o que a vossa realidade tem sido, e aquilo em que essa realidade consiste, e no que a vossa realidade pode tornar-se; todos os três! 

É por isso que é tão importante, não mentir a vós próprios sobre o que tendes sido ou sobre a realidade que tiverdes tido, não mentir a vós próprios acerca disso. E é similarmente importante não mentir a vós próprios sobre quem sois exactamente agora, e sobre o aspecto que a vossa realidade tem exactamente agora, por poderdes iludir-vos com ilusões de grandeza, sobre o quão grandiosos sois, e verdadeiramente fantástica a vossa realidade é; toda essa dor, todo esse sofrimento, toda essa infelicidade “que é para vosso próprio bem, por ser a vossa consciência superior que vos esteja a ensinar lições.” Ela jamais vos ensina lições dessas, jamais!
Podeis mentir a vós próprios e fingir que o ódio e a ira e a amargura e vitimização e martírio que sentis não se acham presentes, assim como podeis dizer a vós próprios a verdade, e desse modo triunfar, desse modo ver onde podeis chegar convosco próprios, ver o que podeis ser, e ver o que a vossa realidade pode tornar-se, mas não conseguireis fazer isso enquanto não conseguirdes a outra parte.

E é assim que começais por olhar para a vossa infância, para o passado, para o que os vossos pais vos fizeram, para o que fostes levados a sentir acerca disso, se não vos terão amado o suficiente, o que lá estiver para ver; esvaziar, enfrentar, soltar isso. E olhar para vós próprios com honestidade agora, contar a vós próprios a verdade sobre aquele que sois, independentemente da fealdade que comporte, e amar isso independentemente dessa fealdade. Perdoar isso, mesmo que pareça imperdoável. E mudar, conforme se faz por último. (A rir) Não podeis, não simplesmente por termos dito isso, e não como uma limitação: “Bom eu devia...” Não podeis!* Entendem? Por serdes o vosso passado, o vosso presente e o vosso futuro; tudo isso! E sois aquilo em que vos estais a tornar; e a vossa realidade actual e passada é um produto do que virá a ser. E se mentirdes a vós próprios, e recusardes soltar a infância, haveis simplesmente de a repetir.

*(Nota do tradutor: Esta posição evoca um dilema com que nos vemos a braços comummente, por não atacarmos a problemática em que assenta, pela raiz. Na boa ética Judeo-cristã, como de resto em qualquer outra a esse respeito, convencionou-se o critério do juízo com base na diferença, critério esse, que se centra no certo e errado, bom e mau que fundamentam toda a acção do julgamento (tanto dos outros, da sociedade em geral, como de nós próprios) como que por defeito, ou seja sem termos consciência das premissas que engloba; fazemo-lo por sermos moralmente encorajado e por ser socialmente aceite e desejável. Só que essa atitude gera um duplo dilema, que nos ata de pés e mãos ao juízo crítico (repito, de nós próprios essencialmente, por assentar na acção: toda a acção: avaliação, comparação e querer – que não deve aqui ser confundida com o desejo!) inerente à “cartilha” ou “bitola” fácil do conformismo da aferição pela rama, do que talvez obedeça a sentidos que não apreendemos e não em que não nos revemos por variadas razões, quer por não terem sido inculcados, ou cultivados, simplesmente por ainda os não termos percebido, ao adoptarmos a via mais curta da aferição pela norma (aparentemente mais fácil, mas só aparentemente, por lhe faltar o cunho, a firmeza dos “pés bem assentes” do sabermos o que queremos e da valorização pessoal isenta de comparação!) E, justamente, enquanto não perspectivarmos a problemática pela esfera estrita do propósito que queremos colher e do profundo sentido de valor que o desejo engloba, não teremos a confiança e a compreensão que nos permita actuar sem o temor do pré-juízo inerente aos desafios colocados pela diferença proposta pela diferença inerente ao pensar e agir dos outros. A isso chamamos estar centrado nos próprios objectivos sem esforço – por os percebermos e os não ajuizarmos! Esse é o desafio que lançamos a nós próprios e que só nós próprios poderemos desatar.

A vossa realidade está a tornar-se naquilo que foi, e se mentirdes a vós próprios sobre aquilo que é agora, por não gostardes dela ou detestardes pensar nisso, repeti-la-eis simplesmente; a vossa realidade tornar-se-á naquilo que é, em vez de se tornar naquilo que pode ser. A espiritualidade é tudo isso reunido: o que fostes, o que sois, o que haveis de ser; o que a vossa realidade foi, aquilo que é, e no que se tornará – neste dia, neste ano, nesta vida; em todas as vossas vidas, em todos os planos da realidade e em todas as realidades.

Há uma série subordinada à forma como a realidade funciona que foi introduzida no vosso tempo moderno, sobre um paradigma da realidade que consiste naquela estrutura ou limite de discussão sobre a forma como a realidade funciona, como qualquer coisa funciona, o paradigma de qualquer coisa. 

Nós sugerimos que seja o paradigma holográfico. Falamos disso nos três dias subordinados a tudo o que sois, e falamos extensivamente sobre isso e planeamos voltar a fazê-lo nesta noite. Só para terdes noção de que é essa realidade holográfica. E como é que funciona? Basicamente, o conceito do holograma consiste num feixe luminoso focado de uma forma concentrada – um raio de luz lazer – que é interrompido ou dividido quando um raio é dirigido directamente na direcção da superfície onde está aquilo a ser gravado, enquanto o outro raio se divide e em seguida é focado num objecto, para voltar a ser disparado de novo para a superfície que está a ser fotografada, quando obtendes o clique fotográfico, conforme podemos descrever a coisa, em que a imagem é gravada nessa vibração.

E essa imagem particular, quando vista a uma luz coerente, uma vez mais, por intermédio de um feixe de luz lazer, cria uma imagem que parecerá tridimensional, de acordo com todas as propriedades e qualidades de que dispõe. À excepcção de não passar de uma imagem do objecto por meio do qual a luz viajou ou ao redor do qual terá viajado. Para tirarmos isso do domínio científico, que uma vez mais, obviamente o apresentou de uma forma escassa, se pegardes no exemplo de um lago de água que esteja em estado completamente imóvel e deixardes cair um seixo nela, ele irá criar ondulação, que se moverá claramente até às margens, mesmo que não consigais perceber essa ondulação à vista desarmada, ela move-se manifestamente até às margens do lago, quando atinge as margens do lago ou é absorvida. Mas para onde é que vai? Continua terra adentro e continua a avançar, mas a uma velocidade de tal modo imperceptível que a não detectais, ou é reflectida de volta para o centro, uma ou a outra, mas um simples calhau produzirá anéis de propagação ondulatória, ao passo que se deixardes cair um calhau e a seguir outro, obtereis duas ondulações, e ambas atingem as margens do lago. É aí que tereis intercetado ou criareis a chamada interferência, e dependendo da proporção ou do tamanho desses seixos particulares que tenham sido lançados, criareis quer uma onda estacionária, que parece não se mover nessa porção, ou que se dissipa em ondas de movimento de ambos os lados à medida que as duas ondas se juntam e se atravessam e continuam a avançar. Ou se uma for maior do que a outra isso irá dar lugar à criação de duas ondas que se movem juntas, e que se movem numa direcção para depois se separarem de novo. Haveis de criar um número infindável de padrões diferentes, nesse âmbito específico, mas ambas as ondas hão-de em última análise espalhar-se pela superfície inteira do lago em que tenhais deixado cair os seixos. 

Agora, se pegardes numa mão cheia delas e as atirardes ao ar para caírem de seguida na água, criareis um monte de pequenas ondas, cada seixo cria o seu círculo perfeito de ondas que vão desde a sua fonte até às margens do lago e que criam vários padrões de interferência, alguns dos quais parecerão uma trapalhada, mas mesmo assim se acharão presentes, e todos quantos atingirão as margens do lago. É isso o que acontece com a fotografia holográfica. O lago é o filme em que é registado. A luz, que de certo modo viaja de uma forma condensada para a seguir se romper em dois pedaços um bilhão de vezes reduzido vão intersectar o objecto que se pretende fotografar, para depois se estampar naquele prato, no lago, em que o milhar de seixos é despejado e vai, portanto, criar o padrão de interferência que ao ser atingido num ponto, cria esse padrão em cada ponto do filme, tal como o seixo provoca até à margem do lago.

Por isso, em qualquer das secções da lagoa, como cada quadrado da secção é atravessado por toda onda, também cada vibração atravessa em cada secção isolada do filme, e de cada um dos segmentos se pode reconstituir o todo. De uma simples secção se pode criar o todo. A partir de uma única secção do lago podíeis, se compreendêsseis essas vibrações, criar o lago inteiro e a sua vibração. Não importa de onde destaqueis essa secção, quer do centro ou da margem. É certo que seria mais fácil se destacásseis uma secção maior, e outra maior, e outra maior, mas de qualquer modo a partir de uma secção qualquer poder-se-ia dizer que se tratava de todo o padrão e do lago todo. Não conseguiríeis necessariamente indicar os limites do lago, isso é verdade, mas poder-se-ia dizer que se tratava do padrão completo de cada seixo que lhe fosse atirado.

O mesmo se dá com a placa de uma fita holística; cada secção singular contem nela cada pedacinho da vibração ou da luz que lhe tenha sido inserida. Parece um borrão, e é referido por um termo muito científico chamado “borrão”. (Riso) Porque quando a inspeccionais por meio de uma lente tudo quanto percebeis é um borrão. Porém, quando a examinais através da luz deixa de parecer um borrão e passa a assumir uma representação tridimensional do objecto que tiver produzido o borrão. E qualquer secção desse borrão através do qual fizerdes passar a luz reproduzirá o borrão completo, só que numa representação tridimensional da sua totalidade.

Ora bem, isso apresenta algumas implicações de longo alcance, na vossa realidade, e constitui a base daquilo a que chamais clonagem, a base da ideia do desenvolvimento de imaginários holográficos para filmes e propósitos de entretenimento, além de representar um modelo da forma com o vosso cérebro, a vossa mente, a vossa realidade funcionam. Assim, olhais para a vossa realidade por meio de lentes, mas é a luz através dessas lentes, é a luz que produz a representação do objecto do vosso pensamento, da vossa atitude, da vossa crença - da vossa crença! – de estar a chover lá fora, de que é Fevereiro e como tal, está o quê? Ensolarado, o tempo? Não, está um frio de rachar. A crença que tendes por meio da qual a luz passa a fim de criar o borrão difuso da vossa realidade, em que a seguir projectais luz com um olhar e criais uma imagem que para todos os propósitos parece como se fosse real. Mas entendam, vós sois apenas um pedaço dessa imagem – a totalidade do que vos compõe é muitíssimo mais do que essa pequenina peça do que sois, a que agregastes um nome cristão e um sobrenome, ou um nome metafísico. (Riso)

Essa não passa de uma pequeníssima partícula da totalidade do quadro, mas nessa partícula tudo pode ser reproduzido - cada uma das vidas passadas, cada uma das vidas futuras, todas as possíveis vidas paralelas estão contidas em vós. Só precisais olhar mais perto. Todas as manhãs quando acordais e “abris” a luz, contida naquilo que vêem está a vossa totalidade; podeis permanecer na cama que em trinta e três segundos, se assim estiverdes sintonizados, podeis saber tudo o que se venha a passar nesse dia e no dia seguinte e no ano seguinte e nos próximos cinquenta anos e nas vidas seguintes em que vierdes a encontrar-vos. Cada instante contém tudo. Cada ondulação da cortina da janela do vosso quarto, cada grão de poeira que escovais da vossa mobília, ou do vosso aparador, contém tudo, por constituir um pedacinho do holograma que sois vós. Aquilo que não conseguis distinguir é o vosso limite.

A vossa espiritualidade é o relacionamento que tendes, desde a partícula, que sois com a totalidade do que sois. A vossa espiritualidade pode ser descoberta em qualquer altura da vossa existência, e desse modo pode ser alterada, alterada em qualquer altura da vossa realidade. Por se achar tudo aí, e estardes a olhar simplesmente mais fundo, e incidirdes uma luz mais brilhante, ao contemplardes os “pedaços” maiores. Porque é assim que, se pegardes numa imagem holográfica de um animal, de um cavalo - que representa um excelente exemplo - e virdes a totalidade do cavalo num pequeno segmento dessa fotografia da cabeça, ele contem a informação toda com que podereis recriar o cavalo todo. Mas como sabeis, se pegardes num pedaço maior, obtereis maiores detalhes.

Em cada célula do vosso corpo acha-se contida a informação DNA com que podeis recriar o corpo todo, e se pegardes em mais do que umas quantas células obtereis mais detalhes. A realidade toda acha-se contida em cada célula da vossa realidade, em cada momento da vossa realidade, mas se reunirdes mais instantes, podereis perceber mais detalhes. Conforme entendereis, não precisais ir a uma vida passada - alguns sentem prazer nisso - mas não precisais consultar as vossas vidas passadas; já possuís quanto baste nesta vida, já tendes um naco grande nesta vida para poderdes compreender-vos, aquele pedaço que vai do zero aos seis, e dos seis aos doze, outro pedaço grande; e o que vai dos doze aos dezoito, mais um lindo pequeno pedaço; supomos que seja um de sete, entendem, mas na verdade compreende oito anos, pelo que dizemos antes um de seis, que compreende sete anos. E em relação a isso gostaríamos de sugerir que se olhardes para esses nacos podereis ver tudo; todas as vidas passadas se acham contidas neles.

Quando falamos às pessoas das suas vidas passadas, alguns ficam de tal forma atônitos: “Meu Deus, agora sinto-me assim; é isso que está a acontecer comigo agora. Claro! Está lá contido. É por isso que gosto daquilo, é por isso que faço aquilo...” Pois, por se achar tudo em vós, exactamente agora. Bom, então precisareis olhar procurar no vosso passado? Olhai para vós. Vós sois o vosso passado. Será possível olhar para o vosso passado? Não! Não existe tal coisa; tudo existe aqui e agora. Não existe isso de vidas passadas, isso é uma designação incorrecta. Trata-se de uma vida passada que concorre com esta, mas vós empregais isso no palavreado do particípio passado, pelo que passa a representar o passado; enquadra-se nas vossas convenções do tempo, mas não se situa verdadeiramente em parte nenhuma; está exactamente aqui, e representa mesmo considerar a parte de vós que é maior do que a que olhais.

Mas, e que dizer do vosso futuro? (Riso) Situa-se tudo aqui. Exactamente aqui. Há quem leia a íris, sabíeis disso? Olha nos vossos olhos e pela cor dos vossos olhos vê todas aquelas coisas, e quem leia as mãos, leia os rostos, e leia o vosso cabelo, caso tenhais suficiente cabelo. O seu princípio está correcto, sabem, nesse particular sentido, por em cada folículo dos vosso cabelo se achar todo o vosso ser; mas os detalhes não se irão revelar tão claros. Quanto maior for a parte de vós que observardes, com mais clareza vos podereis ver, e desde logo mais aptos estareis a mudar, e isso é o que vossa espiritualidade é – o relacionamento que tendes convosco, não somente esta pequena parte de vós, ou a mentira que sois e a que quereis agarrar-vos, mas com a vossa parte genuína, a parte que podeis aprender a amar, a genuinidade – mesmo que seja feia – se vos ensinar a amar; mesmo que seja desagradável: “Detesto pensar em mim como o meu ego, deteste pensar em mim...” podeis preencher a lacuna. 

A vossa espiritualidade consta desse relacionamento – e torna-se imensamente importante compreender isto – esse relacionamento que tendes convosco próprios - por serdes criados à imagem de Deus; o relacionamento que tendes com a vossa realidade - por a realidade constituir Deus em movimento; é o relacionamento onde vos relacionais e a forma como interagis, convosco e com a vossa realidade – por isso também ser Deus. Isso é a vossa espiritualidade. Não a pequena paz hostil, nem o fanatismo meigo, nem a arrogância pomposa, mas a interacção viva, verdadeira e vibrante que tendes a cada instante. Aqueles que considerais honestamente como espirituais fazem isso. Estão vivos a cada instante e estão a todo o instante com quem foram e com quem são e com aquilo em que estão a tornar-se. “Mas como hei-de saber no que me estou a tornar?” Decidi. Decidi! E precisais decidir correctamente, por o vosso futuro ser o que vos cria o presente de encontro ao pano de fundo do vosso passado.

Ao vos permitirdes compreender o que a espiritualidade subentende, e ao descontextualizardes a espiritualidade das longas vestes sacerdotais e do vosso sofrimento de culpa - em particular vós Católicos - (riso) para a contextualizardes numa relação viva e pulsante com Deus, então vivê-la-eis e compreendê-la-eis e tereis orgulho nela. Não tereis que enterrar a cabeça na areia e de vos fazer passar por espirituais, por ser essa a atitude espiritual a tomar. A atitude espiritual é aquilo que vos permitir, e à vossa realidade, ser mais do que sois, ser mais do que ela é. Isso é que é ser espiritual. E traduz uma disposição para olhardes para vós próprios e ver Deus – olhar para vós próprios e ver Deus, a Deusa, o Todo.

A descida, referida por Milton em Paraíso Perdido, sobre o anjo Lucifer, “O que é luz,” Lucifer ou a raiz (etimológica) de (termos como) elucidar, iluminar; um anjo de Deus que caiu dos céus – na realidade abandonou o céu por vontade própria, e não caiu, mas voltou conscientemente as costas – de acordo com a mitologia – e levou um terço dos anjos com ele, a fim de criar um paraíso que não pertencesse a Deus.

Lucifer criou assim o Paraíso Perdido. Lucifer, o diabo, satanás, belzebu, sejam quais forem os nomes que foram associados a esse mal... Existirá mesmo um diabo? Existe um ego – disso, vós sabeis! E sabeis como o ego funciona e se porta exactamente como o diabo, vós possuís o vosso próprio. E assim tendes a vossa relação com o vosso Deus ou com o vosso diabo. E isso consta na religião cristã, mas há muitas denominações religiosas que seguem esse curso, e tomam isso e o personificam e que atribuem ao diabo uma cauda vermelha e uma forquilha, uma barba longa e olhos esbugalhados, situam-nos no mundo inferior enquanto situam Deus nas nuvens. Et voilá! (Riso)

Deus é a vossa realidade em moção; e o que a trava, é o vosso ego. Vós, enquanto o ego que tendes! Colocais essa máscara demoníaca, e travais a moção; mas vós dispondes de escolhas, entendem? Tanto podeis tornar-vos espirituais e empreender a busca agressiva de uma vida que abrace de uma forma activa e pulsante uma relação com Deus, convosco próprios e com a vossa realidade enquanto Deus, assim como podeis deixar de escolher isso e deter-vos. Ou podeis tentar deter isso. E a forma por que - não conseguis, é claro, porque o que fazeis é fingir que detivestes, fingir estar realmente a sofrer, fingir ter realmente algo porque sofrer em relação a vós próprios, fingir que sois verdadeiramente um mártir, fingir que na realidade não causais impacto nas pessoas, fingir não sentir - é assim que fingis fechar as portas à realidade e começar a viver uma ilusão de trevas.

No vosso crescimento, ficastes a saber isso, ficastes a saber sobre o vosso ego; não tendes mais nada a aprender sobre ele, por o terdes aprendido e sobre o modo de funcionamento dele – certamente que algumas das pequenas peculiaridades, alguns dos métodos que possais usar precisais passar a conhecer, mas se olhardes havereis de ver que o vosso ego é estúpido, que o vosso ego não é criativo, que o vosso ego constitui uma repetição completa. E como tal, para ficardes a saber como o vosso ego funciona só precisais olhar. Não é complicado; vós tornais isso complicado para fingirdes não ver. E ele comporta-se, sabem, nesta vida, quase como se comportou em qualquer outra vida que alguma vez possais ter tido, e voltará a comportar-se no futuro da forma que funciona agora. É estúpido e repetitivo.

Alguma vez notastes como o ego das outras pessoas parece funcionar do mesmo modo que o vosso? (Riso) O ego delas é igualmente estúpido e repetitivo. Poderíamos consequentemente argumentar que existe apenas um ego que todos partilhais. (Riso) Por escutardes as mesmas palavras proferidas pelas bocas deles que as que vós próprios proferis; ou vice-versa, dependendo de quem tem a primeira palavra! Realmente não há muito mais a saber sobre o vosso ego. Sobre algumas das maneiras por que funciona, iremos falar, conforme já o fizemos, e iremos repetir algumas partes que já expusemos. 

Ao voltardes as costas ao vosso ego, e vos voltardes para vós próprios – passado, presente e futuro; a vossa realidade - passado, presente e futuro nesta realidade, e em todas as vidas – ao abrirdes mão disso e deixardes que a vossa realidade se mova, e vos permitirdes ser a luz, e vos permitirdes ser o amor, e vos permitirdes ser aquela parte de Deus que podeis ser, e em vez de continuamente continuardes a aceder à irrealidade do ego acederdes à realidade da vossa alma, à vossa própria realidade, à realidade do vosso Eu Superior, ou de porções de Deus maiores do que vós. E na medida em que acederdes, tornar-vos-eis n’Isso. E é onde obtereis a união, a unidade, a ligação.

Assim, a espiritualidade não é algo porque vos tenhais que sentir embaraçados e enterrar a cabeça na areia, ou mais parecereis um fundamentalista. (Riso) Ou um fanático de Jesus. Ou um tipo qualquer de evangelista provocador de TV. A espiritualidade tem tudo a ver com Deus e com a relação que tendes com Ele. Tem muito pouco que ver com regras e regulamentos quanto à forma como os outros devam reger-se. Se começardes a olhar para vós próprios dessa forma e começardes a admitir isso, e a deixar que isso se molde dentro de vós, e vos permitirdes pensar nisso e experimentar o conceito que fazeis de vós próprios e do relacionamento que tendes com o vosso Deus – por já terdes esse relacionamento! Só o quereis mudar. Só quereis que o vosso Deus se desenvolva; quereis que ele cresça por deterdes a chave disso. Quereis crescer e desenvolver-vos, por o vosso Deus deter a chave disso... E é isso que a espiritualidade subentende, e por que é tão importante nesta altura, conforme ficareis a saber, após o intervalo, em termos do modo como tudo se conjuga e nos termos do modo porque conseguis tal coisa.
Quando entrais na metafísica, procedentes do fundo ou da experiência de que tiverdes vindo, não fazeis ideia onde ela vos conduzirá, mas ela promete-vos melhor rendimento, melhores relacionamentos; inicialmente é praticamente tudo o que ela vos promete. Mas... (inaudível) um pouco de felicidade, um pouco de alegria, poder. (Riso) 

Mas não sabeis ao que essas palavras vos poderão conduzir; que virá a seguir? Não mapeou a primeira manhã do vosso primeiro workshop sobre o que quer que tenha compreendido. “Onde vai terminar? Onde me irá conduzir? Qual virá a ser a conclusão de tudo isto, após tantos anos de percurso, etc?” Embora muitos deles tenham afirmado tratar-se de um fim-de-semana de crescimento, alguns negam tal coisa. (Riso)

Vocês simplesmente foram entrando, e confiastes – felizmente confiastes em vós e não naquele a quem endossastes o cheque. Confiastes que iríeis aprender estas coisas e que as iríeis aplicar, e conseguir um bom resultado. Agora que saís da metafísica convencional para a espiritualidade, o mesmo acontece. Onde vos irá isso conduzir? Quando será que lá ides chegar? Que aspecto virá a ter cada passo do caminho?

Dai os passos iniciais em primeiro lugar. Entrai naquele limiar, naquele lugar, e começai por desenvolver a vossa espiritualidade, e vejam onde se conduzem, vejam o que a relação que tendes com o vosso Deus poderá tornar-se; o que vós próprios, e aquele que sois pode tornar-se; e o que a vossa realidade, no que ela pode tornar-se. Agora, nisto reside uma armadilha também. Por poderdes dizer a vós próprios que ides ser grandiosos, fantásticos, cidadãos do mundo, os líderes da metafísica, a reencarnação de Cristo que vem por uma segunda vez, e poderdes dizer a vós próprios que a vossa realidade se irá tornar numa glória total, numa bênção completa, numa total riqueza e no total reconhecimento pessoal - termo idiota – no reconhecimento que ireis constatar da parte de toda a gente; que ireis percorrer a rua e que as pessoas vos louvarão, ou seja o que for. Podeis dizer a vós próprios uma coisa dessas. Mas devido a que isso proceda de vós e do vosso ego, sabeis que não corresponde à realidade. Não vos ensina a amar, e constitui um delírio de grandeza. Não uma indicação de tudo quanto podeis tornar-vos.

Atrevemo-nos a dizer que nesta sala, nenhum de vós seria capaz de ser a Barbara Streisand, ou o Ronald Reagan, ou o Dustin Hoffman, ou o Robert Redford que tendes em mente. Podeis ser vós próprios, e precisais descobrir o que podeis ser, e não o que os outros possam ser ou aquilo com que o vosso ego possa seduzir-vos, e essa é a armadilha: “Como hei-de saber, se me vejo pelo que sou e se aquilo em que a minha realidade se está a tornar será real? Como hei-de saber se não passará de um delírio de grandeza?” A questão reside no facto de que, se responderdes com sinceridade à questão: “Ensina-me a amar?” isso vos dirá. Porque manias de grandeza não vos ensinarão a amar; mas ensinar-vos-ão em vez disso a odiar, e a sentir-vos superiores. Podeis ver as ilusões que tendes quando pensais: “Algum dia virei a tornar-me no tipo mais rico, num Jay Pool Gary ou num Howard Hughes, tudo combinado. É o que a minha realidade virá a ser e o que eu vou tornar-me; podem contar com isso. Estarei a sentir-me melhor do que os outros, nessa posição? Aah! (Riso) Então isso não passa de uma ilusão. E não vos está a ensinar a amar, mas a ensinar-vos a odiar. Isso pode vir a acontecer; talvez venham a ser tão ricos quanto sempre desejastes, etc. Mas: “Estarei a sentir-me melhor do que os outros? Não. Estarei a prender a amar? Estou.” Aí pode ser uma realidade. Pode ser real. E essa é a pergunta-chave; e o segredo relativo à pergunta-chave, reside numa resposta sincera.

Isso fica ao vosso critério; nós podemos indicar-vos as questões a considerar, e podemos mesmo dizer-vos quando as devereis formular, mas somente vós podereis responder-lhes, e assim, ao desenvolverdes a espiritualidade inerente àquele que sois e àquele que fostes, e àquele que podeis ser; ao desenvolverdes a espiritualidade inerente ao que tendes sido na vossa realidade, ao que a vossa realidade é e ao que a vossa realidade pode ser, e vos moverdes na direcção dessa realidade: “Isto ensinar-me-á a tornar-me na luz e no amor? Estarei a tornar-me mais luz e mais amor?” Então irá mostrar-vos isso, e irá abrir-vos isso, e a honestidade tornar-se-á muito fácil. Ao abraçardes o vosso Deus, ao abraçardes Deus, a Deusa, o Todo, a resposta tornar-se-á por demais evidente, e os delírios achar-se-ão apartadas dela. Mas se não fizerdes isso em primeiro lugar, então os delírios farão evidentemente parte disso. E essa é a armadilha, entendem, em que muito claramente podeis cair.
...
Sem deixar que pondereis demasiado, vamos avançar. (Riso) Muitos dos componentes de que falamos na primeira metade, muitos deles fazem sentido e parecem enquadrar-se impecavelmente; porém, alguns não: “Que terá isso a ver, eu não entendo.” Como agora passamos a considerar como ser espirituais - em sete passos fáceis de dar, não é? - (riso) Alguns deles farão sentido; nem todos farão, mas dispondes do resto da vossa vida e do resto da vossa existência para o descobrirdes.

Como ser espiritual? O primeiro passo – sempre tem que haver um passo inicial e é um que é figurativamente complicado, porém, que não é difícil. Falamos disso na última vez que debatemos “Tudo Aquilo Que Sois”, mas vamos agora repeti-lo, por muitos de vós não terem estado presentes. O primeiro passo compreende quatro componentes, e podeis pegar num deles quaisquer – qualquer um deles – ou se preferirdes podeis pegar dois ou três, mas apenas precisais pegar um, que representa a escolha, a escolha múltipla - o vosso primeiro passo. Há quatro modos de dar início ao vosso percurso espiritual, ao vosso desenvolvimento espiritual, à inclusão de Deus, da Deusa, do Todo, que passa por uma qualquer destas quatro coisas: Ou concentrar-vos no amar – e nós falamos sobre o amar e falamos sobre a qualidade ou componentes que engloba, e gostaríamos de sugerir que se trabalhardes isso fazendo desse o vosso passo inicial: “Eu vou-me tornar numa pessoa afectuosa, vou desenvolver o carinho e o acto de dar e da importância, vou desenvolver o conhecimento - e a intimidade que esse conhecimento circunscreve; vou desenvolver a responsabilidade - assim como a intimidade que essa responsabilidade compreende, e vou desenvolver a coragem, a compaixão e a confiança necessárias para ser uma pessoa amorosa, na minha realidade. Não somente amar toda a gente da mesma forma, mas com discernimento, com responsabilidade. Assim: “Sim, vou amar toda a gente, mas vou amar alguns de forma diferente de outros; alguns a um nível de intimidade, outros por meio de um tipo de intimidade diferente, e outros ainda ao nível da amizade, ou ao nível dos conhecidos ou dos estranhos, e vou tornar-me numa pessoa adorável para com toda a minha realidade. Amar as pessoas, certamente, mas também amar as coisas, amar as coisas da minha realidade, mas ser uma pessoa adorável.” Com discernimento.

E se derdes esse passo inicial, começareis a percorrer um caminho que é dotado de uma importância crítica, à medida que o vosso desenvolvimento agora avança. Mas se não quiserdes proceder a isso em primeiro lugar e não tiverdes vontade de fazer isso – tornar-se-á mais difícil se não o quiserdes fazer, mas talvez o não queirais fazer em primeiro lugar – então podeis escolher num outro dos passos iniciais. 

E a segunda alternativa para o passo inicial consiste em desenvolverdes a excelência. Entendam, existe uma razão, certos objectivos, para mencionarmos qualquer destes tópicos, e gostaríamos de sugerir que o segundo componente do passo inicial consiste em desenvolver a excelência, por de facto, quando consideramos o que Deus é, e mencionamos diferentes componentes: Deus pode reduzir-se e expandir-se, de forma simultânea, ao pensamento auto gerado, à energia auto gerada. E quando investigamos o que subentende o pensamento auto gerado e a energia auto gerada – pensamento capaz de pensar, e energia capaz de gerar ou de ser, sugeriríamos que isso se reduz a um tipo particular de frequência que descobrireis ser a excelência.

 Reduz-se aos componentes que circunscrevem a excelência, que são aqueles de ter a intenção do desejo e ter a clareza dessa intenção, que por sua vez produz tanto a impecabilidade como a visão, que combinadas com essa clareza e intenção produzem a elegância da própria existência, funcionar com elegância. E a elegância combinada com a impecabilidade produz a coragem, a compaixão pelo crescimento. E a elegância, ao se combinar com a visão, produz a alegria do crescimento. E a elegância, ao se combinar com a coragem e a compaixão, a fim de produzir a sabedoria produz, junto com a elegância e o acomodamento da elegância na alegria, a compreensão. E a combinação da elegância com a compreensão e a sabedoria produz a excelência.
Mas gostaríamos aqui de sugerir que isso é o que pensamento auto gerado representa, é o que Deus representa, pelo que para vos aproximardes de Deus e estabelecerdes uma relação com Deus, começai por estabelecer a vossa excelência, por meio do estabelecimento do vosso desejo e da clareza de cada um desses desejos e da impecabilidade da visão de cada um desses desejos e clareza, e da elegância da função, que conduzem aos elementos da coragem e da compaixão pela vossa realidade e que conduz à alegria da vossa própria realidade, à própria alegria do crescimento, à alegria da experiência, que por sua vez conduz à sabedoria da compreensão, e desse modo, àquela coroa, àquele Keter, àquele Deus, que representa a excelência; a funcionalidade na elegância, dotada de uma intenção clara e de um sólido desejo.

A terceira abordagem inicial; a vossa excelência parece-vos um pouco traiçoeira: “Oh, não estou preparado para isso.” Tudo bem. Nesse caso, desenvolvei os vossos próprios componentes. Ora bem, nós mencionamos esses componentes em três diferentes seminários ou melhor, workshops. A autoconsciência – “Eu exerço impacto”. A dignidade própria – o apreço pela vossa natureza espiritual, ainda que não a entendais, o apreço por terdes uma natureza espiritual. A autoestima, o amor e o cuidado por vós próprios, que é obtido. O amor-próprio, o amor e o cuidado por vós próprios, que é recebido. A autoconfiança, a complexa relação existente entre a confiança e a esperança, a confiança e a humildade, e entre a esperança e a coragem, que vos leva a saber estar à altura de enfrentar, e que conseguis. E o respeito próprio, que consta do apreço pelo vosso ser emocional, que combinado e misturado num tipo mágico e belo de amálgama alquímica produz a autorrealização, que é o impacto conscientemente dirigido: um Zen, uma sinergia dentro de uma sinergia, um todo dentro de um todo que produz um amor incondicional.

Porque de facto, ser espiritual é ter um relacionamento convosco próprios: Conhece-te a Ti Mesmo, representa conhecer Deus, descobrir o reino de Deus. Conhecer-vos a vós próprios não é só saberdes aquilo que preferis, as vossas cores favoritas, ou as vossas comidas favoritas, mas conhecer-vos por intermédio da percepção do mérito, da estima, do amor, da confiança, do respeito e da realização; e do subsequente produto disso – do bónus, a faixa de premiado – o amor incondicional. Não o descobrireis por nenhuma outra forma! Não é um componente do amor, mas um componente do Ser (Eu).

E o quarto potencial passo inicial passa pela criação de comunhão com o vosso Eu Superior. Aqueles de vós que estiveram envolvidos em qualquer dos seminários (...) possuem mesmo uma ligação consigo mesmos, por intermédio desse Eu Superior. Mas como será o estabelecimento dessa harmonia, o estabelecimento desse relacionamento? Por uma meditação, e por uma comunhão – comunicação, comunicar, e aquela união, ou co união, ou comunhão, a combinação com o vosso Eu Superior a fim de vos tornardes num com ele, e sentar-vos junto dele duas vezes por semana, durante trinta minutos. É realmente difícil de dar início à vossa espiritualidade. Sentar-vos junto dele e deixar que ele vos fale; não para vos dizer quão perto estaríeis disso amanhã – apenas! – se lhe disserdes isso ele irá supô-lo, mas para deixar que tenhais um vislumbre de vós próprios e de quem podeis ser, e de quem sois, e daquele que verdadeiramente tendes sido. Para vos vislumbrardes, não somente as coisas bonitas, mas as coisas reais.

Agora; se derdes início ao vosso caminho espiritual, à vossa aventura espiritual com uma qualquer dessas combinações, tereis começado. Se o fizerdes com sinceridade e empenho, obviamente que podereis pô-la à experiência, obviamente que podereis puxar das vossas anotações, memorizar a vossa lista e etiquetá-la, e associardes e tratardes de anotações e de etiquetas, mas em seguida isso não irá resultar. Precisais assimilar esses componentes particulares à medida que desenvolverdes quer o amor ou desenvolverdes o relacionamento com o vosso Eu Superior ou qualquer dos outros dois componentes intermédios, a título de palavra-chave, de palavra-chave secreta que vos permita acesso a esse limiar e círculo. 

Assim que tiverdes dado esse passo inicial, por quanto tempo precisareis dá-lo antes de passardes ao passo número dois? Não há qualquer tempo. Não fiquem à espera de permissão, da parte seja de quem for, e aqueles que vos disserem que não estais preparados, e que precisam conduzir-vos pela mão e que precisam de vos guiar, limitam-vos e lançam-vos obstáculos para o caminho. Dai o vosso passo inicial, e quando vos encontrardes nele de uma forma consolidada, e souberdes disso: (Agora eu amo, não amo?) Não. (Agora amo, tenho o sentido do meu Ser Total; tenho um relacionamento vibrante e activo com o meu Eu Superior. Eu funciono na excelência, pelo melhor que consigo, em todas as áreas da minha vida.” Então, quando tiverdes consciência disso, então dais um passo à frente. 

E o segundo passo consta de focardes toda a vossa atenção – não por intermédio da vossa vista, mas por meio do vosso ser todo – toda a vossa atenção naquele em que podeis tornar-vos. Não no que a vossa realidade venha a ser - se vireis a ser ricos e a viver numa casa grande, e se vireis a ter montes de roupas, se alguma vez vireis a descobrir esse relacionamento – mas naquele em que podeis tornar-vos. O que vos espera no vosso futuro. Mas como sabereis como isso é? Bom; antes de mais, olhais para aquele que sois, para a pessoa assutada que sois que foge de toda a responsabilidade. Que ireis ser no futuro? Uma pessoa assustada, que foge de toda a responsabilidade! Aquilo que fordes será aquilo em que ireis tornar-vos. Uma extensão lógica? Não. “Eu vou mudar.” Nesse caso sereis uma pessoa assustada que irá mudar! E que ireis ser no futuro? Uma pessoa assustada que vai mudar. (Riso)

Mas jamais mudais. Tendes de o fazer AGORA! “Eu vou mudar; eu quero mesmo. Eu tenho vontade de mudar; tenho vontade de largar a vitimização que me acomete; não quero magoar as pessoas.” Tornar-vos-eis numa pessoa que realmente não quer fazer isso. Um pouco mais velha, ou um tanto mais velha, mas sereis a pessoa que não o quer fazer. Então, parai – AGORA! Mas ao olhardes honestamente para aquilo em que vos estais a tornar, com base naquilo que sois, essa pode ser a forma a focar-vos naquele em que ides tornar-vos, mudando o que sois agora. “Mas isso leva tempo!” Costumava levar tempo; vocês dispunham de tempo – agora já não.
O terceiro passo, consiste igualmente em focar-vos naquilo para que a vossa realidade se encaminha – a vossa realidade pessoal, privada, vossa. Naquilo para que a vossa realidade se encaminha. Onde reside o vosso futuro, em termos do que vireis a fazer; não apenas aquele que vireis a ser, mas o que a vossa realidade virá a ser. Focai-vos nisso, assim como na mudança daquilo para que até agora se encaminha, naquilo para que quereis que se torne, porque, entendam, é importante ser tudo quanto sois e ter a realidade de tudo quanto é, tudo quanto venha a ser, tudo quanto possa ser. E se vos focardes nisso - o que significa prestar atenção a isso, olhar para isso, dar a vós próprios algumas respostas acerca disso – aqueles de vós que estão “à espera que o milagre” venha e vos alcance, e subitamente vos atinja, se ficardes à espera dele ele jamais virá, por serdes uma pessoa que está à espera, e não uma pessoa que possui, o milagre. Tenham-no agora; não esperem por ele!

Não estamos a dizer que não possais ter um milagre, nem estamos a dizer que possais ser atingidos por um e sair alterados, estamos a dizer que podeis – só que fazei isso agora! Não esperem pelo “depois”, por que o “depois” jamais chegar aqui, caso não tenhais notado. (Riso) Portanto focais-vos no que sois e naquilo para que vos dirigis, na realidade que tendes, e na realidade que ireis ter – e sois honestos, e isso trazer-vos-á o terceiro passo para a espiritualidade.

O quarto passo; senti gratidão. Esse é o pontapé de saída! Podeis implementar o primeiro, o segundo e o terceiro passo, mas ao chegardes ao quarto ficais presos. Senti gratidão. Que coisa será a gratidão? Agradecimento, apreço, não é? Uma atitude de agradecimento – gratidão. Em relação ao quê? Em relação a quem? A vós próprios? Sim! Em relação à realidade que até agora criastes? Sim! Em relação ao prodígio que é a vossa realidade? Pois, por quanto tempo mais ireis tentar cegar-vos com a vossa própria vitimização e tentar cegar-vos com o vosso martírio, e tentar socar-vos com o vosso próprio ego? (Riso) Vós possuís uma realidade incrivelmente bela. Talvez só inclua duas ou três peças de qualquer coisa bela, mas tem, e se começardes a sentir gratidão, e a sentir-vos gratos por essas peças, obtereis mais.

 (NT: Vem à lembrança a passagem dos evangelhos que reza o seguinte: “Porque àquele que tem lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.” Mateus 25, 14-30)
 
Se estiverdes dispostos a ter milagres, obtereis milagres, se vos dispuserdes a ter coisas por que vos sentir gratos, tereis coisas por que vos sentireis gratos, mas se não tiverdes vontade de vos sentir agradecidos, não sentireis! As vítimas não sentem gratidão; nem tampouco os mártires. O vosso ego, jamais se sente grato! Eles cegam-vos e são como uma venda que colocais nos olhos. “Não consigo perceber nada por que sentir-me grato.” Então tira a porcaria da venda dos olhos! “Que será que irei ver?” Sente gratidão por veres (riso). É mais ou menos como, sabem, uma pessoa que é cega de nascença, etc., e que agora vai receber a visão de volta, e: “Espera lá, que é que eu vou ver? Diz-me lá o que é que eu vou ver; a que se assemelha o vermelho? Diz-me primeiro. A que se assemelhará o azul? Com que se parecerá o céu; eu quero saber primeiro, para não ficar desapontado. Ah, bom. Só tenho dificuldade em imaginar o que seja. Só não consigo ver por isso creio que não vale a pena incomodar-me. Vou mesmo é continuar cego, por ainda não o conseguir ver.” Deveras! É o que sois com a vossa vitimização. “Não sei de mais nenhum outro modo de ser.” Víctima! “Eu tento, acredita em mim. Eu tento, mas tu não compreendes o quão difícil é, para mim. Eu já vejo com suficiente clareza. Já tratei da minha cegueira há meses. Vou tropeçar no quê? Eu não vi coisa alguma.” (Riso)

Para sentirdes gratidão, para vos sentirdes gratos - e os vossos inimigos nisso são a vossa tenacidade, agarrar-vos à vitimização que sentis, e ao martírio de que padeceis, e ao vosso ego e aos joguinhos que gosta de pregar: “Mas eu tenho que manipular as pessoas, não entendes? Ou serei abatido. Tenho que continuar a fugir, ou eles apanhar-me-ão. Os joguinhos do ego! Sentir gratidão em relação a vos próprios, pelo que tiverdes criado, por aqueles elementos de beleza que a vossa vida contenha: “Mas se eu sentir gratidão por isso, tudo o resto irá...” É exactamente por isso que melhor será que vós agarreis todos os pedacinhos de beleza que sequer penseis poder ter! Sentir gratidão em relação a vós próprios e sentir gratidão em relação a Deus, à Deusa, ao Todo, por essas pequenas coisas de beleza existentes na vossa vida serem fragmentos de Deus.

E aquelas coisas repletas de fealdade na vossa vida, são peças do vosso ego, a que vos apegais e em que vos afundais. É escolha vossa. “Bom, estás a dizer-me que se me sentir grato por isto os problemas de dinheiro que tenho sejam resolvidos?” Estou. (Riso nervoso, que acaba por desembocar em riso solto) Estais à espera de algum remate de letra miúda, não estais? (Riso) Se sentirdes gratidão honestamente, e não fingida, nem algaraviada, mas gratidão honesta e sincera, sim, resolver-vos-á os problemas. Sem letras miúdas. A gratidão, ou quarto passo, compara-se ao amor-próprio. Gratidão e amor-próprio tornam-se no mesmo. Constitui o quarto passo dos sete passos do vosso sistema de chakras; o amor, a vossa barreira. É a quarta dimensão do tempo/espaço, amor-próprio, gratidão, em que vos vedes presos às voltas e às voltas e às voltas sem jamais avançardes. É o quarto nível do conhecimento, o amor-próprio, e constitui um quarto passo na espiritualidade; gratidão, amor-próprio e o amor de Deus. De um Deus que conheceis, e não um Deus de que vos falam de um púlpito ou de uma esquina. Um Deus do vosso conhecimento por quem sentis gratidão e amor, e sentir gratidão por tantas formas quantas fordes capazes. De uma forma sincera. 

Não podeis: “Oh sinto-me tão grato por me teres pregado um chuto... por me teres feito aquela coisa terrível que teve um impacto tão negativo. Oh, sinto-me tão grato, por ter aprendido tanto...” (Riso) Cortai a algaraviada, que não passa de porcaria e vós sabeis disso, por estardes a actuar como se alguém estivesse a ouvir, (riso) e vos exija que vos volteis e digais: “Eu compreendo. Eu sinto gratidão em todos os lados. Mas ainda assim não está a funcionar.” A gratidão, entendem, constitui o quarto passo. Nós estamos agora de volta ao passo três: que irá ser a vossa realidade daqui a um mês? Autocomiseração! Assim, podeis sentir toda a gratidão que quiserdes, mas se não tiverdes mudado esse futuro, não vai adiantar de nada. Podeis ouvir-vos a falar agora, por essa altura, ao proferirdes isso: “Eu sinto gratidão, eu vou fazer isso, mas não vai resultar.” Já decidistes. De modo que, uma de duas coisas vai acontecer: ou vós ides sentir uma gratidão sincera e dar um safanão na vossa realidade e desafiar-vos a vós próprios, ou ides debilitar a gratidão a fim de provardes algo. Para provardes que não resulta. Óptimo! Sois bem-vindos aos vossos teoremas. E quando a vossa vida terminar ides ter um saco cheio de provas de que a realidade não resulta. Podeis ficar com elas; ninguém vo-las tirará. (Riso) Mas será tudo quanto tendes.

Gratidão, sentir-se grato, sentir-se amorosamente grato pelos pedacinhos de Deus que possuís na vossa realidade, quer se trate de um monte belo, um pôr-do-sol fantástico, uma cama confortável para dormirdes, alguém com que falar; partes de Deus.

O quinto passo: Sejam responsáveis – mantenham os ouvidos abertos, está bem? (Riso) “Agora é a responsabilidade? A única coisa que posso fazer é ser responsável? Faz favor...” Sejam responsáveis pelo mundo que criastes. Não somente o vosso mundo privado, mas pelo Mundo, pela Terra. Sejam responsáveis. Ora bem; quererá isso dizer que sejais responsáveis pelo que sucede do outro lado do mundo exactamente neste instante? Que tenhais que vos responsabilizar pelos cadáveres que se encontram aqui ou acolá, e pelas crianças que passam fome aqui ou pelas atrocidades cometidas acolá, ou pelas violações que se dão nas ruas, pelos roubos cometidos por aqui e por ali? Sim! Não de uma forma directa, reconhecidamente, não estais a faze-lo directamente, mas estais a permitir que isso ocorra na vossa realidade; estais a admitir um mundo em que isso tem lugar.

Resulta uma forte visão do facto de que de facto, com a taxa de natalidade tão alta que, precisam de uma elevada taxa de mortalidade, em função do que, em última análise para o equilíbrio homeostático do plano (NT: Aqui não no sentido biológico do equilíbrio dos corpos, mas do equilíbrio dinâmico populacional, de que fazem parte os programas de controlo de natalidade e de planeamento familiar) se torna importante que as pessoas morram mais rapidamente, do que tenderá a acontecer por meios naturais. Tudo bem. Óptimo! 

Sejam unicamente responsáveis por isso, é tudo! Não estamos a dizer que deveis mudar o mundo, e que de algum modo devais eliminar todo o sofrimento e infelicidade, toda a dor, toda a morte. A morte é uma coisa maravilhosa e bela, quando aplicada de forma adequada é fantástica (riso) por isso não se oponham a ela, não procurem livrar-se dela, por isso ser um erro crasso que cometeis. Mas sejam responsáveis por ela. Não quer dizer que se tiverdes morto alguém: “Oh não, li sobre isso nos jornais e eu fui responsável...” Isso é uma tolice. Não representeis joguinhos tolos nem de martírio em torno disso, mas podeis olhar a coisa em termos: “Porque será que criei isso? Por que razão estou a criar um mundo que cria o que está a criar?” E sobretudo: “Que é que vou fazer em relação a isso?” Ah, finalmente podereis estabelecer uma diferença. 

Não, não estamos a falar nesse sentido, em razão de que façais as malas e vos avieis para o Afeganistão, etc., a menos que seja realmente o que quereis fazer. Sugeriríamos que possuís uma mente e possuís um poder e que podeis mentalmente criar a realidade; já o estais a fazer. É unicamente uma questão de o alterardes. Sejam responsáveis pela situação do mundo, pela realidade do mundo, e para onde se encaminha, de modo a que o mundo possa ser tudo quanto puder ser. Por que isso, entendem, também é um reflexo da vossa realidade. Vós sois um holograma de um holograma, de um holograma num holograma, seja como for que queirais olhar a coisa. E consequentemente, a forma com vos situais na vossa realidade pessoal e no vosso espaço pessoal, tudo quanto vos sucede directamente é um reflexo de vós; cada palavra que vos é pronunciada constitui um diálogo que tereis escrito. Assim, tudo quanto ocorre fora do vosso palco é dirigido no palco, por vós, e constitui um reflexo da vossa espiritualidade, tal como está e não como virá a ser. A menos que a altereis.

Assim, ao olhardes para isso e perceberdes: “Tudo bem, olha, está a acontecer isto no medio Oriente, eu não gosto do que se passa no Médio Oriente; eu não sei o que deveria ser feito lá, mas sei que não devia acontecer, e como tal vou projectar energia, vou criar uma realidade em que isso não suceda. Para que isso mude. No que será que vai mudar? Eu não sei, mas vou dirigir uma energia que o altere em algo melhor. É suficiente. Apenas “melhor”! “E deixo isso a cargo do meu Eu Superior, para que saiba.” Ser espiritual.

Sexto passo, assumi responsabilidade, ou sejam responsáveis pelo curso que a humanidade toma. Para onde se encaminhará a humanidade? E criar a partir da espiritualidade, focar-vos em tudo quanto a humanidade pode ser. Não necessariamente no que esteja a acontecer com este ou aquele indivíduo, mas com o que está a acontecer à humanidade, e aceitar a responsabilidade por isso. E a responsabilidade por alterar isso pelo melhor. 

Agora, já fizestes isso, conforme dissemos a muitos de vós ao conversarmos em privado com muitos de vós, e em que também mencionamos os inúmeros diferentes gooks (estigmas) que no vosso mundo ocidental, mais particularmente nos Estados Unidos, mas no mundo ocidental, ao evoluir – que é o que estais a fazer, enquanto consciência, que está a seguir os padrões da Atlântida, desde a primeira à segunda e à terceira civilização, o que compreende três territórios distintos, mas sobre o que não sabeis muito. Inicialmente tivestes uma civilização Atlante que ocupava uma grande massa de terra primitiva, mas tecnologicamente avançada, que se destruiu a ela própria. Inicialmente tínheis treze colónias que ocupavam o vosso país e o vasto desconhecido por fronteira, que ainda estava por se desenvolver na vossa nação; uma massa de terra sólida de sofisticação e de barbárie, que se destruiu e se fez substituir por uma divisão que foi a segunda civilização a norte e ao sul da ilha, a norte e a sul de uma guerra civil. E que por sua vez se fez substituir por uma terceira civilização Atlante composta por uma série de ilhas, que foram substituídos por uma série de estados, com limites estabelecidos e claramente definidos. E a consciência de estado, a fidelização ao estado, em que seríeis melhores se pertencêsseis a este ou àquele estado, em vez de... (Riso)

Mas gostaríamos aqui de sugerir, nesse sentido, que a separação que se deu num certo número de pequenas ilhas que funcionavam conjuntamente e em separado. Bom, de novo, a lógica deve dizer que vos deveríeis destruir de novo e ser conduzidos ao esquecimento, é verdade. E é por isso que muitos de vós voltaram na geração que se estendeu de 45 a 52. Que representará a Geração do Baby Boom (NT: Da explosão demográfica) que os vossos cientistas consideraram como pertencente à geração de 42 ou de 40 daqueles que foram para a guerra, ou por aí, que se estendeu até 56 ou isso. A geração da Onda (NT: Ou do Baby Boom, em que pela primeira vez a juventude formava o sector mais vasto da população). Estiveram envolvidos nessa destruição e disseram: “Não, eu quero mudar o rumo que a humanidade leva; eu quero alterar o curso da realidade; eu quero exercer impacto na mudança dessa direcção,” e fizeste-o. Assim, isso foi feito. “Então não preciso fazer nada?” Descubram lá, mas (riso) gostaríamos aqui de sugerir nesse sentido que foi conseguido, por o futuro já existir; o futuro de tudo quanto podeis ser consta da não destruição de vós próprios dessa forma particular. 

Agora enquanto indivíduos pode. No entanto, se vós fizerdes isso pela realidade e pela humanidade e quiserdes pessoalmente morrer num holocausto nuclear, tudo bem, podeis ter o vosso próprio holocausto nuclear privado. Ou se quiserdes ser abalados até à morte por um tremor de terra ou ser engolidos pela terra etc., óptimo, podeis criar isso. Ou se quiserdes morrer queimados ou numa enchente, podeis criar isso individualmente; sois livres, dispondes de livre arbítrio. Mas, procedestes ao vosso trabalho por o vosso futuro já existir em grande medida. O que não quer dizer que devais deslizar para o “deixa correr”, precisais manter, precisais manter, mas com certeza é esse nível de espiritualidade. Acatareis responsabilidade pela direcção da humanidade, no sentido da humanidade poder ser tudo quanto pode ser, conforme vós podeis ser tudo quanto sois? O que por conseguinte compõe o passo seis. 

Agora, se olharmos a coisa percebemos um processo, sem dúvida. O primeiro, consta nesse sentido dos quatro componentes de que podeis pegar qualquer um deles ou combinação de forma opcional. O segundo passo consta da responsabilidade por vos focardes naquele em que vos estais a tornar a fim de serdes tudo quanto sois. O passo seis, refere que a humanidade possa ser tudo quanto é. O passo três, assumir responsabilidade pela vossa realidade, ser tudo quanto ela pode ser. O passo cinco, assumir responsabilidade pelo mundo e por tudo quanto pode ser. Dois e três correspondem ao cinco e ao seis; referências cruzadas entre o pessoal e o geral.
O passo derradeiro. O sétimo passo. Entregai-vos ao amor, à luz, a Deus. Entregai a vossa vontade à vontade de Deus. “Eu sabia, eu sabia que isso ia estar por aí, algures.” (Riso) Só que é o último passo, e não o primeiro! Há demasiada gente disposta a entregar-se a quem prega a renúncia! (Riso) Por estarem a evitar a responsabilidade e fugirem dela. Não podeis fazer tal coisa e conseguir isso. Precisa ser o último passo, e não envolve a renúncia em que desistis, mas uma renúncia em que vos tornais agentes de Deus e em que vos tornais na linha da frente de Deus. 

Mas entendam, é aqui que as pessoas não familiarizadas com a metafísica e presas nas religiões se entregam a Deus, não é? A primeira coisa a fazer, a primeira coisa que vos é pedido que façam é render-se a Deus; desistir da vontade própria, abandonar a sua imaginação, abandonar a sua responsabilidade, desistir da sua realidade, em que qualquer coisa boa que tenha será fruto de Deus e em que qualquer coisa de mau que tenha será obra do diabo, em que não têm nada que ver com isso, não controlam, não influenciam, nem dirigem. E renunciam, mas não estão a renunciar a coisa alguma. Por não serem coisa nenhuma.

Como podereis renunciar, quando ainda nem possuís nada a que renunciar? Como podereis renunciar quando ainda nem sequer sabeis quem sois, ou o que podeis ser, ou para onde vos encaminhais? Como podereis renunciar? Não podeis! Duas nações entram em confrontos e alguém se adianta empunhando a bandeira da rendição. Isso não significa nada! (Riso) Precisais ter a que renunciar, para poderdes renunciardes a isso. Precisais ter um Eu – e um Eu Superior! – a que renunciar. É fácil quando não possuís nada: “Pegai em todo o meu dinheiro que eu não tenho nenhum!” (Riso) “Ficai com a minha casa. Onde é que fica? Não tenho nenhuma! Nem carro, nem coisa nenhuma. Na verdade, emprestai-me uns quantos dólares, enquanto renuncio às minhas posses mundanas a vosso favor.” (Riso) Isso é lixo. Mas mesmo que tenhais essas coisas todas, isso não passa de lixo, por não vos envolver a vós. E desse modo torna-se numa evasiva.

Mas depois vêm os cultos – não oculto – mas os cultos pelo meio. Os Moonies (NT: Seguidores do reverendo Sun Myung Moon, da Coreia do Sul, fundador da Igreja da Unificação) que pregam à renúncia de todas as vossas posses mundanas, ou melhor, que apelam à renúncia de todas as posses que os vossos pais vos tenham dado... Isso não é renúncia. Isso é evadir-se. O passo não refere escapar a Deus, não é isso, e isso não resultará, caso o façam seja por onde for antes do passo derradeiro. Depois passais para a metafísica com toda a sua sofisticação e todos os seus gurus e mestres e professores e seres reencarnados; e eles apelam à vossa renúncia à sua vontade. Não! Não! Não! Não o façam! Estais a evadir-vos e estais a retroceder em função das suas invectivas baseadas no vosso crescimento incrível. Existe uma consequência para tal coisa, não só para aqueles que erroneamente vos pedem que vos entregais, mas para aqueles de vós que o fazem. Não sois inocentes numa acção dessas! De modo que, quando o Guru fulano de tal vos pede para renunciardes em prole da sua vontade – é sempre em função da sua vontade, sabem – e o fazeis, vós assumis responsabilidade por isso. Não saís impunes disso, não. Não, não renunciais nesse sentido em absoluto. Jamais! Seja para quem for. Há alguém que canaliza Deus, e que refere tal coisa, o que é uma mentira, mas em todo o caso, prega isso, e a primeira coisa que vos pede é que renuncieis a Deus. Não façam tal coisa! Não façam isso, porquanto vos está a mentir, antes de mais, e em segundo lugar não é assim que a coisa funciona em absoluto.

Quando atingis esse nível, em que vos encontrais na situação de saberdes que sois Deus, que sois a luz, que sois o amor, então rendei-vos à vontade de Deus, a fim de operardes o trabalho de Deus – que também constituirá o vosso trabalho. Por uma questão de opção, de olhos abertos e de uma forma totalmente responsável. Não o trabalho de alguém mais, mas o vosso trabalho e o trabalho de Deus como um só. Por isso, não envolve a entrega de vós próprios, mas uma entrega a algo. É um conceito muito difícil e nós, e gostaríamos de sugerir que até hesitamos mencioná-lo, mas como constitui uma parte essencial da espiritualidade, por isso devemos faze-lo.

Não é entregar-vos, no sentido de vos abandonardes, mas entregar-vos, no sentido da vontade, ou de vos tornardes na vontade, que é conjuntiva com a vossa própria vontade. E ser uma gente da vontade de Deus. Fazer o trabalho de Deus como o vosso trabalho. “Bom, eu não sei bem, mas Deus pretende que eu faça isto…” Não, isso não faz parte disso. Não se trata disso por conhecerdes a vontade de Deus por estardes ligados a ela. E por conseguinte: “Deus pretende que eu faça isto e aquilo, por causa disto e disto e daquilo. Isto é o que o trabalho de Deus traduz, através de mim.” Agora, isso dá lugar a um imenso espaço para o ego, e é por isso que representa o último passo. Por terdes arrastastes-vos pelo primeiro, segundo, terceiro, etc., até ao sexto, mas por altura em que atingis o sétimo, não ireis ter o ego a interferir. E aí compreendereis o significado da entrega. Agora podeis captar uma ideia da coisa, mas aí compreendê-lo-eis e conhecê-lo-eis, e não estará imbuído do vosso ego. Mas é muito importante que resulte em último lugar, e é aí que tantos de vós já cometestes tantos equívocos, e sabem, que sim. Sabem que têm esses swamis a dizer-vos para renunciarem a vossa vontade a eles, por cuidarem de vós como o guru fulano de tal. Ou como o mestre tal, etc. Eles podem ter nomes muito comuns. E sabem que estragaram tudo e que cometeram uma asneira.

E depois há aqueles de vós que já pensam: “Eu renunciei à minha própria vontade e entreguei-a a Deus, em resultado do que, o que quer que faça, será a vontade de Deus, e consequentemente não sou responsável.” Se Deus conduz o vosso carro, é por quererem que o faça; se Deus vos roubar, ou vos tratar mal ou vos manipular: “Ei, isso é a actuação de Deus e não a minha.” Nem todos se terão deixado apanhar nisso. Mas os que se deixaram apanhar nisso percebem que têm estado errados. Não parecia acertado – embora fosse conveniente – mas não parecia acertado. Por isso, não corram a renunciar à vossa vontade, está bem? Reconhecei o que isso representa, e compreendei-o no último passo, quando atingirdes essa linha, onde passareis então a entrar em Deus, o que equivale a entregar-vos a Deus, e em que Deus e vós vos tornais num só.
Bom, por favor não esperem atingir isso na semana que vem! (Riso) Nem no mês que vem, quando conversarmos com alguns de vós e perguntares se já lá tereis chegado. Não, ainda não! (Num sussurro e a rir)

Muito bem, então a esse respeito e na medida em que tratardes disso, esses são os sete passos. Mas quando é que os dais? Quando é que começais? AGORA! (Riso) “Ah, mas preciso limpar estas coisas em primeiro lugar…” Não. AGORA! É aí que a coisa entra, entendem, vós ides ou levar isto para casa agradavelmente especificado, lidar com isso e pô-lo de parte por dez ou vinte anos, e ides de encontro à parede algumas vezes, e puxar por isso e talvez usá-lo ou não. Ou então procedeis a uma pequena lista e todas as noites: “Vamos lá ver. Já terei conseguido ser amoroso? Já terei ideia de onde vou? Sim, estou a focar-me nisso. Senti gratidão? Sim. Não senti? Ah, senti-me grato por isto e por mais aquilo. Terei assumido responsabilidade pelo mundo em geral? Ah, estou muito aborrecido com tudo o que se passa. A humanidade está bem direccionada mas eu renuncio.” (Riso) Mas de qualquer modo isso não funciona.

Ou então ireis fazer parte do terceiro grupo, e quando tiverem conhecimento dessas sete coisas a fazer, elas não serão nova para vós, mas algo de que tinham conhecimento eras atrás, algo que é muito antigo em vós que é convocado, e utilizareis esses sete passos não a título de conclusão como a palavra-passe, como a dança que fazeis para entrar nisso. Porque nenhum desses passos representam a espiritualidade, e todos são necessários para chegarem a isso, e quando o atingirem representarão todas as qualidades que lhe são inerentes. Esse passo é muito confuso mas muito importante. Nenhum desses sete passos os tornarão espirituais. Todos os sete são importantes são importante de empreender para se tornarem espirituais, mas assim que se tornarem espirituais, esses sete passos não passarão dos atributos do alcance disso, de uma pessoa espiritual, e não até então.

A analogia em estado bruto que mais se tem empregado para isso é a de Deus enquanto o topo da escada, assim como a escada. E o que sugerimos é que os passos para chegarem a qualquer parte são igualmente as qualidades inerentes ao seu alcance. Mas numa situação destas assim como em todas as outras, cada um dos passos por si só, não os conduzirão lá; precisarão segui-las, e a partir disso algo acontecerá, algo sobre que não se poderá colocar palavra alguma, e assim tê-lo-ão alcançado. Como serão quando o tiverem atingido? Como agirão? Que farão? Serão o tipo de pessoa que é carinhosa, que opera na excelência, que se encontra em contacto com o Eu Superior, e também muito consciente dos seus componentes, e que constantemente é mais do que aquilo que é, e que constantemente cria uma realidade que comporta mais do que aquilo que é, que sempre sente gratidão de uma forma automática, sem nem sequer precisar mais pensar nisso, por isso simplesmente ocorrer; que assume responsabilidade pelo futuro do mundo, pelo futuro da humanidade, e que se terá completamente entregado a Deus. Mas precisam alcançá-lo; e dar os passos para lá chegar. É assim eu o conseguem.

Que é que isso lhes vai transmitir? Que é que isso irá fazer por vós? Pois bem, a vossa espiritualidade torna-se numa chave, não é? Torna-se numa chave muito importante para a vossa realidade, à medida que avançam para ela, e à medida que avançam nela. E a forma como isso funciona de acordo com essas linhas basicamente é: ao criarem sucesso, mantenham as seguintes prioridades:

“Quais irão ser as minhas prioridades? Elas aqui estão. Primeira, ser espiritual; tornem essa a prioridade número um, acima de tudo o mais que quero ser nesta vida. A segunda, será ser produtivo e criativo. Produtivo – o trabalho que faço ensina-me acerca de mim próprio. Criativo – uso a minha imaginação na persecução de um objectivo que é inalcançável, mas em que me torno pela própria persecução dele. Não pintar, necessariamente, nem escrever, necessariamente, mas ser criativo, como a minha segunda prioridade. Manusear tudo na minha vida tão produtiva e criativamente quanto for capaz.” Terceira prioridade. 

Bom, o amor estará incluído na primeira, que de facto consta de serem espirituais. Mas a terceira prioridade, com respeito à questão, consta de serem felizes. E de concederem a si mesmos os factores de abundância da felicidade. E a quarta prioridade consta de serem tudo quanto puderem ser. Serem tudo quanto são. Sempre a alongar-se, sempre a alcançar para se tornarem mais do que têm sido. Essa é a vossa prioridade. “Que lugar terá o dinheiro nisso?” Faz parte da felicidade. Faz parte dos factores de abundância da felicidade. “Onde estarão a mansão e o jardim e a piscina e o sol e o jacúzi?” Isso enquadra-se igualmente na categoria desses factores de abundância e de felicidade.

Ao definirem isso no quadro das vossas prioridades: “Que será que quero realizar nesta vida? Que é que quererei realizar hoje? Hoje, como nesta vida, é a mesma coisa – não tem importância. Que quererei realizar nesta hora, do mesmo modo que nesta vida. E em relação a este momento? Quero ter isso como prioridade.” Se definirem isso como vossa prioridade, e depois combinarem isso com os componentes do sucesso, conforme dissemos da última vez, com a “tapeçaria do sucesso”, essa tapeçaria do sucesso funcionará mais rapidamente. Quando tiverem isso enquanto mistura tácita como prioridade. Não dizemos que precisarão escrevê-la no quadro, nem no espelho pela manhã, ao aquecer com o vapor do banho, mas em vez disso para o manterem aí, nesse particular sentido e para trabalharem enquanto fibra e espinha dorsal para tudo o mais que estejam a fazer. “A minha primeira prioridade é de me tornar espiritual; de ter um relacionamento amoroso e abrangente com Deus, em tudo quanto faço.” Ah, deviam declarar essa terceira de uma maneira diferente, mas seja como for, a terceira, os factores de abundância da felicidade, e também servir de inspiração. Não necessariamente saber junto de quem, mas constituir uma inspiração. Isso são os factores de abundância da felicidade; dispor deles para inspirar os outros. E o que sugerimos é que se tiverem definido esses objectivos e uma sobreposição de uma tapeçaria específica de êxito, isso produzi-lo-á muito mais rapidamente.

Do mesmo modo, se procurarem mudar, e crescer, um importante factor será: Assim que começarem a desenvolver a espiritualidade – desenvolver; nem sequer precisam tê-la toda pronta – descobrirão que a técnica na verdade representa um preparo para a mudança, e não a própria mudança. A técnica consiste num preparo ara a mudança, e não a mudança em si mesma. A mudança consta de um instante (estala os dedos). A técnica consta unicamente de se prepararem para esse instante. É por isso que dizemos que os passos para se tornarem espirituais não os tornarão espirituais; eles colocam-nos no lugar, (estala os dedos de novo) e aí tornam-se espirituais. E aí disporão dos atributos que lhe são inerentes. Mas eles não o farão; eles não passam da padronização, da dança, do ritual por que passam, para os deixar na situação da ressonância da mudança. E ao incluírem a espiritualidade nessa ressonância, as vossas mudanças ocorrerão muito mais rapidamente; não precisarão voltar atrás e refazer o que tiverem feito em criança. “Deixa-me entrar em sintonia com a raiva que senti pela minha mamã por não me ter deixado ir para a primeira classe a tempo,” ou qualquer outra coisa. Seja qual for a porcaria, passam por ela, libertam-na e não precisarão continuar a faze-lo uma e outra vez. 

Poderão abrir mão da causa, gente; sem qualquer razão, mas poderão abrir mão da causa, quando a substituem pela espiritualidade. Aí poderão utilizar a técnica como uma dança; aí poderão usar a técnica e os passos e os processos enquanto dança, e a meditação como uma forma de preparo, de modo que quando operarem a mudança (estala os dedos) estejam prontos para ela. Sejam capazes de lidar com ela. É por isso que tratam de ser aquele que podem ser - tudo quanto podem ser. De modo que, quando estiverem preparados para ser tudo quanto poderão ser (estala os dedos) estejam aí e tratem disso. Mudar de imagem. Isso é tudo que tem que ver. Têm uma imagem de estar constantemente na falência, e de nunca terem dinheiro, e de súbito recebem um centavo, qual vadio, por um cubo de açúcar. Precisam mudar a imagem que têm e começar a ver-se como ricos e com abundância, para lidarem com o dinheiro que supostamente deverão conseguir, e que irão criar para vós próprios. Porque se não o concederem a vós próprios, conforme poderão constatar, as pessoas perdem-no. Ele destrói-as, sim fá-lo, mas o que aqui sugerimos claramente é que é por isso que utilizam a técnica, para os preparar para a mudança; e quando começarem a ver isso e começarem a usar essa espiritualidade enquanto essa ressonância de mudança, então conseguirão mudar via ressonância, em vez de precisarem faze-lo através da luta e do trabalho árduo. Também mudam dessa maneira, só que pela via da ressonância é muito mais divertido. E poderão começar a reivindicar a promessa espiritual, a promessa espiritual que é domínio e não controlo. Domínio – o que representa o mesmo que ser espiritual, ser um com Deus. Poderão reclamar a promessa da abundância em todas as suas formas – acesso a recursos – o que será nesse sentido comparável ao estabelecimento dos factores de abundância verdadeiramente através da criatividade e da produtividade, através dos factores de abundância da felicidade, da produtividade e da criatividade, terão acesso a todos os recursos.

A terceira parte dessa promessa consta de serem felizes, quanto a tudo quanto quiserem ser. A felicidade e a inspiração. E serem tudo quanto são, por disporem da capacidade de serem tudo quanto são, a oportunidade de serem tudo quanto são enquanto parte da promessa espiritual assim como o enfoque. Assim, se o considerarem nesse sentido das prioridades, e de se tornarem na promessa espiritual, então conseguirão reclamá-la. Então poderão exigi-lo, da vossa parte, da parte da realidade e de Deus. Não numa atitude de bater o pé de irritação, mas exigi-lo com base no amor e na gratidão. Assim (estala os dedos), e disporão disso!

Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte

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