sábado, 15 de setembro de 2012

SETH FALA SOBRE OS SENTIDOS INTERIORES



Tradução: Amadeu Duarte

Os cientistas gostam de afirmar que, se contemplardes o universo exterior, estareis a direccionar o olhar para o passado. Tal declaração é apenas verdadeira em parte. Quando vos voltais no sentido da psique interior, também sois impelidos, “para o referir em termos que compreendeis”, para trás, em direcção à origem da existência.

As capacidades criativas que possuís não vos permitem só pintar quadros, contar e escrever histórias, criar esculturas ou estruturas arquitectónicas. Elas não vos fornecem simplesmente uma base para as vossas religiões e ciências e civilizações, mas constituem o contacto que tendes com a própria fonte da existência, e proporcionam-vos, desde logo, o poder que vos permite moldar crenças.

Enquanto acreditardes que a consciência de algum modo emerge da matéria morta, jamais chegareis a entender-vos e haveis de buscar continuamente o ponto em que a vida tenha começado a assumir forma. Tereis de vos maravilhar com um tipo de surgimento mecânico de universo, e parecer-vos-á, de facto, que o vosso próprio mundo tenha sido composto por peças sobressalentes que tenham encaixado de alguma maneira, do que por sua vez tenha posteriormente feito brotar a vida.

energia – matéria – consciência

Estais cheios de curiosidade em relação à altura e ao local em que as várias espécies terão surgido, e em relação ao modo como as várias formas de rocha terão sido formadas, quando terá sido que alguns répteis terão desenvolvido asas, e alguns peixes terão emergido dos oceanos e terão aprendido a respirar o ar, e haveis de vos interrogar sobre o que entretanto terá ocorrido; quantos répteis terão tentado desenvolver asas, por exemplo, e terão falhado, sem terem chegado a conseguir voar – e quantos milhões de répteis o terão tentado, e quantas tentativas não terão sido feitas, antes da primeira ave triunfante conseguir esvoaçar acima da linha do horizonte, não?

Quantos peixes terão morrido com pulmões apenas meio criados, demasiado afastados da água para poderem mergulhar de novo nas águas. E quantos peixes não terão tombado de volta na água, ou se verem num estado intermédio em que não mais conseguiam viver na água, nem respirar o ar.

Por isso, nesses termos, quantos habitantes das águas não terão morrido antes do primeiro mamífero ter conseguido respirar com segurança e com pulmões completamente formados, o ar dos começos terrestres.

Actualmente os cientistas proclamam que a matéria é o mesmo que energia. Mas precisam dar mais um passo até tomarem consciência de que a energia e a matéria e a consciência são a mesma coisa. Vamos, por isso, perscrutar o universo, a origem das espécies e o começo da vida a partir de uma outra perspectiva. Uma perspectiva que vos proporcione um outro quadro por meio do qual possais compreender e estudar a realidade física, a parte que nela desempenhais, e de modo a terdes noção da imensa complexidade que une todo o indivíduo à fonte da própria consciência.

Nesse sentido, esperamos poder explorar um conceito mais significativo de evolução – conceito esse que precisará envolver o debate da realidade objectiva e dos efeitos que exerce sobre a “evolução” da consciência do homem.

Sonhos

O universo não teve origem naquilo que gostais de pensar como uma fonte objectiva e externa. O vosso próprio corpo físico fornece-vos vigorosas imagens corporais e representações exteriores. Os vossos sonhos não são subitamente exteriorizados em termos de imagens, em lugar das feições que tendes, por exemplo, mas permanecem ocultos. Os vossos sonhos surgem-vos no interior da vossa mente.

Espero que nenhum dos reparos que faço seja estruturado de forma que vos pareça que esteja de algum modo a negar a magnificência, a totalidade e a validade da existência física. No entanto, espero conseguir assinalar que o estado a que chamais de sonhos não passa de uma pálida indicação de toda uma realidade interior de eventos, de uma ordem interior de eventos, a partir do que o mundo físico emerge.

A CONSCIÊNCIA MOLDA O AMBIENTE

Espero conseguir mostrar de que modo a natureza dos sonhos terá auxiliado a moldar a consciência do homem, e que a consciência forma o ambiente e que o inverso não é válido. Espero mostrar-vos de que modo todas as espécies são motivadas pelo que designo por realização de sentido de valor, através do que cada uma é impelida a procurar realçar as qualidades da vida por si mesmo e em prole das demais espécies em simultâneo.

Isso acaba por unir todas as espécies numa aventura de cooperação que terá permanecido largamente invisível devido às crenças projectadas no exterior (mundo) tanto pelas vossas ciências como pelas vossas religiões, para falar em termos gerais.

Todas as vossas grandes civilizações terão existido primeiro no mundo dos sonhos. Podeis inferir que o universo sonhou a sua própria existência. Em termos gerais, os estados de consciência caracterizados pela vigília e pelo sono são apenas níveis de consciência em que vos centrais de uma forma primária. Parecer-vos-á que isso tenha resultado do vosso progresso evolutivo – mas existiram civilizações à face da terra que se especializaram no uso de vários focos de consciência, do mesmo modo que vós, por exemplo, vos focastes no uso dos utensílios.

Os sonhos podem ser altamente específicos e ser utilizados como um meio de informação. Espero conseguir mostrar a importância prática que possuem, tanto como parte do “desenvolvimento evolutivo” do homem como das possibilidades que representam no que pensais ser a vida moderna. As respostas acham-se onde menos contaríeis poder encontrá-las. O universo ainda se acha em fase de criação, do mesmo modo que cada pessoa, a cada passo.

O EMPREGO DOS SENTIDOS INTERIORES

Os vossos cientistas estão correctos, ao suporem que o universo seja composto pelos mesmos elementos que podem ser encontrados no vosso plano. Contudo, os elementos que conhecem, é claro, são padrões de camuflagem que podem revelar-se de um modo completamente diferente noutro lugar.

Esses elementos – aqueles que conheceis e aqueles que vireis a criar, constituem disfarces da mesma substância ou vitalidade que não conseguis descobrir com os vossos sentidos exteriores. Os vossos cientistas hão-de descobrir que os seus instrumentos não são mais apropriados. Por que o homem possui um tal sentido de curiosidade, os cientistas ver-se-ão finalmente forçados a utilizar os sentidos interiores. De outro modo, estarão apenas a lidar com camuflagem e darão por si num beco sem saída – não por terem os olhos fechados, mas por não estarem a usar os olhos como devem.

Neste estágio de desenvolvimento, a camuflagem torna-se necessária – complicada, variada e para além do entendimento que os sentidos exteriores possibilitam, que são quem percebe a própria camuflagem, adoptada de forma peculiar à percepção em circunstâncias particulares...

Somente os sentidos interiores vos proporcionam alguma evidência da natureza básica da vida.

Já que frequentemente a vitalidade ou a substância do universo parece tão inócuo quanto o ar, então procurai por aquilo que não percebeis visualmente. Explorai os locais que vos parecem vazios, por que eles estão cheios. Olhai para os intervalos que se dão entre os eventos. Aquilo que percebeis com clareza com a ajuda dos sentidos exteriores é camuflagem. Não estou a sugerir que aceiteis isso com base numa atitude de fé cega. O que estou a dizer é que aquilo que parece vago não possui camuflagem, e por isso, se for explorado, há-de fornecer provas. Os efeitos parecerão servir de prova...

Os efeitos pareceriam representar a prova... Em termos concretos, se um ramo de árvore se mover, então assumis como dado adquirido que algo a faça mover. Conheceis o vento pelos seus efeitos. Nunca alguém terá visto o vento, mas dado que os efeitos que produz são passíveis de ser observados, seria idiotice afirmar que não existe.

Assim também, vos haveis de defrontar com a substância básica do universo e sentir os seus efeitos, apesar dos vossos sentidos físicos a não perceberem necessariamente. Certamente que, a camuflagem em si mesma não passa de um efeito. Se olhardes o mundo observável podeis aprender algo acerca do interior, mas apenas se levardes em consideração a existência da distorção da camuflagem... Há tanta coisa a revelar com relação a isto, e vós tendes tanto a aprender, que por vezes tenho que admitir que fico estarrecido.

A própria experiência que tens com a criatividade deveria servir-te de ajuda, nisto. Quando pintas um quadro, meu querido Joseph, lidas com a transformação de uma energia e a transformação de um padrão de camuflagem. Sucede um breve mas vital instante em que lidas com a vitalidade subjacente de que falei. Vês-te forçado a transformar essa energia criativa num outro padrão de camuflagem devido à tua anterior situação. Não há mais nada que possas fazer. Mas por um instante arrancas essa vitalidade dos teus sentidos interiores. Depois transforma-la num outro padrão de camuflagem um tanto diferente e mais sugestivo que é, não obstante, mais fluido do que o padrão habitual e confere uma enorme liberdade e mobilidade à própria vitalidade. Chegas quase a transmigrar de plano.

Uma certa distorção deve ser de esperar. O quadro, contudo, alcança uma certa liberdade da camuflagem, embora não lhe possa escapar, e na realidade paira por entre as realidades de um modo que nenhum objecto completamente camuflado conseguiria fazer. A música e a poesia também podem atingir esse estado...

INTERPRETAÇÃO DA CAMUFLAGEM

Os vossos cientistas são capazes de enumerar os diferentes elementos; e apesar de se encontrarem no caminho errado, eles ainda irão descobrir cada vez mais elementos. Quero dizer, eles hão-de criar e descobrir mais até se acharem preparados para perder o juízo, por que aquilo que deverá ocorrer é que eles sempre produzam uma camuflagem da coisa real. E apesar de criarem instrumentos capazes de lidar com partículas cada vez mais diminutas, eles com efeito hão-de ser capazes de perceber partículas de tamanho cada vez mais reduzido, num processo sem fim.

À medida que os seus instrumentos alcançam cada vez mais longe no universo, eles serão capazes de “ver” cada vez mais longe, mas subconscientemente, hão-de transformar aquilo que virem automaticamente num padrão aparente de camuflagem com que se achem familiarizados.

Hão-de deixar-se aprisionar – e já deixam! - pelos seus próprios instrumentos. Novas galáxias serão aparentemente descobertas, perceberão mais estrelas misteriosas por vida das ondas de radio, até que os cientistas tomem consciência de que algo se acha desesperantemente errado. Os instrumentos concebidos para medir as vibrações com que os cientistas se acham familiarizados serão desenhados e redesenhados, e por fim toda a espécie de fenómenos aparentemente impossíveis deverá ser descoberta.

O problema é que esses instrumentos serão concebidos para captar certas camuflagens, certos disfarces, e como são considerados com cuidado e engenho, hão-de executar as suas funções, contudo de certo modo os próprios instrumentos transformarão a informação de termos que não conseguis entender para termos que compreendeis. Os cientistas estão sempre a fazer isso. Contudo, as implicações disso envolvem uma diluição da informação, uma simplificação que distorce tudo na sua forma, de modo que no final o original dificilmente venha a poder ser discernido, por que com a tradução, destruís o significado. Os próprios instrumentos movem essa tradução, e transformam, por exemplo, a ideia do tempo, ou de anos-luz, em padrões sonoros, ondas de rádio etc., mas com tal processo vós perdeis demasiado.

Por que, aquilo que obtiverdes há-de ser de tal modo distorcido que ficareis em absoluto sem a menor percepção do original. Quando decifrais um fenómeno qualquer nos termos de um outro, haveis de perder de vista todo e qualquer vislumbre de entendimento que pudesse ser atingido.

Não mais se trata da questão da invenção de novos instrumentos mas de utilizardes os instrumentos invisíveis que já possuís. Esses instrumentos podem vir ao encontro do vosso conhecimento e até ser examinados pelos efeitos que provocam, e o material por si só servirá de prova, tal como um ramo a abanar de modo que vos possibilite ter ideia do vento pelos seus efeitos, ou um catavento como eu, pelo erguer das vagas dos monólogos que construo.

A MENTE E OS SEGREDOS DO UNIVERSO

Os cientistas tomam consciência de que a atmosfera da terra exerce um efeito de distorção nos instrumentos que utilizam. Aquilo que não compreendem é que os seus instrumentos estão, eles próprios, condicionados a ser distorcidos. Todo o instrumento material deverá incorporar efeitos de distorção. O importante que se revela mais importante do que qualquer outro é a mente (não o cérebro)...o ponto de cruzamento entre os sentidos interiores e os sentidos exteriores.

A mente acha-se distribuída por todo o corpo físico e incorpora a camuflagem necessária para a existência no plano físico. A mente recebe informação a partir dos sentidos interiores e forma a camuflagem necessária. O cérebro lida exclusivamente com padrões de camuflagem, enquanto a mente lida com princípios básicos, inerentes a todos os planos.

O cérebro, em si mesmo, é parte dos padrões de camuflagem e pode ser interpretado e sondado por meio de instrumentos físicos. A mente não pode. A mente é o elo de ligação. É aqui que os segredos do universo serão descobertos, e a mente constitui, ela própria, esse instrumento de descoberta.

Podeis dizer que o cérebro é a mente camuflada. A imaginação pertence à mente e não ao cérebro. Podeis utilizar instrumentos a fim de forçardes a imaginação a avançar nos termos das recordações pessoais que comporta porém, não podereis forçá-la a avançar no contexto das linhas de pensamento conceptual por que a imaginação constitui a ligação entre o indivíduo físico e a entidade não física.

As enzimas mentais, a propósito, exercem um efeito ou reacção química no vosso plano, mas o próprio efeito representa, claro está, uma distorção. Em outros planos, e efeito de distorção pode por completo não chegar a assumir contornos químicos.

Tal como vos disse, as enzimas mentais transformam a vitalidade em padrões particulares de camuflagem. Um desequilíbrio na química de um corpo físico também se vos revelará como uma distorção correspondente de informação dos sentidos.

Ou seja, quando o equilíbrio químico é perturbado, o mundo físico parecerá ter mudado. Para o indivíduo em questão, a camuflagem terá efectivamente mudado.

OS SENTIDOS E O SUBCONSCIENTE

O subconsciente constitui uma propriedade da mente e, em larga escala, é independente da camuflagem. Enquanto parte do subconsciente precisa lidar com a camuflagem, por exemplo, as porções mais profundas estão em contacto directo com a vitalidade básica do universo.

Quando vos questionais se este material brotará do vosso subconsciente, tomais como certo que o subconsciente seja pessoal e que lide exclusivamente com as questões do vosso passado. Por vezes sentis vontade de admitir que talvez algum elemento da memória racial possa aí ter lugar. Todavia, o subconsciente contém igualmente o material não distorcido da mente, o qual sofre uma camuflagem e opera entre planos sem conhecer fronteiras...

O sentido da visão, em grande parte concentrado nos vossos olhos, permanece fixo numa posição permanente do corpo, sem se afastar dele. Os olhos vêm algo que poderá situar-se à distância. Do mesmo modo os ouvidos escutam sons que se encontram à distância em relação ao corpo. De facto os ouvidos normalmente escutam mais prontamente sons provenientes do exterior do corpo do que provenientes do interior do próprio corpo. Uma vez que se acham ligados ao corpo e fazem parte dele, deverá tornar-se lógico para um observador qualquer dotado de uma mente aberta supor que os ouvidos deveriam estar bem sintonizados com os ruídos interiores, num elevado grau. Mas tal não acontece, como bem o sabeis.

Os ouvidos podem ser treinados até determinado grau para uma conscientização do som que diga respeito ao próprio corpo. E a respiração, por exemplo, pode ser ampliada quase a um grau assustador quando vos concentrais em escutar a própria respiração. Mas como regra, os ouvidos não escutam nem ouvem os sons interiores do corpo.

O sentido do olfato também parece pular em frente. Um homem é capaz de cheirar um fedor incrível, ainda que este não se situe bem diante do nariz. O sentido do tato não parece saltar para o exterior desse modo. A menos que a própria mão pressione uma superfície, então não sentireis tê-la tocado. Geralmente o tato envolve contacto de um tipo directo. Podeis, claro está, sentir o vento invisível de encontro à vossa face, mas o tato envolve uma forma diferente de imediatismo da das percepções distantes do olfato e da visão. Tenho a certeza de que conseguis perceber isso por vós próprios.

Os sentidos externos lidam principalmente com padrões de camuflagem. Os sentidos interiores lidam com realidades abaixo da camuflagem... e transmitem informação interior. Esses sentidos interiores, logo, são capazes de ver no interior do corpo, embora os olhos físicos não consigam. Como os sentidos da vista, do ouvido e do olfato parecem estender-se ao exterior, e trazer informação à forma corporal a partir de um padrão de camuflagem observável, também os sentidos interiores parecem estender-se longe no interior, e trazer uma informação interior ao corpo. Existe igualmente um processo de transformação envolvido, muito à semelhança do momento que mencionamos acerca da criação de um quadro.

O corpo físico constitui um padrão de camuflagem que opera num padrão de camuflagem mais vasto. Mas o corpo e todos os padrões de camuflagem constituem igualmente agentes de transformação das coisas internas do universo, capacitando-o a operar sob novas e variadas condições.

Os sentidos interiores transmitem, pois, informação proveniente do mundo interior da realidade para o corpo. Os sentidos externos transmitem informação do mundo exterior da camuflagem ao corpo. Todavia, os sentidos interiores têm consciência a cada instante da própria informação do corpo enquanto os sentidos externos se interessam com o corpo primordialmente no relacionamento que tem com a camuflagem ambiental.

Os sentidos interiores têm uma constante consciência imediata do corpo de uma forma que os sentidos externos não têm. O material é fornecido ao corpo a partir do mundo interior por meio dos sentidos interiores. Os dados informativos interiores são recebidos pela mente. A mente, pois, ao não se encontrar camuflada, constitui a estação receptora da informação que lhe chega por via dos sentidos interiores.

Aquilo que isso quer dizer... são sistemas nervosos de comunicação interior, muito parecidos aos sistemas exteriores com que vos achais familiarizados.

Estou a repetir-me, mas por querer deixar isto claro. Essa informação vital é transmitida à mente pelos sentidos interiores. Qualquer informação importante para o contacto do corpo com a camuflagem externa é fornecida ao cérebro.

O chamado subconsciente constitui a conjunção entre a mente e o cérebro, entre os sentidos interiores e os exteriores. Partes dele lidam com os padrões de camuflagem, com o passado pessoal da personalidade, com a memória racial. As porções mais vastas dele dizem respeito ao mundo interior, e à medida que os dados informativos lhe chegam provenientes do mundo interior, também essas porções do subconsciente ir longe no próprio mundo interior...

Continua


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