quarta-feira, 26 de setembro de 2012

LIBERDADE & RESPONSABILIDADE









Voltar-vos para vós próprios e dispor-vos a tanto torna-se cada vez mais importante. E assim, esta tarde queremos debruçar-nos sobre a questão da responsabilidade e da liberdade. Já tratamos de ambos esses tópicos em outras alturas e de variadas formas, mas esta tarde queremos focar-nos neles de uma forma bastante específica e abordá-los bem de perto porque, muito embora a maioria de vós possa referir-se a eles e usar os termos numa frase, frequentemente quando se trata de chegar à altura crucial de vos tornardes responsáveis ou de explorardes a vossa liberdade, embraiais ou recusais, ou simplesmente voltais costas a vós próprios e à vossa realidade. Assim, propomo-nos debruçar-nos na liberdade e para podermos falar de liberdade, precisamos em primeiro lugar falar da responsabilidade.

Há uma dinâmica interessante que poderia ser chamada de dialética, uma dinâmica interessante que ocorre e que responde pelo seguinte: quando combinais uma capacidade – que consiste numa expressão da energia feminina ou da Anima – com a vontade – que representa uma expressão da energia masculina ou Animus – vós criais um tipo de alquimia mágica ou mística que representa poder.

O poder que é produzido por tal interacção, por tal combinação de capacidade e de disposição ou vontade, produz uma nova capacidade e uma nova disposição, e essa interacção subsequentemente cria um novo poder, uma nova alquimia, uma combinação que gera mais poder.

Este sistema de dialética, este sistema de interligação produz uma aceleração ou ímpeto positivo, e muito em breve tende a perpetuar-se. Quando dispondes de uma capacidade e dispondes de vontade mas não as combinais e não permitis uma interacção entre ambas, criais inércia, inércia negativa ou estagnação. E a estagnação conduz à decadência.

Na vossa vida, ou estais a crescer ou estais a reduzir-vos. É impossível permanecer parado. Permanecer parado significa estagnar, decadência. Como queremos falar de liberdade precisamos antes de mais olhar a questão da responsabilidade, e de facto a capacidade de responder conforme definida por Fritz Pearls faz parte da definição, sem dúvida alguma, mas a responsabilidade é muito mais do que isso. A responsabilidade consiste na combinação da capacidade de responder e da disposição de responder que produz a alquimia da responsabilidade ou o poder da responsabilidade. O poder da responsabilidade do mesmo modo produz a capacidade de ser livre e essa capacidade de ser livre combina-se ou interage com a disposição de ser livre, para produzir a alquimia da liberdade. Passa a ocorrer uma capacidade, uma disposição e uma acção, não declarada, mas sempre presente.

Ser livre é mais do que simplesmente ser capaz de se tornar livre, e significa mais do que sentar-se e dizer: “Agora estou disposto a fazer isso a qualquer altura.” É assumir a acção, ir ao encontro, atingir, estender a mão, é actuar sobre o terreno da capacidade e da disposição. A alquimia consiste numa acção. E o poder da responsabilidade conduz à capacidade e à disposição para a liberdade, leva à alquimia ou à acção da liberdade.

O poder da liberdade produz a capacidade de crescer. E essa capacidade de crescer combina-se com a disposição para gerar crescimento e produz a alquimia da evolução. E que poder facultará a evolução? A capacidade de ser espiritual, que se combina com a disposição de se tornar espiritual, para produzir a alquimia da espiritualidade. E o poder da espiritualidade em última análise conduz à iluminação. O primeiro passo dessa cadeia assenta na responsabilidade, e o segundo representa a liberdade.

Como é da liberdade que queremos falar, devemos começar pela responsabilidade. Falamos em inúmeras ocasiões sobre a razão da importância de ser responsável, e provavelmente poderíeis enumerar centenas de motivos, e nas alturas de maior sensatez chegar mesmo a acreditar em alguns desses motivos, mas para pormos a questão em termos sucintos, a razão por que será importante ser responsável assenta no facto de, se quiserdes deter poder nesta realidade - qualquer tipo de poder - precisais ser responsáveis por essa realidade. Precisais tanto ser capazes de responder, de ter disposição para responder como de facto precisais responder à vossa realidade. Se quiserdes assumir o comando do que a vossa realidade traduz, precisais assumir responsabilidade pelo que já tiverdes criado.

As condições do tempo, conforme frequentemente referimos, são criadas por VÓS. Como chegais a fazer isso? Tornando-vos responsáveis por elas, quando não se apresentam como hoje, que está um dia ensolarado, e tornando-vos responsáveis quando se apresentam. Por quanto mais partes da vossa realidade fordes capazes e estiverdes dispostos a responsabilizar-vos, e de facto chegardes a ser a parte responsável, tanto mais domínio e mais poder, mais controlo criativo passareis a ter sobre elas; contrariamente a um poder manipulativo, mais controlo criativo exercereis sobre elas. E aqueles de vós que buscam poder, aqueles que buscam desenvolver o potencial - ou que estão da disposição disso, ou que pelo menos dizem estar – para o conseguirdes precisais ser poderosos e para serdes poderosos precisais ser responsáveis. Esse é verdadeiramente a única exigência; não há muito que preciseis fazer para poderdes ser poderosos na vossa realidade, para poderdes assumir o comando do que ocorre nela, ou para poderdes dirigi-la conscientemente. Não há muito a fazer nem a ter em mente. Responsabilidade! A única coisa que realmente precisais fazer, e que decerto podeis embelezar, mas que é a única coisa que precisais fazer; ser responsáveis.

Para crescerdes, para mudardes, precisais assumir responsabilidade pelas acções que praticais, assim como pelo impacto dessas acções – pelo impacto dessas acções! – o que facilmente tende a ser esquecido. Se quiserdes expandir a consciência que tendes, se quiserdes tornar-vos mais espirituais, ou mais metafísicos, ou mais iluminados precisais ser responsáveis – não só ser capazes de responder, não só estar dispostos a responder mas praticar e tornar-vos no cerne da responsabilidade, por estar relacionado com as vossas acções e com o impacto exercido por essas acções. E assim, para serdes verdadeiramente espirituais, precisais dispor-vos e ser capazes de pôr a responsabilidade em prática – em relação aos pensamentos, atitudes e crenças que tendes. Assim como o impacto exercido por esses pensamentos, atitudes e crenças.

Muitos de vós gostais de facto de pensar que se tiverdes uma ideia, isso seja inofensivo; até realmente se tornar num facto, até se tornar numa acção e se manifestar na vossa realidade. Mas isso será porventura adequado, se o objectivo que tiverdes for simplesmente o de crescerdes e o de mudardes. Muitos de vós nem sequer querem pensar em ser responsáveis pelas acções que praticam, e nós supomos que isso seja adequado, se tudo o que pretenderem for existir, passar à margem da vida, viver um dia para poderem viver o dia seguinte, e o dia seguinte, e em última análise poderem morrer. Mas se quiserdes fazer mais do que existir, precisais ser responsáveis pelas vossas acções e pelo impacto que exercem; se quiserdes fazer mais do que apenas crescer, e de facto tornar-vos espirituais e evoluir no sentido concreto do desenvolvimento, tornar-vos iluminados, nesse caso torna-se igualmente importante não só responsar-vos pela realidade – pelas acções que cometeis e pelo impacto que elas exerçam – mas também pelos pensamentos que tendes, as ideias que ninguém sabe que tendes, e que jamais se plasmam na vossa realidade, e consequentemente, os pensamentos que não dais por vós a pensar.

Precisais dispor-vos e ser capazes de ser responsáveis por esses pensamentos. Assim como pelo impacto que esses pensamentos exercem: “Ora bem, mas se não chegam a ocorrer, como poderão exercer impacto?” De facto exercem. Exercem impacto em vós, certamente.

Muitos de vós preocupais-vos, e as coisas com que vos preocupais jamais chegam a acontecer. E decerto, não estarão lá junto a vós, enquanto vos preocupais, mas sabeis sem dúvida nenhuma que a preocupação exerce um impacto tremendo em vós. E estais cientes de vos sentir preocupados por causa de “coisa nenhuma”. Mas pode exercer - e exerce - um impacto formidável nas pessoas ao vosso redor.

Para serdes espirituais, precisais assumir responsabilidade pelos pensamentos que tendes, pelas atitudes que assumis e pelas crenças que mantendes; e precisais assumir responsabilidade pelo impacto desses pensamentos, atitudes e crenças. É por isso que é importante.

Bom, falamos da responsabilidade e da capacidade e da disposição para responder e agora da acção de responder, o que soa bem, e se presta a uns quantos esquemas engraçados e a anotações copiosas, mas como é que o fareis na base do dia-a-dia?

Praticamente, quando fazeis asneira ou quando algo funciona maravilhosamente bem para vós, não podeis simplesmente dizer: “Bom, eu estou a usar da capacidade de responder e tenho vontade de responder, estou a dar uma resposta,” isso não vos vai adiantar coisa nenhuma. E de facto, quando alguém exige que assumais responsabilidade, por terdes magoado essa pessoa ou terdes produzido um sério impacto negativo nela, dizer-lhe que estais dispostos e que sois capazes de responder muito provavelmente vai induzir uma resposta da parte dela, de um jeito ou outro. Pode muito bem tornar-se numa fonte de dor para vós.

Desse modo, como é que o fareis numa base diária alternada? Muitas vezes dais por vós numa posição em que bradais: “Eu quero tornar-me responsável mas não sei o que fazer, não sei o que fazer a seguir; que poderei dizer, que poderei fazer? A única forma de ser responsável passa unicamente por ser diferente, mas eu quero assumir responsabilidade agora. Que coisa poderei fazer exactamente agora? Que coisa poderei dizer justamente agora? Dai-me uma semana; dai-me um tempo. Eu prometo, eu prometo que jamais voltará a acontecer.”

Mas não funciona e vós sabeis disso, e estais cientes de que tudo o que estais a tentar fazer é procurar evadir-vos ao momento, mas é que honestamente muitas vezes nem sequer sabeis como assumir responsabilidade. Bom, existem modos bastante específicos e práticos, modos bastante pragmáticos de assumir responsabilidade.

E ao começarmos a falar deles tomai consciência de que alguns de vós não têm vontade de saber que modos serão esses: “Não me fales disso, por favor.” Porque, assim que os conhecerdes – que já conheceis, todavia – mas assim que vo-los recordarmos, resultará uma certa obrigação, uma certa responsabilidade para com o acto de pôr isso em prática.

O primeiro modo de se tornar responsável, conforme já terão ouvido muitas vezes dizer, consiste em reconhecer, admitir, perdoar e mudar - caso seja alguma coisa negativa por que estejais a responsabilizar-vos, na vossa realidade; e reconhecer, admitir e apreciar e continuar - se estiverdes a assumir responsabilidade por alguma coisa positiva na vossa realidade. Falamos de uma forma extensa sobre a assunção da responsabilidade pelo impacto negativo, pela acção negativa, pela realidade negativa com que vos deparais; da importância de reconhecer – termo esse que significa conhecer o que tem lugar e não branquear a coisa, nem passar-lhe Palmolive nem aplicá-la com palavras destituídas de significado, mas reconhecer efectivamente o que se passa.

Quando estais punir e a magoar isso não é estar zangado mas punir; não é causar aborrecimento, é ofender. E reconhecer não significa anexar-lhe um velho rótulo mas ser honesto em relação ao que estais a reconhecer e reconhecê-lo pelo que ela é. E admiti-lo significa ser senhor da coisa, é perceber que a estais a praticar e não a vossa realidade, nem as circunstâncias nem o tempo nem o problema do amanhã nem o problema de ontem, mas vós, exactamente aqui e agora.

Mas sabeis, quando realmente reconheceis o que estais a fazer, e realmente admitis ser quem o está a praticar, e o fazeis conscientemente, aí tendes alguma coisa substancial por que vos perdoardes e por que vos desculpardes. E aí podeis alterar essa coisa. Mas se qualquer desses quatro passos estiver em falta, nos termos de a branqueardes e admitirdes esse branqueamento, então o perdão tornar-se-á numa mera formalidade, deixais-vos levar pelo movimento sem terdes nada verdadeiramente sólido por que vos perdoar. “Vou-me perdoar por ter sido aborrecido, esta tarde. Vou-me perdoar por te ter perturbado.” Nada há que dizer acerca disso, e soa muito flácido.

Mas, se realmente vir que “Fui ofensivo, que fui mau para ti, que terei activa e conscientemente sido mau para ti, e que eu terei cometido isso e não tu nem a tua experiência, nem a minha mãe nem o meu pai, nem a angústia que teve lugar há uma hora atrás, mas eu exactamente neste momento, escolhendo talvez usar a mãe ou o pai e a aflição de há uma hora atrás como um pretexto, usando talvez o que estás a fazer como uma desculpa – mas eu estou a fazê-lo,” nesse caso, terei algo por que me elevar, e torna-se consequentemente relativamente mais fácil mudá-lo.

Assim, o primeiro e mais poderoso modo de assumir responsabilidade é através do reconhecimento, da admissão, do perdão e da mudança no lado negativo; mas o lado positivo não deveria ser negligenciado. Com demasiada frequência esqueceis-vos de assumir responsabilidade pelas coisas boas da vossa realidade, e consequentemente encarais a responsabilidade como um castigo ou um dever, uma obrigação que um catraio ou uma menina precisem cumprir: “Eu preciso assumir responsabilidade, pelo que vou assumi-la.” Ao passo que, se conseguirdes assumir responsabilidade pelo lado positivo da vossa vida, pelas coisas positivas que gerais, aí podereis perceber a responsabilidade por aquilo que é – uma alquimia poderosa e que vos pode conduzir à liberdade e à evolução, à espiritualidade e à iluminação.

Muitos de vós criam realidades positivas. Muitíssimos de vós criam montes de realidades positivas, e não assumem responsabilidade. Se vos interrogássemos quanto ao reconhecimento do que tereis especificamente criado de positivo, muitos de vós dariam por si aturdidos e desajeitados. E admitir ter feito isso é uma outra coisa que achais muito, muito difícil. E apreciar-vos a vós próprios suscita medos formidáveis da parte do ego – que não passa do ego! – e receios que as pessoas pensem que sejais arrogantes ou convencidos – o que representa somente o vosso ego a pronunciar-se de novo! E assim torna-se difícil dar continuidade ao lado positivo.

Um exemplo: alguém tentou criar a realidade de comprar uma casa por sua própria iniciativa, uma casa grande, mas não tinha o dinheiro, e decidiu tornar-se responsável pela criação dessa sua realidade. Todavia, não assumia responsabilidade pelo passado, e pensava: “Olha, se eu crio a minha realidade, e pretendo criar uma casa, onde diabo está ela? Porque não aparece? Eu tornei-me metafísica, assumi responsabilidade, e agora onde é que ela pára?” Mas o que ela não fazia era assumir responsabilidade pelo passado que criara, por todo o dinheiro que gastou por acreditar no ego dela, por todo o dinheiro que investira em vários projectos que a levavam a sentir-se arrogante e importante, etc. Não se responsabilizava pelo facto de não querer trabalhar, de nunca ter querido trabalhar e de ter tirado partido de uma posição de superioridade por meio do dinheiro dos outros ou do facto de serem ou terem sido ricos. Não assumiria nenhuma responsabilidade por isso, pelo facto de não ter um emprego nem ter tido um emprego durante anos. Mas aí descobriu isso e assumiu a responsabilidade, e assumiu a responsabilidade pelo que tinha deixado de criar anteriormente, pela situação difícil em que se tinha colocado.

E, assim que o fez, o que de facto foi conseguido em vinte e quatro horas, conseguiu a casa que queria. Não se situava exactamente na rua que esperava, nem aconteceu exactamente da maneira que esperava, mas ali estava ela, e tornou-se na dona de uma casa em vinte e quatro horas. O passo seguinte consistia a em assumir responsabilidade pelo sucesso. Como haveria de conseguir isso? Que técnicas, que abordagens, que passos específicos precisaria dar para reconhecer o que tinha feito? E para reconhecer que o tinha feito e que não tinha resultado de um golpe de sorte, nem a dona anterior da casa, nem a energia particular do dia. “Foste tu.”

Mas nós sugeriríamos que essa pessoa teve uma enorme dificuldade por não querer assumir responsabilidade por esse sucesso: “Eu não sei o que fiz. Não tenho a certeza de ter feito alguma coisa.” Só conseguia sentir necessidade de assumir responsabilidade, em relação à qual nem conseguia sentir-se bem, pelo êxito que criara, e consequentemente estava a comprometer seriamente a continuidade.
Nessa medida, essa pessoa de facto virá a assumir responsabilidade pelo que fez especificamente para gerar o êxito e reconhecer ter sido ela quem o conseguiu, e virá a apreciar-se a si mesma por isso, sem se deixar levar pelo ego. Porque deixar-se levar pelo ego não é sentir apreço por vós próprios mas ser egoístas. Aí poderá perceber o sentido de uma dinâmica de continuidade desses sucessos e vê-los desenrolar-se um a seguir ao outro.

Assim, identificar, reconhecer, apreciar e continuar é uma parte vital da responsabilidade que muitos de vós omite. Muitos de vós já se sentem felizes com a realidade quando: “Bom, não leva a entornar o caldo,” e não querem olhar muito de perto por poder desaparecer. E quer pensar não ter feito coisa nenhuma, e que isso tenha simplesmente acontecido, ou que os deuses vos tenham sorrido, ou que a realidade vos tenha recompensado. Ela não vos recompensou – isso não passa de uma cilada em que vos deixais cair: “Bom, aquilo que fiz foi assumir responsabilidade pelas coisas negativas e a minha realidade cósmica recompensou-me.” Não, não recompensou! “Os deuses sorriram-me. E por ter sido um bom rapaz ou uma excelente moça eles decidiram prendar-me esta realidade agradável.” Não façam isso a vós próprios, porque nós não somos verdadeiros até estarmos preparados para ser magoados, e para nos vermos impotentes e darmos por garantida a falta de crescimento, e de evolução, e de iluminação espiritual.

O cosmos não vos recompensa por serdes responsáveis; ele não encara isso como uma coisa importante. Esse é o comportamento esperado. Na verdade, quando sois crianças e dais os vossos primeiros três ou quatro passos, recebeis montes de abraços e de louvores e sois adulados por serdes maravilhosos e admiráveis; mas olhai agora, quando vos ergueis e dais uns passos. Quem reparará nisso? O mesmo acontece com a responsabilidade quando estais a começar, enquanto consciência. Enquanto consciência, na verdade podeis obter louvores pela responsabilidade que assumis; quando percebeis pela primeira vez que a vida é mais do que viver um dia para poderdes viver o seguinte, e iniciais uma exploração para descobrir o que isso representará para vós, então, talvez obtenhais o louvor. Mas depois deste longo itinerário gente, ser responsável pelas coisas negativas não é ser merecedor de louvor da parte do cosmos e não conduz á obtenção de recompensa alguma; sois vós quem vos recompensa! Vós recompensais-vos a vós próprios ao fazer qualquer coisa, ao exercitardes uma capacidade ou disposição qualquer e um tipo qualquer de acção alquímica que produz o sucesso, produz as boas novas.

Sim, aquela pessoa que usamos a título de exemplo assumiu responsabilidade pelo seu passado. Isso não produziu a casa, o que isso produziu foi o espaço para que ela assumisse uma responsabilidade positiva para gerar a realidade. As recompensas cósmicas não chegam a acontecer; particularmente em torno da questão do comportamento esperado. Assumistes o compromisso de crescer, e junto com ele, o comprometimento de ser responsáveis; o facto de estardes à altura do compromisso assumido é algo de que podereis regozijar-vos, mas em relação ao que não deveis esperar recompensa nenhuma: “Eu disse que aparecia às sete e um quarto para jantar, mas não espero receber um louvor por chegar a horas”

Torna-se importante perceber esse aspecto e debruçar-se um pouco nele, por ser tão fácil pretender que Deus Pai ou que o Pai Cosmos, ou alguma forma etérea vos venha a recompensar for fazerdes o que é de esperar. E que assumir responsabilidade seja uma coisa muito importante, e que devais ser recompensados.

Não, é óptimo assumir responsabilidade, é um imperativo assumir responsabilidade de forma a vos encontrardes em posição a ir em frente e criar a realidade positiva por vós próprios. Assim, Reconhecer, Admitir, Perdoar e Mudar, ou Reconhecer Admitir, Apreciar, e Continuar – a primeira forma bastante importante de se tornar responsável.

A segunda forma – Titularidade (domínio). A titularidade em certa medida enquadra-se na responsabilidade, mas nós queremos separá-las, por se tratar de uma coisa em si-mesma; apossar-vos da vossa realidade de uma forma progressiva e crescente, como criadores dela, como únicos autores dela, e não os vossos pais nem o vosso estado de espírito nem os humores dos outros, nem o tempo, nem as condições meteorológicas em constante mudança, mas VÓS; possuir isso conscientemente é um imperativo para assumirdes a responsabilidade.

Nós falamos nisso no seguinte sentido: Se fordes à baixa e disserdes que ides vender a Ponte Golden Gate, o provável é que não encontreis muitos compradores, e se vos mostrardes demasiado persistentes podereis muito bem ser metidos na cadeia. Por não serdes titulares dela! Não podeis decidir vendê-la e tampouco podeis decidir aliená-la. Por não ser propriedade vossa. Não podeis decidir mudar o tráfego para uma só via, num belo dia, ou suspender a paragem, não conseguis tomar nenhuma dessas decisões. Podeis empregar as palavras, mas elas não exercerão impacto algum, para além de talvez vos levarem à prisão como loucos.

Mas digamos agora, que sois titulares da Ponte Golden Gate; aí já podereis fazer o que quiserdes. Podeis suspender as paragens e fazer o tráfego seguir numa única direcção, num dia qualquer. E podeis vendê-la; podeis mesmo aliená-la ou dá-la de presente. Por serdes titulares dela.

Ora bem, de forma semelhante, em relação ao comportamento que tendes na vossa realidade, a tendência para vos assustardes e para vos tornardes vítimas e para sentirdes culpa para vos castigardes, para vos sentirdes ofendidos, para serdes autocentrados, para vos voltardes para o vosso ego – seja o que for; não conseguis livrar-vos disso se não fordes seus titulares. Não podeis alienar isso, nem sequer mudá-lo. Alterar a crença ou a conduta – a única maneira pela qual o conseguis é possuindo isso, e se o possuirdes, então podereis fazer tudo quanto quiserdes com isso.

A propriedade é crucial em relação à responsabilidade. “Se eu te ofendi,” não quer dizer ser o autor do facto de ter ofendido. “Se te aborreci,” não quer dizer ser senhor de nenhuma forma de responsabilidade. E essa é uma das formas: “Se eu te aborreci, se te ofendi, se te irritei, lamento muito, não o fiz conscientemente.” Isso significa não assumir nenhuma responsabilidade. A propriedade é crucial: “Eu fiz isso; eu ofendi-te; eu fiz-te ficar zangado; eu castiguei-te, tentei prejudicar-te; tentei aborrecer-te; procurei levar-te a ter pena de mim; tentei manipular-te e fazer-te sentir culpado por minha causa.” Isso não subentende qualquer “se”; se quiserdes ser senhores disso, se quiserdes ser responsáveis por isso. Se não quiserdes ser responsáveis mas sentir-vos obrigados a empreender os movimentos então ides usar muitos “se”. Mas se fordes suficientemente adaptativos para abandonar a palavra “se”, ides tornar-vos bastante adaptativos. E frequentemente essa adaptabilidade revela-se através da minimização; em particular um indivíduo que assume responsabilidade por um – bom, não é assumir responsabilidade mas tentar assumir ou dizer que assume responsabilidade – por um período demasiado longo por um comportamento muitíssimo pernicioso, e que se sai com uma declaração tipo: “Bom, eu sei que tenho andado malcriado e insolente,” quando se tenha mostrado arrogante até à ponta dos cabelos.

Eu garanto-vos que esses não são responsáveis e que não se apropriam de coisa nenhuma. Traçar uma linha de fundo, apropriar-vos disso tanto na verdade que apresenta como na sua total fealdade, é de uma importância crucial. E de forma semelhante, na sua vertente positiva, a titularidade é igualmente importante.

Quando produzis um êxito fantástico, não os desperdiceis dizendo: “Bom, provavelmente, isso vai acontecer de qualquer maneira. Hoje, bem, é estranho dizer que o dia esteja bonito; eu nada tenho que ver com isso. Tudo o que o pivô da meteorologia disse é que hoje ia estar um dia ensolarado. Assim, que quererá isso dizer? Por isso, não vou ser titular do estado do tempo e como tal não posso nem vou assumir responsabilidade por ele.”

Mas uma vez mais, muito do que acontece é que assumir ou tornar-se titular das coisas boas parece: “Oh, isso soa a egocentrismo, arrogância, isso é ultrapassar terrivelmente as medidas, isso soa a um egocentrismo desmesurado da tua parte.” É claro que pode ser qualquer dessas coisas, decerto, mas não precisa ser. E para serdes responsáveis pelos sucessos precisais ser titulares deles. Precisais ser senhores da realidade que criastes – nem mais nem menos do que a realidade que criastes! Como uma forma fundamental para assumirdes responsabilidade pelos vossos sucessos, pela vossa felicidade, pelas coisas boas que de facto estais a criar.

A terceira forma de vos tornardes responsáveis... Vamos colocar a coisa nos seguintes termos: Toda a vossa realidade, ou realidades, ocorrem em simultâneo; todas as vossas vidas passadas decorrem neste exacto momento, exactamente aqui, só que num espaço diferente e num tempo diferente. A criança e o adolescente que fostes, o início da vossa maturidade, o vosso ego, estão todos a funcionar neste exacto instante, com a mesma vivacidade e validade com que sempre funcionaram. As vossas vidas futuras e o vosso desenvolvimento futuro estão todos a decorrer exactamente neste instante. E tudo em simultâneo. A chave para a responsabilidade nesse caso consiste em situar-se no exacto lugar à hora exacta.

Por que realmente se quiserdes ser responsáveis pela influência do que ocorre numa vida passada, seja por que meios for que tenhais descoberto isso como uma influência proveniente de uma vida passada – não como um controlo, mas como uma influência – que esteja a produzir ou a exercer impacto em vós, e que subsequentemente passa a exercer impacto na vossa realidade; para poderdes ser responsáveis por isso precisais ser sujeitos a essa vida. Como? Através da meditação? Sim! Através da alteração do tempo e do espaço – por meio da alteração do vosso tempo e do vosso espaço para entrardes nesse tempo e espaço. Mas precisais ser capazes de fazer isso para assumirdes responsabilidade por essa influência.

Por causa da ofensa que tenha ocorrido, ou por causa de uma experiência devastadora qualquer que tenha ocorrido numa encarnação prévia sentir-vos-eis consequentemente receosos em relação à intimidade? Sentir-vos-eis receosos de vos aproximardes das pessoas, receosos de ser novamente magoados? Isso não vos controla nem vos exerce pressão alguma mas sem dúvida que vos influencia e vos faz inclinar na direcção de recear a intimidade.

“Ah, então vou descobrir essa vida, quer por meio da autodescoberta quer esforçando-me por isso, ou conversando frequentemente com as pessoas sobre a questão das vidas passadas.” Mas não, não é suficiente dizer: “Ah, pois, eu tive certa vez uma vida em que fui assassinado por ter amado alguém, ou seja lá o que tenha ocorrido. Em consequência do que me sinto apavorado em relação ao amor e em relação à intimidade.” Mas, que vais fazer em relação a isso? “Bom, eu tive certa vez uma vida em que era, bom...” Por outras palavras – nada! “Que poderei então fazer em relação a isso?” “Regressar a essa vida e posicionar-te nela no lugar exacto e no momento exacto para experimentar essa vida e então decidir o que fazer com isso!” Mas experimentar essa vida é uma parte crucial da assunção da responsabilidade.

De forma similar, quando aplicais isso em relação ao passado actual, em relação à vossa infância, à vossa adolescência e ao início da vossa maturidade, deparais-vos, como podereis bem ter percebido, com um monte de influências provenientes destas porções de vós próprios – influências e não controlo! A criança que fostes não vos controla, independentemente do quão teimosa tenha sido, independentemente do quão ruim tenha sido, independentemente do quão vil tenha sido; ela não vos controla! Nem o adolescente que fostes, nem o jovem em início de maturidade. Vós utilizais isso como um pretexto para a conduta que assumis, mas eles influenciam-vos com certeza. E ser capaz de romper com essa influência e assumir responsabilidade significa ser capaz de vos TORNARDES nessa criança que tem sente aquilo, ou que mantém aquela crença ou atitude; TORNAR-VOS nesse adolescente, TORNAR-VOS nesse jovem adulto – situar-vos no exacto lugar no exacto momento!

Posicionar-vos ali total e completamente. Porquê? Para vos poderdes apropriar disso? Sim! Para poderdes ser responsáveis? Sim! E para o reconhecer, admitir, perdoar e mudar. Vejam bem, em muitas das terapias tradicionais emprega-se uma coisa chamada Desempenho de Funções; talvez o Fritz Pearls com a sua terapia Gestalt tenha cunhado o termo. E é por isso que a repetis, mas não foi somente o Fritz Pearls que o utilizou, e não pretendemos criticar a abordagem que ele empregou porquanto só temos a intenção de abordar esse Desempenho de Funções por um instante. O Psicodrama pode funcionar, mas de qualquer maneira sugeriríamos que no Desempenho de Funções sentais-vos numa cadeira face a uma outra cadeira vazia que fingis ser a vossa mãe. E dizeis à vossa mãe o quanto a detestais: “Tenho vontade de a matar, tenho vontade de a estrangular e rolais-vos pelo chão em agonia a conter os vossos instintos horrorizados, e esse tipo de coisa, e é assim que estabeleceis alguma diferença. Ou então o terapeuta senta-se diante de vós e desempenha o papel da vossa mãe. E vós gritais e berrais e todas essas coisas, etc. Ou, se o terapeuta não se quiser meter no caminho do que expressardes, coloca alguém no seu lugar dizendo-lhe: “Agora representa o papel da mãe.” Mas isso tem um efeito limitado, entendem? Porquê? Por não serdes vós quem detesta a vossa mãe; a criança ou o adolescente que está literalmente a atravessar a causação desse ódio é quem odeia. E assim, para vós nos vossos trinta, quarenta e cinquenta anos de vida, puxar os cabelos e gritar aterrados e conter as efervescências que vos acometem não passa de uma representação, ao passo que se puderdes tornar-vos na criança de cinco anos, a quem é dito: “Não podes ir à festa,” e que sente ódio pela mãe e que deseja que estivesse morta - mas não somente recordar a criança de cinco anos mas tornar-vos na criança que sentia isso - então podereis responsabilizar-vos por ela; então conseguireis compreendê-la – reconhecer, admitir, perdoar e alterar isso de modo que a culpa que tenha sido produzida agora quarenta anos mais tarde possa ser libertada.

Assim, a Representação de Funções, ou submeter-vos à actuação do Psicodrama, pode ajudar, mas o mais das vezes não altera a coisa. Se esse psicodrama for real e não mais estiverdes a representar esse papel mas a tornar-vos na criança ou no adolescente ou no jovem adulto, nesse caso poderá exercer um profundo impacto mágico. Em vez do comum “Acertar ou Falhar,” se vos responsabilizardes por vos posicionar no local certo na altura certa, usando meios meditativos, decerto, podereis regredir no tempo de volta àqueles cinco ou seis ou sete anos para representar isso e para o tratardes aí, então a influência que tem lugar agora poderá ser libertada.

Por isso, posicionar-se no local apropriado na altura apropriada, aplica-se bastante ao caso, mas também se aplica o ego; ser capazes de vos tornar no vosso ego negativo. “Oh oh oh, mas como é que poderei fazer tal coisa?” Podê-lo-eis fazer conscientemente, ou evadis-vos? Vós funcionais no vosso ego negativo. Mas se alguém vos interrogar: “Muito bem, mas que é que o teu ego está realmente a dizer?” Então vós evadis-vos. “Bom, do ponto de vista do meu ego, é assim que me sinto com toda a honestidade. Da perspectiva do meu ego é assim que honestamente me sinto; sinto-me um tanto chateado, sinto que provavelmente gostaria de o fazer ao meu modo, e sinto-me assustado por isso poder não ocorrer positivamente, sinto-me mais ou menos assustado por estares zangada comigo. E isso é o meu ego negativo.” O que não passa de treta.

Mas frequentemente funcionais com base no vosso ego negativo, ou da criança ou do adolescente; mas se vos for pedido para entrardes em contacto com ele, posicionar-vos por completo na sua pele, posicionai-vos no local apropriado na altura apropriada e entrai de verdade nesse ego negativo e deixai que ele saia, deixai que ele se pronuncie, “Oooh, não! Eu não vou fazer isso! Posso ter que desistir. Posso ter que me responsabilizar pelo facto! Isso é o que o meu ego negativo é. Por isso, não me ides apanhar no papel de assumir honestidade em relação ao meu ego negativo; podereis ver-me nele e podereis mesmo apanhar-me nele, mas não me ides ver a assumir o papel dele.”

Mas, uma chave na questão da responsabilidade consiste na capacidade de se situar no lugar certo na altura certa. Mas se alguma vez o tentardes, ficareis maravilhados; tentai-o sozinhos, não o tenteis diante dos outros à primeira vez, mas fazei-o sozinhos, em frente do espelho; falai com essa pessoa a tornai-vos no ego negativo – em todo o seu esplendor – não somente num piscar de olhos, mas posicionai-vos de verdade nesse ego negativo, total e completamente, e dizei o que ele sente de verdade, e o que ele deseja, aquilo de que realmente anda atrás, e escutai-vos a vós e vede-vos a vós próprios posicionados nesse ego negativo; ides ficar surpreendidos com o quanto é fácil rebentar com ele. Ides pensar: “Oh, eu posso apenas perpetuá-lo.” Não, isso é o que o vosso ego pensa. “Não, não, não olhes para mim, não chegues demasiado perto de mim, ou ainda podes fazer com que realmente venha a tornar isto num acontecimento.” Não olheis agora! Mas o que acontece é que já sois isso! (Riso)

O ego não aprecia o facto de se ver exposto, pelo que tudo fará para evitar tal exposição. Assim, posicionar-vos nesse ego, quando funcionais a partir dele, e apropriar-vos dele, constitui uma via efectiva para vos responsabilizardes e para vos posicionardes no local exacto na altura exacta. Um complemento que devemos aqui acrescentar é o facto de, assim que vos virdes no lugar dessa criança ou desse adolescente ou desse jovem adulto ou do ego, isso não quer dizer que os outros tenham que gostar disso. “Bom, o meu ego negativo quer competir contigo, e quer deixar-te de rastos, sob os meus pés, etc. O meu ego negativo quer ver-te fracassar, e muito embora eu pronuncie coisas doces e agradáveis e te esboce constantemente sorrisos, eu estou a tentar destruir-te de verdade, de modo a obter o sucesso, por ser capaz de destruir alguém.”

Bom, a pessoa neste caso pode não dizer: “Oh, que maravilha. Oh, muito obrigado por toda a honestidade. Sabe tão bem ver-te ser tão honesto. Eu adoro-te. Não há problema.” Sim, ela diz isso, mas algo está errado com ela, não? Gravemente errado. Podíeis perguntar-lhe se teria expressado isso com clareza, mas o mais provável é que se irritasse convosco; ela teria o direito a sentir-se zangada, e podia muito bem ficar; e esse seria o risco que assumiríeis. E podíeis mesmo perder uma amizade, ou uma relação. Mas torna-se mais importante ser responsável, por a responsabilidade vos conduzir à liberdade, ao crescimento, à evolução, e vos levar a tornar-vos espirituais e iluminados. E se tiverdes uma amizade ou um relacionamento que seja mantido na base da irresponsabilidade, estareis a prejudicar o vosso crescimento e o do outro. Mas se fordes responsáveis sempre podereis criar a realidade que quiserdes.

Assim, o terceiro modo, conforme dizíamos, consta de vos posicionardes no local exacto no momento exacto e o quarto modo consiste em vos tornardes no adulto, o que significa não só ser capaz de se posicionar no lugar da criança que fostes, como também a capacidade de sairdes de novo. Não só ser capazes de penetrar no adolescente e no jovem adulto que fostes, e no vosso ego, mas ser capazes de voltar a sair de novo.

“Isso é o que o meu ego está a dizer, o que o meu jovem adolescente está a dizer; este sou eu, e eu não sou eles! Eu uso-os e escondo-me por detrás deles, faço coisas e trato-as na vez deles, mas este sou eu!” E estar presente no adulto, na realidade presente - no lugar apropriado no momento apropriado, decerto – mas estar presente no adulto, no lugar apropriado, significa o facto de assumirdes responsabilidade. “Que deverei fazer; não sei como assumir responsabilidade.” Sede adultos em relação a isso! “Mas, que quererá dizer ser adultos?” Bom, isso envolve uma outra questão completamente diversa, mas nós sugeriríamos que se desenvolverdes a maturidade da fase adulta e a descobrirdes e experimentardes e expandirdes, de facto quando quiserdes saber de que modo podereis assumir responsabilidade e tiverdes esquecido tudo o mais, sede adultos - não só crescidos, por que isso já vós o tereis feito, biologicamente – sede adultos. Sejam capazes de vos posicionar no momento presente, de uma forma honesta.

A capacidade de responder, a disposição de responder, significa que precisais situar-vos na realidade certa; não podeis viver no passado e esperar cuidar da vossa realidade no presente. Não podeis comportar-vos como uma criança, um adolescente, um jovem adulto ou funcionar por completo com base no ego e esperar ser funcionais na realidade actual. Não podeis tornar-vos num indivíduo crescido e funcionar na realidade actual; precisais ser adultos, independentemente da idade que tiverdes. E na verdade o quarto modo por que podereis ter a certeza de assumirdes responsabilidade consiste em serdes adultos, quer essa responsabilidade seja positiva ou negativa.

Um quinto modo, assim como uma maneira criativa, consiste em serdes honestos. Bom, essa é difícil, essa é difícil por as pessoas terem uma enorme dificuldade em ser honestas; elas acham muito mais fácil ser desonestas, muito mais fácil mentir. Nós dissemos para serem brutalmente honestos convosco próprios e tacitamente honestos com os outros. Agora, dizer a verdade e ser honesto são duas coisas diferentes; a verdade envolve dados informativos factuais que são independentes do sentimento que provocar. A honestidade envolve dados informativos factuais que respondem pelo sentimento. Podeis ser verdadeiros sem serdes honestos; mas quando sois honestos também estareis a ser verdadeiros. Muita gente chama àquilo que faz honestidade, quando não se trata disso por completo. Pode ser verdadeiro: “Tudo aquilo que disse foi verdade, mas não foi honesto, por ter a intenção de magoar e prejudicar, por sentir ser melhor, de modo a fazer-te perder o ritmo, levar-te a fazer alguma coisa negativa, sob a capa da verdade, a que consequentemente chamei de honestidade.”

A honestidade leva em consideração a emoção, assim como o facto. Ser brutalmente honestos convosco próprios não significa ser brutais, mas ser honestos. “Brutalmente” é a descrição do tipo dessa honestidade e não aponta uma acção, neste caso, como a de vos espancardes. Isso não é ser brutalmente honestos, mas desonestos, significa ser brutais, e não brutalmente honestos. Outra maneira de o pôr seria dizer que ides ser sempre completamente honestos, só que colocá-lo nesses termos torna-se demasiado vago para muita gente, e uma evasão para outros tantos.

 “Eu vou ser completamente honesto,” é frequentemente interpretado sob a forma de continuardes a mimar-vos à vontade e a ser desonestos. Dizer sempre a vós próprios: “Olha cá, está tudo bem, tu não és assim. Vai tudo resultar pelo melhor. Tudo acaba por ser exactamente conforme se espera, “ o que constitui uma afirmação maravilhosa, mas muito pouco responsável, além de também não corresponder à verdade! As coisas muitas vezes não resultam sempre pelo melhor, nunca o notastes? As coisas nem sempre resultam pelo melhor; e tudo é suposto ocorrer, todas as coisas devem dar-se do modo que acontecem muitas vezes. Mas cada vez mais deixam de acontecer. Costumava ser assim, há dois mil, três mil, quatro mil, cinco mil anos atrás, mas esperai lá, é preciso recuperar o tempo, pessoal! (Riso) As coisas nem sempre funcionam da forma que se espera, a menos que sejais responsáveis; as coisas nem sempre funcionam pelo melhor, a menos que sejais responsáveis. E o modo de conseguirdes isso é sendo brutalmente honestos convosco próprios. E diplomática ou tacitamente honestos com os outros.

Mas a honestidade brutal é simplesmente a forma de honestidade mais espantosa que podeis conferir a vós próprios, porque, como é que vos sentis quando descobris que alguém vos tenha mentido, quando vos dizem que uma peça de vestuário qualquer em particular que estais a usar vos assenta maravilhosamente, quando na realidade fazeis uma figura triste? Ou quando vos dizem: “Oh que trabalho fantástico fizeste,” quando na verdade toda a gente se ri de vós? Como é que vos sentis quando descobris que vos mentiram, quando vos disseram: “Bom, eu só estava a tentar proteger-te, por não querer que te sentisses mal.” Como é que vos sentis? Sentis-vos podres. Sentis-vos traídos e sentis-vos magoados.

Agora, como é que pensais que o vosso Ser se sente? O vosso Eu Superior, a vossa Alma, quando lhes mentis com uma ensaboadela suave? Que é que lhes dizeis quando mentis: “Só estava a tentar proteger-te. Por não querer que se tintas magoado”? Não vos tereis de facto sentido mais magoados com a pessoa que vos mentiu em relação a isso, ou que não tenha sido honesta em relação ao que se tenha passado? Não pensareis que o vosso Ser, a vossa alma e o vosso Eu Superior se sentirão da mesma forma?

E quem é que estareis realmente a proteger? Quando alguém vos diz uma coisa com a intenção de vos proteger – não estará ela realmente a proteger-se a si própria? Muitas vezes, quando ides abandonar um relacionamento mas deixais de o fazer por não quererdes magoar o parceiro, não estareis justamente a dizer que não quereis lidar com a complicação, quando tereis justamente sido infiéis, e decidido não deixar o outro saber disso, por lhe complicar a vida e poder resultar numa mágoa demasiado grande com que não consiga lidar; não estareis a dizer: “Eu não quero ter que lidar com isso. Quer seja ou não capaz”?

Quando mentis para o vosso Ser e para a vossa Alma e para o vosso Eu Superior, não estareis realmente a proteger-vos? Ao vosso Ser? O vosso Eu Superior consegue lidar com isso. Tal como a vossa alma e o vosso Ser. Estais apenas a proteger-vos a vós, à ilusão que tem aqui lugar. A coisa mais adorável que podereis fazer por vós próprios é ser brutalmente honestos. E em relação aos demais é ser tacitamente honestos.

O que é que esse “tacitamente” honestos significa? Não quer dizer mentir, não quer dizer o emprego de pequenas mentiras inofensivas, nem dizer nada para o seu bem. Tacitamente honestos ou diplomatas é ser tão honestos quanto brutalmente honestos, mas levando em conta a altura própria. Quando a pessoa está para sair para uma entrevista de emprego, não aproveitais essa altura para lhe dizer com honestidade que é um filho da mãe; quando está para ir comparecer em algum evento importante para a sua vida, alguma actividade crucial, não é a altura para lhe dizer o quanto vos sentis irritada com ele e o quanto o tendes comprometido, e o quanto o tereis tentado magoar.

O tempo torna-se muito importante quando sois delicados, e muitas vezes, até mesmo a honestidade destituída de habilidade não chega a ser verdadeira honestidade: “Por a motivação que tenho não ser a de clarear o ambiente mas o de perturbar as águas, e a de te dificultar as coisas. Tenho que te dizer que estou realmente chateado contigo, mas segue em frente e diverte-te.” (Riso) Isso não é ser muito delicados.

Mas ser tacitamente honestos significa andar ao redor a fim de apanhar os pedaços, no fim. Permanecer por perto para assumir responsabilidade pelo impacto causado pela honestidade que tenhais usado. Com que frequência tereis disposto de uns dez minutos extra e a seguir decidistes: “Bom, eu só quero que tu saibas que me tenho sentido verdadeiramente magoado e irritado contigo, por isto e mais aquilo, mas agora tenho que me pôr a andar...? Não tenho agora tempo para falar disso.”

Quantas vezes chegastes a ser honestos a ponto de deixardes perceber o que realmente sentis, e quando vos encontrais em sofrimento e magoados voltais costas? “Bom, eu fui honesto e disse-lhe a verdade.” Isso não é ser muito diplomata. Se não dispuserdes de tempo para permanecer junto da pessoa o suficiente para limpar, para repor tudo de novo, então escolhei uma outra altura.

E se acontecer terdes tempo justamente quando o outro estiver a fazer algo demasiado importante para ele, escolhei uma outra altura. Se esperastes este tempo todo decerto que podereis esperar um pouco mais. Ou, seja qual for a razão por que estejais com pressa, ela pode esperar. Ser diplomata no trato com outra pessoa é ser honesto - ter clareza de intenção, posicionar-se no lugar exacto e ficar por perto para apanhar os pedaços, por a honestidade e a responsabilidade que evidenciardes a poder magoar. E realmente não podeis, de uma forma responsável, voltar costas a isso. Precisais permanecer lá para reunir os pedaços todos de volta.

O que isso quer dizer é o seguinte: se for responsável com a pessoa e lhe disser a verdade e lhe revelar com honestidade o que está a acontecer, isso poderá levá-la a uma enorme dor e mágoa e desilusão e levá-la a desmoronar, para citar nos termos da gíria empregue. E se parardes de colocar as peças do quebra-cabeças juntas de novo, podereis obter uma configuração diferente; poderá não ser o mesmo que era, poderá não confiar em vós, tal como pensaria confiar. Poderá não ter vontade de se sentir tão próximo a vós, conforme pensaria querer sentir. Podereis reunir um quebra-cabeças diferente, mas para serdes diplomatas no trato precisareis ajudá-lo a recompor-se de novo.

Qualquer que seja essa nova configuração, se essa nova configuração for: “Olha, não te quero voltar a ver, eu ainda preciso ficar por perto para te recompor, de modo a poderes sentir-te confortável, e sem problema por não me quereres voltar a ver de novo.” A nova configuração pode ser exactamente a mesma que a velha, e pode ser ainda mais forte e positiva. As coisas nem sempre precisam correr mal, sabeis?

Ser responsável de forma diplomática com os outros, ser honesto de uma maneira tácita com os outros, não significa sonegar informação em absoluto, não significa adverti-lo em termos suaves por ser demasiado simplório para tratar a coisa. É com certeza ser o mais honesto, mas consciente do momento apropriado, e levando em consideração o tempo para reunir as peças de novo e os recompor de forma satisfatória.

Não é: “Oh, sinto-me podre, sinto-me tão culpado, sinto-me tão mal. Já te sentes melhor, agora? Detesto pensar que te tenha magoado, detesto pensar que te prejudiquei, não posso pensar que não vamos ser mais amigos. Mas, está tudo bem?” Isso não é recompor a coisa. Ser honesto é recompor a coisa e ter tempo para ser honesto e responsável.

Assim, essa é a quinta maneira. A sexta maneira, rebentai com o vosso ego negativo. A chave do vosso ego negativo está em impedi-vos de assumir responsabilidade. Ah, sim, ele vai desempenhar a cena do “melhor”, sem a menor dúvida, e sentir prazer com isso; também vai desempenhar a cena do “pior” e sentir prazer com isso. Mas qual será a razão por que o faz? Por recreação? A razão principal para isso é a de evitar a responsabilidade; para impedir que cresçais. É a âncora que utilizais, o anzol com que, muito polidamente e muitas vezes ansiosamente, sois fisgados e sois impedidos de crescer. Para serdes responsáveis rebentai com o vosso ego negativo. Sabeis como haveis de fazer isso. Libertai-o e rebentai com ele; sabeis fazer isso.

E o lado positivo da responsabilidade consiste em aceitardes o vosso ego positivo. Faz parte do modo de assumir responsabilidade. Aceitai o vosso ego positivo; não andeis ao redor dele com medo. Aceitai o ego positivo e rejeitai o negativo, para assumirdes responsabilidade pela coisa positiva que estais a criar.

O sétimo modo de serdes responsáveis consiste em perdoar e em amar. Perdoar e amar. Não vos situeis acima de Deus, que é o que fazeis quando vos recusais a perdoar e vos recusais a amar. Não pensais estar a situar-vos, pensais ao invés estar a ser um pecador solitário e uma pessoa terrível, mas ao recusardes amar-vos ou perdoar-vos e amar-vos, estais a colocar-vos acima de Deus, seja como for que esse Deus seja definido, quer se trate do Deus limitado dos cristãos ou da fé religiosa, ou de um Deus real e mais expansivo que é muito mais vasto do que isso. Se vos recusardes a perdoar-vos e vos recusardes a amar-vos a vós próprios estareis na essência a dizer que estais acima de Deus, por não terdes de perdoar nem de amar. Precisais. Precisais. È dado adquirido, por definição, que é isso que Deus é. Por isso, quando vos excluís e recusais perdoar-vos e recusais amar-vos a vós próprios, estais a colocar-vos acima de Deus. Quando recusais perdoar e amar os outros, de forma similar, estais a dizer que sois melhores e superiores a Deus. Não é uma posição muito responsável que devais ocupar.

Quererá isso dizer que devais amar toda a gente do mesmo modo? Claro que não. Também já falamos amplamente sobre isso. O amor é uma dádiva que dais e que o fazeis com todo o cuidado àqueles a quem o quiserdes dar. Mas até certo ponto amais toda a gente, ponto esse que poderá representar um amor por eles suficiente para deixar que vivam as suas vidas enquanto vós viveis as vossas, separadamente. Torna-se importante que os perdoeis alguém a quem odieis ou detesteis ou que não consigais suportar em definitivo, que perdoeis a sua essência e talvez não a sua concha ilusória que acontece ocuparem enquanto andam por aí, nesta vida, mas perdoar a sua essência, e amar essa essência. Se guardardes o rancor e o zelardes, se mantiverdes esse estandarte da falta de perdão não sereis responsáveis, mas sereis fisgados exactamente pelo passado, e tereis que recrear essa experiência para todo o sempre, para recordardes a vós próprios da razão por que não perdoais ou por que não amais.

Uma forma de serdes responsáveis é perdoar-vos, perdoar os outros, amar-vos e amar os outros de forma apropriada. Agora, essas maneiras, essas sete formas de assumir responsabilidade operam todas individual e conjuntamente e vós notareis que muitas delas se sobrepõem. E notareis que se assumirdes responsabilidade querereis aplicar todas as sete. Mas se as aplicardes de uma forma honesta, com o objectivo de serdes responsáveis, com o objectivo de aplicardes a capacidade e a disposição que possuís para responder, então de facto tereis assumido responsabilidade, honestidade e vontade.

Mas muitos pensam ter praticado tudo isso, não? Bom, há formas de serdes responsáveis sem assumirdes responsabilidade; há formas de empregardes os mesmos movimentos e de parecerdes bom, de vos adaptardes, de fazerdes soar a verdade, de parecerdes que estais a ser responsáveis. Um desses modos por que pareceis ser responsáveis sem assumirdes responsabilidade, é culpando. Quantas vezes não terão já escutado a frase que lhes é atirada à cara: “Eu vou ser responsável. A razão por que não fui tão bacano contigo, a razão para ter sido tão negativo, a razão por que te soneguei e te castiguei deveu-se ao facto desta manhã teres dito isto e aquilo. E aquilo feriu-me os meus sentimentos. E por isso, o que fiz foi tornar-me desagradável contigo.” Soa bem; é ser honesto, reconhecer o que fez, o facto de ter sido desagradável, reconhecer que foi. Mas entendam, o que isso subentende é a vossa falha. A implicação mais óbvia, não declarada - porque se fosse declarada discuti-la-íeis - implica: “Se não tivesses sido mau comigo esta manhã, nada disto teria acontecido. A razão por que me portei como um mártir e como uma vítima e por que tentei castigar-te, e tentei fazer-te sentir culpado foi por na semana passada me teres ferido os sentimentos. E por não ter conseguido lidar muito bem com a situação, portei-me terrivelmente, fiquei podre, devia ter falado contigo, devia ter dito algo, devia ter falado acerca disso, mas não, e foi por isso que o fiz. Vês o quão responsável estou a ser?” Não, não os vemos a ser responsáveis em absoluto. Não os vemos a assumir qualquer responsabilidade, mas vemos que estais a culpar, vemo-los a culpabilizar a outra pessoa. Mas advertis a outra pessoa de uma forma que ela acaba praticamente pedindo desculpas: “Meu Deus, estou a ver o que queres dizer; peço desculpa se eu disse alguma coisa... eu devia ter bla bla bla... na semana passada.” E vós desempenhais isso, desempenhais isso fortemente.

Um outro modo é: “Se eu realmente te ofendi – o “se” de novo! – se te faltei ao respeito, se realmente fiz isso, então peço desculpa.” O que quer dizer: "Não creio de verdade que o tenha feito. De facto sei que não cometi qualquer falta. Tu só estás a ser excessivamente sensível, mas tudo bem, eu vou dizer contigo," Isso é o que essas declarações querem dizer. A única altura em que essas declarações seriam porventura apropriadas, seria numa situação em que alguém estivesse a rir e às gargalhadas e dissesse: "Estou verdadeiramente chateado contigo, ah ah ah, tu magoaste-me os sentimentos para valer, sabes?" Aí poderá ser apropriado dizer: "Se te magoei, coisa que dificilmente acredito ter feito, e se te deixei zangado, mas também tenho dificuldade em acreditar nisso por causa da forma como te estás a portar, etc...." Ou: "O incidente que estás a apontar-me deixou-me verdadeiramente irritado, outro dia quando tu foste trabalhar," "Porquê?" "Por não teres ficado comigo em casa." "Não compreendo isso, vamos lá falar sobre isso, se te deixei irritado, e não consigo perceber como nem porquê..."

Assim, isso poderá por vezes ser apropriado, mas se assumirdes verdadeiramente responsabilidade isso não suscitará a menor questão de "se": "Se estás aborrecida, se eu te magoei, se eu te faltei ao respeito, se te deixei zangada, se isso te incomoda..." Isso não é ser responsável, mas uma outra forma de a culpardes dizendo: "Há algo de errado contigo, por seres tão excessivamente sensível, mas eu vou-te abonar." Bem que podíeis revirar os olhos e suspirar e dizer: "Olha, olha, olha a criancinha; eu vou fingir que sou responsável, se é que isso te faz sentir melhor, " em vez de todas essas declarações, pois seríeis mais honestos, sem dúvida.

Culpar os outros: "São os meus pais."

Agora, muitos de vós sois suficientemente sofisticados para vos sairdes com essa, não é? "Bom, estás a ver, quando eu tinha cinco anos, a minha mãe fez-me isto e por isso, mesmo hoje, quarenta e cinco anos depois, ainda me sinto irritado." Isso não é ser responsável pelo que estais aqui e agora a fazer, mas uma desculpa, uma explicação e culpabilizar ainda a mãe. Geralmente não sois tão óbvios em relação a isso. Geralmente sois um pouco mais infantis em relação à questão, e não nomeais necessariamente a mãe mas dizeis ao invés: "Bom, desde a infância que tenho este..." Não parece que estejais a culpabilizar, e soa como se estivésseis a assumir responsabilidade; soa como se estivésseis a tentar ganhar domínio, etc. "Começou quando eu tinha cinco anos..." ou seja o que for. Aqui gostaríamos de sugerir que não é verdade, que isso é culpar o passado, culpar os vossos pais, culpar o cão que vos mordeu ou seja o que for que tenha ocorrido. Isso é culpar e não ser responsável.

Mas realmente quando olhais para isso, sem que importe o esclarecimento que tenhais alcançado nem quanta metafísica tenhais estudado, ser responsável aqui e agora consiste em terdes consciência da razão porque o fazeis aqui e agora. Agora de facto, o que poderá ser verdade é dizer: "Olha, eu estou a fazer isto neste instante por gostar de o fazer, mas fiquei a saber que quando alguém me pede satisfações relativamente a isso, eu tento afastá-lo, de forma a não ter que admitir gostar de fazer isso. Descobri que sentir-me culpado, é um dos sentimentos mais felizes que posso ter, e deleito-me com isso, mas não o admito, por poder ver-me confrontado com o ridículo que isso representa, pelo que em vez disso, acuso a minha mãe, o meu pai, a infância que tive, o liceu ou a faculdade que frequentei, a namorada do terceiro ano que fez batota no exame, ou seja o que for." Isso representaria ser muito mais responsável.

Assim, culpar o passado é uma forma de parecer responsável sem o ser de facto. Ou, por outro lado dizer - e os homens fazem muito isso - quando uma mulher, ou um outro homem lhes expressam um sentimento, em vez de escutarem o que se passa, eles pegam na parte como isso tenha sido dito: "Bom, eu gostaria de assumir responsabilidade por isso, mas a forma como o disseste constituiu uma verdadeira ameaça para mim; o tom da voz que usaste foi de tal modo excessivo e tu chegaste quase a ponto de me ameaçar que me senti verdadeiramente assustado, e creio que devias assumir responsabilidade pela forma como o terás dito, em primeiro lugar." Eles não dizem que vão assumir responsabilidade por de facto não terem essa intenção, mas terem a intenção de ficarem trancados e que vós assumais a responsabilidade: "Bom, isso não é suficientemente; não, tu não o fizeste. Tu sempre me fazes isto, tu sempre pegas comigo, bla bla bla bla." Quatro horas mais tarde, quando estiverdes exaustos, por talvez terdes falado num tom demasiado elevado: "De forma nenhuma vou voltar a essa questão, vamos ao invés falar do que eu estava a tentar dizer. Estou demasiado cansado. Ainda não tenho confiança em ti."

Os homens fazem muito isso com as mulheres, nos relacionamentos: "A forma como o disseste..." ou põem-se a desfiar o rosário do "Isso está errado, isso está errado, isso está errado." E isso pode levar a mulher a decidir-se dizer uma coisa que não esteja errada: "Pois é, tu projectas sempre a figura da mãe em mim!"

"Enganas-te! Mais, desde 1973 que não projecto a mãe em ti." (Riso)

"Ah, tens razão, mas então por que é que dizes que sempre faço isso, por que é que sempre me procuras acusar de estar errada? Porque é que tentas constantemente fazer-me sentir péssima? Que há de errado contigo? Que estás a tentar fazer? A controlar-me? A assumir responsabilidade de novo por isso?" Etc.

É o jogo que os homens desempenham bastante junto das mulheres. E representa uma forma de culpabilizar: "Foi por causa da forma como mo disseste," ou: "É aquela pequena parte da prova que usaste que não corresponde à verdade, que eu vou travar." As mulheres no papel masculino farão a mesma coisa. E gostaríamos aqui de sugerir que provavelmente as mulheres farão isso, mas sob a ameaça da responsabilidade, respondem em vez de virar costas. Passais para a vossa Animus, a vossa energia masculina, e frequentemente desempenhais o mesmo jogo enquanto mulheres - em relação às outras mulheres ou em relação aos homens: "Aqui tens o único facto por que estás errada."

"Não, esganas-te! Eu não o fiz como o dizes, foi assim que realmente se passou; Espera lá, não foi na Quarta-feira mas na Terça-feira; estás errada. Por isso estou isenta da responsabilidade que me cabe." 
Trata-se de um tipo de Animus negativo e de um tipo de técnica de culpabilização com que muitos usarão com mais frequência por estarem mais familiarizados, e que as mulheres usam quando estão empenhadas em não assumir responsabilidade e se predispõem a argumentar e a ajustar contas. Mas gostaríamos aqui de sugerir que essa é uma forma de culpabilizar.

Outra forma é evidentemente desempenhardes a vítima e sentirdes autocomiseração: "Ah, pois, vejo que tenha sido culpa minha, reconheço ter sido um indivíduo mau, e ter-me sentido podre e portado de forma terrível; de facto sou assim malvado! Provavelmente estou a concorrer com o diabo, pela malvadez que apresento; sou prejudicial, desprezível, repugnante, sou isto e mais aquilo,; oh, sou tão terrível que só me apetece chorar; oh, pobre de mim, pobre de mim..."

Vítima!

O jogo que estais a representar é: "Tu dizes-me que preciso ser responsável por algo. Eu vou agravar a coisa em proporções tais que tu vais-te sentir banal e tonta por teres evocado isso, e da próxima pensarás duas vezes antes de o fazeres." (Riso) "Quero fazer-te assumir responsabilidade pelo facto de teres tentado tratar-me aos pontapés quatro ou cinco vezes só nos últimos cinco minutos. Queria saber por que razão fazes isso."

"Não sabia que estava a fazer isso."

"Ah, mas estavas!"

"Oh, estou a ver que sim; sou tão malvado, sou terrível, malicioso, cruel."

"Oh, não, não és assim tão mau. Não tem problema. Não te preocupes com isso. Provavelmente ainda tenho a perna direita, sabes. Não devia ter-me sentado aqui de qualquer maneira. Peço-te que me desculpes por ter suscitado isto. Desculpa." (Riso)

Vítima! A manipulação da vitimização. Intensificar o problema a tal ponto intransponível que ninguém poderá assumir responsabilidade por ele. Como uma forma de evitar a responsabilidade, mas que parece passar pelo reconhecimento e pela constatação: "Vou para casa e vou tratar de me perdoar a mim próprio e talvez regresse daqui a seis meses."

"Deixa para lá. Desculpa ter levantado a questão."

Vítima!

O mártir: "Bom, já que mencionaste isso, tenho andado a pensar nisso faz meses, e tem sido de tal forma péssimo e terrível que dificilmente consigo dormir à noite, mas preciso dizer-te que tenho carregado isso aos ombros e que tenho andado a fazer tudo o acabei de referir."

O aspecto do martírio! No sentido do martírio pelo passado:

"Bem, não sabes a infância dura que tive, mas talvez daqui a seis anos te diga. (Riso) Tudo por me teres dado pontapés por debaixo da mesa. Tudo por teres sido má e ofensiva para mim durante estes seis anos; bom, vai me levar assim tanto tempo a explicar o quão difícil foi, por não ter conseguido contar a ninguém, sabes!"

Como uma forma de assumirdes responsabilidade. Portando-vos como vítimas ou mártires!

E a terceira forma é culpando-vos a vós próprios. O que parece encaixar na perfeição, o que parece enquadrar-se nisso mas que comporta a sua própria separação: "Eu sou terrível, eu mereço ser punido, mereço ser ofendido, mereço de algum modo perder o comboio e fartar-me e tratar de ser forte," - tudo numa só noite! Muita gente desempenha esse papel, etc.: "Reconheço ter sido ofensivo e sinto-me podre por o ter feito, etc. Mereço ser castigado e por isso não vou ser teu amigo até que isso se endireite. Não te vou telefonar, não te vou ver. Mas quem é que estou a punir, de qualquer maneira?" Estais a castigar-vos a vós próprios ou a castigar o outro. Essa é a terceira forma que isso pode adoptar, muito claramente. O castigo!

E muitos de vós representais isso; muitos representam isso: "Vou para casa e vou-me castigar a mim próprio e sentar-me a noite toda a processar; não vou sair até conseguir perceber a jogada. Assim, não esperes que apareça na festa, não esperes que vá jantar, não esperes que me porte de uma forma civilizada contigo ou com os teus amigos a partir deste momento, até... E depois quando eu voltar a aparecer, e alguém perguntar o que aconteceu, bom eu vou dizer que estive realmente a tentar assumir responsabilidade, eu que vi realmente o quão horrível fui, e que não dormi durante uma semana.

Mas, uma vez mais:

"Peço desculpa; desculpa, perdoa-me. Desculpa-me por te pedir que assumisses responsabilidade. "

"Mas pareço estar a assumir responsabilidade com este castigo autoinfligido!"
Uma outra forma de o fazerdes, de um modo que pareça passar por assumir responsabilidade, é não mudardes: "Eu reconheço e constato, e perdoo-me, e peço-te desculpa. Está tudo bem?"

"Tudo bem."

"Óptimo! então vou mesmo continuar a fazer o que fazia antes e da próxima vez vou reconhecer e admitir e perdoar - e vou fazê-lo na mesma! E vou fazê-lo de novo, e de novo..."

Sem mudardes! Essa é uma parte significativa da responsabilidade. "Eu tenho a capacidade de responder e estou disposto a responder e até já respondi; mas não mudei uma vírgula, e da próxima vez vou fazê-lo de novo. Espero não ser apanhado. Mas o que é mais provável que aconteça - ou que eu espero que aconteça - é que mesmo que vejas que o esteja a fazer de novo, não venhas a suscitar o assunto. Por que se o fizeres, eu vou dizer: Oh não, eu pensei que já tinha tratado disso!" (Riso)

Pois é, nós entendemos na perfeição isso, com as pessoas, quando perguntam: "Qual é o problema, aqui?"

"Bom, o problema é que continuas a fazer isto e isto e mais aquilo."

"Oh, não! Não consegui suplantar isso há seis meses atrás."

"Oh, tudo bem, tu resolveste. (Riso) Não é esse o problema. Não sei qual seja o problema, por não deixares que a razão se apresente, por dizeres que suplantaste isso há seis meses atrás."

O que será importante: fazer uma lista do que precisais tratar, ou viver plenamente a vida, com abertura e com liberdade e de uma forma plena e evoluir? Para muitos de vós torna-se importante proceder a uma folha limpinha. De modo a que, quando morrerem e se confrontarem com o São Pedro possam dizer ter feito isto e mais aquilo, "Olha o quão me esforcei por processar, olha o quão responsável quase cheguei a ser!" (Riso)

Ao passo que se fossem responsáveis de verdade, não teriam que se confrontar de todo com o São Pedro! (Riso) Mas não mudar constitui um modo eficaz. E depois quando alguém diz: "Tu estás a fazer isto... Oh não, não posso estar, eu já consegui superar isso; já assumi responsabilidade por isso. "

"Bom, talvez a tenhas assumido, mas ainda o estás a fazer."

"Ainda? Oh, não! (Riso) Detesto pensar que não tenha assumido responsabilidade. Detesto pensar que ainda o estou a fazer. Que é que eu fiz, então? Oh, agora estou a voltar a duvidar de mim próprio. Talvez jamais tenha assumido responsabilidade por coisa nenhuma."

"Bom, eu não iria tão longe."

"Não? Vamos lá falar sobre isso." (Riso)

Manobras de bastidores... (A rir)



Outra maneira é simplesmente rotular isso de responsabilidade: “Eu agora vou assumir responsabilidade, e vou ser responsável, só para o caso de não saberdes. Vou rotular isso de responsabilidade e fazer o que muito bem me der na gana.” Essa é uma outra forma. Parece que o afirmareis o suficiente e as pessoas possam acreditar em vós.

E essa é o quê, a quinta ou sexta maneira? Oh, bem (perdeu a conta). Bom, é um outro modo. E o modo da negação, ou melhor o quarto modo, é aquele em que não mudais, o quinto modo é, nessa medida, rotular a coisa, o sexto modo é sentir-vos culpados, e nós distinguimos isso, mesmo apesar de a culpa fazer parte da autocomiseração e do martírio, e fazer parte desta negação da mudança efectiva, etc., parte de toda essa actividade do castigo, por muitos dos modos com que vos punis a vós próprios passarem por vos sentirdes culpados, mas muitas vezes a culpa pode permanecer isolada: “Sinto-me tão culpado por ter feito isso. Sinto-me mesmo muito culpado; não me vou castigar a mim próprio/a nem vou fazer papel de ursinho chorão vítima ou mártir. Mas sinto-ma culpado/a de verdade! Quero dizer, sinto-me sinceramente mesmo muito culpado/a. Não consigo dormir sossegado/a mas durmo; não me vou castigar a mim próprio/a, mas sinto esta culpa. Mas também não vou admitir qualquer responsabilidade para além de dizer que me sinto culpado/a.” E eventualmente desmaiam ou seja o que for, e direis que tudo está bem. Portanto, sentir-vos culpados e enunciá-lo ou senti-lo constitui um modo efectivo de evitar qualquer responsabilidade e de impedir o impacto dessa responsabilidade.

Um sétimo modo é não permanecer inconsciente. Eu não fiz isso de forma consciente. “Eu não cometi isso de forma consciente.” “Cometestes, sim. Sem sombra de dúvida!” Não existe mais coisa alguma que seja inconsciente na vossa realidade. Talvez há cem anos atrás pudésseis escapar com isso, mas não podeis mais. “Apraz-me saber que não tinhas a intenção de me magoar, mas tinhas sim senhor. Talvez não pretendesses causar dano, mas pretendias magoar. Talvez não tivesses a intenção de magoar a fundo, mas querias causar impacto para me chamar à atenção, de algum modo.” Mas não existe nada que façais de forma inconsciente, por que sejais responsáveis. Ocorrerá alguma função inconsciente? Não; existem é funções subconscientes, talvez funções automáticas como o facto de os pulmões respirarem, do sangue atravessar os pulmões e as vossas veias, etc., todo o processo da digestão e coisas do género, essas são ocasionadas de forma bastante automática e não precisais ser responsáveis por elas, a menos que haja alguma coisa de errado com essas funções, e aí sim, precisareis ser responsáveis por isso. Mas enquanto operarem bem, não, não há nada que seja inconsciente.

Bom, isso vai-vos deixar a pensar: “E que dizer de tudo o que seja consciente?” Se fordes completa e brutalmente sinceros convosco próprios, isso representará formas de conduta conscientes. Ainda que detesteis ter que o admitir, ou pensar nisso, ou ter que ver a coisa por esse prisma, não obstante isso é verdade. Agora, na verdade podereis de forma patética argumentar: “E se, nesta circunstância, neste contexto e naquelas condições isso ocorrer? Não será, nesse caso, inconsciente?” Talvez. Mas com que frequência isso vos sucederá? Nunca! (Riso) Assim, de que servirá sentar-se e pensar na única excepção, quando na verdade pode ser – pode ser! – inconsciente?

99,9% de tudo aquilo que fazeis é consciente, e o modo por que evitais a responsabilidade, e pareceis ser responsáveis, é dizendo: “Oh, não tinha a intenção; foi de forma inconsciente, “ ou: “Uma parte inconsciente de mim cometeu isso.” Ou mesmo: “Uma parte qualquer de mim fez isso.” “Eu cometi isso, e usei essa parte de mim como um veículo, fingindo que tenha sido inconscientemente,” seja para o que tiver sido.

Por vezes ao assumirdes responsabilidade, tanto pelo que seja positivo como pelo que seja negativo – aplica-se a ambos os aspectos, pelo que é importante ter ambos os aspectos em mente, a responsabilidade positiva assim como a responsabilidade negativa – sentis como se estivésseis travados, bloqueados, estagnados; bom, na maioria dos casos isso não passa de uma desculpa, a maior parte das vezes é apenas o jogo que representais convosco próprios, e não passa da acção muito conveniente de evitar a responsabilidade: “Sinto-me bloqueado, não sei o que fazer, não sei o que dizer a seguir, etc.”

Aqueles de vós que têm mais de vinte e cinco anos, já adquiram suficiente experiência de vida para perceberem que sempre podeis ter ideia do que fazer a seguir. Assim, se tiverdes menos de vinte e cinco, talvez ainda possais escapar com essa, mas assim que alcançais os vinte e cinco, precisais desistir dessa; mas ocasionalmente – em raras situações – ficais mesmo travados, e nesse sentido não sabeis como sair disso.

Bom; para sairdes da situação de bloqueio, quer se trate de uma situação real ou não, há basicamente quatro maneiras distintas de o conseguirdes; maneiras muito fáceis e muito simples, tão fáceis e simples que muitas vezes as omitis ao presumirdes dever ser muito mais difícil. A primeira, consiste basicamente em sair de si mesmo; sair fora de vós próprios, o que quer dizer tornar-se empático com a pessoa por quem estais a assumir responsabilidade. O que quer dizer ter consciência da sua dor, tomar consciência daquilo que ela está a atravessar, pelo facto de estardes a ser irresponsáveis ou a recusar-vos tomar responsabilidade, ou por estardes legitimamente ou não legitimamente travados. E se vos detiverdes, em vez de tentardes dar mais socos na parede, se vos detiverdes e deslocardes para fora de vós próprios (subentenda-se por isto: da situação potencialmente problemática com que nos identificamos) por um instante e nos colocarmos no seu lugar; quanto sentirá essa pessoa, como se sentirá em relação a ela própria por ter alguém como vós que não assume responsabilidade, e por vos pordes a olhar para o céu de forma suplicante sem saberdes o que fazer a seguir?

E se parardes por um instante a sentir a dor e a mágoa que sente, o medo que sente, e a sentir aquilo que atravessa por causa da vossa falta de responsabilidade; isso poderá – em particular se vos sentirdes legitimamente bloqueados - isso poderá desbloquear-vos. E mesmo só falar sobre o que ela sente, a forma como deve sentir-se, como se sente, devido às vossas acções, etc. O que não resulta é sentar-vos lá em silêncio, evidentemente; isso não funciona. Mas se tomardes um instante e considerar como a outra pessoa se sentirá – sairdes fora de vós próprios e do vosso particular casulo, e penetrardes no sentimento dela e sentirdes como será para ela, como será que atravessa isso: “Oh, eu sou terrível, eu não consigo fazer isso.” Conseguis, sim. Carece de um pouco de vontade e determinação, desejo por vos tornardes responsáveis, e é por isso que se vos sentirdes legitimamente travados sereis capazes de fazer isso. Se não vos sentirdes legitimamente bloqueados e disserdes estar, então não sereis muito bem capazes de o conseguir.

Mas resulta efectivamente meter-se na posição dessa pessoa e sentir a dor que ela sente; isso deve ser suficiente para vos fazer mover de novo. E se isso não parar, falai sobre a dor que ela sente: “Isso seria terrível.” Não, é terrível; é doloroso; não “seria”, nem “pode ser”, “possivelmente”. Mas em certas circunstâncias poderia mesmo ser doloroso para vós; por se situar precisamente aqui e agora e vos fazer sentir a dor. Mas esse sentimento leva-vos a sentir-vos assustados: “Não quero assumir responsabilidade; antes quero permanecer estagnado; além disso tu não sentirás qualquer segurança junto de mim.” É isso que vos afecta de verdade; não que vos venha a afectar, isso afecta de verdade. E como falamos disso sem ser de forma muito prolongada, mas apenas o suficiente, vós direis: “Muito bem, agora posso avançar, agora já posso continuar.” Isso funciona quando vos sentis legitimamente bloqueados. Se não funcionar provavelmente dever-se-á ao facto de vos encontrardes legitimamente travados.

A segunda abordagem consta de dizerdes aquilo que não tendes vontade de dizer. E ver aquilo que não quereis ver em relação a vós próprios: “Estou bloqueado, estou bloqueado, não sei o que fazer, não sei o que dizer a seguir, não sei como hei-de avançar, penso que assumi responsabilidade; eu reconheci, admiti, perdoei e mudei...” Não mudastes, e esse é que é o problema. E isso não é sentir correctamente. “Tampouco sinto que isto seja correcto.” Então, que será que não quereis dizer? “Isto é o que não quero dizer!” Mas dizei-o! “Mas não quero ver, nem dizer o que não queres ver.”

E isso tirar-vos-á dessa posição de travamento, e se fordes honestos em relação a isso, representará o que vos desbloqueará mesmo quando não vos sentirdes bloqueados, e quando apenas disserdes que estais, e apenas estiverdes a atravessar os movimentos da estagnação.

Uma terceira abordagem que resulta de modo efectivo – em particular quando não vos sentis legitimamente estagnados, consiste em explicardes o jogo que tendes vontade de continuar; por outras palavras, dizei à outra pessoa qual é a manipulação que pretendeis continuar e em que pretendeis deixar-vos ficar: “Olha, estou estagnado; na verdade eu digo estar estagnado, e estou a dizer isso por não querer ceder este ou aquele jogo. Quero assumir responsabilidade apenas suficiente para escapar a esta situação, de modo a não ficares aborrecida/o comigo, mas não tenho realmente vontade de mudar este jogo, esta manipulação, este jogo de poder, esta dominação – seja o que for. Isso é o que é, e eu vou-te dizer do que se trata.”

Isso resultará e levar-vos-á a desencalhar, quer estejais legitimamente estagnados ou não, isso resultará.

E a quarta maneira consiste em focar-vos no amor. Ora bem, isso funcionará mais particularmente caso estiverdes legitimamente encalhados. Assim, o primeiro e o quarto modo funcionam melhor quando vos encontrares legitimamente estagnados, enquanto o segundo e o terceiro resultam em qualquer caso. Focai-vos no amor. Bom; isso conseguireis ver, porventura, no caso de alguém que ameis e em relação a quem assumis responsabilidade. Agora, que dizer quando não amais a pessoa? Quando não gostais particularmente da pessoa por quem ou com quem assumis responsabilidade? Caso seja um patrão ou um companheiro de trabalho, ou alguém com quem precisais associar-vos, por causa da localidade em que viveis ou do que fazeis, ou se for um vizinho, seja o que for.

“Eu não gosto dessa pessoa! Como poderei focar-me no amor? Prefiro ficar estagnado. Não me quero expor a ela; quero continuar esta manipulação; não quero dar-lhe munições que possa utilizar contra mim.” Bom, está certo! 

 “Nem quero dizer o que não quero dizer, nem quero ver o que não quero ver; não quero mostrar-me tão vulnerável junto dessa pessoa que não tem tanta importância quanto isso para mim. Estou-me nas tintas para o que ela realmente sente. Não pode ser grande coisa! Tampouco assumo qualquer importância aos olhos dela.” Mas sabem, se apenas disserdes isso, provavelmente saireis da estagnação. Se admitirdes: “Olha, ela não é tão importante quanto isso para mim, para eu ter que expor a vulnerabilidade de que padeço. E não acredito que te sintas tão magoada/o, por não acreditar que te interesses tanto assim por mim. Fomos atirados juntos a este mundo e como tal interagiremos, e lidaremos um com o outro em termos profissionais, ou como irmãos; mas com toda a honestidade, eu não quero desenvolver nenhuma relação profunda contigo. Por isso, não quero mais assumir responsabilidade em relação a isto.” 

E o que acontece é que desencalhais e de facto passareis a tornar-vos mais responsáveis.
Mas focar-vos no amor – de que modo conseguireis isso? Evidentemente que se for alguém que ameis, podereis focar-vos no: “Que é que eu quero com isto; que é que eu quero realmente? Deixa-me pensar no amor e deixa-me sentir o amor e deixa-me tomar conhecimento do amor que sentimos um pelo outro – que ela sente por mim e que eu sinto por ela.”

Se não for em relação a alguém por quem sintais um amor dessa natureza, que tal amor em relação a vós próprios? E que tal amor pelo vosso Eu Superior, pela vossa Alma. Mesmo que desconheçais o que o vosso Eu Superior seja, nos termos de o reconhecer na rua – muito claramente que não, mesmo que não estejais certos do que seja a vossa Alma, nem o Si Mesmo. E se não conhecerdes nada sobre ambos? Tereis um conceito deles. Podeis admitir por hipótese. Podeis imaginar o amor que sentis por vós próprios ou pela vossa Alma ou pelo vosso Eu Superior e ainda que os não consigais identificar ou definir, e não estejais bem certos de conseguirdes ou não experimentar essas partes de vós próprios, sabeis que existem. E sabeis o amor que sentis.

E ao assumirdes responsabilidade talvez por alguém totalmente estranho, ou porventura por alguém por quem não vos interessais tanto ou por quem muitas vezes efectivamente não sentis a menor simpatia; se vos lembrardes que o amor não lhes é endereçado, mas a vós próprios, isso poderá tirar-vos do bloqueio. Se conseguirdes sentir o vosso Ser a observar-vos, a vossa Alma, sentada na esquina do quarto a ser alvo do vosso comportamento, a vossa Consciência Superior a sentir a dor da vossa falta de responsabilidade; se conseguirdes deter-vos por um instante e experimentar isso, ainda que por dez segundos, se vos encontrardes legitimamente emperrados sereis demovidos dessa condição. Ver-vos-eis capazes de avançar e de assumir essa responsabilidade que precisais assumir aqui e agora. Que em seguida será seguida pela acção mudada.

Se não vos encontrardes legitimamente emperrados e o bloqueio que sentirdes constituir um jogo e fizer parte da manipulação, nesse caso não ireis sentir o amor, mas se conseguirdes, se pelo menos vos permitirdes sentir isso, senti o amor que tendes pelo próximo e se não for por ele, por vós próprios e pelo vosso Eu Superior. Também podeis “deter” o jogo de permanecer emperrado, bloqueado, e voltar ao “caminho certo” de assumirdes a responsabilidade que quereis. 

De modo que ao olhardes para isso, há muitas formas de assumir responsabilidade e várias formas de, pelo menos, vos pordes em movimento, pelo que não há razão nenhuma para não assumirdes uma responsabilidade total a partir deste momento, não é? “Ah ah ah!” Não existe mais nenhuma razão para além da atitude que tomais e das crenças que ainda mantendes! Se as alterardes, podereis tornar-vos inteira e completamente responsáveis e avançar rumo à liberdade. 

LIBERDADE

A liberdade é um termo anda muito em voga ao vosso redor, em particular no vosso mundo ocidental, na vossa sociedade livre, na liberdade de expressão e nos vossos direitos de liberdade, e nisto e naquilo. Toda a gente é livre, nasceis em liberdade, sois livres e gozais de liberdade, dispondes da Declaração dos Direitos Humanos - quanta gente não é capaz de a recitar de cor, não é? Quer contenha dez ou doze artigos que digam respeito à posse de arma ou algo do género, à liberdade de expressão e ao direito de porte de arma, à procura da felicidade ou algo semelhante, achais-vos de tal forma inundados de liberdade que muito raramente parais para reflectir no que envolve. Quantas vezes já definiram a liberdade? Bom, quer dizer ser capaz de fazer o que quereis fazer. Bom, está certo, é uma definição da liberdade mas por certo não será a mais completa.

E como quando falamos de crescimento e de evolução e de ser espirituais e de iluminação, certamente que a liberdade deve querer dizer mais do que fazer simplesmente o que quereis fazer. Por que toda a gente por todo o vosso mundo é capaz de fazer aquilo que quer fazer. “Oh, não podem fazer aquilo que querem nesta ou naquela nação...” Estais certos disso? Que é que querem fazer, antes de mais? “Bom, não podem ter um automóvel novinho em folha todos os anos.” Mas talvez não queiram ter! Talvez achem os vossos automóveis a gasolina poluentes e bastante inconvenientes. Fizeram-no, na Atlântida. Não tinham automóveis; por certo que conheciam a tecnologia mas não a utilizaram por ser tão barulhenta e suja quanto é. Revelava-se demasiado vulgar, decerto.

Assim, em que consiste a liberdade? “Em sermos livre e fazermos o que queremos;  ser capaz de se levantar e deitar quando quisermos...” (Riso) O que é a liberdade? Sim, sem querermos estar a assumir nenhum ar de patriota, possuís um dos mais incríveis documentos, que é a Constituição, que as pessoas sempre tentaram alterar, e graças a deus que ainda não conseguiram ser bem-sucedidos, e só foram capazes de retificá-la umas 23 vezes ou isso.

É um documento maravilhoso na simplicidade e na clareza de atitude que apresenta, essa Declaração Universal dos Direitos Humanos que vos proporciona uma série de liberdades, sem dúvida nenhuma, de que a busca da felicidade constitui uma importante. Mas vós tendes duas formas de liberdade – já mencionamos isto anteriormente mas vamos mencioná-lo de novo por ser tão importante – duas formas de liberdade que constituem porventura as duas formas de liberdade de que dispondes: que é a liberdade da dívida sob prisão, o que significa que podeis cometer erros, e que significa que não tendes que viver e ser punidos pelo vosso passado, quer dizer que podeis recomeçar; e a liberdade de movimentos, com que podeis cruzar fronteiras estaduais sem permissão. Podeis viajar à vontade, podeis mudar, podeis criar um novo futuro, ter uma realidade nova.

Essas duas formas de liberdade constituem talvez as duas mais acalentadas de que dispondes, por abrirem caminho para as restantes. Porque a busca da felicidade não significa nada, se tiverdes que sofrer continuamente pelo vosso passado, ou ser punidos por ele, ou se não dispuserdes da capacidade de alterar o futuro com agilidade. Mas dispondes delas de uma forma embutida e automática e desconsiderada, mas sugeriríamos aqui que por vezes é importante deter-se e considerar a sério as liberdades de que dispondes que constituem direitos inalienáveis de todos os seres humanos; que incorporastes automaticamente no vosso belo sistema. Representa mais do que ser capaz de cruzar fronteiras sem um passaporte. Agora podeis fazer isso em muitos locais da Europa, sabeis, ides de um país ao outro sem muitos problemas; embora agora estejam a começar a perseguir isso, etc., e já não sejais tanto capazes de o fazer - através do controlo do livro de bolso, o cordão de pérolas etc. A França é um desses países eficazes em que, quer tenhais um passaporte ou não, não há forma de lá chegardes. 

Implica mais do que ser capaz de deixar de ser atirado para uma prisão por causa das dívidas que cometais, e de ser capaz de declarar a falência em relação ao passado, para limpardes a folha; envolve mais do que isso. Que coisa será a liberdade?

Bom, a liberdade, antes e mais, representa um termo relativo que quer dizer um estado relativo, mas sugeriríamos que ser livre quer dizer ser capaz de funcionar dentro dos limites, das restrições da vossa realidade – independentemente do que essa realidade envolva, e a despeito dos limites dessa realidade. E na verdade, se conseguirdes funcionar dentro dos limites de que dispondes sereis livres; quer vivais nos Estados Unidos ou vivais na Nicarágua. Quer vos encontreis detidos por ter cometido actos ilegais ou não, se puderdes viver dentro desses limites, sereis livres. A definição de liberdade quer dizer a capacidade de viver e de funcionar dentro dos limites da vossa realidade. Bom, então não sereis todos livres? Não!

Tendes três tipos de restrições: tendes obstruções, limitações, bloqueios psicológicas ou emocionais; também tendes princípios, regras por que vos regeis numa realidade que não possui regras e numa realidade que vós criais por vós próprios, tendes princípios que também vos atam. E também tendes limites, os limites como o do chão e o da cadeira em que vos sentais e o das paredes entre as quais vos confinais; a realidade lá fora, que fingis ser verdadeira, que apresenta limites, que vos recordam que as crenças exigidas em relação a atravessar uma cortina de água são relativamente limitadas – todos podeis fazer isso. Já atravessar uma cortina de água sem vos molhardes, requer um limiar mais elevado. Atravessar uma parede de cimento, requer um limiar ainda mais elevado. Assim, consequentemente existem limites, mas na sua maior parte sugeriríamos que sejam bastante indistintos por de facto não vos restringirem tanto quanto os levais a fazer-vos.

Porque, conforme dissemos, não vos preocupeis em atravessar paredes até que não existam mais portas; então, começai a preocupar-vos com isso. Mas enquanto existir uma porta, não precisareis atravessar paredes, não necessitareis de ultrapassar esse obstáculo particular – sois livres! Ainda que esse limite, essa “parede,” possa ser bastante sólido! Agora, há quem consiga funcionar em meio aos bloqueios de que padece, e consiga ser feliz. Serão livres? São! Superficiais, mas livres! Não crescem, porque, entendam, ser livre, ser capaz de funcionar dentro dos limites da vossa realidade de uma forma feliz – sois capazes de o fazer numa prisão, num país estrangeiro, podeis faze-lo sob um regime ditatorial, podeis conseguir isso na mais livre de todas as realidades, assim como podeis não o conseguir em nenhuma delas, por constituir um termo relativo inerente a vós, sujeito – aos vossos limites!

A liberdade constitui igualmente algo mais do que um simples termo relativo que represente ser capaz de funcionar dentro de limites estabelecidos; a liberdade constitui a capacidade e a disposição para mover esses limites, para os expandir. Ser livre quer dizer ser capaz de funcionar de uma forma feliz dentro deles; o poder inerente à liberdade, ter liberdade quer dizer ter vontade de os mover. A interacção entre a capacidade de ser livre e do funcionar de uma maneira feliz dentro dos limites de que dispondes, e a contínua disposição de expandir esses limites, a disposição de ser livre, combinam-se e interagem de forma a criarem uma alquimia mágica e mística de liberdade. A liberdade representa uma acção, representa uma forma de vida, é uma função que combina a capacidade de ser livre com a disposição; que combina a capacidade de ser feliz dentro dos limites, com a determinação de expandir esses limites, a fim de criardes o poder da liberdade.

Bom, os limites formam uma “caixa”; e nesse sentido podeis olhar os limites como vocês estão na vossa realidade; esses limites acima de vós que vos prendem – bloqueios. Há vossa esquerda, princípios; à vossa direita, princípios que vos prendem. À vossa frente, limiares; e atrás de vós, limiares. Formam uma caixa ou um cubo, em que funcionais, e dependendo do que essas obstruções sejam, e do que os vossos princípios sejam, e do que os vossos limiares sejam, podeis sentir-vos felizes. 

Falamos até mesmo de preocupações de natureza dietética – e aqueles de vós com quem conversamos sabem que não sugerimos nenhuma dieta particular que resulte no vosso caso; fomos interrogados em relação às comidas, às carnes vermelhas, à carne de porco e ao toucinho e a coisas do género – se serão prejudiciais para a vossa saúde. Não, não são prejudiciais, só apresentam um limiar muito elevado, de forma que para superardes o impacto que exercem, precisais de muito mais energia do que para superar as carnes brancas ou vegetais. De modo que dizer que a carne de porco seja danosa e que não a deveis ingerir – não. Estareis dispostos a superar esse limiar, estareis dispostos a despender a energia para empurrar esse limiar de forma a não exercer um efeito negativo em vós? Porque fazer isso vai exigir da vossa parte uma quantidade de energia extra maior do que carregá-la. Muito mais do que a carne vermelha, pelo que muito mais do que a carne branca, o peixe e a carne de ave, que quer dizer muito mais do que certos vegetais e as proteínas extraídas das nozes, dos legumes e de coisas do género.

Assim, tudo se resume a - estareis dispostos a ser livres para afastar esses limiares, a alterá-los a modificá-los? E ao vos verdes nesse sentido, a entrar numa realidade que define limites – vós precisais de limites, gente, e todos vós tendes bloqueios. “Náa!” Tendes sim senhor! Tendes bloqueios e obstruções. E tendes limiares, decerto que sim (bate com a mão na parede). E tendes princípios. Bom, alguns de vós podem não ter princípios: “Que maravilha, sou livre!” Não, andais perdidos! (Riso) mas se não defenderdes princípios, não tem importância, haveis simplesmente de criar mais obstruções. Por isso, sempre vos confinais à “caixa”, sempre ajustados à caixa. 
Vocês e não esta figura colada! (Apontando para o quadro) Toda essa coisa são vocês. 

Agora, essas obstruções terão terminado? Sim, estão abaixo de vós; bom, talvez não, talvez hajam uns princípios aqui e os bloqueios aqui. Não é assim tão importante onde os situeis, se à frente ou atrás, mas ao obterdes aqui o retracto da forma como vos vedes presos numa realidade dotada de limiares, princípios e obstruções, cabe-vos a vós primeiro aclimatar-vos a isso, aprender a ser livres, funcionar pelo melhor que fordes capazes, para depois começardes a expandir isso.

Existem vários níveis de liberdade – sete para ser mais exacto – que operam de uma forma bastante específica na vossa realidade física. Nem rodos operam na vossa realidade física, mas quase todos. Aqui, as pessoas também cometem o erro de pensar que a liberdade é liberdade, ponto final. Tal como pensam que o amor seja amor em todas as situações, e que seja a mesma coisa, mas não é. Dizer que amais uma pessoa, como sabeis, não quer necessariamente dizer que queirais ir para a cama com ela. Mas muitos de vós pensam que sim. Pensam que amar alguém queira dizer que queiram casar com a pessoa ou ir para a cama com a pessoa; e assim não podeis amar determinada pessoa, “Por não querer ir para a cama com ela, puh! Tenho que amar aquela pessoa que esperais; tal como os homens não podem amar outros homens por isso poder querer dizer que tenha que ir para a cama com eles, o que seria pervertido ou doente ou toda essa coisa. As mulheres não podem amar as outras mulheres pela mesma razão, etc.” De modo que, quando pensais que o amor seja amor, ponto final, encontrais-vos bastante limitados. Mas quando percebeis existirem muitos níveis distintos e tipos de amor – que muitos de vós estão a descobrir ou a tentar descobrir nesta vida - então de facto conseguireis amar todo o tipo de gente por formas muito distintas.

E em relação à liberdade acontece o mesmo; não quer dizer ser livre ou não, não é uma questão em termos de preto ou branco, por existirem níveis e tipos diferentes de liberdade. E se compreenderes onde vos posicionais na progressão da liberdade, isso poderá ajudar-vos a descobrir onde precisais encaminhar-vos nessa progressão da liberdade, e pode conferir-vos muita percepção quanto à área em que precisais assumir uma maior responsabilidade.

À primeira liberdade chamaremos liberdade pela segurança, que consiste basicamente numa forma de liberdade que não se expande; é uma forma de liberdade estagnante, pelo que também é de curta duração, o que geralmente é o caso. Mas consiste num ponto de partida. É a primeira forma de liberdade de que dispondes: os bloqueios, os limiares, os princípios - tudo no seu devido lugar, trancados em posição, em cujos limites funcionais. Foi o que dissemos quando mencionamos que podeis funcionar no contexto de todas as obstruções que tendes e conseguir ser livres. Mas não experimentareis a liberdade total; podeis ser livres, e haveis de ser muito superficiais, uma pessoa frívola, uma dessas pessoas que vive unicamente por uma questão de existir; para conseguir viver o dia seguinte.

Mas isso proporciona segurança – um piso debaixo dos pés e um telhado sobre a vossa cabeça, abrigo, algo que comer, o que vestir – é a liberdade! E existe gente na vossa realidade, no vosso mundo, que não possui essa forma de liberdade. Não conseguis nem sequer imaginar o que deve ser nem sequer dispor da segurança básica dessa forma de segurança! Mas há montes de pessoas, cada vez mais, que não têm.

O segundo patamar tem que ver com a liberdade para ter prazer. Liberdade para ter prazer. Liberdade para experimentardes prazer. Mas sugeriríamos que nessa forma de liberdade ainda tendes bloqueios e limiares e princípios; só que começais a mover essas obstruções – não necessariamente a mudá-las nem a eliminá-las, apenas movê-las para trás, proporcionando a vós próprios algum espaço. E os princípios e os limiares permanecem no lugar. 

O terceiro patamar da liberdade consiste em liberdade para controlar; ora bem, o alcance positivo da coisa é o de controlar de uma forma criativa e o negativo é a liberdade para controlar de uma forma dominante, mas em todo o caso trata-se de liberdade para controlar, e nesse tipo de liberdade moveis as obstruções e os limiares. Alterais os limiares da vossa realidade: os limites que são naturais e os limites que constituem bloqueios feitos pelo homem – mas os princípios permanecem praticamente na mesma.

O quarto nível da liberdade – liberdade pessoal; em que as obstruções, os limiares e agora os princípios se encontram em mudança. Mudais os princípios que tendes, alterais aquelas qualidades por que vos guiais a vós próprios; os princípios da honestidade e do amor, do interesse – alterais, expandis, esses princípios e expulsai-los cada vez mais para fora; não afastando-os de vós, no sentido de: “Não lhes vou dar ouvidos,” mas expulsá-los para fora em termos de os tornar maiores, mais compreensivos, mais abrangentes do resto da vossa realidade, a fim de incluirdes aquilo que se acha “fora da caixa”, (fazendo um gráfico no quadro) incluindo-os aqui a fim de os expandirdes, e a tornardes numa caixa maior, e a seguir uma caixa maior, e depois uma caixa ainda maior. A liberdade pessoal ainda permanece na caixa, só que a torna sucessivamente maior. Movendo as obstruções - ainda contendo obstruções – tornando-as cada vez mais pequenas, menos opressivas, menos limitativas, de modo a tropeçardes menos nelas e a ultrapassá-las e ir além delas todas.

Mudando o que não se pode mudar – as realidades que são como são. Esses são os limiares. Mudando-os. “Bom, sabes quando fizermos exame possivelmente não poderemos proceder a nenhum programa, estará tudo acabado nessa altura” – isso é um limiar, um começo, uma mudança. “Possivelmente não poderemos conseguir uma casa assim facilmente, possivelmente não poderemos obter um emprego assim rápido, talvez não possamos conseguir tanto dinheiro assim tão cedo...” Limiares, limites máximos, critérios de avaliação limitativos! Não necessariamente obstruções em si mesmo nem bloqueios emocionais, mas limites associados às crenças. Limiares da realidade, que expandis e que mudais, que alargais e moveis. O quarto patamar – liberdade pessoal. O mais determinado.

O quinto patamar da liberdade prende-se com a liberdade emocional. Pode-se pensar que esse já tenha sucedido antes – no da liberdade pessoal – mas aquilo a que nos estamos a referir não é apenas a mera capacidade de sentir emocional, mas à liberdade inerente a esses sentimentos. Emocional, por conseguinte mais real do que fisicamente. Liberdade emocional. Nessa condição, expandis, não só moveis como expandis esses limiares, e expandis os princípios, e eliminais os bloqueios. 

E o nível seguinte? Liberdade etérica ou espiritual. Neste, expandis os princípios e eliminais os limites e eliminais as obstruções. E na liberdade final, total ou incondicional, eliminais os princípios e os bloqueios e os limiares – quererá isso dizer que não tereis nenhuns? Não! Ainda funcionareis num enquadramento de princípios mas não sois limitados por eles. 

De modo que, conforme podeis ver, reunimos em certa medida os patamares: primeiro existe a caixa, o primeiro nível de liberdade consta de vos situardes dentro dela. O nível seguinte da liberdade consiste em começardes a expandir e a mover os bloqueios, e então começais a mover os critérios limitativos, os limiares. Depois moveis as obstruções, os limiares e os princípios, mudando-os e expandindo-os, movendo-os. O quarto nível, em que tudo se acha em movimento. No quinto nível eliminais os bloqueios. E depois no sexto eliminais os limites. No sétimo eliminais os princípios, e encontrais-vos de novo fora da box ou “caixa”.

Onde começastes? Numa forma astral, supomos.

É importante saber em que posição vos situais. Onde vos encontrais? Estareis agora meramente ao “abrigo do frio”, finalmente numa box? Finalmente encontrastes obstruções, limiares e princípios? Por fim obtivestes alguns? Bom, não desesperem, porque teve que começar por um lado qualquer. Perceber que tudo o que estais a conseguir é criar liberdade com propósitos de segurança e que entrareis em decadência – não podereis ficar aí, apenas podereis descansar aí por um bocado, abrigados da “chuva”. Mas depois tendes que vos por em movimento de novo, para a expandirdes, primeiro que tudo movendo as obstruções, e a seguir as obstruções e os limites, e depois, os limites e os princípios. 

Mudar os princípios – que princípios? Esse é o problema, porventura, não?

E assim que tiverdes os três em movimento – e podeis empurrar e puxar e mudar e manipulá-los (talvez manipular seja um termo impróprio) mas em todo o caso conseguireis compreender. Então estareis preparados para a liberdade emocional. Não podeis parar pela mudança disso, e na mudança deste princípio e deste particular limiar e deste bloqueio; tendes que começar a eliminar as obstruções, e a seguir os limites. 

Como na liberdade espiritual não existem limites por que preciseis vincular-vos: “Significará isso que poderei caminhar através das paredes se o quiser?” Quer! “Ah, que óptimo, deixa cá ver...” Porque razão querereis atravessar paredes? “Para ver se o consigo!”Mas nesse caso não vos situareis na condição de liberdade espiritual. Estareis de volta à forma de liberdade que a segurança provê. Quando sois espiritualmente livres, não precisareis comprovar se conseguis atravessar paredes. Tampouco isso é coisa que alguma vez vos ocorra. Num sentido mais prático, quando sois espiritualmente livres, não precisareis acreditar nas limitações da realidade circundante: “Precisas fazer isto, precisas fazer aquilo; esta é a única maneira por que isto pode ser conseguido, esta é a única forma por que aquilo poderá ser conseguido. É demasiado tarde para alterardes essa realidade, é demasiado tarde para a alterardes, segundo o advogado, ou segundo o governo. Tendes uma multa por excesso de velocidade de modo que tendes que pagar a multa, por ser assim que o sistema funciona.” Limites em que não precisais acreditar; contudo: “Ah, isso representa uma anarquia! É niilismo; desagregar a verdadeira fibra nuclear da família. Precisais obedecer às regras.” Sim, obedecei às regras, mas estabelecei-as! Estabelecei as regras a que obedeceis. “Como, concorrendo a uma pasta do governo?” Não. Sejam livres! Sejam livres na vossa realidade – não tendes que ser livres em relação à realidade dos outros – só em relação à vossa. Já é quanto baste!

Ser total ou incondicionalmente livre – podeis atingir picos disso, podeis aceder a isso por instantes, mas enquanto tiverdes um corpo não conseguireis sustentá-la, por representar um limite máximo. E enquanto dispuserdes de um corpo tereis pelo menos esse limite máximo, e por conseguinte precisareis de uma certa quantidade de princípios que comportem o corpo e o guiem. Mas alturas há, na meditação e na percepção em que sentis uma sensação de liberdade total ou incondicional, que vulgarmente é referida em termos de iluminação. “Não sei, estava sentado ali e de súbito fui atingido por um relâmpago de iluminação que senti.”

Já ouvistes falar disso, aqueles de vós que correm à procura desse clarão de iluminação algures. “Eu quero passar por uma experiência de iluminação.” Pois bem, se cruzardes estes níveis de liberdade, obtê-la-eis. “Não, não, não, eu quero que me seja dada; quero que Deus me atinja com um raio de luz. Eu li sobre isso em relação a fulano de tal, e quero passar pela mesma coisa. Ele ia a caminhar pela estrada fora e sem contar ZAP, foi subitamente atingido! E soube – soube o quê? Soube simplesmente! E eu quero isso.” Pois bem, então criai uma ocorrência dessas por vós próprios. Alçai-vos a uma progressão dessas. “Não, não, não, eu quero que me seja proporcionada!” (Riso) Aí tendes o vosso problema!

Porque, a liberdade é uma coisa que se encontra ao dispor de todos vós, entendem? E na nação em que habitais em particular é mais facilitada do que em muitos outros; existem poucas limitações que tenhais que suplantar, assim como poucos bloqueios inerentes ao social. Ah, elas existem, façam o favor de não nos interpretar mal; e muitas vezes, quanto mais alto bradam em nome da liberdade, menos liberdades gozais. Mas aqui dispondes de melhores condições a esse respeito, de modo que para começardes a “trepar essa escada”, antes de mais, em que ponto da corrida vos encontrais, sinceramente? E percebei que em última análise entrareis em ressonância, e ao ser livres, entrareis em ressonância com o vosso nível mais baixo.

De modo que, se vos encontrardes nessa área da vossa vida que envolva unicamente a liberdade em função da vossa segurança, não importa o quão vos alongueis para alcançardes este ponto, que eventualmente dareis por vós de volta acolá. Por cairdes na decadência imposta pela vossa própria letargia. Afogais-vos na vossa própria decadência. À medida que vos expandis e moveis essa “escada” de progressão e carregais o mínimo de vós convosco, e o mantendes em movimento, então entrareis ainda em ressonâncias com o vosso nível mais baixo mas ireis bem mais longe na progressão. E com toda a sinceridade, gente, se conseguirdes, no prazo de uma vida, obter liberdade pessoal do Nível 4, sair-vos-eis muito bem. 

Sair-vos-eis maravilhosamente, porque aí quando descartardes as limitações que o vosso corpo representa - ou seja, quando morrerdes – (riso) se tiverdes alcançado esse nível de liberdade pessoal no prazo de uma vida e o mantiverdes o suficiente para terdes consciência disso; se tiverdes entrado em ressonância a esse nível, então quando descartardes o vosso corpo, quanto tiverdes descartado esse limite, quando morrerdes, disporeis de liberdade de escolha a exercer, quer no sentido de continuardes a avançar em frente - e desse modo encontrar-vos-eis num estado de liberdade espiritual, liberdade emocional que se torna numa liberdade espiritual – movendo-vos nesse sentido para uma liberdade incondicional, ou podeis voltar de novo e começar tudo de novo. Preencher uma outra vida física, por ventura um puco mais célere, dessa vez. Assim, precisais alçar-vos nessa “escada” de progressão, e a única forma de o conseguirdes é tornando-vos responsáveis. A única forma por que conseguis subir nessa “escada” e sendo responsáveis.

Ora bem; alguém poderá providenciar-vos um telhado de abrigo, comida e um trabalho que podeis frequentar das nove às cinco, e dar-vos mesmo uma televisão para verdes quando regressardes a casa. E um jornal para ler e uns chinelos para usardes. Ou não? Mesmo isso precisais fornecer a vós próprios, e assumir a responsabilidade de pagar essa televisão e esse jornal, e os chinelos que usais ou seja lá o que for. 

Assim, há a responsabilidade por esse nível inicial e superficial da liberdade. Portanto, por que tendes medo disso? È verdadeiramente maravilhoso. Não apresenta limites nem fronteiras de demarcação, sem vos confinardes; podeis fazer o que quiserdes fazer e criá-lo. Liberdade total – porquê? Por que razão tendes medo disso, e assim também, temeis todo o tipo de liberdade?

Bom, sabeis que mais, o Erich Fromm no livro que publicou “O medo da Liberdade” que consiste num livro maravilhoso, que aborda a Alemanha nazi e as influências psicológicas que levam as pessoas a fugir à liberdade e a preferir ser conduzidas. Um outro Eric que também escreveu um livro sobre a liberdade, embora neste momento não consigamos recordar-lhe o título, mas sugeriríamos aqui – foi o Verdadeiro Crente” – Eric Hoffer, um estivador que era meio filósofo, e nós sugerimos que também é um livrinho maravilhoso, apresenta uma certa trivialidade, mas sugerimos que nas entrelinhas se obtém umas quantas boas questões. Se quiserdes ler sobre as razões por que quereis ser livres, etc., esses dois livros enquadram-se um no outro na perfeição, e podem servir-vos muito. Mas não vamos falar desses dois livros por poderdes lê-los.

Mas uma das razões que está ligada a eles, por que quereis que vos digam o que fazer, e por que quereis que alguém mais vos diga quando estais certos ou quando estais errados; levantar e deitar-vos - quereis que isso vos seja ditado. Há muita gente que morre de medo da liberdade devido a: “Quem me irá dizer o que fazer nesse caso?” E nisso aqueles de vós, “príncipes” e “princesas”, que querem ver isso feito por vós. Vejam bem, parte do: “Eu quero um marido que o faça por mim,” ou “Eu quero uma mulher que me inspire e constitua o poder por detrás do trono,” ou seja o que for, “enquanto estiver neste trono,” (riso) “que me sirva de fonte,” o que quereis não é ser livres; não quereis liberdade. 

Quereis o que apele ao ego (elogio) por alguém o fazer por vós. Se quiserdes que alguém o faça por vós, e que vos diga quando estais certos ou errados, estais a oferecer o poder, estais a oferecer a responsabilidade, e não sois livres. Mas esse é o preço que pagais, e daí?

 “Enquanto estiver segura de arranjar o homem, ou a mulher, que o faça por mim ou que me leve a faze-lo,” querereis que vos ditem o que fazer. Uma outra razão por que temeis ser livres, deve-se sem dúvida à busca de aprovação e de validação da parte dos outros, e quererdes a comparação, quererdes que os outros vos aprovem, quer vos deem ou não permissão, quereis que eles vos aprovem. Quer vos digam o que deveis ou não fazer, quereis que eles após os factos vos digam: “Caramba, o que fizeste foi realmente impecável.” E ofereceis o vosso poder, abdicais da vossa responsabilidade e sacrificais a vossa liberdade, só para terdes quem vos diga que fizestes um bom trabalho. E para que gostem de vós, e vos aprovem. Para poderdes comparar-vos com eles ou com os demais, e assim sentir-vos melhor.

A terceira razão porque temeis a liberdade deve-se ao facto de adorardes de lutar, de vos esforçar, de dificuldades. Muitos de vós adorais lutar, ainda que não se esforcem. E fazeis disso um desporto: “Eu desisti de me esforçar, e tenho vindo a lutar por isso desde então.

E por fim debati-me o suficiente para deixar de lutar de todo,” sabem? E nem sequer ouvis a vós próprios, por ser isso que dizeis. “Esforço-me de verdade por deixar de lutar, Céus como é difícil!” (Riso) “Um belo dia destes vou por fim sair bem-sucedido e passar um dia inteiro sem me esforçar.” Adorais o esforço de tal modo, e claro que a liberdade opõe-se a isso. Não podeis lutar e ser livres. Não conseguis, é impossível! Podeis lutar numa sociedade livre, mas não podeis lutar E ser livres! Ambas as coisas são inconsistentes em relação uma à outra, e tal coisa não é passível de ser conseguida. Podeis suplantar obstáculos, podeis tropeçar nas coisas, mas não lutais. Quereis competir para vencer os outros; quereis chegar lá em primeiro lugar, de modo que usais “pesos-mortos” que vos impedem de ser livres. É uma tal supremacia para vós ganhar, vencer alguém, e ter um juiz por perto que vos diga que vencestes: “Eu aprovo-te!” 

Tendes tanta vontade de manter essas três no lugar que dais azo a que vos ditem. Dais azo a que os outros tenham poder para vos condenar a “torto e a direito”, e permitis-vos tentar desempenhar o “jogo” de derrotar, e de inevitavelmente ser derrotados e iludidos, uma e outra vez; e dispondes-vos a abrir mão de toda a vossa liberdade de forma a que possais alguma vez ter a oportunidade de poderdes vencer, e de desempenhardes o vencedor, ser aclamados como vencedores. É uma loucura!

Uma outra razão, deve-se ao facto de temerdes perder o controlo, de vós próprios, mas também dos outros – temerdes de verdade perder o controlo: “Mas, mas... se eu for sou livre e eles são livres... nesse caso não poderei controlá-los, não poderei fazer o que quero, não poderei manipulá-los, não conseguirei atingi-los. Nem dizer que os enganei! Nem serei capaz de fazer as coisas à minha maneira. Não conseguirei controlar os outros. Que valor terá isso? Que valor terá o viver com os diabos?” Liberdade – quem a desejará?

Não, enquanto quiserdes controlar. E controlar-vos a vós próprios? “Ah, sem dúvida!” O: “Ou nos controlamos ou somos controlados,” aplica-se tanto aos outros como a vós! E tendes vontade de acreditar nisso. Não é que tenhais que crer nisso: “Ah, creio que se deva ao facto de na minha infância ter adquirido a ideia de ser controlado, que ou controlava ou seria controlada. E nunca fui capaz de me livrar disso.” Não é verdade!

Passastes por isso na vossa infância e pensastes que isso era apelativo: “Eu gosto à brava disto. Posso desempenhar isso à vontade e obter uma enorme simpatia. Óptimo, vou-me agarrar a esse tipo de manobras, a esse “pau de dois bicos”, e se alguém me perguntar por que sou tão controlador, vou chicoteá-los com ele.

 “Ah, eu aprendi em criança que se não controlarmos acabaremos sendo controlados, ai, ai.” Pobrezinha! (Riso) Agradece a ti própria e põe isso de lado.

Não precisais ser assim. Sabeis o suficiente, e obtendes comprovação onde quer que seja de simplesmente não corresponder à verdade, mas se preferirdes acreditar nisso cegando-vos em relação às evidências, por gostardes de controlar... mas aí a liberdade vai tornar-se no inimigo. A liberdade não implica existência alguma de controlo nem o que controlar. “Eu vou controlar a minha realidade e fazer com que o impossível aconteça.” Isso não é liberdade. Liberdade passa pelo percebimento de não ser impossível, de modo que não há nada a controlar, só preciso dirigir as coisas, elaborar escolhas – não controlar; escolher em vez de tentar controlar. Só que essa razão para controlar é uma razão predominante.

Uma outra razão: a de terdes medo de perdera vossa identidade. A de perderdes a vossa pequena “box”. Medo de a perder. Não quereis que as vossas obstruções alguma vez vos sejam tiradas; por terdes muito orgulho nelas, sabem? “Pois é, eu tenho um problema, eu tenho dificuldade em acolher o amor.” Hm! (Riso) “Eu fui colhido pela vitimização.” Tão orgulhosos quanto podeis, das vossas obstruções particulares. Como se numa bela noite destas caísseis no sono e sair à deriva por aí sem saber onde estáveis, e começásseis à procura: onde para o dono destas obstruções particulares? Ah, ali está!”

E os vossos limites máximos? “Não acredito que isto possa ser conseguido; não acredito que aquilo possa ser alcançado; não conseguimos descobrir a felicidade, nem conseguimos enriquecer e possuir dinheiro, e amizades também, ter êxito nos negócios nem na vida privada; não podemos esperar viver na cidade grande e ter alguma privacidade; não podemos contar, não podemos esperar...” Tudo limitações do tipo: “Bom, é tudo como se costuma dizer.” “É como a minha mãe outrora me disse,” não é?

A vossa identidade acha-se de tal modo envolta nas obstruções e nos limites e nos princípios limitados – ou na falta deles, o que por conseguinte implica num número maior de obstruções! – que tendes medo de perder isso: “Quem passaria eu a ser se fosse completamente livre e fazer qualquer coisa que queira, criar qualquer realidade que queira; de que modo iria obter um ponto de comparação?” Por que razão querereis comparar? “Eu queria criar uma condição de uma riqueza fabulosa; e claro esta que não posso aferir se será fabulosa se não conseguir compará-la com a de alguém que não seja rico?!” Bom, por que razão querereis a riqueza? Para poderdes comparar, e sentir-vos superiores? “É!” Na maioria das vezes, sim! Por conseguinte, não quereis liberdade. Nem quereis verdadeiramente a riqueza, porque de facto, se a quisésseis de verdade, devido aos recursos que poderia colocar ao vosso dispor pelo gozo que daria e pela alegria que envolvia, por a quererdes, nesse caso não precisaríeis comparar.

Muitas vezes, conforme sugerimos, quando quereis um carro novo: “Eu quero um Mercedes,” ou “eu quero um Jaguar, isto, aquilo ou aquele outro, um Porche extravagante novinho em folha, seria acertado ter isso se mais ninguém soubesse disso. Se nenhum dos vossos amigos “vos pudessem ver agora,” (riso) seria acertado ter um Porche, um Bentley ou seja lá o que for, caso a condição para isso fosse a de não o poderdes mostrar aos vossos amigos, e a de que nenhum dos vossos amigos o pudesse ver. E quando passásseis rua abaixo a conduzir um Chevette (Chevrolet) ou algo do género. (Riso) Quão importante será o carro para vós e quão importante será para os vossos amigos? Só presta se o puderem ver e dizer: “Caramba! Olha para aquilo!” Não quereis ser livres – não desse jeito, absolutamente! Por que razão não bastaria tê-lo para vós apenas? “Eu sei aquilo que conduzo. Mas preciso de um termo de comparação, porque senão como saberei se é real?” E se não for? Jamais chega a ser real. O Mercedes, o Porche não são reais. Vós sabeis disso!

 “Mas eu posso levar os outros a dizer-me quão impecável é, de modo que passo a ter consciência de que realmente o tenho.” Quer queres dizer com isso? Isso não faz sentido completamente nenhum! Quando o entendeis efectivamente, quando começais a entender isso e isso chega a fazer algum sentido: “Mas pode não ser real e eu posso estar a enganar-me a mim próprio...” Estás, isso é garantido! Toda a vossa realidade não passa de uma piada; uma piada séria, mas mesmo assim uma piada. De modo que não precisais que vos digam que é real, porque eles mentem se disserem que é. Eles fazem parte dessa ilusão. Com que frequência sonhais, e dizeis: “Vou acordar agora,” e abris os olhos e sonhais pensando estar acordados e não estais; ainda estais a sonhar. Sonhastes que abríeis os olhos, de modo que sonhastes que esta pessoa correu para a minha cabeça ou seja lá o que for. Vós no controlo procurando a vossa identidade através das limitações, dos limiares, dos princípios.

Além disso o sentimento de que é preciso demasiada responsabilidade para ser livre. E: “O facto de eu ainda não saber a que se assemelhará isso. A liberdade total é coisa que me apavora, por ser desconhecida, e até ter uma ideia, não me aventurarei em frente.” O medo da liberdade, pelo que jamais descobris. À medida que conseguis desenvolver o vosso nível de liberdade e perceber que medos sentis em relação à liberdade, e os aliviardes, assumirdes total responsabilidade por eles e os alterardes, então podereis começar a desenvolver a liberdade, desenvolvendo-a de uma forma inequívoca e bela. 

Para conseguirdes tal coisa é essencial ter o crescimento, o desenvolvimento espiritual que buscais. E nesta Nova Era, neste novo tempo, em que cada vez mais responsabilidade vos assenta sobre os ombros, a liberdade torna-se numa questão crítica, e vós precisais ir ao seu encontro, precisais criar essa alquimia, essa alquimia mística e mágica de ser livre e de desenvolver essa liberdade. Será um desafio doa anos 80? É um desafio inerente ao crescimento. É um desafio inerente à espiritualidade da iluminação.


 Transcrito e traduzido por Amadeu António

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