quarta-feira, 22 de agosto de 2012

PORQUÊ SONHAR?




Traduzido por Amadeu Duarte

Jamais chegou a ser tão claro e provável: Vós criais a vossa própria realidade. Os místicos, seja por que definição for, têm vindo a dizer isso há séculos, e agora os vossos cientistas estão a chegar à conclusão: a realidade é um produto do vosso pensamento. A especificidade das teorias pode variar. As conclusões são idênticas.

A interpretação que Copenhaga fez da realidade sugere que ou não existe espaço profundo nenhum, e que aquilo que experimentais é uma ilusão que flutua suavemente à superfície da possibilidade, ou essa realidade é criada pela observação. Contudo ainda uma outra teoria propõe que a realidade que experimentais constitui apenas uma de muitas que existem - que existem tantos universos quantas as possibilidades. Outras teorias quânticas da realidade concluem que a realidade é um produto da consciência. Finalmente os cientistas estão a considerar que talvez o vosso mundo seja realmente um mundo dual feito daquilo que é potencial e do que é actual ou vigente. Os físicos quânticos são talvez os xamanes do mundo moderno da ciência. Eles estão a salientar os factores desconhecidos da realidade e a tentar encontrar sentido.

As explicações que os cientistas estão a descobrir são as mesmas que as compreensões dos místicos têm vindo a revelar desde o começo dos tempos. O físico e o metafísico sobrepõem-se: vós criais a vossa própria realidade.
Produto daquilo que observais ou do que imaginais, a realidade constitui uma ilusão. Para alguns, a realidade é composta de electrões e de protões que funcionam num domínio completamente imprevisível de probabilidade;  para outros, é composto de unidades de consciência que funcionam num domínio maravilhosamente luminoso de possibilidade. Todos concordam que cada indivíduo é um participante na realidade experimentada - na realidade criada.

A REALIDADE

A realidade que vós criais é composta de matérias-primas. Essas matérias-primas são trabalhadas e moldadas com os instrumentos da manifestação. O modelo da vossa realidade dita o projecto, e o resultado é a representação física correspondente à visão que tendes.

A escolha e a decisão constituem as primeiras duas matérias-primas. Sugeriríamos que a escolha representa a primeira dádiva facultado por Deus/Deusa/Tudo O Que Existe. A escolha constitui a semente da decisão. A decisão representa o primeiro passo no vosso Caminho para Casa. A partir das vossas escolhas e decisões procedem os pensamentos que tendes e os sentimentos que sentis. Esses são matérias-primas adicionais da manifestação. As restantes são as atitudes com que percebeis a ilusão e as crenças que fundamentalmente governam essa ilusão. Estes seis elementos constituem as matérias-primas a partir das quais esculpis a vossa realidade.

As matérias-primas essenciais são a escolha e a crença. Ao exercerdes o dom da escolha alterais potencialmente o pelo menos influenciais todas as restantes matérias-primas da manifestação. De forma semelhante, ao alterardes as vossas crenças, todos os componentes restantes se alteram. Se a escolha e a crença permanecerem inalteradas, todos as restantes matérias-primas permanecerão estagnadas. A realidade permanecerá em um estado de inércia.

A inércia é um estado de repouso ou de movimento que permanece inalterado até que se gere uma força igual ou superior que o mude. A força que é igual é superior do que o padrão existente da realidade é a escolha e a crença.

OS INSTRUMENTOS DA MANIFESTAÇÃO

Para criardes a vossa realidade necessitais de mais do que matérias-primas. Precisais habilidosamente desenvolver os instrumentos da manifestação, as ferramentas da criação. Precisais descobrir os instrumentos a aprender a utilizá-los habilmente. O desenvolvimento da habilidade da criação ou melhorar a capacidade que tendes de criar constitui uma outra via de descoberta e de desenvolvimento do vosso poder pessoal. Cada um cria a sua própria realidade. Alguns fazem-no de forma mais hábil e criativa - mais elegante - do que outros. A diferença: usareis os instrumentos da manifestação de uma forma construtiva e imaginativa? Os termos: instrumentos de manifestação e instrumentos de criação soa como se devessem parecer complicados e complexos. De facto, eles são de uma simplicidade desarmante. Existem somente três deles com que cada um de vós cria toda a sua realidade. No caso desses três instrumentos esculpis uma ilusão a que chamais a vossa realidade.

O desejo constitui o primeiro instrumento da manifestação ou da criação. Manifesto ou não manifesto, ostensivo ou disfarçado, toda a criação tem início com o desejo. A expectativa segue-o. Assim que desejardes alguma coisa, torna-se crítico para a criação que realmente espereis que algo se dê. As expectativas frequentemente parecem automáticas. Olhai para a criação positiva de uma realidade qualquer e num nível qualquer da consciência, tê-la-eis esperado.

Além delas, contudo ainda misturado com o desejo e a expectativa, o instrumento final da criação da realidade é a imaginação. As vossas imaginações instilam vida no que de outro modo não passa de pensamento positivo ou desejo vão e dos caprichos fantasiosos das expectativas que tendes.

Podemos dizer que existe uma maravilhosa alquimia que tem lugar quando combinais esses três ingredientes mágicos. Com uma encantadora mistura de desejo, expectativa e imaginação, as escolhas e as decisões, os pensamentos e as decisões, as atitudes e as crenças tornam-se densas e massivas. Elas tornam-se na vossa realidade física.

Uma sinergia espectacular, em que o todo é muito mais do que a soma das suas partes, ocorre. As partes (as matérias-primas) - uma vez cinzeladas, talhadas e esculpidas e conjuradas pela complexidade e intimidade dos vossos desejos pessoais e expectativas privadas - são erguidas à manifestação pelo poder e assombro da vossa imaginação. Pela união e mistura desses instrumentos, as matérias-primas ganham vida.

O SEGREDO DO SONHAR

Onde é que ides buscar os vossos desejos? Qual será a origem da vossa expectativa? Porquê a vossa imaginação? Os instrumentos parecem tanto mais uma parte de vós que raramente considerais a sua fonte. Os instrumentos da vossa manifestação procedem dos vossos sonhos. Os sonhos que tendes durante a noite geram o desejo, a imaginação e a expectativa. Mas uma fonte ainda mais rica é o Sonho do Futuro. A esperança e a elasticidade da probabilidade, e o alcance da probabilidade - o Sonho (com letra maiúscula) do Futuro.

Quanto mais Sonhardes, maior será o desejo, a expectativa e a imaginação que tereis. Quanto mais Sonhais, mais utilizareis esses desejos, expectativas e imaginações que já tendes de um modo construtivo e excepcional.

Não percebeis? Sempre que alguma coisa é criada algo se perde. Quando manifestais alguma coisa na vossa realidade, uma certa parte do desejo que tendes se perde. Desaparece um pedaço da expectativa que tínheis. Alguma coisa procedente da vossa imaginação é abandonado. Quando tendes alguma coisa, quer essa coisa seja tangível ou abstracta, vós não a desejais ou esperais - vós tende-la. Não mais imaginais como seria ter o que quer que seja - vós sabeis. Quando alguma coisa é criada, alguns desses instrumentos de criação perdem-se. Esse é o preço que pagais pela criação da vossa realidade.

Mas é um preço que vale a pena pagar. Enquanto Sonhais dispondes de desejo, expectativa e imaginação ilimitados. Enquanto Sonhardes, isso tem existência. O modo de reabastecerdes o desejo, a expectativa e imaginação perdidas é Sonhando. Os instrumentos que são empregues no processo da criação são substituídos pelo processo do Sonhar.

O PROBLEMA

O problema: o vosso mundo está-vos a dizer para parardes de Sonhar. O Jeito do Mundo - a Consciência das Massas - encoraja-vos a desistirdes dos vossos Sonhos. É-vos dito para serdes mais realistas, nesse vosso mundo severo. É-vos dito para não serdes tolos a ponto de pensar que os vossos Sonhos poderão tornar-se numa realidade. É-vos dito para parardes - parardes de Sonhar.

As formas de admoestação vão mais longe. A Consciência das Massas roga-vos adicionalmente para abrirdes mão do desejo, por ser egoísta, e para baixardes ou eliminardes as expectativas que tendes e aceitardes o que quer que aconteça como uma coisa positiva e para não desperdiçardes o vosso tempo com fantasias, por não vos levarem a lado nenhum.

Muitos já desistiram dos desejos que tinham, das expectativas e imaginações. Muitos já deixaram de Sonhar. Muitos mais virão a deixar. E sem Sonhos e o desejo, a expectativa e a imaginação que geram, vós não dispondes dos utensílios necessários para criardes conscientemente a vossa própria realidade. Ainda a criareis, mas tereis que depender na Consciência das Massas. Sem os vossos próprios Sonhos e o que vem com eles renunciareis à vossa criatividade e ao vosso próprio poder para criar aquilo que quereis. Sentir-vos-eis fora de controlo. Haveis de aceitar apaticamente o que quer que o mundo vos apresentar. Sereis como um carneiro.

 O PROBLEMA MAIS GRAVE

No mundo não metafísico, esse problema e essas admoestações não são novas. Vós enquanto metafísicos estais bastante habituados a essa diatribe. Contudo há um problema mais grave. Actualmente muitos dos chamados líderes espirituais e mestres (que se recusam a chamar a eles próprios líderes e mestres) estão de forma semelhante a dizer-vos para deixardes de Sonhar e para abandonardes o desejo que tendes, a expectativa e a imaginação.

Quando o ataque vem de fora, conseguis aguentá-lo. Todavia, quando o ataque vem de dentro, frequentemente não estais preparados para lidar com a confusão resultante. Frequentemente não estais dispostos a lidar com o discernimento necessário. O discernimento é agora popularmente chamado de julgamento pelos líderes que não são líderes e pelos mestres que não são mestres.

Quando o ataque procede de dentro, geralmente ele vem envolto em subtileza. As palavras geralmente acham-se presentes, só que a compreensão e o significado estão ausentes.

Aqueles que querem que deixeis de Sonhar dizem que vós criais a vossa própria realidade, e de modo semelhante dizem-vos que existe um Deus e, ou uma Deusa que vos ama. Estão prontos – sugeriríamos que estão demasiado prontos - a dizer-vos o quão realmente eles próprios vos amam. As palavras são acertadas, só que o significado está ausente.

Em primeiro lugar é-vos dito que criais a vossa realidade. E depois é-vos dito que o mundo está a chegar ao fim ou que está a atravessar algum processo de purificação ou de cura vago e abstracto, mas muito destrutivo em relação ao qual nada podeis fazer. A contradição óbvia é amenizada pelo abandono do poder de criar a vossa própria realidade. Esse abandono é aumentado pela opinião de visão curta, ou miopia em relação ao facto de que o romance e a aventura de tentar suportar a desgraça iminente é mais emocionante do que a monotonia de assumir a responsabilidade pela realidade diária.

Imagine-se alguém que tenha um filho de quinze anos e que use cabelo pintado de cor-de-rosa e um alfinete na bochecha, uma filha de dezassete anos que esperam esteja a ganhar peso (em vez de se encontrar grávida), e contas para pagar que se acumulam mais rápido do que os salários. Para muitos, torna-se mais divertido contemplar uma saída fácil para esses problemas, mesmo que isso signifique a destruição do mundo. É mais romântico e excitante planear o modo como se irá suportar os elementos, do que dar uma olhada séria à realidade que estão a criar. Além disso, quando as soluções não se apresentam prontamente à disposição, aqueles que dispõem de uma capacidade de raciocínio reduzida e de visão estreita, assumem não haver alternativas.

Muitos dos mestres que dizem não ser mestres dizem que criam a sua própria realidade, mas não acreditam nisso. Não conseguem perceber soluções para os muitos problemas pessoais e mundiais, pelo que presumem não existirem soluções. Tristemente, é a sua verdade que acabam por não ensinar àqueles que vêm a eles em busca de conhecimento.

Os que dizem não ser mestres defendem que aquilo que pregam constitui apenas a sua verdade. Por isso quando alguém ansioso por aprender – alguém que despende de uma soma de dinheiro para não ser ensinado – o escuta e acredita sem questionar as contradições nem tentar discernir, é de facto a realidade que ele, e não os que dizem não ser mestres, terá criado. Nós não condenamos os que dizem não ser mestres; apenas os observamos.

O QUE ACONTECE ENTÃO: O PREÇO

O resultado é que esqueceis que criais a vossa própria realidade. Esqueceis que todas as soluções para todos os problemas sempre estiveram e sempre estarão no seio ou no final de um Sonho. Esqueceis-vos de Sonhar.

Tornou-se muito popular na comunidade metafísica reunir informação sobre dados meteorológicos e geológicos, que quando muito são muito especulativos, e acrescentam uns quantos jargões místicos a fim de produzir profecias imediatas. Também se tornou muito popular pesquisar os antigos ensinamentos redigidos antes das pessoas saberem que criavam a sua própria realidade e que combinavam o arcaico com o imediato a fim de produzirem uma profecia de desgraça e perdição.

O problema de uma abordagem dessas não é se vireis a viver ou a morrer – vós já fizestes ambas essas duas coisas muitas vezes. O problema é que aceitar essas inevitabilidades requer não somente que esqueçais que criais a vossa própria realidade. Também precisais esquecer de Sonhar.

Há um outro preço a pagar. Precisais esquecer que existe um Deus que se interessa. É muitas vezes dito que não podeis fazer nada em relação à desgraça e à perdição, por a Terra precisar purificar-se e a Terra não querer saber de vós. Mesmo que queirais fingir que a Terra não queira saber, Deus quer. Quando aceitais a inevitabilidade da condenação ou do julgamento, fechais a porta a um Deus amoroso, a uma Deusa que cuida, a uma Totalidade que se importa.

 A SOLUÇÃO: POSSIBILIDADE CINTILANTE

Nós distinguimos, e encorajamo-los a distinguir, o interesse sincero da maldição e da desgraça. O interesse sincero pode apontar problemas iminentes e a seguir propor métodos e técnicas sinceras não só para fugirdes ao caminho da destruição como efectivamente recriar a realidade de forma a eliminardes os perigos. A desgraça e a perdição apresentam as mesmas preocupações – geralmente exageradas a fim de produzir pânico – e quando muito, indicar-vos-á onde vos esconder, e pior que isso, dir-vos-á não haver onde vos esconder. Eles deixar-vos-ão com uma inevitabilidade sem remédio em vez de uma possibilidade cintilante.

Aqueles que apresentam a desgraça e a destruição, de forma semelhante perderam de vista um Deus que é real. Na sua visão limitada e na capacidade limitada de pensar que têm, perderam de vista um Deus que, seja por que nome for, existe para além deles e das suas limitações humanas. Com toda a honestidade pensam ser Tudo Quanto Existe! Eles transmitem as suas limitações aqueles que lhes derem ouvidos através da subtileza da pregação que fazem da desgraça e da destruição – através da sua realidade pouco iluminada.

É tempo de começarem de novo a sonhar. É tempo de despertarem o desejo e a expectativa de uma realidade gloriosa repleta de amor e de riso. É tempo, mais do que nunca, de suscitardes a vossa imaginação da forma a instilardes vida uma vez mais aos Sonhos que obedientemente pusestes de lado.

Por meio dos desejos, expectativas e fantasias que tiverdes começareis a Sonhar. Por meio do vossos Sonhos, despertareis o desejo, a expectativa e a imaginação tão críticas à criação da realidade. Disporeis novamente dos instrumentos necessários à criação consciente da vossa própria realidade.

O SONHO

É tempo de despertardes a centelha do amor que se encontra em cada um de vós. Vós sois a Esperança do Futuro. Sois a Inspiração da Humanidade. Alguns hão-de criar um mundo que não parece importar-se. Outros, por meio da utilização do seu Poder de Dmínio - do poder que têm para criar um mundo amigável - criarão um mundo dedicado que parece importar-se muito. O mundo quererá saber de vós o não? Podeis especular e discutir essa questão para todo o sempre. A verdadeira questão é a seginte: Vós importais-vos com o mundo! Essa é uma questão a que podeis responder já.

Torna-se um imperativo que comeceis novamente a Sonhar. Nos Sonhos residem as soluções para todos os problemas existentes na vossa realidade. A sociedade diz-vos para parardes de Sonhar quando existem tantos problemas por resolver, quando é justamento tempo de começardes a Sonhar. Nos Sonhos que cada um de vós sonha residem a nova perspectiva ou criatividade; nos Sonhos que cada um de vós sonha residem os trechos mais extensos da vossa visão pessoal.


Através do Sonho vós descobris um poder que estava perdido: o poder do saber da existência de um Deus, de uma Deusa, de uma Totalidade e de que sois amados por essa Fonte do Todo. Quando deixais de Sonhar, também parais em relação a deixar o amor entrar. Deixais de acreditar que sois amor - parais de acreditar que  podeis amar.

Vós sois amados. Vós amais. Amais maravilhosamente. Precisais redescobrir isso por intermédio dos Sonhos que tendes de modo a poderdes começar a vislumbrar a profunda alegria e serenidade que o amor fornece.

Despertai e Sonhai. Despertai e passai a criar a vossa realidade de uma forma mais consciente. Despertai e amai e deixai-vos ser amados.

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