sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MORTE





Tradução: Amadeu Duarte

Muita gente sente curiosidade quanto ao outro lado. Como será? Assemelhar-se-á ao que os ensinamentos querem que acreditemos, as várias tendências do pensamento do Catolicismo ou do Judaísmo ou do Hinduísmo? Como será?

Bom, antes de mais, existe um número incontável de "outros lados", decerto. Mas compreendemos que queirais referir-vos ao aspecto que a pós-vida apresenta. Mas sugeriríamos que isso corresponde ao seu próprio tipo, muito diferente da vastidão de "outros lados" que existem por aí ao dispor.

Tanto quanto podeis ouvir comentar e ler através daqueles que passaram por experiências de quase-morte, a primeira coisa que ocorre no processo do morrer é o facto de vislumbrardes uma luz branca. Existe verdadeiramente uma luz branca. E existe verdadeiramente um túnel de luz. E a luz parece chamar-vos. E clama uma simples frase - não por palavras - mas uma simples frase que se traduzirá por: "Volta a Casa." Agora, sem que importe o quão dispostos ou acolhedores ou compreensivos estejais em relação à compreensão do processo da morte em que vos encontrais, a vasta maioria das pessoas ainda considera esse derradeiro instante, o último momento que medeia a vida e a morte, um tanto como um trauma. Por isso, em meio a esse trauma surge de facto esta luz maravilhosa que se afeiçoa como uma luz muito tranquilizante, uma luz muito calmante, e uma luz muito reconfortante que clama: "Vem para Casa." E essa sensação de voltar a casa, de finalmente retornar ao ponto de onde começastes é de tal modo irresistível que todo o trauma é libertado.

Através desse túnel e no outro lado, vós encontrareis exactamente o que esperais encontrar. A realidade é toda um produto do desejo, da expectativa e da imaginação. Assim, nesse mundo do além, encontrais exactamente aquilo que esperais encontrar. Por isso, se pensardes que venha a ser o céu - com anjos dotados de asas e trajes compostos de penugem branca e halos ao redor das cabeças, a esvoaçar ao redor enquanto tocam as suas harpas e entoam as suas canções - se pensardes que Deus venha a estar sentado num trono no final de um longo corredor com Jesus e Maria junto dele à Sua direita e esquerda - então será exactamente aquilo que ireis ver. Se pensardes que o céu venha a ser um tipo qualquer de cidade pavimentada a ouro, com rubis e diamantes em uma pilha, nesse caso vereis cidades com ruas ornadas a ouro. A Bíblia descreve com toda a clareza o aspecto que o céu virá a ter (um local cheio de opulência, de acordo com a Bíblia) e um monte de cristão devotos hão-de descobrir esse mesmo local, tal qual a Bíblia o descreve, e sentir-se-ão cheios de júbilo.

É muito divertido assistir aos Cristãos muito Fundamentalistas, por que quando eles surgem têm que ter o seu pequeno confronto com o Inferno, sabem. Eles estudaram toda a sua vida, sabem, falando sobre esse lugar terrível para o qual tanto temem escorregar. Frequentemente, assim que surgem diante da luz branca, vão direitos até à extremidade, até à boca do Inferno e ficam lá a balançar durante uns segundos, e assustam-se um tanto. Mas, é claro, jamais chegam a cair nele. Jamais alguém caiu, por não existir Inferno. Mas de qualquer maneira, vacilam um pouco.

Alguns pensam ter sido muito maus, ou os seus parentes o esposas ter-lhes-ão dito que quando morrerem irão para o Inferno. E eles ouviram isso com tal frequência que realmente chegam a temer ir. "Oh Deus meu, eu vou para o inferno?" E eles chegarão a cambalear junto desse mesmo precipício também, mas tampouco chegam a cair nele.

Assim, é muito interessante, por nessa borda, talvez á direita junto uns dos outros, encontram-se o Fundamentalista Cristão - com toda uma vida de advertência contra o fogo e o enxofre - e uma pessoa que brincou com esse mesmo fogo e enxofre. Encontram-se ambos ali, a balançar, mas sem que nenhum deles caia.

E a seguir lá vão e dão com o céu, nesse particular sentido, tal como tinham pensado.
Agora, o que ocorre depois disso, é que se dá uma enorme celebração em que encontrais todos quantos sempre quisestes encontrar, todos os vossos amigos e colegas. A seguir cais num estado qualquer sonambulístico. Assemelha-se a um estado de sono, e permaneceis nesse estado durante um tempo. Não existe tempo, pelo que pelo tempo da Terra tanto poderão ser três semanas como três meses ou trezentos anos. Não tem qualquer importância, por se assemelhar a um sono nocturno.

Pela manhã lá ides à descoberta de que, embora a enorme celebração tenha sido agradável, deve existir trabalho a ser feito. A seguir é como se realmente os planos caíssem e os cenários descambem, o trono de papel mate volte para o armário, e toda a gente começa a trabalhar. O aspecto real do outro lado assemelha-se bastante ao da realidade física, por a estardes a criar. Por isso as pessoas criam edifícios e ruas e salas de aula. Eles começam muito mais a trabalhar e percebem muito mais que estão a operar numa ilusão, e que esse é simplesmente um veículo destinado ao seu próprio crescimento. São mais conhecedores disso do que o sois enquanto seres físicos.

Primeiro tratam de rever a vida que terão acabado de abandonar. Passou um filme do Albert Brooks chamado Em Defesa da Vida. "Bom, não se assemelha a isso, como se tivésseis que ser brilhantes e isentos de todo o medo. Mas dá-se esse sentido de revisão de todos aqueles anos que vivestes e de ver aquilo que aprendestes e experimentastes."

Depois disso, revêm todas as vidas que tiverem experimentado, e colocai-las todas juntas num contexto mais alargado. A seguir tomais decisões - montes de decisões. Pode levar séculos do tempo terreno, mas tomais decisões sobre se quereis voltar a uma encarnação terrena ou se quereis seguir em frente. Contudo, de forma diferente daquela do filme de Brooks, ninguém decide por vós. Não é como se o júri estivesse de fora. Não, vós decidis por vós próprios, após essas revisões.

"Eu gostaria de voltar e isto é aquilo em que gostaria de trabalhar, nestas três coisas, nestes cinco itens, nestas circunstâncias", e a seguir passa-se por uma triagem de múltiplas vidas de modo a descobrir uma que vos dê essas linhas gerais. Sempre se apresenta o livre arbítrio, a cada instante. Mas escolheis vidas que vos transmitam as linhas gerais daquilo que quereis que essa vida particular subentenda.

A outra decisão é: "Não, ainda tenho muito a aprender, só que posso fazê-lo sem um corpo. Por isso decido ir em frente, nesse sentido particular. Mas talvez numa direcção diferente, e sem o uso de um veículo físico para passar a colher lições similares.

Mas a escolha cabe-vos sempre a vós. E as decisões quanto à direcção a tomar cabem a vós do mesmo modo.

É o que sempre acontece. Não é feio, nem é doloroso. A tristeza da morte é para aqueles que não passam por ela. E não o referimos com leviandade: os que acolhem a tristeza são queles que são deixados para trás, por terem perdido alguém amado. Não os irão ver de novo até morrerem também. Por isso a tristeza e a repugnância causada pela morte é algo que sobrevém muito mais àqueles que vivem do que àqueles que tenham falecido.

Quando alguém morre, quer seja de forma trágica ou pacífica, sempre resulta de forma pacífica, sempre resulta maravilhosa, a menos - e aqui aplica-se uma excepção - a menos que o façam como uma forma de manipulação.

Se, no processo do morrer, tentardes punir alguém, ou tentais com que alguém se sinta culpado, ou tentais manipular alguém levando esse alguém a fazer alguma coisa, nesse caso ainda atravessareis a luz branca, mas por não vos encontrardes na disposição de celebrar, provavelmente não encontrareis nenhuma celebração do outro lado. Não ireis para o Inferno, não. Mas a grande celebração que podia ter lugar aí de outro modo terá sido "cancelada" por vós, na própria confusão em que vos encontrais.

É por isso que dizem que o suicídio é terrível. Dizem que caso cometais suicídio ireis para o Inferno ou para o Purgatório, ou atravessareis a grande confusão cósmica. Sugeriríamos que provavelmente isso seja certo, mas não por causa do suicídio. É por causa da manipulação. Frequentemente o objectivo do suicídio é o de castigardes alguém, de levar alguém a sentir culpa, ou de magoar alguém. "Vou-te mostrar. Vais-te sentir arrependido e passar o resto da tua vida a sentir culpado." E zum: cortam a cabeça. Aquilo que provoca a confusão na experiência do pós-vida não é o próprio acto do suicídio. O que provoca a confusão é o castigo que tentam infligir, e a manipulação que tentam fazer.

Por isso, mesmo que uma pessoa que esteja com 90 morrer de causas naturais, se adoptar uma atitude manipuladora qualquer - do tipo: "Eu vou-te mostrar, eu vou-te ensinar, tu vais-te sentir culpada, vais desejar ter-me tratado melhor" - ela morre de causas naturais, só que isso vai criar o mesmo tipo de confusão com se encostassem o cano de uma arma à cabeça, por estarem a agir de uma forma manipuladora.

Por isso, não é o resultado final, mas os meios para atingir esse fim que contam. Se alguém morre em meio a um enorme sentimento de ódio e a uma enorme manipulação, então a pessoa gera confusão. Se alguém morrer de forma normal, seja por que meios for, então irá ser uma experiência completamente maravilhosa, isenta de ódio e de tristeza e de confusão. Vai decorrer maravilhosamente.

Por exemplo: Houve certa vez um casal idoso, ambos brilhantes, muito formais que eram altamente considerados pela sociedade e família em que se achavam inseridos. Eles tinham noção de estar a envelhecer, e um contraiu uma doença terminal. Perceberam que quando por fim um morresse, o outro seria colocado num lar, e seria apartado. E decidiu que não, não quereria fazer isso.

Por isso decidiram cometer suicídio conjuntamente de modo a poderem permanecer juntos. Deixaram uma nota adoravelmente escrita a descartar a culpa de toda a gente, por não quererem que ninguém se sentisse culpado. Disseram que ninguém poderia ter feito nada, que ninguém lhes poderia ter tornado aquilo melhor. E a seguir mataram-se. Bom, a sociedade sentiu-se indignada, mas de facto não, essa não foi uma morte terrível. Sugeriríamos que eles atravessaram a luz e tiveram a celebração mais gloriosa por terem tido uma morte consciente.

Faz toda a diferença o facto de ser uma escolha baseada no desenvolvimento ou uma escolha com base no medo. Se alguém souber que tem uma doença terminal e tomar uma opção com base no temor - "Tenho medo do tratamento, tenho medo da dor, tenho medo de me matar a mim próprio" - isso é uma questão diferente. Mas se se tratar de uma opção com base no desenvolvimento pela qual escolham suavemente pôr fim, e cuidarem de descartar toda a culpabilidade e manipulação que possa de outro modo ter lugar, nesse caso sugeriríamos que a sua experiência não deva ser de todo má. Não será de confusão.

Não advogamos o suicídio – claramente – mas sugeriríamos aqui que também não procuraremos convencer ou manipular quem quer que seja a abandoná-lo dizendo-lhe que vá a ser assustador ou que venham a ser punidos.

O resultado final – aquilo que fazeis, seja como for – não é tão importante quanto a atitude e a intenção com que o fizerdes. A atitude, a intenção. Isso é chave. Por isso, o suicídio em si mesmo e por si só não é errado nem pernicioso. Se alguém com uma doença terminal escolha genuinamente – como uma decisão amadurecida – pôr termos à vida, sugeriríamos que metafisica e espiritualmente – legalmente já é uma questão diferente – não irão sofrer no outro lado, claramente.

Pergunta: Não poderias falar-nos da morte, e se poderemos nos programar de modo a evitarmos certas realidades, tal como a morte dos pais e a nossa?

Resposta: Que dizer da morte? A afirmação ou suposição que a pergunta circunscreve é a seguinte: A morte é ruim. Mas a pergunta que colocaríamos de volta seria: Porquê? Que mal terá morrer? Bom, vamos falar de alguns dos problemas que se prendem com a morte, mas deixamos a interrogação: “Que mal tem?” Vejam bem, vós fostes orientados, condicionados a acreditar que seja uma coisa má, que a morte represente um fracasso, e que, se morrerdes, tereis de algum modo fracassado – a menos que vivais até... bom, até serdes bem velhinhos. Mas mesmo assim, as pessoas consideram isso um fracasso: “Oh, que pena.” Porquê? Que é que isso tem de mal?

O mundo para o qual ides, a realidade para que passais é de longe muito mais excitante, ousamos dizer, muito mais arrebatadora e muito mais ao vosso gosto do que aquele com que estais a lidar actualmente. A morte é uma coisa que pondes em acção, não por terdes de o fazer, mas por vos decidirdes a faze-lo.

O vosso corpo é um “veículo”. É tudo o que ele é. É uma ilusão, composta de luz e de som suficientemente densos para ser chamado de corpo. Quando assistis a um programa televisivo percebeis luz e som, e o que se assemelha a corpos por todo o lado, no ecrã. Vós sabeis que não são corpos. Quando ides ao cinema e assistis às figuras no vosso grande ecrã, elas também se assemelham a corpos em movimento por todo o lado, mas sabeis que não são. Sabeis que se trata de uma condensação de luz e som para criar a ilusão.

Bom, vós sois simplesmente uma ilusão tridimensional; o vosso corpo é um veículo. Ora bem; como é que vos iríeis sentir se vos fosse designado à nascença um automóvel co a condição de jamais vos poderdes ver livres deles? Tínheis que preservar esse mesmo automóvel, vejam bem... desde a nascença?! Bom, ainda que fosse até aos 16, certo? Agora pensai no primeiro automóvel que tivestes. Como vos sentiríeis se ainda tivésseis que o conduzir? “Queres dizer que não vou poder pôr esse veículo á troca?” Não, não podeis! Tendes que o preservar e estimar e programar para andar para sempre. Gostaríeis disso?

“Não, quero poder trocá-lo ser capaz de conseguir um modelo mais novo!” De qualquer maneira, alguns de vós trocam-nos a cada dois anos! Outros mantêm-nos um pouco mais, caso gostem dele em particular, mas ansiais sempre por um automóvel mais novo – o veículo novo.

Ora bem, do mesmo modo, a morte representa um processo de “dar a volta” ao veículo e de dizer: “este veículo está acabado. Estou pronto para seguir em frente sem nenhum veículo ou para obter um outro.” Assim... programar uma forma de não morrerem? Sugeriríamos que olhásseis mais a fundo. Porquê? Por que consideram a morte como um fracasso? Por que a consideram coisa má ou errada? Por que a encaram com uma coisa que jamais desejam fazer?

Reconhecidamente podereis não pretender morrer agora, nem no ano que vem nem seja quando for, mas numa altura qualquer ireis querer. Podeis programar ser saudáveis e viver tanto quanto o desejardes, e viver até serdes tão velhos quanto desejardes, mas eventualmente querereis morrer e preparar-vos e ansiar por o fazer. Sinceramente, não é “regra” inevitável, ou “lei”, mas sim algo que desejareis...um dia qualquer. Além disso, há o poder da crença. Fostes condicionados a crer que tendes que morrer numa determinada idade. Alguns acreditam que irão morrer aos cinquenta por a mãe, pai ou irmã terem todos morrido aos cinquenta, e desse modo: “Eu vou morrer aos cinquenta.” E muitas vezes assim o fazem. Outros, sentem que assim que se aposentarem e o “relógio” começar a deixar de trabalhar tão bem, já sabeis, a vida não apresentará muito mais utilidade.

Alguns de vós, completamente conduzidos pelo vosso segundo chakra, decidem que assim que não conseguirem mais ter relações sexuais, deixarão de ter razão para viver, e assim voltam-se para o processo do morrer. Fostes condicionados a acreditar que desde que nasceis começais a morrer... Que ideia mais assoladora, mas mesmo assim... Por isso há limites muito elevados, mas se realmente quisessem superar isso, podíeis. Fundamentalmente, porém, não pretendem superar esses limites. Haveis de sentir vontade de morrer em qualquer altura. Eventualmente, toda a gente optará por morrer.

Pergunta: Fala-nos da morte física.

Resposta: Bom, trata-se de um conceito interessante, sabem? Tendes sentido tanto medo disso, mas decerto que compreendemos os receios que sentem. Escutamos o vosso chamado. Mas sugeriríamos que de facto a morte constitui o agente curador, assim como o derradeiro término da vossa dor, o fim derradeiro da frustração que sentis em vida. Mas não os encorajamos a faze-lo com rapidez. Não os encorajamos a provocá-la antes de a desejardes por completo. Mas sugeriríamos que altura, de facto em que cada um optará por descartar ou largar essa forma que carregais. Esse descarte constitui o processo a que chamais de morte. Alguns optam por o enfrentar de olhos fechados e fingem não conseguir ver o que acontece. Outros, optam por o fazer de olhos abertos, e assim, de uma maneira mais consciente, selecionam a sua morte.

Quando decidem morrer – seja por que meios forem, cedo ou tarde da vida – o que acontece é que deslizais para fora do corpo, tanto quanto deslizais para fora de uma peça de vestuário que deixais cair ao chão, à noite, onde parece ficar sem vida. Mas vós, enquanto a centelha que sois ainda permaneceis vivos, a pulsar com vida, e a continuar. Que é que percebeis diante de vós? O quê? A luz mais gloriosa, a luz mais gloriosa a atrair-vos, luz essa que vos conduz a ela, de modo que quereis alcançá-la. Ides até ela, e a certa altura, quando a estais a alcançar, ela chama-vos a ela. Quando sois chamados percebeis o quão sois amados por Deus, pela Deusa, pelo Todo, e o quão capazes sereis de amar. É na direcção desse amor, desse amor e dessa luz que é Deus, que sois chamados.

Pergunta: Teremos a oportunidade concreta de voltar?

Resposta: Ah, com certeza. Após terdes atravessado a luz e procederdes à mais gloriosa das celebrações, certamente fazeis um bocado de repouso, sabeis? Carregais convosco a maior parte do desejo físico, pelo que os vossos corpos e tornam mais jovens e mais magros e atléticos e por fim lá conseguis o corpo que sempre tereis querido - ou que pelo menos tereis desejado durante um certo tempo. Atravessais esse incrível estado sonambúlico em que permaneceis meio-acordados e meio a dormir. E quando acordais observais a vida que levastes, examinai-la e passai-la em revista a ver o que fizestes e o que conseguistes – sem ser de uma forma condenatória nem rigorosa, mas de uma forma judiciosa. Depois, decidis.

Vejam bem, o poder da escolha é eficaz não só no mundo físico como no além também. Decidis: Quereis voltar à vida física ou não? Estareis mais adaptados a aprender por meio de uma nova entrada nesta densidade a que chamais fisicalidade, ou estareis mais adaptados para aprender sem ela? A escolha cabe-vos com toda a clareza a vós, em absoluto. Não existe árbitro; não existe juiz algum; não existe lá ninguém a dizer: ”Ah, tu fizeste isto, tu fizeste aquilo...” Não. Sois vós quem decide. Por vezes, quase pareceria ser preferível que mais alguém decidisse por vós e deliberasse as escolhas no vosso lugar, por serdes muito mais severos em relação a vós próprios do que quem quer que fosse, contudo, sois sempre vós quem decide e escolhe.

Pergunta: Descreveste a experiência da morte como uma passagem por um túnel com o som do vento a correr nos nossos ouvidos. Que acontece quando se emerge desse túnel?

Resposta: Coisas maravilhosas! Que acontece quando faleceis? Bom, não vamos abusar disso por termos falado do tema frequentemente. Quando morreis deixais o corpo físico – deixais o vosso corpo para trás. Saís do corpo, e é uma experiência aterradora por terdes sido condicionados na crença de que assim seja, por chegardes perto disso e vos assustardes. “Que acontecerá se não estiver lá? E se não existir um céu? E se os existencialistas tiverem razão e o nosso corpo físico ficar a apodrecer no chão, e nós mergulharmos num tipo qualquer de esquecimento?”

No entanto, deparais-vos com todo o tipo de resistências nesse mesmo instante. Por isso, vós mergulhais numa espécie de desmaio quando saís dos vossos corpos. É um trauma, sabem? Nasceis em meio a um acto traumático, e morreis num acto traumático, muitos de vós. E quando nasceis, admirais-vos de estar confinados a este pequeno corpo que nem sequer opera de modo funcional! E interrogais-vos: “Ter-me-ei inscrito para isto?”

A seguir passais a faze-lo funcionar: “Muito bem, se isto é tudo quanto tenho, o melhor é arregaçar as mangas e fazer este corpo crescer e funcionar de modo a ser capaz de caminhar e de falar, e de fazer ambas essas coisas ao mesmo tempo!” Depois prosseguis para outras coisas mais sofisticadas, para por fim, atingirdes esse ponto da morte em que por fim ides ser libertados deste corpo e dizeis: “Ena pá! Espera aí! Precisarei realmente de me livrar dele?”

Por isso, quando morreis, muitos “desmaiam” e sofrem uma ausência. Bom, muito rapidamente voltais a reavivar-vos, seja qual for a duração que durar, no tempo da Terra, por vos situardes fora do tempo, por essa altura. Mas depois sois reavivados e sois atraídos para um túnel de luz, decerto. Na outra extremidade desse túnel encontrareis toda a gente que quiserdes lá encontrar... Todos os familiares de quem sentis saudades, aqueles que morreram antes de vós... Nenhum daqueles por quem não sentis interesse... E como a consciência é multidimensional, toda essa gente que ainda se encontra viva e que gostaríeis de encontrar lá, encontra-se igualmente lá. Assim, os vossos filhos, amigos, todos quantos deixastes para trás se encontram lá.

É uma enorme celebração, uma festa enorme! Agora, alguns que abraçam uma crença fundamentalista, têm crenças de poderem esquivar-se a irem para o Inferno, e começarão a deslizar no sentido desse Inferno, percebem? Irão até à borda, balançam na borda, mas infelizmente ninguém vai lá parar!... (Riso) Alguns fundamentalistas chegam bem perto, não por pertencerem lá, mas por temerem tanto a ponto de chegarem à boca e: “Ena lá! Vislumbrei o Inferno Vi o Diabo a encarar-me de frente! E ordenei-lhe para ase afastar!” De modo que escovam o medo que têm do Diabo, e a seguir passam pela luz para o céu, onde sabiam pertencer desde sempre... (Riso)

Assim, ides para o céu. Ides para esse lugar maravilhoso que representa aquela enorme celebração com toda a gente que quereis lá ver... Incluindo os personagens históricos que sempre quisestes conhecer. Toda a gente vem ao vosso encontro para vos saudar. Passais por essa enorme celebração e depois mergulhais no sono. Mergulhais num estado sonambúlico que pode durar, no tempo terreno, uns simples minutos, umas poucas horas, uns anos, assim como algumas décadas.

É como aquele maravilhoso período em que acordais pela manhã e voltais a adormecer por uma meia hora adicional – aquele período em que vos encontrais meio acordados e meio a dormir, em que podeis mesmo aconchegar-vos quando faz um frio de morrer lá fora, ou escutar o chilrear dos pássaros quando faz uma manhã primaveril. Mergulhais num estado maravilhoso de sonambulismo, de oscilação.

Depois acordais e experimentais o céu que tiverdes antecipado, caso tenhais esperado que esse céu tenha ruas pavimentadas a outro, anjos com harpas, e criaturas maravilhosas desse tipo, e desenvolvereis esse céu durante um certo tempo. A determinada altura direis: “Será isto tudo quanto existe?” E então, os cenários desmoronam e vós voltais-vos para o trabalho sério de crescimento e da revisão da vida que tiverdes experimentado, colocando-a no contexto das outras vidas que tiverdes experimentado, coo uma ida às aulas. Conversais com amigos, envolveis-vos em actividades e fazeis todo o género de coisas no processo da revisão a que procedeis. Por fim, lá tomais uma decisão adicional: “Quero voltar ao físico? Quero assumir uma outra vida?” Existe uma ampla gama delas. Vós decidis: “Eu quero aprender isto, aquilo e aqueloutro. Aquela serve. Aquela, vou assumir aquela.” A seguir, ordenais tudo para voltardes a entrar na encarnação física. Ou decidis: “Não, terminei. Não necessito passar por mais vidas. Terminei com o crescimento, mas aprendi tudo quanto havia a aprender no Plano Físico.” Duas afirmações: Poder aprender e querer aprender.

“Por isso, vou desenvolver-me sem um corpo, agora, pelo que vou seguir em frente.” É a isso que a experiência da morte se assemelha. É bastante bela, maravilhosa, representa a derradeira cura. Torna-se, talvez, importante levar isso em linha de conta. A morte constitui a derradeira cura. Ela põe termo à infelicidade física; põe cobro à limitação física.

Conseguirão aprender a transcender a morte? Poderão tornar-se imortais? Bom, existem duas formas de abordagem à imortalidade. Uma delas, que manifestamente diríamos ser bastante adolescente, é a abordagem da imortalidade que refere que deveis conservar o mesmo corpo que possuís: “Eu quero viver até aos duzentos ou trezentos – quero viver para sempre neste corpo.” Por que diabo quereríeis tal coisa? Porquê? Isso deixa-nos verdadeiramente espantados, tal como ficaríamos se dissésseis querer manter o mesmo automóvel para todo o sempre.

Mas sugeriríamos com relação a isso, que alguns tentam tal façanha, mas com toda a sinceridade não irão ter êxito. Com toda a sinceridade, a estrutura das crenças que têm, a importância de desistirem do corpo e o valor inerente ao desapego dele são de tal monta que o valor desse desapego que não serão bem-sucedidos com esse tipo de imortalidade.

Ah, sim, a consciência humana irá tornar-se capaz de viver até aos 100, 120, 130 anos. Dentro de alguns anos isso não será difícil. A partir de um monte de doenças correntes que se encontram actualmente em vigor, um dos resultados irá ser um tremendo conhecimento da longevidade, de tal modo que as pessoas serão capazes de viver até aos 100, 120, 130 anos – e sem substituírem os órgãos. Cada vez mais as pessoas chegarão a essas idades. Isso tornar-se-á muito mais viável, muito mais possível – mas não viver para sempre.

Existe, contudo, uma forma de transcender, e dessa forma – a forma adulta, conforme a chamamos – consiste em morrer de modo consciente, morrer de modo consciente! Nós conduzimo-los em meditações, não? Nessas meditações cerrais os olhos, descontraís, e elevais-vos para fora dos vossos corpos. Por vezes, flutuais para o exterior, e ides aqui e acolá. Bom, a imortalidade, no verdadeiro sentido do termo, pode ser alcançada. Podeis decidir: “Hoje é um excelente dia para morrer”, e deitar-vos de olhos fechados. Entrais numa “meditação” e o vosso corpo de luz eleva-se, de modo completamente consciente e sai do corpo e abandona-o de vez.

Ora bem, sugeriríamos que isso representa a verdadeira imortalidade, a imortalidade em que jamais chegais a morrer, por estardes completamente conscientes ao longo de toda a experiência. O filme Cocoon é um filme que apela a um monte de gente, por eles chegarem quase; jamais chegam a faze-lo, mas chegam quase a retratar a morte consciente, a imortalidade, em que toda aquela gente idosa a certa altura decide conjuntamente ascender, não é? Vós podeis abordar a morte dizendo: “Hoje é um excelente dia para morrer, por isso vou-me deitar esta noite e vou morrer de forma consciente.” E podeis decidir não “desmaiar”.

Pergunta: A maioria dos comentários que fazes sobre a morte parecem dirigir-se para aquele que está a morrer. Poderás apresentar alguns conhecimentos para aqueles que ficam do lado de cá a lidar com esse fenómeno?

Resposta: Sim, é importante. Sem dúvida, dirigimo-nos primeiro àqueles que estão a morrer por ser terminal, nesse contexto, para muitos de vós, e torna-se importante que queirais informação sobre isso.

Para aqueles que ficam, o que é importante é que percebam por que sentem tristeza. Nós afirmamos que é maravilhoso, sabem, é belo, consiste numa enorme celebração, e que experimentais o céu, e que ninguém alguma vez é mandado para o Inferno, ninguém atravessa nenhum mau bocado, e que é sempre maravilhoso, e que aprendeis e que evoluís e que é estupendo – é fantástico! Significa ser capazes de programar a vossa realidade, e de obter essa capacidade a cada passo. É na direcção disso que vos encaminhais, aqui, não será? Quando morreis não vos encontrais entristecidos. Por que razão havereis de vos sentir tristes quando alguém morre?

Por irdes sentir saudade da pessoa. Não vos sentis realmente tão entristecidos com o facto de estarem a morrer quando sentis pesar pelo facto de estarem de partida.

Pensai no caso de um amigo. Tivestes uma amiga de toda uma vida, e de súbito anuncia-vos que ela ou ele está de partida para Hong Kong. Ides sentir-vos tristes. Agora imaginai que ele ou ela vos diga: “ Vou-me mudar para Hong Kong e não vou poder escrever, telefonar mais, e jamais me irás voltar a ver.” É claro que vos ides sentir tristes.

A morte representa a intensificação desse quadro, um expoente disso, por a pessoa se ir embora. Na perspectiva que tendes, ela jamais irá regressar. E não tendes a certeza absoluta do sítio para onde ela vai nem para o quê.

Podeis escutar as minhas palavras, mas precisais passar mais ou menos pela experiência para saberdes que é real. E se estivermos errados? Isso seria mais do que lastimável. Seria assustador. De modo que, quando alguém morre, gera-se uma sensação natural de perda, uma sensação natural de saudade. Não vos sentis realmente enlutados pelo facto de a pessoa ter morrido. Estais enlutados por ficardes sós, por terdes sido deixados para trás.

Também sugeriríamos que muitas vezes vos sentireis furiosos: “Como foi ele ou ela atrever-se a deixar-me? Como foi capaz!” Em particular no caso de um conjugue. Estais casados com alguém, ou estivestes junto com alguém anos a fio como amigos, como companheiros, e de súbito ele ou ela parte, sem vos consultar. Fazem-no por iniciativa própria e vós ficais furiosos.

Mas, entendam, não é presumível que fiqueis furiosos. Interrogai-vos: “Não será uma coisa terrível de dizer? Sinto-me tão zangado com ele ou ela por me ter morrido. É cá um transtorno!” De modo que converteis isso num outro sentimento. Sentis-vos culpados, sentis-vos mal, sentis uma vaga indefinida de sentimentos. O que é importante em torno da questão da morte é perceber que independentemente do quão compreenderdes a que se assemelha ou não, ides sentir-vos mal. Não negueis esse sentir. Independentemente do quão consigais compreender o sentimento, ides sentir-vos zangados, tal como vos sentiríeis zangados com um amigo que se candidatasse a ser transferido e fosse mudar-se para milhares de milhas à distância sem vos dar conta disso. Ides a casa dele um belo dia, e ele não se encontra mais lá, ou está a fazer as malas, ou já está de malas aviadas. Não conseguis fazer nada para o deter. Ides embora furiosos. Ides-vos sentir magoados. Ides sentir-vos traídos. Ides sentir medo.

O que é importante para os que cá ficam: Quando alguém morre, permiti-vos fazer o luto. Não adopteis um comportamento metafísico “refinado” do tipo: Bom, eu sei o que significa a morte, e sei isto e sei aquilo, e não vou fazer pranto. Fazei pranto. Chorai. Lamentai-vos. Agitai-vos. Senti-vos magoados. Senti remorso. Senti a sensação de perda e de solidão. Senti isso, mas senti-o com intensidade. Não arrasteis a coisa. Não leveis um ano ou dois a sentir. Senti isso com intensidade. Não escondam.

Quando conseguirdes sentir isso com intensidade, podereis libertar isso. Conseguis libertar isso. Se o sentirdes de uma forma medíocre, então ides prolongar isso, e quando supuserdes ter suplantado isso, a coisa voltará a irromper de novo, e ireis sentir isso novamente. E a coisa pode prolongar-se por anos a fio. E se vos recusardes a sentir em absoluto... “Recuso-me a lidar com isso...” Precisais entorpecer-vos. Por isso, fechais-vos e haveis de fechar outras partes de vós do mesmo modo.

Quando alguém morre, senti a extensão completa da emoção e permiti-vos sentir essa gama completa com tanta intensidade quanta puderdes. Tirai um dia de folga, se precisardes. Afastai-vos durante algum tempo. Não vos armeis em grande em relação à coisa. Sejam emotivos!

Toda a gente sabe que, eventualmente – quando as pessoas começam a morrer, e elas irão fazê-lo algum dia! – isso irá tornar-se num processo difícil. Mas a forma de lidar com isso é sentindo-o. Senti-lo em toda a extensão do seu alcance. Ides sentir-vos furiosos com Deus por vos ter levado a pessoa. Ides sentir-vos zangados com o mundo, pelo que quer que vos tenha feito. Sentireis vontade de atacar o mundo. Bom, fazei isso de forma apropriada. Senti-o com tanta intensidade e de maneira tão definitiva quanto fordes capazes por ser assim que o extirpareis e o libertareis.

Ponham fim a isso. Então, quando estiver acabado, podereis sentar-vos e falar mais filosoficamente sobre aquilo a que se assemelhará o estar morto. Nos lidamos com muita gente que obviamente está a fazer face à morte. Lidamos com muitos que estão a morrer. Dizemos-lhes ao que se assemelha e descrevemos-lhes o processo e estamos ao dispor delas e o desejarem, e trabalhamos com elas como que ao longo dessa fase.

É triste, não há dúvida, por irdes ficar sós e serdes deixados para trás – o que é triste. Assim, compreendei a razão por que sentis o luto. Sentis o luto por causa do sentimento de perda e não pelo sentimento de ganho delas. Se conseguirdes pôr isso em perspectiva desse modo, tornar-se-vos-á muito mais fácil lidar com isso.

NOTA DO TRADUTOR:

O leitor poderá por aqui constatar a importância de que se reveste o sentir em todas as esferas do viver, como meio de pôr cobro e suplantar verdadeiramente os factores "negativos"; assim como passar pelas experiências directamente. Aliás, a regressão de memória visa justamente trazer ao de cima conteúdos psicológicos inconscientes que, de outro modo, tendem a perpetuar as dificuldades que instigam por via da influência.  A sua exteriorização, mais do que a realidade da "memória" que indicia extirpa o incómodo causado  ao exteriorizar o conteúdo psíquico e emocional. Tal é a função do reconhecimento como passo antecessor da aceitação e da neutralização do que nos incomoda, que aqui é também realçado.  Para se obter paz de espírito deve-se sentir em profundidade aquilo que recusamos terminantemente sentir, por ser religiosa ou culturalmente incorrecto. Mas não importa, porque se o não sentirmos ou exteriorizarmos, isso pode ocultar-se no subsconsciente e minar a saúde e manifestar-se - por que sempre se manifesta - em doenças sérias e ruins. E não teremos suplantado as barreiras que nos separam do semelhante ou do mundo.

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