quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DESENVOLVIMENTO DA AUTOCONFIANÇA







Transcrição e tradução: Amadeu António (Excerto)

A confiança é crucial para a imagem do vosso mundo e para a vossa imagem. Por isso, desenvolver a autoconfiança é de uma importância vital. Então, que coisa é a confiança? Que coisa será a autoconfiança? Bom, sugerimos que antes de mais, que essa autoconfiança é um componente, uma das partes integrantes de uma estrutura particular, podemos dizer, que opera inteiramente com o amor-próprio, com a autoestima, e a dignidade própria, e de que talvez constitua o quarto componente.

Muitas vezes os termos tornam-se confusos, e levam as pessoas a pensar que o amor-próprio, a autoestima, a autoconfiança e a dignidade pessoal sejam tudo a mesma coisa. Bom, na verdade não são e apresentam subtilezas na diferença que as caracterizam mas acham-se todos ligados na formação de um componente que somos nós.

Mas diríamos que já falamos muito sobre a amor-próprio com a capacidade de sentir compaixão e carinho por nós próprios; mas possui uma qualidade particular em relação que é mais ou menos dada. E o que queremos com isso dizer é que ao virmos a esta realidade vimos amando-nos integralmente. Só após termos nascido é que abandonamos essa condição. Mas a resposta inicial que damos é no sentido de nos amarmos por completo. Um bebé ama-se por completo. Infelizmente ama-se a ele próprio para exclusão de todos os outros, mas de qualquer modo tem amor-próprio. É dado. Também se acha ligado à mãe, por causa da expectativa da mãe a amar por ser uma criança e o facto de se amar a si própria seja algo que supostamente deva ocorrer automaticamente. E é por isso que se torna num problema; por ser uma coisa que supostamente deva ter lugar automaticamente, quando não dispomos dela, devemos estar na “fossa”.

Mas o amor-próprio é aquela compaixão e carinho que sentimos por nós que é mais ou menos dado.

A autoestima representa o mesmo tipo de carinho, só que é adquirido, ganho. É algo que é desenvolvido, com o tempo. Um bebé não desenvolve automaticamente a autoestima; ninguém o consegue, por ser uma coisa que desenvolvemos, conscientemente. Mas envolve a mesma qualidade de ternura e de compaixão e de carinho que sentimos por nós próprios; só que de uma forma que obtemos e consequentemente, não é dada.

Também está muito mais associada à figura do pai. Por o amor que colhemos da parte da mãe ser dado adquirido enquanto o amor da parte do pai ter que ser conquistado. Muito poucos de nós esperarão que o pai nos ame só por ser o nosso pai. A mãe, sim, é de esperar que nos ame, por fazer parte da definição do papel de mãe. E é dado adquirido: “É claro que ela me ama! Deve fazê-lo, e é melhor que o faço, porque se o não fizer... vai ser terrível, etc.” Bom, já com respeito ao amor por parte de pai, tudo quanto esperamos é consegui-lo. Muitos de quantos esperam obtê-lo falham mas não obstante, pelo menos percebemo-lo no âmbito de uma coisa que precisamos conquistar e não que possamos tomar como garantido. E assim, sugerimos que lidam com os mesmos componentes do amor, só que obtidos na nossa realidade.

Ambas, o amor-próprio e a autoestima lidam com a capacidade que temos de ser amados ou com a capacidade que temos de amar. Ambas se acham formadas nessa área. Ambas são fruto de um desenvolvimento; uma dada e a outra adquirida.

Contudo, a dignidade pessoal não é autoestima nem amor-próprio, mas a base em que a autoestima e o amor-próprio são criados. São a matéria-prima que é usada para formar o amor-próprio e a autoestima. Não podemos desenvolver a dignidade pessoal, não importa quanto tentemos, pelo que vamos repeti-lo uma vez mais, apesar de o termos referido em inúmeras ocasiões, por as pessoas não compreenderem. A dignidade pessoal é uma qualidade e não uma grandeza que refere quantidade. É uma qualidade. É o material a partir do qual construímos os restantes componentes, que são quantitativos e qualitativos. Mas a dignidade pessoal é somente qualitativa; podemos tanta dignidade pessoal hoje quanta possamos alguma vez ter tido ou poderemos alguma vez vir a ter.

A pessoa mais desprezível em que podemos pensar, que durma numa viela de fraca fama e se vista de farrapos e se embebede é causa de muito mais valor ou dignidade do que nós; um pouquinho menos, por possuirmos valor a cem por cento, e não lhe podermos acrescentar mais nem subtrair. Não há nada que possamos fazer para nos tornarmos menos dignos; há muito que podemos empreender para bloquear o valor que nos cabe mas nada podemos fazer que nos torne menos dignos.

E isso apresenta-se na justa proporção do problema com que muito de nós temos ao tentarmos desenvolver a dignidade pessoal por falharmos e não o conseguirmos fazer; por não ser plausível. Pegai num copo de água que esteja cheio e tentai acrescentar-lhe mais água. Não o conseguis. Não importa quão habilidosos ou engenhosos formos, não encontraremos maneira de acrescentar mais água a um copo cheio.

Por isso, aquilo que fazemos é o seguinte: sentamo-nos co o copo cheio até à borda e acrescentámos-lhe duas onças de valor e olhamos e ainda veremos as dez onças iniciais; falhamos! Quando fazemos algo no sentido de desenvolvermos o mérito garantido será que viremos a falhar. E havemos de o sentir. Pensai naqueles de entre nós que vez por outra o tenham feito no passado. O mérito constitui uma qualidade que não refere quantidade nenhuma a que possamos adicionar mais. Tampouco podemos diminuí-la.

“Posso sempre despejar parte da água!” Claro que a analogia não funciona nesse caso. Mas vejam bem, por cima dessas dez onças de água está um olho sagaz que não se deixa embrulhar. Mas o negócio é o seguinte: por mais desprezível que possamos sentir-nos, e por mais fraca que seja a autoestima e baixo o amor-próprio que sentirmos, e podermos ter zero autoconfiança, ainda gozaremos da mesma quantidade de dignidade, mas isso deixa certa gente irritada. “Eu não quero que tenham dignidade, de modo a poder punir e de modo a poder manipular e racionalizar.” Mas não podemos.

A dignidade pessoal representa a matéria-prima com base na qual erguemos o amor e a estima. Além disso é dada – absolutamente!

A autoconfiança já difere do amor-próprio e da autoestima e da dignidade pessoal pelo facto da autoconfiança ser a capacidade de dependermos do nosso ego positivo – ou, para o colar em termos mais correctos – de dependermos da capacidade funcional adequada do nosso ego, para sobreviver. Representa a fiabilidade; a capacidade de depender do amor-próprio e da autoestima e da dignidade pessoal. Da capacidade de dependermos de um ego positivo, ou da funcionalidade adequada do ego, para poder mostrar-se à altura e sobreviver nesta realidade.

Mas, para o repetir uma vez mais, por ser suposto que o ego nos transmita mensagens, caso seja funcional, mensagens relativas ao que se passa aqui nesta nossa realidade, de modo a que nós, enquanto um ser interior que somos, podermos tomar decisões com base nessa informação e confiar na nova informação. É desse modo que é suposto que o ego funcione e não no sentido de interpretar, conforme temos dito frequentemente. Quando o ego opera de uma modo apropriado, temos autoconfiança, por podermos depender do facto de, quando obtemos uma mensagem de estar quente no exterior, podemos aceitá-lo e passar a decidir usar roupas de verão. E podemos passar essa mensagem de volta à nossa realidade exterior referente ao que se passa, em vez do caso de uma mensagem acolhida pelo ego negativo, contendo a mesma impressão de estar quente no exterior e interpretar isso como uma cilada, por quando queremos que esteja fresco está faça calor e isso seja uma acção que intenta contra a nossa integridade... pelo que não devemos ser amados pelo nosso eu superior e ser um fracasso total como metafísicos, por não conseguirmos fazer nada acertado.

Existe por ventura, uma sinopse, uma diferença entre o ego positivo e o ego negativo. Quando opera o ego negativo não sentimos a menor autoconfiança. Não podemos depender dele para nos transmitir uma informação precisa. A autoconfiança constitui a capacidade de dependermos, não a capacidade de obtermos informação, mas a capacidade de dependermos da informação e isso importa sobremodo distinguir. É algo que obtemos ou desenvolvemos, por meio da experiência.

Portanto, quando olhamos para isso, a dignidade pessoal e a autoconfiança lidam ou têm que ver com a nossa capacidade de fiabilidade. O amor-próprio e a autoestima lidam ou têm que ver com a amabilidade, e essa é uma distinção substancial de que precisamos ter consciência. E na categoria da amabilidade dispomos do amor-próprio que é dado e da autoestima e na categoria da confiança ou fiabilidade temos a dignidade pessoal que é gratuita e o respeito próprio que é conquistado. O respeito-próprio e a dignidade pessoal são obtidos, adquiridos, enquanto o amor-próprio e a dignidade pessoal são ambas dadas, gratuitas.

Uma parte integrante do amor-próprio e da autoestima e da dignidade pessoal na sua qualidade de utilização – uma parte integral disso é constituída pela autoconfiança. Consequentemente, para percebermos aquilo em que consistirá a autoconfiança passa pela habilidade de depender no facto de conseguirmos sobreviver. Não passa pela própria sobrevivência em si mesma, mas pela habilidade de depender: “Eu estou confiante nos próprios meios de que disponho; consigo depender de mim próprio para estar à altura ou fazer frente à sobrevivência, para atravessar este dia ou esta semana, para atravessar este tempo da minha vida. E não somente procurando sobreviver de qualquer maneira, etc. : “Quase que não conseguia mas de uma maneira qualquer, cerrando os dentes ou agarrando pelas pontas, lá consegui aguentar-me.” Não! É dependendo, pela capacidade de depender de nós próprios: “Eu consigo, embora nem sempre saiba como nem porquê, eu sei que consigo sobreviver!”




DESENVOLVENDO A AUTOCONFIANÇA


A razão por que aqui nos encontramos é a de aprendermos a criar consciente êxito e aprender a obtermos satisfação ou diversão com isso. 


Qual será o âmago dessa satisfação ou diversão? O domínio, a criação da nossa parte, da felicidade e da capacidade de sermos tudo quanto podemos ser e de sermos mais. A sensação de criarmos tudo, a sensação plena de felicidade e de nos situarmos onde quer e com quer que quisermos. A capacidade de exercermos domínio é o primeiro componente singular da satisfação e de toda a felicidade.


E qual será o núcleo do nosso êxito? Que é que procuramos realmente? Não é a fama nem o dinheiro; que é que pretendemos realmente? Essas quatro coisas que constituem o âmago da felicidade e do êxito. Isso constitui o âmago da vossa felicidade e o âmago do vosso êxito. Isso corresponde à promessa que nos é feita por Deus, Deusa Tudo Quanto Existe. Isso é dado adquirido e no essencial não a podemos perder. Em última análise todos a obterão. E a vida resume-se a aceitar esse dom. Eis o que precisamos fazer e eis como o fazer. 


Esses quatro componentes compõem o que designamos por a Promessa Espiritual. A promessa espiritual de que podemos obter satisfação, podemos obter um perfeito domínio, por Deus Deusa Tudo Quanto Existe nos ter dado a capacidade de exercermos domínio de criar êxito de forma consciente, nos ter dado esse sentido de sermos totalmente felizes, e de sermos tudo quanto quisermos ser. 


Eis aqui a tarefa que vos cabe e eis aqui a resposta! Eis aqui aquilo que buscais e eis aqui a solução! Eis aqui o que andais a tentar conseguir e aqui está, é vosso. E a vida resume-se á aceitação de tal dom. Eis aqui o que precisais fazer, e eis aqui o modo como haveis de o fazer! É-nos dado. E nós dependemos vida após vida, milhares de vidas neste mundo mundano a aprender a aceitar esse dom. A aprender a acolhê-lo. Esses quatro componentes compõem aquilo que designamos por A Promessa Espiritual. A promessa espiritual de podermos exercer domínio, de podermos criar conscientemente, de podermos ser completamente felizes e de podermos ser tudo quanto podemos ser. E nós podemos recolher essa promessa quando estivermos prontos para a receber. E cada um de nós a há-de receber. A porta jamais se fecha. Jamais se fará tarde para precisardes aceder-lhe por intermédio de mais alguém, não.  Ela está permanentemente aberta. Quando quiserdes, ela é vossa.


...


O que nos está a acontecer é esta quebra, este fosso verificado no campo da confiança que se irá apresentar como um dos nossos desafios no descortinar do nosso futuro. Porque sem confiança, esse futuro irá revelar-se um futuro miserável. Uma quebra nos sonhos, composto de uma quebra da esperança, de uma quebra dos sonhos, que conduz ao fenecimento da esperança. Precisamos familiarizar-nos connosco próprios, precisamos envolver-nos connosco próprios, precisamos recuperar o nosso poder de volta já, e parar de esperar que a ciência e a tecnologia façam a nossa vida funcionar. Façamos funcionar a nossa vida e utilizemos a ciência e a tecnologia na implementação dessas soluções, na implementação da satisfação e da felicidade.


Precisamos sanar o fosso, precisamos pôr travão à crise da confiança, porque aqueles que retractam um mundo de infelicidade, aqueles que retractam um mundo de ódio e de ofensa, aqueles que retractam um mundo que parece estar destinado a terminar baseiam-se num alargamento desse fosso. E a solução, uma de várias, passa pelo sanar desse fosso. 


Nós, não esperemos por mais ninguém, mas comecemos a sanar e a consertar esse fosso, comecemos a restabelecer essa confiança, a autoconfiança. Isso pode ser conseguido pelo restabelecimento do domínio e não da dominação; pela criação consciente e não pelo contínuo consumo (do que os outros ditam e apregoam e do consumismo como fonte de felicidade), pelo ir em frente e tornar-nos completamente felizes e contentes a despeito dos valores que as pessoas atribuem um significado desmesurado. Seguir em frente e tornar-nos completamente felizes inspirando os outros no mesmo sentido, sem nos contentarmos com uma reclamação menor dessa realidade. 


Reinstalemos essa confiança avançando em frente e assumindo os passos para sermos aquele que somos, e começarmos a dar os passos no sentido de nos tornarmos em mais do que somos mesmo que isso não possa ser medido por gráficos e escalas e computadores, mesmo que não consigam equacioná-lo nem mensurá-lo nem prová-lo, ir em frente e faze-lo nós próprios. Em vez de resolvermos fazer o que nos é permitido, mesmo que isso se revele empírico.


É tempo de restabelecer a verdadeira promessa feita pela espiritualidade no sentido de edificar essa confiança, no sentido do restabelecimento dessa confiança. E o modo de lhe dar início, não está na posse de nenhum outro país, nem do nosso próprio país mas em nós próprios. Se restabelecermos a confiança em nós isso irá infectar os outros no sentido de restabelecerem neles. E assim poderemos sanar esse fosso e essa quebra e voltar-nos para a criação do futuro, de um futuro positivo, de reunião com Deus , a Deus, tudo Quanto Existe.


Confiança. Por que razão é tão importante? E por que razão constitui esse fosso uma crise tão grande? Ambas essas questões poderão obter resposta olhando para o que a confiança opera. Antes de mais, temos consciência de existirem conceitos muito importantes ligados ao nosso crescimento; por exemplo:


Amor-próprio


Constitui a técnica e a qualidade mais importante, o instrumento mais importante na realização do nosso crescimento. Se não conhecêssemos mais nada além do amor-próprio, disporíamos de tudo quanto precisaríamos. Se nos amarmos por completo, a cem por cento, se nos amarmos em termos absolutos, não precisaremos de programar nem de processar, nem técnicas como a de trinta e três segundos, nem o plano causal, círculos de luz nem nada desse tipo. Se nos amarmos a cem por cento automaticamente criaremos a mais gloriosa e bela realidade. Porque este mundo jamais foi destinado a ser um local de dor mas um local de júbilo, repleto de satisfação e de felicidade que nos é estendida nos termos enunciados: “Eis o que aqui vos encontrais para fazer, e eis como haveis de o fazer.” E quanto a isso em particular, era essa a intenção de tornar a coisa, e se nos amarmos a cem por cento será exactamente isso de que passaremos a dispor, o que havemos de experimentar.

Mas, na falta desse amor incondicional que de facto não estamos a utilizar e ainda não somos capazes de utilizar – o que é perfeitamente compreensível! – aqui está a técnica, uma lista enorme de diferentes tipos de abordagem que poderemos utilizar como um suplemento para esse amor incondicional, mas que de facto operará no sentido de nos amarmos a nós próprios por completo: cada forma de abordagem, cada método ou técnica, tudo quanto deve representar o amor-próprio, que representa a pedra angular e está sempre em primeiro.


Valor-Próprio


É uma outra qualidade que é igualmente importante; ambas, na verdade, que são dadas. A dignidade pessoal é a disponibilidade que podemos ter de sentir apreço pela nossa espiritualidade. É a boa vontade que podemos sentir no apreço que evidenciamos por sermos um indivíduo espiritual. Não é nada que seja objecto de ganho nem nada que façamos, mas algo que somos. Amor e dignidade, dois factores críticos para o nosso crescimento: ambos dados. Um outro factor é a autoestima.


Autoestima:


A autoestime é um factor de uma importância vital para vós por representar o amor, mas o amor que adquirimos. O amor-próprio e a autoestima lidam com a capacidade de amar, enquanto a dignidade pessoal lida com a capacidade de confiar. O amor que é ganho chama-se autoestima e é de uma importância crítica – estamos continuamente em busca dele, constantemente, independentemente do resto; no nosso íntimo, ou então fora de nós. Sempre em busca do amor que podemos obter, de forma a podermos combiná-lo com o amor que nos foi dado. Ambas essas formas de capacidade combinadas com o merecimento da dignidade. Três termos de uma importância crítica, de que ouvimos falar desde que nos encontramos envolvidos com o crescimento. Mas, vejam bem, todos esses três termos não passam de teoria, princípios, filosofias, até serem activados pela confiança. Se não tivermos confiança em nós, de que servirá falar do amor? “Eu vou dispor-me a dar, vou dispor-me a prover, a cuidar, mas não sinto confiança nenhuma para o fazer. Não consigo dar por não ter confiança, não posso responder nem respeitar, não consigo saber, como haverei de chegar a ter intimidade sem qualquer confiança em mim próprio, como me hei-de comprometer? Que quererá dizer cuidar? Não posso garantir confiança, não sou capaz de garantir nenhum sentido de segurança, nenhum sentido de prazer, não sou capaz de transmitir sentido de vulnerabilidade e de honestidade, como poderei transmitir um sentido de confiança e de conhecimento? Eu não tenho confiança naquele que sou nem no que estou a fazer.” 


E sem confiança, o amor pode chegar a traduzir-se por tantas palavras redigidas e impressas, palavras que são filtradas pelo ouvido sem o menor fragmento de confiança. Olhemos para o mundo: Quantos não serão aqueles que nos dizem actualmente que não podemos amar? Quantos não serão aqueles que referem que o amor constitui uma perda de tempo? Quantos não serão aqueles que nos dizem que tudo quanto podemos fazer é olhar por nós e para esquecermos os outros e apenas nos preocuparmos connosco? E quantos não serão os que nos dizem para nos esquecermos de nós e cuidarmos dos outros? Quantos estarão verdadeiramente a transmitir para amarmos a nós mesmos e amarmos os outros? Muito poucos!


Por causa dessa brecha que se estabeleceu na confiança o amor não passa de uma teoria. E cada vez mais nos dizem na realidade consensual: “Esquece isso; deixa para lá. Rejeita isso!” Mas de facto, a realidade espiritual, é chamada de tolice.


Enterrar a cabeça na areia, buscar respostas feitas. Dizem-nos, com espeito a isso, que o interesse que sentimos pelas coisas espirituais se deve ao facto de nos estarmos a guardar para o amor. Absolutamente! Que mal terá que pretendamos descobrir o amor em nós e nos outros, que queiramos amar-nos mais e aos outros? As pessoas dizem: “Ah, é por isso que te envolves com esse tipo de coisa! Deve haver algo de errado contigo!” “Oh, peço desculpa se tenho necessidade de amor, não devia fazer isso. Lamento ter que reconhecer não sentir amor por o mundo consensual em que vivo não apresentar muito amor.” Não, não vos desculpeis de modo nenhum, mas reconhecei que isso faz parte desse fosso criado, por que, vejam bem, o amor, é tornado numa realidade e estimulado por intermédio da confiança. O mesmo acontece com a dignidade. A dignidade, sentir apreço pela nossa natureza espiritual, e compreender aquele que somos, com respeito a isso, é estimulado, é tornado numa realidade, obtém o fulgor da vida por meio da confiança. 


E a estima, a consideração? A estima que vem de dentro, o que corresponde ao tipo válido, o sentido de responsabilidade, o sentido de confiança e o sentido de impecabilidade, o sentido da honestidade, integridade, tudo isso é posto em marcha pela confiança. Começam a exercer impacto e significado e a mudar a nossa vida por intermédio da confiança.


A autoconfiança é importante por trazer vida ao amor, vida à dignidade, vida à estima, à consideração. Sem ela, não passam de teorias, filosofias, considerações de interesse geral, mas não possuem sentido. É por isso que a confiança é importante e por que, quando é rompida, e sofre uma brecha, o amor e a dignidade e a estima sofrem.


Segundo: a autoconfiança na sua mais simples definição consiste na capacidade que tendes de estar à altura; fazer face, sim, não necessariamente faze-lo maravilhosamente nem obrigatoriamente de modo elegante mas simplesmente completar a coisa; a nossa capacidade de fazermos frente à realidade. Mas, uma definição mais sofisticada, constitui a capacidade que temos de depender de nós mesmos, de depender de si mesmo. Ao aprendermos a depender de nós próprios também na verdade criaremos uma realidade com base nos pensamentos e nos sentimentos e nas escolhas, nas decisões e nas atitudes e crenças, certamente, mas criar uma realidade que é fiável. 


Se não conseguirmos depender de nós próprios, se não tivermos confiança, havemos de criar uma realidade que reflectirá essa falta de confiança e uma realidade de que não poderemos depender e uma vez mais, podemos constatar tal fosso ao nosso redor no nosso mundo. Vemos um mundo que está de pernas para o ar; um mundo em que não podemos confiar em nós, nem não podemos depender das regras que são rompidas e comprometidas a torto e a direito. É isso que a brecha na confiança pode fazer e é por isso que a confiança é tão importante. Pode levar-nos a romper com um mundo com base na fiabilidade que confere, e é capaz de produzir um mundo que é fiável.



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