sábado, 25 de agosto de 2012

CARMA





Tradução e desenho de Amadeu Duarte

Bom, e que dizer do Carma?

O tempo é uma ilusão. Concordaremos todos com isso? Haverá alguém que não concorde? Alguém pensará que o tempo seja real? Por que, vejam bem, o Einstein provou que o tempo é uma ilusão. E subsequentemente os cientistas provaram que ele é uma ilusão.

Vós só resolvestes o problema do tempo nos últimos 500 anos a fim de acomodardes a vossa Renascença e de satisfazerdes a ética científica e a ética Judeo-Cristã. Ambas dependem fortemente num começo e num término da realidade – num começo num término do tempo. Ambos precisam que tempo constitua uma linha recta.

Há mais de 500 anos, o tempo era uma espiral, e tinha sido criado para vos ajudar e vos assistir. Ainda se pode prestar como uma conveniência: “Vamo-nos encontrar às oito da noite” faz todo o sentido.

 “Vamo-nos encontrar para...”

“Hmmm-hmmm.”
“A que horas?”
"Bom, vamos ver como a coisa corre, está bem?" (Riso)


Assim, criais o tempo para dizer: “Vamos lá fazer isso no Domingo, dia 13, às 8 da noite.” Desse modo é muito mais conveniente. Assim criais o tempo como uma ilusão por conveniência. O tempo é uma ilusão, o que quer dizer que não existe “então” tal como não existe “antes” e não existe o “depois”. Existe apenas o agora.


Por isso, fala-nos do carma? Que carma? O carma é chamado de lei de Causa e Efeito. Supostamente, o carma constitui a lei que diz que estais agora a pagar aquilo que tereis feito. Agora, alto lá. Todos concordamos que não existe coisa alguma como tempo, e por isso, o que se tenha passado então e o que acontece agora está tudo a acontecer ao mesmo tempo.

Vós dizeis: “Se tivermos assassinado alguém numa vida pregressa, então iremos ter que ser assassinados nesta vida.” Disparate! Um completo disparate, em absoluto! Se forem assassinados nesta vida, e tivermos assassinado alguém nessa vida, ambos esses eventos estão a dar-se em simultâneo. Como poderá um causar o outro? Como poderia isso acontecer? Não pode! Por isso, essa ideia de estardes agora a pagar pelo que cometestes nas vossas vidas passadas constitui uma afirmação filosófica, política e metafísica – mas não uma afirmação exacta.

De onde virá a lei do carma? Essencialmente procede da maioria de vós a partir da religião do Oriente. Agora, vejamos novamente, pensemos nisso. Imaginai: Aqui estais vós, o Homem Santo à direita, e aqui estão os vossos 4000000 de seguidores que morrem de fome, que conduzem vidas de miséria, e que levam uma vida de absoluta e abjeta pobreza.

Assim, que lhes dizeis? “Bom, vós criastes isso por não vos amardes a vós próprios o suficiente.” Oh! Vejam que declaração mais autodestrutiva! Eles vão fugir em debandada, não? Absolutamente. Por isso, em vez disso, direis: “Hmm, todo o sofrimento que passais actualmente? Considerai-vos felizes por ele, por estardes a queimar carma (pecado). Deveis ter sido seres humanos corruptos até à medula por estardes a cumprir esse carma, contudo estais a remover esse carma, e cada vida a pós vida repleta de infelicidade significa remoção de carma.”

O carma existe enquanto acreditardes nele, mas assim que sentirdes vontade de soltá-lo, estará terminado. Não quando vos der permissão para isso, mas ao invés assim que vos dispuserdes a deixá-lo cair, ele terá terminado.

Que diabo tereis cometido de tão horrível para merecerdes 40, 50, 60, 100 vidas de miséria?! Santo Deus! Não, isso é o que vós dizeis para aplacar milhões de pessoas quando escutais o rugido que os estômagos deles fazem e constatais a fome que trazem estampada no rosto. Isso é o que fazeis quando não conheceis forma nenhuma para silenciar o rugido nem pôr cobro a essa fome.

“Estais a queimar carma. Houve uma altura em que fostes glutões e comíeis demasiado, e agora estais a queimar isso. Houve uma altura em que privastes as pessoas do seu alimento, e estais a queimar isso.”

Alguns terão sugerido que os judeus na Segunda Grande Guerra terão sido os Romanos que atiraram com os cristãos aos leões. Não. Aquilo que aconteceu ao povo judeu na Segunda Grande Guerra não devia ser desvalorizado nem trivializado nesses termos; não devia ser jogado fora como um tipo qualquer de coisa cármica a ser descartada. É muito mais importante do que isso.

Aquilo que aconteceu a seis milhões de judeus e a doze milhões de Russos e a onze milhões de bruxas ao longo da vossa história não devia ser simplesmente descartado como “carma”, por não ser. Todas as coisas são simultâneas. Não existe coisa tal como Lei do Carma. Existe um tipo de escolha cármica que estabeleceis por vós próprios. Nisso reside a importância; uma escolha cármica e não uma lei.

Vejam bem, podeis ter cometido uma coisa qualquer ignóbil numa vida passada, e decidido: "Olha, preciso trabalhar isso. Não posso deixar isso assim. Quero reparar isso." Podeis ter traído alguém, e assim dizer: "Creio que quero pagar por isso. Quero pagar por isso submetendo-me eu próprio a isso."

Agora interrogamos-vos quanto ao seguinte: Se cortardes um dedo a alguém e depois sentirdes: "Que foi que fiz?" o facto de cortardes o vosso dedo reparará isso? Não, não vai reparar. Será que um corte de dois dedos irá reparar isso? E que dizer de cortar a vossa mão pelo pulso? Irá isso reparar o dano provocado? Não vai, não é? Que será que o fará? Alguém faz ideia?

Perdoais-vos a vós próprios. Se vos perdoardes e pedirdes descupa a ele, seja em que nível que preciseis faze-lo, é isso que vai reparar o sucedido. É isso que repara o sucedido. Assim, podei ter cometido traição e coisas ignóbeis no vosso passado, absolutamente. E podeis ter falhado miseravelmente no amor, e fracassado miseravelmente no poder, e podeis ter sido um indivíduo opressor, e decidido: "Nesta vida quero lidar com o amor, e aprender sobre a opressão, e quero lidar com isto e com aquilo, e com o poder." mas cabe à escolha que elegerdes - e não a uma imposição de carma. Cabe à escolha que elegerdes.


Por isso, o carma existirá enquanto acreditardes nele, mas assim que vos dispuserdes a descartá-lo, estará terminado. Não quando alguém vos outorgar permissão, mas em vez disso quando tiverdes vontade de abrir mão dele, ele terá desaparecido. Assim, sim, tendes carma, por o terdes escolhido. Deus não vo-lo impôs.


Alguns dizem que o carma constitui uma lei. Nós dizemos que constitui uma escolha. Encorajamos-vos a pensar pela vossa cabeça. Sabeis que o tempo constitui ma ilusão simultânea. por isso, como poderá alguma coisa acontecer antes e alguma coisa acontecer depois? Está tudo a acontecer agora. Como poderá uma coisa qualquer ser causa de outra qualquer quando ambas existem em simultâneo? Como poderá haver uma lei cármica? Como podereis vós estar a pagar a título de retribuição por uma vida que está a ocorrer exactamente agora? Não, o carma não constitui lei nenhuma. Constitui uma escolha.

Um exemplo: Suponham que fostes traídos numa vida passada, e que também fostes traídos nesta vida. O modo como respondeis a essa traição actual pode ser influenciado pela traição passada. Alguns, poderão lidar mal com isso por "já me ter acontecido antes." Outros, poderão lidar com isso de uma forma soberba, "por já me ter acontecido antes." Como ireis lidar com isso? Não está redigido em nenhum livro: "Toda a traição precisa ser tratada deste modo." Não , não está. Vós decidis a forma com ides lidar com isso.

Se tiverdes sido traídos antes e fordes traídos agora, a causa da traição actual situa-se no agora, e vós escolheis se a traição anterior irá tornar isso mais fácil. Cabe à vossa escolha, e não à lei. E quando percebeis isso, então conseguis abrir mão disso, e poreis fim ao "fado".

Estais terminados com o carma quando vos permitirdes soltá-lo, tal como estareis terminados com as vidas físicas quando decidirdes que estais terminados, quando podeis perceber: "Já aprendi quanto basta. Eu não precisava aprender coisa nenhuma. Optei por aprender, mas estou terminado." Não dissemos que não aprendestes. Sugerimos que não tínheis que o fazer. Não tendes que o fazer, mas fazei-lo. E no caso do carma? É uma escolha, uma escolha determinada por vós e imposta por vós.
 
Lazaris

Sem comentários:

Enviar um comentário