domingo, 1 de julho de 2012

AFIRMAÇÃO,O APERFEIÇOAMENTO PRÁTICO DA VOSSA VIDA E A NOVA ESTRUTURA DE CRENÇAS






(The Nature of Personal Reality)
Capítulo 22

Tradução: Amadeu António

Se tiverdes amor e respeito por vós próprios, então haveis de confiar no rumo que tomais, e aceitareis a vossa situação actual, seja ela qual for, como parte desse rumo, e percebereis que dela poderão vir todos os elementos criativos de que precisais.
Ao serdes quem sois e confiardes na vossa própria integridade, haveis automaticamente de ajudar os outros.
De pouco valerá repetir sugestões do tipo: “Eu sou uma pessoa digna, e tenho confiança em mim e na minha integridade,” se ao mesmo tempo temerdes as próprias emoções e vos perturbais sempre que dais por vós no que considerais como um quadro negativo de ideias.

Tal como os amantes conseguem perceber o “ideal” na pessoa amada e ainda assim estar bem cientes de certas imperfeições, certos desvios em relação a esse ideal, também vós podeis, se tiverdes amor por vós próprios, perceber que aquilo que pensais ser imperfeições sejam em vez disso tentativas feitas no sentido de uma transformação mais completa. Não podeis sentir amor por vós próprios ao mesmo tempo que detestais as emoções que fluem através de vós; por que, se por um lado não sois as emoções que sentis, por outro identificais-vos tanto com elas que ao detestá-las, detestais-vos a vós próprios.

Utilizai a vossa mente consciente e a sua lógica. Se descobrirdes que vos sentis indignos, então não procureis simplesmente aplicar uma crença mais positiva a essa já existente. Em vez disso, descobri as razões para a vossa primeira crença. Se ainda o não tiverdes feito, anotai os sentimentos que notais ter em relação a vós próprios. Sede completamente honestos. Que diríeis a mais alguém que visse ao vosso encontro movido pelas mesmas razões?

Examinai aquilo que tiverdes escrito e percebei que isso envolve um conjunto de crenças. Existe toda uma diferença entre acreditar que sejais dignos e o facto de não vos sentirdes dignos. A seguir fazei uma lista das capacidades e realizações que obtivestes. Deve ela incluir coisas como dar-se bem com os outros, ser atraente, ser benigno para com as plantas ou os animais, ser um bom cozinheiro ou carpinteiro. Qualquer talento ou conquista deverá ser anotado com tanta honestidade quanto aquela com que tiverdes detalhado os mais pormenorizados “defeitos”, antes.

Não existe nenhum ser humano vivo que não possua capacidades criativas próprias, e não apresente realizações e características excelentes, de modo que se seguirdes estas instruções havereis de descobrir que sois verdadeiramente um indivíduo digno.

Quando derdes por vós num estado de espírito de inferioridade olhai para a vossa segunda lista, formada pelas capacidades e realizações. A seguir usai de uma sugestão positiva acerca do vosso próprio mérito apiada no vosso próprio autoexame. Podereis dizer. “Mas eu tenho consciência de possuir enormes capacidades que não estou a utilizar. Quando me comparo com outros, sinto-me aquém. Que diferença farão algumas realizações mundanas que são partilhadas por muitos outros, que não são de forma nenhuma únicas? Sem dúvida o meu destino envolverá muito mais do que isso. Sinto anelo por coisas que não consigo expressar.”

Em primeiro lugar, precisais compreender que na vossa própria singularidade se torna difícil comparar-vos com os outros, por que ao fazerdes isso tentareis rivalizar com qualidades que lhes são inerentes, e nessa justa medida, negais o vosso próprio ser miraculoso e visão. Assim que começardes a comparar-vos com os outros, não mais podereis parar. Haveis de qualquer jeito de encontrar sempre alguém mais talentoso que vós e desse modo haveis de continuar insatisfeitos.

Em vez disso, se trabalhardes as crenças que tendes, tende como certo que a vossa vida é importante; começai com ela e a posição que ocupais. Não vos desprezeis por não terdes alcançado algum ideal nobre mas começai a utilizar os talentos que possuís pelo melhor da vossa capacidade, com consciência de nelas assentar a vossa realização pessoal.

Todo o auxílio que prestardes aos outros deverá proceder da utilização criativa das vossas próprias características e de mais ninguém. Não vos aborreçais convosco próprios quando vos virdes em situações de vida negativas. Em vez disso, interrogai-vos de uma forma construtiva da razão para estardes a fazer isso. A resposta virá a vós.

Utilizai o conhecimento com uma ponte. Deixai que as emoções que se acharem envolvidas tenham lugar, sejam quais forem. Se fizerdes isso de uma forma honesta, os sentimentos de falta de valor próprio e o desânimo desaparecerão e alterar-se-ão espontaneamente. Podeis mesmo descobrir-vos impacientes em relação aos próprios sentimentos, ou mesmo aborrecimento, e desse modo descartá-los. Contudo, não digais automaticamente a vós próprios que eles sejam errados, para a seguir procurar aplicar uma crença “positiva” como um penso rápido.

Usai de sentido de humor em relação a vós próprios – não de um tipo malicioso, mas de um tipo de bom humor gentil. A elevada seriedade é apropriada quando não é forçada e sucede com naturalidade. Se for prolongada, pode tornar-se pomposa. Se vos permitirdes tornar progressivamente mais conscientes das vossas crenças, podereis trabalhar com elas. É tolo procurar lutar com o que achais sejam crenças negativas, ou deixar-se atemorizar por elas. Elas não são mistério nenhum. Podereis descobrir que muitas terão servido bons propósitos em determinada altura, e que tereis acabado por as enfatizar em demasia. Podem ter que ser reestruturadas ao invés de ser negadas.

Certas crenças prestam-se-vos a um serviço positivo em determinados períodos da vossa vida. Contudo, por as não terdes examinado, podereis carregá-las muito para além de terem servido o propósito que tinham, e podem agora agir contra vós. Por exemplo: muitos dos jovens acredita, em uma ou outra altura, que os pais sejam omnipotentes – crença muito prática que confere às crianças um sentido de segurança. Ao atingirem a adolescência, esses mesmos filhos ficam chocados ao descobrir que os seus pais são bastante humanos e falíveis, e logo uma outra convicção se impõe: uma crença na incompetência e inferioridade das gerações mais velhas, e na rigidez e insensibilidade daqueles que governam o mundo. Muitos, ao entrarem na idade adulta, pensam que as gerações mais velhas tenham feito tudo mal. Contudo, tal crença liberta-os dos conceitos infantis em que os mais velhos tinham sempre não só razão, como eram infalíveis, e coloca-os diante do desafio de enfrentar os problemas pessoais e do mundo.

Durante um certo tempo, os novos adultos sentem com frequência ser invencíveis e ir além dos limites da criatura que os caracterizam; tal crença, uma vez mais, endossa-lhes a força e o vigor de que precisam para dar início à vida independente e para moldarem o seu mundo. No entanto, em termos materiais, mais cedo ou mais tarde, todos precisarão compreender não só os desafios como as outras características peculiares inerentes à sua condição em que nenhuma dessas crenças generalizadas basicamente faz sentido.

Se, por altura dos quarenta ainda acreditardes na infantilidade dos vossos pais, então mantereis essa ideia muito para além dos benefícios que vos poderia trazer. Se usardes dos métodos mencionados neste livro, devereis poder descobrir as razões para tal crença, por vos impedir de exercer a vossa própria independência e construir o vosso próprio mundo. Se vos encontrardes na casa dos cinquenta e ainda estiverdes convencidos de que as velhas gerações são rígidas e que se encontram a ponto de se tornar senis pela incompetência mental e detioração física que apresentam, então estareis a agarrar-vos à velha crença da ineficácia das gerações mais velhas, e a repetir sugestões negativas.
Já pelo contrário, se estiverdes com 50 e acreditardes ainda que a juventude seja a única parte gloriosa e eficiente da vida, estareis, claro está, a fazer a mesma coisa.

Um adulto jovem que seja dotado numa área particular pode abrigar a crença de que a capacidade que tenha o torne superior a todos os outros. Isso pode revelar-se bastante benéfico para a pessoa em questão numa certa altura, por lhe proporcionar o ímpeto necessário para o desenvolvimento e a independência necessários para que a capacidade possa crescer. Esse mesmo indivíduo, anos mais tarde, poderá descobrir ter carregado essa mesma crença por tempo demasiado, pelo que se verá privado de um intercâmbio emocional muito importante com os seus contemporâneos, ou que se tenha tornado restritivo noutros sentidos.

Uma jovem mãe pode acreditar que o seu filho seja mais importante do que o seu marido, e de acordo com as circunstâncias, essa crença poderá auxiliá-la a prestar a atenção necessária à criança – mas se o conceito se mantiver quando a criança crescer e se tornar mais velha, então poderá igualmente tornar-se altamente restritiva. Toda a vida adulta de uma mulher pode ser estruturada de acordo com tal ideia se não aprender a examinar os conteúdos da sua mente.

Uma crença que apresente resultados positivos para uma mulher na casa dos vinte, não terá necessariamente o mesmo efeito numa mulher de 40, que, a título de exemplo, possa prestar ainda mais atenção aos filhos do que ao marido. Muitas das crenças que tendes, são, é claro, de cariz cultural, mas ainda assim tereis aceitado aqueles que tenham servido os propósitos que tínheis. Por regra, os homens na vossa sociedade acreditam possuir a prerrogativa da lógica, enquanto as mulheres são consideradas intuitivas. As mulheres que agora procuram fazer valer os seus direitos, caem frequentemente na mesma cilada; só que pelo sentido inverso – ao tentarem negar o que pensam ser os elementos inferiores da intuição pelo que pensam ser os superiores da lógica. Assim, certas crenças estruturar-vos-ão a vida, muitas vezes por determinados períodos. Haveis de superar muitas delas; e quando o fizerdes, a estrutura interior mudará, mas não devereis covardemente aquiescer a crenças residuais assim que as tiverdes reconhecido: “Sinto ser inferior, por a minha mãe me ter detestado,” ou “Sinto-me destituído de valor, por ter sido um magricela e um diminuído em catraio.”

Ao trabalhardes as crenças que tendes, podereis descobrir que uma sensação de inferioridade pareça brotar de tais episódios. Compete-vos a vós, enquanto adultos, alçar-vos acima das vossas crenças, e perceber que a mãe que detesta o filho já se encontra em apuros, e que tal rancor fala mais acerca da mãe do que da sua prole. Cabe a vós compreender que já sois crescidos, e não crianças que possam ser intimidadas.


O PONTO DO PODER ESTÁ NO PRESENTE

Esse ponto não reside no passado a menos que, de uma forma servil decidais concordar a crenças antiquadas que não mais vos servem. Se acreditásseis não ter dignidade alguma por terdes sido esqueléticos e mal tratados, então de algum modo e sem a menor dúvida teríeis usado essa crença com vista nos vossos próprios propósitos. Admiti-o. Descobri que propósitos terão sido. Talvez tenhais compensado e vos tenhais tornado atletas ou usado o ímpeto para avançardes em frente no vosso caminho.
Se a vossa mãe vos tiver detestado podereis utilizar isso para fazer valer a vossa independência, para vos proporcionar uma desculpa ou caminho; mas em todos os casos, vós moldais a vossa própria realidade, e desse modo tereis concordado com isso.

Muitos dos que me escrevem sentem possuir poderes psíquicos ou capacidades invulgares no campo da escrita, ou sentem uma extraordinária vontade de ajudar os outros. Comparam constantemente aquilo que fazem com o que pensam ser capazes de fazer, mas muitas vezes sem fazerem nada para desenvolverem as próprias capacidades. Pretendem escrever grandes teorias filosóficas, por exemplo, sem que jamais tenham tocado o papel com a caneta, ou confiado em si o suficiente para darem início a tal coisa.

Algumas desejam ajudar todo o mundo, sem que mais façam do que entreter esse desejo sem tentarem implementar tudo isso em termos práticos. O ideal que têm em mente torna-se de tal modo pronunciado que se sentem constantemente insatisfeitos com o próprio desempenho; contudo, sentem receio em dar início a isso. O reconhecimento afectuoso da sua própria singularidade revelar-lhes-ia por si só como começar a fazer uso das capacidades à sua própria maneira, e a confiar na sua presente situação. O ideal ainda não se terá materializado. É apenas a essência de um rumo. Mas esse rumo só poderá ser descoberto pela utilização do que tendes no momento que possais reconhecer e a concordância com as vossas próprias capacidades, e utilizando-as por intermédio do poder do presente.
Sessão 676

Certamente que nada de errado existe em pedir auxílio aos outros quando pensais precisar dele, e por vezes saís com muito a ganhar com isso. Contudo, alguns há que por sistema buscam ajuda da parte dos outros e que a usam como um meio de evitar a responsabilidade. No caso de problemas especificamente físicos, a ajuda deve ser procurada nas áreas em que tendes poucos conhecimentos. Mas muitos acorrem a outros -  a psíquicos, médicos, psiquiatras, sacerdotes, pastores, amigos – em busca de respostas para situações as globais da vida, e ao fazerem isso negam as próprias capacidades de auto compreensão e crescimento. Por causa das vossas estruturas educativas, o indivíduo aprende a ter cautela em relação ao seu ser interior, conforme foi mencionado (Sessão 614, Capítulo 2), pelo que infelizmente o homem ou mulher comum busca soluções para os problemas pessoais no exterior de si próprio, onde menos poderão ser encontrados. Se usardes os métodos traçados neste livro, devereis passar a conhecer-vos de uma modo muito mais íntimo do que antes, e habilitar-vos a lidar com a vossa realidade pessoal.

O simples facto de terdes consciência de moldardes a vossa realidade, poderá libertar-vos de alguns conceitos restritivos que vos tenham limitado no passado. Podereis então examinar as crenças que tendes de uma forma criativa, e descobrir os pontos de conexão que apresentem com a experiência que fazeis. O mero conhecimento consciente desencadeará respostas intuitivas no ser interior, de modo que recebereis uma informação útil por intermédio de sonhos, impulsos, e pensamentos padronizados.

Se afirmardes a graça básica do vosso ser, isso irá automaticamente enfraquecer as crenças que tiverdes que se revelarem contrárias a esse princípio. Haveis de ser capazes de manter um equilíbrio, na vossa experiência, entre a visão de um “Eu” ideal e todos os desvios que possam apresentar-se em relação a ele, naturalmente. Começareis na situação em que vos encontrais e alegremente começareis a expandir aqueles atributos que possuirdes agora, sem esperardes que surjam completamente desenvolvidos. Haveis de vos amar a vós próprios, e não sentir dificuldade em amar o próximo.

Uma vez mais, não quer dizer que devais andar constantemente de sorriso na boca, mas afirmar a vossa vitalidade e graça inerentes às dimensões da criatura que sois. Assim que começardes a comparar aquilo que sois com um conceito ideal qualquer que tenhais de vós próprios, haveis automaticamente de sentir culpa. Até trabalhardes as crenças que tendes, essa culpa poderá ser provocada pelas ocorrências e características mais inofensivas. É uma excelente ideia fazer uma lista de actos ou incidentes específicos que despertem em vós um sentimento de culpa. Frequentemente vereis facilmente que remontam às crenças da infância – algumas inculcadas por algum progenitor bem-intencionado no sentido de vos proteger, ou com base na ignorância de adultos. Contudo, forem trazidos à luz do dia, muitas delas dissolver-se-ão diante da vossa compreensão.

Quando afirmais a vossa própria rectidão no universo, passais a cooperar com outros com facilidade e de forma automática, como parte da vossa natureza. Ao vos assumirdes por aquele que sois, ajudais outros a serem eles próprios. Não sentireis inveja de talentos que não possuís e desse modo podereis encorajar com sinceridade esses mesmos talentos nos outros. Por reconhecerdes a singularidade que vos caracteriza, não sentireis necessidade de dominar os outros nem necessidade de os adular servilmente ou de vos rebaixar diante deles.

Deveis começar a confiar em vós, em qualquer altura, e eu sugiro que o façam já. Caso o não fizerem, então haveis de tentar com que outros vos façam prova do mérito que tendes, e jamais vos sentireis satisfeitos. Sempre havereis de perguntar aos outros o que deveis fazer, enquanto ao mesmo tempo vos ressentis daqueles a quem pedis tal orientação, por vos parecer que a experiência deles seja legítima enquanto a vossa falsa. Haveis de vos sentir enganados. Vereis que exagerais os aspectos negativos da vossa vida, assim como o lado positivo da experiência dos outros.

Vós sois uma personalidade multidimensional. Confiai no milagre do vosso próprio ser. Não estabeleçais distinções entre o físico e o espiritual nas vossas vidas, por o espiritual se pronunciar com voz física e o corpo consistir numa criação do espírito. Não coloqueis as palavras dos gurus, dos sacerdotes, dos pastores, dos cientistas, dos psicólogos, dos amigos – ou as minhas – acima dos sentimentos do vosso próprio ser. Podeis aprender muito com os outros, mas o conhecimento mais profundo deve proceder do vosso íntimo.

A vossa própria consciência embarcou numa realidade que basicamente não pode ser experimentada por mais ninguém, por ser única e intransmissível e comportar o seu próprio significado, e segue o seu próprio curso de transformação. Compartilhais uma existência com outras pessoas que experimentam os seus próprios rumos, à sua maneira, e fazeis essa jornada em comum. Sede amáveis para convosco próprios e para com os vossos companheiros. Eu também me encontro numa jornada, e tento transmitir-vos toda a informação e conhecimento que possuo por intermédio do Ruburt e do Joseph, que fazem parte de mim no vosso tempo e espaço. Mas eles são eles próprios assim como eu sou eu próprio.

As crenças que o Ruburt tinha na natureza da consciência ajudaram a que estas sessões tivessem lugar. O Ruburt e o Joseph trabalharam ambos a natureza da criatividade, e desde cedo cada um deles buscou respostas – mas acima de tudo confiaram no destino e na graça do seu ser. Por vezes, poderão ter sentido que perderam o rumo, e podem ter tido problemas em que tenham temporariamente perdido o objectivo; no entanto, a crença que tinham neles próprios individualmente e em conjunto foi suficientemente forte para lhe outorgar a sua presente realidade.

Muitos dos que escrevem pretendem desenvolver e utilizar essas mesmas capacidades, no entanto torna-se óbvio, a partir das cartas que enviam, que as crenças que mantêm os impedem de ter suficiente confiança no ser interior. Não podeis temer o vosso próprio ser e esperar percorrer os seus caminhos nem explorar as dimensões que encerra. Primeiro, precisais dar o simples passo da afirmação da vossa identidade. Essa afirmação libertará aqueles atributos que possuís e abrirá novas vias à experiência. Elas serão vossas, conforme devem ser.

Quando pedis aos outros para interpretar os sonhos que tendes, por exemplo, estais automaticamente a colocar a realização dos vossos próprios potenciais a um passo de distância. Quando pedis a outro para vos dizer que rumo a vossa vida deverá tomar, então em certa medida evitareis perceber que ela vos pertence. E sem tal consciência, nenhum método vos ajudará. Agora, nos termos vulgares, este livro não inclui qualquer instrução esotérica que vos ajude a alcançar o que pensais ser um desenvolvimento espiritual ou perícia no campo psíquico. No entanto constitui uma preliminar para todos quantos queiram utilizar a sua condição de criaturas como um marco para perceber e experimentar outras realidades.

Conforme mencionei atrás, por negardes a carne não é que vos ireis tornar mais espirituais. Esta é a vida que estais a viver! Confiai na vida que flui através de vós. Se assim fizerdes, outras realidades se farão patentes e acrescentarão dimensão e profundidade à vossa presente realidade.

Vós compondes a vossa própria realidade – seja em que direcção for que tomeis ou em que dimensão for em que vos encontrardes

Antes de embarcardes em outras jornadas da consciência, compreendei que as vossas crenças vos seguirão e que vos moldarão a experiência aí conforme o fazem aqui. Se acreditardes em demónios, haveis de os defrontar – nesta vida, na qualidade de inimigos, e em outros domínios da consciência como diabos ou “espíritos malignos”.

Se temerdes as vossas emoções e acreditardes que sejam erradas, então quando tentardes experiências psíquicas podereis acreditar estar possuídos. Os vossos sentimentos reprimidos parecer-vos-ão demoníacos. Tereis medo de os atribuir a vós próprios e assim pensareis que pertençam a algum espírito desencarnado. Desse modo, é muito importante que compreendais a verdadeira inocência que caracteriza todo sentimento, porque cada um deles, caso lhe seja permitido seguir o seu curso, conduzi-los-á de volta à realidade do amor.

Não confieis em ninguém que vos diga que sois malvados ou culpados por causa da vossa natureza ou da vossa existência física ou de outro dogma qualquer que se pareça. Não confieis naqueles que vos afastem para além de vós próprios. Não sigais a quem vos disser que precisais fazer penitência, seja de que forma for. Confiai, ao invés, na espontaneidade do vosso próprio ser e na vida que vos pertence. Se não gostardes da situação em que vos encontrais, então examinai as crenças que tendes. Trazei-as à luz. Nada tendes a recear em vós.

A minha vida pertence-me e eu dou-lhe forma

Dizei isso a vós próprios com frequência. Dai forma à vossa própria vida agora, usando as crenças que tendes, conforme um artista o faz com a cor. Não há condição que não consigais mudar, excepto uma indiscutivelmente aceita à nascença, no domínio da criatura que vos caracteriza, como a susceptibilidade para a perda de um órgão ou o padecimento de uma disfunção. Se vos achardes repletos de auto compaixão por padecerdes de uma enfermidade, ou por determinada situação de vida tomai a iniciativa. Enfrentai com honestidade as crenças que tendes e descobri a razão para tal dificuldade.

Falo da vitalidade interna que é inerente a todos os meus leitores, juntamente com o conhecimento interior que também é pertença deles. Termino dizendo, conforme já afirmei anteriormente: São-vos dadas as dádivas dos deuses; vós criais a vossa realidade de acordo com as crenças que tendes; vossa é a energia criativa que compõe o vosso mundo; não há limites para o ser, á excepção daqueles em que acreditardes.

Eu sou Seth. Pronuncio o meu nome com júbilo, apesar de os nomes não serem importantes. De igual modo, pronunciai o vosso próprio nome, a cada manhã, de um modo assertivo. Vós criais a vossa vida por intermédio do poder interior do vosso ser, cuja fonte se acha em vós e ainda assim, além daquele que tendes consciência de ser. Utilizai essas capacidades criativas com um abandono baseado na compreensão. Honrai-vos a vós próprios e avançar por entre a divindade do vosso ser.

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