quinta-feira, 14 de junho de 2012

SETH FALA SOBRE O CONCEITO DE DEUS E CRISTO


 




Traduzido por Amadeu Duarte



Estes são alguns excertos breves que explicam o conceito que Seth faz de Deus:



“Ele não é humano conforme o entendeis, apesar de ter atravessado estágios humanos, e nisso o mito Budista é o que mais se aproxima da realidade. Ele não é um indivíduo mas uma gestalt de energia (noção análoga ao termo sinergia, ou um processo de formação em que a qualidade do todo formado pelas respectivas partes constituintes é mais do que a soma dessas partes). Se recordardes aquilo que referi em relação ao modo como o universo se expande, que nada tem que ver com o espaço, então talvez possais vagamente perceber a existência de uma pirâmide de consciência psíquica interrelacionada e em constante expansão que cria, instantânea e simultaneamente inversos e indivíduos, que por intermédio do dom da perspectiva pessoal são dotados de duração, compreensão psíquica, inteligência e validade eterna.



Essa gestalt psíquica absoluta e instantânea e em constante expansão a que podeis chamar Deus se o preferirdes, acha-se de tal modo segura de si que é capaz de se desmembrar e de se reconstruir. A sua energia é de tal modo incrível que realmente molda todos os universos; e devido a que a sua energia se ache em todos os universos e por detrás deles, (sistemas e campos de energia) é que de facto tem consciência de cada pardal que tomba sem vida por se achar no pardal que tomba sem vida.”



Tal como mencionado anteriormente, todavia, o material Seth não ignora questões mais profundas que se prendem com os “começos” da consciência e da realidade. Penso mesmo que esse material é capaz de se equiparar ao que de melhor já se terá publicado no nosso tempo. No campo metafísico. Por tal razão é que dou continuidade a este capítulo de excertos em que Seth fornece uma explicação mais cabal do tempo e do espaço, assim como das realidades prováveis para em seguida nos conduzir, passo a passo, para o debate de Deus.



“A ideia que fazeis do espaço e do tempo é determinada pela estrutura neuronal que tendes. A camuflagem é de tal modo executada com engenho pelo eu interno que precisais, necessariamente, focar a vossa atenção na realidade física que foi criada. As drogas psicadélicas alteram-vos as percepções dos neurónios em razão do que passam a poder fornecer-vos ligeiros vislumbres de outras realidades. Essas outras realidades, claro está, existem quer as percebais ou não. 


Na verdade o tempo tem existência no salto que as pulsações imprimem sobre os terminais nervosos, em razão do que deveis passar a experimentar intervalos, por esse não constituir um procedimento simultâneo. Passado, presente e futuro parecerão altamente convincentes e lógicos quando se dá um lapso, um intervalo entre cada experiência percebida. Tal lapso, todavia, não tem existência em muitas outras estruturas da personalidade, em que os eventos são percebidos em simultâneo. As reacções são também, na concepção que tendes, quase instantâneas. O crescimento e desafio são fornecidos não em termos de conquista ou de desenvolvimento no tempo, mas em vez disso em termos de intensidades. Uma personalidade assim é capaz não somente de reagir e de apreciar o evento A, digamos, no vosso tempo presente, como também é capaz de experimentar e de compreender o evento A em todas as suas ramificações e probabilidades.



Obviamente tais personalidades necessitam de muito mais do que sistemas neurológicos com que estais presentemente equipados. O vosso próprio sistema neurológico é físico, mas baseia-se nas vossas capacidades interiores, como o “agora” e traduz a manifestação de uma estrutura psíquica interior. Muitas outras estruturas da personalidade não necessitam de uma estrutura perceptiva materializada como essa, mas uma organização psíquica interior sempre se impõem.



O vosso tempo - passado, presente e futuro - tal como o concebeis seria totalmente experimentado como presente por muitas dessas personalidades. No entanto o vosso passado, presente e futuro seriam por completo experimentados como passado no caso de outras estruturas da personalidade. Imaginai, pois, passado, presente e futuro como o delinear de uma linha singular de experiência, segundo os termos que empregais; linha essa, todavia, que prossegue indefinidamente.


Outras estruturas da personalidade pertencentes a outras dimensões poderiam desse modo, teoricamente, observá-lo do ponto de vista de uma infinidade de ângulos ou perspectivas. Todavia, isso ainda encerra mais. A linha singular que representa a experiência física constitui simplesmente o fio superficial ao longo do qual parecemos viajar. Constitui todo o segmento que percebemos, pelo que, quando imaginamos ou vislumbramos outras dimensões somos forçados a pensar em termos de observadores que, muito acima do segmento, olham para baixo e o observam a partir de um ponto de vista qualquer. Na realidade, se seguirmos a imagem, e estritamente a título de analogia, apresentar-se-á um número infinito de segmentos ou fios, tanto acima como abaixo dos vossos, como parte de uma inconcebível teia miraculosa.



Contudo, cada fio ou segmento não se revelaria unidireccional mas conteria muitas dimensões, e possivelmente, caso soubessem como, indiciaria formas de saltar de um segmento para o outro. Não seriam forçados a seguir nenhum fio em particular de um modo único.

Agora; existem personalidades suficientemente desenvolvidas para conseguirem isso. Cada acto de saltar, por assim dizer, forma um novo segmento. Dando seguimento à analogia que empregamos, imaginai-vos como um sujeito (ou Eu) A. Vamos começar por os posicionar na realidade física no segmento A, apesar de já terdes atravessado muitos outros segmentos para chegardes onde vos encontrais.


Sem atalhos nem um crescimento médio, qualquer sujeito A viajaria do segmento A ao longo da linha estreita até ao infinito. Num ponto ao acaso, contudo, o segmento A tornar-se-ia num segmento B. Do mesmo modo, o segmento B tornar-se-ia no segmento C e por aí adiante. Num determinado ponto inconcebível, todos os segmentos seriam percorridos.



Agora, no segmento A, o sujeito A não tem consciência – no seu presente – dos sujeitos futuros situados nos outros segmentos. Unicamente pelo conhecimento de um desses sujeitos futuros poderá ele tomar consciência da natureza desta estranha estrutura ao longo da qual está a viajar. Existe, contudo, um sujeito Eu que já percorreu esses corredores de que os outros fazem parte. Esse sujeito/Eu comunica através dos sonhos e estados dissociados com os vários sujeitos/Eu que estão a ascender. À medida que isso se avoluma em termos de realização de sentido de valor, ele pode passar a tomar consciência desses viajantes que percorrem outros segmentos, que para ele parecerão sujeitos/Eu futuros.



Tudo isto soa um tanto complicado, mas apenas por termos que lidar com palavras. Espero que sejais capazes de o compreender intuitivamente. “Entretanto”, o Eu global forma novos segmentos de actividade, entendam. As estruturas em que se enquadra que deixa para “trás”, poderão ser utilizados por outros. O propósito assenta muito simplesmente na existência, em oposição de uma não-existência.



Eu estou a narrar-vos aquilo de que tenho conhecimento, mas há muita coisa que desconheço. Eu sei que auxílio é estendido de um em relação ao outro e que a extensão e a expansão disso constitui uma ajuda à existência.



Agora – e isto vai parecer uma contradição de termos – existe uma não-existência. Trata-se de um estado que não traduz nada algum, mas uma estado em que as probabilidades e possibilidades são conhecidas e antecipadas mas cuja expressão é bloqueada.

Vagamente, ao longo do que descreveríeis como história, existiu um estado assim, que dificilmente seria recordado. Foi um estado de agonia em que os poderes da criatividade e da existência eram conhecidos mas em que os modos de os produzir eram desconhecidos. Essa foi a lição que o Tudo Quanto Existe teve que aprender, por não poder ser ensinada. Essa foi a agonia de que a criatividade original brotou, e os seus reflexos ainda são notados.”



Seth menciona o termos Deus com moderação, habitualmente quando conversa com os estudantes, que estão habituados a pensar em termos teológicos. Por regra, ele fala nos termos de Tudo Quanto Existe ou de Gestalts Primárias de Energia.



“Parte deste debate está destinado a ser distorcido, por precisar explicar-vos isso em termos de tempo, conforme o entendeis. Assim, e para vosso benefício, mencionarei um passado hipotético incrivelmente distante em que os eventos terão ocorrido. Tudo Quanto Existe retém lembranças desse estado, que servem como um ímpeto constante – nos vossos termos – rumo a uma criatividade renovada. Cada Eu, enquanto parte do Tudo Quanto Existe consequentemente, retém lembranças desse estado. É por essa razão que cada consciência diminuta é dotada de um ímpeto para a sobrevivência, para a mudança e a criatividade.



Não basta que Tudo Quanto Existe constitua uma Forma de Consciência Primordial que deseje tornar-se mais, mas é preciso que cada porção dele também carregue essa determinação. Todavia, a própria agonia foi utilizada como um meio e serviu de impulso suficientemente forte para que Tudo Quanto Existe iniciasse em si mesmo os meios para passar a existir.



Se todas as porções excepto a derradeira unidade mais diminuta de Tudo Quanto Existe fossem destruídas - e isso é impossível – o Tudo Quanto Existe haveria de prosseguir, por na mais diminuta porção se achar contido o conhecimento inato do Todo. A Totalidade protege-se, pois, e criou, cria e continuará a criar.


Quando me refiro ao Todo, ou Tudo Quanto Existe, precisais entender a posição que Nele assumo. Tudo Quanto Existe não conhece segundo. O que não significa que não possa existir mais a conhecer. Ele não sabe se existirão outras Formas Psíquicas semelhantes a Si. Não tem consciência da Sua existência, e está constantemente em busca dela. Sabe que algo completamente diferente terá existido antes do Seu dilema primário, quando não Se conseguia expressar.



É, pois, concebível que se tenha desenvolvido, nos vossos termos, há tanto tempo atrás que tenha esquecido a Sua origem, e que Se tenha desenvolvido a partir de uma outra ordem primária que tenha, novamente nos vossos termos, seguido o Seu próprio caminho, faz muito tempo. Deste modo, resposta haverá que não poderei fornecer-vos, por não serem conhecidas em nenhuma parte do sistema em que temos a nossa existência. Sabemos que neste sistema da nossa Totalidade a criação prossegue e os desenvolvimentos jamais permanecem imóveis. Podemos deduzir que noutros segmentos ainda, de que não temos consciência, o mesmo se aplique.



A primeira busca agonizante pela expressão poderá ter representado as dores de parto de Tudo Quanto Existe conforme o conhecemos. Fingi, pois, que possuís dentro de vós o conhecimento de todas as obras-primas do mundo no campo da escultura e da arte de modo que pulsem como uma realidade dentro de vós, mas que por não dispordes de utensílios físicos nem conhecimento algum de como alcançar esse conhecimento - nem pedra nem pigmento nem fonte nenhuma dessas coisas – e que sois invadidos pela agonia e pela ânsia por as produzir. Isso, a uma escala infinitamente diminuta, talvez vos transmita alguma ideia da agonia e do impulso que terão sido sentidos.



Desejo, vontade e expectativa governam todas as acções e constituem a base de todas as realidades. Dentro do Tudo Quanto Existe, o desejo, vontade e expectativa quanto à criatividade existiam antes de toda e qualquer outra realidade. A força e vitalidade desses desejo e expectativas tornaram-se pois, nos vossos termos, de tal forma insuportáveis que o Todo foi levado a descobrir os meios para produzir o resultado. Por outras palavras, o Todo existia como um estado de ser, mas destituído dos meios para encontrar expressão para o Seu ser. Esse era o estado de agonia de que eu falava. Todavia, é duvidoso que, sem um período assim de ânsia contida, a Totalidade conseguisse concentrar a sua energia o suficiente para poder criar as realidades que existiam num estado provável de suspensão nEla. A agonia e o desejo de criar representaram a prova da Sua própria realidade, Os sentimentos, por outras palavras, eram uma prova adequada para Tudo Quanto Existia, da Sua existência.



Primeiro, nos vossos termos, toda a realidade provável existiu como sonhos nebulosos no âmbito da consciência do Todo. Mais tarde, a natureza não especificada desses sonhos tornou-se mais particularizada e vívida. Os sonhos tornaram-se reconhecíveis um a partir do outro até acabarem por atrair a observação consciente do Todo. E, imbuído de ânsia e curiosidade, o Todo passou a prestar mais atenção aos próprios sonhos. Isso passou propositadamente a facultar-lhe um detalhe progressivo e Ele ansiou por essa diversidade e cresceu para o amor para com aquilo que ainda não se achava separado de Si. Atribuiu consciência e imaginação a personalidades enquanto elas ainda se situavam no âmbito desses Seus sonhos. Também elas passaram a ansiar por se se tornarem reais. Indivíduos potenciais, nos vossos termos, possuíam consciência antes do começo, ou antes de todo o começo conforme o concebeis. Eles clamaram por liberdade para se tornarem uma realidade e o Todo, num incomensurável acto de compaixão procurou em si mesmo por meios para realizar isso.



Na Sua sólida imaginação, entendeu a multiplicação cósmica da consciência que não podia ocorrer nesse enquadramento. Uma actualização fazia-se necessária caso a tais probabilidades fosse dado parto. O Todo viu, pois, uma infinidade de indivíduos conscientes prováveis e previu todos os desenvolvimentos possíveis, porém eles estiveram retidos nEle até descobrir os meios. Isso, nos vossos termos, representou um dilema cósmico primário e um com que Ele se debateu até Tudo Quanto Existe se encontrar completamente envolvido nesse problema cósmico. Caso o não tivesse solucionado, o Todo teria feito frente a uma situação de insanidade, e teria literalmente existido uma realidade destituída de razão e o universo ter-se-ia tornado selvagem.

A pressão surgiu de duas fontes: dos seres conscientes mas ainda prováveis que deram por si com vida num sonho de um Deus que ansiar por os libertar. Por outro lado, podíamos dizer que a opressão existia simplesmente da parte de Deus desde que a criação tinha existência no Seu sonho, mas um poder assim incomensurável reside em formas gestalt piramidais primárias de tal modo que até mesmo os seus sonhos são dotados de vitalidade e de realidade.



Esse é, pois, o dilema de qualquer gestalt piramidal primária. Ela cria a realidade. Também reconhece em cada consciência o potencial massivo existente. Os meios, pois, sucedem-lhe. Precisa libertar as criaturas e as probabilidades a partir dos sonhos que tem. Fazer isso confere-lhes actualidade. Contudo, significa igualmente a perda de uma porção da Sua própria consciência, por ter sido nessa porção que se achavam em cativeiro. A Totalidade precisava soltá-los. Conquanto pensasse nesses indivíduos como criação Sua, retia-os como parte de si e recusava-lhes a possibilidade de se tornarem reais. Deixá-los ir representava a perda dessa porção de Si que os tinha criado. Ele era já escassamente capaz de acompanhar a miríade de possibilidades que começaram a emergir da cada consciência separada. Com amor e saudade abriu mão dessa porção de si e eles passaram a adquirir liberdade. A energia psíquica explodiu num clarão de criação.



Tudo Quanto Existe, pois, “perdeu” uma porção de Si mesmo nesse esforço criativo. Tudo Quanto Existe ama tudo quanto criou até á menor das suas expressões, por perceber a estima e a singularidade de cada consciência que fora arrancada de tal estado e a tal custo. Sentiu-se exultante e triunfante com o desenvolvimento de cada consciência por isso representar um triunfo acrescido ao estado inicial e deleita-se e enche-se de alegria com o mais pequeno acto criativo de cada um dos Seus rebentos. Ele, por si só, e a partir desse estado, deu vida a uma infinidade de possibilidades. A partir da agonia inicial descobriu uma maneira de irromper em liberdade por intermédio da expressão e ao fazer isso trouxe à existência à consciência individualizada. Consequentemente, sente-se legitimamente jubiloso.



Ainda assim, os indivíduos recordam a sua fonte e sonham agora com Tudo Quanto Existe, conforme a Totalidade antes os sonhara a eles, e anelam por essa imensa fonte... e anseiam por A ver livre e por Lhe conferir realidade por intermédio das suas próprias criações. A força motivadora consta ainda do Todo, porém, a individualidade não constitui ilusão nenhuma. Agora, do mesmo modo dais vós liberdade aos fragmentos da personalidade no âmbito dos vossos próprios sonhos e pela mesma razão, e criais pela mesmíssima razão, e em cada um de vós se acha a lembrança da agonia primordial – esse estímulo para criar e libertar toda a consciência provável na realidade.



Eu fui enviado para vos auxiliar, e outros foram enviados ao longo dos séculos do vosso tempo, porque à medida que vos desenvolveis formais novas dimensões, e haveis de auxiliar outros. Esses laços existentes entre vós e o todo jamais poderão ser rompidos, e a Sua consciência é de tal modo delicada que a Sua atenção se vê de facto direccionada de uma forma imbuída de um amor criador primordial para com a consciência.



Esta sessão necessita ser relida várias vezes por apresentar várias implicações que não resultam óbvias à primeira vista.



Todas as porções do Tudo Quanto Existe se acham em constante mudança a envolverem e a desdobrar-se. O Todo busca conhecer-Se, e cria constantemente versões de Si-mesmo. Porque essa busca de Si-mesmo constitui uma actividade criativa e o núcleo de toda a acção. As entidades representam acção, mudam e alteram-se constantemente. Nada há de arbitrário em relação aos seus limites. Certas personalidades podem fazer parte de mais do que uma entidade. Tal como os peixes, podem nadar em outras correntes. No seu íntimo acha-se o conhecimento de todos os seus relacionamentos. Uma personalidade qualquer pode tornar-se numa entidade própria. Isso envolve um conhecimento altamente desenvolvido relativo ao uso de energia e das intensidades.



Tal como os átomos comportam mobilidade, assim também têm as estruturas psicológicas. A consciência, ao procurar conhecer-se, conhece-vos consequentemente a vós enquanto consciência que sois, ao buscardes o vosso próprio conhecimento e vos tornais cientes do vosso próprio ser como porção individual distinta do Todo. Não só dependeis desta energia global como o fazeis automaticamente dado que a vossa existência depende dele.



Não existe Deus personalizado nenhum – sob a forma de um indivíduo conforme os termos cristãos e no entanto possuís acesso a uma porção do Tudo Quanto Existe, uma porção altamente em sintonia convosco... Existe uma porção do Todo que se acha dirigida e focada em cada indivíduo, e que reside em cada consciência. Cada consciência é, pois, acarinhada e protegida em termos individuais. Essa porção da consciência global acha-se individualizada no vosso íntimo.



A personalidade de Deus, conforme é geralmente concebida, representa um conceito unidireccional baseado no pouco conhecimento de que o homem dispõe da sua própria psicologia. Aquilo em que preferis acreditar como sendo Deus é, uma vez mais, uma gestalt de energia de consciência piramidal. Tem consciência de si mesma enquanto, por exemplo, vós. Tem consciência de si mesma como a mais diminuta das sementes...



A porção do Todo que tem consciência de Si enquanto aquilo que sois, é que se acha focada na vossa existência por ser evocada em auxílio sempre que necessário. Essa porção é igualmente consciente de si própria enquanto algo mais do que vós. Essa porção que Se conhece a Si-mesmo como vós, e como mais do que vós. Constitui o Deus pessoal, entendam. Uma vez mais, essa gestalt, essa porção do Tudo Quanto Existe busca os vossos interesses e pode ser evocada de um modo pessoal.



A oração comporta a sua própria resposta, e se por um lado não existe tipo nenhum de Deus-pai de cabelos brancos à escuta, por outro existe em vez disso a energia em constante expansão que molda tudo quanto existe e de que todo ser humano é uma parte. Essa gestalt psíquica pode parecer-vos impessoal, mas com a Sua energia forma a pessoa que sois, com poderá isso ser? Caso prefiram chamar a essa gestalt psíquica suprema de Deus, não deveis tentar objectivá-la, por ela constituir o núcleo das vossas células e vos ser mais íntima do que a respiração...

Vós sois criadores. Aquilo a que chamais de Deus constitui a soma de todas as consciências, mas ainda assim o Todo é mais do que a soma das suas partes. Deus é mais do que a soma das personalidades todas, e no entanto, as personalidades todas formam aquilo que Ele é.



Existe uma criação constante. Existe em vós uma força que vos soube fazer crescer a partir do feto até vos tornar num adulto. Essa força procede do conhecimento inato inerente a toda a consciência, e é parte do Deus que se acha dentro de vós. A responsabilidade pela vossa vida e pelo vosso mundo cabe-vos a vós de facto. Não vos foi forçada por nenhum agente externo. Vós formais os vossos próprios sonhos e a vossa própria realidade física. O mundo é aquilo que vós sois, e constitui a materialização física dos Eu interiores que o formaram.”



Mas se deus não pode ser tornado num objecto, o que dizer de Cristo? Seth diz que ele não existiu como um personagem histórico.



“Quando a raça se encontra em estado de aflição e enfrenta um sem número de problemas - diz Seth – faz suscitar alguém como um Cristo. Procurará e de facto produzirá a partir de si as próprias personalidades necessárias para se revigorar...



Existiram três indivíduos cujas vidas se entrecruzaram de um modo confuso ao longo da história e se fundiram, cuja imagem composta se tornou conhecida nos termos da vida de Cristo... Cada um deles era altamente dotado psiquicamente e conhecia a função que lhe cabia, e aceitou esse papel de boa vontade. Os três homens faziam parte de uma entidade que atingiu a existência física em um determinado momento. Todavia, não nasceram na mesma data. Existem razões por que a entidade não retornou como uma pessoa só. Por um lado, a consciência total de uma entidade seria demasiado forte para ser acolhida por um veículo físico. Por outro, a entidade desejava um meio mais diversificado do que aquele que de outro modo poderia ser fornecido.



A entidade nasceu uma vez como João Baptista e a seguir nasceu nas duas outras formas. Uma delas contém a personalidade a que a maioria das histórias se refere como Cristo... Revelar-vos-ei a outra personalidade mais tarde. Gerou-se uma comunicação constante entre essas três porções de uma só entidade, apesar de terem nascido e sido sepultadas em datas diferentes. A raça evocou essas três personalidades a partir do seu banco psíquico, da sua bolsa de consciência individualizada que se encontrava ao seu dispor.”



Após o assassinato de Martin Luther King Jr., os meus alunos – diz Jane Roberts – da aula de percepção extrassensorial ficaram muito chateados, como muita gente por toda a nação e provavelmente pelo mundo fora, e começamos a discutir o sentido da violência. A meio da conversa que estávamos a ter, Seth apresentou-se-nos nos seguintes termos:



“Foi-vos dado livre-arbítrio. Em vós existem modelos; sabeis o que alcançar enquanto indivíduos e povo, enquanto raça, espécie. Podeis optar por ignorar esses modelos. Agora; utilizando o livre-arbítrio de que dispondes formastes a realidade física de um modo algo distinto do que pretendíeis. Permitistes que o ego se desenvolvesse excessivamente e exageradamente se especializasse. Em muitos aspectos encontrais-vos em meio a um sonho. Fostes vós quem tornou esse sonho demasiado vívido. Devíeis resolver problemas e desafios mas permanecendo sempre cientes da vossa realidade interior e da vossa existência não-material. Em grande medida, perdestes isso de vista. Focastes-vos tão fortemente na realidade física que ela acabou por se tornar na única realidade conhecida.



Quando matais um homem acreditais que o aniquilais para todo o sempre. O assassinato constitui portanto um crime e precisa ser enfrentado – por o terdes criado. Mas a morte, contudo, não existe nesses termos.



Nos alvores da existência física, antes da história ter tido início, o homem tinha consciência de que a morte constituía apenas uma mudança de forma. Nenhum deus terá criado o crime do assassinato e nenhum Deus instaurou o pesar ou a dor...

Uma vez mais, por acreditardes que podeis assassinar um homem e pôr termo á sua consciência para todo o sempre, também o assassinato alcança existência na vossa realidade e precisa ser confrontado...

O assassino do Dr. King acredita ter apagado uma consciência por toda a eternidade. Mas os vossos erros e enganos, afortunadamente não são reais e não afectam a realidade, por o Dr. King ainda viver...



Jamais existe justificação para a violência. Não existe justificação para o ódio, nem para o assassinato. Aqueles que se entregam à violência, seja por que razão for, são mudados e a pureza do seu propósito adulterada. Eu disse-vos que, se não gostardes do estado em que o vosso mundo se encontra, é a vós próprios que deveis mudar, individualmente e em massa. Esse é o único modo pelo qual a mudança se efectivará...



Se a vossa geração ou uma geração qualquer efectivar a mudança, será por esse modo único que isso será implementado! O que vos estou a dizer foi dito antes, ao longo dos séculos! Cabe a vós dar ou não atenção. É errado amaldiçoar uma flor ou um homem. É errado não ter qualquer indivíduo na conta de honrado, assi como é errado ridicularizar qualquer ser humano. Deveis honrar-vos a vós próprios e ver em vós o espírito de vitalidade eterna. Caso não o fizerdes, passareis a destruir tudo aquilo que tocardes. Precisais igualmente honrar cada indivíduo, por nele residir a centelha da vitalidade eterna. Quando amaldiçoais outro indivíduo amaldiçoais-vos a vós próprios, e a maldição retorna a vós. Quando sois violentos a violência retorna... Eu falo-vos por terdes a oportunidade de melhorar as condições do mundo, e o tempo para isso ser este actual. Não vos deixeis cair nos velhos modos de procedimento que vos conduzem precisamente ao mundo que temeis.



Quando todo o jovem se recusar a ir à guerra, haveis de ter paz. Enquanto lutardes pela obtenção de ganho e ganância não haverá paz. Enquanto um indivíduo cometer actos de violência em noema da paz, haveis de vos defrontar com a guerra. Infelizmente torna-se difícil imaginar que todos os jovens de todas as nações se recusem a ir à guerra ao mesmo tempo. E assim precisais resolver a violência que a violência tenha operado. Dentro dos próximos cem anos esse tempo sucederá. Recordai que não defendeis ideia nenhuma recorrendo à violência. Não existe homem algum que odeie que não veja esse ódio reflectir-se no exterior e tornado físico. Não existe homem algum que ame e não veja esse amor reflectido no exterior e tornado concreto...”





COMENTÁRIOS SOBRE A CRUCIFICAÇÃO E OS PRIMÓRDIOS DO CRISTIANISMO



“Não necessitais de morrer para alcançar o esclarecimento espiritual. Não precisais sofrer para atingirdes o conhecimento. A história da crucificação, nos vossos termos, representou o aspecto autodestrutivo da espécie, por essa altura. E representa os elementos autodestrutivos da espécie desta época para aqueles que ainda a aceitam.

Muitas religiões definem os próprios métodos e os próprios dogmas com o intuito de oferecerem esperança de um conhecimento elevado, de uma compreensão e sabedoria elevada. Só que com um senão; precisais morrer em primeiro lugar!...

Alguns dos princípios básicos do cristianismo eram soberbos mas a contrapor a tudo isso, ainda tendes a história que reza o facto de que quando sofreis e morreis ireis para o céu e obtereis conhecimento beleza e verdade, e escapareis deste “vale de lágrimas”.



Pensai no que possa ter acontecido e pensai no que os vossos livros religiosos poderiam narrar, caso o mito tivesse sido diferente. Supondo que a história tivesse sido narrada nestes termos: O cristo não foi crucificado em absoluto; Ele não foi perseguido, nem foi flagelado, e tampouco alguém lhe deu vinagre a beber. Em vez disso ofereceram-lhe vestes púrpuras e colocaram-no na praça pública em Roma, e trataram-no por Cristo, o filho de Deus, por ter dito que o reino de deus está na terra e a salvação ter lugar no agora. Que haveriam os padres de fazer? Porque, de facto o conhecimento e a alegria e a salvação estariam ao vosso alcance.

Muitas religiões acreditam que precisais passar por provações ou caminhar sobre o fogo, primeiro. Mas o Cristianismo acredita que antes de mais, precisais morrer. Bom, nos vossos termos, essa é certamente a provação mais severa de todas; além de constituir um pobre método de fazer prova de fé. Porque, se acreditardes na vida, haveis de fazer prova da vossa fé vivendo-a, e atreveis-vos a amá-la. Não necessitareis de sofrimento nem de provações.”



In Seth Material



ALGUMAS NOTAS SOBRE FACTO E FICÇÃO NO CRISTIANISMO



“Parecer-vos-á a vós, no vosso tempo, que o Cristianismo que conheceis constitua a forma inevitável a ser assumida. Parecer-vos-á que o Cristianismo conforme o conheceis seja o resultado de uma linha mais ou menos única de desenvolvimento que tenha começado, digamos, com o nascimento de Cristo.

Isso só pode estar longe de ser verdade. Por essa altura, e antes do nascimento de Cristo conforme o concebeis, deram-se muitas tentativas para dar início ao tipo de religião que mais tarde chegou a tornar-se cognominada de Cristianismo.



Existiram muitíssimos indivíduos, em diversas partes do mundo conhecido de então que apresentaram conceitos, visões e experiências psíquicas semelhantes. E qualquer um deles poderia ter-se prestado a servir de referência na religião que por fim emergiu sob a forma de Cristianismo. Existem muitas diferenças entre o vosso mundo e o de então. A importância dos sonhos, das visões e dos acontecimentos de cariz psíquica era considerável. Precisais ter presente que a ciência ainda não tinha definido os limites ou fronteiras do real, nesses dias.

Caso um indivíduo tivesse uma visão mística, não era considerado insano; a literatura dos judeus acha-se, claro está, pejada de casos desses. A experiência mística fornecia uma ostentação interior rica contra a qual a mais miserável das existências físicas parecia, de algum modo, redimida e plena de significado.



Nos vossos dias, qualquer pessoa pode orar a Deus para que puna um déspota, mas o mais provável é que os seus actos práticos se envolvam em actos de revolução. Ela não espera que Deus venha lá dos Seus céus, por exemplo, derrubar o governo por eles. Não no vosso tempo! Nesses dias de que vos falo, todavia, as vidas de muitos estavam envoltas em conteúdo psíquico. As pessoas buscavam um deus novo, um novo Messias, que pelo puder de que gozasse pudesse colocá-los na sua legítima posição de poder.



A maioria das pessoas não sabia ler nem escrever. O mito mundial tomava o lugar da televisão. Acontecimento de ordem sobrenatural tinham lugar nesse mundo, e a herança de muita gente era transmitida por via oral, e de forma dramática. O uso do exagero e da hipérbole era esperado. Acontecimentos de ordem sobrenatural eram levados na conta de factos por essa gente. Do mesmo modo não se procedia ao mesmo tipo de distinção entre o mundo espiritual conforme a fazeis. O mais cético dos rabis mundanos dessa época ainda voltava a cabeça por cima do ombro (no sentido figurado) vez por outra, não estivesse Jeová a observá-lo.



O mundo acreditava na intervenção de deuses nos acontecimentos mundanos de uma forma que parecerá bastante inadmissível na vossa época. O mesmo tipo de obediência – o mesmo tipo de séquitos – que Cristo teve, encontraram igualmente muitos outros indivíduos, e todos esses seguidores tinham a esperança de que o seu messias fosse o tal. O resultado não foi inevitável mas a expressão do desejo e da necessidade psíquica era.



Ora bem, olhai o presente. Uma certa mulher escreveu dizendo estar envolvida com uma correspondência em que eu estava em comunicação com ela; ela tinha a certeza de que isso haveria de provar sem sombra de dúvida a minha própria independência já que eu forneceria mensagens a um outro médium para além da jane. Ela estava amplamente convencida disso.



Precisais ter em mente que, sem livros, revistas, jornais, televisão e rádio e informação e discurso social, tudo precisava brotar do contacto pessoal – e os boatos corriam como o vento.



O homem que foi crucificado consentiu com a execução por acreditar ser o messias que tinha que ser crucificado. Por um lado buscava a experiência, enquanto por outro temia-a. Algumas das ideias iniciais Cristãs não passavam de um conglomerado de crenças variadas mesmo quando serviam para aumentar o folclore judeu de um modo mais acentuado.

Existiam, de facto, vários Cristos, vários indivíduos cujas pregações e façanhas se fundiram para formar uma figura composta histórica que veio a ser conhecida como Cristo!



A Bíblia comporta todo o tipo de contradições, e as próprias atitudes do Cristo são representadas por ter existido mais do que um Cristo. Parte da herança Cristã teve origem na Índia. A reencarnação fazia definitivamente parte dessas crenças anteriores. O Sermão da Montanha é provavelmente a interpretação mais exacta do melhor que o Cristianismo tem para oferecer – mas os princípios desse Cristo que o proferiu não serviam a alguns dos indivíduos que buscavam um rei terreno. 


“Bem-aventurados são os mansos”, não lhes conviria a eles nem às ideias que tinham do poder político. O Cristo que proferiu o Sermão da Montanha também afirmou que o reino do céu estava dentro – e essa sentença não se adequava sequer àqueles que pretendiam uma majestade política efectiva. Um outro Cristo foi aquele que amaldiçoou a figueira...



Precisais recordar também que nesses dias, um indivíduo era frequentemente tido na conta da encarnação de um profeta do passado segundo a tradição Cristã. As pessoas eram convertidas a uma ou outra religião a toda a hora. Um indivíduo tinha uma visão, alcançava uma nova identidade espiritual e por consequência mudava o seu nome. Dizia-se que o espírito dos profetas tocava as almas de outros homens. Assim, um indivíduo inspirado pelo Cristo podia falar em seu nome. E nessa tradição as suas palavras seriam consideradas as palavras de Cristo.



Aqueles cujas existências contribuíram para a figura composta do Cristo histórico sobrepuseram-se no tempo, tendo quer precedido o período apresentado para o nascimento do Cristo ou como tendo seguido a altura apontada para a sua morte. Aqueles que se sentiam inspirados podiam alterar os registos com total impunidade.



O Império Romano tinha-se prestado aos propósitos que tinha delineado tanto para si como para as espécies. Um novo tipo de organização política era desejada – um que fosse suficientemente forte para alargar mesmo a influência de Roma e passar para novas áreas de uma maneira mais competente. Nesses tempos a religião representava a base da política, e a base religiosa de Roma encontrava-se enfraquecida. Poucos continuavam a acreditar nos seus deuses. Roma era então tolerante. Mas as pessoas não estavam preparadas para a tolerância.



O Cristianismo contribuía, pois, com uma mistura rica de crenças que estavam gradualmente a ser eliminadas. Havia direcções prováveis por que o Cristianismo podia ter enveredado, cada uma das quais representando desenvolvimentos prováveis da cultura e da filosofia; e cada um desses desenvolvimentos ter-vos-ia proporcionado, claro está, um presente diferente. Cada uma dessas alternativas também ocorreu.



Por detrás do poder do Cristianismo reside a interminável realidade da fonte interior do homem que ele continuamente procura explorar, a expressar e a definir. E de tal tentativa emergem todas as religiões, civilizações, ciências e filosofias.



O Novo Testamento marcou o começo do Cristianismo, mas de uma forma que pôs fim à contínua saga das tradições judias – por não existirem mais profetas após esse. Nessa medida, a Bíblia deixou de ser um documento vivo da busca espiritual das pessoas, uma coletânea de acontecimentos psíquicos, mitos, guerras históricas, e ânsias e temores daquelas gentes. Com o evento do Cristo não mais se acrescentou a esse livro. Havia muitos registos que podiam ter sido acrescentados, mas não se relacionavam com a versão do Cristo que tinha sido estabelecida.



A figura histórica composta do Cristo baseia-se nos acontecimentos estabelecidos tomados a partir das vidas de três indivíduos em particular, embora haja uns quantos acontecimentos que simplesmente não se aplicam. Até mesmo ocorrências que tiveram lugar no caso daqueles que não se enquadraram foram ocultados ou as suas provas destruídas. Precisais entender que uma ocorrência da psique era considerada como um facto. “Houve um Deus que falou, e que podia emitir clarões de luz destinados a cegar os homens...” As pessoas tentavam pegar nos eventos psíquicos e torná-los factos literais. Mas o próprio termo “facto literal” acrescenta um significado diferente. O exagero era coisa esperada nesses tempos, e não era encarado como mentiras.”



Terá parte disso sido baseado na própria observação que fizeste quando viveste no primeiro século DC?



“É baseado no meu próprio conhecimento – grande parte do qual obtido após a morte, no que diz respeito à concepção generalizada do Cristianismo. Ninguém mo disse em termos do que encarais como facto nu e cru. Isso não teria sido elegante...



Uma nota muito breve. Alguns dos primeiros papas não foram martirizados pelos Romanos mas mortos pelos seus, por várias razões – a fim de evitarem cismas, para fazer com que os Romanos parecessem piores do que aquilo que eram, e por vezes simplesmente por os papas serem gananciosos. Por essa altura, a doutrina da Igreja encontrava-se em fase de formação. Alguns dos papas queriam tornar Roma num adversário para unirem ainda mais a nova seita cristã contra o inimigo comum. Muitos documentos foram destruídos em várias ocasiões por papas que temiam o seu conteúdo potencialmente inflamatório. Foram fornecidas pistas para outros documentos que eram fruto da imaginação.



Aquilo de que o Cristianismo gozava, contudo, era largamente do selo comum da aprovação do homem, por estabelecer em termos ideais que o escravo era igual ao imperador. Os Romanos ricos já tinham efectivamente sido minados mesmo no período anterior ao de Cristo – por várias razões. Por um lado, existia um grupo desajeitado do que podeis chamar de pequenos negociantes, homens livres e cidadãos Romanos. O seu número era também engrossado pelas fileiras de negociantes estrangeiros que acorriam a essa capital da prosperidade, assim como por anteriores escravos que tinham, de um ou de outro modo, obtido a sua liberdade. Essa foi uma era tão exuberante quanto vigorosa a esse respeito, quanto, digamos, o período que pensais tenha dado início ao surgimento dos pequenos negócios, na Idade Média.



Certos negociantes mal ganhavam a vida, contudo prezavam a sua liberdade com zelo e não hesitariam em mentir ou em enganar para conservarem os seus modos estabelecidos de subsistência. Muita dessa gente estava madura para as ideias do Cristianismo. Só precisavam de uma causa que os unisse, uma causa que lhes facultasse um sentido de dignidade; um sentido de dignidade que a cidadania Romana tinha outrora fornecido a todos os seus cidadãos – pelo menos em termos ideais. Lá por alturas do período de Cristo, essa pretensão escassamente se aplicava. Roma tinha-se estendido demais. A sua estrutura de impostos estava a começar a entrar em colapso. Os pequenos negociantes eram taxados severamente e, em retaliação, era costuma ludibriarem os cobradores. Os mercadores tinham o hábito de preservar um conjunto de documentos destinados aos propósitos legais, e um outro que pouco tinha que ver com o negócio real. Esses pequenos negociantes, os escravos e os estrangeiros misturavam-se no mercado e eram indisciplinados. Não se atreviam a desafiar Roma de um modo aberto, pelo que conseguiam aborrece-la a partir de dentro.



Os rabis judios eram tão maus quanto os restantes, e os judeus eram duplamente tributados, já que de uma ou de outro modo, pagavam tributo ao templo, aos seus sacerdotes e a Roma também. Essa identidade de cidadãos Romanos começou a desgastar-se. Era cada um por si, e esse tipo de sentimento necessitava de uma filosofia que soasse um pouco melhor do que o antigo ditado Romano: a igualdade de cada cidadão romano. Tratar-se-ia da igualdade de cada homem, romano ou não, sob um deus que seria mais importante que o próprio estado. Teriam uma versão mais expansiva espiritual que a da igualdade dos cidadãos romanos em que as fronteiras das nações tinham sido derrubadas. As pessoas precisavam de um novo enquadramento...



Os judeus eram excelentes em questões de negócios. Misturavam-se com os romanos e posicionavam-se por baixo da pata régia de Roma. Também gozavam da tradição de uma natureza religiosa nessa posição. Gozavam de números e de entusiasmo. Eram o único povo que, enquanto povo, era muito aliado, e que sob o domínio romano gozava de uma tradição magnética acessível do tipo necessário à época. Os gregos, por exemplo, eram de certo modo demasiado cultos, demasiado filósofos e brandos, nesses termos, para darem corpo a uma abordagem qualquer coesiva. Mesmo na condição de escravos e irados, ainda olhavam os romanos com desdém, como engenheiros em vez de pensadores originais...



Havia uma grande dose de vitalidade a ser aproveitada. As profecias dos judeus, de acordo com os seus livros ancestrais, referiam-se a um messias judio que havia de libertar os judeus – mas numa época de enorme turbulência criativa como essa, foi dado um notável salto intuitivo de proporções capazes de abalar o mundo. Porque, quando o Cristo apareceu (nos termos geralmente entendidos) recusou aliar-se apenas aos judeus e proclamou que se tornaria no messias de todos os povos, independentemente da nacionalidade. Se um governo ou império se mostrava incapaz de unir toda essa diversidade de povos (com ar de diversão), um deus seria capaz – um messias que conseguisse despertar do mesmo modo as energias dos judeus, dos gregos, dos escravos, dos negociantes e dos viajantes. Bom, esse haveria de ser realmente um Messias!



Um triunfo imediato das velhas tradições judias da profecia teria culminado na vinda do Messias e na fundação de um estado Judeu em termos políticos. Uma tal ameaça deveria ser instantaneamente contrariada por Roma. Assim, numa outra versão fascinante, tendes o Cristo realmente a apregoar que o reino do céu se acha dentro de vós – e que Ele, por exemplo, não liderará nenhum exército físico à conquista de Roma. Uma tentativa dessas teria sido ridicularizada. Recompensas eram dadas, então, mas rejeitadas entretanto. As deficiências e injustiças da época eram manifestamente aparentes a cada um. O indivíduo precisava enquadrar uma armação que o pudesse manter, de modo a que a ideia da justiça fosse pelo menos preservada. A despeito da competição existente entre escravos e escravos e negociantes, ainda vingava uma camaradagem que começou a agitar as pessoas e isso materializou-se ainda mais com a ideia da amizade Cristã...”  (In The God of Jane)

...



“A afirmação significa a aceitação da vossa própria complexidade miraculosa. Significa aquiescer para com a vossa realidade, enquanto espírito que se encontra na carne. No enquadramento da vossa própria complexidade, tendes o direito de dizer “não” a determinadas situações, de expressar os vossos desejos e de comunicar os vossos sentimentos. Se assim fizerdes, no amplo fluir da vossa realidade eterna passará a existir uma corrente global de amor e de criatividade que vos carregará.



A afirmação constitui a aceitação de vós próprios no vosso presente, enquanto a pessoa que sois. Nessa aceitação podereis descobrir qualidades que desejareis não possuir, ou hábitos de vos causem aborrecimento. Não deveis esperar ser “perfeitos”. Conforme foi anteriormente afirmado, as vossas ideias de perfeição significam um estado de satisfação para além do qual não há crescimento futuro, e não existe nenhum estado assim.



“Ama o teu próximo como a ti próprio”; invertei essa máxima e dizei: “Amai-vos, conforme amais o vosso próximo”, porque frequentemente reconheceis o bem no outro e ignorai-lo em vós. Alguns creem que exista um enorme mérito e uma grande virtude naquilo que pensam que a humildade seja. Consequentemente, sentir orgulho de si próprio parecerá um pecado, e num quadro de referências como esse, a verdadeira afirmação pessoal revela-se impossível. O verdadeiro orgulho-próprio representa o reconhecimento amoroso da vossa própria integridade e valor. A verdadeira humildade baseia-se numa consideração afectuosa por vós próprios, mais o reconhecimento de viverdes num universo em que todos os outros seres possuem igualmente essa inegável individualidade e autoestima.



A falsa humildade diz-vos que nada sois e frequentemente esconde a negação de um orgulho-próprio inflacionado, por nenhum homem nem mulher conseguir realmente aceitar uma teoria que negue a sua autoestima pessoal. A falsa humildade pode levar-vos a destruir o mérito dos outros, porque se não aceitardes o mérito em vós próprios, não o conseguireis perspectivar em mais ninguém, tampouco. O verdadeiro orgulho-próprio permite-vos perceber a integridade dos vossos pares seres humanos e permite-vos ajudá-los a utilizar as suas forças.



Muitos fazem um enorme aparato do auxílio que estendem aos demais, por exemplo, ao encorajá-los a apoiar-se neles. Acreditam que isso seja um empreendimento virtuoso e muito santo. Em vez disso, impedem os outros de reconhecer e de utilizar as suas próprias forças e capacidades. Independentemente do que vos tiver sido dito, o autossacrifício não apresenta mérito algum. Por um lado, é impossível. O Eu cresce e desenvolve-se; não pode ser aniquilado. Geralmente o autossacrifício significa atirar com a vossa em alguém e torná-la responsabilidade sua. Uma mãe que diz ao filho: “Eu abdiquei de viver a minha vida por ti”, comete um contrassenso. Em termos básicos, tal mãe acredita, não obstante o que disser, que não tinha muito de que abrir mão, e que tal desistência lhe terá providenciado a vida que esperava. Um filho que diz: “Eu abri mão da minha vida para devotar-me ao cuidado dos meus pais”, quer dizer: “Eu tinha medo de viver a minha própria vida, e medo de os deixar viver a deles. E assim, ao desistir de viver a minha própria vida obtive a vida que queria.



O amor não exige sacrifício. Aqueles que temem afirmar o próprio ser, têm medo de deixar que os outros vivam por si sós. Não ajudais os vossos filhos mantendo-os acorrentados a vós, mas também não ajudais os vossos pais envelhecidos ao encorajar neles o sentido de impotência.



O senso comum da comunicação que vos é conferido por intermédio da natureza de criatura, uma vez observado com espontaneidade e honestidade, resolverá muitos desses problemas. Apenas a comunicação que é reprimida conduz à violência. A força natural do amor acha-se por toda a parte no vosso íntimo, e os métodos normais de comunicação sempre pretendem levar-vos a um maior contacto com os vossos seres companheiros. Amai-vos a vós próprios e honrai-vos, que desse modo havereis de tratar os outros com justiça. Quando dizeis “não”, ou negais, sempre o fazeis por na vossa mente ou sentimento, uma dada situação, ou uma situação que vos é proposta, fica muito aquém de um ideal qualquer. A recusa sempre brota da resposta para com algo que é considerado, pelo menos, como um bem maior. Se não cultivardes ideias tão rígidas de perfeição, nesse caso a recusa comum prestar-se-á a um objectivo bastante prático. Mas jamais negueis a presente realidade de vós próprios porque a estareis a comparar com uma perfeição qualquer idealizada.



Perfeição não significa ser, porque todo o “ser” se acha num estado de transformação. Isso, todavia, não quer dizer que todo o ser se ache num estado de vir-a-ser perfeito, mas num estado de se tornar mais nele próprio. Todas as demais emoções se baseiam no amor, e de uma forma ou de outra estão todas relacionadas com ele, e constituem todas métodos de retorno a ele e de expansão das suas capacidades.



Bom, ao longo deste livro mantive-me propositadamente à distância do termo “amor”, por causa das várias interpretações comummente atribuídas a ele, e por causa dos erros frequentemente cometidos em seu nome. Precisais amar-vos antes de poderdes amar alguém. Aceitando-vos a vós mesmos e sendo alegremente aquilo que sois, realizareis as vossas próprias capacidades, e a vossa simples presença poderá tornar os outros felizes. Não podeis detestar-vos a vós próprios e amar outro indivíduo. Isso é impossível. Em vez disso, haveis de projectar todas as qualidades que pensais não possuir em mais alguém, deitar isso da boca para fora, e odiar esse indivíduo, por ele próprio as não possuir. Conquanto professeis sentir amor pelo outro, procurareis minar-lhe as próprias fundações do ser.



Quando amais outros, concedeis-lhes a sua liberdade inata e não insistis covardemente em que sempre vos atendam. Para o amor não existem divisões. Não existe diferença básica alguma entre o amor de um filho por um pai, de um pai por um filho, da esposa pelo marido, de um irmão pela irmã. Existem somente diversificadas expressões e características associadas ao amor, e todo o amor é afirmativo. É capaz de aceitar desvios da visão ideal som os condenar. Não compara o estado prático do ser amado como aquele que é percebido de forma idealizada potencial. Nessa perspectiva, o potencial é percebido como presente, e a distância percebida entre o prático e o ideal não forma qualquer contradição, uma vez que coexistem.



Agora; por vezes podeis pensar odiar a humanidade. Podeis considerar as pessoas insanas, os seres individuais com quem partilhais o planeta. Podeis protestar contra o que pensais como um comportamento estúpido que assumam, contra os modos sanguinários que empreguem, e os métodos inadequados e míopes que empregam na solução dos seus problemas. Tudo isso é baseado no vosso conceito idealizado daquilo que a raça deveria ser - ou, por outras palavras, o amor que sentis pelo vosso companheiro. Mas esse amor que sentis pode perder-se se vos concentrardes nas variantes que sejam menos idílicas. Quanto mais pensais odiar a raça, mais presos vos encontrareis num dilema do amor. Estais a comparar a raça à concepção idealizada que dela fazeis. Nesse caso, contudo, perdeis de vista as pessoas reais envolvidas.



Colocais o amor num tal plano que chegais a divorciar-vos dos sentimentos reais que tendes, e não reconheceis as emoções amorosas que traduzem os vossos verdadeiros sentimentos, nem reconheceis as emoções carinhosas que assentam na base do descontentamento que sentis. O vosso afecto terá ficado aquém de si próprio em meio à vossa experiência por terdes negado o impacto dessa emoção – com temor de que o amado, neste caso, a raça no seu todo – não esteja à sua altura. Por isso concentrais-vos nas deambulações ou desvios do ideal. Se, em vez disso vos permitísseis libertar o sentimento de amor que se acha realmente por detrás da insatisfação que sentis, então só isso já bastaria para vos permitir perceber as características carinhosas na raça que agora escapa á observação em grande medida.



Não há nada mais pomposo do que a falsa humildade. Muitos, que se consideram verdadeiros buscadores da verdade e seres espirituais, acham-se cheios dela. Frequentemente utilizam termos religiosos para se expressarem, e dirão: “Eu não sou nada, mas o espírito de Deus move-se através de mim, e se algum bem faço, isso deve-se ao espírito de Deus e não a mim”; ou: “Eu não possuo qualquer capacidade própria. Só o poder de Deus possui essa capacidade.”



Ora bem; nesses termos, vós sois o poder de Deus manifestado. Não sois impotentes. Antes pelo contrário. Por intermédio do vosso ser o poder de Deus é fortalecido, por serdes uma porção que Ele é. Não sois um simples amontoado insignificante e inócuo de barro que Ele decide mostrar a Si mesmo. Vós sois Ele manifestado como vós. Tendes tanta legitimidade para existir quanto Ele tem. Se sois, pois, uma parcela de Deus, então Ele é uma parcela de vós, e ao negardes o vosso próprio mérito, acabais por negar o dEle também.



Eu não gosto de empregar o termo “Ele”, ao me referir a Deus, dado que Tudo Quanto Existe constitui a origem não só de todos os sexos como de todas as realidades, parte das quais não comportam sexo conforme o concebeis.



A afirmação acha-se presente no movimento espontâneo do corpo à medida que dança. Muitos daqueles que vão à missa e que se consideram muito religiosos não compreendem a natureza do amor ou da afirmação tanto quanto algumas patronas de bares que celebram a natureza dos seus corpos desfrutando da transcendência espontânea ao se deixarem levar pelo movimento do seu ser.



A verdadeira religião não é repressiva, tal como a vida o não é. Quando Cristo falou, ele fê-lo no contexto da época, fazendo uso do simbolismo e do vocabulário que fazia sentido para um povo particular e num período particular da história, conforme os termos que empregais...



Ele começou com as crenças deles, e fazendo uso das suas referências procurou conduzi-los para áreas de compreensão mais livre. Com cada sucessiva tradução, a Bíblia foi alterando o seu significado ao ser interpretada na linguagem dos tempos. Cristo falou em termos de espíritos puros e impuros (ou bons e maus) por isso representar as crenças das pessoas. Nos termos empregues por eles, ele mostrou-lhes que os espíritos impuros podiam ser vencidos; mas eram, pois, símbolos aceites como uma realidade pelas pessoas – por vezes em representação de enfermidades e de condições humanas normais.



O próprio dito: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos.” (Mateus 19:19 e Marcos 12:31) representava uma declaração irónica, por nessa sociedade ninguém amar o próximo mas desconfiar dele veementemente. Muito do humor empregado pelo Cristo perdeu-se, pois.



No Sermão da Montanha, a frase (no sentido de) “Os mansos herdarão a terra.” (Mateus 5:15) foi grosseiramente interpretado. O que Cristo queria dizer era: “Vós formais a vossa realidade. Aqueles que acalentam pensamentos de paz hão-de ficar a salvo da guerra e da dissensão; não serão tocados por ela, mas escaparão, e de facto herdarão a terra.” Pensamentos de paz, em particular no meio do caos, assumem uma enorme energia. Aqueles que são capazes de ignorar a evidência física de guerras e instantaneamente acalentam pensamentos de paz triunfarão – mas na terminologia que empregais, o termo “manso” passou a querer dizer “fraco”, inadequado, sem energia. No tempo de Cristo, a frase sobre os mansos a herdarem a terra implicava o enérgico uso da afirmação, do amor e da paz.



Conforme mencionei no meu livro (Seth Speaks) a entidade do Cristo era demasiado elevada para ser comportada por qualquer homem, ou para o efeito, se manifestar num tempo, e assim o homem que pensais em termos de cristo não foi crucificado (capítulos 21 e 22 de Seth Speaks)



Tampouco estava a ideia do sacrifício pessoal em questão, então. O mito tornou-se mais real do que o evento físico, o que, claro está, é o que acontece no caso de muitos dos chamados eventos mais importantes da história. Mas até o mito sofreu distorções. Deus não sacrificou o seu bem-amado filho ao permitir que ele se tornasse material. A entidade do cristo desejou nascer no espaço e no tempo para se estender sobre a natureza do ser e servir de líder e interpretar certas verdades em termos físicos. Cada um de vós sobrevive à morte O homem que foi crucificado sabia isso sem sombra de dúvida, e não sacrificou coisa nenhuma.



Em Seth Speaks disseste que Judas encontrou um substituto para ser sacrificado em lugar do próprio Cristo.



O “substituto” era uma personalidade aparentemente iludida, mas na ilusão que vivia tinha noção de que cada indivíduo é ressuscitado. Ele assumiu a ilusão para se tornar no símbolo do conhecimento que tinha. O homem que foi chamado de Cristo não foi crucificado. No drama global, contudo, pouca diferença fez o que era facto, nos vossos termos, e o que não era, porque a realidade maior transcende factos e cria-os. Vós possuís livre-arbítrio, e podíeis interpretar o drama com quisésseis. Ele foi-vos oferecido. O seu enorme poder criativo ainda se mantém e vós utilizai-lo ao vosso modo, mesmo mudando a vossa própria simbologia à medida que as crenças que mantendes mudam. Mas a ideia principal reside na afirmação de que o ser físico, o ser que conheceis, não é aniquilado com a morte. Isso surge mesmo em meio às distorções.



Todo o conceito de Deus pai, conforme empregado pelo Cristo representava de facto um “Novo Testamento”. A imagem masculina de Deus foi utilizada devido à orientação sexual da época, mas para além disso, a personalidade do Cristo disse: “...O reino dos céus encontra-se dentro de vós.” (Lucas 17:21) De certo modo a personalidade de Cristo representou uma manifestação da evolução da consciência que conduziu a raça para além dos conceitos violentos da época, alterando comportamentos que tinham prevalecido até essa altura.



Em termos de tempo – ou evolução, conforme sois levados a pensar nisso - a consciência emergente chegou a um ponto em que se encantava de tal modo com distinções e diferenças, que até esmo em áreas geográficas restritas multidões de grupos, cultos e nacionalidades se reuniam, cada um dos quais a afirmar orgulhosamente a sua própria individualidade e mérito sobre os outros. Nesses termos, no princípio a consciência emergente do homem necessitara de liberdade para se dispersar, diferenciar e para criar a base de várias características e afirmar individualizações. No tempo de Cristo, todavia, fazia-se necessário um princípio qualquer unificador por intermédio do qual essa diversificação também passasse a experimentar um sentido de unidade e sentir a sua unidade.



Cristo representou o símbolo da consciência emergente do homem, que carregava em si o conhecimento do potencial do homem. A sua mensagem era para ser transmitida para além dos tempos, mas frequentemente essa interpretação não foi feita. Cristo utilizava parábolas que tinham aplicação na altura. Empregava os sacerdotes como símbolos da autoridade. Transformou a água em vinho, mas ainda assim muitos dos que se consideram muito santos ignoram Cristo na festa das bodas e consideram toda a bebida alcoólica degradante. Conviveu com prostitutas e com os pobres, e os seus discípulos dificilmente seriam enquadrados no quadro de vereadores. Ainda assim, muitos dos que se consideravam religiosos regiam-se pela respeitabilidade na maioria dos casos. Cristo empregou o vernáculo da época e à sua maneira pregou contra os dogmas assim como contra os templos que pretendiam passar por repositórios do conhecimento sagrado, mas que em vez disso se preocupavam com o dinheiro e o prestígio. No entanto, muitos dos que se consideram seguidores de Cristo voltam-se agora contra os párias que ele próprio considerava como irmãos e irmãs. Ele afirmou a realidade do indivíduo sobre qualquer organização ainda que percebesse que seria necessário um sistema qualquer. Toda a sua mensagem transmitia o facto do mundo exterior representar a manifestação do mundo interior, que o “reino de Deus” se torna carne.



Existem de facto evangelhos perdidos que foram redigidos por indivíduos noutras terras por essa altura e que se relacionavam com a vida desconhecida do Cristo, e episódios não descritos na Bíblia. Eles formam todo um corpo à parte de conhecimento que podia ser aceite por pessoas portadoras de diferentes crenças das dos judeus desses tempos. As mensagens eram transmitidas noutros termos, mas uma vez mais, reflectiam a afirmação do seu ser de uma existência contínua após a morte física. O amor sempre era realçado. Um dos evangelhos é falsificado – ou seja, foi escrito após os outros, e os acontecimentos retorcidos para fazer com que alguns tenham sucedido num contexto amplamente diferente daquele em que sucederam. Independentemente disso, A mensagem de Cristo foi uma de afirmação.



Não foi o de Marco nem o de João. Há razões em particular para o facto de o não especificar neste momento...

Na altura, Cristo uniu a consciência dos homens de tal forma que isso se estendeu pela história. A consciência de Cristo não se achava isolada. Expresso-me, neste caso, nos vossos termos. A mesma consciência fez brotar todas as vossas outras religiões; os vários quadros por meio dos quais as pessoas de diferentes épocas puderam expressar-se e crescer. Em todos os casos, as religiões tiveram início com as crenças prevalecentes, expressaram-se por intermédio dos ditados da época e depois expandiram-se. Agora isso representa o lado espiritual da evolução do homem. As molduras de ideias da vida psíquica e mental eram de longe muito mais importantes do que os aspectos físicos à medida que a espécie crescia e se alterava.



(In Sessão 674 ed Nature of Personal Reality)





“...Ora bem; para vossa edificação:

Cristo, o Cristo histórico, não foi crucificado...Agora terás de esperar um momento. (Pausa.)

Ele não tinha nenhuma intenção de morrer daquele modo; mas outros sentiram a necessidade de cumprir as profecias de qualquer jeito, e por isso a crucificação tornou-se uma necessidade.

Cristo não tomou parte nisso. (Pausa.) Houve uma conspiração em que Judas desempenhou um papel, uma tentativa para fazer do Cristo um mártir. O homem escolhido estava drogado - consequentemente houve a necessidade de ajudá-lo a carregar a cruz (veja-se Lucas 23) e foi-lhe dito que ele era o Cristo.


Ele acreditou sê-lo, pois era um daqueles iludidos, mas também acreditou que ele, não o Cristo histórico, tinha que cumprir as profecias.

Maria veio por se sentir cheia de tristeza pelo homem que acreditava ser o seu filho. Ela achava-se presente por uma questão de compaixão. O grupo responsável fez parecer que alguns Judeus tinham crucificado Cristo, mas nunca sonhou que todo o povo Judeu viria a tornar-se “culpado”.


Isto é difícil de explicar, e até mesmo para mim difícil de desenvencilhar... A tumba estava vazia porque este mesmo grupo retirou o corpo. Porém, Maria Madalena teve uma visão do Cristo imediatamente a seguir. (Pausa longa) (Veja-se Mateus 28) Cristo era um grande psíquico. Ele fez com que as feridas aparecessem no seu próprio corpo e apareceu tanto fisicamente como psiquicamente (em estados de projecção fora do corpo) aos seus seguidores. Porém, ele tentou explicar o que tinha acontecido, assim como a sua posição actual, mas aqueles que não estavam a par da conspiração não entenderam, e interpretaram mal as suas declarações.

Pedro por três vezes negou o Senhor, (Mateus 26) dizendo que não O conhecia, por ter reconhecido que aquele indivíduo não era o Cristo.


O argumento, “Pedro, porque me abandonaste?” procedeu do homem que acreditava ser o Cristo - a versão drogada. Judas indicou aquele homem. Ele era sabedor da conspiração, e temeu que o Cristo real fosse capturado. Então ele entregou às autoridades um homem que se autointitulou de messias, a fim de salvar, não destruir, a vida do Cristo histórico.

(O ritmo de Jane tinha aumentado consideravelmente por esta altura.)


Porém, simbolicamente a própria ideia da crucificação corporizou dilemas e significados profundos da psique humana, e assim a crucificação por si só tornou-se uma realidade muito mais significativa do que os eventos físicos reais que se deram por aquela ocasião.

Somente uma pessoa iludida seria capaz de correr o risco, ou acharia necessário tal auto-sacrifício. Somente aqueles que se acham envoltos em ideias de crime e de punição se deixariam atrair para esse tipo de dramas religiosos, e encontrar neles, ecos profundos dos seus próprios sentimentos subjectivos.


Cristo soube porém, por meio da clarividência, que estes eventos de uma maneira ou de outra se dariam, e os dramas prováveis que poderiam resultar. O homem envolvido não poderia ser desviado da sua decisão subjectiva. Ele seria sacrificado para que as antigas profecias judaicas se tornassem realidade, e não poderia ser dissuadido disso.


Na Última Ceia quando o Cristo disse, “Isto é o meu corpo, e isto é o meu sangue,” ele pretendia revelar que o espírito fazia parte de toda matéria; interligado, e ainda assim separado - que o seu próprio espírito era independente do seu corpo, e também para indicar, a seu modo, que ele já não deveria mais ser identificado com o seu corpo, porque sabia que o corpo morto não seria o seu.


Isto tudo foi mal interpretado. Então, o Cristo mudou de comportamento, e passou a aparecer frequentemente em estados extracorporais como declararam os seus seguidores. (Ver João 20, 21; Mateus 28; Lucas 24.). Anteriormente não o fizera dessa forma. Contudo, tentou dizer-lhes que não estava morto, e eles preferiram entender isso de maneira simbólica. (Uma pausa de um minuto).


A sua presença física não se fazia mais necessária, e era até mesmo constrangedora diante das circunstâncias. Ele simplesmente desejou ficar de fora daquilo tudo.

Agora, podem fazer o intervalo...


(“Obrigado. Isto é muito interessante”).

( 10:15. “Caramba!”, disse Jane depois que saiu do transe, “ninguém irá apreciar isto. Mas eu tentei relaxar e deixar sair, porque eu mesma tinha imensas dúvidas sobre aqueles tempos...)

(Eu perguntei a Jane, mas ela não tinha retido nenhuma imagem que pudesse acrescentar algo ao material dispensado. A curta sessão seguinte responde alguns dos pontos que discutimos durante o intervalo. Retomamos às 10:28.)


Bom; ele percebeu que sem as feridas, não acreditariam em quem ele era, porque todos ficaram convencidos de que ele tinha morrido vitimado por aquelas feridas. (Ver João 20.) Elas eram como um método de identificação a ser fornecido quando ele explicasse as verdadeiras circunstâncias.


Ele comeu para provar que ainda estava vivo, por exemplo, (João 21, Lucas 24, etc.) mas eles interpretaram isso simplesmente como querendo dizer que o espírito poderia partilhar do alimento. Eles quiseram acreditar que ele tinha sido crucificado e tinha ressuscitado.

Agora: Vou terminar a nossa sessão por esta noite. Desejo-lhes uma boa noite.

(“Certo. Obrigado”.) Diga a Ruburt que outros livros surgirão. E agradeço a sua ajuda, cooperação, e paciência.


( “Estou muito feliz por poder fazê-lo”)  Da próxima vez teremos uma sessão particular.

(“Tudo bem. Boa noite e obrigado”.) Término às 10:30.

(Nos últimos dois capítulos Seth respondeu a quase todas as perguntas que permaneciam na lista que tínhamos preparado originalmente para o Capítulo Vinte.

(Uma nota: há muitas diferenças nos detalhes apresentados pelos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas, e João. Por exemplo, (João 19) diz que Cristo carregou a Sua própria cruz; em (Lucas 23) Simão de Cirene (por ser dessa localidade) ajudou Cristo a carregar a cruz em lugar dele. Muitas perguntas e argumentos complicados se desenvolveram referentes aos vários aspectos dos Evangelhos - acerca da sua possível fundação na tradição verbal e em fontes literárias e documentais antigas; se algum deles apontará o depoimento de alguma testemunha ocular da vida de Cristo; [foi afirmado recentemente que o Evangelho de Marcos foi escrito somente alguns anos depois da morte de Cristo, por exemplo] se os Evangelhos deveriam simplesmente ser considerados como a expressão duma única tradição, do facto e do ambiente de Cristo, diferente de qualquer outra coisa, etc.)


(De modo bastante intuitivo e com um pouco de nervosismo Jane começou a ler o livro de Seth a partir da página um. Ela sentia-se fascinada).

(In Capítulo 21 de Seth Speaks)







“Só mais uma pequena questão: O dito de Cristo de “dar a outra face” representou um método psicologicamente astuto de afastar a violência e de não a aceitar. Simbolicamente representou o animal a oferecer a barriga ao adversário. A observação foi feita no sentido simbólico, e a certos níveis representou um gesto de derrota que suscitava o triunfo e a sobrevivência. Não pretendia significar o acto de servilismo do mártir que exclamava: “Bate-me novamente”, mas representava uma declaração biológica pertinente, uma comunicação em termos de linguagem corporal... que havia de habilmente recordar o atacante das velhas posturas comunicativas dos animais sãos.”

(In Session 673 Nature Personal Reality)



“... Como a presente vida de todo o indivíduo brota de dimensões ocultas para além daquelas facilmente acessíveis em termos físicos, e como retira sua energia e poder para agir de fontes inconscientes, também o actual universo físico, conforme o conheceis, brota de outras dimensões. Também ele tem a sua fonte, e deriva a sua energia de realidades mais profundas.

A história conforme a conheceis representa unicamente uma luz singular em que vos focais. Interpretais os eventos que nela notais e projectais no seu reflexo a interpretação que fazeis de eventos que podem suceder. De tal modo vos concentrais nesse transe, que quando vos questionais sobre a natureza da realidade automaticamente confinais esse questionamento a esse movimento diminuto e vacilante a que chamais realidade física. Quando ponderais sobre os aspectos de Deus, irreflectidamente falais do criador dessa luz única. Essa luz é única, e se realmente entendêsseis aquilo que é, haveríeis verdadeiramente de compreender a natureza da verdadeira realidade.


A história conforme a concebeis, representa unicamente uma delgada linha de probabilidades em que vos achais presentemente imersos. Não representa a vida toda da vossa espécie nem o catálogo das vossas actividades físicas nem tampouco vos chega a narrar a história das criaturas físicas, das suas civilizações, alegrias, tecnologias ou triunfos. A realidade é muito mais diversa, rica e indescritível do que presentemente supõem ou podeis compreender. A evolução, conforme a encarais e é categorizada pelos vossos cientistas, representa uma linha provável evolutiva, aquela em que, uma vez mais, vos achais imersos.


Existem, pois, muitos outros desenvolvimentos evolutivos igualmente válidos e igualmente reais que ocorreram e ocorrem e ocorrerão todos em sistemas prováveis da realidade física. As diversas e infindáveis possibilidades de desenvolvimento possível jamais poderiam afigurar-se num quadro delgado de realidade.


Com uma inocência deslumbrante e um orgulho exuberante imaginais que o sistema evolutivo, conforme o conheceis, seja o único, e que fisicamente não possa existir mais nenhum. Agora, na realidade física que conheceis existem dicas e pistas quanto à natureza de outras realidades físicas latentes nas vossas próprias formas físicas, e existem outros sentidos que não são utilizados e que podiam ter assomado a dianteira mas que na vossa probabilidade não ocorreram. Tenho vindo a referir-me a desenvolvimentos terrenos, realidades portanto agrupadas em torno de aspectos terrenos conforme os conheceis. Nenhuma linha de evolução é única. Consequentemente, se no vosso sistema ela desaparece, passa a emergir num outro. Todas as prováveis materializações da vida e da consciência têm o seu tempo, e geram as próprias condições em que passarão a florescer; e o seu tempo, nos vossos termos, é eterno.


Estou, neste capítulo, a referir-me principalmente ao vosso próprio planeta e sistema solar, mas o mesmo se aplica a todos os aspectos do vosso universo físico. Não tendes, pois, consciência de uma porção específica, delicada e equilibrada, única, de existência física. Sois não só seres corpóreos que moldam imagens de carne e sangue incorporados num tipo particular de tempo e espaço; sois igualmente seres que emergem de uma dimensão particularizada de probabilidades, nascidas de dimensões de actualidade ricamente adequadas para o vosso próprio desenvolvimento, enriquecimento e crescimento.


Se vocês ainda tiverem alguma compreensão intuitiva sobre a entidade ou a Totalidade do Eu, haveis de ver que ele vos colocou numa posição em que certas habilidades, percepções intuitivas e experiência poderão ser alcançadas, em que o vosso tipo de consciência singular pode ser cultivada. A vossa mínima experiência tem mais repercussões nesse ambiente multidimensional do que o cérebro físico poderá conceber. Porque se vos preocupardes com intensidade com o que poderá parecer um aspecto infinitesimal da realidade, enquanto pareceis estar completamente incorporados nele, apenas os elementos mais “superficiais” do Eu se encontram em tal estado de transe. Não gosto do termo “superficiais” a este respeito, apesar de o ter utilizado para sugerir as inumeráveis porções do Eu que de outro modo são empregues – algumas das quais tão hipnotizadas na sua realidade quanto vós estais na vossa.

A entidade, o Eu multidimensional, tem consciência de todas as suas experiências, e esse conhecimento em certa medida acha-se ao dispor dessas outras porções do Eu, incluindo, claro está, o ser físico conforme o conheceis. Eventualmente, essas variadas porções do Eu, de facto tornar-se-ão conscientes. Ponto final. Essa consciência alterará automaticamente o que agora parece ser a sua natureza e há-de aumentar a multiplicidade da existência.


Existem sistemas prováveis de realidade, pois, em que a informação física predomina, mas tais probabilidades físicas representam apenas uma pequena porção. Cada um de vós também existis em sistemas não físicos, e eu expliquei anteriormente que o mais ligeiro pensamento ou emoção que tendes se manifesta de muitos mais modos do que unicamente no vosso próprio campo de existência.


Apenas uma porção da vossa identidade completa vos é “presentemente” familiar, conforma conheceis. Consequentemente, quando considerais a questão de um ser supremo, imaginais uma personalidade masculina dotada daquelas capacidades que vós próprios possuís, dando uma enorme ênfase às qualidades que admirais. Esse deus imaginado portanto, mudou ao longo dos vossos séculos, espelhando as ideias que o homem tinha de si próprio.

Deus era encarado como cruel e poderoso quando o homem acreditava que essas eram características desejáveis, particularmente necessárias na sua batalha pela sobrevivência física. Ele projectáva-as na ideia que fazia de um deus por as envejar e temer. Vós moldastes a ideia que tínheis de Deus, pois, á vossa própria imagem.


Numa realidade que é inconcebivelmente multidimensional, o Deus dos velhos conceitos é relativamente insignificante. Até mesmo o termo, ser supremo, em si mesmo é distorcido, por projectardes naturalmente as qualidades da natureza humana nele. Se eu vos dissesse que deus não passava de uma ideia, não compreenderíeis o que quero dizer, por não compreenderdes as dimensões em que uma ideia tem a sua realidade, ou a energia a que pode dar origem ou mover. Não acreditais nas ideias do mesmo modo em que acreditais em objectos físicos pelo que, se vos dissesse que Deus é uma ideia, haveríeis de interpretar isso erradamente como dizendo que deus seria menos real – nebuloso, destituído de realidade e de propósito, e de motivo para qualquer acçao.


Agora; a vossa própria imagem constitui a materialização da ideia que tendes no contexto das propriedades da matéria. Sem a ideia de vós próprios, a vossa imagem física não teria existência; todavia frequentemente é tudo de que tendes consciência. O poder e energia iniciais dessa ideia de vós próprios mantém a vossa imagem viva. As ideias, pois, são muito mais importantes do que percebeis. Se tentardes aceitar a ideia de que a vossa própria existência é multidimensional, e de que habitais um ambiente dotado de infinitas probabilidades, então podereis obter um ligeiro vislumbre da realidade que se acha por detrás do termo “Deus”, e podereis a razão por que é praticamente impossível capturar a verdadeira compreensão desse termos por palavras.

Deus, consequentemente, é antes de mais um criador, não de um universo físico mas de uma variedade infinita de existências prováveis, muito mais vastas do que aqueles aspectos do universo físico com que os vossos cientistas se acham familiarizados. Ele não enviou simplesmente um filho para viver e morrer num pequeno planeta. Ele faz parte de todas as probabilidades.


Foram contadas parábolas e histórias de começos. Todas elas constituíram tentativas de transmitir um conhecimento em termos tão simples quanto possíveis. Frequentemente, foram dadas respostas a perguntas que literalmente não tinham sentido fora do vosso próprio sistema de realidade.


Por exemplo: Não houve começo algum, e não existe fim à vista, no entanto parábolas foram dadas que vos davam conta de e inícios e términos simplesmente porque com as ideias distorcidas de tempo que possuís, inícios e términos pareciam ser eventos inseparáveis e válidos. À medida que aprendeis a desviar o foco da vossa atenção da realidade física e assim experimentais alguma evidência ligeira de outras realidades, a vossa consciência agarrar-se-á a velhas ideias que tornam as verdadeiras explicações impossíveis ao vosso entendimento. A consciência multidimensional acha-se ao vosso dispor nos vossos sonhos, contudo, em certos estados de transe, e frequentemente até mesmo sob a consciência ordinária à medida que prosseguis com o vosso dia-a-dia.


Essa consciência faculta à experiência pessoal a riqueza multidimensional que não existe aparte mas misturada com tudo, e dentro e em todo o vosso mundo dos sentidos físicos. Dizer que a vida física não é real é negar essa realidade que permeia toda a aparência. Do mesmo modo, Deus não existe aparte ou separado da realidade física mas nela e como uma verruga dela, ao existir dentro como verruga de todos os sistemas de existência.


A vossa figura do Cristo representa, simbolicamente, a ideia que tendes de Deus e dos Seus relacionamentos. Existiram três indivíduos distintos cuja história foi combinada, e que chegaram a tornar-se conhecidos como Cristo, do que resultaram muitas discrepâncias nos registos que tendes. Eles foram todos homens devido a que num dos vossos desenvolvimentos, não teríeis aceitado uma contraparte feminina.


Esses indivíduos faziam parte de uma entidade. Não podíeis deixar de imaginar Deus com um pai. Jamais os teria ocorrido imaginar um deus noutros que não em termos humanos. Componentes terrenos. Essas três figuras representaram o drama, altamente simbólico, movido por uma energia concentrada dotada de enorme força.


Os eventos, conforme foram registados, contudo, não tiveram lugar na história. A crucificação de Cristo constituiu um acontecimento psíquico e não físico. Foram representadas ideias de uma magnitude quase inimaginável.


Judas, por exemplo, não foi um homem nos vossos termos. Ele foi – à semelhança de todos os outros discípulos – a abençoada criação de um “fragmento da personalidade” formado pela personalidade do Cristo. Ele representou a traição a si-mesmo. Ele dramatizou uma porção da personalidade de cada indivíduo que se foca na realidade física de uma maneira ávida, e nega o eu interior com base na ganância.


Cada um dos dozes representava qualidades da personalidade que pertenciam a um indivíduo, e o Cristo conforme o conheceis representou o eu interior. Os doze, pois, mais o Cristo conforme o conheceis (a figura una composta dos três) representou a personalidade individual terrena – o eu interior – e as doze características principais ligadas à consciência do ego. Conforme Cristo se achava rodeado de discípulos, também o eu interior se acha rodeado por essa características fisicamente orientadas, cada uma, por um lado, voltada para fora para a realidade diária, sem todavia deixar de orbitar o eu interno.


Aos discípulos, pois foi dada existência física pelo Eu Interior, como todas as vossas características terrenas saem da vossa natureza interior. Isso representou uma parábola viva, que se tornou carne no meio de vós – um jogo cósmico elaborado a vosso favor, formulado em termos que conseguíeis entender.


As lições foram tornadas claras, por as ideias por detrás delas serem personificadas. Ides-me desculpar o termo, mas assemelhou-se a uma peça moral local, colocada no vosso canto do universo. Não quer dizer que fosse menos real do que o anteriormente suposto. De facto, as implicações do que está aqui ser dito deve insinuar com clareza os aspectos mais poderosos da divindade.


As personalidades dos três Cristos nas ceram no vosso planeta, e de facto tornaram-se carne no vosso meio. Nenhum deles foi crucificado. Os doze discípulos constituíram manifestações das energias dessas três personalidades – da combinação das suas energias. Eles achavam-se, pois, plenamente dotados de individualidade, todavia, mas a principal tarefa que lhes cabia era a de manifestarem claramente em si próprios certas capacidades inerentes a todo o ser humano.

Os mesmos tipos de dramas foram determinados por modos diversos, e conquanto o drama seja sempre diferente, ele é sempre igual. Isso não quer dizer que um Cristo tenha surgido em cada sistema da realidade. Significa que a ideia de Deus se manifestou em cada sistema de uma maneira que é compreensível aos seus habitantes.


Tal drama continua a ter existência. Ele não pertence, digamos, ao vosso passado. Vós simplesmente colocastes-lho lá. O que não quer dizer que sempre volte a ocorrer. O drama, pois, estava longe de ser destituído de significado, e o espírito de Cristo, conforme os termos em que o definis, é legítimo. É o drama de Deus provável que escolhestes perceber. Houve outros que foram percebidos, só que não por vós, e existem outros dramas em existência actualmente.

Independentemente do facto de a crucificação ter ou não ocorrido em termos físicos, tratou-se de um evento psíquico, e tem existência conforme todos os outros eventos ligados ao mesmo.

Muitos foram concretos enquanto outros não. O evento psíquico afectou tanto o vosso mundo quanto o físico ou concreto, como será óbvio. Todo o drama teve lugar em resultado da necessidade da humanidade. Foi criado em resultado dessa necessidade, cresceu a partir dela, mas não teve origem no vosso sistema de realidade.


Outras religiões foram baseadas em diferentes dramas, em que foram encenadas ideias de uma maneira que foi compreensível para as várias culturas. Infelizmente, as diferenças manifestas entre os dramas conduziram com frequência a mal-entendidos, e estes foram usados como desculpa para guerras. Esses dramas também foram trabalhados em privado no estado de sonho. As figuras que representavam uma personificação de Deus foram inicialmente introduzidas ao homem no estado de sonho, e o modo preparado de seguida.


Os homens sabiam que o drama do Cristo iria ser encenado, através de visões e inspiração, e portanto reconheceram-no pelo que representava quando ocorreu fisicamente. o poder que tinha voltou a seguir ao universo do sonho. Aumentou o seu vigor e intensidade por meio da materialização física. Através de sonhos privados, pois, os homens relacionaram-se com as figuras principais do drama, e no estado do sonho reconheceram-lhe a sua verdadeira importância.


Deus é mais do que a soma de todos os sistemas prováveis de realidade que Ele criou, e ainda assim acha-se em cada um deles, sem excepção. Ele acha-se, portanto, em cada homem e mulher. Acha-se igualmente em cada aranha, pronúncio e sapo, e isso é o que o homem não gosta de admitir.


Deus só poderá ser experimentado, e vós experimentai-lo quer o percebais ou não, por intermédio da vossa própria existência. Contudo, Ele não é masculino nem feminino, e eu utilizo esses termos só por uma questão de conveniência. Na mais incontornável das verdades, Ele não é humano conforme os vossos termos, em absoluto, e tampouco nos vossos termos é Ele uma personalidade. As ideias que fazeis da personalidade são demasiado estreitas para comportarem as inumeráveis facetas da sua existência multidimensional.


Por outro lado, Ele é humano, pelo facto de constituir uma porção de cada indivíduo; e na vastidão da Sua experiência, Ele comporta a forma de uma ideia dEle próprio como ser humano, em relação à qual podeis relacionar-vos. Ele tornou-Se literalmente carne para passar a habitar no meio de vós, por compor a vossa carne pelo facto de ser responsável pela energia que fornece vitalidade e validade ao vosso Eu privado multidimensional, o qual por sua vez forma a vossa imagem de acordo com as próprias ideias que tendes. 


O Eu privado multidimensional, ou a alma, possui, pois, uma validade eterna. É sustentado e suportado e mantido pela energia, a inconcebível vitalidade, do Tudo Quanto Existe.

Não pode, pois, ser destruído, esse Eu Interior vosso, nem tampouco reduzido. Ele participa nessas capacidades que são inerentes ao Tudo Quanto Existe, pelo que deve, consequentemente, criar conforme é criado, por isso constituir a grande concessão que se acha por detrás de todas as dimensões da existência, o derrame por excesso a partir da fonte do Tudo Quanto Existe.


No devido tempo identificarei a personagem do terceiro Cristo. Por ora, contudo, estou mais interessado nos aspectos multidimensionais do Tudo Quanto Existe. Uma realidade como essa só pode objecto da experiência. Não há factos descritivos que possam ser apresentados no sentido de retratar com justiça os atributos do Tudo Quanto Existe.


Essa realidade e esses atributos surgirão em vários sistemas de actualidade em conformidade com os dados de camuflagem de um determinado sistema qualquer. A experiência interior relacionada com o Deus multidimensional pode apresentar-se em dias áreas principais. Uma é através do percebimento de que essa força motriz primordial se acha em tudo que podeis perceber com os vossos sentidos. O outro método, consiste no percebimento de que essa força motriz primordial possui uma realidade independente da ligação que tem com o mundo das aparências.


Todo o contacto pessoal com o Deus multidimensional, todos os instantes legítimos de consciência mística terão sempre um efeito unificador. Não tenderão, pois, a isolar o indivíduo em questão, mas em vez disso expandirá as suas percepções até que experimente a realidade e a singularidade de tantos aspectos da realidade quantos seja capaz.


Assim, ele será levado a sentir-se menos isolado e menos colocado aparte. Não se considerará acima dos outros por causa da experiência. Pelo contrário, será arrastado numa gestalt de compreensão em que seja levado a perceber a própria unidade com Tudo Quanto Existe.

Como existem porções da realidade que não percebeis de uma forma consciente, e outros sistemas de probabilidade de que não tendes consciência, também existem aspectos da divindade primária que não conseguis, neste momento, compreender. Existem, pois, deuses prováveis, cada um a reflectir ao seu modo os aspectos multidimensionais de uma identidade primordial tão descomunal e deslumbrante que nenhuma forma de realidade o tipo particular de existência poderia conte-la.


Eu tentei dar-vos uma ideia dos efeitos criativos de longo alcance que os vossos próprios pensamentos possuem. Com isso em mente, torna-se pois impossível imaginar as criatividades multidimensionais que poderão ser atribuídas ao Tudo Quanto Existe. O termo “Tudo Quanto Existe” pode ser usado como designação que inclua todos esses deuses prováveis em todas as suas manifestações.


Agora tornar-se-á mais fácil, porventura, para alguns de vós, compreender as histórias e parábolas simples relativas a começos que mencionei. Mas chegou a altura da humanidade dar determinados passos adiante, a fim de expandir a natureza da sua própria consciência tentando compreender uma versão mais profunda da realidade. Porém, já superastes o tempo dos contos de crianças. Quando os prórpios pensamentos que tendes têm forma e realidade, quando são dotados de validade mesmo noutros sistemas de realidade de que não tendes consciência, então não se tornará difícil compreender a razão por que outros sistemas de probabilidades também são afectados pelos vossos próprios pensamentos e emoções – nem a razão por que as acções de outros deuses prováveis não serão afectadas pelo que sucede noutras dimensões da existência.”


In Capítulo 14 de Seth Speaks



“Existem percepções internas sempre presentes na Totalidade do Ser. Existe compreensão do significado da existência toda dentro de cada personalidade. O conhecimento da existência multidimensional não se acha somente em segundo plano em relação à vossa presente actividade consciente, mas o homem conhece dentro dele o facto de que a sua vida consciente depende de uma dimensão de actualidade maior. Essa dimensão maior não pode ser materializada num sistema tridimensional, mas ainda assim o conhecimento dessa dimensão maior provoca inunda para fora a partir da parte mais interna do ser, e é projectado para fora, transformando tudo aquilo que toca.


Essa enchente infunde certos elementos do mundo físico com um brilho e intensidade que ultrapassa muito aqueles conhecidos. Aqueles que são tocados por elas são transformados, nos vossos termos, em algo mais do que eram. Esse conhecimento interior procura encontrar um sítio para si na paisagem física, a fim de se traduzir a si próprio em termos físicos. Cada homem, pois, possui esse conhecimento interior dentro de si mesmo, e em uma ou outra medida ele busca igualmente pela sua confirmação no mundo.


O mundo externo constitui um reflexo do interior, apesar de estar longe de ser perfeito. O conhecimento interior pode ser comparado a um livro relativo à terra-natal que um viajante leva consigo ao se deslocar para um território desconhecido. Todo o homem nasce com o anseio de tornar essas coisas numa verdade para si, apesar de ver uma grande diferença entre elas e o meio em que vive.


Um drama interior é continuado por cada indivíduo, um drama psíquico que é finalmente projectado no exterior com uma força brutal no campo histórico. O nascimento de grandes movimentos religiosos emerge do drama religioso interior. O drama em si mesmo constitui um fenómeno psicológico de certo modo, por cada ser orientado no sentido do físico se sente impelido sozinho para um ambiente estranho, sem lhe conhecer as origens nem destino ou sequer a razão da sua própria existência.


Esse é o dilema do ego, em particular nos primeiros estágios. Ele volta-se para o exterior em busca de respostas por isso corresponder à sua natureza: manipular a realidade física. Também sente, contudo, uma ligação profunda e permanente com outras porções do Eu que não se encontram sob o seu domínio, que não compreende. Também tem consciência de que esse Eu interior possui um conhecimento em que a sua própria existência se baseia.


Ao crescer, nos vossos termos, volta-se para fora em busca de confirmação desse conhecimento interior. O Eu interior sustenta o ego com o seu apoio. Molda as suas verdades em dados orientados para o físico com que o ego pode lidar. A seguir projecta-os no exterior na área da realidade física. Ao ver essas verdades assim materializadas, o ego passa a achar fácil aceitá-las.

Assim, lidais frequentemente com eventos em que os homens são tocados por uma grande iluminação, isolados das massas dos seres humanos, e são endossados de grandes poderes – períodos da história que parecerão quase anormalmente brilhantes em contraste com outros; profetas, génios e reis apresentados numa proporção mais do que humana.


Agora, essa gente é escolhida por outros a fim de manifestar externamente as verdades interiores que todos conhecem intuitivamente. Isso comporta muitos níveis de significado. Por um lado, tais indivíduos recebem as suas capacidades e poder sobrenaturais da parte dos seus companheiros, controlam-nas, e exibem-nas no mundo físico para toda a gente as ver. Representam a parte do Eu interior que na realidade não consegue operar na realidade física sem ser envolta na carne. Essa energia, todavia, constitui uma projecção bastante válida do Eu interior.


A personalidade assim tocada por ele torna-se de seguida, em certos termos, o que parece ser. Emergirá como um herói eterno no drama religioso externo, enquanto o ser interior representa o herói interno do drama religioso interior.


A projecção mística constitui uma actividade contínua. Quando a força de uma grande religião começa a diminuir e o efeito físico que exerce decresce, então o drama interno começa novamente a acelerar. A mais elevada das projecções humanas, é assim projectada na história física. Os dramas em si mesmos revelar-se-ão diferentes. Lembrai-vos que eles são edificados internamente, primeiro.


Serão formados para impressionar as condições do mundo numa dada altura, e portanto expressar-se-ão pelos símbolos e eventos que impressionem mais as populações. Isso é habilmente conseguido, por o Eu interior saber exactamente o que impressionará o ego, e o tipo de personalidades que sejam mais capazes de personificar a mensagem num dado período. Quando uma personagem assim surge na história, pois, é intuitivamente reconhecida, pela forma como terá sido definida, e em muitos casos as profecias a anunciar um advento desses já terão sido estabelecidas.


Aqueles que são assim escolhidos por essa forma não surgem por acaso no meio de vós. Eles não são escolhidos ao acaso. São indivíduos que assumiram a responsabilidade por tal papel. Após o nascimento têm consciência em graus variados do seu destino, e certas experiências desencadeadas podem por vezes despertar-lhes uma lembrança completa.


Servem com clareza como representantes humanos do Tudo Quanto Existe. Agora, como cada um faz parte do Tudo Quanto Existe, em certa medida, cada um de vós se presta ao mesmo papel. Contudo, num drama religiosos desses, a personalidade principal tem muito mais consciência desse conhecimento interior, mais consciência das próprias capacidades, é muito mais capaz de as utilizar, e acha-se de uma forma exultante familiarizado com a relação que tem com toda a vida.


Ideias de bem e mal, deuses e demónios, salvação e condenação, constituem meros símbolos de valores religiosos mais profundos; valores cósmicos, se preferirdes, que não são passíveis de ser traduzidos em termos físicos.


Essas ideias tornam-se nos temas condutores desses dramas religiosos de que falei. Os actores podem “retornar”, uma e outra vez, em diferentes papéis. Em qualquer drama religioso histórico, pois, os actores (intervenientes) poderão já ter aparecido na cena histórica do vosso passado, sendo o profeta dos dias actuais o traidor do drama passado.

Todavia, as entidades psíquicas são reais. É bastante verdadeiro afirmar que a sua realidade consiste não somente no núcleo da sua identidade, mas que também é reforçado por aqueles pensamentos e sentimentos projectados por parte da audiência terrena para quem o drama é encenado.


A identificação física ou psicológica é da maior importância aqui e acha-se de facto no coração de tais dramas. Num certo sentido, podereis dizer que o homem se identifica com os deuses que ele próprio criou. Contudo, o homem não compreende a qualidade magnífica da sua própria capacidade de invenção e poder criativo. Assim, dizei que os deuses e os homens se criam uns aos outros, e chegareis ainda mais perto da verdade; mas apenas se usardes de cuidado nas definições que estabelecerdes – porque, de que modo, exactamente, se diferenciarão os homens e os deuses?


Os atributos dos homens são aqueles que são implícitos ao próprio homem, ampliados, e levados a uma actividade poderosa. Os homens creem que os deuses vivam para sempre. Os homens vivem para sempre, mas tendo esquecido isso, lembram-se apenas de endossar essa característica aos deuses. Evidentemente, pois, e esses dramas religiosos históricos, os aparentemente recorrentes contos de homens e de deuses, comportam realidades espirituais.

Por detrás dos actores de tais dramas, existem entidades mais poderosas que se encontram muito além da representação de papéis. As próprias encenações, pois, as religiões que varrem as eras – são meras sombras, conquanto úteis. Por detrás do enquadramento do bem e do mal existe uma valor muito mais profundo. Consequentemente, todas as religiões, enquanto procuram captar a “verdade”, deve em determinado grau temer a possibilidade de ela lhes escapar constantemente.


Só o Eu interno, no repouso, na meditação, poderá por vezes vislumbrar porções dessas realidades internas que não podem ser fisicamente expressadas. Esses valores, intuições ou insights (percepções) são dadas a cada um conforme o entendimento que possua e assim as histórias que são contadas em relação a elas variarão muitas vezes.

Por exemplo, o personagem principal de um drama religioso histórico pode e pode não ter consciência dos modos através dos quais tal informação lhe é dada. Ainda assim, poderá parecer-lhe que saiba, por a natureza da origem do dogma venha a ser explicada em termos que esse personagem principal possa entender. O Jesus histórico sabia quem era, mas também tinha conhecimento de ser uma de três personalidades que compunham uma entidade. Em larga medida, ele partilhava da recordação das outras duas.


A terceira personalidade, mencionada muitas vezes por mim, ainda não surgiu, nos vossos termos, apesar de a sua existência ter sido profetizada em termos de um “Segundo Advento”. Ora bem, essas profecias foram traçadas nos termos da cultura corrente da época, e consequentemente, conquanto o palco tenha sido montado, as distorções são deploráveis, por esse Cristo não vir no final do vosso mundo conforme as profecias têm mantido.

Ele não virá para recompensar os justos nem enviar os malfeitores para a condenação eterna. Todavia, irá dar início a um novo drama religioso. Uma certa continuidade histórica será mantida. Como aconteceu uma vez antes, contudo, ele não será reconhecido no geral pelo que é. Não será feita qualquer proclamação gloriosa em relação à qual todo o mundo se curvará. Ele voltará para endireitar o cristianismo, que se encontrará numa desordem por altura do seu surgimento, e para estabelecer um novo sistema de pensamento quando o mundo estiver urgentemente necessitado de um.


Por essa altura, todas as religiões se encontrarão numa severa crise. Ele irá minar as organizações religiosas – não unir. A sua mensagem será a do indivíduo na relação que tem com o Tudo Quanto Existe. Ele enunciará claramente métodos por meio dos quais cada um poderá atingir um estado de contacto íntimo com a sua própria entidade (alma); por a entidade em certa medida ser o mediador do homem com o Tudo Quanto Existe.

Por altura do ano 2075 isso já terá sido alcançado. O nascimento ocorrerá no devido tempo. As outras modificações dar-se-ão geralmente ao longo de um período de um século, mas os resultados evidenciar-se-ão de longe antes dessa altura.


Devido à natureza plástica do futuro, nos vossos termos, a data não pode ser considerada definitiva. Todas as probabilidades apontam nessa direcção, contudo, por o impulso interior já estar a dar forma a tais ocorrências.


Podemos fazer aqui uma nota para referir que o Nostradamus viu a dissolução da Igreja Católica Romana como o fim do mundo. Ele não podia imaginar a civilização sem ela, daí que muitas das suas previsões posteriores devam ser lidas com isso em mente.

A terceira personalidade do Cristo virá efectivamente a ser conhecida como a de um grande psíquico, por ser ele quem ensinará à humanidade como usar os seus sentidos interiores que por si só tornam a verdadeira espiritualidade possível. Assassinos e vítimas trocarão de posição à medida que recordações reincarnatórios vierem à superfície da consciência. Por intermédio do desenvolvimento dessas capacidades, a sacralidade de toda a vida será intimamente reconhecida e apreciada.


Ora bem; por essa altura nascerão vários que de vários modos despertarão as expectativas do homem. Um deles já nasceu na Índia, numa pequena província próximo de Calcutá, mas o seu ministério parecerá comparativamente local durante para a sua vida.

Outro nascerá na África, um negro cujo principal trabalho será levado a cabo na Indonésia. As expectativas foram estabelecidas há muito tempo, nos vossos termos, e serão supridas por novos profetas até a terceira personalidade do Cristo emergir efectivamente.


Ele conduzirá o homem por detrás do simbolismo em que a religião tem dependido há tantos séculos. Ele enfatizará a experiência espiritual individual, a expansão da alma, e ensinará o homem a reconhecer os inumeráveis aspectos da sua própria realidade.

O terceiro personagem histórico, já nascido nos vossos termos, e uma porção da personalidade completa do Cristo, tomou para si o papel de um zelota.


Esse indivíduo possuiu uma inteligência e um poder superiores e grandes capacidades de organização, mas foram os erros que cometeu que perpetuaram certas distorções perigosas. Os registos desse período histórico são dispersos e contraditórios.

O homem, conhecido em termos históricos, foi Paulo, ou Saulo. Foi-lhe dada a criação de uma estrutura, mas tratava-se de uma estrutura de ideias e não de regulamentos; destinada aos homens, não aos grupos. Aqui, ele sucumbiu, mas voltará como a terceira personalidade, tal como foi mencionado, no vosso futuro.


A esse respeito, contudo, não existem quatro personalidades.

Agora, Saulo fez um esforço considerável para se definir como uma identidade separada. As suas características, por exemplo, eram aparentemente muito diferentes das do Cristo histórico. Ele foi “convertido” numa experiência pessoal intensa – um facto que foi concebido para inculcar nele os aspectos pessoais e não organizacionais. No entanto, algumas das façanhas da sua vida anterior foram atribuídas ao Cristo – não como um jovem, mas antes.


Todas as personalidades gozam de livre-arbítrio e trabalham os próprios desafios que estabelecem para si próprias. O mesmo se aplicou a Saulo. As “distorções” organizativas, todavia, também se revelaram necessárias no enquadramento da história conforme os acontecimentos são entendidos. As tendências de Saulo eram conhecidas, pois, num outro nível. Elas serviram um propósito. É por essa razão, todavia, que ele emergirá de novo, desta vez para destruir tais distorções.


Agora, ele não as concebeu por mote próprio, para as delegar à realidade histórica. Ele criou-as na medida em que se viu forçado a admitir certos factos. No mundo dessa época, fazia-se necessário o poder terreno para manter as ideias Cristãs aparte de inúmeras outras teorias e religiões, e para as manter em meio às facções beligerantes. Cumpria a ele formar uma estrutura física; e mesmo assim, ele temia que a estrutura estrangulasse as ideias, mas não viu outro caminho.


Quando a terceira personalidade reemergir em termos históricos, contudo, ele não será chamado de velho Paulo, mas carregará dentro dele as características de todas as três personalidades.


Paulo tentou negar o conhecimento de quem era, até experimentar a conversão. Em termos alegóricos representou uma facção beligerante do Eu que luta contra o próprio conhecimento e se vê orientado de uma maneira altamente concreta. Pareceu ter ido de um extremo ao outro, ao se posicionar contra o Cristo e a seguir a favor dele. Mas a veemência interior esteve sempre presente, o fogo interior, e o reconhecimento que por tanto tempo tentou ocultar.


A dele era a porção que devia lidar com a realidade e a manipulação física, pelo que essas qualidades eram fortes nele. Até certo ponto, elas sobrepuseram-se-lhe. Quando o Cristo histórico “morreu”, cabia ao Paul implementar as ideias espirituais em termos concretos, para lhes dar continuidade. Ao proceder assim, contudo, ele fez crescer as sementes de uma organização que viria a sufocar as ideias. Ele seguiu-se ao Cristo, tal como João Baptista o antecedeu. Juntos, os três atravessaram um certo período de tempo, entendem?

Tanto João como o Cristo histórico desempenharam os seus papéis e sentiram-se satisfeitos por o terem feito. Só Paulo ficou, no final, insatisfeito, e assim será em torno da sua personalidade que o futuro Cristo se formará. 


A entidade de que essas personalidades fazem parte, a entidade a que podeis chamar de Entidade do Cristo, estava ciente de todos esses problemas. As personalidades terrenas não tinham consciência deles, embora em períodos de transe e de exaltação muito lhes tenha sido dado a conhecer.


Paulo representou igualmente a natureza militante (combatente) do homem, que tinha que ser levada em consideração em linha com o desenvolvimento que o homem tinha à época. Essa qualidade militante no homem será alterada por completa na sua natureza e será posta de lado conforme a conheceis quando a próxima personalidade do Cristo emergir. É pois apropriado que o Paulo esteja presente.


No próximo século, a natureza interior do homem, com estes desenvolvimentos, libertar-se-á de muitas restrições que a envolveram. Uma nova era começará de facto – não, bom, um céu na terra, mas um mundo muito mais são e justo, em que o homem terá uma maior consciência da relação que tem com o planeta e da liberdade que tem no tempo.


Gostaria de clarificar alguns pontos. A “nova religião” que se seguirá à “Segunda Vinda” não será Cristã nos vossos termos, embora a terceira personalidade do Cristo lhe dê início.

Essa personalidade fará referência ao Cristo histórico, e reconhecerá a relação que tem com essa personalidade; mas nele os agrupamentos das três personalidades formarão uma nova entidade psíquica, uma gestalt psicológica diferente. À medida que essa metamorfose tiver lugar, dará início igualmente a uma metamorfose ao nível humano, à medida que as capacidades interiores do homem forem aceites e desenvolvidas.


Os resultados assentarão num tipo de existência diferente. Muitos dos vossos problemas agora resultam da ignorância espiritual. Nenhum homem depreciará um indivíduo de uma outra raça quando ele próprio reconhecer que a sua própria existência inclui o saber que faz igualmente parte dela.


Nenhum sexo será considerado melhor nem pior, ou papel na sociedade, quando cada um tiver consciência da própria experiência que tem em muitos níveis e papéis da sociedade. Uma consciência aberta sentirá as ligações que tem com os outros seres vivos. A continuidade da consciência tornar-se-á evidente. Em resultado de tudo isso as estruturas governamentais e sociais mudarão, por estarem baseadas nas actuais crenças.


A personalidade humana colherá benefícios que agora parecerão inacreditáveis. Uma consciência aberta implicará uma liberdade muito maior. A partir do berço, as crianças serão ensinadas que a identidade básica não depende do corpo, e que o tempo conforme o concebeis é uma ilusão. A criança terá consciência de muitas das suas existências passadas, e será capaz de identificar-se com o velho ou velha em que nos vossos termos, se tornará.

Muitas das lições que “sobrevêm com a idade”, estarão ao dispor do jovem, mas o velho não perderá a elasticidade espiritual da sua juventude. Isso por si só é importante. Mas por algum tempo, as encarnações deverão permanecer ocultas por razões práticas.


À medida que essas mudanças sucederem, novas áreas serão activadas no cérebro para tomarem conta deles em termos físicos. Em termos físicos, pois, o mapeamento do cérebro tornar-se-á possível em que memórias de vidas passadas serão evocadas. Todas essas alterações constituem mudanças espirituais em que o sentido da religião irá além dos limites das organizações e se tornarão uma parte viva da existência individual, e em que molduras psíquicas em vez de físicas formarão as fundações da civilização.


A experiência do homem será de tal modo ampla que para vós a espécie parecerá ter-se tornado numa outra. Isso não significa que não haja problemas. Significa que o homem disporá de muito mais vastos recursos ao seu comando. Também pressupõe uma estrutura social muito mais rica e diversificada. Os homens e as mulheres vão relacionar-se com os seus irmãos, não só como aqueles que são como aqueles que eles foram.


Relacionamentos familiares apresentarão talvez as maiores alterações. Haverá lugar às interacções emocionais na família que agora parecerão impossíveis. A mente consciente tornar-se-á mais ciente de material inconsciente.


Eu estou a incluir esta informação sobre a religião neste capítulo por ser importante que compreendais que a ignorância espiritual se acha na base de muitos dos vossos problemas, e que de facto as vossas únicas limitações são de natureza espiritual.

A metamorfose mencionada antes da parte da terceira personalidade, terá uma tal força e poder que fará surgir na humanidade essas mesmas qualidades a partir do seu íntimo. As qualidades terão estado sempre presentes. Irão finalmente romper os véus da percepção, e estender essa percepção em novos sentidos.


Agora, à humanidade falta-lhe um enfoque desses. A terceira personalidade representará esse enfoque. Não haverá, a propósito, crucificação nenhuma nesse drama. Essa personalidade será efectivamente multidimensional e terá consciência de todas as suas encarnações. Não se orientará em termos de sexo, uma cor nem uma raça.


Pela primeira vez, portanto, romperá com os conceitos terrenos da personalidade, e libertá-la-á. Terá a capacidade de revelar essa diversidade de efeitos à sua vontade. Haverá muitos que terão medo de aceitar a natureza da sua própria realidade, ou que lhes sejam reveladas as dimensões da verdadeira identidade.


Por diversas razões, conforme foi mencionado pela Jane, não pretendo fornecer informações mais detalhadas quanto ao nome que será assumido, nem ao país de nascença. Demasiados poderão ser tentados a saltar para essa imagem prematuramente.

Os acontecimentos não são predestinados. A estrutura para esse advento, contudo, já foi estabelecido, no vosso sistema de probabilidades. O surgimento dessa terceira personalidade afectará directamente o drama original histórico do Cristo conforme é conhecido. Existem e deverão dar-se interacções entre eles.


Os dramas religiosos externos constituem é claro representações imperfeitas de realidades espirituais interiores em constante desdobramento. Os vários personagens, os deuses e profetas das histórias religiosas – esses absorvem as projecções interiores das massas, que são emitidas por aqueles que habitam um determinado período.


Tais dramas religiosos focarão, directa, esperamos, aspectos inequívocos da realidade interior que precisam ser fisicamente representados. Eles não só surgem no vosso próprio sistema. Muitos são igualmente projectados noutros sistemas da realidade. A religião, por si só, contudo, representa sempre a fachada externa da realidade interior. Só a existência espiritual primordial dá significado à física. Nos termos mais reais, a religião deveria incluir todas as actividades do homem na busca que empreende pela natureza do significado e da verdade. A espiritualidade não pode representar uma actividade isolada especializada ou característica dela.


Os dramas religiosos externos são válidos apenas na medida em que fielmente reflectem a natureza da existência espiritual privada e interior. Na medida em que um homem sentir que a sua religião dá expressão a tal experiência interior, senti-la-á válida. A maioria das religiões por si só, contudo, estabelecem uma permissividade para com certos grupos de experiências enquanto nega outras. Elas limitam-se ao aplicarem os princípios da sacralidade da vida apenas à sua própria espécie, e muitas vezes a grupos altamente limitados dela.


Jamais uma igreja qualquer será capaz de expressar a experiência interior de todos os indivíduos. Jamais qualquer igreja em concreto estará em posição de poder restringir as experiências interiores dos seus membros – apenas parecerá faze-lo. As experiências proibidas serão simplesmente expressadas inconscientemente, para obterem força e vitalidade, e voltarão a erguer-se para formar uma projecção contrária que por sua vez dará forma a outro drama religioso novo.


Os próprios dramas expressam certas realidades interiores, e prestam-se como lembretes superficiais para aqueles que não confiam na experiência directa com o Eu interior. Eles aceitarão os símbolos com uma realidade. Quando descobrem que isso não corresponde à verdade, sentem-se traídos. Cristo falou em termos de pai e filho por nos vossos termos da época, esse ser o método empregue – a história que utilizou para explicar a relação existente entre o Eu interior e o indivíduo físico vivo. Nenhuma nova religião surpreende realmente ninguém, por o drama já ter sido encenado ao nível subjectivo.


O que eu disse, é claro, aplica-se tanto ao Buda quanto se aplica ao Cristo: ambos aceitaram as projecções interiores e a seguir procuraram representá-las em termos físicos. Contudo, eram mais do que a soma dessas projecções. Isso também devia ser entendido. O islamismo ficou muito aquém. Nesse caso, as projecções foram de uma violência predominante. O amor e o parentesco foram secundários em relação ao que de facto se converteu no baptismo e na comunhão por meio da violência e do sangue.


Nesses dramas externos contínuos, os Hebreus desempenharam um estranho papel. A ideia de um deus não era nova para eles. Muitas religiões antigas sustentavam a crença em um deus acima de todos os demais. Esse deus que estava acima de todos os outros, contudo, era um deus muito mais tolerante, do que aquele seguido pelos Hebreus. Muitas tribos acreditavam, e com toda a justiça, no Espírito interior que permeia toda a coisa vivente, e frequentemente referiam-se, digamos, ao deus da árvore, ou ao espírito na flor. Mas também aceitavam a realidade de um espírito superior, de que esses espíritos menores faziam parte. Todos trabalhavam juntos em harmonia.


Os Hebreus concebiam um deus supervisor, um deus irado e justo e por vezes cruel; e muitas seitas negavam, pois, a ideia de que outros seres vivos para além do homem possuíssem um espírito interior. As primeiras crenças representavam uma muito melhor representação da realidade interior, em que o homem, ao observar a natureza, deixava que ela falasse e revelasse os seus segredos.


O deus Hebreu, todavia, representava uma projecção de um tipo muito distinto. O homem tornava-se cada vez mais consciente do ego, e de um sentido de poder sobre a natureza, e muitos dos milagres tardios são representados de um tal modo que a natureza é forçada a portar-se de modo diferente daquele que normalmente usa. Deus torna-se aliado do homem contra a natureza.


O deus Hebreu inicial tornou-se num símbolo do ego desenfreado do homem. Deus comportou-se exactamente como uma criança enfurecida se portaria, caso dispusesse de tais poderes, enviando trovões e relâmpagos e fogo contra os seus inimigos para os destruir. O ego emergente do homem trouxe-lhe, pois, problemas e desafios de ordem emocional e psicológica. O sentido de separação da natureza aumentou e a natureza tornou-se num instrumento a ser utilizada contra os outros.


Algum tempo antes da emergência do deus Hebraico essas tendências tornaram-se aparentes. Em muitas religiões tribais antigas, agora esquecidas, recorria-se aos deuses com oferendas para ele voltar a natureza contra o inimigo. Antes desse tempo, contudo, o homem sentiu ser parte da natureza, e não separado dela. Era encarada como uma extensão do seu ser, conforme el se sentia uma extensão da sua realidade. E sob esse ponto de vista, não podemos usar-nos a nós mesmos contra nós próprios.


Nesses tempos o homem falava e confiava no espírito das aves, das árvores, das aranhas, sabendo que subjacente à realidade interior a natureza e tais comunicações era conhecida e compreendida. Nesses tempos, a morte não era temida conforme o é nos vossos termos, agora, por compreenderem o ciclo da consciência.


De uma certa forma o homem desejava sair fora de si próprio, fora da estrutura em que tinha a sua existência psicológica, para tentar novos desafios, passar de um modo de consciência para outro diferente. Ele pretendia estudar o processo da sua própria consciência. De certo modo isso significava uma separação descomunal da espontaneidade interior que lhe tinha fornecido tanto paz quanto segurança. Por outro lado, proporcionava-lhe uma nova criatividade, nos seus termos.


Por essa altura, o deus interior tornou-se no deus exterior.

O homem tentou formar um novo reino, atingir um tipo diferente de foco e de consciência. A sua consciência voltou-se para fora de si. Para conseguir isso concentrou-se cada vez menos na realidade interna, e consequentemente começou o processo da realidade interior somente como projecção no mundo físico exterior.


Antes, o ambiente era criado sem esforço e percebido pelo homem e por todas as outras coisas vivas, com conhecimento da natureza da sua unidade interior. Para poder dar início a essa sua nova aventura, fazia-se necessário fingir que essa realidade interior não existia. De outro modo o novo tipo de consciência regressaria sempre de volta ao seu âmbito em busca de segurança e de conforto. Assim, parecia que todas as pontes precisavam ser cortadas, enquanto isso, é claro, não passava de um jogo, por a realidade interior sempre se manteve. O novo tipo de consciência precisava simplesmente de desviar o olhar dela para poder inicialmente manter um foco independente.


Estou aqui a falar-vos em termos mais ou menos históricos. Todavia, precisais entender que o processo nada tem que ver com o tempo conforme o conheceis. Esse tipo particular de aventura na consciência tinha acontecido antes, e nos vossos termos acontecerá de novo.


A percepção do universo exterior passou a ser alterada, contudo, e pareceu estranha a separada do indivíduo que o percebia.


Deus, portanto, tornou-se numa ideia projectada no exterior, independente do indivíduo e divorciado da natureza. Tornou-se no reflexo do ego emergente do homem, em todo o seu brilho, selvageria, poder, e intenção de domínio. A aventura foi uma altamente criativa a despeito das desvantagens óbvias, e representou uma “evolução” da consciência que enriqueceu a experiência subjectiva do homem, e de facto contribuiu para as dimensões da própria realidade.


Para se tornar efectivamente organizado, contudo, tanto a experiência interior como a exterior tinham que parecer acontecimentos desconexos e separados. Historicamente, as características de Deus mudaram à medida que o ego do homem mudava. Contudo, essas características do ego, eram apoiadas por poderosas alterações interiores.


A propulsão original das características interiores para fora para a formação do ego podia ser comparada ao nascimento de inúmeras estrelas – um evento de incontáveis consequências que tinha tido origem num nível subjectivo e numa realidade interior.


Por consequência, o ego, tendo tido nascido dentro, precisa sempre orgulhar-se da sua independência enquanto mantém a insistente certeza da sua origem interior.


O ego temeu pela sua posição, assustado com a possibilidade de poder dissolver-se de novo no Eu interior de que tinha brotado. No entanto, ao emergir, forneceu ao Eu interior um novo tipo de retroalimentação, uma diferente perspectiva não só de si só; mas trouxe-lhe mais, facultou-lhe a capacidade de vislumbrar possibilidades de desenvolvimento de que não tivera noção antes. Nos vossos termos, lá pelo tempo de Cristo, o ego estava suficientemente seguro da posição que ocupava pelo que a imagem projectada de Deus podia começar a sofrer mudanças.


O Eu interior encontra-se num estado de crescimento constante. A porção íntima de todo homem, pois, projectou esse conhecimento no exterior. A necessidade, a necessidade psicológica e espiritual da espécie, exigiu alterações tanto interiores como exteriores de grande importância. Qualidades de misericórdia e de compreensão que tinham permanecido soterradas podiam agora vir à superfície. E elas surgiram não só a nível privado mas em massa, adicionando um novo ímpeto e conferindo uma “novo” rumo natural – ao começar a convocar todas as porções do Eu, conforme as conhecia.


O conceito de Deus começou a mudar à medida que o ego reconhecia a dependência que tinha da realidade interior, mas o drama precisava ser trabalhado no enquadramento da altura. O Islamismo era basicamente tão violento devido precisamente ao facto do Cristianismo ser suave. Não que o Cristianismo não tivesse violência à mistura, ou o Islamismo fosse destituído de amor. Mas à medida que a psique passou pelos seus desenvolvimentos e batalhou consigo própria, negando alguns sentimentos e características para realçar outras, também o drama histórico exterior representou e seguiu as aspirações e lutas e buscas interiores.


Todo este material agora fornecido precisa ser levado em linha de conta juntamente com o facto de que por debaixo de tais desenvolvimentos existem aspectos eternos e características criativas de uma força que tem tanto de inegável quanto de íntima. Por outras palavras, Tudo Quanto Existe, representa a realidade a partir da qual todos nós brotamos. Tudo Quanto Existe, pela sua própria natureza, transcende todas as dimensões da actividade, da consciência, da realidade, ao mesmo tempo que faz parte de cada uma delas.


Por detrás de todos os rostos há uma face, mas isso não quer dizer que a face de cada um não seja sua. O drama religioso posterior de que falei, nos vossos termos ainda por suceder, representa uma outra fase nos dramas tanto interior como exterior em que o ego emergente toma consciência de grande parte da sua herança. Enquanto preserva a sua própria situação, será capaz de um maior intercâmbio com outras porções do Eu, assim como de proporcionar ao Eu interior oportunidades de consciência que o Eu interior por si só não conseguiria obter.


Por isso, as jornadas de desenvolvimento dos deuses, representam as jornadas da própria consciência do homem projectadas no exterior. No entanto, Tudo Quanto Existe, acha-se contido em cada uma dessas aventuras. A sua consciência, e a sua realidade acha-se em cada homem e nos deuses que ele (homem) criou.


Os deuses, é claro, alcançam uma realidade psíquica. Não estou por isso a dizer que eles não sejam reais, mas em certa medida a definir a natureza da sua realidade. É, em certa medida, verdadeiro dizer: “Tenham cuidado com os deuses que escolhem, porque vós vos reforçais uns aos outros”.


Uma aliança dessas estabelece certos campos de atracção. Um homem que se apegue a um dos deuses está necessariamente a apegar-se em larga escala às suas próprias projecções. Algumas, nos vossos termos, são criativas, e outras destrutivas, apesar dos últimos raramente serem reconhecidas como tal.


O conceito aberto do Tudo Quanto Existe, contudo, liberta-vos em grande medida das vossas próprias projecções, e permite-vos um contacto mais válido com o espírito que se acha por detrás da realidade que conheceis.


Neste capítulo gostaria igualmente de mencionar vários outros pontos pertinentes.


Algumas histórias antigas chegaram a perdurar ao longo dos séculos que fazem narrativas de vários deuses e demónios que por assim dizer guardam os portões de outros níveis e estágios da consciência. E definem e enumeram e classificam níveis astrais.



Há testes a passar antes de terem acesso. Há rituais a ser encenados. Agora, tudo isso é altamente distorcido e qualquer tentativa para expressar a realidade interna com rigor e precisão está fadado a abortar, a revelar-se altamente enganador e nos vossos termos, por vezes perigoso; por criardes a vossa própria realidade e a viverdes de acordo com as crenças íntimas que tendes. Por isso, tende igualmente cuidado com as crenças que aceitais.


Permiti que aproveite a oportunidade para declarar uma vez mais que não existem demónios nem diabos, excepto os que vós criais com base nas crenças que tendes. Conforme mencionado anteriormente, os efeitos bons e maus constituem basicamente ilusões. Nos vossos termos, todos os actos, independentemente da sua natureza aparente, são uma parte de um bem maior. Não estou a dizer que um fim bom justifique o que consideraríeis uma má acção. Enquanto aceitardes os efeitos do bem e do mal, então é preferível que escolhais o bem.

Eu estou a explicar isto da forma mais simples possível. As palavras que emprego apresentam profundas implicações, contudo. Os contrários só têm validade no vosso sistema de realidade. Eles fazem parte do vosso sistema de pressupostos de raiz, e assim precisais lidar com eles enquanto tais.


No entanto, representam profundas unidades que não compreendeis. A concepção que fazeis de bem e de mal resulta em grande parte do tipo de consciência que presentemente adoptais. Não percebeis totalidades mas porções, somente. A mente consciente foca-se com uma luz rápida, limitada mas intensa, percebendo com base num campo limitado de realidade apenas certos “estímulos” que a seguir passa a reunir, de modo que forma o elo da similitude. Tudo o que não aceitar como uma porção da realidade, não percebe.


O efeito dos contrários resulta, pois, de uma falta de percepção. Dado que precisais operar no mundo conforme o percebeis, então os contrários terão que parecer constituir condições da existência. Esses elementos foram isolados por uma certa razão, contudo. Vós estais a ser ensinados e estais a ensinar a vós próprios o modo de manipular a energia, para vos tornardes co-criadores conscientes com o Tudo Quanto É, e um dos “estágios do desenvolvimento” dos processos de aprendizagem inclui o trato com os contrários como uma realidade.


Nos vossos termos, as ideias de bem e mal ajudam-vos a reconhecer o sagrado da existência, a responsabilidade da consciência. As ideias dos contrários também representam directrizes necessárias para o ego em desenvolvimento. O Eu interior conhece muito bem a unidade que existe.


Em qualquer período histórico, um drama religioso pode finalmente emergir como a representação externa, mas deverão haver também muitos dramas menores, “projecções” que não assumem por completo. Esses representam, é claro, eventos prováveis. Qualquer deles podia suplantar o drama exterior real. No tempo de Cristo houveram muitos desempenhos que tais, já que muitas personalidades sentiram a força da realidade interior e reagiram-lhe.


Existiram Cristos prováveis, por outras palavras, vivos nos vossos termos, por essa altura. Por diversas razões em que não entrarei aqui, essas projecções não espelharam eventos interiores de modo suficientemente fiel. Existia, contudo, um grupo de homens na mesma área generalizada física, que responderam ao clima psíquico interior e que sentiram em si próprios a atracção e a responsabilidade do herói religioso.


Alguns deles estavam demasiado imbuídos, demasiado presos no tormento e fervor do período para se erguerem o suficiente acima dele. As culturas serviram-se deles. Não foram capazes de utilizar as diversas culturas como ponto de partida para novas ideias. Em vez disso tornaram-se perdidos na história dos tempos.


Alguns prosseguiram seguindo o mesmo padrão assumido pelo Cristo, desempenharam façanhas psíquicas e curas, tiveram grupos de seguidores, mas ainda assim não foram capazes de manter esse poderoso enfoque de atenção psíquica que se fazia tão necessário.



O Mestre da Rectidão, conforme o chamavam, era um indivíduo assim, mas a sua natureza excessivamente zelosa reteve-lhe o progresso. A rigidez que manifestava impediu-lhe a espontaneidade necessária para a implementação de qualquer grande religião. Em vez disso, caiu na armadilha do provincianismo. Tivesse ele desempenhado o papel possível e poderia ter beneficiado Paulo. Ele era uma personalidade provável da porção do Paulo da entidade do Cristo.


Esses homens tinham uma compreensão inata da parte que lhes cabia nesse drama, assim com da posição que tinham no Tudo Quanto É. Eram todos altamente dotados ao nível clarividente e telepático, e dados a visões e a escutar vozes.


Nos sonhos que tinham achavam-se em contacto. Conscientemente, Paulo recordou muitos desses sonhos, até se sentir perseguido pelo Cristo. Foi devido a uma série de sonhos recorrentes que Paulo perseguiu os Cristãos. Ele sentiu que o cristo era uma espécie de demónio que o perseguia durante o sono.



No nível inconsciente, contudo, ele conhecia o significado dos sonhos, e a “conversão” que atravessou, claro está, constituiu simplesmente um evento físico que se seguiu a uma experiência interior.


João Baptista, Cristo e Paulo estavam todos em contacto no estado de sonho, e o João estava perfeitamente ciente da existência do cristo antes de o Cristo nascer.


Paulo necessitava da força egoísta por causa dos deveres particulares que lhe cabiam. Ele estava muito menos consciente ao nível consciente do papel que lhe cabia por tal razão. O conhecimento interior, é claro, explodiu na experiência física de conversão que teve.



Bom, para responder à pergunta que Ruburt (Jane) lançou, o nascimento ocorrerá no período que foi avançado, quando chegar o tempo definido (por volta do ano 2075). As outras mudanças dar-se-ão no período de um século, mas os resultados evidenciar-se-ão muito antes dessa altura. Devido à natureza plástica do tempo, para falar nos vossos termos, a data não pode ser considerada definitiva. No entanto, todas as probabilidades apontam nessa direcção, por o impulso interno estar já a moldar os acontecimentos.



Quanto à morte do Mestre da Rectidão (Senhor da Justiça), bom o nome atribuído está correcto, apesar de constituir uma tradução. Morreu junto com um pequeno grupo de homens em uma caverna em que se tinha refugiado em meio a uma batalha, assassinado pelos membros de uma outra seita. Os assassinos levaram certos manuscritos que encontraram ali; mas existiam mais que não encontraram e que ainda não vieram à luz. O último local em que se refugiou achava-se perto de Damasco. Durante algum tempo, o Mestre da Rectidão procurou esconder-se na cidade. Não obstante, a sua identidade foi descoberta, e ele retirou-se com um agrupamento de homens para umas cavernas que se situavam entre Damasco e uma outra cidade próxima, muito mais pequena, que tinha sido utilizada em certa altura como uma fortaleza. Dirigiam-se para lá.



(Nota do tradutor: Importante será referir que sobre este tema do Mestre da Rectidão, John, a entidade que é canalizada por Kevin Ryerson, também refere em edição publicada em 1986, que o Mestre de Justiça viveu antes do Cristo uns cem anos, e que também foi um importante líder pertencente à casta dos Essénios que tinha vindo preparar o caminho para Jesus e desenvolver a seita mais secreta dos Essénios, uma das ordens Judias da época. John também mencionou que outros pergaminhos serão descobertos, que revelarão com detalhe o trabalho do Mestre de Rectidão e da profunda compreensão que os Israelitas tinham daquilo que hoje chamamos de saúde holística.)



Uma pequena nota para quantos sintam interesse por isto: A seita dos zelotes também se encontrava dividida em dois grupos principais, tendo-se um por fim dividido do outro principal. Outros documentos serão descobertos que esclarecerão questões de importância respeitantes aos tempos históricos. Durante o seu curto período de vida, Paulo juntou-se a um grupo Zelote. Isso não é do conhecimento público, por não ter sido registado. Na verdade, durante um certo tempo ele levou uma vida dupla como membro dos Zelotas. Depois voltou-se contra eles com veemência; contudo, conforme mais tarde viria a voltar-se contra os Romanos para se juntar aos Cristãos. Antes da sua conversão, ele sabia ter um objectivo e uma missão, e atirou-se com toda a paixão que tinha a todas as respostas que pensava ter descoberto.

In Capítulo 21 Seth Speaks

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“...Ora bem; a mensagem dada pela entidade do Cristo foi, em termos religiosos: “Vós sois filhos de Deus – tanto o pecador como santo.” Na verdade, de acordo com a tese do Cristo original, embora um homem possa pecar, nenhum homem deve ser identificado como pecador. Ele não foi identificado com as suas falhas nem limitações mas com o seu potencial, ao invés.



A entidade do Cristo conhecia a vitalidade, o poder e a resistência dos mitos. A vitalidade dá lugar a diferentes significados, claro está, e ao longo do desenvolvimento em mudança do homem ele interpreta os mitos de forma diferente, contudo prestam-se a encerrar o conhecimento intuitivo.



A tese do Cristo foi inserida na tradição Judia que lidava profundamente com a culpa, e a nova tese destinava-se a moderar essa tradição, e a estender-se para além dela. Em vez disso, enquanto carregava a crença no potencial do homem, o Cristianismo sufocou a tese debaixo da pilha de escória da velha noção de culpa. A culpa pode ser usada para manipular as pessoas, é claro, e é um óptimo instrumento nas mãos do governo, da religião, ou de qualquer vasta organização que pretenda reter o poder de que goza.



O Cristo lidou com mitos, uma vez mais – mitos potentes que representavam realidades interiores. Cristo revestiu essas realidades com histórias coloridas orientadas para a compreensão das pessoas. Utilizo aqui o termo Cristo, como uma pessoa, por uma questão de discurso, por essa entidade se ter estendido a muitas vidas, cada uma delas saltando para um tipo de hiper realidade à medida que com júbilo representava a sua parte no drama religioso.



A mensagem era: “Não vos condeneis nem aos demais,” por o Crista estar bem ciente de que a condenação hipócrita de si mesmo ou dos vizinhos servia para assombrar a porta através da qual o homem poderá perceber o seu potencial e a sua fonte maior.



O conceito Cristão do céu com as suas riquezas, de Deus e da sua generosidade, da fonte da própria natureza – tudo isso nos nossos termos constituía uma estrutura simbólica que descrevia nos termos de contos de fadas os atributos e as características da Estrutura 2.



Nos nossos termos, O Tudo Quanto Existe tem existência na Estrutura 2 assim como em toda a parte, mas a Estrutura 2 representa a fonte da vossa realidade física conhecida. Daí fluem todos os factos conhecidos no vosso mundo. Cristo esperou mostrar-vos que vós sobreviveis à morte física e espiritual – que voltais ao “pai” no céu. Mentes dadas a uma interpretação, em busca de provas evidências probatórias, insistiriam em que o próprio corpo físico devia erguer-se, ascendendo, do que resultaram as histórias relacionadas e a interpretação deformada da informação. “Pedi e recebereis.” Cristo sabia muito bem que tal afirmação era efectivamente verdadeira, mas os homens que se condenavam, e que se consideravam pecadores, não saberiam o que pedir, com excepção de castigo que lhes aliviasse a culpa. Daí que ele tenha realçado uma e outra vez que cada pessoa era filho de Deus.



Ele também realçou a importância de uma crença infantil, sabendo que a mente do adulto estava apta a questionar “Como e quando, e de que modo poderá o pedido ser satisfeito?”



As palavras “Que a tua vontade seja feita,” representavam a compreensão psicológica perfeita, devido a que, de acordo com os ensinamentos de Cristo conforme originalmente dispensados, Deus o Pai representava a fonte ou pai do eu, que era por natureza livre da ignorância do eu ou da falta de compreensão em qualquer altura, e que conheceria melhor do que o eu conhecido aquelas experiências que satisfariam as esperanças do eu, os sonhos e os potenciais.



Dessa forma, com as palavras pronunciadas, “Que a tua vontade seja feita”, o eu podia libertar-se das próprias concepções erróneas, e atrair da Estrutura 2 benefícios que de outro modo podem não ser suficiente conhecidos para pedir. Uma porção de cada pessoa reside na Estrutura 1 e na Estrutura 2. Compreendei que a Estrutura 2 representa a estrutura psíquica ou espiritual, mental. Nos termos mais profundos, claro está, não se trata de lugar nenhum. Será, se o preferirdes, uma paisagem espiritual, de recursos muito mais vastos do que aqueles que conheceis. Ela produz o mundo da vossa experiência nesse mundo, e assim é igualmente a vossa fonte.



 “Que a tua vontade se cumpra” significava “Deixa que eu siga esses ditames mais vastos da minha natureza mais vasta.” Mesmo sem todas as distorções, essa fórmula funcionou durante largos séculos em grande medida. Todavia, Deus, a fonte, era situada no exterior da natureza, e acabou por se tornar demasiado remoto, e a própria história tornou-se gasta nas bordas à medida que o homem tentou limitar verdades intuitivas aos factos objectivos.



Ser filho de Deus significava confiar no vosso próprio valor. Podíeis admitir fracassos, transgressões de um tipo ou de outro sem vos identificardes, digamos, com o fracasso. O filho de Deus encontraria automaticamente a salvação, e toda a gente era filha de Deus. Quando Cristo disse: “Acreditai em mim, que sereis salvos,” ele queria dizer: “Acreditai no relacionamento que tendes com Deus, e que sois Seus filhos, conforme eu sou, e decerto que sereis salvos.” Uma vez mais, ele falou em termos religiosos, por serem os termos da época. Esse conhecimento, todavia, da natureza inata do eu confere literalmente ao indivíduo o apoio interior necessário para o exercício dos plenos potenciais do homem.



Nos termos civis e governamentais, uma tal política não podia ser tolerada – nem sequer o homem aprendeu ainda como lidar com esse princípio básico. É quase automático, por exemplo, rotular um homem de assassino, e identificá-lo com o crime que tenha cometido. A sociedade jamais chegou a um termo com o vasto leque de complicações inerentes aos ensinamentos de Cristo, pelo que os abandonou. A enorme e exuberante espontaneidade do homem jamais foi permitida no seu alcance completo, em resultado.



Vós os dois irritastes-vos com as crenças dos vossos tempos, relativas ao facto do homem ser um agressor natural, maculado desde a nascença, que ele fosse amaldiçoado pela sua própria natureza, condenado pelos antecedentes da primeira infância, pelo pecado original, ou pelos seus genes. Ao mesmo tempo também fostes maculados por essas crenças, e parecestes ver prova delas quando olháveis para vós próprios, ou para fora, para o mundo dos vossos companheiros. Cada pessoa carregou com o peso dessa condenação pessoal. O Ruburt dificilmente é notável pelo facto de apresentar dificuldades físicas e no geral, as vossas vidas e trabalho falam mais pelo potencial da personalidade do que pelas carências dessa personalidade. Estabeleceis por vós próprios o objectivo de pôr de lado todas as crenças e distorções por vós próprios e pelos outros.



Bom; individualmente fostes além das crenças familiares, buscando por vós próprios e experimentando várias rotas. Conseguistes a dificílima proeza, em determinadas condições, de vos encontrar um ao outro de modo que cada um de vós dispusesse de um companheiro que pudesse ajudar-vos nas vossas buscas – e tentastes o melhor que sabíeis encontrar-vos um ao outro.



Todavia, tu ainda te vias atormentado por resquícios de auto reprovação e de auto condenação, mas ainda assim o ser espontâneo em cada um de vós conseguiu pressionar aqui e ali e resplandecer sempre que lhe davam uma oportunidade, com alguns resultados bastante notáveis.



Eu sempre tenho que vos expressar o meu material pessoalmente, exactamente à frente da posição que ocupais (enfatizado) num determinado momento. Contudo, no geral o objectivo principal do material tem estado, é claro, sempre à frente da posição que ocupais, para o referir em termos práticos, seja em que altura for.



Nos termos das vossas vidas, sois capazes de utilizar certas porções do material em diferentes alturas. Ninguém poderia pô-lo todo em ordem de trabalho de uma vez numa dada vida. Depois o Ruburt usou e desfrutou da sua espontaneidade, e desenvolveu-a ao longo das linhas da compreensão que tem. Não é que, como poderá parecer, ele tenha tido algo de espontâneo e o tenha perdido.



A espontaneidade conhece a sua própria ordem, e livremente entra na ordem. Há anos atrás, antes da experiência psíquica, ele não era por exemplo psiquicamente espontâneo em grau nenhum extraordinário. Ele utilizou a escrita para reter e ainda assim conter o conhecimento psíquico inato que tinha. Ele desaprovava a própria dança, e por vezes até mesmo os desejos sexuais. Ora bem, essa reprovação simplesmente foi empilhada, do que resultou dificuldades físicas. Ao longo dos anos começou a aprovar a espontaneidade em mais uma área – a espontaneidade que tinha nas aulas, por exemplo – ou em relação à poesia Sumari, ou no facto de por fim aprovar os seus escritos de carácter psíquico. A reprovação ainda se achava presente, todavia; contudo vez por outra ao  longo dos anos sobreviria um período de alívio, de súbita facilidade e de repentina melhoria física – de cada vez que ele suspendia a auto reprovação, e quando pelas razões que te cabiam a ti começaste a suspender a tua própria.



A situação e a fé que conseguiste alcançar na Estrutura 2 vieram em teu socorro. Os exercícios Omm e os exercícios das runas estão a revelar resultados devido ao facto ed parte do material te tenha surgido de novo a partir das nossas sessões e estardes conjuntamente a suspender a auto reprovação que movíeis. Nos termos religiosos, teríeis percebido ter sido salvos, ou ser filhos de deus. Em certa medida deixastes de vos identificar com quaisquer limitações.



Quando isso acontece, o que de facto declarais em termos simbólicos, é: “Que a tua vontade seja feita,” querendo com isso dizer: “Que a minha natureza maior, a minha natureza espontânea, fluir através de mim sem impedimentos, e sem subterfúgios.” Então, os benefícios da Estrutura 2 podem começar a fluir sem impedimentos. O corpo é capaz de se endireitar, e os métodos que utilizardes, podem operar.



Os olhos do Ruburt têm definitivamente melhorado nestes últimos dias, à medida que a tensão tem vindo a ser aliviada do resto do corpo – da área do pescoço em particular, dos maxilares e dos músculos da fronte. Quase todas as dificuldades oculares estão relacionadas com outras fontes de tensão existentes no corpo.



O Ruburt tem toda a razão: a visão dele tem variado ao longo dos anos, e em períodos de à-vontade mental, de compreensão, e de melhorias físicas, a visão dele também sofre melhorias.



Ambos tornastes-vos extremamente deprimidos, ao pensardes em termos de tempo e ao vos concentrardes nos fracassos do passado, com que vos identificáveis. As notas que o Ruburt  acrescentou ontem são extremamente importantes, e o realce que fez no meu velho “O eu espontâneo constitui o guardião,” e acrescentou-lhe: “De que a vossa própria vida brota.” Podes querer a tua espontaneidade para te expressares a ti próprio, assim como podes querer não o fazer. Diz ao Ruburt que se ele continuar desta maneira, e se ambos vós conseguirdes manter a vossa paz de espírito o suficiente – por um período de dois ou três dias, por exemplo, então podereis esperar recompensas em todas as áreas. As chaves interiores foram usadas uma vez mais.



(“Posso fazer uma pergunta?'')

Podes.



("Isto não vem ao caso, mas o material que apresentaste sobre o Cristo lembrou-me of uma carta que recebemos de uma mulher jovem não faz muito tempo. Ela queria saber o que terá realmente acontecido ao cristo, se ele terá sido crucificado.“)



Dá-nos um momento... Essa pergunta, no contexto mais alargado é muito difícil de responder.



(De olhos fechados:) Existiram vários indivíduos que juntos representaram as façanhas narradas na história do Cristo – façanhas que ocorreram num período aproximado de 33 anos conforme atribuído (à vida de Cristo) um homem foi crucificado, mas não foi um dos que compôs a entidade do cristo. Entendeis das histórias que chegaram até vós as elaborações e meias-verdades que as pessoas se convencem que sejam uma verdade. Nenhum daqueles que compuseram a entidade foi crucificado. Cada um deles morreu – um, segundo creio, na Índia. As pessoas não compreendem que os seus sonhos se tornam numa realidade, e que os grandes dramas da história e do mito muitas vezes apresentam muito pouca semelhança com as ocorrências actuais, mas são maiores do que os eventos físicos.



DELETED SESSION JANUARY 9, 1978 9:33 PM MONDAY



...Contudo, a lenda do Cristo é de uma grande importância, e é intrinsecamente verdadeira. Isso não quer dizer que esteja baseada em factos históricos. De vários modos, é mais verdadeira do que os factos históricos, por o próprio homem ter criado aquilo que não lhe tinha sido fornecido. A criação, no entanto, aconteceu em termos bastante reais, e faz parte do reconhecimento íntimo que a humanidade faz das pirâmides gestalt de que falei. Isso foi o mais perto que o homem na sua imaginação pode chegar do que é, e não tem qualquer inconveniente. A ideia básica por detrás do Natal é definitivamente importante, quer o intelecto seja ou não capaz de perceber o seu significado. Agora, psicologicamente quando muito isso é benéfico, por actuar contra os sentimentos de desespero que pode eclodir durante a estação do Inverno. Ao recordar ao homem o nascimento e a ressurreição sugere a capacidade inata da raça de transcender o tempo e o espaço físicos.



O sair de si mesmo que se acha envolvido constitui uma excelente terapia, e uma terapia que faz bem aos demais, tanto quanto ao próprio que está envolvido. Contudo, isso envolve muito mais. Falando em termos culturais, há uma forte ligação com as instituições pagãs, profunda e significativa que encontraram novas e mais alargadas expressões. O personagem do Cristo conforme é retractado é um retracto excelente, uma vez que realça qualidades específicas humanas ao contrário de masculinas. Ou deverei dizer que realçou qualidades humanas mais do que aquelas infelizmente consideradas como qualidades masculinas. Realçou as melhores qualidades da raça no seu todo. A personalidade do Cristo constitui uma idealização e uma pista para a entidade de que cada personalidade individual é composta. No que diz respeito à oração, embora perceba que nenhum de vós ora nesses termos, de facto há alguém que escuta. O ser que ora escuta, e procede aos ajustamentos e melhoramentos necessários. Por os indivíduo fazer parte do Todo, e por isso partilhar das capacidades das gestalts psíquicas de que falamos de forma esquemática.

Early Sessions Book 5




“...Bom; no ecrã do vosso televisor viram esta noite uma catraia (num pais Europeu). Ela afirmou que tinha pedido, numa oração, por uma prova da existência de Deus. Passado algum tempo deu-se um terramoto (na Roménia), e a criança estava atemorizada pela possibilidade de o ter causado. Ela estava convencida de que Deus tinha respondido daquele modo à sua oração.



Devido às crenças religiosas, a criança esperava que Deus mostrasse o seu poder por meio de algum acto desastroso que punisse os pecadores. A vida dessa criança já carrega a marca das crenças que tem acerca da religião, de Deus, do poder, e principalmente da crença de que a natureza constitua um instrumento nas mãos de Deus – a ser usado em qualquer altura contra o homem.



Quando a consciência se exterioriza excessivamente e deixa de se identificar vivamente com a natureza, deixa de se identificar adequadamente com a natureza interior das suas próprias acções. As nossas próprias acções parecerão por conseguinte exteriorizadas, ou separadas da consciência, tal como as árvores ou as rochas parecem ser. A consciência exteriorizada sempre encarará tal evento como um terramoto ao perceber unicamente os resultados imediatos e por vezes trágicos. Tais resultados parecerão insignificantes e caóticos. O homem apanhado num tal evento, questionará: “Por que razão me deveria isto acontecer?”



Os religiosos seguidores das convenções terão a certeza de que o terramoto constitui um castigo dos pecados. O cientista encarará o caso como relativamente neutro – porém, um evento em que certamente o homem constitui um peão, preso por acaso numa catástrofe, que em caso contrário certamente poderia evitar. O terramoto constitui uma catástrofe natural de massas, parecendo perpetrada sobre o homem e as suas cidades por uma Terra que certamente não leva o homem ou a sua civilização em consideração.



Eventos trágicos de carácter privado parecem num contexto menor ocorrer sem o conhecimento do homem ou sem o seu consentimento. A consciência excessivamente exteriorizada ter-se-á apartado de modo a deixar de perceber a ordem interna dos acontecimentos. O mundo com as suas guerras ou desastres, as suas doenças ou pobreza, as suas tragédias de carácter privado ou de massas, parecerá ser imposto ao homem ou ocorrer – uma vez mais, sem o seu consentimento.



A identificação emocional com a natureza significou que o homem dispunha de uma realidade emocional pessoal muito mais vasta e mais rica. O amor pela natureza, e a valorização, aceleraram e utilizaram faculdades interiores biológicas, igualmente possuídas pelas plantas e os animais, de modo que o homem seria mais consciente da parte que desempenhava na natureza. Ele identificou-se com eventos naturais. No vosso tempo torna-se quase impossível descrever a realidade do homem quando ele tinha consciência de que ia morrer e no entanto não ia, e quando ele se viu por toda a parte rodeado por esses estímulos interiores da sua psique.



Esses estímulos assemelhavam-se na sua experiência àqueles estímulos físicos do mundo, de modo que os dois tipos de experiência se enriqueciam constantemente un ao outro. Então, o homem compreendeu que ele formava a sua própria realidade em todos os seus aspectos, tanto a título privado como em massa, e nos termos dos eventos terrenos naturais, assim como por exemplo, os acontecimentos que se davam na sua sociedade. Não podem evidentemente, num dado momento, limitar o vosso mundo ao mundo dos factos, embora possam tentá-lo. A experiência que essa pequena teve com o terramoto, e as crenças que tinha em relação a ele, pouco têm que ver com os factos simples envolvidos. Em vez disso ela está a lidar com o seu mundo interior de mitos.



Os mitos são muito mais poderosos do que quaisquer factos, e carregam em si a grande influência da própria força emocional da natureza conforme ela é interpretada por meio da experiência do homem. Decerto que os factos no vosso mundo parecerão prováveis. Os mitos são geralmente considerados factos distorcidos, interpretados por mentes primitivas, ou o resultado de actos criativos da imaginação. Esse poder é pouco compreendido, e muito menos as suas razões.



Quando o homem se identificou com a grandiosidade ou a energia da natureza, então conhecia as razões da natureza, por serem igualmente as suas. Ele sabia que a sua morte, a sua morte pessoal, consistia apenas numa transição, por a identificação que fazia lhe permitir sentir a mobilidade da sua própria consciência, e lhe permitir ter um sentido de comunhão com as estações e a permanente renovação das plantas e dos campos. Ele não buscava uma razão para os aspectos destrutivos da natureza, por conhecer por meio da experiência o enorme alcance da sua vitalidade. Sabia que nenhuns Deuses enviavam qualquer castigo.



O conhecimento interior acha-se por detrás de todos os mitos. É dito que precisa haver alguma coisa, sem dúvida, quanto à história do Cristo, já que a civilização sofreu tais alterações. E durante mil novecentos e setenta e oito anos o Cristianismo floresceu de uma forma ou de outra. Durante um tempo alimentou tanto as artes quanto a vida política. Povoou o mundo do homem com santos, pecadores,, sacerdotes,  povoou um espaço com um Deus, uma legião de anjos, e um diabo com a sua corte – de modo que o Cristianismo tem que estar baseado no facto.



Quando as pessoas afirmam isso, claro está que querem dizer que o facto constitua uma verdade e o mito uma falsidade. Se eu afirmar ter existido muito pouca base factual para os começos do Cristianismo, então as pessoas interpretarão isso como querendo dizer que a realidade do Cristo não tenha tido qualquer base de verdade. Mas não é isso que estou a afirmar. Existiram outras religiões noutras épocas que exerceram um domínio sobre as civilizações durante períodos muito mais longos. Deram-se mudanças, mas em geral, as religiões dos Egípcios e dos antigos Gregos constituem casos desses. A longevidade dessas religiões e dos seus efeitos que tiveram sobre essas civilizações antigas decerto que não são consideradas pelo “homem moderno” como prova daquelas religiões que tiveram uma base de facto. Em vez disso, são consideradas como mitos, histórias pagãs. Esses povos consideravam os seus Deuses como bastante reais, e que tinham uma base nos factos históricos. Essas religiões exerceram tal efeito sobre as suas culturas quanto o Cristianismo exerceu sobre a vossa.



Os primeiros Deuses deram início ao processo exterior da consciência do homem, de modo que as porções da natureza com que não mais se identificava foram gradualmente idolatradas, e situadas fora de si próprio. Eu disse-vos que os vossos hábitos físicos de percepção são adquiridos, e que o mundo pode efectivamente ser reunido por formas diferentes. Mesmo tais alucinações vos darão pistas disso.



De início, pois, os homens percebiam os Deuses em termos físicos. Contudo, essas percepções diferiam do que pensais sejam as habituais. Eles apareciam e desapareciam conforme os homens podiam entender, e a seguir deixavam de perceber essas realidades internas. Essas realidades internas eram “reais”. Eram o que poderão designar por personagens vitais que reagiam, nascidas das emoções da criatividade. Talvez as pudessem comparar ao equivalente natural psíquico ou emocional, ao equivalente psicológico, das nuvens da natureza, do sol, das tempestades, ou das estações.



Elas são igualmente reais na paisagem emocional da psique humana, como os elementos de um quadro representativo do céu são, acima do seu planeta. Os mitos sempre entram e saem do contexto histórico, tal como os sonhos estão relacionados com a vida diária. Geralmente os mitos incluem, pois, certos “factos prováveis,” quer inerentes às pessoas que historicamente os tenham vivido, ou em termos de locais ou de acontecimentos físicos de um tipo físico. Esses habitualmente são considerados como prova de que o mito constitui um facto.



O entrelaçado que a “realidade do sonho” forma com o mundo dos factos, todavia, é precisamente o que faz com que o começo o mito tenha início, para começar, e constitui a fonte do seu enorme poder, por combinar as duas realidades numa idealização suficientemente poderosa para mudar as civilizações com a sua vitalidade renovada, e literalmente redefinir o curso do homem. O facto por si só jamais poderia conseguir tal coisa.



Tanto antes como depois do “tempo de Cristo,” conforme historicamente determinado, haviam alguns indivíduos que alegavam ser o messias. O messias constituía um mito que aguardava por vestes factuais. Muitos foram os indivíduos que tentaram ajustar-se. Agora, de certo modo, faria muito pouca diferença quem tenha recebido as vestes reais – por a realidade mais vasta do sonho ser tão abrangente que viria a ser, quer uma de entre 10 ou 20 vidas que se tenha historicamente reunido para formar o Cristo.



Cristo tentou fazer com que o homem retornasse à natureza. De certo modo, uma vez mais, não havia um único Cristo, para o referir em termos históricos, mas o personagem ou entidade do Cristo constituía a realidade de que todo o Conto dramático emergiu. Cristo, claro está, constituía um nome vulgar. As crucificações constituíam castigos normais. Conflitos entre os sacerdotes e os membros justos da congregação eram frequentes. Muitos indivíduos sonhavam em tornar-se no messias, porém o sonho ultrapassava as fronteiras da identidade Judia, e era muito mais internacional do que qualquer pretenso messias percebia. Algumas das histórias não possuem absolutamente qualquer base de facto, conforme pensam que o facto seja. Outros constituem versões distorcidas de eventos factuais.



Uma das intenções do Cristo, referindo-me aqui à entidade, era a de ensinar ao homem a ver além dos chamados factos da existência; não o de negar o evento físico da morte, mas o de revelar as dimensões mais vastas desse evento, e o surgimento do homem numa nova realidade.



O enorme drama criativo envolvido decorreu ao longo de séculos. Cristo procurou revelar aos homens que se encontrava em toda a parte, mas eles não foram capazes de entender. Ele não queria nenhuma Igreja, mas uma fraternidade interior. Ele não nasceu de virgem nenhuma, nem a sua história física mais factual do que aquela atribuída a Zeus, ou a Apolo, ou aos deuses Egípcios. Contudo, a sua realidade alterou a consciência do homem.



Falando em termos históricos, os antigos compreendiam a psicologia do homem, a sua psique, muito melhor do que vós agora, por estarem bem mais cientes do seu contexto. A identificação que faziam com a natureza deu-lhes o sentido do poder emocional do homem. Eles compreendiam que os sonhos representam uma realidade tão válida quanto a física, e não percebiam os dois mundos de uma forma tão separada. Os deuses dos começos carregavam resquícios dessa grandeza.



Enquanto povo, estão preparados, digamos, para a exploração do mundo físico. Escalam montanhas, mas raramente lhes ocorre que as paisagens internas sejam igualmente reais, ou que constituam, digamos, estruturas psicológicas geralmente despercebidas, tão reais quanto as físicas. São incapazes de ver os seus próprios acontecimentos na inter-relação que têm com os outros. Não compreendem que uma ideia pode com efeito mudar o mundo, a menos que vejam firmemente que a ideia possua uma base de facto.



O cenário interior não é menos real por geralmente não o perceberem. No Enquadramento 2, esse cenário interior constitui a realidade, e é a partir desse mundo que os vossos acontecimentos físicos emergem.



...



SESSÃO APAGADA DE 23 DE JANEIRO DE 1978





Alguns comentários:





Ora bem: Cristo não foi crucificado – razão por que não ressuscitou, nem saiu do túmulo, nem tampouco ascendeu aos céus. Todavia, nos termos do drama bíblico, Cristo foi crucificado.





Ele saiu do túmulo e ascendeu aos céus. Contudo, a ressurreição e a ascensão compõem as duas partes de um evento dramático. Em termos dogmáticos, ressuscitar dos mortos por si só revelou-se claramente insuficiente, por os homens precisarem seguir onde o Cristo conduzia. Não podiam ter um mundo em que os recém-ressuscitados da morte se misturassem com os vivos. Uma existência num reino espiritual precisava seguir uma ressurreição assim.





Ora bem; nos factos históricos, não existiu crucificação nenhuma, nem ressurreição, ou ascensão. Em termos históricos tampouco existiu um Cristo bíblico, cuja vida tenha seguido os detalhes fornecidos. A organização da Igreja constitui um facto histórico, O poder, devoção e energia, a perícia organizacional do Cristianismo, não podem ser contestados. Nem pode ser contestado o facto de o Cristianismo ter estado baseado numa grandiosa visão espiritual e psíquica. Em certa medida, envolveu a reorganização intuitiva das realidades subjectiva, e a seguir, objectiva.





Eu tinha-vos dito, porém, que o mundo dos acontecimentos brota do mundo das ideias. Parece certo que “alguma coisa” tenha ocorrido “naquela época” – e que se conseguissem recuar a esse tempo, e estudar de uma forma invisível o século, descobriríeis o surgimento do Cristianismo. Mas o Cristianismo não nasceu nessa altura. Poder-se-ia dizer que as dores de parto estavam a ocorrer por essa altura, mas o nascimento em si não se deu senão algum tempo mais tarde.





Os pastores judeus representaram a placenta que estava destinada a ser deitada fora, por ter sido a tradição Judia que nutriu a nova religião nos seus estágios iniciais antes do seu nascimento. Cristo, conforme têm conhecimento, constituía um nome vulgar, de modo que quando afirmo ter existido um homem chamado Cristo que esteve envolvido em tais acontecimentos, não quero dizer que tenha sido o Cristo bíblico. A sua vida foi uma daquelas que foram finalmente usadas para compor a imagem composta do Cristo bíblico.





A psique das massas estava à procura de uma mudança, um impulso, um florescer, uma nova organização. A ideia de um redentor dificilmente poderia ser nova, mas antiga em muitas tradições. Tal como declarei antes, essa parte do mundo estava repleta de potenciais messias, autoproclamados profetas, etc., e nesses termos era apenas uma questão de tempo antes dos grandes desejos espirituais e psíquicos do homem iluminar e preencher essa paisagem psicológica, preenchendo os padrões psicológicos preparados com uma nova urgência e objectivo. Havia muitos messias de jogar fora – indivíduos cujas circunstâncias, características, e faculdades quase se afiguravam como as requeridas – que quase satisfaziam o modelo psíquico, mas que não se enquadravam por outras razões: por pertencerem à raça errada, ou por o seu tempo ter passado. A intersecção que faziam no tempo e no espaço não engrenava nos requisitos.





Precisam compreender a longa trilha da realidade psicológica que existe antes de terem um acontecimento físico. Precisam compreender a necessidade do homem e a capacidade que tem de satisfação, dramatização, e criatividade psíquica.





Não existe nada que tenha acontecido nesses tempos que não aconteça agora no vosso próprio: Tendes inúmeros gurus, indivíduos que aparentemente realizam milagres (e alguns conseguem-no). Nesses dias deram-se certos eventos bastante desconexos que serviram de ponto focal pata uma maior actividade psíquica: As pessoas queriam acreditar, e a sua crença mudou o curso da história. Não tem importância que os acontecimentos jamais se tenham dado – a crença ocorreu. E a crença representou a resposta do homem ao conhecimento intuitivo, ao saber interior, e à compreensão espiritual.





Todos eles tinham que fluir para a realidade, em padrões psicológicos por meio da própria compreensão do homem. Tinham que fluir para os eventos da história tal como ele experimentou a história. Eles precisavam tocar os tempos, e fizeram-no transformando esses tempos para as gerações posteriores.





Quero que fique entendido que a realização é na sua grandeza é impressionante – tanto mais por o homem ter formado a partir da sua psique um tal drama espiritual multidimensional que a sua luz atingiu esta ou aquela pessoa, este ou aquele lugar, e moldou uma história mais vigorosa do que qualquer evento físico – daí o poder que teve.





Contudo, uma vez mais nesses termos, os deuses do Olimpo eram igualmente reais, por todas as riquezas do homem não passarem de representações, dramas psíquicos que defendiam uma realidade interior que não pode ser literalmente expressada ou descrita – mas que pode ser criativamente expressada ou representada.





Traduções demasiado literais desse material muitas vezes conduzem ao pesar, e o impulso criativo perde-se. O grande mistério, claro está, e as grandes questões, repousam na natureza dessa realidade interior de que o homem retira as suas religiões, e no poder das próprias faculdades criativas que as levam a eclodir. Tais actividades, numa escala mais ampla constituem o resultado final do relacionamento individual que cada pessoa tem com a natureza, e com a fonte da natureza.





“Dramas Espirituais Multidimensionais” in “A ABORDAGEM MÁGICA”


...Cristo sequer poderia ser contido numa pessoa histórica. E Cristo teve uma enorme importância histórica!





A pessoa que se pensa que Napoleão tenha sido teve uma enorme importância. O grande Napoleão, ao possuir muitas outras faculdades, não se poderia expressar por meio dessa pessoa. Mais nenhuma pessoa pode conter toda essa realidade psicológica.


...


As grandes verdades do Cristianismo não envolvem assassínio nem sacrifício. As grandes verdades da realidade tampouco incluem o facto de Deus sacrificar o seu filho único. A história do Cristo foi muito mais do que isso.


...


Podem, confortavelmente, olhar para os deuses dos outros e para os deuses do passado, conforme conhecem o passado, e sorrir complacentemente. Podem olhar os deuses animais; os deuses do Olimpo; deuses enterrados e esquecidos e abandonados cujos nomes só existem nas notas de rodapé dos livros de história. E podem sorrir.





Podem olhar as religiões dos outros e os contos populares das outras pessoas. Mas não podem olhar o vosso próprio deus, ou deuses, do mesmo modo. Por parecer que os contos populares que envolvem o Cristianismo não constituam contos, mas verdades, e certamente que Cristo tem mais realidade do que Zeus! Zeus não passa de uma lenda! Não existiu nenhuma voz que rugia como um trovão! Não existiu Monte Olimpo algum! Não existiram deuses nenhuns que tenham dançado com as virgens nas encostas! Disparate supersticioso!





Contudo, as vossas próprias histórias são “verdadeiras”. Existiu um Deus, invisível; um Deus Pai, que enviou o seu filho para ser crucificado, nascido de uma virgem; um fazedor de milagres que mudou a história. Pois, não será a vossa civilização o resultado do trabalho desse Deus?





Muitas civilizações acreditaram ter brotado com o despontar dos deuses. Isso não quer dizer que por debaixo desses mitos não existam verdades. Isso não quer dizer que não exista qualquer verdade quanto à progressão dos deuses – porque existe. Eles não existem aparte da vossa consciência, mas nascem dela; e ainda assim são independentes. De certa forma, a civilização tomou uma grande via rumo ao progresso quando o vosso excelente Egípcio afirmou: “Não existem muitos deuses mas apenas Um.” E por outro lado, a civilização deu um passo atrás, por o vosso conceito Cristão de Deus ter deserdado os animais, ter deserdado a mulher, ter deserdado a natureza. Não dispuseram de um conceito unido em que a rã, ou o sapo, ou a cobra, ou o bebé, ou o gato tenham sido comtemplados. Não deram lugar a um disparate desses.





Ora bem; os velhos deuses, a seu modo, combinavam o melhor e o pior das qualidades humanas, mas o homem podia ter uma relação com tais deuses. Existiram de facto deuses homosexuals. Existiram deuses animais. Deu-se uma enorme mistura entre existências que combinavam divindade e humanidade em cada espécie. E nesses termos, cada espécie era divina. Agora perderam isso. O Cristianismo podia ter representado um enorme progresso num sentido diferente, mas tais aspectos não foram realçados, e caíram no esquecimento, por assim dizer.





Existe uma realidade por detrás da ideia do Cristo conforme a conhecem. Mas esses Cristo não é, nem nunca foi, mais real do que Zeus. E Zeus foi, e é, real – e assim é o Cristo.





O Ruburt afirmou tudo isso no Oversoul 7 e sem querer ferir susceptibilidades. Assim, eu vou afirmá-lo... e depois arcarei com as culpas!





Realmente não entendem o que quero dizer quando afirmo que o mundo interior constitui a fonte do mundo objectivo. As Igrejas acreditaram que se conseguissem provar que o Cristo histórico tivesse sido crucificado e tivesse ressuscitado dos mortos, a religião em si mesma se tornaria mais válida. Passaria a satisfazer-vos o anelo que sentem pelos detalhes.





Se, todavia, Cristo tivesse sido uma pessoa histórica, do jeito que lhes foi ensinado, a sua realidade não teria sido de longe tão grande. NO entanto não compreendem que a vossa criatividade e energia e ser e realidade procedem de uma fonte interior. Quando afirmo, pois, que os deuses, ou as fontes divinas do ser, se movem através do vosso mundo mas não procedem dele, estou a afirmar que eles de facto constituem a fonte da própria realidade de que brotais; e por conseguinte, nesses termos, gozam amplamente de dimensão.





Em certos termos, o Cristo constituiu um mito que não existiu nos termos em que acreditam. Na verdade existiu um homem chamado Cristo. Existiram milhares de homens chamados Cristo! Existiram fazedores de milagres por toda a parte! Isso envolvia política – e os Romanos e os Judeus e os Essénios e um milhar de diferentes grupos Judeus. Essa parte do mundo fervilhava emocionalmente. Eles buscavam, e a partir do desejo que tinham e do estado da sua consciência, então emergiu a história.





Existe uma consciência de Cristo. Essa consciência existia antes da história. Mas pouco tem que ver com o conto. E não envolveu qualquer crucificação. Os judeus queriam que um homem fosse crucificado. Certos membros de grupos políticos judeus queriam ver a história de um messias encerrada, para todos os efeitos, nesse tempo. Outros grupos queriam um Messias ressuscitasse dos mortos. Eles queriam uma crucificação e um mártir – um mártir Judeu.





O grandioso drama que moldou a civilização Cristã assemelhou-se de facto ao grandioso drama que esteve na base da civilização Grega. Foi um drama emocional e espiritual que os homens representaram. Proveio de uma outra fonte, e podeis chamar a essa fonte divina, por existir uma Realidade Sobrenatural, tal como existe uma natureza. Mas essa realidade Sobrenatural opera por meio da natureza, e molda-a.





...





Existe uma consciência de Cristo, nesses termos, que existiu primeiro, mas o nome é insignificante. Mas quando associam o nome ao pseudo-facto histórico, então acabam com lendas. Bom, as lendas nada têm de mal, e por um certo tempo prestam-se a um propósito. Mas as pessoas crescem com base nas lendas que acalentam, e se acreditarem que essas lendas constituam a Verdade, passarão efectivamente por dores psíquicas de crescimento! Se chegarem a perceber que as lendas representam símbolos, então poderão avançar de uma forma mais rápida.


Mais diálogo conducente à ideia da explicação do possível uso de animais para predizer terramotos, e se as pessoas sentirão necessidade de fugir dos terramotos.





Os animais fogem! Isso a mim soa a bom senso! Pensai nisso!


...





Em meio à corrida louca, vós formais a vossa própria realidade. Admito que isto soe demasiado simplista, mas não vos vereis presos num terramoto caso não quiserem ficar; E ninguém morre sem que o tenha decidido. Vós formais a vossa própria realidade – ou não o fazeis. E caso não o façam, sereis uma vítima em toda a parte, e o universo parecerá um mecanismo acidental desprovido de qualquer razão, porque o quadro miraculoso do vosso corpo parecer que tenha vindo a ser criado acidentalmente, e que tenha atingido a complexidade miraculosa que o caracteriza a partir de algum acidente cósmico. E que esse corpo tenha sido formado tão lindamente por nenhuma razão excepto o de se tornar numa vítima.





Essa é a única alternativa que tendes à formação da vossa própria realidade. Não podem ter um universo intermédio. OU tendes um universo formado com uma razão, ou um universo formado sem qualquer razão. E num universo formado por uma razão, não existem vítimas. Tudo terá uma razão, ou nada terá. Assim, escolham o vosso lado!





Comentários Sobre a Consciência de Cristo


Uma Sessão Espontânea do Seth


5 de Agosto de 1977


...Eu disse-vos antes que não existem acidentes! Nenhum indivíduo é enviado por acidente e de forma inocente para a guerra. Aquele que mata aprende a conhecer o significado da morte ao se tornar numa vítima. Haveis de aprender que não se pode comprar a paz por meio da violência. Haveis de o aprender! Haveis de aprender não só que a vida humana é santificada, mas que a vida contida em cada molécula e em cada átomo é sagrada.

Ora bem, nos vossos termos, isso leva séculos. Quando tiverem aprendido a lição, parecerá que sempre o tenhais sabido. Conforme vos disse repetidas vezes, e uma vez mais: Basicamente não existe coisa alguma como assassínio, por a consciência prosseguir. Mas enquanto acreditarem que matam um homem e que o matam para todo o sempre, então precisarão resolver esse problema. Haveis de aprender. Estais a aprender. Alguns de vós enfrentarão duas gerações a partir destes problemas que não aceitais, e tornar-vos-eis na geração mais nova uma vez mais, portadora de belos e vistosos estandartes brilhantes para mostrar aos mais velhos e em prole da luta pela justiça - e eu desejo-vos sorte! Ireis precisar dela.

Haveis de aprender que a consciência é sagrada. E até que aprendam tal verdade, não sereis livres. Não podeis matar outro homem; não podeis matar outra mulher - e ser livres. Não podeis nem sequer comer a carne de uma vaca - não com indiferença, não sem agradecerem à vaca pelo alimento e nutrição que vos terá dado, não sem perceberem que a vaca, à semelhança de vós próprios, faz parte da cadeia da vida sem a qual fisicamente não teríeis existência - e ser livres.

Haveis de aprender que sois parte da tecelagem da consciência. Haveis de aprender a ser co-criadores conscientes. Haveis de aprender, ou destruireis o planeta que agora habitais! E se o fizerdes, a vossa consciência deverá ser reiniciada numa outra realidade. Haveis de aprender a reconhecer em vós próprios a alegria e a verdadeira realidade do ser. Haveis de aprender a distinguir entre a realidade da alegria e as falsas realidades que criastes - ou reiniciar-vos-eis de novo. Mas haveis de aprender.

Sois na verdade tão abençoados quanto qualquer deus, e igualmente dotados. Quando aprenderedes a honrar-vos, haveis de ser livres. E haveis de criar com alegria e espontaneidade quando reconhecerdes na pétala de uma flor a consciência que encerra - e a relacionardes convosco próprios, e a honrardes e tratardes como um pequeno irmão. Então sereis livres.

Precisais aprender o que significa ser macho e fêmea, pai e filho, mãe e filha. E percorrereis os ciclos até conseguirdes relacionar-vos com os outros. E se não conseguirdes compreendê-los do vosso ponto de vista, nesse caso tornar-vos-eis iguais a eles. E a partir do seu ponto de vista haveis de vos vislumbrar a vós próprios. Esse é o significado da aprendizagem. Haveis de estender a consciência, conforme a conheceis, do eu que conheceis, para o exterior e relacionar-vos com os outros e compreendê-los. Ou haveis de assumir as posições (situações) deles, e a partir da sua consciência observar os Eus que não mais terão existência no vosso tempo. Mas haveis de aprender.

Haveis de tornar-vos no que agora vos parecerá a energia caótica formadora de universos. Vagueastes por espaços interestelares, sem vos conhecerdes. Viajastes durante eternidades sem terem conhecimento da vossa identidade. Viajastes sem saber quem ou o quê eram enquanto partículas elementares da consciência. congregastes a vossa força (resistência) e individualidade. Aprendestes a lidar com a energia. Contribuistes para a vossa consciência. Tornastes-vos mais conscientes. Aprendestes até certo ponto - em certa medida, até agora - a responsabilidade que a criatividade encerra. Estais a evoluir. Cada um de vós está a evoluir as formas por que se há-de manifestar. Percorrestes um longo caminho desde o caos indiferenciado (segundos os vossos presentes termos) até àquilo que sois. Reparai que não disse que tenhais ascendido do caos indiferenciado, mas do que agora encarais como tal.

Em vós acha-se encerrada a consciência elementar e vital que dá origem a todas as realidades. Podeis sentir isso em vós quando voltais as costas aos papéis que presentemente representais. Então podeis aprender o significado de tais papéis, por encerrarem significado. E não há razão para ela se evadir de vós próprios. Há sempre novas criações e a entidade e mesmo o próprios Deus - as gestalts piramidais - precisam estar envoltas em surpresa e novas criações. Nesses termos não existe término. Até mesmo os deuses se surpreendem a eles próprios...
Agora, emprego o termo "deus" por ele ter significado para vós. "Deus", nos vossos termos, não constitui uma entidade estática. Ele não é uma coisa acabada e concluída. Tampouco é a entidade algo concluído ou um produto acabado.

A realidade e a consciência acham-se permanentemente num estado de trasnsformação. O próprio Deus, nos vossos termos, acha-se num estado de devir. Um estado de conclusão ou realização significaria um término - e o fim de todas as realidades. Por conseguinte, em nenhum momento em especial se acha a vossa entidade - o vosso ser interior - acabado e concluído. Sempre se encontra num estado de transformação. Sempre existem surpresas que brotam dele. Por isso, quando iniciou a sua jornada, nos vossos termos, não conhecia o fim, e a núvem de partículas não sabia que havia de se tornar num homem ou numa mulher. Ainda assim a consciência - e a vossa consciência individual - sempre existiu e sempre existirá, nos vossos termos. Precisais deixar de pensar em termos de conclusão. Pois, nos vossos próprios termos, nem Deus se acha completo. E caso vos achásseis, isso representaria o término da criatividade e o fim de qualquer tipo de existência ou de consciência.

A criatividade sempre representa descontentamento - e sempre tem que ver com novas surpresas. por isso, a própria entidade jamais se acha completa. Estais a aprender a tornar-vos criadores conscientes. Mas nem sempre sabeis o que essa criação, nos vossos termos, virá a representar. Os deuses nem sempre vos reservam surpresas, mas vós reservais-lhes surpresas, e não pode ser de nenhuma outra forma. Já formais uma parte do Todo, e não vos podeis desembaraçar da realidade disso. Não existe "nirvana" se por nirvana vos referis a um estado em que a vossa própria individualidade se perde ou é engolida pelo enorme peixe de um deus que vos consome, como a baleia consumiu Jonah.

Em vez disso, entendamm, a vossa individualidade é usada e desenvolvida. Por a vossa individualidade significar a existência de mais um modo altamente exclusivo e original por meio do qual a consciência se pode expressar. E perder essa individualidade significaria que Deus tivesse perdido uma das suas vozes, e que Deus se tivesse tornado de certo modo surdo, e que um timbre se tivesse perdido para sempre. Carregais o ónus e a responsabilidade dessa individualidade - ónus e responsabilidade. E em vós, entendam, se encontra uma parte do Todo que se pode expressar a Si mesmo de uma forma única apenas por meio das faculdades e potencialidades que vos pertecem. E se as negardes, então negareis a Deus, nessa mesma medida, a sua voz. Negareis um potencial que vós e mais ninguém podes realizar. E isso não se aplica somente à individualidade conforme a conheceis nesta vida,  mas à energia que vos pertence e que jamais poderá ser retirada seja por que forma for em que vos encontreis. As recordações que vos pertencem agora constituem  uma parte electromagnética vossa. Quando a vossa forma física desaparecer, elas permanecerão e haveis de edificar com base nelas.

Não vos encolhais nem clamais, mas cantai de pura alegria por a vossa consciência se conhecer  e por, mesmo na ignorância que vos caracteriza, criardes e por darem alegria a outros. E sabei que não existe término para a vossa consciência nem para a vasta realidade de que fazeis parte.

Excerptos da transcrição da sessão da Classe de Percepção Extrasensorial - 17 de Março de 1970

Nota do tradutor:

Qualquer que seja o teor apresentado por mim em associação com este tema, quero deixar bem claro que o chamado mito Cristão se reporta a uma grandeza que não pretendo minimizar nem rejeitar minimamente, por representar uma metáfora – EM TODA A EXTENSÃO DA REPRESENTAÇÃO QUE ASSUME – de resto à semelhança de muitas outras anteriores, da alma e das suas potencialidades, natureza, características e evolução; sim, porque a alma não é uma coisa estática, apesar de ser “una com Deus”, conforme é referido comummente. Por isso, não, esse não é o móbil que me impele ou motiva. Trata-se de uma grandeza psicológica, sem dúvida, mas útil e necessária, por necessitarmos de uma vida simbólica rica, que as várias ciências modernas não oferecem, apesar dos muitos mitos que gera e apregoa.

O que me motiva com todos os esclarecimentos que faço nesse sentido junto do leitor porventura mais esclarecido, é desenquadrar o mito da área em que foi “encarcerado” estritamente simbólico e, por isso mesmo, sujeito a uma contínua ritualização e compreensão mais ou menos distorcida e supersticiosa, que relega a autoridade do indivíduo a terceiros, aos peritos e aos que se arvoram como detentores do conhecimento da verdade, em oposição à massa amorfa dos ignorantes que precisam ser salvos pela estrita obediência.

O polo da intenção por detrás deste esforço centra-se, pois, em devolver o poder pela percepção e de realização de volta ao indivíduo – para quem de resto está já a mudar, pelo que muito importa que se desmistifique, de forma a possibilitar que o indivíduo obtenha uma noção do poder que facto lhe assiste, e passe a usufruir de uma faculdade de o utilizar criativamente e de uma forma bem-sucedida, contornando desse modo o temor e o sofrimento gerados pela falta de conhecimento.




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