sexta-feira, 29 de junho de 2012

AFIRMAÇÃO, AMOR, ACEITAÇÃO E RECUSA




(THE NATURE OF PERSONAL REALITY)
CAPÍTULO 21
Tradução da autoria de Amadeu Duarte


Ora bem; a afirmação significa dizer “sim” a vós próprios e à vida que levais, e a aceitação da essência da vossa pessoa. Tal afirmação significa abraçar a vida que vos pertence e que flui através de vós. A afirmação de vós próprios constitui um dos vossos pontos mais marcantes.


Podeis, por vezes, negar muito apropriadamente certas porções da experiência, e ainda assim confirmar a vossa própria vitalidade. Não tendes que dizer “sim” às pessoas, nem aos problemas, aos eventos que vos causam profunda perturbação. A afirmação não significa uma aceitação passiva e destituída de carácter de tudo o que se cruza no vosso caminho., independentemente dos sentimentos que tiverdes em relação a isso.


Em termos biológicos, a afirmação significa saúde. Se entenderdes que moldais a vossa experiência dais seguimento à vossa vida e realçais as capacidades de que dispondes para tal fim. A afirmação não significa cruzar os braços e dizer: “Não posso fazer nada. Está tudo nas mãos do destino, pelo que, o que tiver que suceder, sucederá.” A afirmação baseia-se na percepção de que nenhuma outra consciência se assemelha à vossa, que as capacidades que tendes são únicas e não são iguais às de mais ninguém. É a aceitação da individualidade que vos caracteriza na carne.
Basicamente, constitui uma necessidade espiritual psíquica e biológica e representa o apreço que tendes pela vossa integridade singular.


Um átomo é capaz de cuidar de si, mas os próprios átomos assemelham-se um tanto a animais domesticados; ao se agruparem à família biológica do corpo, em certa medida convertem-se em “gatos” e “cachorros” amigáveis que se colocam sob a vossa alçada. Os animais copiam as características dos seus donos. As células são altamente influenciadas pelos vossos comportamentos e crenças.

Se afirmardes a retidão do vosso ser físico, auxiliareis as células e os órgãos do vosso corpo, e sem o saberdes, tratá-las-eis com amabilidade. Se não confiardes na vossa natureza física, também irradiareis esse sentimento, independentemente das medidas de saúde que possais tomar. As células e os órgãos saberão que não confiais nelas, do mesmo modo que os animais o sabem. De certo modo, estabeleceis anticorpos contra vós próprios, simplesmente por não confirmardes a retidão do vosso ser físico conforme existe no espaço e no tempo.


Por vezes, podeis afirmar a singularidade que vos caracteriza ao dizer “não”. A individualidade concede-vos o direito de tomar decisões. Segundo o entendimento que possuís, isso significa dizer “sim” ou “não”. Implicitamente, o constante acordo pode muito bem significar que estejais a negar a vossa própria pessoa. A pessoa capaz de dizer: “Eu odeio”, pelo menos declara que possui um “Eu” capaz de odiar. Aquele que diz: “Não tenho o direito de odiar,” não enfrenta a própria individualidade.


Um homem ou mulher que conheça o ódio também compreenderá a diferença existente entre essa emoção e o amor. A ambiguidade e os contrastes, as semelhanças, a afirmação do ser facultam uma livre fluência das emoções. Muitos repudiam a experiência dos sentimentos que consideram negativos e tentam “afirmar” aquilo que pensam constituir emoções positivas. Não se permitem as dimensões inerentes à sua natureza de criaturas e ao fingir não sentir aquilo que sentem, negam a integridade da sua própria experiência.


As emoções obedecem às crenças, e constituem estados naturais de sentimento que se acha em constante mudança e que conduzem uns aos outros num fluxo livre de energia e de actividade; matizes coloridos, ricos, brilhantes e vivos que trazem diversidade à qualidade da consciência. Tais estados da personalidade podem somente ser comparados a cores, claras e escuras, fortes padrões de energia que sempre representam movimento, vida e variedade.


Rejeitá-los torna-se fútil. Elas são um dos meios pelos quais a consciência sintonizada com o físico se pode conhecer a si própria. Não são destrutivas. Não há emoções boas nem más. As emoções são simplesmente aquilo que são. São elementos inerentes ao poder da consciência, repletos de energia que, quando deixados ao próprio cuidado se fundem num poderoso oceano de existência.


Não podeis afirmar uma emoção e rejeitar outra sem estabelecerdes barreiras. Procurais ocultar o que pensais ser sentimentos negativos no quarto escuro da mente como no passado encerravam os parentes dementes. E tudo por não confiardes nos aspectos da vossa própria individualidade na carne.
A afirmação significa aceitação da vossa alma conforme ela se revela na criatura ou ser que sois. Eu afirmei isso antes, mas vós não podeis rejeitar o vosso ser ou condição de criatura sem rejeitar a vossa alma, e não podeis rejeitar a vossa alma sem rejeitar a vossa condição de criatura.


Por si só, o ódio não durará muito. Frequentemente, assemelha-se ao amor, já que aquele que odeia se sente atraído pelo objecto do seu ódio por profundos laços. Também pode representar um método de comunicação, mas jamais chega a ser um estado firme e constante e mudará automaticamente se não for violado. Se acreditardes que o ódio seja mau e errado e vos encontrardes na condição de odiar alguém, podereis tentar inibir a emoção ou voltá-la contra vós em vez de o fazerdes contra alguém mais. Por outro lado, podeis tentar fingir que o sentimento não exista, caso em que reprimireis essa massiva energia e a não podereis utilizar para outros propósitos.


No seu estado natural, o ódio possui uma característica poderosamente estimulante que põe em marcha a mudança e a acção. Independentemente do que vos tenha sido inculcado, o ódio não incita a violência acentuada.
Conforme foi referido anteriormente neste livro, a irrupção da violência é frequentemente resultado de um sentido embutido de impotência. Muitos de quantos cometem grandes crimes de forma inesperada ou assassinatos súbitos, e que cometem enormes matanças em massa, apresentam um historial de docilidade e de atitudes convencionais e eram considerados modelos de conduta, que negavam na sua natureza todo e qualquer elemento de agressividade e toda a evidência de ódio momentâneo e o consideravam errado e um mal. Em resultado disso, tais indivíduos acabam finalmente por achar difícil expressar a mais pequena negação, ou ir mesmo contra o código de conduta e de respeito convencionais. Não conseguem comunicar o próximo como, digamos, os animais o fazem, o que respeita à expressão de desacordo.


Psicologicamente, somente uma expressão massiva conseguirá libertá-los. Sentem-se de tal modo impotentes que isso acaba por agravar ainda mais as dificuldades que sentem, pelo que procuram libertar-se evidenciando um grande poder em termos de violência. Alguns desses indivíduos, filhos modelos que raramente respondiam aos pais, foram de repente enviados para a guerra e receberam carta-branca para libertar todos os sentimentos que tinham em combate; e estou a referir-me em particular às duas últimas guerras (Coreia e Vietname) e não à Segunda Grande Guerra.


Nessas guerras, as agressões puderam ser soltas enquanto os códigos ainda eram obedecidos. Contudo, os indivíduos foram confrontados com o horror da libertação violenta dos seus ódios e agressões reprimidas e acumulados. Ao presenciarem tais resultados sanguinários, tornaram-se ainda mais espantados pelo que pensavam ser uma terrível energia que por vezes parecia impeli-los ao acto da matança.
Ao regressarem a casa, o seu código de conduta voltou a mudar para um outro que se adequasse à vida civil, e uma vez mais voltaram a apertar o cerco sobre si próprios, a reprimir-se por completo. Muitos passariam a afigurar um modo de conduta excessivamente convencional. Subitamente, era-lhes negado o “luxo” de exprimirem as emoções mesmo na sua forma exagerada, o que só agravou o sentimento de impotência.


Embora este não seja um capítulo dedicado à guerra, quero analisar algumas questões. É também o sentimento de impotência que leva as nações á guerra. Isso tem pouco que ver com a situação mundial “efectiva” e com o poder que os outros lhes atribuam, mas antes com um sentido generalizado de impotência, por vezes mesmo, a despeito da dominação do mundo.
De certo modo, lamento que este não seja o local para se discutir a Segunda Grande Guerra, por ela também ter resultado de um sentido de impotência que irrompeu em larga escala num banho massivo de sangue. Aqueles que tomaram parte nela seguiram o mesmo curso privado de acção dos indivíduos que acabamos de mencionar. Sem entrar em detalhes, quero simplesmente dizer que nos Estados Unidos se promoveram grandes esforços ao nível nacional após a Segunda Grande Guerra para desviar as energias dos militares para outras áreas, após o seu regresso a casa. Muitos dos que tomaram parte nessa guerra com um sentimento de impotência colheram vantagem após terem terminado, em termos de incentivo, educação e privilégios de que não gozavam antes.


Foram-lhes concedidos meios para alcançar poder, segundo o entendimento que tinham. Também foram acolhidos como heróis, e enquanto muitos se sentiram decepcionados, no geral do sentimento da nação, os veteranos foram bem acolhidos. Estou a falar da guerra aqui em questão no geral, por terem existido certas excepções, mas a maioria dos que estiveram envolvidos nela colheram algo com a sua experiência. Voltaram-se contra a ideia da violência, e cada um a seu modo reconheceram as ambiguidades psicológicas dos sentimentos que os conduziram pessoalmente durante o combate. Foi-lhes dito pelos políticos que se tratava da última guerra, e ironicamente, a maioria de quantos envergavam uniforme acreditaram. A mentira não se converteu em verdade, mas quase chegou a sê-lo porque, a despeito dos seus fracassos, os ex-combatentes conseguiram educar os filhos de um modo que fez com que não fossem para a guerra de livre-vontade, e que passaram a questionar as premissas que defendiam.


De uma maneira estranha, isso tornou-se coisa ainda mais difícil para aqueles que foram para as duas guerras mais curtas seguintes, por o país não se encontrar verdadeiramente implicado em nenhuma delas. Todo o sentimento impessoal de impotência obteve expressão da parte dos combatentes do mesmo modo que antes, desta vez num banho de sangue mais localizado, mas o código de conduta foi abalado, pois não foi aceite conforme antes, mesmo em meio às fileiras militares. Na última guerra (Vietname), o país encontrava-se tão contra quanto a favor, e os sentimentos de impotência dos indivíduos foram reforçados após ter terminado. Essa foi a razão para aos incidentes violentos que foram originados da parte dos que regressaram.


“De acordo com Seth, os sentimentos de impotência tiveram muito que ver com o elevado índice de violência – e mesmo a elevada taxa de mortes – registados entre os militares Americanos que foram capturados durante a guerra. Um estudo feito pelo governo em relação àqueles que foram feitos cativos no Oriente durante a Segunda Grande Guerra e a guerra da Coreia, por exemplo, revelou que 40% de todas as mortes que ocorreram no grupo entre 1945 e 1954 resultaram do assassínio, do suicídio ou do acidente. Quanto à guerra do Vietname, mais de 500 militares cativos foram libertados pelo Vietname do Norte depois do cessar-fogo de Janeiro de 1973. Os agentes temem agora que um bom número desses indivíduos venha a acreditar que o seu sofrimento tenha sido fútil, devido à impopularidade que a guerra teve nos Estados Unidos. Houve suicídios entre as suas fileiras e muitos sofreram reacções de estresse pelo menos temporário desde que foram libertados da prisão.”


Assim, por si só, o ódio não irrompe em violência. O ódio acarreta um sentido de poder e dá início á comunicação (expressão) e à acção. Do vosso ponto de vista, constitui o acúmulo da ira natural. Nos animais, digamos, conduz a um confronto cara-a-cara numa atitude de combate em que a linguagem corporal de cada criatura, movimento e ritual, se presta a comunicar uma posição de perigo. Um ou o outro dos animais acabará simplesmente por se retirar. Isso normalmente envolve grunhidos e rugidos. O poder é efectivamente revelado, só que simbolicamente. Esse tipo de confronto animal ocorre muito poucas vezes, por os animais envolvidos precisarem estabelecer curto-circuito ou ignorar confrontos de menor monta e preliminares de ira destinados a tomar uma posição clara e a repelir a violência, para chegarem a esse ponto.


Um outro ponto: a máxima empregue por Cristo no sentido de dar a outra face (Mateus 5:39) representou um método psicológico hábil de repelir a violência e não de a aceitar. Simbolicamente representou o animal que exibe a barriga ao adversário. A observação foi feita em termos simbólicos. Em certos níveis representou um gesto de derrota que trouxe o triunfo e a sobrevivência. Não queria dizer que se tratasse de uma acto de servilismo do mártir a dizer: “Dá-me mais uma vez”, mas representou uma declaração psicológica pertinente, uma comunicação por parte da linguagem corporal. Representaria um gesto inteligente destinado a lembrar ao atacante as “velhas” posturas dos animais sãos. O amor é também um grande iniciador da acção e utiliza poderosos dínamos de energia.


O amor e o ódio acham-se ambos baseados na autoidentificação que fazeis com a vossa experiência. Não vos dais à maçada ed amar ou de odiar aqueles com quem não vos identificais de todo. Eles deixam-vos relativamente indiferentes, e não vos causam nenhuma emoção mais acentuada.
O ódio sempre envolve um sentimento doloroso de separação do amor, que pode ser idealizado. Uma pessoa contra a qual sentis algo com intensidade em qualquer altura vos perturbará por não se mostrar à altura das vossas expectativas. Quanto mais elevadas forem essas expectativas mais acentuadas parecerão quaisquer divergências que venham a revelar. Se odiais um progenitor é precisamente por esperardes esse amor. Uma pessoa de quem não esperais nada, jamais vos despertará rancor.


Estranhamente, pois, o ódio constitui um meio de voltar ao amor; e por si só, e se obtiver expressão, tornar-se-á num meio de comunicação que se revela em relação ao que é esperado. O amor, pois, pode perfeitamente conter ódio. O ódio pode conter amor e ser conduzido por ele, em particular pela forma idealizada do amor. Vós odiais algo que vos separa do objecto amado. É precisamente por o objecto ser amado que vos desgostais quando as expectativas não se confirmam. Podeis amar um progenitor, mas se parecer que ele não devolva esse amor e negue as expectativas que tendes, então podeis detestar esse progenitor devido ao amor que vos leva a esperar mais da sua parte. O ódio é um meio de vos conduzir de volta para o vosso amor. É suposto conduzir-vos a uma comunicação da vossa parte, de forma a expordes os vossos sentimentos e clareardes o ambiente, por assim dizer, e a conduzir-vos mais próximo do ser amado. O ódio não é , pois, a negação do amor, mas uma tentativa de o recuperar e um reconhecimento doloroso das circunstâncias que vos separam dele.


Se tivésseis compreendido a natureza do amor, seríeis capazes de aceitar sentimentos de ódio. A firmação pode incluir a expressão de tais emoções marcantes. Os dogmas ou sistemas de pensamento (filosofias) que vos dizem para vos elevardes acima das emoções podem ser enganosos e inclusive perigosos, no entendimento que tendes. Tais teorias baseiam-se em conceitos da existência de algo perturbador ou vil ou de errado na natureza emocional do homem, enquanto a alma sempre é descrita como tranquila, “perfeita”, passiva e insensível. Apenas a consciência mais sublime e abençoada é permitida.
Contudo, a alma é, acima de tudo, uma fonte de energia e de criatividade e acção que revela as suas características na vida precisamente por intermédio das emoções eternamente cambiantes.


Se neles confiardes, os vossos sentimentos conduzir-vos-ão a estados psicológicos e espirituais dotados de compreensão mística, tranquilidade e paz. Se obedecerdes às vossas emoções, elas conduzir-vos-ão a compreensões profundas, mas não podeis ter um ser físico destituído de emoções do mesmo modo que não podeis ter um dia sem nenhuma forma de tempo.
No contacto pessoal, podeis estar bem cientes de um amor duradouro por outra pessoa, e não obstante reconhecer os momentos de amor quando sobrevém uma separação de algum tipo que vos provoca ressentimento por causa do amor de que tendes conhecimento e que se ache envolvido. Do mesmo modo, é possível amar o próximo em larga escala, e por vezes odiá-lo por frequentemente parecer ficar aquém desse amor. Quando vos enfureceis contra a humanidade, fazei-lo por a amardes. Assim, negar a existência do amor, significa negar o amor. Não é que essas emoções representem contrários. São, sim, diferentes aspectos que são experimentados de forma diferente.


Em certa medida, quereis identificar-vos com aqueles por quem sentis anelo. Não amais alguém simplesmente por associardes simplesmente segmentos do vosso ser a tal pessoa. Frequentemente amais outro indivíduo por ele evocar em vós vislumbres do vosso Eu idealizado. Aquele a quem amais suscita o melhor de vós próprios. Nos olhos dele ou dela percebeis aquilo em que podeis tornar-vos. No amor do outro sentis o vosso potencial. O que não quer dizer que no caso de uma pessoa amada só possais reagir ao vosso Eu idealizado, por também serdes capazes de perceber no outro o Eu potencial idealizado da pessoa amada.


Esse é um tipo de visão peculiar que é partilhado por quantos estejam envolvidos – quer seja esposa ou marido, pai ou filho. Essa visão é suficientemente capaz de perceber a diferença entre o prático e o ideal, de modo que nos períodos ascendentes (de amor) as discrepâncias entre, digamos, o comportamento real não sejam tidas na conta e sejam consideradas como relativamente de pouca importância.


O amor está, é claro, em constante alteração. Não existe estado permanente nenhum de profunda atracção mútua em que duas pessoas se encontrem para sempre envolvidas. Enquanto emoção, o amor é volúvel, e é capaz de mudar com toda a facilidade para a raiva ou o ódio, para voltar a representar amor. No entanto, no tecido da experiência, o amor pode ser predominante, apesar de não ser estático; e se assim for, então, sempre se apresenta uma visão no sentido do ideal, bem como algum aborrecimento devido ás diferenças que ocorrem naturalmente entre o actualizado e a visão.


Há adultos que se amedrontam quando um filho lhes diz: “Eu odeio-te.” Frequentemente, as crianças aprendem rapidamente a não ser tão honestas. Aquilo que a criança está verdadeiramente a dizer é: “Amo-te tanto. Porque és tão má para mim?” Ou então: “Que é que se intromete entre nós e o que sinto por ti?” O antagonismo que a criança sente baseia-se numa firme compreensão do seu amor. Os pais, levados a crer que o ódio seja errado, não se vêem capazes de lidar com uma situação dessas. O castigo simplesmente agrava o problema da criança. Se um pai ou mãe revelarem temor, nesse caso a criança aprenderá efectivamente a temer a ira e o ódio que sente diante dos quais se atemorizam os pais poderosos. O jovem é dessa maneira condicionado a esquecer tal compreensão instintiva e a ignorar os laços existentes entre o ódio e o amor.


Frequentemente é-vos ensinado não só a reprimir as expressões verbais do amor, como também vos é inculcado que os pensamentos de ódio são tão maus quanto as más acções. Sois de tal modo condicionados que chegais a sentir culpa mesmo quando chegais a considerar odiar alguém. Procurais ocultar tais pensamentos de vós próprios, e podeis ser tão bem sucedidos que literalmente não sabeis o que estais a sentir ao nível consciente.


As emoções acham-se presentes, mas tornam-se invisíveis por terdes medo de olhar. Nessa medida, encontrais-vos divorciados da vossa própria realidade e desligados dos vossos próprios sentimentos de amor. Esses estados emocionais rejeitados podem ser projectados no exterior, nos outros – num inimigo, durante uma guerra, ou num vizinho. Mesmo que deis por vós a sentir ódio pelo inimigo simbólico, também tereis noção de sentirdes uma profunda atracção. Unir-vos-á um laço de ódio, laço esse que originalmente se terá baseado no amor. Nesse caso, contudo, agravais e exagerais todas essas divergências em relação ao ideal e focais-vos predominantemente nelas.


Em qualquer dos casos, tudo isso se encontra conscientemente ao dispor da vossa consciência, e só demanda uma tentativa honesta e determinada por tomar consciência dos vossos próprios sentimentos de crenças. Mesmo as vossas mais abomináveis fantasias de ódio, por si só, devolver-vos-ão à reconciliação e à libertação do amor, se os deixares actuar.
(Nota do tradutor: Isto representa uma das facetas da imaginação activa)
 A fantasia em que bateis a um pai ou a um filho, mesmo até à morte, se seguida e não for reprimida, conduzir-vos-á às lágrimas de amor e de compreensão.


Parte da Sessão 672 e Sessão 673


“A afirmação significa a aceitação da vossa própria complexidade miraculosa. Significa aquiescer para com a vossa realidade, enquanto espírito que se encontra na carne. No enquadramento da vossa própria complexidade, tendes o direito de dizer “não” a determinadas situações, de expressar os vossos desejos e de comunicar os vossos sentimentos. Se assim fizerdes, no amplo fluir da vossa realidade eterna passará a existir uma corrente global de amor e de criatividade que vos carregará.


A afirmação constitui a aceitação de vós próprios no vosso presente, enquanto a pessoa que sois. Nessa aceitação podereis descobrir qualidades que desejareis não possuir, ou hábitos de vos causem aborrecimento. Não deveis esperar ser “perfeitos”. Conforme foi anteriormente afirmado, as vossas ideias de perfeição significam um estado de satisfação para além do qual não há crescimento futuro, e não existe nenhum estado assim.


“Ama o teu próximo como a ti próprio”; invertei essa máxima e dizei: “Amai-vos, conforme amais o vosso próximo”, porque frequentemente reconheceis o bem no outro e ignorai-lo em vós. Alguns creem que exista um enorme mérito e uma grande virtude naquilo que pensam que a humildade seja. Consequentemente, sentir orgulho de si próprio parecerá um pecado, e num quadro de referências como esse, a verdadeira afirmação pessoal revela-se impossível. O verdadeiro orgulho-próprio representa o reconhecimento amoroso da vossa própria integridade e valor. A verdadeira humildade baseia-se numa consideração afectuosa por vós próprios, mais o reconhecimento de viverdes num universo em que todos os outros seres possuem igualmente essa inegável individualidade e autoestima.


A falsa humildade diz-vos que nada sois e frequentemente esconde a negação de um orgulho-próprio inflacionado, por nenhum homem nem mulher conseguir realmente aceitar uma teoria que negue a sua autoestima pessoal. A falsa humildade pode levar-vos a destruir o mérito dos outros, porque se não aceitardes o mérito em vós próprios, não o conseguireis perspectivar em mais ninguém, tampouco. O verdadeiro orgulho-próprio permite-vos perceber a integridade dos vossos pares seres humanos e permite-vos ajudá-los a utilizar as suas forças.


Muitos fazem um enorme aparato do auxílio que estendem aos demais, por exemplo, ao encorajá-los a apoiar-se neles. Acreditam que isso seja um empreendimento virtuoso e muito santo. Em vez disso, impedem os outros de reconhecer e de utilizar as suas próprias forças e capacidades. Independentemente do que vos tiver sido dito, o autossacrifício não apresenta mérito algum. Por um lado, é impossível. O Eu cresce e desenvolve-se; não pode ser aniquilado. Geralmente o autossacrifício significa atirar com a vossa em alguém e torná-la responsabilidade sua. Uma mãe que diz ao filho: “Eu abdiquei de viver a minha vida por ti”, comete um contrassenso. Em termos básicos, tal mãe acredita, não obstante o que disser, que não tinha muito de que abrir mão, e que tal desistência lhe terá providenciado a vida que esperava. Um filho que diz: “Eu abri mão da minha vida para devotar-me ao cuidado dos meus pais”, quer dizer: “Eu tinha medo de viver a minha própria vida, e medo de os deixar viver a deles. E assim, ao desistir de viver a minha própria vida obtive a vida que queria.


O amor não exige sacrifício. Aqueles que temem afirmar o próprio ser, têm medo de deixar que os outros vivam por si sós. Não ajudais os vossos filhos mantendo-os acorrentados a vós, mas também não ajudais os vossos pais envelhecidos ao encorajar neles o sentido de impotência.


O senso comum da comunicação que vos é conferido por intermédio da natureza de criatura, uma vez observado com espontaneidade e honestidade, resolverá muitos desses problemas. Apenas a comunicação que é reprimida conduz à violência. A força natural do amor acha-se por toda a parte no vosso íntimo, e os métodos normais de comunicação sempre pretendem levar-vos a um maior contacto com os vossos seres companheiros. Amai-vos a vós próprios e honrai-vos, que desse modo havereis de tratar os outros com justiça. Quando dizeis “não”, ou negais, sempre o fazeis por na vossa mente ou sentimento, uma dada situação, ou uma situação que vos é proposta, fica muito aquém de um ideal qualquer. A recusa sempre brota da resposta para com algo que é considerado, pelo menos, como um bem maior. Se não cultivardes ideias tão rígidas de perfeição, nesse caso a recusa comum prestar-se-á a um objectivo bastante prático. Mas jamais negueis a presente realidade de vós próprios porque a estareis a comparar com uma perfeição qualquer idealizada.


Perfeição não significa ser, porque todo o “ser” se acha num estado de transformação. Isso, todavia, não quer dizer que todo o ser se ache num estado de vir-a-ser perfeito, mas num estado de se tornar mais nele próprio. Todas as demais emoções se baseiam no amor, e de uma forma ou de outra estão todas relacionadas com ele, e constituem todas métodos de retorno a ele e de expansão das suas capacidades.


Bom, ao longo deste livro mantive-me propositadamente à distância do termo “amor”, por causa das várias interpretações comummente atribuídas a ele, e por causa dos erros frequentemente cometidos em seu nome. Precisais amar-vos antes de poderdes amar alguém. Aceitando-vos a vós mesmos e sendo alegremente aquilo que sois, realizareis as vossas próprias capacidades, e a vossa simples presença poderá tornar os outros felizes. Não podeis detestar-vos a vós próprios e amar outro indivíduo. Isso é impossível. Em vez disso, haveis de projectar todas as qualidades que pensais não possuir em mais alguém, deitar isso da boca para fora, e odiar esse indivíduo, por ele próprio as não possuir. Conquanto professeis sentir amor pelo outro, procurareis minar-lhe as próprias fundações do ser.


Quando amais outros, concedeis-lhes a sua liberdade inata e não insistis covardemente em que sempre vos atendam. Para o amor não existem divisões. Não existe diferença básica alguma entre o amor de um filho por um pai, de um pai por um filho, da esposa pelo marido, de um irmão pela irmã. Existem somente diversificadas expressões e características associadas ao amor, e todo o amor é afirmativo. É capaz de aceitar desvios da visão ideal som os condenar. Não compara o estado prático do ser amado como aquele que é percebido de forma idealizada potencial. Nessa perspectiva, o potencial é percebido como presente, e a distância percebida entre o prático e o ideal não forma qualquer contradição, uma vez que coexistem.


Agora; por vezes podeis pensar odiar a humanidade. Podeis considerar as pessoas insanas, os seres individuais com quem partilhais o planeta. Podeis protestar contra o que pensais como um comportamento estúpido que assumam, contra os modos sanguinários que empreguem, e os métodos inadequados e míopes que empregam na solução dos seus problemas. Tudo isso é baseado no vosso conceito idealizado daquilo que a raça deveria ser - ou, por outras palavras, o amor que sentis pelo vosso companheiro. Mas esse amor que sentis pode perder-se se vos concentrardes nas variantes que sejam menos idílicas. Quanto mais pensais odiar a raça, mais presos vos encontrareis num dilema do amor. Estais a comparar a raça à concepção idealizada que dela fazeis. Nesse caso, contudo, perdeis de vista as pessoas reais envolvidas.


Colocais o amor num tal plano que chegais a divorciar-vos dos sentimentos reais que tendes, e não reconheceis as emoções amorosas que traduzem os vossos verdadeiros sentimentos, nem reconheceis as emoções carinhosas que assentam na base do descontentamento que sentis. O vosso afecto terá ficado aquém de si próprio em meio à vossa experiência por terdes negado o impacto dessa emoção – com temor de que o amado, neste caso, a raça no seu todo – não esteja à sua altura. Por isso concentrais-vos nas deambulações ou desvios do ideal. Se, em vez disso vos permitísseis libertar o sentimento de amor que se acha realmente por detrás da insatisfação que sentis, então só isso já bastaria para vos permitir perceber as características carinhosas na raça que agora escapa á observação em grande medida.


Não há nada mais pomposo do que a falsa humildade. Muitos, que se consideram verdadeiros buscadores da verdade e seres espirituais, acham-se cheios dela. Frequentemente utilizam termos religiosos para se expressarem, e dirão: “Eu não sou nada, mas o espírito de Deus move-se através de mim, e se algum bem faço, isso deve-se ao espírito de Deus e não a mim”; ou: “Eu não possuo qualquer capacidade própria. Só o poder de Deus possui essa capacidade.”


Ora bem; nesses termos, vós sois o poder de Deus manifestado. Não sois impotentes. Antes pelo contrário. Por intermédio do vosso ser o poder de Deus é fortalecido, por serdes uma porção que Ele é. Não sois um simples amontoado insignificante e inócuo de barro que Ele decide mostrar a Si mesmo. Vós sois Ele manifestado como vós. Tendes tanta legitimidade para existir quanto Ele tem. Se sois, pois, uma parcela de Deus, então Ele é uma parcela de vós, e ao negardes o vosso próprio mérito, acabais por negar o d’Ele também.


Eu não gosto de empregar o termo “Ele”, ao me referir a Deus, dado que Tudo Quanto Existe constitui a origem não só de todos os sexos como de todas as realidades, parte das quais não comportam sexo conforme o concebeis.


A afirmação acha-se presente no movimento espontâneo do corpo à medida que dança. Muitos daqueles que vão à missa e que se consideram muito religiosos não compreendem a natureza do amor ou da afirmação tanto quanto algumas patronas de bares que celebram a natureza dos seus corpos desfrutando da transcendência espontânea ao se deixarem levar pelo movimento do seu ser.


A verdadeira religião não é repressiva, tal como a vida o não é. Quando Cristo falou, ele fê-lo no contexto da época, fazendo uso do simbolismo e do vocabulário que fazia sentido para um povo particular e num período particular da história, conforme os termos que empregais...


Ele começou com as crenças deles, e fazendo uso das suas referências procurou conduzi-los para áreas de compreensão mais livre. Com cada sucessiva tradução, a Bíblia foi alterando o seu significado ao ser interpretada na linguagem dos tempos. Cristo falou em termos de espíritos puros e impuros (ou bons e maus) por isso representar as crenças das pessoas. Nos termos empregues por eles, ele mostrou-lhes que os espíritos impuros podiam ser vencidos; mas eram, pois, símbolos aceites como uma realidade pelas pessoas – por vezes em representação de enfermidades e de condições humanas normais.


O próprio dito: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos.” (Mateus 19:19 e Marcos 12:31) representava uma declaração irónica, por nessa sociedade ninguém amar o próximo mas desconfiar dele veementemente. Muito do humor empregado pelo Cristo perdeu-se, pois.


No Sermão da Montanha, a frase (no sentido de) “Os mansos herdarão a terra.” (Mateus 5:15) foi grosseiramente interpretado. O que Cristo queria dizer era: “Vós formais a vossa realidade. Aqueles que acalentam pensamentos de paz hão-de ficar a salvo da guerra e da dissensão; não serão tocados por ela, mas escaparão, e de facto herdarão a terra.” Pensamentos de paz, em particular no meio do caos, assumem uma enorme energia. Aqueles que são capazes de ignorar a evidência física de guerras e instantaneamente acalentam pensamentos de paz triunfarão – mas na terminologia que empregais, o termo “manso” passou a querer dizer “fraco”, inadequado, sem energia. No tempo de Cristo, a frase sobre os mansos a herdarem a terra implicava o enérgico uso da afirmação, do amor e da paz.


Conforme mencionei no meu livro (Seth Speaks) a entidade do Cristo era demasiado elevada para ser comportada por qualquer homem, ou para o efeito, se manifestar num tempo, e assim o homem que pensais em termos de cristo não foi crucificado (capítulos 21 e 22 de Seth Speaks)


Tampouco estava a ideia do sacrifício pessoal em questão, então. O mito tornou-se mais real do que o evento físico, o que, claro está, é o que acontece no caso de muitos dos chamados eventos mais importantes da história. Mas até o mito sofreu distorções. Deus não sacrificou o seu bem-amado filho ao permitir que ele se tornasse material. A entidade do cristo desejou nascer no espaço e no tempo para se estender sobre a natureza do ser e servir de líder e interpretar certas verdades em termos físicos. Cada um de vós sobrevive à morte O homem que foi crucificado sabia isso sem sombra de dúvida, e não sacrificou coisa nenhuma.


Em Seth Speaks disseste que Judas encontrou um substituto para ser sacrificado em lugar do próprio Cristo.


O “substituto” era uma personalidade aparentemente iludida, mas na ilusão que vivia tinha noção de que cada indivíduo é ressuscitado. Ele assumiu a ilusão para se tornar no símbolo do conhecimento que tinha. O homem que foi chamado de Cristo não foi crucificado. No drama global, contudo, pouca diferença fez o que era facto, nos vossos termos, e o que não era, porque a realidade maior transcende factos e cria-os. Vós possuís livre-arbítrio, e podíeis interpretar o drama com quisésseis. Ele foi-vos oferecido. O seu enorme poder criativo ainda se mantém e vós utilizai-lo ao vosso modo, mesmo mudando a vossa própria simbologia à medida que as crenças que mantendes mudam. Mas a ideia principal reside na afirmação de que o ser físico, o ser que conheceis, não é aniquilado com a morte. Isso surge mesmo em meio às distorções.


Todo o conceito de Deus pai, conforme empregado pelo Cristo representava de facto um “Novo Testamento”. A imagem masculina de Deus foi utilizada devido à orientação sexual da época, mas para além disso, a personalidade do Cristo disse: “...O reino dos céus encontra-se dentro de vós.” (Lucas 17:21) De certo modo a personalidade de Cristo representou uma manifestação da evolução da consciência que conduziu a raça para além dos conceitos violentos da época, alterando comportamentos que tinham prevalecido até essa altura.


Em termos de tempo – ou evolução, conforme sois levados a pensar nisso - a consciência emergente chegou a um ponto em que se encantava de tal modo com distinções e diferenças, que até esmo em áreas geográficas restritas multidões de grupos, cultos e nacionalidades se reuniam, cada um dos quais a afirmar orgulhosamente a sua própria individualidade e mérito sobre os outros. Nesses termos, no princípio a consciência emergente do homem necessitara de liberdade para se dispersar, diferenciar e para criar a base de várias características e afirmar individualizações. No tempo de Cristo, todavia, fazia-se necessário um princípio qualquer unificador por intermédio do qual essa diversificação também passasse a experimentar um sentido de unidade e sentir a sua unidade.


Cristo representou o símbolo da consciência emergente do homem, que carregava em si o conhecimento do potencial do homem. A sua mensagem era para ser transmitida para além dos tempos, mas frequentemente essa interpretação não foi feita. Cristo utilizava parábolas que tinham aplicação na altura. Empregava os sacerdotes como símbolos da autoridade. Transformou a água em vinho, mas ainda assim muitos dos que se consideram muito santos ignoram Cristo na festa das bodas e consideram toda a bebida alcoólica degradante. Conviveu com prostitutas e com os pobres, e os seus discípulos dificilmente seriam enquadrados no quadro de vereadores. Ainda assim, muitos dos que se consideravam religiosos regiam-se pela respeitabilidade na maioria dos casos. Cristo empregou o vernáculo da época e à sua maneira pregou contra os dogmas assim como contra os templos que pretendiam passar por repositórios do conhecimento sagrado, mas que em vez disso se preocupavam com o dinheiro e o prestígio. No entanto, muitos dos que se consideram seguidores de Cristo voltam-se agora contra os párias que ele próprio considerava como irmãos e irmãs. Ele afirmou a realidade do indivíduo sobre qualquer organização ainda que percebesse que seria necessário um sistema qualquer. Toda a sua mensagem transmitia o facto do mundo exterior representar a manifestação do mundo interior, que o “reino de Deus” se torna carne.


Existem de facto evangelhos perdidos que foram redigidos por indivíduos noutras terras por essa altura e que se relacionavam com a vida desconhecida do Cristo, e episódios não descritos na Bíblia. Eles formam todo um corpo à parte de conhecimento que podia ser aceite por pessoas portadoras de diferentes crenças das dos judeus desses tempos. As mensagens eram transmitidas noutros termos, mas uma vez mais, reflectiam a afirmação do seu ser de uma existência contínua após a morte física. O amor sempre era realçado. Um dos evangelhos é falsificado – ou seja, foi escrito após os outros, e os acontecimentos retorcidos para fazer com que alguns tenham sucedido num contexto amplamente diferente daquele em que sucederam. Independentemente disso, A mensagem de Cristo foi uma de afirmação.


Não foi o de Marco nem o de João. Há razões em particular para o facto de o não especificar neste momento...
Na altura, Cristo uniu a consciência dos homens de tal forma que isso se estendeu pela história. A consciência de Cristo não se achava isolada. Expresso-me, neste caso, nos vossos termos. A mesma consciência fez brotar todas as vossas outras religiões; os vários quadros por meio dos quais as pessoas de diferentes épocas puderam expressar-se e crescer. Em todos os casos, as religiões tiveram início com as crenças prevalecentes, expressaram-se por intermédio dos ditados da época e depois expandiram-se. Agora isso representa o lado espiritual da evolução do homem. As molduras de ideias da vida psíquica e mental eram de longe muito mais importantes do que os aspectos físicos à medida que a espécie crescia e se alterava.


Sessão 674




A afirmação significa, pois, a carinhosa aceitação da vossa individualidade singular. Pode envolver rejeição, em que recusais aceitar as visões ou dogmas dos outros para poderdes perceber com mais clareza e formar os vossos próprios.

Uma afirmação dessas conduzir-vos-á às vossas próprias descobertas interiores e levá-los-á a atrair das porções mais profundas do vosso ser o tipo particular de informação, de experiência e de percepção que necessitais.

A carinhosa aceitação de vós próprios permitir-vos-á passar através das crenças como se passásseis pelas características cambiantes de uma região rural. Quanto mais determinada crença vos encorajar a utilizardes as vossas capacidades e vitalidade, mais assertiva se revelará também.

A percepção do Ruburt (da Jane) acha-se muito alterada, esta noite, e isso serve de exemplo de certos tipos de afirmação e de rejeição. Ele sempre enfatizou os próprios processos criativos e intuitivos. Ao proceder assim, rejeitou muitos dos conceitos em que os outros acreditam. Aceitou a crença de que qualquer consciência pode estabelecer um contacto de qualquer tipo directo e íntimo com experiências e realidades geralmente não percebidas, e ignoradas. Ele sabia que existiam muitos modos diferentes de experimentar até mesmo o mundo físico, e desse modo rejeitou todos os conceitos que lhe dessem a entender outra coisa. A própria crença permitiu-lhe fazer uso dessas capacidades, que à semelhança de músculos, se foram tornando mais resistentes com o uso, assim como acontece com os poderes intuitivos e psíquicos.

As pernas correm e saltam sobre áreas terrenas Elas não conseguem interpretar a realidade que se acha por debaixo delas. Os pés não têm consciência das formigas que esmagam. Podem sentir a relva ou o passeio ou a rua, mas a vida sensível peculiar e individual da própria relva, ou da formiga, escapa-lhe por se encontrar envolvido na sua própria realidade e empenhado nessas outras coisas relacionadas com à condição de ser que comportam. A mente é capaz de interpretar as experiências que as pernas e os pés têm, todavia, e ao utilizar a informação dos sentidos é capaz de perceber a realidade da formiga em certa medida. Agora, quando a mente acelera e corre, por vezes tem uma enorme dificuldade em interpretar as suas actividades junto do cérebro, que geralmente se encontra ocupado com outras realidades apenas na medida em que elas repercutem nela.

Agora; a mente do Ruburt tem muito mais consciência de outras realidades do que o cérebro tem, mas acredita conscientemente na realidade superior dele próprio e das percepções que tem. O cérebro também possui essa crença, e assim abre-se tanto quanto possível às actividades da mente. Por o fazer, certas experiências intuitivas e “intelectualmente ampla” podem ser fisicamente sentidas até determinado ponto. O conhecimento é interpretado por meio de alterações nas sensações corporais que lhe conferem uma validade corporal significativa. Em tais casos, a sua elevada actividade mental e psíquica é reflectida na experiência do corpo, fornecendo-lhe uma unidade proveitosa. Utilizei aqui o termo “ampla” em relação às operações da mente e às intuições que têm existência no que podereis designar por gama acelerada de acção. O intelecto normal, orientado com tal precisão por crenças para a inevitabilidade de um tipo de percepção unidireccional, é limitado.

Um certo tipo de afirmação de si próprio permite que o cérebro sintonize esses métodos de percepção mais amplos que consistem nas características naturais da mente. Existem razões muito boas por que esse tipo de asserção precisa ocorrer em primeiro lugar. O cérebro (assim como todo o sistema físico) é destinado a assegurar a vossa sobrevivência física e a obedecer às crenças conscientes que tendes sobre a realidade. Há sempre uma ligação harmoniosa e unificadora entre as crenças que tendes e as actividades que empreendeis. Algumas pessoas sentem-se completamente confiantes em determinadas áreas e receosas em outras. Certos aspectos da vida poderão ser ignorados ou mesmo refutados por um tempo enquanto se focam em outros. O indivíduo arguta e astutamente avançará nessas áreas em que ele ou ela se sente seguro, muitas vezes quando se encontram no processo de procederem a alterações nas crenças que têm.

Não usareis a vossa mente mais ampla até asseverardes a sua realidade em vós próprios, e até vos encontrardes prontos para lidar com a informação adicional que se tornará conscientemente disponível numa ou em outra medida. Mas a mente mais ampla opera por intermédio da vossa qualidade de criaturas; mas, do vosso ponto de vista, representa as capacidades latentes inerentes à consciência que poderão representar mais ou menos funções normais.

Existem estruturas biológicas internas que são activadas para acolherem tais mensagens, e elas sempre constituíram uma parte da vossa natureza física enquanto espécie. Elas não serão desencadeadas numa base pessoal até que as vossas crenças vos permitam perceber as camadas multidimensionais da vossa própria experiência – ou pelo menos aceitar as suas possibilidades.

Conforme o episódio por que o Ruburt passou esta noite revela, até as informações normais provenientes dos sentidos alcançam um tipo de multidimensionalidade, uma riqueza bastante difícil de descrever. Isso fornece automaticamente um processo de aprendizagem biológica em que os sentidos podem ser utilizados de um modo mais livre e aprofundado. Enquanto tais ocorrências não se revelam constantes, são suficientemente frequentes para que a experiência ordinária seja alterada. A riqueza sobrepõe-se.

Não precisais saber coisa nenhuma necessariamente sobre as chamadas questões psíquicas. Muitos indivíduos utilizam a mente mais ampla e as percepções que faculta tendo-as como certas sem perceberem o quão diferente a sua percepção é da dos outros. O Ruburt questionou-se sobre o assunto que se segue, que está relacionado: psicologicamente, carregais em vós próprios resíduos da vossa evolução, sou seja, vestígios físicos de órgãos e de outros atributos há muito tempo descartados.

Do mesmo modo, também carregais em vós estruturas ainda por utilizar plenamente; aquelas organizações que apontam – nos vossos termos agora – na direcção de uma evolução futura. E a utilização da mente mais ampla envolve essas organizações. As pessoas ao longo de todas as eras experimentaram esse outro tipo de consciência, embora sem ser na sua forma mais plena.

A experiência com a mente mais ampla faz desaparecer qualquer conflito aparente entre o intelecto e a intuição em outros níveis. Na medida do possível, o organismo físico interpreta essa unidade por intermédio de uma nova mistura de informação proveniente dos sentidos, de modo a que a informação faça sentido materialmente.

Uma pessoa pode sintonizar a operação da mente mais ampla duas ou três vezes numa vida sem o perceber, e passar por experiência que achará difícil de interpretar mais tarde. A informação envolvida é de carácter transcendente, pela qual, durante um período a pessoa assevera a sua realidade na carne e ao mesmo tempo declara a independência que tem em relação a ela – e percebe que ambas essas condições existem em simultâneo. Uma percepção dual tem lugar na qual a mente mais ampla é activada. Por “activada” refiro-me ao facto do organismo físico se tornar subitamente consciente da existência da mente mais ampla.

Quando utilizada apropriadamente e plenamente nos vossos termos de tempo, a mente mais ampla enriquecerá de uma forma vasta as dimensões da espécie, e conduzirá o corpo a uma maior harmonia. Ao nível neurológico existem estímulos latentes e por libertar que podem ser ajustados, e quando o são, a experiência prática que fazeis com o tempo conforme o conheceis acabará alterada. Do vosso ponto de vista a espécie mostrar-se-á então tão diferente que parecerá ser outra de todo.

Conforme o Ruburt sugeriu, os vossos sistemas moderno de comunicações já expandiu a informação disponível a uma mente consciente privada num dado momento, e isso puramente ao nível físico. Precisais agora processar e assimilar informação agora disponível relativa a acontecimentos em outros locais, de que em séculos anteriores, nenhum indivíduo teria tido consciência. Assim, acontecimentos ocorridos em lugares distantes convertem-se em conhecimento presente. Os intervalos de tempo entre a ocorrência de um episódio e o vosso conhecimento dele sofrem um estreitecimento temporal, embora o evento possa dar-se no outro lado do mundo.

As viagens de avião baralham-vos a ideia e a experiência que fazeis do tempo, e ao faze-lo altera-vos o conceito que dele fazeis. Mas nos mecanismos do corpo há estímulos por libertar e reconhecer que vos permitirão, enquanto espécie, manejar conscientemente maiores percepções de tempo tal como agora lidais com maiores percepções de espaço.

De um modo desajeitado isso é insinuado por intermédio do uso dos computadores, ao tentardes aceder a probabilidades futuras e agis de acordo no vosso presente. A mente é capaz de fazer isso muito melhor do que qualquer computador. Caso acreditasse nisso, aí certas porções do cérebro seriam activadas. A mente tomaria mais consciência de uma maior porção do conhecimento da mente e as probabilidades de eventos futuros tornar-se-iam conscientemente disponíveis. O cérebro precisaria distinguir essa informação de modo que o mecanismo sintonizado com o físico fosse claramente capaz de manter o seu presente temporal.

Quando o homem pela primeira vez desenvolveu a pausa destinada à reflexão, conforme mencionado anteriormente neste livro (sessões 635-36 do Capítulo 9) sofreu uma desorientação inicial antes de aprender a distinguir um acontecimento vívido do passado de um outro de uma experiência presente. A mente em crescimento teve que proceder a esse tipo de distinções por razões de conduta prática. Para poder utilizar eventos prováveis futuros o cérebro físico seria forçado a a alargar as suas funções ao mesmo tempo que mantivesse o indivíduo numa relação inequívoca com o presente momento de poder, ou de eficácia corporal. A afirmação envolve sempre implica o reconhecimento do vosso poder no presente. Em termos mais amplos, a negação constitui a renúncia a esse poder. A afirmação, pois, representa a concordância com a capacidade que tendes, enquanto espíritos encarnados, de moldar a realidade física da criatura que sois.

Agora; vós podeis alterar o vosso presente por meio da alteração do vosso passado, assim como podeis alterar o vosso presente a partir do vosso futuro. (sessões 653 e 654 no Capítulo 14). Mesmo essas manipulações precisam ter lugar na vossa experiência prática presente, todavia. Muita gente mudou numa altura ou em outra o comportamento presente em resposta a um conselho da parte de um Eu “futuro”, sem que jamais tenham consciência de o terem feito. Supunham que tinham um objectivo particular em mente aquando crianças, na direcção do qual avançáveis. O propósito, imagens, desejos e determinação formam uma força psíquica que é projectada adiante, no exterior. Enviais a vossa realidade do vosso presente para o que pensais seja o vosso futuro.

Bom; digamos que em determinada altura precisais tomar uma decisão e não sabeis para que lado vos haveis de voltar. Podeis pressentir que correis o risco de vos desviardes do vosso propósito mas devido a outras razões vos sentis fortemente inclinados a tomar uma decisão. Num sonho ou num devaneio podeis subitamente escutar uma voz mental que vos diga perentoriamente para avançardes com o vosso propósito inicial. Assim como podereis receber, por uma outra forma qualquer, a mesma informação – por intermédio de um impulso ou de uma visão, ou simplesmente por um súbito conhecimento do que precisais fazer. Tudo isso ocorre no vosso presente.

Por outras palavras, o Eu que projectastes no futurou envia-vos de volta encorajamento a partir de uma realidade provável que ainda precisais criar. Todavia, esse Eu que se acha focado opera a partir do presente dele, e um dia qualquer no vosso futuro podereis dar por vós a pensar com nostalgia sobre uma altura do vosso passado em que vos sentíeis irresolutos e indecisos, mas tomastes o rumo apropriado.

Podeis pensar: “Alegra-me tê-lo feito”, ou “Sabendo o que sei hoje, quão afortunado me sinto por ter tomado tal decisão!” E nesse instante sois o Eu futuro que “outrora” terá animado àquela pessoa do passado. O futuro provável terá alcançado o presente prático.

A afirmação anterior de vós próprios projectada no futuro tornou tal incidente possível. Do mesmo modo, a aceitação de vós próprios e da vossa própria integridade pode, em qualquer altura do vosso presente, alterar o vosso passado e futuro.

Sem comentários:

Enviar um comentário