quarta-feira, 11 de abril de 2012

EXCERTOS




Tradução: Amadeu Duarte


O facto de nos espiritualizarmos não quer dizer que devamos abdicar do discernimento. Isso resulta automaticamente na desvalorização pessoal!

Essa é a ética herdada da religião Judaico-Cristã, que redunda no conflito e na hipocrisia – por assentar na mentira e na culpa que o acto de nos escusarmos à verdade acarreta!

O que podemos é atender à nossa natureza de um modo que resulte na total aceitação pessoal, de modo que o confronto com o “outro” que o julgamento crítico envolve não mais se proponha.

Nós amamos ao criarmos uma realidade pessoal repleta de amor, e não estabelecendo uma linha de demarcação que separe e distinga: “Jamais abrirei a minha boca para dizer mal seja de quem for; daqui em diante vou somente amar..!”, o que propicia a criação duma situação de frieza incontornável.

Na qualidade de toda esta diferença de juízo reside o “jogo da vida! Em ver até que ponto conseguimos realizar tal grandeza! Desse modo obteremos meia-chance de nos amarmos a nós próprios, ou seja - se formos meio incapazes de magoar o próximo, seremos também meio incapazes de o amar! E se ele não for capaz de nos causar mágoa, nesse caso jamais seremos capazes de sentir o seu amor! Somente se conseguirmos isso e escolher não o fazer, é que poderá saber que o amamos!

Somente por causarmos impacto, por criarmos uma realidade em que exercemos impacto no outro é que passamos a dispor de meia-chance de nos amarmos a nós próprios e toda a chance de amar o “outro”.

Amor por obrigação não implica qualquer sentido de escolha. O uso consciente da escolha significa poder. Se não exercermos qualquer impacto também não resultará nenhum sentido de amor! Faremos uso da palavra, mas precisaremos repeti-la para que faça algum sentido, ou permanecerá esquecida e insignificante.

Se resultar impacto, então poderemos amar-nos e amar alguém. Saber que podemos magoar alguém é ter consciência de que podemos amar e escolher deixar de o fazer. Nisto há que ser quente ou frio, para que Deus possa actuar, conforme reza o Deuteronómio! “Morno” significa negação, recusa de actuarmos, divisão; a recusa redunda no acto hediondo de provocarmos uma mágoa que jamais sentimos, e que verdadeiramente mina ambos, pela separação e pela negação da verdade da nossa natureza e das potencialidades que alberga!

Quão sozinhos e desprezados pelo amor dos outros queremos ficar, sem poder? Sintamos e actuemos de forma plena! Alegremo-nos por podermos exercer impacto porquanto a “representação” em que tomamos parte é maravilhosa. Alegremo-nos com a possibilidade de podermos causar mágoa, porque aí poderemos passar a deixar de fazer uso dela. E por, apresentando-nos uma oportunidade, podermos responsabilizar-nos por isso e repará-lo e curá-lo.

A maior expressão da liberdade reside em sermos responsáveis!
O maior dom é o da escolha!
A acção mais elevada, é a do amor.
A maior alegria, é a de curar, ou sanar.

Se não tivermos noção do impacto que exercemos não poderemos sanar os “erros” nem amar, mas tampouco poderemos estabelecer opções nem ser livres de escolher! Isso é sermos responsáveis – ter consciência!

Parte desta “encenação” em que tomamos parte por opção reside no facto de exercermos impacto. O que traduz uma escolha consciente por que teremos optado.

O uso impróprio da motivação e da acção assente no inconsciente ou no subconsciente...

Ela assenta essencialmente no consciente. Trata-se duma motivação que segmentamos por conveniência. A motivação reside na mente consciente, onde o assento do poder que nos assiste se encontra alojado.

Desde os primórdios da evolução da nossa consciência neste plano, a consciência atravessou diferentes estágios de evolução.

O subconsciente é encarado como a procedência, como um servente, como aquilo de que precisamos desligar-nos, um inimigo, um escravo; não é visto como aquilo para que precisamos encaminhar-nos, como um amigo, um factor co-criador da nossa realidade.

É bastante importante que abandonemos a pretensão da separação que é expressada pela noção da motivação ou acção conotada como subconsciente e nos voltemos para esse segmento imbuídos duma perspectiva e de um propósito e de um sentido de nós e do nosso poder, diferente.

A evolução da consciência – ou do poder:
O primeiro passo na senda da evolução da consciência é o que é dado pela consciência “superior” e envolve a concepção ou natureza de um espaço tão vasto que não pode ser restringido.

A sede do poder da nossa consciência originalmente assentava na consciência superior: toda a motivação, todas as funções e decisões se achavam envolvidas na mente superior, mas nós não tínhamos controle sobre ela nem poder de decisão sobre o que acontecia. Seria descrito por um estado anterior ao da nossa condição de existência física, em que não tínhamos qualquer forma nem substância nem manifestação. Através do processo de evolução o assento do poder desceu a um segundo “passo” nesse processo – o da substância, que se traduz pela mente inconsciente (representa um ponto de começo com o qual não mais poderemos relacionar-nos, para além de termos conhecimento da sua existência). De onde todas as decisões, todas as motivações, todas as interpelações, interpolações e extrapolações procediam. Uma vez mais, sem qualquer controlo nem consentimento prévio – simplesmente acontecia!

Esse nível corresponde mais directamente àquela fase em que nós, enquanto consciência, nos manifestamos no reino mineral ou no reino das plantas. O assento do poder mudou um passo em frente, para baixar de novo, até ao ponto em que a sede do poder foi transferida para a mente subconsciente. Todas as motivações e todas as acções e reacções e todas as decisões a ser movidas a partir e com base na mente subconsciente em nós, o que corresponde ao instinto animal e aos períodos de motivação subconsciente no homem.

Na nossa evolução individual, as nossas vidas primevas assemelhavam-se bastante às dos animais. A nossa função centrava-se na sobrevivência e na existência, sem outra motivação a razão para colocarmos o pé direito à frente do esquerdo para além do da sobrevivência, de modo a podermos por o pé esquerdo adiante do direito.

Sucede, uma vez mais, a fase em que, o assento do poder desce uma vez mais, e inunda a mente consciente; onde passamos a elaborar decisões e acções conscientes, motivações, reacções, bem como toda a nossa realidade.

A sede de poder assenta, agora, na mente consciente. Desse modo, torna-se inapropriado referir a acção ou motivação como tendo origem na inconsciência ou no subconsciente! Trata-se, ao invés, duma motivação consciente que fingimos não trazer à flor da consciência e não ter conhecimento algum, e que passamos a depositar nos recessos subconsciente ou inconsciente da nossa consciência, mas que constitui uma falsidade. A mentira nasceu dessa acção de divisão, de segmentação do acto de termos consciência o passar a ignorar.

O próximo passo – a nova contextualização – consiste em penetrarmos os domínios do subconsciente de forma consciente, em observar as crenças, e dar atenção aos condicionamentos, ao invés de mergulharmos nele de modo inconsciente. Mas esse próximo passo tem que ser dado de forma consciente. Aqui, a motivação subconsciente já não pode mover a consciente. Tampouco o poderá a inconsciente. Precisamos avançar rumo ao subconsciente duma forma consciente, e munidos dum objectivo, de concentração, de vontade, assim como do poder da nossa imaginação.

No devido tempo passaremos a deslocar a consciência delegada ao chamado “subconsciente” à mente Inconsciente – duma forma consciente, e por fim à mente superior – de forma consciente. A isso se chama tornar-nos UM com... (O que quisermos usar para descrever o alvo dessa acção é opcional)

O processo de evolução deu a volta e direcciona-se agora exactamente para a procedência – com assento de poder na consciência superior – só que desta vez colocando-o nela duma forma consciente, ao invés de o descobrirmos aí.

Voltamo-nos para o subconsciente para revelarmos e descobrirmos e desenvolvermos o nosso potencial humano, mas precisamos descobrir o caminho inverso até esse subconsciente do qual procedemos. Como nos encontramos no nosso estágio consciente e não podemos terminar o movimento do movimento do potencial humano se não for por intermédio duma perfeita sintonia com a consciência e um direccionar desse potencial, não poderemos alcançar esse potencial nem desenvolver o potencial seguinte que é o potencial subconsciente: não para descobrirmos de onde viemos, mas para descobrirmos para onde nos encaminhamos.

O paradoxo assenta no facto do subconsciente continuar a ser um forte aliado – só que não pela vertente do conceito mas pela da acção. Quando se refere que devemos investigar o subconsciente, resta dizer se será no sentido ulterior ou posterior (de andarmos para trás, procura de causas no passado e negação da responsabilidade da escolha). É isso o que distingue os que evoluem dos que fecham os olhos às evidências, porque as consequências são-nos debitadas a nós. Escolheremos o martírio, a vitimização, a culpabilização, ou o exercício pleno da vontade e da determinação e da acção direccionada?

Não existem mapas; cabe-nos a nós orientar-nos com base na consciência/informação que mais se nos acomodar. Que é que nos motiva? Que é que nos impele e confere sentido de valor? Estas e outras indagações precisam ser devidamente avaliadas. Isso determinará a evolução do processo para o nível da escolha e da decisão e da acção da vontade, que até aqui operava pela vertente automática. Não conseguimos conscientemente decidir: “Vou deslocar o assento do poder da mente subconsciente para a consciente”! Provavelmente não saberíamos transferir o poder da consciência superior para a do estado de vigília. Possivelmente não o conseguiríamos!

Freud surgiu na cauda final, e em retrospecto sugeriu: “Ah, a motivação procede da mente subconsciente.” Que revelação! Terá representado um homem á frente do seu tempo? Não, atrás do seu tempo. Olhando em retrospectiva, ele já tinha sido transferido, e ele descobriu as pistas disso e atribuiu-lhe um nome novo, em resultado do que muitos tomaram a carruagem e começaram à procura das motivações para os comportamentos que assumiam, subconscientes. Até surgirem discípulos que romperam com ele (Jung, Adler, Rank, Reich) sem saberem muito bem porquê, mas com consciência que de aquilo que defendia não era exacto.

A concepção, aquela fase em que o esperma inunda e fecunda o óvulo, corresponde, grosso modo, àquela fase de evolução que aqui se processa (analogias que operam como exemplo da acção  macro cósmica). Uma delas assenta no próprio nascimento.

SOBRE O MARTÍRIO E A VITIMIZAÇÃO





Desta vez… está a provocar uma crise que vos vai levar absolutamente a defrontar o martírio. E tal situação tanto poderá resultar num encontro como um confronto diabólico. Fica ao vosso critério. Cabe-vos decidir qual será, mas se vos dispuserdes a compreender e a cavar o martírio e a busca-lo e a tratar dele, então poderá não passar de um simples encontro: “Como passas? Estou-te a ver aí. Lamento mas não vou fazer o teu jogo, vou passar à frente.”



Se vos recusardes a compreende-lo ou fingirdes não ser capaz, aí deparar-vos-eis com ele num confronto de tipo bastante negativo, e combatereis, e sujeitar-vos-eis e sofrereis e magoar-vos-eis, e esperemos que por fim ganheis – se não nesta vida, ganhareis essencialmente numa outra vida qualquer.



Por isso, torna-se importante compreender em que consiste o martírio. O martírio constitui uma forma de autocomiseração. É igualmente – e isto levá-los-á a corar - uma forma de importância própria.



Já afirmamos inúmeras vezes que essas duas perspectivas em última análise são filtradas no homem pela autocomiseração e pela importância pessoal, independentemente do volume da crise ou do problema ou da dificuldade que estiverdes a confrontar na vossa vida particular. Independentemente do quão muito ou pouco funcione, resumem-se à autocomiseração ou à importância pessoal. Também sugerimos que a autocomiseração consiste em importância própria pelo que a questão assenta na importância pessoal. Mas como funcionais com ela, trata-se de uma dualidade.



O martírio, mais do que qualquer outro factor debilitante, representa uma combinação de ambos, pelo que se torna bastante letal; é ambas as posturas, a autocomiseração e a importância pessoal, só que é mais sofisticado do que a pura vitimização ou a superioridade cega. É mais sofisticado e mais prejudicial! Torna-se-vos mais pernicioso, por causa da sofisticação que encerra que faz com que tendeis a não o ver. Podeis ver mais prontamente quando estais a reclamar por vos sentirdes vítimas e quando sentis algum tipo de superioridade cega apenas porque (…) Também se torna mais prejudicial para os outros por eles não conseguirem quando tão prontamente se está a aproximar.



Quando vagais na vossa vitimização e quando vagais na superioridade cega que sentis, as pessoas conseguem pressentir-vos à distância, e fazer o que for necessário para saírem do vosso caminho ou para seja o que for que queiram fazer em relação à vossa vitimização ou superioridade cega. Mas quando vos fingis mártires, por ser mais sofisticado, as pessoas não conseguem ver isso tão prontamente, de modo que estão mais aptos a deixar-se tolher ou magoar ou prejudicar por isso.



E por conseguinte, o martírio tanto constitui autocomiseração como importância própria sofisticadamente mais prejudicial para todos os envolvidos. Sem segundo lugar, o martírio é caracterizado por um certo número de sentimentos, e se sentirem esses sentimentos estareis a dirigir-vos para o martírio: mal interpretados, não reconhecidos, desanimados, carregados de inacreditáveis exigências, sentir-se cheios de problemas insolúveis, inocentes quanto a toda a responsabilidade, ajuizados e mal tratados.



Ora bem, esses sentimentos em particular são comuns e a base de um mártir. “Quererá isso dizer que se ninguém me compreender eu esteja a ser um mártir?” Quer!



“Bom, então espera cá um minuto, e se não compreenderem e estiverem a jogar os seus próprios joguinhos, ou esse tipo de coisa. E se não me compreenderem de propósito? E decerto que haverá alturas em que não sou valorizado, e que existem aqueles que autocentrados e egoístas quanto o podem ser, simplesmente não dão valor a ninguém, pelo que não me valorização…” Não importa. Se estiverdes a criar uma realidade em que ninguém vos valoriza, estareis a criar a realidade de um mártir. Porque haveríeis de criar a circunstância de uma pessoa dessas? Se alguém vos estiver a interpretar mal, porque criaríeis tal circunstância? Porque vos daríeis ao trabalho de produzir uma realidade dessas? Se vos estiverdes a sentir desanimados isso tornar-se-á mais claro.



“Ah, mas eu apenas senti isso um bocadinho!” Nesse caso, sereis mártir nessa justa medida. (Riso) Se vos sentirdes sobrecarregados de um número intransponível de exigências, se estiverdes inundados de problemas sem solução, estareis a ser mártires, ou a entreter-vos com isso, ou a considerar tal coisa. Talvez ainda não tenhais mergulhado por completo de cabeça, mas estareis a tentar-vos com o martírio.

“Mesmo que os outros estejam a revelar-se esquisitos?” Sim!

“Mesmo que se trate de uma má interpretação sincera?” Sim!

“Mesmo que não tenham forma de mostrar que me valorizam?”  Particularmente nesse caso! (Riso)



É simplesmente assim, é como isso funciona, sem letra miudinha que reze que ocasionalmente possais ser mal interpretados, desvalorizados, sem que isso pese. Não tem importância, não, mas constitui martírio. Pelo menos estareis a entreter-vos com isso; não quer dizer que o sejais de pleno direito e sejais membro a cem por cento, saldeis as vossas dívidas na totalidade… Não há dívidas! O mártir jamais salda dívidas. As vítimas saldam dívidas, e por toda a gente, no entanto o mártir jamais salvam dívidas. Ele irá pensar nisso, na próxima semana, mas jamais saldam dívidas.



Mas estareis a entreter isso, e se estiverem numa situação em que percebam estar a ser mal-interpretados, precisareis lidar com isso. Com sinceridade e abertura. Porque de outra forma ireis sentir-vos mártires. De outro modo ter-vos-eis martirizado a vós próprios. Precisareis tratar disso.



Agora, por vezes, tratar disso pode envolver dizer à pessoa: “Olha, n este momento estás a interpretar-me mal, e isto é o que eu estou a sentir em relação a isso, isto é o que se está a passar comigo em relação a isso, mas eu recuso-me sentir-me mártir em relação a isso, razão por que estou a dizer-to. Não valorizas o que tenho procurado e por isso vou falar disso agora que me sinto desvalorizado o que tenho dito ou feito sobre esse tipo de coisa.”



Agora, lá que ela não mude nem diga: “Pois é, tens razão, não te valorizo,” etc., tudo bem; mas vós saístes dessa, por não estarem a fingir–se mais desvalorizados. Sabem o que está a acontecer, não entram na jogada, nem se rendem ao sentimento. Fostes além da vossa própria desvalorização quer eles venham valorizar-vos de volta ou não. E sugerimos que o provável seja que os tenhais retirado do vosso domínio.
...

O mártir sustenta o sentido moralista do rancor, que compara à hostilidade, e busca uma justiça fundada na culpabilização e no castigo.

O mártir é estritamente covarde; tem medo de interagir e de lidar com a realidade. O martírio nada comporta de nobre. O mártir não revela aquilo que sente nem expõe os problemas, por temer provarem que esteja errado; ao invés, ataca pelas costas, com medo que lhe provem estar errado.

Ele vive no medo, pelo que encobre o que sente – ponto final!

Procura seduzir-vos e em seguida diz: “Apanhei-te!” Mas jamais se dá por errado! Não, não; vós fostes quem o interpretou mal, porque ele jamais se engana. Jamais causa mossa nos outros. Toda a afectação lhe é causada a ele. Sente compaixão por si mesmo, mas nega até ao fim que sinta auto-compaixão.

O mártir gosta do sofrimento; desde que não seja ele próprio a sofrer mas seja outro indivíduo qualquer. Recorre a múltiplas camadas de defesa, como a de ser incompreendido, de não ser devidamente apreciado, etc., que terá levado anos a suprimir.

O mártir não sente – se sentisse, abandonaria de imediato o martírio e bateria com a porta!

A vítima recusa-se de tal modo a assumir responsabilidade que foge para tão longe quanto pode. O mártir já sente suportar demasiada responsabilidade, especialmente quando não lhe cabe a ele! Correrá a acolher todo o género de responsabilidades em nome do futuro: “Vou pôr cobro a esta condição; vou fazer e acontecer” mas jamais faz coisa alguma! “Vou-me responsabilizar por isto e por mais aquilo...” mas jamais chega a faze-lo! Só que representa, e fá-lo duma forma brilhante porque, o que diz soa bem.

O mártir é amplamente responsável pelos outros – mas jamais por si!

A vítima montar-vos-á uma armadilha, e culpabilizá-los-á por terdes tentado ajudar quando não era ajuda o que queria – e não o terdes conseguido! O mártir não faz isso. Ele põe-se a milhas em relação a qualquer ajuda.

O mártir é um perdedor, mas não tem consciência disso. Ele sente-se um vencedor ou estar a caminho de o ser, mas jamais chega a sê-lo, por estar sempre a comparar-se! Ele jamais se vê como suficientemente bom.

O exemplo clássico da mitologia Judeo-cristã disso, assenta na imagem de Lucifer: aquele que governava junto com Deus, e provinha da luz. O mártir é o diabo que caiu em desgraça e se viu afastado do comando das forças da luz, para governar os mundos inferiores. Porque jamais poderia equiparar-se a Deus, conforme desejava.

Ninguém fará de vós um deus! Por isso, comparais e tornais-vos perdedores.

O mártir acredita nas promessas do ego e por isso culpabiliza a natureza humana! Mas por vos recusardes  a atacar o vosso inimigo e vos passardes, em vez disso, a destruir, é que o vosso ego se enraivece, e recorre ao martírio e à hostilidade.

A natureza do mártir é isso mesmo: auto-destrutivo, cobiçoso, hostil, competitivo, elitista e carente de afecto. E estúpido!

Essa é uma descrição pormenorizada do vosso ego, igualmente.

O ego deseja tudo o que pressentirdes como verdadeiro e desmultiplica-se em promessas que jamais cumpre. É elitista, com o sentido que abriga de “melhor”. O mártir humilha. por viver num inferno de negação e de supressão e de competitividade culpabiliza todo o mundo!

É elitista e todos os que não são “estúpidos” como ele são tolos. Mas  não revela o que sente nem mostra as garras; não dá a cara nem vai à luta. Em vez disso, atém-se ao ideal que abraça, e estriba-se nele para acusar e humilhar.

É próprio do mártir voltar as costas em sinal de desprezo e de não comprometimento, e na volta ir pedir contas em relação àquilo a que tenha voltado as costas. porque só ele sofrem e somente a ele causam mágoa.

~~~~~~~~~~~~

(Breve história do movimento do potencial humano: O próprio Freud não era emocional mas sim um intelectual. Os psicanalistas ensinavam as pessoas a ajustar-se e a não expressar as emoções e os sentimentos. Os sentimentos, e não somente as recordações, precisam ser trazidas à flor da consciência para ser libertadas. Se forem suprimidas obter-se-ão pessoas adestradas e ajustadas às regras da sociedade, e que fazem as coisas “correctamente”, mas pouco salutares e honestas em relação a si próprias. Surgiram analistas renegados que atacaram as ideias dos psicanalistas freudianas, que tinham enriquecido e tornado poderosos ao ensinar as pessoas a controlar os sentimentos. 

Freud acreditava eram ainda dirigidos por primitivos instintos animais, que cabia à sociedade reprimir e controlar. Reich acreditava totalmente no oposto e cria que as forças inconscientes na mente do homem eram benignas e que era a repressão exercida pela sociedade que as distorcia; era isso que tornava as pessoas perigosas – justamente por não expressarem as emoções! Resultado: Reich viu a carreira destruída pela filha de Freud, Anna e a sua vida eliminada pela sociedade Americana, em que tinha passado a viver!  Gerou-se uma onda de propagação consumista, alimentada por psicanalistas devotados ao mundo dos anúncios, que levou as pessoas a consumir involuntariamente, através do controlo psicológico hábil: a chamada lavagem ao cérebro! No anos sessenta, deu-se uma revolução. 

Marcuse, como violento opositor dos psicanalistas defendia que as pessoas eram reduzidas à expressão dos sentimentos e identidades através da produção em massa de objectos: o chamado homem unidimensional, conformista e reprimido.) Depois surgiu o Maslow e as hierarquias dos impulsos que tendem a ser satisfeitos no homem, para terminar numa forma de individualismo que responde por a criação do indivíduo auto-orientado, para quem a satisfação pessoal e a auto-realização conta mais do que o dinheiro ou a posição, formado por indivíduos que tendem a auto-expressar-se, a ser complexos e individualistas na afirmação que procuram imprimir. Chamam-se experimentalistas e devotam-se ao conhecimento interior através da experiência directa.


 CRIANDO A REALIDADE


De que forma nos aconselharias a manifestar a nossa melhor realidade?

Existe uma variedade de realidades preferenciais. As escolhas mais difíceis que precisais fazer são escolhas entre coisas boas e coisas boas. As escolhas entre coisas boas e coisas más são realmente fáceis de fazer. Podeis proporcionar a vós próprios uma variedade de escolhas preferenciais, três ou quatro, digamos, e aí a coisa torna-se difícil.

Alguns dizem que tudo se dá por um bem intencional. Nós sugerimos, no mais amplo sentido da coisa, que quando vos afastais dele, no sentido mais extenso possível, , podereis dizer que sim, que tudo ocorre pelo derradeiro bem intencional. Só que nos atrevemos a afirmar que, quando viveis a vossa vida, dia sim e dia não, não é desse modo que isso opera. Vós criais tudo o que acontece, e em seguida tornai-lo bom ou mau com base nas escolhas e decisões que estabeleceis.

Como havereis de saber o que seja melhor para vós? Existem várias qualidades que vos encorajaria a desenvolver a fim de vos encaminhardes no sentido das vossas melhores realidades: Existem sete:

Primeiro, consciência de si, a conscientização de exercerdes impacto.

Segundo, auto-estima, a compreensão de não precisardes obter mérito, mas de precisardes descobri-lo.

Terceiro, respeito próprio, o amor que obtendes com a vossa honestidade, integridade, responsabilidade, e auto-confiança.

Quarto, amor-próprio, o amor que não obtendes. O amor-próprio é implícito. Implementai-o por meio duma contínua expansão do amor por vós próprios. Expandi a dádiva, o interesse e as intimidades do amor.

Quinto, auto-confiança, a capacidade de responder, a combinação da humildade e da confiança, da esperança e da coragem para criardes uma energia de confiança – confiança no facto de conseguirdes lidar com a vossa realidade.

Sexto, sentido de dignidade, o qual, à semelhança do mérito, não é algo que obtenhais, mas algo que descobris em vós próprios. O sentido de dignidade consiste em honrardes as vossas emoções.

Sétimo, auto-compreensão, a noção de exercerdes impacto e de o poderdes dirigir da forma que desejardes. A auto-compreensão chega a ser o resultado quase alquímico e sinergético do desenvolvimento das outras seis qualidades.

Se desenvolverdes essas sete qualidades, haveis de criar valorização pessoal. O amor-próprio é chave, a pedra angular, a mais importante de todas. À medida que fordes pondo em prática o amor por vós próprios, também haveis de colher instintivamente aquelas realidades que vos permitirão tornar-vos mais naquilo que sois. Se estabelecerdes continuamente escolhas de crescimento a partir duma fundação de valor com um enfoque no amor – o que vos irá permitir tornar-vos no mais de que fordes capazes – também vos haveis de direccionar no sentido das melhores escolhas de que fordes capazes de estabelecer. Não errareis se usardesesses critérios.

 
DESCOBRINDO O ADULTO EM NÓS
1
O tempo tem sido um conceito linear talvez desde os últimos quinhentos ou seiscentos anos; antes disso, o tempo não passava dum conceito sequencial, cíclico. E isso sugere que antes do tempo cíclico, o tempo era completamente considerado uma ilusão, uma meio artificial de comunicação. Foi com o fortalecimento da religião cristã que o tempo se tornou linear. Porque o conceito cristão se baseia num início que conduz a um término, sem possibilidade de repetição. E foi com o desenvolvimento disso por volta de 400 depois de Cristo, que o conceito da reencarnação foi removido dos textos filosóficos e religiosos ou das escrituras, a partir do que as pessoas passaram a pensar dispor apenas duma oportunidade, que cumpria encarar com seriedade, quando o facto era que tinham muitas oportunidades. Porque se pensassem dispor de muitíssimas oportunidades, elas podiam deixar de depositar a moeda no cesto aos domingos, e deixar de temer a Deus.

Na realidade funciona ao contrário; se só dispomos duma oportunidade, porque dar-nos ao trabalho de nos esforçarmos em prole disso, se nunca mais o teremos de fazer?! Ao passo que, se formos confrontados com o facto de o termos que fazer uma e outra vez, poderemos ter que prestar mais atenção.

De qualquer modo o conceito de tempo foi estabelecido por essa altura e não pegou senão por altura da renascença, quando a ciência e a igreja se uniram em torno do tempo como um conceito linear definitivo. Quando se estabelece um início definido, isso instaura uma progressão inelutável para um fim definido e não se repete, não se recicla, não se curva de maneira nenhuma.

Assim, foi por altura de 1500 que o tempo enquanto conceito linear se tornou numa realidade. Antes disso, o tempo enquanto linha directa era considerado um total contra-senso e completamente ridículo. Ao passo que actualmente, o tempo enquanto outra coisa que não uma linearidade vos parece totalmente ridículo...

Mas as vossas ciências estão a começar a sugerir – e vão continuar a sugerir nas próximas décadas, que o tempo não passa duma ilusão, e não passa dum elemento de conveniência.

O que isso implica, quando o reconhecemos, é que o instante em que nascemos e o instante em que falecemos é o mesmo; e que todas estas coisas que permeiam esses dois instantes não passam duma ilusão. Que nesse breve momento de nascimento e morte, tudo o que conjuramos, não difere dum sonho de que saímos com consciência de termos estado acordados e depois sonharmos como uma coisa elaborada que terá durado cinco ou dez minutos, mas que levará quarenta minutos a descrever, e terá parecido meses.

Assemelha-se bastante a um sonho, e a criança existe neste mesmo instante enquanto organismo que tem vida e respira, e que exerce impacto – conforme muitos de vós descobristes – exerce um impacto tremendo na vossa realidade. Se permitirdes que essa criança viva a vossa vida, vós jamais a vivereis, nem a criança o fará sequer, com sucesso; porque no diz respeito à criança, não pode ter existência na realidade do adulto, funcionar e ser responsável na realidade do adulto. A criança é a parte de vós que, assim que nasce, se desenvolve e cresce e em seguida pára ao redor dos quatro a seis anos de idade – e pára por essa altura por não conseguir obter suficiente amor, e como não obtém suficiente amor teimosamente se recusa a dar um passo em frente, rumo ao crescimento “até que me ames”! Porque independentemente da forma como a criança em vós se comporte, independentemente das mensagens em que a vossa criança vos mete e da destruição que a vossa criança provoca, a linha de fundo é a de que a criança requer amor, e terá passado algures no vosso passado, pacientemente a espera de ser amada.

Isso não é prejudicial nem errado mas algo pungente que merece ser considerado.

E por alturas dos seis, sete, oito, nove, dez, etc., o corpo continua a crescer, mas a criança parou, à espera de amor. Por volta dos treze - da adolescência...




OUTRA QUESTÃO

Há sete perguntas que podemos colocar a nós próprios. Não que a resposta a cada uma delas signifique que somos adolescentes. Mas se levarmos em conta esses sete conceitos, essas sete formas de consideração, se nos interrogarmos e colocarmos essas interrogações, isso há-de ajudar-nos a tornar-nos num adulto e havemos de saber o que fazer; havemos de saber se “isso” será uma coisa de adolescente ou de adulto. A seguir podeis decidir o que fazer; podeis ficar com a ideia de que parte disso seja totalmente uma coisa de adolescente – mas vou faze-lo à mesma.

A primeira coisa a perguntar: Para quem estareis a representar? Por que o adolescente está sempre a representar mesmo que a perspectiva não se enquadre. Porquê esta festa a que estamos a pensar ir esta noite? Para quem estarei a representar? Para os que vão participar nessa festa, para dar nas vistas? Para que não pareça estar de fora? Para que não perguntem por que razão não fui convidado? Estarei a representar para o meu próprio adolescente – “Olha como sou popular”? Toda a gente vai querer ir à festa deles. Estaremos a representar para que a mãe ou o pai vejam? “Eu sou bastante popular”. Estais a representar para vós próprios!

Cada acto que representeis para os outros tem a sua própria função, e procede do adolescente. As actrizes recebem pela sua representação; espera-se que essa seja a sua função. Por isso, a acção da representação para si próprio pela recompensa que obtém com isso é um acto próprio do adolescente. Aqui sugeriríamos que essa é a representação interna que fazemos, e que merece uma olhadela: a do adolescente.

A segunda: Estarei a criar uma fantasia ou estarei a criar uma realidade? Porque o adolescente cria uma enorme fantasia, na qual não faz a menor intenção de se desenvolver. Mas permanecerá nesse terreno sem dar o menor passo no sentido do seu desenvolvimento. E se der, há-de sabotar o seu percurso antes dele realmente se concretizar.

Enquanto o adulto é capaz de ter essa fantasia - e por vezes desmesurada - é capaz de dar os passos para implementar essa fantasia e implementá-la-á. O adolescente sempre falha; o adulto jamais falha! Pode nem sempre ser bem-sucedido instantaneamente, pode nem sempre fazer tudo correctamente e como tal pode fazer tantas asneiras quantas os demais, mas jamais falha, por aprender sempre com os passos que dá e sempre os tornar em êxitos, fundamentalmente.

Diríamos a este respeito, “Estarei a fantasiar ao querer ir a essa festa? As pessoas vão ficar de tal modo impressionadas comigo, e vou causar impressão”. O adulto actualizará essas fantasias, torná-las-á reais, absolutamente.

Terceira coisa contemplar: Quando faço alguma coisa, será importante que os outros tenham noção disso ou será suficiente que eu seja o único a saber? Será suficiente que eu o saiba ou será importante dizer aos outros? Bom, o adulto reportará o seu sucesso aos outros, mas não tem importância para o sucesso, que o faça. Só importa que tenham consciência disso. Pode dizer aos outros mas não porque precise de o fazer, somente por querer partilhar a alegria do facto. E basta que sejais só vós a ter consciência disso.

O adolescente tem que contar aos outros; mas essa é a única razão para o fazer! E o adolescente dirá prontamente: “Está bem, não contarei a ninguém.” É assim que o adolescente se comporta – de um extremo ao outro.

Será importante contar ou será suficiente que tenhais consciência sozinhos?

Quarta: Estareis a criar êxito ou estareis a imitar o sucesso? Podeis constatá-lo porque, se o estiverdes a criar isso vos tornará realizados, enquanto se o estiverdes a imitar senti-lo-eis como cansativo. “Bom, obtive a coisa tal como a queria, só que não tem aquela sensação...” Talvez seja porque imitamos o sucesso ao invés de o criarmos realmente.

Quinta: Nas nossas actividades, estaremos a orientar-nos pelos meios ou em função dos resultados? Sugeríamos que não existem fins, por isso só o adolescente se deixa orientar pelos resultados. “Não importa o que façamos para alcançar o fim em vista – isso justifica os meios empregues.” Errado! Por não existirem fins, pelo que não existe coisa nenhuma que possa justificar os meios excepto eles próprios.

Os meios são tudo o que tem importância: a forma como consigo chegar para onde me dirijo – isso é tudo quanto tem importância. O facto de chegar lá ou não, não tem tanta importância, e por vezes não tem importância nenhuma. Aqueles que dizem que o que importa é que cresçamos, e que se o vosso professor vos enganar durante o processo, tudo bem, porque o produto final justificará os meios empregues... Estão errados! Já existe coisa em demasia na nossa realidade para nos deixar magoados sem que os outros precisem fazê-lo conscientemente, e sugeríamos que se disserem: “Eu fiz isso para teu próprio bem; Na semana passada fiquei zangado contigo para que aprendesses a lição.” Vós sois o vosso próprio mestre e não precisais que ninguém vos engane. Já sabeis demasiado bem sem precisardes que os outros vos digam o que é melhor para vós e vos enganem nesse sentido. Por isso, os fins jamais justificam os meios, e ainda que todos concordeis que os fins sejam estupendos – os meios para o alcançar jamais justificam esses fins. Também sugerimos que os fins não justificam os meios para os alcançar. A coisa mais importante são sempre os meios. Com base nisso, poderá resultar um final incrivelmente bem-sucedido.

O comportamento do adulto é o que contempla os meios – com um olho no resultado – absolutamente! Mas não como um acto predeterminado.

A diferença entre o adulto e o adolescente está nisto: “Onde obterei realmente a minha autoestima? Será que provêm das qualidades internas ou provém dos resultados?”

Finalmente: “Fazer isso acrescentar-me-á alguma coisa ao facto de ser o que sou, ou não? Permitir-me-á conhecer-me melhor? Permitir-me-á ser mais do que sou? Esta festa a que quero ir irá permitir-me conhecer-me melhor, ou não?” “Bem, é só uma festa, pelo que não irá contribuir para tal fim.” Estais positivamente certos disso? Porque até as actividades mais tolas podem não deixar de orientar no sentido do crescimento. Uma festa pode orientar-se bastante nesse sentido, se a abordarmos do ponto de vista do adulto. Se fordes para impressionar e para contar aos outros que estivestes lá, e para causar impressão com a vossa fantasia, a festa pode tornar-se na coisa mais destrutiva que podereis imaginar. De outro modo, pode representar uma maneira divertida de aprender e de crescer. O adulto pode tornar qualquer coisa num factor de crescimento.
...

SOBRE A AUTOESTIMA


Estamos a sair do movimento do potencial humano (aludindo às ideias fomentadas pelo Instituto Esalen e outras fontes) rumo ao movimento do potencial espiritual – ao trabalharmos com as pessoas e descobrirmos e desvelarmos o seu potencial enquanto seres humanos que são.



O movimento do movimento Potencial Humano propõe duas coisas: um meio de desenvolvermos e de transformar e de descobrirmos tudo o que podemos fazer. E em segundo lugar propõe uma oportunidade de evolução; propicia-nos a evolução da consciência.



Podemos desenvolver o nosso movimento potencial humano (movimento nacional da transformação pessoal) sem grande dose de autoestima nem sentido de mérito próprio. Podemos conseguir um feito desses; na verdade constitui uma desvantagem, mas de facto é algo que é passível de ser conseguido. Contudo, o problema está em que, quando desenvolvemos tudo quanto podemos e evoluímos e provocamos um avanço da própria consciência sem termos suficiente autoestima nem sentido de dignidade pessoal, precisaremos estar continuamente preservar e a edificar o que quer que tivermos conseguido quase na base do dia-a-dia. Porque se não o fizermos isso pode evaporar-se.



Em razão disso aqueles que escolhem evoluir e tornar-se mais do que aquilo em que podem tornar-se e de forma resoluta recusam albergar qualquer sentido efectivo de autoestima ou sentido real de mérito próprio, deparam-se com um impedimento a tal tarefa, justamente na exacta proporção em que o crescimento se torna numa batalha, justamente quando o crescimento se torna numa verdadeira rotina diária. Mas isso pode ser conseguido. É preferível fazê-lo com base na autoestima e no sentido de dignidade própria mas pode ser conseguido sem ser desse modo.



O movimento do potencial espiritual constitui um movimento vibrante e poderoso, e no seu melhor propõe quatro componentes. Oferece-nos uma oportunidade de desenvolvermos tudo quanto pudermos e uma oportunidade de nos esclarecermos de uma maneira consciente. Outro componente adicional que tal movimento nos oferece é o de obtermos consciência relativa àquele em quem podemos tornar-nos e à iluminação espiritual.



Mas eis que, subitamente, a autoestima e o sentido de mérito próprio se tornam essenciais; por não podermos desenvolver o nosso potencial espiritual sem autoestima nem sentido de mérito próprio.



Estabelecemos, ou melhor, restauramos as fundações do nosso sucesso e a radiância da nossa abundância. E com base nessa fundação e por meio dessa radiância procuramos fazer despertar a sorte, a partir do que começamos a descobrir a riqueza inerente à nossa prosperidade, e com base nisso tudo e a partir de tudo isso, começamos a descobrir que a magia da prosperidade que se achava extraviada é peça essencial, e que precisa ser descoberta - não no sucesso, não na abundância nem sequer na sorte mas descoberta, ao invés, através da satisfação. (O contrário envolve automaticamente a luta, o esforço e possivelmente, conflito por alcançar mais, o que se alicerça na carência e, pior do que isso, se alicerça na ausência de meios)



Existem muitos que dão prova de terem obtido êxito e de possuírem abundância e mesmo sorte, mas que não gozam de prosperidade. Depois há aqueles que, independentemente de quanto sucesso e abundância e sorte tenham tido, podem jamais vir a descobrir a prosperidade, porque a prosperidade não tem que ver com o sentido de posse mas com o da satisfação, com a satisfação do nosso sucesso – seja o que for que circunscreva; reside no prazer da abundância - seja a que nível for que se reflita – emocional, mental ou espiritual. Satisfação proporcionada pela nossa sorte, e não apenas gozar de sorte, mas resultante da satisfação. E existe uma diferença substancial.



Há aqueles que descobrem a fortuna e gastam o resto do tempo a sentir temor por a poderem perder, e que sentem medo de ser afortunados e que sentem sentimento de culpa que a sorte lhes trás, a que se sentem temerosos pela possibilidade de alguém a poder roubar ou controlar ou impedir. Quase a amaldiçoar-se a si mesmos por causa da sua boa fortuna e a deixar de se satisfazerem completamente por causa dela; jamais conhecem a prosperidade porque a prosperidade advém da satisfação proporcionada pelo êxito obtido – seja lá no que for que se reflita; na nossa abundância ou sorte. A prosperidade é descoberta na satisfação da nossa riqueza.



Mas a riqueza não é medida pelo que possuímos; a riqueza é medida ou avaliada pelo que damos.

...

Sem comentários:

Enviar um comentário