domingo, 4 de dezembro de 2011

SETH - A EXPERIÊNCIA DA MORTE





Seth Speaks
CAPÍTULO 9
Sessão 535, 17 de Junho, 1970
Tradução: Amadeu Duarte
(Extraído do livro: Seth Speaks)


O que acontece por altura da morte? A questão é muito mais fácil de ser colocada do que respondida. Basicamente não existe nenhum ponto particular em que a morte se verifique, nesses termos, mesmo no caso de um acidente repentino.

Contudo, procurarei dar uma resposta prática ao que vocês referem com essa pergunta prática. O que a pergunta realmente significa para a maioria das pessoas é: “O que acontecerá quando eu não mais estiver vivo em termos físicos? Que será que vou sentir? Ainda serei o que sou? As emoções que me impeliram durante a vida continuarão a fazê-lo? Existirá um céu ou um inferno? Serei acolhido por deuses, por demónios, por inimigos, ou por aqueles que amei?” Mas sobretudo a questão significa: “Quando eu estiver morto, ainda serei quem sou actualmente e ainda recordarei aqueles que actualmente me são caros?”

Por isso, vou igualmente responder às perguntas nestes termos; mas antes de o fazer, há que fazer várias considerações aparentemente pouco práticas relativas à natureza da vida e da morte, com as quais temos que lidar.

Em primeiro lugar, consideremos o facto há pouco mencionado. Não existe nenhum ponto específico, separado e indivisível a que possamos chamar morte. A vida é um estado de  transformação, e a morte é parte desse processo dessa transformação. Vós estais vivos neste momento, uma consciência ciente de si mesma, a espumar cognição por entre escombros de células mortas e outras que estão a morrer; viva, enquanto os átomos e moléculas do vosso corpo morrem e renascem. Vós estais vivos, portanto, em meio a pequenas mortes; porções da vossa própria imagem que se desintegram a cada instante e são substituídas e vós raramente dais atenção ao assunto. Assim, e até certo ponto, vós estais vivos neste momento, em meio à vossa própria morte – vivos, independentemente dela e, ainda assim, justamente devido às numerosas mortes e renascimentos que ocorrem no vosso corpo, em termos físicos.

Se as células não morressem e não fossem substituídas, a imagem física não poderia sofrer continuidade; por isso, no presente, tal como sabeis, a vossa consciência oscila por entre a vossa imagem corpórea em constante mutação.

Em muitos aspectos, podeis comparar a vossa consciência, tal qual a conheceis agora, a um pirilampo, pois embora vos pareça que a consciência que tendes seja contínua, ela não é. Além disso ela também cintila intermitentemente; contudo, conforme mencionamos antes, ela jamais é completamente extinta. Porém, o seu foco não é assim tão constante quanto o podeis supor. Assim como vos encontrais vivos em meio às vossas múltiplas pequenas mortes, também sem que o percebais estais frequentemente “mortos” mesmo em meio à vida cintilante da vossa própria consciência.

Estou aqui a empregar os vossos próprios termos. Consequentemente, por “morte”, refiro-me a “completamente desfocado da realidade física”. Agora, a vossa consciência, pura e simplesmente não se acha fisicamente viva ou fisicamente orientada exactamente pela mesma quantidade de tempo em que ela está fisicamente viva e se orienta para o físico. Isso pode parecer confuso, mas felizmente podemos clarificá-lo. A consciência sofre pulsações, embora, uma vez mais, vós possais não ter noção delas.

Consideremos a seguinte analogia.  Num instante a vossa consciência encontra-se "viva" e focada na realidade física. No instante seguinte já se encontra completamente focada noutro lugar, num sistema da realidade diferente. Não se acha viva, mas “morta”, segundo o vosso modo de pensar. No instante seguinte acha-se novamente “viva", focada na vossa realidade, mas vós não tendes consciência do instante que interveio em que deixou de estar “viva”. O vosso sentido de continuidade, é pois edificado por completo numa outra pulsação qualquer da consciência. Ficou claro?

Lembrai-vos que isto não passa duma analogia, pelo que a palavra “instante” não deve ser encarada em termos demasiado literais. A consciência apresenta, pois, aquilo a que chamamos de “lado de baixo”. Agora, do mesmo modo, os átomos e moléculas existem de tal forma que se encontram “mortos”, ou inactivos no vosso sistema, e em seguida “vivos” ou “activos”, sem que consigais perceber o momento em que eles deixam de existir. Uma vez que os vossos corpos e todo o vosso universo físico são compostos por átomos e moléculas, nesse caso estou a referir que toda a estrutura tem uma existência em moldes semelhantes. Por outras palavras, ela oscila num movimento de activação e desactivação a um certo ritmo que se  assemelha, digamos, ao ritmo da respiração.

Existem ritmos globais e, dentro deles, uma infinidade de variações individuais - quase como um metabolismo cósmico. Nesses termos, aquilo a que chamais “morte” constitui simplesmente a inserção de uma duração mais prolongada dessa pulsação, da qual vós não estais conscientes, uma pausa prolongada, nessa outra dimensão, por assim dizer.

A morte do tecido físico, digamos, é meramente uma parte do processo da vida como vós a conheceis no vosso sistema, uma parte do processo da transformação. Mas a partir desses tecidos, como bem sabeis, florescerá uma nova vida.
A consciência – a consciência humana - não é dependente dos tecidos, e, ainda assim, não existe matéria física que não seja conduzida à existência por alguma porção da consciência. Por exemplo, quando a vossa consciência individual abandona o corpo por um processo que explicarei muito resumidamente, então a simples consciência dos átomos e moléculas permanece e não sofre aniquilação.

Agora; na vossa presente situação, vós arbitrariamente vos considerais dependentes de uma determinada imagem física e identificais-vos com o vosso corpo.
Conforme mencionado previamente, ao longo de toda a vossa vida, porções desse corpo morrem; e o corpo que possuís agora não contém uma única partícula da matéria física que teve, digamos, há uns dez anos atrás. Assim, o vosso corpo é actualmente completamente diferente do que era há dez anos atrás. O corpo que tínheis há dez anos atrás, meus caros leitores, está morto. Ainda assim, é óbvio que não se sentem mortos e são bastante capazes de ler isto com olhos compostos por matéria completamente nova. As pupilas, as pupilas “idênticas” que actualmente possuís, não existiam dez anos atrás e, ainda assim, parece que não parece que a vossa visão não terá sofrido um grande intervalo.

Este processo, como podeis verificar, continua de forma tão suave que nem chegais a ter consciência dele. As pulsações mencionadas anteriormente, têm uma duração tão curta que a vossa consciência as ignora de um modo jovial mas, ainda assim, a vossa percepção física parece não conseguir anular o intervalo sempre que ocorre o ritmo mais prolongado dessa pulsação. E assim, esse é o período que percebeis como morte. Aquilo que vós quereis saber, pois, é o que acontece quando a vossa consciência se dirige para além da realidade física e quando, momentaneamente, parece não ter “imagem” nenhuma para usar.

Falando de um modo bastante prático, não existe uma resposta para a questão porque cada um de vós constitui um indivíduo. Em termos gerais, é claro, existe uma resposta que é capaz de englobar os aspectos centrais dessa experiência, mas os diferentes tipos de morte têm muito a ver com a experiência que a consciência sofre. Também envolve o desenvolvimento da própria consciência e seu método característico global de lidar com a experiência.

As ideias que tendes em relação à natureza da realidade colorirão fortemente as experiências por que passardes, pois haveis de as interpretar à luz das crenças que tendes, tal como agora interpretais a vida do dia-a-dia de acordo com as ideias que tendes sobre o que é possível ou não. A vossa consciência pode retirar-se do vosso corpo lenta ou rapidamente, de acordo com diversas variáveis.

Em muitos casos de senilidade, por exemplo, porções fortemente organizadas da personalidade já abandonaram o corpo e estão a fazer frente a circunstâncias novas. O medo da morte em si pode causar um tal pânico psicológico que, por uma questão de auto preservação e defesa, vós diminuís a consciência que tendes, de forma a permanecerdes num estado de coma de que podeis levar algum tempo a recuperar.

Uma crença no fogo do inferno pode fazer com que tenhais alucinações de condições infernais. Uma crença num céu estereotipado pode resultar em alucinações divinas. Vós sempre formais a vossa própria realidade de acordo com as ideias e expectativas que tendes. Essa é a natureza da consciência em qualquer realidade em que se encontre. Todavia asseguro-vos que tais alucinações são temporárias.

A consciência precisa fazer uso das capacidades de que dispõe. O enfado e a estagnação de um céu estereotipado não satisfarão por muito tempo a consciência que se esforça. Existem mestres para explicar as condições e as circunstâncias. Vós não sois de modo algum abandonados, nem vos perdeis nos labirintos das alucinações. Mas podeis ou não perceber imediatamente estar mortos, nos termos físicos.

Vós dareis por vós numa outra forma, uma imagem que se parecerá fisicamente convosco em grande medida, contanto que não tenteis manipular o sistema físico com ela. Porque aí, as diferenças entre ela e o corpo físico, se tornarão óbvias.
Se acreditardes firmemente que a vossa consciência é um produto do vosso corpo físico, então podeis tentar ajustar-vos a ele. Existe, contudo, uma ordem de personalidades, uma guarda honorária, se assim podemos dizer, que se acha sempre pronta para prestar auxílio e ajudar.

Agora; esta guarda honorária é composta tanto por indivíduos vivos como mortos, nos vossos termos. Aqueles que vivem no vosso sistema de realidade executam essas actividades no estado de projecção fora do corpo, enquanto o corpo físico dorme. Eles acham-se familiarizados com a projecção da consciência e com as sensações que isso envolve, e ajudam a orientar aqueles que não retornarão ao corpo físico.

Estes indivíduos são particularmente úteis porque eles ainda se acham envolvidos com a realidade física, e possuem um entendimento mais imediato dos sentimentos e emoções envolvidos por altura do término da vossa vida. Tais indivíduos podem ou não reter uma recordação das actividades nocturnas que têm. As experiências com a projecção da consciência e o conhecimento da mobilidade da consciência são, pois, bastante úteis como preparação para a morte. Vós podeis experienciar o ambiente pós-morte, por assim dizer, por antecipação, e aprender sobre as condições com que se depararão.

Isso não envolve, aliás, necessariamente nenhum tipo de empreendimento sombrio, nem os ambientes pós-morte são sombrios. Antes pelo contrário, eles são geralmente muito mais intensos e alegres do que a realidade que actualmente conheceis.
Aprenderão simplesmente a operar num ambiente novo, ao qual se aplicam diferentes leis, bem menos limitativas do que as físicas com as quais operais agora. Por outras palavras, deveis aprender a entender e a usar novas formas de liberdade.

Contudo, mesmo essas experiências serão variadas e até mesmo este estado constitui um estado de transformação, pois muitos prosseguirão rumo a novas vidas físicas. Alguns alcançarão uma existência e desenvolverão as suas capacidades em sistemas da realidade completamente diferentes e, assim, durante algum tempo, continuarão nesse estado “intermediário”.

Para aqueles de vós que são preguiçosos, não posso sugerir nenhuma esperança: a morte não lhes trará nenhum lugar de descanso eterno. Podeis descansar durante algum tempo, se esse for o desejo que tendes. Contudo, precisais não só usar as capacidades que tendes após a morte, como tendes que assumir aquelas que não usastes durante a vossa existência anterior.

Aqueles de entre vós que tiveram fé na vida após a morte, descobrirão ser muito mais fácil acostumar-se às novas condições. Aqueles que não possuem tal fé podem obtê-la de um modo diferente, através dos exercícios que vos dispensarei mais à frente neste livro; pois eles os capacitarão a estender a vossa percepção a essas outras camadas da realidade se fordes persistentes, determinados, e esperardes tal coisa.

Agora; a consciência, tal como a conheceis, está habituada a esses breves intervalos de não-existência física mencionados previamente. Intervalos longos desorientam-vos em diferentes graus, mas eles não são incomuns. Quando o corpo físico dorme, a consciência frequentemente abandona o sistema físico por períodos bastante prolongados, segundo os termos que empregais. Mas como a consciência não se acha no estado de vigília normal, não tem consciência desses intervalos e mostra-se relativamente indiferente.

Se a consciência abandonar o corpo pela mesma quantidade de tempo do estado normal de consciência de vigília, ela se consideraria morta, pois ela não seria capaz de interpretar a diferença da experiência e a diferença da dimensão. Por isso no estado de sono, cada um de vós passa - até certo ponto - pelo mesmo tipo de ausência de consciência da realidade física por que passais durante a morte.
Nesses casos, vós voltais ao corpo, mas já tereis passado além do limite dessas outras existências muitas, muitas vezes pelo que isso não vos será assim tão desconhecido quanto possais actualmente supor. Experiências de recordação de sonhos e outras disciplinas mentais a serem mencionadas mais tarde esclarecerão mais esses aspectos a todos quantos embarcarem nos exercícios propostos.

Agora, podeis ou não ser saudados por amigos ou parentes imediatamente após a morte. Essa, como sempre, é uma questão pessoal. Além do mais, podeis estar muito mais interessados nas pessoas que conhecestes em vidas passadas do que, por exemplo, naquelas que vos foram mais próximas na presente.

O sentimento autêntico que tiverdes sentido em relação aos parentes que também se encontrarem mortos será conhecido tanto por vós como por eles. Não existe hipocrisia. Não fingis amar um pai que pouco tenha feito para merecer o vosso respeito ou amor. A telepatia opera sem distorção nesse período pós-morte, pelo que precisais lidar com as relações verdadeiras que sentirdes existirem entre vós e todos os parentes e amigos que vos aguardam.

Podeis achar que alguém que considerastes simplesmente como um inimigo na verdade merecia o vosso amor e respeito, por exemplo, e o tratareis, então, dessa forma. Os vossos motivos pessoais tornar-se-ão claros como água. Contudo, haveis de reagir a essa evidência à vossa própria maneira. Não vos tornareis automaticamente sábios se antes não o tiverdes sido, mas tampouco existirá então qualquer maneira de vos esconderdes dos vossos próprios sentimentos, emoções ou motivos. Se aceitais ou não motivos inferiores em vós próprios ou aprendeis com eles, ainda é coisa que fica ao vosso critério. Porém, as oportunidades para o crescimento e o desenvolvimento são muito ricas e os métodos de aprendizado que tendes à disposição são bastante eficazes.

Examinais o tecido da existência que deixastes e aprendeis a compreender como as experiências que tivestes terão resultado de vossos próprios pensamentos e emoções e o quão eles terão afectado os outros. Até que esse exame esteja concluído, ainda não estareis cientes das porções mais vastas da vossa própria identidade. Quando percebeis o significado e o sentido que a vida que acabastes de deixar tem, então estareis prontos para conhecer conscientemente as vossas outras existências.

Dais-vos por essa altura conta de uma consciência expandida. O que vós sois começa a incluir aquilo que fostes noutras vidas e começais a fazer planos para a vossa próxima existência física, no caso de vos decidirdes a favor de outra. Vocês podeis, em vez disso, penetrar noutro nível da realidade para retornardes depois à existência física se assim o escolherdes.

A vossa consciência, tal como a concebeis, pode, é claro, abandonar por completo o vosso corpo antes da morte física. (Conforme mencionado previamente, não existe um ponto preciso que circunscreva o estado da morte mas eu refiro-me a ela como se existisse por uma questão e conveniência.)

A vossa consciência abandona o organismo físico de vários modos, de acordo com as condições. Em alguns casos o próprio organismo ainda é capaz de funcionar até determinado ponto, embora sem a condução ou organização que previamente existiam. A consciência simples que os átomos, células e órgãos têm continua a existir durante algum tempo, depois que a consciência principal tiver partido.

Pode haver, ou não, desorientação da vossa parte, de acordo com as crenças que tiverdes mantido e o desenvolvimento que tiverdes obtido. Agora, isso não significa necessariamente referir desenvolvimento intelectual. O intelecto deveria avançar de mãos dadas com as emoções e as intuições, mas caso ele se imponha com muita força a elas, podem surgir dificuldades através das quais a consciência recentemente liberta se apega às suas ideias sobre a realidade pós-morte ao invés de enfrentar a realidade particular na qual se encontra. Por outras palavras, ela pode negar o sentimento e até mesmo tentar argumentar contra a sua presente independência do corpo.

Uma vez mais, conforme mencionado antes, um indivíduo pode estar tão certo de que a morte represente o fim de tudo que pode provocar um completo esquecimento, embora temporário. Em muitos casos, imediatamente ao deixar o corpo, gera-se surpresa, é claro, assim como um reconhecimento da situação. O próprio corpo pode ser visto, por exemplo, e muitos funerais têm um convidado de honra entre os acompanhantes – e ninguém contempla a face do cadáver com tanta curiosidade e espanto.

Nesse momento emergem muitas variações comportamentais, cada uma em resultado da formação, do conhecimento alcançado e dos hábitos individuais. Os ambientes nos quais os mortos dão por si variam com frequência. Alucinações vívidas podem formar experiências tão reais quanto qualquer outra na vida mortal. Agora; eu disse-vos que os pensamentos e as emoções formam a realidade física e moldam a experiência pós-morte. Isso não significa que as experiências não sejam válidas mais do que a vida física seja válida.

Certas imagens foram empregues para simbolizar uma transição dessas de uma existência para outra e muitas delas são extremamente valiosas, pois proporcionam uma estrutura de referências compreensível. O “cruzar do Rio Estige” é uma. Os que estão a morrer esperam a ocorrência de certos processos duma forma mais ou menos ordenada. Os mapas reportam-se a um conhecimento anterior. Na morte, a consciência alucina duma forma vívida o rio. Parentes e amigos que já se acham mortos participam no ritual, o que também representava uma cerimónia profunda para eles. O rio é tão real quanto qualquer um que conheçais, e igualmente traiçoeiro para o viajante sozinho que não esteja munido de um conhecimento apropriado. Guias acham-se sempre junto ao rio para ajudar tais viajantes na travessia.

Isso não quer dizer que esse rio constitua uma ilusão. Entendei que o símbolo É real. O caminho foi planeado. Actualmente esse mapa particular não mais se acha em uso. Os que se encontram vivos não sabem como interpretá-lo. O cristianismo criou a crença num céu, num inferno e num purgatório, e no ajuste de contas; desse modo, por altura da morte, para aqueles que acreditam nestes símbolos, é encenada uma outra cerimónia, e os guias assumem os disfarces desses queridos personagens santos e heróis cristãos.

Então, no enquadramento de tais encenações, e em termos que eles possam entender, esses guias passam a descrever a verdadeira situação. Movimentos religiosos de massas têm vindo há séculos a satisfazer tal propósito, ao conferirem ao homem algum plano a seguir. Pouco importando que mais tarde o plano viesse a ser encarado como um livro de leitura infantil, um manual repleto de instruções com histórias coloridas, porque o propósito principal tinha sido atingido e a desorientação resultante teria sido pequena.
Em períodos onde nenhuma ideia de massa é mantida, dá-se uma maior desorientação e quando a existência de vida pós-morte é completamente negada, o problema é de alguma forma agravado. Muitos, é claro, ficam muitíssimo felizes por se encontrarem ainda conscientes. Outros têm que aprender tudo de novo sobre certas leis de comportamento, pois não percebem o potencial criativo que os pensamentos ou emoções têm.

Tal indivíduo pode se achar em dez ambientes diferentes num piscar de olhos, por exemplo, sem ideia duma razão para tal situação. Ele não perceberá qualquer continuidade, e sentirá ter sido arremessado sem razão aparente de uma experiência para outra, sem jamais perceber que os seus próprios pensamentos estão a impeli-lo de um modo bastante literal.

Estou agora a referir-me aos eventos imediatos que se seguem à morte, pois há outros estágios. Os guias irão, de um modo prestável, tornar-se uma parte das vossas alucinações, de forma a ajudar-vos a sair delas, mas eles precisam, primeiro, ganhar a vossa confiança.

No passado – nos vossos termos - eu próprio actuei como um guia desses; do mesmo modo que no estado de sono Ruburt (Jane Roberts) agora segue a mesma via. A situação é bastante complicada, do ponto de vista do guia, pois psicologicamente, deve usar-se da máxima discrição. O Moisés de um homem, como eu descobri, pode não ser o Moisés de outro. Eu actuei como um Moisés bastante respeitável em várias ocasiões – e uma vez, embora isso seja difícil de acreditar, no caso de um árabe.

O árabe era um sujeito muito interessante, a propósito; e para ilustrar algumas das dificuldades envolvidas, eu vos falarei sobre ele. Ele odiava os judeus, mas, de algum modo, era obcecado pela ideia de que Moisés era mais poderoso do que Alá, e durante anos esse foi o pecado secreto que cometera em consciência. Ele passou algum tempo em Constantinopla na época das Cruzadas. Foi capturado e terminou num grupo de Turcos todos destinados a serem executados pelos cristãos; neste caso, de forma bastante horrível. Para começar, eles o forçaram a abrir a boca e a encheram com brasas quentes. Ele clamou por Alá e, então, em grande desespero, por Moisés; e quando a sua consciência abandonou o corpo, Moisés achava-se ali presente.

Ele acreditara mais em Moisés do que em Alá e eu fiquei sem saber, até o ultimo momento, que forma deveria assumir. Ele era um sujeito muito agradável  e, dadas as circunstâncias, não me importei quando ele parecia esperar uma batalha travada para disputar a alma dele. Moisés e Alá tinham que lutar por ele. Ele não conseguia libertar-se da ideia da força, embora houvesse morrido pela força, e nada poderia persuadi-lo a aceitar qualquer tipo de paz ou júbilo, ou qualquer descanso, até que algum tipo de batalha fosse forjado.

Um amigo e eu, juntamente com alguns outros, organizamos a cerimónia e, a partir de nuvens opostas no céu, Alá e eu bradamos em alto clamor pela alma dele – enquanto ele, pobre homem, se encolhia no chão entre nós. Agora, apesar de estar a contar esta história em termos bem humorados, precisam entender que a crença do homem provocou isso e para o libertarmos tivemos que desempenhar essa representação.
Clamei por Jeová, mas sem proveito, porque o nosso árabe nada sabia de Jeová - só de Moisés - e tinha sido em Moisés que ele tinha depositado a sua fé. Alá puxou de uma espada cósmica e eu a coloquei em chamas de forma que ele a derrubou. Ela caiu ao chão e deixou o solo em chamas. O nosso árabe clamou novamente. Ele percebeu grupos de seguidores atrás de Alá e grupos de seguidores apareceram atrás de mim. O nosso amigo estava convencido de que um de nós os três precisava ser destruído e temia fortemente que ele pudesse ser a vítima.

Finalmente, as nuvens adversárias, nas quais nós aparecêramos, aproximaram-se mais. Na minha mão eu segurava uma tábua que dizia: “Não matarás”. Alá segurava uma espada. Conforme nos aproximávamos, trocamos esses utensílios e os nossos seguidores fundiram-se. Ficamos juntos, formando a imagem de um sol e dissemos “Nós somos um”.

As duas ideias diametralmente opostas tiveram que se fundir ou o homem não teria tido paz, e somente quando esses opostos se uniram pudemos começar a explicar-lhe a situação.

Para ser um guia assim é requerida grande disciplina e treino.
Antes do evento há pouco mencionado, por exemplo, eu tinha gasto muitas vidas actuando como um guia sob a aprendizagem de outro nos meus estados de sono diários.

É possível, por exemplo, perder-vos momentaneamente nas alucinações que estiverem a ser formadas e, em tais casos, outro mestre precisa libertar-vos delas. Torna-se necessária uma delicada sondagem dos processos psicológicos mas a variedade das alucinações nas quais nos podemos envolver é infinita. Podemos, por exemplo, assumir a forma da individualidade de um animal de estimação amado que tenha morrido.

Todas estas actividades alucinatórias normalmente acontecem num curto espaço de tempo imediatamente posterior à morte. Alguns indivíduos estão completamente conscientes das suas circunstâncias, todavia, por causa do treino e do desenvolvimento obtidos previamente, e estarão prontos após um descanso, se desejarem progredir para outros estágios.

Por exemplo, eles podem dar-se conta das reencarnações que tiveram, reconhecendo com prontidão as personalidades que conheceram em outras vidas, se essas personalidades não forem abordadas de outro modo. Eles são então capazes de alucinar de um modo deliberado, ou “reviver”, certas porções das suas vidas passadas, se o preferirem. Em seguida sucede um período de auto-exame, um balanço de contas, falando grosso modo, no qual eles serão capazes de perceber o total desempenho alcançado, as habilidades e pontos fracos, e em que decidem se irão, ou não, retornar à existência física.

Qualquer indivíduo pode experimentar qualquer desses estágios, entendem? Mas à excepção do auto-exame, muitos podem ser inteiramente evitados. Já que as emoções são tão importantes, será de uma enorme ajuda que amigos se encontrem à espera para vos acolher. Em muitos casos, porém, esses amigos terão progredido para outras fases de actividade e, frequentemente, um guia assumirá o aspecto dum amigo vosso durante algum tempo, de forma que se sintam mais confiantes.
É claro que é apenas porque muitas pessoas acreditam que vocês não podem deixar o corpo que vocês não têm experiências de projecção para fora do corpo de uma forma consciente com frequência durante as vossas vidas, para falar em termos globais. Tais experiências os familiarizariam bastante melhor do que as palavras com alguma compreensão em relação às condições que serão encontradas (após a morte).

Lembrai-vos que de certa forma, a vossa existência física é o resultado duma alucinação de massas. Existem vastas diferenças entre a realidade de um homem e a de outro. Após a morte, a experiência sofre uma organização tão altamente complexa e delicada quanto a que actualmente conheceis. Vós tendes as vossas alucinações privadas agora, apenas não percebeis o que elas sejam. Tais alucinações, como tenho vindo a referir, e encontros intensamente simbólicos, também podem ocorrer nos estados de sono, ou quando a personalidade se encontra num tempo de grande mudança ou quando ideias opostas precisam ser unificadas ou alguém tem que dar lugar a outro. Esses são eventos psicológicos e psíquicos significantes, altamente conotados, quer ocorrem antes ou após a morte.

Ocorrendo no estado de sonho, elas podem mudar todo o curso de uma civilização. Depois da morte, um indivíduo pode visualizar a sua vida imediatamente anterior como um animal com o qual ele tem que chegar a um entendimento, e tal batalha ou encontro tem consequências de longo alcance, pois o homem precisa harmonizar-se com todos os aspectos de si próprio. Nesse caso, quer a alucinação termine com ele montando o animal, fazendo amizade com ele, domesticando-o ou sendo morto por ele, cada alternativa é pesada cuidadosamente e os resultados terão muito a ver com o seu futuro desenvolvimento.

Esse “simbolização da vida” pode ser adoptada por aqueles que deram pouca atenção ao auto-exame durante as suas vidas. É uma parte do processo de auto-exame, portanto, por meio do qual o indivíduo molda a sua vida por uma imagem e, passa a lidar com ela nesses termos. Tal método não é usado por todos. E por vezes, faz-se necessária toda uma série de episódios desses...

Um dos alunos de Ruburt desejava saber se haveria ou não algum tipo de organização nas experiências que se seguem imediatamente à morte. Considerando que esta é uma pergunta que é suscitada por muitas mentes, vou passar a dar-lhe atenção.
Em primeiro lugar, deveria resultar óbvio, do que eu referi, que não existe nenhuma realidade pós-morte padrão, e que cada experiência é diferente. Falando em termos gerais, porém, existem dimensões nas quais estas experiências individuais têm cabimento.  Por exemplo, existe uma fase inicial para aqueles que ainda se acham fortemente focados na realidade física e para os que precisam de um período de recuperação e de descanso. A esse nível, existirão hospitais e casas de repouso. Os pacientes ainda não se encontram habilitados a perceber que não existe nada de errado com eles.

Em alguns casos, a ideia da doença é tão demarcada que eles edificaram os seus anos terrenos em torno desse centro psicológico, e projectam condições de doença no novo corpo do mesmo modo que o fizeram no velho. São tratados com vários tipos de tratamentos de natureza psíquica e é-lhes dito que a condição desse corpo é resultado da natureza de suas próprias crenças.

Agora; muitos não precisam passar por esse período particular. Preciso não será dizer que esses hospitais e centros de treino não são físicos, segundo os termos que empregais. Eles são, de facto, frequentemente mantidos, colectivamente, pelos guias que cuidam dos planos necessários. Agora, podeis chamar isso de alucinação de massas, se quiserdes. O facto é que para aqueles que se defrontam com essa realidade, os eventos são bastante reais.

Há também centros de treino. Neles, a natureza da realidade é exposta de acordo com a capacidade de entendimento e a percepção do indivíduo. As parábolas familiares ainda serão usadas no caso de alguns, ao menos inicialmente, e então esses indivíduos se passarão gradualmente a desapegar delas. Nesses centros existem certas classes nas quais a instrução é ministrada em benefício daqueles que escolhem retornar ao meio físico.

Por outras palavras, são-lhes administrados os métodos que lhes permitem traduzir emoção e pensamento em realidade física. Não se dá nenhum desfasamento temporal entre tais pensamentos e a sua materialização como ocorre no sistema tridimensional.

Tudo isto acontece mais ou menos a um nível, embora preciseis entender que estou em determinado grau a simplificar os acontecimentos. Por exemplo, alguns indivíduos não se submetem a nenhum período desses, mas, por causa do desenvolvimento e do progresso conseguido durante as suas vidas passadas, eles já se acham prontos para dar início a programas mais ambiciosos.

Bom; eu mencionei previamente tal desenvolvimento.  Como alguns dos meus leitores, não têm consciência de nenhuma habilidade psíquica pessoal, poderão, em tal caso, pensar que sejam candidatos a um prolongado período de tempo, num período prolongado e demorado de formação pós-morte. Permitam que me aprece a dizer-vos que tais capacidades não são necessariamente conscientes e que grande parte delas tem lugar durante o estado de sono, quando vocês simplesmente não têm consciência delas.

Vós podeis, após a morte, recusar-vos inteiramente a acreditar que estais mortos e continuar a focar a vossa energia emocional na direcção daqueles que conhecestes em vida.

Se vivestes obcecados com um projecto qualquer particular, por exemplo, podeis tentar concluí-lo. Sempre há guias para vos ajudar a entender a situação em que vos encontrais, mas podeis estar tão absortos que não prestais qualquer atenção a eles.

Agora; cobrirei o assunto dos fantasmas separadamente, e não neste capítulo. Será suficiente dizer que grandes campos de foco emocional em direcção à realidade física podem impedir-vos de vos desenvolverdes.

Quando a consciência deixa o corpo e permanece fora por algum tempo, então a conexão, é claro, é interrompida. Todavia, nos estados de projecção fora do corpo tal conexão é mantida. Agora, é possível que um indivíduo que tenha morrido, interprete completamente mal a experiência e tente reentrar no cadáver. Isso pode acontecer quando a personalidade se identifica quase que exclusivamente com a imagem física.

Não é comum. Mas não obstante, sob determinadas circunstâncias, tais indivíduos tentarão reactivar o mecanismo físico, e ficarão ainda mais apavorados assim que descobrem a condição do corpo. Alguns, por exemplo, choraram sobre o cadáver muito tempo após a partida dos que os prantearam, não percebendo que eles próprios se acham completamente íntegros – onde, por exemplo, o corpo pode ter estado doente ou os órgãos não mais terem podido sofrer conserto.

Eles são como um cachorro que se preocupa com o seu osso. Os que não identificaram por completo a própria consciência com o corpo acham muito mais fácil deixá-lo. Os que odiaram o corpo sentem que, por incrível que pareça, imediatamente após a morte são puxados para ele.

Todas estas circunstâncias pois, podem, ou não, acontecer de acordo com o indivíduo em questão. Porém, após deixardes o corpo físico, vós imediatamente vos vereis noutro. Ele tem o mesmo tipo de forma, no qual viajastes nas projecções extra corpóreas e, uma vez mais, permiti-me lembrar aos meus leitores que cada um deixa o corpo por algum tempo durante o sono, todas as noites.

Essa forma deverá parecer física. No entanto, ela não será vista por aqueles que ainda se acham no corpo físico, para o referir em termos gerais. Ela consegue fazer qualquer coisa que vós conseguis agora nos vossos sonhos. Portanto, ela voa, atravessa objectos sólidos e move-se directamente por um acto da vontade, conduzindo-vos, digamos, de um local a outro à medida que pensais nesses locais.

Se estiverdes a imaginar o que a tia Sally está a fazer, digamos, em Poughkeepsie, New York, então dareis por vós lá. No entanto, regra geral não conseguis, manipular objectos físicos. Não conseguis pegar uma lâmpada ou atirar um prato. Esse corpo é vosso instantaneamente, mas não é a única forma que tereis. Para todos os efeitos, essa imagem não é nova. Ela acha-se actualmente entretecida no vosso corpo físico, mas vós não a percebeis. A seguir à morte, ela será o único corpo do qual tereis consciência durante algum tempo.

Bastante mais tarde e em vários níveis, finalmente aprendereis a assumir várias formas, se o escolherdes conscientemente. De certa forma já fazeis isso actualmente, entendei, por meio da tradução da vossa experiência psicológica - dos vossos pensamentos e emoções – em objectos físicos e de forma bastante literal, embora inconsciente. Podeis descobrir, quando vos imaginardes como uma criança após a morte - que de repente assumis a forma da criança que fostes. Durante um certo período de tempo, portanto, podeis manipular essa forma, de modo que ela assume qualquer aparência que tinha quando estava ligada à vossa forma física, à vida física imediatamente anterior. Podeis ter falecido com oitenta anos que, se após a morte pensardes na mocidade e na vitalidade que tínheis aos vinte, então vereis que a vossa forma muda a fim de se moldar a essa imagem interior.

A maioria dos indivíduos, após a morte escolhe uma imagem mais adulta, que normalmente representa o auge das suas capacidades físicas, correspondendo à idade em que esse pico físico tenha sido alcançado. Outros escolhem, em vez disso, assumir a forma que tinham numa altura particular, quando uma maior estatura mental ou emocional tenha sido atingida, a despeito da beleza ou da idade que caracterizariam essa forma.

Todavia, haveis de vos sentir confortáveis com a forma que escolherdes, e normalmente a usá-la-eis quando quiserdes comunicar com outros que tenhais conhecido; embora para comunicardes com os vivos poderdes, ao contrário, adoptar a forma que tínheis quando conhecíeis o indivíduo com quem pretendeis entrar em contacto.

Esses ambientes pós-morte não existem necessariamente noutros planetas. Eles não ocupam espaço, pelo que a questão: “Onde tudo isso se passa?” não faz sentido, em termos básicos.

Isso resulta das interpretações deformadas que tendes da natureza da realidade. Não existe, pois, nenhum lugar, nem um local específico. Esses ambientes existem de um modo imperceptível para vós, em meio ao mundo físico que conheceis. Os vossos mecanismos perceptivos simplesmente não vos permitem sintonizar com amplitude em que operam. Vós reagis a um campo altamente específico, embora limitado. Tal como mencionei previamente, outras realidades coexistem com a vossa própria, na morte, por exemplo. Vós privais-vos simplesmente da parafernália física, e passais a sintonizar diferentes campos e a reagir a outros conjuntos de suposições.

A partir deste outro ponto de vista, vós podeis, até certo ponto, perceber a realidade física. Contudo, existem campos de energia que separam (esses ambientes). Todo o vosso conceito de espaço é tão distorcido que qualquer explicação verdadeira se tornaria altamente problemática. Um momento.

Por os vossos mecanismos perceptivos insistirem em que os objectos são sólidos, por exemplo, inferem na existência de algo tal como o espaço. Agora; aquilo que os vossos sentidos vos dizem acerca da natureza da matéria é inteiramente erróneo e o que vos dizem sobre espaço é igualmente errado – errado em termos da realidade básica, mas completamente de acordo com os conceitos tridimensionais. Nas experiências extra corpóreas a partir do estado em vida, defrontais-vos com muitos dos problemas, em termos de espaço, com que vos deparareis após a morte. E em tais episódios, portanto, a verdadeira natureza de tempo e do espaço torna-se mais evidente. Após a morte não despendeis tempo para vos locomoverdes através do espaço, por exemplo. O espaço não existe em termos de distância. Isso é uma ilusão. Existem barreiras, mas elas são barreiras mentais ou barreiras psíquicas. A experiência tem, por exemplo, graus de intensidade que são interpretados na vossa realidade como distâncias medidas em milhas.

Pode ser que após a morte vos vejais num centro de formação. Agora; teoricamente, esse centro poderia situar-se no meio da vossa sala de estar actual, em termos físicos, mas a distância entre vós e os membros da vossa família que ainda se encontra viva – talvez sentada, a pensar em vós ou a ler o jornal – não tem nada a ver com espaço tal como o conheceis. Haveis de vos achar mais separados deles do que se estivessem, digamos, na lua. Podíeis talvez mudar o vosso próprio foco de atenção para longe do centro e, teoricamente, perceber a sala e os seus residentes; ainda assim, essa distância não tem nada a ver com as milhas que se medissem entre vós.


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