domingo, 4 de dezembro de 2011

SETH - CONDIÇÕES IDÊNTICAS À DA MORTE DURANTE A VIDA





Seth Speaks
Capítulo 10
Tradução: Amadeu Duarte


Boa noite.
(Boa noite, Seth.)
(De forma bem humorada):


As experiências do estado posterior à morte não parecerão tão estranhas nem tão incompreensíveis se perceberdes de que vos defrontais com situações similares, como processo normal da vossa presente existência. Nos estados do sono e do sonho vós envolveis-vos com a mesma dimensão da existência em que haveis de ter as vossas experiências após a morte.

Não recordais a parte mais importante dessas aventuras nocturnas e por isso é que, via de regra, aquelas que recordais vos parecem bizarras ou caóticas. Isso ocorre simplesmente porque no vosso actual estado de desenvolvimento não sois capazes de manipular conscientemente em mais do que um meio.

Contudo, existis de forma consciente num estado criativo, imbuído de propósito e coerente enquanto o vosso corpo físico dorme, e dais continuidade a muitas dessas actividades com que, conforme referi, vos deparareis após a morte. Apenas voltais o foco principal da vossa atenção para uma dimensão diferente da actividade, uma em que operais continuamente.

Agora, do mesmo modo que conservais recordações da vossa vida do dia-a-dia e retendes uma grande quantidade dessas recordações para as empregardes nas interacções físicas diárias, e essa fonte de recordações vos proporciona uma fonte de sentido de continuidade diário, também o vosso eu que sonha possui um idêntico corpo vasto de recordações. Do mesmo modo que a vossa vida diária adquire um sentido de continuidade, também a vossa vida onírica tem continuidade.

Uma parte de vós tem, pois, consciência de todo e cada encontro e experiência que tendes durante o sonho. Os sonhos não são mais alucinatórios do que a vossa vida física. No que diz respeito à parte de vós que sonha, é o vosso Eu físico do estado de vigília quem o faz: vós sois o sonhador que ele envia no seu caminho. As experiências diárias por que passais consistem nos sonhos que ele sonha, pelo que, quando olhais o vosso Eu sonhador ou o considerais fazeis isso com base no preconceito, assumindo como dado adquirido que a vossa “realidade” é real, enquanto a realidade dele é ilusória.

Contudo, a sua realidade é de longe mais natural ao vosso ser. Se não encontrais coerência no estado de sonho isso fica a dever-se ao facto de vos terdes hipnotizado na crença da inexistência de qualquer coerência. É claro que, ao acordardes, procurais traduzir as vossas aventuras nocturnas em termos físicos, e tentais ajustá-las às distorções frequentemente limitadas que tendes sobre a natureza da realidade.

Até certo ponto isso é natural, pois encontrais-vos focados na vida diária por uma razão (específica) e adoptaste-a como um desafio. Mas, por essa ordem de ideias, também é suposto que cresçais e vos desenvolvais dentro da sua estrutura e que possais ampliar os limites da consciência que tendes. É bastante difícil admitir que, de muitos modos, vós sejais mais competentes e criativos no estado do sono do que no estado de vigília e de algum modo torna-se demolidor admitir que o corpo do sonho seja, de facto, capaz de voar, desafiando tanto o tempo quanto o espaço. É muito mais fácil fingir que todas essas experiências sejam simbólicas, ao invés de literais, e dar corpo a teorias psicológicas complicadas, por exemplo, a fim de explicar os sonhos em que voais.

O facto simples é que quando sonhais estar a voar, frequentemente o fazeis. No estado de sonhos operais mais ou menos nas mesmas condições inerentes a uma consciência não focada na realidade física. Muitas das vossas experiências são, pois, precisamente aquelas com que vos podeis deparar após a morte. Sois capazes de conversar com amigos ou parentes falecidos, revisitar o passado, saudar velhos amigos de escola, percorrer ruas que existiam cinquenta anos atrás, no tempo físico, viajar através do espaço sem despender o menor tempo para tal, encontrar guias, receber instrução, ensinar outros, desempenhar trabalho significativo, resolver problemas e ter alucinações.

Na vida física existe um retardamento entre a concepção duma ideia e a sua implementação. Na realidade do sonho isso não acontece. Por isso, a melhor forma de vos familiarizardes com a realidade posterior à morte por antecipação, por assim dizer, consiste em explorar e entender a natureza do vosso Eu sonhador. Mas não existem muitos que estejam dispostos a despender o tempo ou a energia para tal. Contudo, os métodos acham-se ao vosso dispor, e aqueles que os utilizarem não darão por si alienados assim que o foco total da sua atenção se voltar nessa direcção, após a morte.

Considerando que a vossa memória consciente se acha fortemente ligada à consciência que tendes dentro do corpo, apesar de abandonardes o corpo quando ele dorme, a consciência de vigília geralmente não conserva qualquer recordação disso. Quando dormis, possuís lembrança de todos quantos alguma vez encontrastes nos vossos sonhos, apesar de poderdes ou não ter conhecido tais indivíduos na vossa existência diária. Ao dormir podeis fazer uma experiência prolongada de anos com parceiros que poderão viver numa outra porção completamente diferente do mundo, e permanecerdes como estranhos no estado de vigília. Do mesmo modo que os vossos empreendimentos se acham imbuídos de propósito e de significado, também as vossas aventuras oníricas se acham, e nelas alcançais igualmente vários objectivos pessoais. A essas, haveis vós de dar continuidade na experiência após a morte.

A força e a vitalidade, a vida e a criatividade por detrás da vossa existência física são geradas nessa outra dimensão. Por outras palavras, vós sois de muitos modos uma projecção carnal do vosso Eu sonhador. O Eu sonhador, tal como o concebeis, é apenas uma sombra da sua própria realidade, porque o Eu sonhador é um ponto psicológico de referência, e nos termos de continuidade que empregais, ele reúne todas as porções da vossa identidade. Da sua natureza profunda, apenas os mais desenvolvidos têm consciência. Por outras palavras, ele representa uma faceta forte de união de toda a vossa identidade. As suas experiências são tão vívidas e a sua “personalidade” é tão rica em contexto – na verdade é-o ainda mais - quanto a personalidade física que conheceis.

Fingi, ainda que por um momento, ser uma criança enquanto eu assumo a tarefa de vos explicar aquilo em que o vosso Eu adulto mais desenvolvido consiste; e na explicação que emprego eu digo-vos que esse Eu adulto, em certa medida já faz parte de vós e é uma consequência ou uma projecção daquilo que sois. A criança perguntará, “Mas, que me acontecerá? Deverei morrer para me tornar esse outro Eu? Eu não quero mudar. Como poderei alguma vez ser esse adulto quando ele não é aquilo que actualmente sou, e sem ter que morrer para aquilo que sou?”

Encontro-me praticamente na mesma posição ao tentar explicar-vos a natureza desse Eu interior, porque conquanto sejais capazes de tomar consciência dele nos sonhos, não podeis verdadeiramente apreciar a sua capacidade ou maturidade; contudo, ele é parte de vós da mesma forma que as capacidades do adulto pertencem à criança. No estado do sonho aprendeis, entre outras coisas, a construir a vossa realidade física no dia-a-dia, tal como após a morte aprendeis a construir a vossa vida física seguinte. Nos sonhos resolveis os problemas. Durante o dia apenas tendes consciência dos métodos de resolução dos problemas que apreendestes durante o sono. Nos sonhos estabeleceis os vossos objectivos, tal como após a morte estabeleceis os objectivos para uma outra encarnação.

Agora; nenhuma estrutura psicológica é fácil de ser descrita por palavras. Simplesmente para explicar a natureza da personalidade, tal como geralmente é conhecida, tem que se recorrer a todo o tipo de termos: identidade, subconsciente, ego, superego: tudo para diferenciar as acções entrelaçadas que compõem a personalidade física. O Eu sonhador é pois igualmente complicado, pelo que podeis dizer que certas porções da sua natureza lidam com a realidade física, com a manipulação física e com planos; outras, lidam com profundos níveis de criatividade e de realização que asseguram a sobrevivência física; outras, com a comunicação com elementos ainda mais amplos da personalidade actualmente desconhecidos; outras, com uma contínua experiência e a existência do que podeis designar por alma, ou entidade individual superior, o Eu verdadeiramente multidimensional.

A alma cria a carne. O criador dificilmente encara a sua criação com desprezo. A alma cria a carne ou a manifestação física por uma razão, pelo que nada disso os deverá conduzir a um sentimento de desgosto nem à falta de apreciação pelos prazeres sensuais por que vos achais rodeados. Toda a jornada interior deve permitir-vos encontrar um enorme sentido, beleza e significado em relação à vida, tal como a conheceis agora; Mas uma plena alegria e desenvolvimento significam também a utilização de todas as vossas capacidades e a exploração das dimensões interiores com idêntico assombro e entusiasmo. É pois, bastante possível que, com uma compreensão adequada vos familiarizeis agora com as paisagens, experiências e ambiente posterior à morte. Achá-los-eis tão vívidos quanto qualquer um que conheçais. Essas explorações alterarão completamente os preconceitos sombrios relativos à existência que tiverdes após a morte. Contudo, é muito importante que vos desembaraceis de tantos preconceitos quanto possível, porque eles impedir-vos-ão o progresso.

Em geral, se vos sentirdes razoavelmente satisfeitos com a realidade física, estareis em melhor posição para estudar esses ambientes internos. Se só perceberdes o mal por toda a parte, na vida física, e vos parecer ter mais expressão que o bem, nesse caso não estareis preparados. Não devíeis embarcar na exploração destas aventuras nocturnas se vos encontrardes deprimidos porque nesse caso o vosso estado psíquico achar-se-á predisposto a colher experiências depressivas, quer no estado de vigília quer durante o sono. Não devíeis embarcar no estudo disso se esperardes substituir a experiência física pela interior.

Se abrigardes ideias minuciosas e rígidas de bem e de mal, nesse caso não disporeis da compreensão necessária para qualquer manipulação consciente nesta outra dimensão. Por outras palavras, precisais ser mental, psicológica e espiritualmente tão flexíveis quanto possível, e abertos a novas ideias e criativos, assim como não depender das organizações e do dogma. Precisais ser razoavelmente competentes e receptivos. Ao mesmo tempo precisais ser suficientemente sociáveis no vosso meio físico de forma a poderdes manipular a vossa vida tal como ela se apresenta. Necessitais de todos os vossos recursos. Esta está destinada a representar uma exploração e um esforço activos, ao invés duma renúncia passiva, e muito menos uma fuga cobarde.

Lá para o final deste livro, serão fornecidos métodos a quantos se achem interessados em explorar essas condições posteriores à morte de forma consciente e obter algum controle sobre as suas experiências e progresso. Contudo, aqui pretendo descrever essas condições de modo mais aprofundado.

Bom; na vida física vós vedes aquilo que quereis ver. Percebeis determinada informação do campo disponível da realidade – informação cuidadosamente seleccionada por vós, de acordo com as ideias que tendes da realidade. Para começar, sois vós quem cria essa informação. Se acreditardes que todos os homens são maus, haveis simplesmente de deixar de experimentar qualquer bondade da sua parte, pois estareis completamente fechados a ela. Por seu lado, eles hão-de revelar sempre a sua pior faceta. Haveis de procurar conseguir, telepaticamente, com que os outros não gostem de vós e haveis de projectar a antipatia ou aversão que sentis neles.

A vossa experiência, por outras palavras, obedece às expectativas que abrigais. O mesmo acontece com as experiências após a morte e com a experiência obtida no campo dos sonhos, assim como com cada encontro que tendes fora do corpo. Se vos achares obcecados com a ideia do mal, nesse caso haveis de vos deparar com condições de maldade. Se acreditardes em demónios, então haveis de vos deparar com eles. Tal como mencionei anteriormente, quando a consciência se não acha dirigida para o físico, apresenta-se uma maior liberdade. Os pensamentos e as emoções tornam-se uma realidade, uma vez mais, sem o retardamento do tempo físico. Por isso, se acreditardes ser acolhidos por um demónio, haveis de criar a vossa própria forma resultante da projecção do pensamento à imagem de um, sem vos aperceberdes que ele é uma criação vossa.

Por isso, se vos achais concentrados nos males da existência física dessa maneira, então não estareis preparados para tais explorações. É possível, é claro, sob determinadas condições deparar-vos com uma forma projectada pelo pensamento de alguém, porém, se não acreditardes em demónios, para início de conversa, sempre reconhecereis a natureza do fenómeno sem sairdes prejudicados. Se for a vossa própria forma projectada pelo vosso pensamento, então de facto podeis aprender com isso, interrogando-vos sobre o seu significado, e que problema haveis materializado.

Agora; depois da morte, podeis alucinar o mesmo tipo de situação, usá-la como um símbolo e criar uma espécie de batalha espiritual que seria evidentemente desnecessária, se tivésseis uma maior compreensão. Haveis de resolver os vossos problemas e dilemas de acordo com a compreensão que tiverdes.

Os ambientes posteriores à morte existem já, ao vosso redor.

É quase como se a vossa presente situação e todos os fenómenos físicos fossem projectados a partir de dentro e dirigidos ao exterior, e vos proporcionassem um filme constante que vos forçasse a percebe apenas aquelas imagens que estivessem a ser mudadas, as quais pareceriam tão reais que vos encontrásseis constantemente a reagir a elas. Contudo, elas servem para mascarar outras realidades igualmente válidas que existem ao mesmo tempo, e na realidade é nessas outras realidades que obtendes o poder e o conhecimento para pôr em marcha os projectos materiais. Podeis, por assim dizer, colocar a “máquina” em “ponto morto” e parar a película de modo a voltardes a atenção para essas realidades.

Antes de mais, deveis tomar consciência da sua existência. A título preliminar, para os métodos que passarei a fornecer mais tarde, será uma excelente ideia interrogar-vos de vez em quando: “Do que é que estou consciente neste momento? Fazei isso com os olhos abertos e de novo quando os tiverdes cerrados. Quando tiverdes os olhos abertos, não aceiteis como dado adquirido a existência dos objectos perceptíveis no imediato. Dirigi o olhar para onde o espaço parece estar vazio, e escutai por entre o silêncio. Existem estruturas moleculares em cada polegada do espaço vazio, porém, doutrinaste-vos no sentido de não as perceber. Existem outras vozes mas condicionastes os vossos ouvidos para não as escutardes. Utilizais os vossos sentidos interiores quando vos achais no estado do sonho e ignorai-los quando vos situais no estado de vigília.

Os sentidos interiores acham-se equipados para perceber informação não física, e não se deixam ludibriar pelas imagens que projectais na realidade tridimensional. Agora; eles conseguem perceber objectos físicos, os vossos sentidos físicos constituem extensões desses métodos internos de percepção e após a morte, é neles que vos apoiareis. Eles são utilizados nas experiências fora do corpo e operam constantemente abaixo do limiar da consciência normal do estado de vigília, para que presentemente possais familiarizar-vos com a natureza da percepção após a morte.

Por outras palavras, o ambiente, as condições e os métodos de percepção não vos parecerão estranhos. Vós não sois subitamente lançados no desconhecido, pois esse desconhecido faz já parte de vós. Já formava parte de vós antes de nascerdes, e continuará a formar após a morte física. Contudo, essas condições foram-vos apagadas da consciência, no geral, ao longo da história. A humanidade já dispôs de várias concepções relativas à sua própria realidade, mas parece que se terá distanciado delas propositadamente no século passado. Existem várias razões para isso e passaremos a tentar cobrir algumas.

Em muitos aspectos, já vos encontrais actualmente “mortos” - e tão mortos quanto vireis alguma vez a estar. Enquanto vos ocupais das vossas tarefas e afazeres diários, abaixo do limiar da consciência normal e desperta achais-vos também constantemente focados noutras realidades e a reagir a estímulos de que a vossa consciência física não tem consciência, e a perceber condições por intermédio dos sentidos interiores, e a experimentar eventos que ainda não se acham registados no cérebro físico.

Após a morte tomais simplesmente consciência dessas dimensões de actividade que actualmente ignorais. Agora predomina a existência física. Logo, porém, deixará de predominar. No entanto ela não se perderá para vós; podereis, por exemplo, reter as vossas recordações. Abandonais simplesmente um marco de referência particular. Sob determinadas condições, sereis mesmo livres de utilizar os anos que aparentemente vos tenham sido dados por diferentes formas.

Por exemplo, eu disse-vos que o tempo não consiste numa sucessão sucessiva de momentos, apesar de actualmente o perceberdes assim. Os acontecimentos não são coisas que vos sejam atiradas mas experiências materializadas moldadas por vós de acordo com as crenças e as expectativas que abrigais. Partes interiores da vossa personalidade já o percebem. Após a morte, não vos concentrareis nas formas físicas assumidas pelo tempo e pelos acontecimentos. Podeis utilizar os mesmos elementos da mesma forma que um pintor usa as suas cores.

Talvez o vosso tempo de vida seja de setenta e sete anos. Sob certas condições podeis, após a morte – se o preferirdes – experimentar os eventos desses setenta e sete anos com calma – porém, sem ser necessariamente em termos de continuidade. Podeis alterar os acontecimentos e manipular à vontade nessa dimensão particular de actividade que tenha representado os vossos setenta e sete anos.

Se descobrirdes erros de juízo graves, podeis então corrigi-los. Podeis, por outras palavras, aperfeiçoar-vos, mas não podereis penetrar de novo esse quadro de referências para voltardes a participar conscientemente no curso, digamos, histórico dos acontecimentos, associando-vos à alucinação colectiva que tenha resultado da vossa consciência aplicada e da daqueles que vos sejam contemporâneos.

Alguns escolhem isso em vez da reencarnação, ou antes, como um estudo anterior a uma reencarnação. Essas pessoas geralmente são perfeccionistas natas e sentem necessidade de voltar atrás a fim de recriarem, por sentirem ter que corrigir os seus erros. Utilizam a vida imediatamente anterior e com essa mesma tela, esforçam-se por obter um quadro melhor. Isso consiste num exercício mental e psíquico que é assumido por muitos e que exige uma grande concentração e que não representa mais uma alucinação do que outra existência qualquer.

Podeis sentir necessidade de “reviver” certos episódios da vossa vida de modo que possais compreende-los melhor. A vossa experiência de vida, portanto, diz respeito a vós e tais condições não vos serão de todo estranhas. No viver de todos os dias é comum imaginar-vos a comportar-vos dum modo diverso daquele que usastes, ou voltar a experimentar, mentalmente, os acontecimentos, de forma a obterdes uma maior compreensão deles. A vossa vida é a perspectiva da experiência que colheis e quando, ao morrerdes, a sacais do contexto do tempo físico experimentado pelas massas, podeis experimentá-lo de muitas maneiras. Recordai que os acontecimentos e os objectos não são absolutos, mas moldáveis.

E os acontecimentos podem ser mudados tanto antes como após a sua ocorrência. Jamais são estáveis ou permanentes, apesar de no contexto da realidade tridimensional poder parecer que o sejam. Qualquer coisa de que estejais conscientes na existência tridimensional consiste unicamente numa projecção duma realidade maior nessa dimensão. Os acontecimentos de que tendes consciência são apenas aqueles fragmentos de actividades que se introduzem ou surgem na vossa consciência normal do estado de vigília. Outras partes desses acontecimentos tornam-se bastante nítidas para vós tanto no estado de sonho como no estado subliminar da consciência desperta, durante o dia.

Se quiserdes saber ao que se assemelha a morte, nesse caso dai atenção à vossa consciência sempre que ela se encontrar separada das actividades físicas. Com prática haveis de descobrir que a vossa consciência desperta normal é bastante limitada e que o que outrora acreditastes ser condições de morte se parece muito mais a condições de vida. Essas outras existências e realidades tais como as descrevemos coexistem com a vossa mas no estado desperto vós não tendes consciência delas.

Bom, geralmente nos vossos sonhos sois capazes de perceber essas situações mas frequentemente enredais-vos na parafernália dos vossos sonhos de cujo caso, ao acordardes, possuís uma memória muito pouco clara. Do mesmo modo, e em meio à vossa vida, vós co-habitais com as chamadas aparições e fantasmas, mas certamente vós próprios pareceis fantasmas a outros, particularmente quando difundis vigorosas formas de pensamento de vós próprios a partir do estado de sono, ou mesmo quando inconscientemente viajais para fora do vosso corpo físico.

Existem, obviamente, tantos tipos de fantasmas e de aparições quanto pessoas. E eles acham-se tanto ou tão pouco conscientes da sua situação quanto vós da vossa. Contudo, eles não se acham completamente focados na realidade física, tanto em termos de personalidade como de forma, e é nisso que assenta a principal distinção.

Algumas aparições constituem formas projectadas pelo pensamento emitidas por personalidades sobreviventes que padecem de uma profunda ansiedade e que respondem pelo mesmo tipo de conduta compulsiva que podem ser testemunhadas em variados exemplos na vossa experiência comum. O mesmo mecanismo que causa a uma mulher transtornada, digamos, o desempenho de tarefas repetitivas tal como lavar consecutivamente as mãos, também é capaz de causar a um tipo particular de aparição voltar repetidas vezes a um determinado local. Em tais casos o comportamento é geralmente composto de acção repetitiva.

Por variadas razões, tal personalidade não aprendeu a assimilar a própria experiência. As características de tais aparições seguem aquelas duma personalidade perturbada – com algumas excepções, todavia. A consciência total não se acha presente. A própria personalidade parecerá estar a sofrer um pesadelo ou uma série de sonhos recorrentes, durante os quais volta de novo ao ambiente físico. A própria personalidade acha-se “sã e salva”, mas certas porções dela trabalham problemas por resolver, e descarregam energia dessa forma.

Em si mesmas essas aparições são bastante inofensivas. Somente a interpretação que fazeis das suas acções vos poderão causar dificuldades. Agora, em meio às vossas condições de vida, vós também apareceis, em certas ocasiões, como fantasmas, noutros níveis da realidade, onde a vossa pseudo-aparição provoca alguns comentários e se torna origem de muitos mitos – sem que vós nem sequer tenhais consciência disso.

Bom, eu estou a falar em termos gerais. Uma vez mais, existem excepções em que a memória é retida mas regra geral os fantasmas e as aparições não têm mais consciência do que vós do efeito que exercem sobre os demais, quando surgis de forma bastante inconsciente como fantasmas em mundos que vos pareceriam bastante estranhos.

A combinação do pensamento, da emoção e do desejo cria a forma, possui energia e é composto de energia, e há-de revelar-se sob tantas formas quanto possível. Vós só reconheceis as materializações físicas mas, tal como mencionado previamente neste livro, vós emitis pseudo-formas de vós próprios de que não tendes consciência; e isso acha-se completamente aparte da existência da viagem ou projecção astral, o que representa um assunto muito mais complicado.

Vós apareceis sob a forma astral em realidades comparativamente mais avançadas do que a vossa, nas quais geralmente sois reconhecidos devido à vossa desorientação. Não sabeis como haveis de manipular por não terdes noção dos modos habituais. Mas, quer tenhais ou não uma forma física, se derdes corpo a emoções, elas hão-de assumir forma. Elas possuem realidade. Se pensardes com intensidade num objecto, ele há-de surgir algures. Se pensardes intensamente num outro local, uma pseudo-imagem vossa será projectada a partir de vós para essa outra localização, a despeito de ser ou não percebida e de terdes ou não consciência dela ou nela. Isso aplica-se tanto àqueles que tiverem abandonado o vosso sistema físico como aos que nele residem. Todas essas formas são chamadas “criações secundárias” porque regra geral não possuem consciência da personalidade e não passam de projecções automáticas.

Agora; nas criações primárias, uma consciência geralmente atenta e alerta adopta uma forma – não a sua forma “natural” – e projecta-a com frequência e de forma consciente num outro nível da realidade. Mas mesmo isso constitui uma tarefa um pouco complicada e que quase nunca é utilizada com propósitos de comunicação. Existem outros métodos muito mais fáceis. Já expliquei até determinado ponto a forma como as imagens são criadas a partir dum campo de energia disponível. Vós só percebeis as vossas próprias criações. Se um “fantasma” pretender contactar-vos ele poderá faze-lo por meio da telepatia, e vós podeis criar a imagem correspondente se o desejardes. Ou o indivíduo poderá enviar-vos uma forma projectada em termos de pensamento ao mesmo tempo que comunica telepaticamente convosco.

Os vossos aposentos acham-se presentemente cheios de formas compostas de pensamento que vós não percebeis; e uma vez mais, vós sois tanto mais um fenómeno fantasma agora quanto o vireis a ser após a vossa morte. Apenas não tendes consciência do facto. Ignorais certas variações de temperatura e turbulência do ar como produtos da imaginação, que em vez disso são indicadores dessas formas mentais. Remeteis as comunicações telepáticas de que tais formas geralmente se fazem acompanhar para segundo plano e voltais as costas a todas as demais pistas da existência de outras realidades tão válidas quanto a vossa, e ao facto de que em meio à vossa existência vos achais rodeados de evidências intangíveis mas nem por isso menos válidas.

Os próprios termos “vida” e “morte” servem para vos limitar a compreensão e para estabelecer barreiras onde nenhuma existe de modo intrínseco. Sois visitados por alguns amigos ou parentes falecidos que se projectam a partir do próprio nível de realidade em que se acham, mas regra geral não percebeis as suas formas. Eles não se acham mais mortos nem são mais fantasmagóricos que vós, quando vos projectais na realidade deles – como o fazeis, a partir do estado de sono. Regra geral, contudo, eles são capazes de vos perceber nessas ocasiões. Aquilo de que vos esqueceis é que esses indivíduos se acham em vários estados de desenvolvimento. Alguns possuem ligações mais fortes com o sistema físico do que outros.

O tempo em que um indivíduo permanece morto, conforme o entendeis, tem pouco que ver com o facto de serdes ou não visitados por eles; a intensidade do relacionamento conta mais. Tal como foi mencionado previamente, no entanto, durante o estado do sono vós podeis auxiliar pessoas que morreram recentemente, ainda que completamente estranhas, a aclimatar-se às condições da existência após a morte, apesar desse conhecimento não se vos achar ao vosso dispor pela manhã. Desse modo outros podem comunicar convosco quando dormis e até mesmo guiar-vos ao longo de vários períodos da vossa vida.

Não se trata de tarefa simples explicar as condições de vida tal como as conheceis, pelo que se torna extremamente difícil falar das complexidades de que não estais conscientes. A questão principal que procuro esclarecer neste capítulo, é a de que já vos achais familiarizados com todas as condições com que vos deparais após a morte, e de que podeis tornar-vos conscientes delas até determinado grau.


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