quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

NO PRINCÍPIO - UMA VERSÃO POÉTICA





Tradução: Amadeu Duarte

John


No começo era a Palavra e a Palavra era una com Deus, idêntica a Deus. Nada foi feito aparte da Palavra. E a vida do mundo passou a existir, de facto, desde essa altura, porque quando é mencionado: “Onde estáveis quando ergui as fundações do mundo?” A resposta, com respeito a isso, é: “Na Unidade”.


Primeiro existia o Vazio, e o Vazio era destituído de forma. Nesses dias movia-se apenas um espírito, uma consciência – o tudo que não era nada e o nada que era tudo. De facto tratava-se de um estado de perfeição. Se invertêsseis as correntes do tempo e do espaço, e os campos que unem as forças que sustentam o próprio átomo, essas mesmas forças poderiam esmagar toda a criação e ela seria capaz de passar pelo buraco de uma agulha.

Deus voltou-se para o Vazio e viu que era destituído de forma. Extravasando-se, o espírito perfeito penetrou a matéria perfeita, e surgiram a mente e a luz. Esplendor. Um som isento de ruído que era a criação. 


Foi posta em movimento uma dança na qual o dançarino e a dança eram um só. A mente perfeita penetrou a encarnação, e a criação passou a ser concebida. A criação toda começou então a desdobrar-se qual florescer fresco dos lírios do campo, e a mão do Deus Pai/Mãe teceu um imenso tecido, disseminando estrelas por todos os quadrantes do tempo e do espaço, combinando universos dentro de universos, criando incontáveis mundos e dispersando-os por todo o cosmos – o que deu lugar a uma harmonia que era todas as coisas, semelhante ao incontável número de pedras preciosas dos tesouros de Salomão, num movimento assombroso.


Nos dias que correm vós estudais as leis da criação, aquilo a que chamais “o universo”. Mundos sem conta foram criados pela força da mente. Porque a consciência é a força evolucionária. A mente precede a matéria, numa contemplação de si própria. Essas coisas a que chamais Física, essas leis que governam o cosmos, não passam dos matizes da passagem da consciência de Deus Pai/Mãe. Isso constituiu à altura a conclusão do primeiro acto criativo.


Fluindo ao longo das correntes do tempo e do espaço, os mundos coligaram-se e começaram a tomar forma. Em seguida as estrelas, as quais existem em maior número que grãos de areia na enseada. Passaram a existir oceanos e ares puros, no entanto nada se movia em si mesmo ou por si só.


A perfeição da mente, a perfeição do espírito que existia, e existe, é Deus a mover-se nesse momento, a delimitar-se e a repercutir e a trançar e a misturar-se a fim de criar uma tapeçaria dotada de uma glória inimaginável. Ele pôs em movimento uma dança e um dançarino, que, uma vez mais formam um só, a tecer e a combinar até o tear e o tecido se tornarem num só, e inseparáveis. Em seguida formou-se a união de formas simples e elegantes em que a forma era capaz de se reproduzir a si própria, primeiro numa outra igual e em seguida em duas. Depois as duas deram lugar a uma infinidade.

Gerou-se a conquista de formas simples e a sua ligação a momentos – aquilo a que chamais “átomos”, e aquilo a que em seguida chamais “moléculas” – cadeias e bandas em espirais de formas ascendentes até chegarem a possuir consciência a fim de se reproduzirem a si próprias. Por fim, elas foram ligadas na forma da célula singular, para de seguida dar lugar à união dessas células – colónias.


Durante eternidades o tecelão teceu, com indizível paciência e materiais cada vez mais abundantes; o tecelão ancestral teceu com riqueza e diversidade. Durante eternidades teceu ele, pela criação da expressão de uma nova dimensão. Porque muitas novas espécies de seres espevitaram pela formação de muitos mundos, espécies que fizeram brotar muitos membros e asas para dominarem os ventos, e variações de membros para dominarem os líquidos chamados “oceanos”. Diversos em número, elegantes na forma, essa passou a ser a criação da dimensão designada por “Vida Biológica”. E desse modo se completou o segundo grandioso acto criativo.


Movendo-se na perfeição, o Deus Pai/Mãe exalou todas essas coisas pela acção mental, por intermédio da consciência, enquanto a força evolucionária que é, com paciência, ao longo de eternidades, milhares e milhares de revoluções da vossa pequena esfera de existência ao redor de uma estrela solitária, sempre a progredir na direcção de um momento único que se torna presentemente relevante para vós. Porque houve um terceiro grande acto criativo, que se centrou na força e no ímpeto da criação de uma nova expressão da consciência.
 

Porque essa perfeição que era o espírito, essa perfeição que consistia na mente perfeita, a força evolucionária presente em todas as coisas, que reúne o cosmos, ao ser perfeita, ao ser a perfeição, não era capaz de tolerar nenhuma imperfeição. Desse modo, uma vez motivada unicamente pela perfeição, passaria a criar e a manifestar a perfeição de modo a se cumprir a si mesma.


De que modo? Por meio do desenvolvimento de nenhuma expressão excepto aquela perfeição, movendo-se e explorando a substância da perfeição que era o espírito e a mente de Deus, para contemplar a natureza da criação que tinha sido posta em marcha. Desse modo chegou a surgir o fenómeno a que chamais “almas”.


As almas foram criadas para ser pensamentos na mente de Deus. Porque cada uma constituía a perfeição do pensamento na mente universal. Essas almas foram criadas aos pares, tanto no masculino como no feminino, positivas e negativas, tal como reflectido pela criação, de modo a poderem dar testemunho umas das outras. Criadas sob a forma de “almas gémeas,” eram elas em quantidade infinita, perfeitas, e tinham uma existência radiante, por serem luminosas. Eram elas a Palavra, toda a Palavra que saía da boca do Pai. Porque no começo existia a Palavra, e a Palavra era una com Deus, idêntica a Deus. E nada foi criado aparte delas, por serem da mesma substância do divino. Eram as estrelas vespertinas que certa vez tinham cantado em uníssono. Porque, de facto, eram mensageiros do divino.


Tudo veio a surgir de uma só vez, por a própria perfeição que o caracterizava no momento do tempo e do espaço consistir na unidade que mantinha com o todo. Em seguida começaram a fluir comum só mandamento, o de traduzir a perfeição que as caracterizava. Por serem igualmente dotadas de livre-arbítrio. E em que consistirá o livre-arbítrio senão na liberdade no seio da vontade de Deus? E lá se expandiram aos pares a fim de serem co-criadores com o divino, por carregarem o propósito de diversificar a criação.


Passaram a ocupar todos os sectores do tempo e do espaço, e foram capazes de explorar todo o Reino do Céus. Porque todas as estrelas fluíam abaixo deles e eles podiam caminhar por entre as estrelas, que eram como as suas moradas. Esses seres celestiais eram infinitos e irrestritos mas de qualquer modo como que ingénuos – destituídos de experiência, mas conhecimento tão-só; destituídos de acção, e investidos somente de conhecimento; destituídos de pensamento, mas tão só conhecimento. Contudo, viriam a conhecer a acção, viriam a conhecer o pensamento, viriam a conhecer a vontade, por serem os criadores das suas fundações. Desse modo se lançaram em frente esses co-criadores de Deus pois espalharam-se de novo como toda a palavra proferida pela boca do Deus Pai/Mãe. E avançaram em frente inconscientes do tempo e do espaço, por os transcenderem. Fluíram a partir da omnipresença – únicos e individuais, contudo unidos uns aos outros.


Onde estava a sabedoria de os criar por pares? No facto de que tratando-se de pares podia-se gerar consenso, para que dele pudesse resultar criação. Entre Deus e a matéria, formaram-se um par, para por sua vez dar lugar à multiplicidade. Mas por múltiplos que fossem ainda formavam uma unidade. Por conterem todos os elementos da perfeição e ainda assim serem dotados de livre-arbítrio. Desse modo avançaram no conhecimento que tinham para diversificar a criação que tinham estabelecido, na qualidade de co-criadores no cosmos, e passaram para as dimensões materiais deste nível da existência física que designais por “Terra”.


Nesses dias ancestrais, que momento se terá isso compreendido? Quem o poderá dizer? Aos olhos do Senhor, um milhar de anos não passa de um batimento cardíaco, e um batimento cardíaco não passa de um milhar de anos. Ainda assim, eles moveram-se por entre os assuntos dessa criação.


E de facto, o seu conhecimento viu-se sobrepujado pelos sentidos deste plano. Vastos e diversos eram os turbilhões e as correntes que emanavam da criação. Vastos e profundos eram os reservatórios do seu próprio ser. Uma fonte de sensações jamais anteriormente experimentada. Quase o suficiente para sobrepujar qualquer forma de conhecimento, o que de facto quase aconteceu.


Inicialmente diversificaram a criação e obtiveram êxito em tal tarefa. Porque a consciência constitui a força evolucionária – e não a circunstância que brota do acaso. Além disso, não será a mente infinita essencialmente paciente? O conceito da infinidade, que governa todo o tempo e o espaço não explicaria a razão por que a força evolucionária e todo o movimento gerado pelo tear do tecelão criaria e expandiria o tecido a que chamais de tempo e espaço? Porque o infinito governa todo o tempo e espaço, mas somente Deus governa todas as realidades. Desse modo esses criadores juvenis, apesar de serem eternos, criaram e diversificaram por meio das leis naturais, porque de facto eles eram as leis e eram unas com elas.


Mas à medida que avançavam, os seus sentidos foram confundidos. Pela primeira vez desenvolveram eles a sensação, e recorrendo ao livre-arbítrio passaram a penetrar a sua criação ao invés de se moverem ao longo dela. E chegaram àquilo que designaríeis por “encarnação”, passando inicialmente a encarnar em formas de vida que designais por “mamíferos”, ou nos primatas inferiores.


E foi por essa altura, ao avançarem na sua criação e ao se focarem de forma isolada, que eles se tornaram semelhantes a um artista que, dando lugar à criação de um pote de barro, se concentraria de forma tão obsessiva nessa criação que passaria a identificar-se com ela ao invés de com o facto, com o conhecimento, o saber que o criador e a criação formam um só.


Portanto, passando desse modo do infinito ao finito, movendo-se para a matéria, para aquilo que chamaríeis de formas animais, perderam eles o conhecimento que tinham do divino. E aquilo que outrora tinha sido gracioso, tal como o dedilhar da harpa pelo harpista, deixou de o ser. Mas a perfeição existente, o processo de aperfeiçoamento, teve continuidade, porque aquilo que é perfeito permanece perfeito, mesmo quando a ilusão da imperfeição se faz presente.


Essas almas, esses co-criadores, em seguida puseram em marcha um ciclo, a lei do Carma, a qual consta simplesmente da lei do retorno. Tudo vem de Deus, tudo regressa a Deus. Dotados de infinita paciência e de infinita habilidade, esses tecelões procuraram elaborar uma forma de personificação a partir do próprio pó da terra, uma forma de vida, uma nova expressão, uma espécie de ser elegante na forma.



A Primeira Forma de Civilização


Primeiro, numa forma que reflectia a singularidade da sua natureza andrógina, sem serem masculinos nem femininos, eles esboçaram centros de consciência enquanto se achavam ainda encarnados, a fim de cumprir e concluir as acções que tinham posto em marcha tantas eternidades antes. Eles viveram e habitaram numa terra que actualmente não passa de uma reminiscência. Vós chamais-lhe “Mito”. Viviam numa paisagem cintilante que os homens e as mulheres ainda chamam de Éden, enquanto outros chamam de Lemúria. Viviam em cidades cristalinas que se espalhavam como jóias por uma paisagem esmeralda. Dominavam tecnologias e não trabalhavam a terra com a enxada mas faziam crescer as frutas do campo por acção de pura força mental. Dominavam os instrumentos da luz e do som, e todas as coisas se curvavam à sua vontade. E viveram eternidades na perfeição, tanto masculinos como femininos numa só forma. Porque, de acordo com todas as lendas, eles compunham a raça Adâmica, Amelius, os primeiros habitantes, os primeiros humanos.


Seres luminosos eram eles, por procurarem dominar s expressões da luminosidade, e não se julgarem uns aos outros por adoptarem formas físicas mais grosseiras, mas perceberem a cintilação da luz que circundava todo e qualquer um. Mas desejosos de obter uma perfeição mais cuidada e não desejarem permanecer como uma expressão auto-centrada, junto com o surgimento de outras colónias, surgiram os dias de uma outra criação, que no mito colectivo, na consciência colectiva da humanidade deu lugar a uma outra expressão de civilidade chamada Atlântida.


Na Atlântida, eles não procuraram tanto dominar a luminosidade nem a mente por um alinhamento com o divino, mas procuraram, ao invés, dominar o (aspecto) material, moldá-lo pela força da vontade para satisfazerem todas as necessidades, numa busca da estabilidade na matéria ao invés no seu espírito. Em resultado disso a sua luz foi-se tornando obscura. Mas pela primeira vez na experiência humana trouxeram à manifestação, ou pelo menos produziram a oportunidade da divisão do eu em duas expressões - masculina e feminina. Isso representou o surgimento de Adão e Eva, o primeiro homem e a primeira mulher, de uma nova experiência e de novas sensações jamais experimentadas antes pelas almas. Dois sexos se espalharam ao longo de sete raças a fim de produzirem perfeição, e disporem de um par para compor um testemunho.


À medida que essa espécie de seres deu continuidade aos os seus experimentos no campo da consciência, e à medida que os fluxos e refluxos das correntes do tempo e do espaço os faziam avançar, e a Lemúria e a Atlântida passaram a fazer parte dos mitos e das brumas do tempo e do espaço, e a história se desenvolveu qual maré implacável sob a plenitude da mãe lua, ao banharem e se enrolarem nas margens das vossas histórias actuais, plasmando-se no conhecimento que presentemente tendes, essas almas tinham formado para si a corporificação física, o templo vivo que vos permitiu tornar-vos seres humanos.


Esses seres humanos procederam da luz. Eles jamais chegaram a entrar nas trevas, mas precisavam unicamente reclamar aquilo que os torna humanos – a completude e a riqueza do seu espírito. Reclamar o caminho da alma, a riqueza e a herança que lhes pertencia. Se as histórias que mencionamos são percebidas como um mito, nelas subsiste ainda uma raiz de verdade que podem iluminar a alma. Porque vós sois essas almas. Vós sois essa perfeição. E essa é a vossa herança - a unidade que existe.



As Raízes da Consciência


Para poderdes compreender a alma, primeiro precisais compreender os trabalhos do espírito divino a que chamais Deus, porque no começo existia apenas esse espírito, e esse espírito desdobrou-se em si mesmo, dando lugar à criação dos seres que acabaram por se tornar as almas. Elas foram criadas em polaridades, macho e fêmea, contudo, eram andróginas por natureza. Eram conhecidas por “almas gémeas”.


As almas gémeas são almas individuais com as quais fostes criados há várias eternidades passadas, porque o espírito uno que é Deus não desejava que os seus rebentos vivessem na solidão, e ao invés disso criou-vos aos pares a fim de dardes testemunho da existência uns dos outros. Desse modo, as almas gémeas foram criadas e responsabilizadas e endossadas de autoridade a fim de se tornarem co-criadoras com Deus. Esse é o propósito e a função das almas, o de se tornarem co-criadoras no universo físico que conheceis e podeis ver, assim como em todas as dimensões e ordens de tempo e de espaço, e até mesmo além dos níveis em que a própria consciência se projecta.


As almas gémeas ficaram encarregadas da co-criação, junto com Deus, de duas polaridades a partir das quais viria a resultar a criação do que designais por “leis da física”. Essas leis foram registadas no livro de Enoch, onde é narrado, “Eis que vi os anjos a assistirem a todas as manobras do sol.” Tratava-se das actividades das almas nas suas incursões ao longo dos éteres que têm presença além da velocidade da luz. O derivado dessa sua criação e movimento são essas leis da física que observais nos dias actuais.


Em seguida as almas adoptaram identidades individuais, as quais se tornaram no reflexo pessoal de Deus sobre este plano. Porque Deus pode ser considerado a força vital e a alma da própria alma, o foco que abrange o todo. Mas as almas, sendo igualmente filhos de Deus, reflectem a natureza de Deus e ocupam todos os sectores do tempo e do espaço, assim como todas as dimensões, penetrando até à própria consciência.

Assim, pois, foram as almas criadas. Entrando nas suas actividades na qualidade de almas gémeas, foi-lhes outorgado domínio sobre uma multiplicidade de planos e de níveis da existência, passando em seguida à dimensão que designais por plano terreno, projectando-se desde a nona dimensão, e passando pelas sete - que conseguis medir por intermédio das vossas actuais tecnologias - para de seguida se moverem com perfeição através da primeira dimensão para voe darem a volta de novo e voltarem à nona. Assim agiram as almas a fim de criarem o universo físico e se tornaram na corrente do tempo e na própria lei, ou na força causal que tem existência no plano terreno.


O grandioso espírito chamado Deus já tinha criado o universo físico, que podia ser seguido até ao que designais, nas vossas leis da física, por “Big Bang”. Passou em seguida a dar-se a criação da dimensão biológica a que chamais vida. Foi aí que as almas começaram a diversificar a sua criação, e a diversificar as espécies, por lhe ter sido consignado comando a fim de subjugarem a terra e torná-la sua. E com isso, passaram a diversificar as formas de vida, passando por todas as dimensões biológicas, e todas as sensações dos reinos elevados da consciência se achavam ao seu dispor para comandar.


Mas à medida que as almas avançavam, passaram progressivamente a concentrar as suas energias nos níveis da terceira dimensão, e a intensidade do foco da sua energia pôs em marcha os começos das fundações da mente, mente essa que era um derivado da jornada da alma através do físico. Desse modo, a mente ao invés da consciência pura chegou a tornar-se no construtor e na força activa nesta dimensão física.


A mente chegou a elevar-se acima dos aspectos impessoais e não mentais, os quais se traduzem pelos atributos divinos da alma, até níveis dotados de ênfase no que é pessoal, da cobiça e de criações especiais sobre este plano. Desse modo, a inexperiência das almas começou a dar lugar à criação do ego e das emoções. Disso brotou tanto uma ordem competitiva e o início do apego emocional. Essas forças lentamente passaram a atrair cada vez mais a energia da alma, passando a taxar as leis naturais do deslocamento equânime dos fluidos hidromecânicos na base dos quais a alma tem a sua função, assim como do estado semelhante ao plasma da alma cristalizada nas três dimensões da existência que actualmente reconhecem.


A partir da terceira dimensão, pois, surgiu a criação do ego. É por isso que existem três pontos primários de focagem, referidos nos Vedas como “Os Três Nós” nos quais os aspectos centrais do ego devem ser cindidos por uma força superior conhecida por “Kundalini”. Tal como em outros sistemas do pensamento, eles tornaram-se nos “Três Átomos Permanentes”.


As almas eram capazes de se libertarem de todos os aspectos que tinham em todas as dimensões excepto na terceira, na qual chegaram a concentrar-se. Eram capazes de purificar a sua essência até mesmo ao nível dos éteres puros, excepto em relação aos três átomos permanentes nos quais os seus apegos enquanto entidades pessoais se confinaram neste plano.


Foi a continuidade cíclica desses três átomos por intermédio das espécies, em relação às quais se gerou uma atracção magnética natural, que puseram em marcha a lei do carma. Desse modo chegaram as almas a sofrer a queda. Ao invés de se tornarem na lei e na força causal sobre este plano, subjugaram-se à lei, responsável pelas suas acções na terceira dimensão – e com uma maior ênfase, uma vez que se tinham tornado apegados nos seus campos etéricos e por intermédio dos três átomos permanentes.


Os três átomos permanentes no princípio tinham o seu centro nos três chakras básicos. Eles tinham existência no ser que existia antes do homem como tal – três chakras elementares. Eles estiveram relacionados com a fundação da alma na matéria, com as forças sexuais, e com as concepções emocionais primitivas. Elas aprisionaram as almas, ou ataram-nas aí.


De seguida, uma segunda vaga de almas veio ao plano terreno para preencher o vazio que tinha sido aberto pelas almas que tinham encarnado no físico e que ficaram aprisionadas nos vários tipos de reinos, animal, vegetal e mineral. Essa segunda vaga de almas tornou-se nas ordens angélicas e dévidas. Começaram de imediato a colocar ordem nas leis naturais e na ordem das coisas ao acelerarem a evolução e começarem a expurgar do planeta todas as formas de vida que eram passíveis de se tornar ameaçadoras para as formas pré humanóides primitivas.


Desse modo chegou a dar-se a extinção de muitas espécies, à medida que enormes concentrações de força ódica, ou da força vital (força divina segundo a concepção nórdica) se tornaram necessárias à rápida evolução a partir dos níveis pré-humanos até àquilo que é conhecido por forma humanóide. Além disso, novos portais passaram a ser necessários para o influxo dessa força vital. Foi decidido que talvez a forma superior fosse a de um primata inferior primitivo, a partir da qual todas as almas passariam eventualmente a construir o veículo redentor humanóide. Muitas outras formas humanóides e semi-humanóides, conhecidas como os semideuses na mitologia Grega, surgiram igualmente, pelo que formavam uma sociedade dotada de uma multiplicidade de espécies, nesses dias.


A seguir deu-se o desenvolvimento do corpo etérico, a fim de cuidar dos elementos primários da evolução humana, e em seguida do corpo emocional. Os corpos etérico e emocional foram os primeiros dois a ser criados. Originalmente não existiam emoções neste plano e cada ser era de acordo com a sua natureza. Não havia emoções, nem apegos pessoais, porque as emoções constituem uma fusão entre o físico e a consciência, e uma concepção do ego.


A seguir veio o corpo mental, que representou o começo da primeira concretização de uma natureza única e peculiar. Depois surgiu o corpo astral, necessário à manutenção especializada das lições que as almas teriam a aprender ao se actualizarem no sentido do regresso a Deus. Mas não foi senão quando surgiu uma sociedade dotada de uma multiplicidade de espécies que as actividades do corpo espiritual chegaram a surgir. Aqui identificamos portanto os corpos espiritual e causal, o início do elo com uma consciência planetária. O sentido de unidade com o planeta activou então o princípio do “corpo” da alma e da ligação com a consciência superior.


Com a criação de cada uma dessas anatomias subtis em desenvolvimento, surgiram novos portais que firmaram assento no que viria a tornar-se conhecido como os chakras. Estes achavam-se localizados particularmente na forma pré-humana, nos testículos e nos ovários no macho, e nos ovários na fêmea, nas supra-renais (glândulas endócrinas), no baço, no timo, na tiróide controladora, e depois no cérebro réptil primitivo – na pituitária e na pineal.


O desenvolvimento desses chakras foi essencial ao desenvolvimento dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro. Porque à medida que a força da vida começou a insinuar-se, tornou-se necessário armazenar a energia em quantidades que a consciência fosse capaz de medir neste plano. Daí o começo do desenvolvimento dos hemisférios direito e esquerdo; e como tal, os conceitos lógico e intuitivo do homem também começaram a desenvolver-se, de forma que tanto o homem como a mulher foram capazes de meditar e de ponderar nos actos que cometiam neste plano e de se tornar seres conscientes.


Com o lento desenvolvimento das faculdades direita e esquerda do cérebro surgiu a grandiosa criação da alma neste plano – a personalidade humana. O corpo físico tornou-se no depósito de todas as coisas irrealizadas pelo ser. Também foi por essa altura que os átomos permanentes começaram a encontrar um novo assento da consciência nas pessoas, passando dos chakras básicos para o coração, e em alguns casos, para a tiróide e para a pineal. Noutros, para o Hara, para o coração, para a glândula pineal, e para a pituitária.


As novas posições dos três átomos permanentes transferiram a enxurrada da força vital para a zona do ventre no corpo físico e forçou a sua evolução no sentido ascendente, porque a força vital estava igualmente concentrada na pituitária e na pineal. Isso deu lugar ao surgimento de rápidos e massivos dilatações das actividades neurológicas, vindo a encontrar o seu clímax no Homem Pré-Histórico, durante os períodos da Lemúria e da Atlântida. Por essa altura, o coração, o timo e os tecidos musculares do coração tornaram-se críticos para a saúde e o bem-estar do indivíduo, com o timo a formar as próprias fundações da personalidade biológica durante os primeiros sete anos de vida. Tem sido assim desde a altura da Atlântida e até à história que registais.

Nos primeiros tempos, a humanidade encontrava-se sob comando directo dos anjos e não expressava vontade própria, senão para compor o veículo humanóide redentor. Em seguida começaram a criar competições para alcançarem níveis mais elevados de consciência, porque uma vez mais a besta - o ego - era exaltada. Isso conduziu aos ciúmes pelos deuses mas atraiu igualmente aquela segunda vaga de anjos, que entraram nessas competições, ao invés de permanecerem no divino. Isso valeu pela segunda vaga da encarnação.


A segunda vaga da encarnação contribuiu enormemente para a criação de um nível mais elevado de consciência. E essa segunda vaga de anjos também se revelou catalítica no aperfeiçoamento final da raça Adâmica na Lemúria, a qual então se tornou no Jardim do Éden. Isso destinou-se à reabilitação final do livre-arbítrio no plano físico, o que constituiu como um primeiro passo na reabilitação do divino na humanidade.

Então, na Lemúria, deu-se a finalização dos sete chakras e a origem dos sete raios, facultando às almas uma consciência pura de si mesmas sobre este plano, de modo a poderem lentamente começarem a elevar-se para deixarem de permanecer sujeitas à lei mas tornarem-se na própria lei.


Quando a vontade é fraca nessas áreas, os indivíduos recolhem-se aos três chakras básicos. Estes tornam-se nas origens da feitiçaria que procuram manipular as forças superiores a fim de preservarem a vontade pessoal ao invés da divina, a qual diz respeito à espiritualização do Ser.


As forças conhecidas como os sete raios unem-vos às formas superiores ao se coordenarem com os centros dos chakras a fim de atraírem a força vital a partir das dimensões superiores, da unidade com o universo. Isso possibilita uma direcção pessoal da força da alma sobre este plano e uma maior manipulação dos átomos que atam as almas aqui. Também permite que o corpo físico se torne numa unidade de energia naturalmente restaurada, com a capacidade que tem de se focar no plano ao invés de se manter amarrada aqui.


A ligação original da alma com este plano tornou-se no conceito mitológico dos “anjos acorrentados nos abismos e atormentados dia e noite pelos anjos de Deus”. Isso não passou do chamado dessas almas desse abismo na antiga e ancestral memória racial da humanidade, para o conhecimento de vós próprios enquanto seres divinos, e filhos e filhas de Deus.


Os raios revelam as actividades e o realce que a alma deseja na personalidade, as lições espirituais que permanecem. Assim, o estudo dos chakras e dos raios revela os aspectos não espiritualizados ou não percebidos do subconsciente, que é o corpo físico. Assim, pois, a elaboração com base nos mesmos.


Tendo obtido múltiplos níveis de perfeição, deu-se uma reunião final das almas e de arcanjos tanto no estado encarnado como desencarnado. Definiu-se o desejo de que a perfeição fosse testada uma última vez, porque a unidade obtida na Lemúria ainda não tinha sido testada; e de facto, isso não representaria somente um teste, ma um exame, a ver se a luz poderia sobreviver na nova forma. Desse modo, a forma andrógina singular dos habitantes da Lemúria foi dividida em macho e fêmea a fim de instaurar a intimidade e a partilha entre dois seres dotados de idênticas necessidades, temperamento idêntico, e consciência idêntica. Isso representaria o teste final para os egos. E de facto tem representado, desde então, um teste para os homens e as mulheres.

Com tais actividades, o traçado das lições individuais voltou-se de novo para os chakras inferiores, o que causou problemas de natureza sexual. Porque de facto são as igrejas que têm assento nos chakras inferiores que procuram testar os profetas e frequentemente lhes aponta falhas. Isso não quer dizer que sejam unicamente os conceitos da sexualidade que sejam críticos ao progresso mas o facto de cada indivíduo precisar perceber que é mais do que um ser físico e que o físico constitui unicamente o seu foco e a ênfase dada às lições deste plano.


Até mesmo hoje vós estais a sofrer os testes da androginia, em que cada indivíduo chega a compreender possuir um relacionamento pessoal com Deus. A androginia consiste na capacidade de serem tanto macho como fêmea e de representarem as edificações naturais dessas coisas através do altruísmo. Isso é para que ninguém possa julgar o outro de acordo com a sua sexualidade ou expressão sexual. Dessa forma, a questão do equilíbrio entre masculino e feminino e a ordem final a estabelecer. Porque as questões do foro da masculinidade e da feminilidade e das expressões da intimidade humana ultrapassam as fronteiras de toda a linha racial, social e económica.


O teste, pois, consiste na conquista do equilíbrio – não simplesmente na reabilitação de um relacionamento idêntico entre macho e fêmea mas na igualdade de todos quantos encontram expressão na forma humana. Por isso, o teste consiste no preparo final das energias dos chakras inferiores para as dirigir para cima, onde se poderão tornar divinas e vos vireis a servir uns aos outros sem pré-juízo nem preconceito, mas com um amor incondicional uns pelos outros e um desejo pela instauração de harmonia em todas as coisas.


Sabei que a vossa alma se acha ligada ao corpo físico não na condição de escravos mas para experimentardes a revelação que pode advir da personalidade. Pois a personalidade não passa de uma recordação da alma, e vós tivestes muitas vidas, por isso, muitas recordações delegadas à alma. Mesmo ao terdes lembranças da vossa infância, que ainda vos moldam o pensamento sem no entanto serem mais crianças, o mesmo acontece em relação à alma, de modo que eventualmente possais amadurecer na alma, a partir da personalidade.


A alma está ligada como um compromisso em relação ao corpo físico, não tanto sob a forma de escravidão ma mais na qualidade de um servo, para que cada um possa servir o outro pela revelação de Deus neste plano de existência. A alma consiste na individualidade que possuís em Deus. Quanto mais manifestardes essa presença, mais começareis a manifestar a presença de Deus nas vossas actividades pessoais.

Existem muitos métodos por intermédio dos quais a alma se revela a vós, porque vós sois a alma. E quanto mais integrardes esse fenómeno na vossa própria natureza, tanto mais perto chegareis de recordar por completo quem sois. E realmente, vós sois deuses.


A alma na verdade tece a ligação com o corpo no ventre da mãe; as “agulhas” que escolhe para tecer a moldura e a tapeçaria do corpo físico são os vossos pais. A alma é a entidade consciente que vos torna num ser humano único. Ao nascerdes, e ao tomardes o primeiro folgo, a consciência da alma começa a ser condicionada, e a mente consciente e a identidade consciente começam a ser moldadas. Quando a vontade se concentra no mundo, a criança, um ser plenamente consciente, simula e adapta a estrutura mental aos pontos referenciais das lições a ser aprendidas. Lenta mas seguramente, o véu do esquecimento é delineado de modo a que a alma possa focar-se por completo no plano terreno.


A exploração do fenómeno da alma é sinónimo da exploração da vossa própria natureza. A alma é aquela porção de vós que permanece indelevelmente agregada a Deus, inalterada, e permanente. É a ideia de existir uma constante no modo de ser das coisas – não rígida nem fixa mas sempre movente, contudo permanentemente em repouso. É o Alfa e o Ómega; é o divino que existe no nosso íntimo num fluxo contínuo e num constante movimento. O tudo que não é coisa nenhuma e o nada que é todas as coisas.

Não somente é a alma una com Deus, como vós sois a alma, e a alma é una com todas as coisas. Nesta vastidão e unidade que é Deus, que é a alma, achais-vos vós, por sua vez, contidos. Em última análise, trata-se da criação da vossa própria realidade, por não existir coisa nenhuma fora de Deus. Por isso, não existe nada fora do fenómeno da vossa realidade pessoal. Porque no final de contas havereis de vos estender e de vos tornar na alma. A alma é imortal e jamais pode “perder-se”, apesar de por vezes poder desviar-se do verdadeiro caminho ou propósito que tem neste plano. Mas nenhuma alma alguma vez se perde ou perece; talvez permaneça nas trevas por um período de tempo, até regressar ao lar, na luz.



Tom MacPherson


Inicialmente, vós nascestes todos no espírito e tivestes uma origem comum. Vós sois todos tão velhos uns quanto os outros. Novas almas são criadas unicamente de acordo com a relativa experiência que têm em diferentes porções do universo. Vós sois os filhos da luz por terdes vindo da luz.


Existiu basicamente uma onda composta por vós que se deixou apanhar no pântano do plano terreno, por assim dizer, e que se deixou atrair para variadíssimas formas físicas; e depois houve uma nova vaga de anjos que entrou em cena, ao planearem um resgate que se revelou tão eficaz quanto o vosso voo de resgate de Teerão, há uns anos atrás.

Eles foram sugados para este plano durante a relação efectiva que tiveram com os vossos antepassados. Materializaram formas físicas, fizeram um alarido e tanto, e deixaram-se prender nas barreiras emocionais. No entanto, estavam arcanjos a assistir a toda a encenação, e como tinham uma compreensão das actividades que envolvia, não tiveram a capacidade de se deixar “cair” nessa condição.


Vós sois os filhos da luz por terem consciência dessas coisas e poderem “atrair outras traças à chama” – não para que se queimem, mas para que se possam ver na exacta mesma posição que tentais ter e manter. Estais a tentar acender outras velas.

Almas novas são aqueles pequenos monstrinhos que parecem não ouvir nem ver qualquer mal. São os vossos perpétuos optimistas. Geralmente é o estilo de pessoa de quem se diz: “Aquele desgraçado está todo animado ali à esquina a cantar, independentemente de toda a infelicidade que se cruze no seu caminho.”


Quanto ao fenómeno dos “walk-ins”, temos uma visão ligeiramente diferente do que possa subentender. Uma teoria reza que tendes uma alma aqui que encarna num determinado indivíduo, percorre a vida, sofre um acontecimento traumático, com um acidente de carro ou algo do género, essa pessoa abandona o corpo aqui, e estabelece um acordo com uma outra alma para que assuma o seu corpo. Essa alma original sai impune, enquanto a segunda alma fica com um corpo a fim de proceder a uma grandiosa tarefa. É assim que muitos definem um “walk-in”.


Nós discordamos de tal modelo. Nos nossos termos, o que acontece é que uma alma encarna, vive durante algum tempo, e a seguir passa por uma experiência qualquer traumática. Ela abandona o seu corpo durante um tempo e talvez encontre uma alma mestra, ou porventura a sua própria alma num nível mais alargado. Essa alma mestra diz-lhe: “O melhor será que voltes por o teu trabalho não estar finalizado.” E posso-vos assegurar que, com um amargo de boca da parte de um Moisés, ou de um Jesus, ou de um Buda, ou mesmo da parte da vossa Alma Superior, não mais sereis a mesma pessoa que éreis antes. E depois de uma das vossas experiências de quase-morte, as pessoas jurarão que não sois a mesma pessoa que éreis antes, e presumirão que sois uma outra pessoa.


Assim, com os “walk-ins” não é que uma alma se encarne e outra desencarne, mas o caso da alma sair de tal modo transformada, e as funções da personalidade serem tão radicalmente alteradas que o Carma da alma deixa de se aplicar à intenção e ao propósito originais que tinha e assume um propósito e uma profundidade cármica quase a ponto de a identidade da alma encarnar completamente na forma física.


Portanto, não é que uma alma entre e outra saia, mas a completa transformação da personalidade, de modo que não mais é correcto descrevê-la como o mesmo ser.

É extremamente raro que duas almas ocupem um só corpo numa mesma vida, caso isso chegue a dar-se. No caso de alguns lamas tibetanos e de alguns místicos, porventura, mas geralmente apenas por esse aspecto estar temporariamente a comunicar através da própria força psíquica da sua alma, da mesma forma que eu comunico temporariamente através deste instrumento. O instrumento encontra-se sempre aqui, mas geralmente existe apenas uma alma em cada corpo.


Almas-gêmeas não são pessoas que conheceis e com quem casais e tendes filhos; são seres com quem fostes co-criados e vos impedem de vos tornar egocêntricos, porque se a vossa criação dependesse em exclusivo de vós próprios, poderiam tornar-se demasiado egocêntricos. Mas aí, ao terem uma alma-gêmea com quem fostes co-criadores, isso serve-vos de advertência do empenho que tendes para com outros seres no universo. Os gémeos idênticos geralmente são almas-gêmeas.


Desse modo, uma alma-gêmea não é alguém com quem encarnais para folgar. Não funciona de modo nenhum assim. Um alma-gêmea é alguém que foi criado para vós por Deus no passado, quando as almas estavam originalmente a ser criadas. Deus achava-se um anto só, poder-se-ia dizer, de modo que se encrespou, fez uns quantos movimentos, e procedeu à criação das almas. E para não cometer o mesmo erro com os filhos, para que não se sintam igualmente sós, ele criou almas-gêmeas. Criou-as aos pares, por polaridades positivas e negativas, ou a dualidade com que operais neste plano.


Embora só possuam uma alma-gêmea, têm muitos gémeos idênticos. Essas são almas com quem tivestes muitas encarnações. Por exemplo, ambos gostais de jogar ténis, ambos sois canhotos, ambos detestais aranhas, e ambos tendes preferência por restaurantes Franceses. Isso deve-se ao facto de terem vivido juntos na corte de um Luís XIV, e ambos terem estudado sob a tutela de um Leonardo da Vinci, que era canhoto. Geralmente, quando vos apaixonais por alguém do género, isso fica a dever-se ao facto dos vossos ciclos de vidas serem idênticos. Ambos sentíeis a influência da vida da época de Luís XIV quando conhecestes um restaurante Francês. Mas um ano volvido, ou à volta disso, o vosso companheiro pode seguir para a vida que teve sob a chancela do Leonardo da Vinci, enquanto estareis ainda no vosso ciclo de vida de Luís XIV.


As almas-gêmeas são seres com quem fostes criados há vários biliões de anos atrás. Não são pessoas que fostes predestinados a conhecer e por quem possam cair romanticamente apaixonados. Sobretudo, as almas-gêmeas acham-se encarnadas em simultâneo apenas no caso dos gémeos idênticos ou em grandes actos históricos, tais como no caso de Anwar Sadat e de Moshe Dayan, que eram almas-gêmeas. No entanto, há almas consortes, almas com quem tivestes muitas encarnações e com quem partilhais muito Carma e serviço comum. São pessoas com quem tendes uma elevada compatibilidade e que podeis conhecer e com quem podeis casar – e se desejarem chamá-las, em termos românticos, “alma-consorte bonitinha,” poderão usar isso como um termo carinhoso.


A razão por que recentemente experimentastes uma profusão de nascimentos deve-se à existência de uma ampla quantidade de experiência disponível neste plano, nos dias que correm. Por exemplo, nos dias da Atlântida, tudo quanto tinham era uma cultura homogénea, avançada. Hoje em dia, possuís uma cultura avançada – ou seja, para o referir em termos científicos – dotada de pessoas que ainda vivem na chamada Idade da Pedra, embora provavelmente espiritualmente mais avançadas do que a vossa própria sociedade. Assim, existe uma ampla variedade.


É como se o planeta se assemelhasse um tanto a um bar animado dos dias que correm, para que as almas desejem entrar e experimentar.



Atun-Re


Ah, o Atun-Re dirige-se a vós. Perguntais como se há-de definir uma “alma velha”? Nós dizemos, de forma bem-humorada, que uma alma velha não passa de um aluno lento. A designação de alma velha é estritamente relativa à experiência que a alma tem num particular plano de existência em que percebeis a existência de tempo e de espaço. O próprio termo “velha” em si mesmo implica o conceito de tempo inerente a uma experiência prolongada. Por isso, uma alma que tenha começado a obter experiência no vosso plano terreno porventura há quinhentos mil anos atrás e ainda prossiga nos ciclos da reincarnação seria uma alma velha neste plano, e teria muitas vidas de experiência.

Uma alma que esteja além do sector da experiência deste plano particular que viesse nos vossos últimos séculos representaria uma alma nova para este plano, e criaria uma realidade nova. Mas todas essas almas foram criadas em simultâneo, há muitos biliões de anos atrás. Assim, os vossos quinhentos mil anos tornam-se numa simples gota de água no oceano da totalidade da experiência da alma.


Para entenderem as almas-gêmeas, precisais ter um entendimento de vós próprios estritamente enquanto espíritos. Primeiro, fostes criados por Deus, e fostes criados à imagem de Deus. Deus é o Espírito, de modo que fostes criados na qualidade de alma. Deus não queria que as almas se sentissem sós, nem tampouco desejava que se inebriassem demasiado. Por conseguinte, criou-as por polaridades perfeitas de macho e fêmea; polaridades essas, que eram passíveis de ser invertidas em fêmea e macho. Por conseguinte, as almas são andróginas e ainda assim dispõem de companheiros. Porque, para criarem a sua realidade, elas precisavam estar em contínua oscilação para poderem passar a dispor de movimento. Isso não tinha a intenção de as vincular ou encadear, mas de lhes conferir uma perfeita individualidade em todas as dimensões da perfeita sensibilidade e unidade. De modo que eram individuais, no entanto eram precisas duas para criar, duas para proceder a um único testemunho da realidade que observavam.


Isso representa a vossa verdadeira alma-gêmea, uma com quem sois co-criadores de forças universais. Ocasionalmente podeis conhecer a vossa alma-gêmea no plano terreno, mas geralmente isso ocorre sob a forma de gémeos idênticos. Torna-se muito raro as almas-gêmeas encontrarem-se e acasalarem. Mas dispondes de muitas almas idênticas com quem tendes uma experiência comum em muitas encarnações e que geralmente são membros da vossa família da alma. Assim, pois, tornam-se na vossa alma consorte, por quem sentis uma elevada compatibilidade e com quem podeis casar. As almas consortes partilharam tantas encarnações, e um serviço tão similar e desempenharam uma acção tão idêntica – ou Carma idêntico – que para vós são gémeos em relação ao crescimento espiritual.


A alma-gêmea consiste numa consciência com quem fostes criados muito antes do nascimento dos deuses, quando existia apenas um grandioso Deus, um grandioso espírito. Por terdes sido criados como almas-gêmeas sempre teríeis uma outra consciência para dar testemunho da vossa realidade, de modo a não estarem sozinhos, e a não terem demasiado ego e sempre serem unos com o divino.

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