sábado, 2 de julho de 2011

TRANSFORMAÇÃO






Seth
Tradução: Amadeu Duarte

De acordo com o que vos foi ensinado, sois compostos de matéria física e não podeis escapar a tal condição, mas não é assim. A matéria física desintegrar-se-á, mas vós não.

Apesar de me não poderdes descobrir, sabeis que estou aqui. Os vossos pais parecem desaparecer diante dos vossos olhos e desvanecer-se no vazio para sempre. Posso assegurar-vos de que continuareis a viver. Posso assegurar-vos de que a morte é um outro começo, e que quando morrerdes não vos silenciareis. Por acaso, será esta voz que aqui escutais, silêncio? Será a presença que podeis sentir nesta sala, morte?

Eu estou aqui para vos dizer que a vossa alegria não depende da vossa juventude, porque dificilmente eu poderei ser considerado jovem. Estou aqui para vos dizer que a vossa alegria não depende do vosso corpo físico, porque segundo a concepção que fazeis, eu não possuo nenhum. Eu possuo o que sempre possuí, a identidade que me pertence. Ela jamais é diminuída, antes cresce e desenvolve-se.

Vós sois aquilo que sois, e haveis de ser mais. Não temais a mudança, porque vós sois mudança, e mudais ainda que somente sentados diante de mim, apenas. Toda a acção é composta de mudança, porque, se assim não fosse então deveria existir um universo estático e aí de facto a morte seria o fim.

Aquilo que eu sou é igualmente o que vós sois: consciência individualizada. Mudai com as estações, porque vós sois mais do que as estações. Vós moldais as estações; elas são o reflexo do vosso ambiente psíquico.

Esta noite vim imbuído dum propósito: o de que pudésseis sentir a minha vitalidade, e ao senti-la soubésseis que vos falo de dimensões para além daquelas a que estais acostumados. A sepultura não é o fim, porque alguém tão estrepitoso quanto eu jamais falou com os lábios da morte.

Eu encontro-me nesta sala apesar de não existir objecto algum onde me possais situar. Vós sois tão desprovidos de corpo quanto eu; possuís um veículo para vossa utilidade, um corpo a que chamais vosso, mas isso é tudo. Eu utilizo o corpo do Ruburt com o seu consentimento, mas aquilo que eu sou não depende dos átomos nem das moléculas e o que vós sois não depende da matéria física. Vós vivestes antes e vivereis de novo, e quando terminardes a existência física, ainda vivereis.

Eu venho aqui como se surgisse por um buraco no espaço e no tempo. Existem corredores no espaço e no tempo através dos quais podeis viajar, e ao sonhar já estivestes onde eu me encontro.

Eu quero que sintais a vossa própria vitalidade. Senti-a viajar pelo universo e sabei que ela não depende da vossa imagem física. Na realidade, vós projectais a vossa própria energia a fim de moldar o mundo físico. Por isso, para mudardes o vosso mundo, sois vós quem precisa mudar. Precisais mudar aquilo que projectais. Vós sempre exististes e sempre existireis; esse é o significado da existência e da alegria. O Deus que existe, existe dentro de vós, porque vós sois uma parte de tudo o que existe.


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