sábado, 2 de julho de 2011

TRANSES COLECTIVOS



PLANOS DE SAÚDE PARA A DOENÇA / EPIDEMIAS DE CRENÇAS / INOCULAÇÕES MENTAIS EFICAZES CONTRA O DESESPERO

Seth
(Individual and the Nature of Mass Events)
Tradução: Amadeu Duarte

Apesar de neste livro apontar algumas das áreas mais infelizes da experiência colectiva e da experiência privada, também fornecerei algumas sugestões de soluções eficazes.

“Vós obtendes aquilo em que vos concentrais.” As vossas imagens mentais produzem a sua consecução. Estas são máximas antigas, todavia definis o modo como os vossos sistemas de comunicação das massas amplificam tanto os aspectos “positivos” como “negativos”.

Posso, por um tempo, realçar os modos através dos quais vós, individualmente e como civilização, tereis minado os vossos próprios sentimentos de segurança; todavia também vos fornecerei métodos em reforço desses sentimentos necessários da integridade biológica e de compreensão espiritual que poderão aumentar amplamente a vossa existência física e espiritual.

As crenças que albergais geraram em vós sentimentos de demérito. Tendo-vos separado artificialmente da natureza, vós passastes a deixar de confiar nela, e frequentemente experimentai-la como um adversário.

As vossas religiões outorgaram-vos uma alma, ao mesmo tempo que negavam a atribuição duma às outras espécies. Por isso, os vossos corpos foram relegados à natureza ao passo que as vossas almas foram relegadas a Deus, que permaneceu imaculadamente à margem das Suas criações.

As vossas crenças científicas dizem-vos que o vosso mundo aconteceu no decurso dum acidente. As vossas religiões dizem-vos que o homem é um pecador; que não podeis confiar no corpo; que os sentidos podem desviar-vos. Em meio a tal confusão de crenças vós perdestes em grande medida o sentido da vossa própria dignidade e objectivo e passou a ter lugar um medo e uma suspeição generalizados e comummente a vida torna-se despida de toda a qualidade heróica. O corpo deixa de reagir às ameaças generalizadas e é, pois, colocado sob constante tensão, em tais circunstâncias, e é levado a especificar o perigo. Mas ele está preparado para agir em vossa protecção.

Em resultado ele ergue fortes tensões, pelo que em muitas ocasiões uma enfermidade ou situação específica de ameaça é “criada” para livrar o corpo da tensão concentrada para além do comportável.

Muitos dos meus leitores acham-se familiarizados com as meditações (ou transes) privadas, em que a concentração é focada numa área particular. Existem muitos métodos e escolas de pensamento no tocante a isso, mas o que resulta é um estado mental altamente sugestivo em que alvos espirituais, mentais e físicos passam a ser visados. É impossível meditar sem um objectivo, porque esse próprio objectivo constitui, em si mesmo, um propósito.

Infelizmente muitos dos vossos programas de saúde pública e vários anúncios publicados nos meios de comunicação fornecem-vos meditações de massas de género mais deplorável. Refiro-me àqueles em que são sugeridos sintomas específicos das variadas doenças, e nos quais se adianta ao indivíduo para proceder ao exame do corpo com tais sintomas em mente. Também me refiro àquelas declarações que de modo igualmente infeliz especificam doenças para as quais o indivíduo poderá não apresentar qualquer sintoma observável mas em relação às quais é prevenido relativamente à eventual ocorrência desses desastres físicos, a despeito dos seus sentimentos de saúde.

Aqui, os receios generalizados pelas crenças religiosas, científicas e culturais são frequentemente apresentados como modelos de enfermidades nos quais a pessoa poderá descobrir um foco específico, e poderá dizer: “É claro que me sinto apático, em pânico, inseguro, uma vez que padeço desta ou daquela doença.”

As sugestões dadas na área do cancro da mama, no que se prende com os exames feitos pelo próprio, já provocaram a eclosão de mais casos do que tratamentos. Elas acham-se imbuídas de intensas meditações do corpo assim como de imaginação adversa que por si só afectam as células corporais. Os anúncios públicos relacionados com a pressão arterial elevada, fazem subir, por si só, a pressão arterial de milhões de telespectadores.

As ideias actuais que tendes em relação à medicina preventiva geram, pois, o exacto tipo de medo que provoca a enfermidade, e na sua globalidade o sentido de segurança do corpo do indivíduo e aumentam o stress, ao mesmo tempo que propõem um plano específico e detalhado da doença. Mas acima de tudo, operam pelo aumento do sentido de alienação do indivíduo em relação ao corpo e promovem um sentido de impotência e de dualidade.

Os vossos anúncios médicos são igualmente promotores de doenças. Muitos, imbuídos da intenção de vos proporcionar alívio por intermédio da utilização dum produto, em vez disso promovem a condição por meio da sugestão, desse modo gerando a necessidade do próprio produto. Os remédios para as dores de cabeça são um desses casos. Em parte algum um desses anúncios de cunho médico ou de serviço público fazem menção às defesas naturais do corpo, nem à sua integridade, vitalidade ou energia. Em parte alguma da vossa televisão ou rádio é dada qualquer ênfase aos saudáveis. As estatísticas médicas lidam com os enfermos; em contrapartida, nenhuns estudos são elaborados com base nos que são saudáveis. Cada vez mais são acrescentados alimentos, medicamentos e condições ambientais à lista da causa das doenças. Relatórios diversos colocam produtos diários com carnes vermelhas, o café, o chá, os ovos e as gorduras na lista.

Muitas gerações, antes de vós conseguiram subsistir com tais alimentos, e na verdade, eles eram promovidos como causa de saúde. De facto o homem parece ser alérgico ao seu ambiente natural e ter-se tornado numa presa do próprio tempo. É verdade que os vossos alimentos contêm químicos que no passado não tinham. Contudo, e com razão, o homem é biologicamente capaz de assimilar esses materiais e de os utilizar para a sua própria vantagem.

Todavia, quando o homem se sente impotente, e num estado de medo generalizado, ele é mesmo capaz de virar os ingredientes mais naturais contra si próprio.

A vossa televisão e as vossas artes, e as ciências também, contribuem igualmente para as vossas meditações colectivas ou das massas. Na vossa cultura, pelo menos, aquele que é educado nas artes literárias fornecem-vos novelas que representam anti-heróis, e frequentemente retractam a existência individual como destituída de sentido e na qual nenhuma acção se revela suficiente para mitigar a confusão e a angústia privadas. Muitas dessas novelas – não todas – ou mesmo filmes, resultam dessa crença na impotência do homem. Nesse contexto, nenhuma acção é heróica e o homem em toda a parte se torna vítima dum universo estranho.

Por outro lado, os vossos dramas violentos e ignorantes televisivos fornecem-vos de facto um serviço, porque de forma imaginativa especificam um temor generalizado em relação a uma dada situação, a qual passe, nesse caso, a ser resolvido por meio do drama. A acção individual conta. Os enredos podem ser estereotipados ou a acção ser horrenda, mas nos termos mais convencionais o “homem bom” vence.

Tais programas efectivamente recolhem os medos generalizados da nação mas representam igualmente dramas populares – desdenhados pela elite intelectual – por meio dos quais o homem comum é capaz de retractar capacidades heróicas e de agir de forma concisa rumo a um fim desejado, e de triunfar. Frequentemente esses programas retractam o vosso mundo cultural em termos exagerados, e a maior parte das resoluções dão-se efectivamente por meio da violência. No entanto, as vossas crenças mais bem fundamentadas conduzem-vos rumo a um retracto ainda mais pessimista no qual até mesmo a acção violenta de homens e de mulheres que são votados a extremos deixa de servir qualquer propósito. O indivíduo deve sentir que a sua acção conta. Ele é conduzido à violência somente como último recurso – e frequentemente a doença torna-se o último recurso.

Os vossos dramas televisivos, os shows de polícias e ladrões, as produções que apresentam espionagem, são simplistas, contudo aliviam tensão de um modo que os vossos anúncios sobre a saúde não o podem fazer. O espectador poderá dizer: “É claro que me sinto em pânico, inseguro e apreensivo por viver num mundo tão violento. O medo generalizado é capaz de descobrir uma razão para a sua própria existência. Mas pelo menos os programas fornecem uma resolução que é apresentada em termos dramáticos, ao passo que os anúncios de saúde pública continuam a gerar constrangimento. Por isso, essas meditações colectivas reforçam as condições negativas.

No geral, pois, shows violentos proporcionam-vos um serviço, pelo facto de geralmente promoverem o sentido do poder individual do homem ou da mulher sobre um dado conjunto de circunstâncias. Na melhor das hipóteses, os anúncios do serviço de saúde pública introduzem o médico na qualidade de mediador. Espera-se que leveis o copo a um médico, do mesmo modo que levais o carro a uma oficina, a fim de receber assistência. O vosso corpo é encarado com um veículo descontrolado que necessita de escrutínio constante. O doutor assemelha-se a um mecânico biológico que conhece o vosso corpo muito melhor que vós. Agora, essas crenças médicas acham-se entrelaçadas nas vossas estruturas económicas e culturais, pelo que não podereis atribuir as culpas ao pessoal da área médica nem à sua profissão somente. O vosso bem-estar económico é igualmente uma parte da vossa realidade pessoal. Muitos médicos dedicados utilizam tecnologia médica com uma compreensão espiritual, e tornam-se, eles próprios vítimas das crenças que sustentam.

Se não fordes dados a recorrer às poções para as dores de cabeça, o vosso tio ou vizinho poderá ficar sem emprego e incapaz de sustentar a família, em consequência do que ficará com falta de meios para vos comprar mercadorias. Não podeis dissociar uma área da vida de outra.

Em massa, as vossas crenças privadas moldam a vossa realidade cultural. A vossa sociedade não é uma coisa em si mesma, nem se acha separada de vós, mas resulta das crenças individuais de cada indivíduo que a compõe. Não existe extracto da sociedade que vós, de um ou de outro modo não afecteis. As vossas religiões realçam o pecado. As vossas classes médicas realçam a doença. As vossas ciências, com os seus métodos, realçam as teorias caóticas e acidentais da criação. As vossas psicologias realçam o aspecto de vitimização dos indivíduos em relação às suas origens. Os vossos pensadores mais avançados enfatizam a violação do planeta às mãos do homem, ou focam o desastre futuro que assolará o mundo, ou vêem, uma vez mais, o homem como uma vítima das estrelas.

Muitas das vossas escolas do oculto ressuscitadas expressam recomendações em relação à morte do desejo, à aniquilação do ego, a fim de obterem a transmutação dos elementos físicos em níveis mais refinados. Em todos esses casos e integridade clara e espiritual e biológica do indivíduo sofre, e a urgência ou iminência preciosa dos vossos momentos é amplamente deitada por terra. A vida terrena é vista como uma coisa lúgubre, como uma pálida versão duma existência mais vasta, ao invés de ser retractada como uma experiência única, criativa e viva do que devia ser. O corpo é desorientado e sabotado, e as linhas da prístina comunicação entre o espírito e o corpo tornam-se difusas, pelo que tanto individualmente como em massa, surgem doenças e condições que é suposto conduzirem-vos a outras realizações.

...

Por si só, o corpo é capaz de se defender de qualquer doença mas não é capaz de se defender de modo apropriado de um medo generalizado uma vez exagerado em relação à doença pessoal. O copo tem que reflectir os vossos sentimentos e avaliações. Geralmente... Bom, todo o vosso sistema médico cria literalmente tanta doença quanto aquela que cura – por serdes em todo o lado assediados pelos sintomas das várias enfermidades e entulhados com os receios em relação à enfermidade e esmagados pelo que parece ser uma propensão do corpo em relação à doença – e em parte alguma se realça a vitalidade nem os sistemas de defesa naturais.

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