sábado, 2 de julho de 2011

MEIOS DE INFORMAÇÃO CONFIRMAM AS CRENÇAS COLECTIVAS CULTURAIS NEGATIVAS E MOLDAM-NOS A CRIAÇÃO DA REALIDADE





Seth
Sessão de 03/12/77
Traduzido por Amadeu Duarte


Ora bem; basicamente vós moldais a vossa realidade - tanto de forma privada como colectiva – por intermédio das crenças que abrigais é claro, crenças essas que vos ajudam a organizar o vosso mundo psíquico de determinados modos. Vós utilizais essas crenças organizadas a fim de vos concentrardes em determinada informação e ignorardes outra, de modo que tanto consciente como inconscientemente vós organizais estímulos exteriores de forma a conseguirdes que isso faça sentido em face das convicções que albergais e molde, desse modo, uma estrutura mais ou menos fiável, por intermédio da qual a acção e a reacção se tornem possíveis.
A história é escrita de acordo com as presentes convicções do historiador, e no contexto do seu tempo. Como é do vosso conhecimento, o vosso mundo ocidental seguiu a própria combinação que fez do cristianismo, do darwinismo e da psicologia freudiana. E devido a que essas ideias ainda prevaleçam amplamente como a corrente dominante na vossa sociedade, a vossa televisão, jornais, noticiários e revistas tornam-se facciosos dum modo invisível. As notícias são invisivelmente organizadas para encaixarem em certos padrões de modo que quando as lerdes ou escutardes transmitam a marca aparentemente indelével de confirmação das crenças básicas da cultura.

Não me estou a referir especificamente a partidos políticos nem a edições políticas nem a nenhum jornal ou revista especializados mas ao padrão geral exibido por toda a vossa comunicação de massas. Contudo, podeis facilmente assistir à perspectiva altamente especializada e intensificada do mundo que aparece nas publicações científicas e ver como se acham em acentuado conflito, por exemplo, com as publicações religiosas. Se observardes, podereis facilmente tomar consciência desses mundos especializados.

A despeito de tais diferenças, o retracto global é em grande medida o mesmo: não podeis confiar em vós, nem no vosso corpo, nem no mundo natural. Em toda a parte sois levados a confrontar-vos com a prova disso. Os cabeçalhos dos jornais falam de problemas existentes entre as nações, de crimes colectivos, de crimes privados e de doença; do emprego indevido dos animais, da estupidez e da crueldade do homem, pelo que mais parecerá que a espécie se ache à beira da insanidade.

Contudo, examinemos a organização sem rosto que se acha por detrás desse material. Não pretendo chocá-los mas existem tantos casos dum heroísmo franco quantos de crimes cometidos. Existem padrões duma mudança altamente construtiva que jamais são revelados, no que concerne aos meios de informação. Existe tantos a recobrar de doenças, à sua própria custa até, quantos daqueles que sucumbem. Existem padrões criativos de compreensão que ocorrem em termos de energia, mas esses não são anunciados.

Se não entenderdes isso, nesse caso abordareis os vossos jornais e notícias afins dum modo irreflectido, com a ideia de que eles traçam um retracto justo dos eventos do mundo – um retracto que apenas dá relevo aos sentimentos negativos que se acham por detrás da organização sem rosto de tal informação. Desse modo vós perdeis provas significativas do contrário. De forma privada, em tal caso, vós ireis de uma forma ou de outra ter que assumir atitudes de defesa contra tal realidade.

Enquanto pensardes que a informação relativa ao mundo, dos jornais, etc., apresenta uma perspectiva justa e adequada e objectiva dos acontecimentos, então todas as provas em contrário se manterão literalmente invisíveis, porque continuareis a organizar a perspectiva que obtendes do mundo nos moldes antiquados. Haveis de pensar, por exemplo, sempre que uma edição sobre a aplicação errada do poder político for difundida: “Ah, esse é apenas um caso. Quantos mais políticos não farão o mesmo?” Porque os jornais também actuam dum modo sugestivo, e ampliam a antecipação das vossas expectativas.

De certo modo organizais a vossa experiência física do mesmo modo que o fazeis em relação à vossa vida interior, ou seja, por meio da associação - da associação emocional. Não estou unicamente a falar do sensacionalismo que surge nas notícias ou na TV. Todavia, quando ledes ou escutais as notícias, por terdes sido programados pelas convicções culturais, sois levados a comportar-vos de um determinado modo, dum modo que aparentemente valida os conceitos freudianos e os darwinismos, além dos aspectos mais infelizes do pessimismo cristão.

Isso não é feito com má intenção. As pessoas seleccionam as notícias e editam-nas. Para muitos, a ideia de algum tipo de organização, mesmo uma de cariz duvidoso, se torna de longe preferível ao acto de criar uma perspectiva completamente nova de realidade. E a estrutura interior de muitas das vossas organizações e instituições acha-se baseada nesses velhos preceitos. E estabeleceram-se experiências de vida com base nessas estruturas.

(com ironia e candura) Fizeste previamente uma observação, esta noite, em relação ao facto do indivíduo não poder fazer nada em face de tais condutas organizadas – uma observação de que estou certo, te terás arrependido de ter proferido.

(Eu ri.)

Para início de conversa essas ideias começaram por serem casos individuais. E aqueles que editam e difundem as notícias são igualmente indivíduos. Os que lêem ou assistem às notícias, são igualmente indivíduos. Até determinado ponto, com a edição e a publicação destes livros tu estás a ajudar as pessoas a organizar-se psiquicamente dum modo diferente e a olharem o mundo com outros olhos, e por isso mesmo a descobrirem todo um mundo diferente, um mundo em que as suas experiências sejam diferentes da forma como o seriam, por outra via.

Muitos estão já a mudar a imagem que têm do mundo, mas sentem medo em relação a confiarem nas suas intuições.

Considera a carta altamente elaborada que o jovem cavalheiro Inglês enviou. Em larga medida, o mundo em que actualmente vive é muito mais agradável e regozijante e produtivo do que era antes. As suas experiências são completamente diferentes do que teriam sido. Em termos de probabilidade, ele tomou uma via provável nova, o que significa que o impacto individual que exerce sobre o mundo e em cada indivíduo com quem se cruza também venha a ser diferente e mais criativo do que teria sido. E a menos que o Ruburt o faça, ninguém fará qualquer observação acerca desse jovem. Ninguém acompanhará a mudança benéfica que ocorreu na sua vida nem os efeitos que exerce nos outros.

As pessoas no geral foram ensinadas a subestimar o próprio heroísmo e a concentrar-se nas fraquezas do homem, em razão do que, os jornais apresentam facto após facto a enfatizar os erros do homem e a sua estupidez. Tornou-se sinal de virtude apontar isso, como se a concentração no erro consiga alguma coisa além de multiplicar isso. Estou, uma vez mais, não a dizer-vos para permanecerdes cegos diante dos acontecimentos físicos mas para tomardes consciência de que as notícias e as vossas organizações não vos fornecem nenhuma perspectiva “objectiva” do mundo mas uma perspectiva composta pelas convicções próprias das correntes de Freud e de Darwin.

Gostaria igualmente de vos recordar toda a diferença existente entre a experiência directa e as versões de segunda-mão. Examinai vez por outra a vossa própria experiência pessoal relativa à realidade física sempre que dispuserdes dum momento (com ironia) apoiando-vos apenas na vossa própria experiência. Torna-se impossível, estou certo, e não é verdadeiramente benéfico procurar separar-vos completamente do mundo cultural, mas devíeis entender a composição desse mundo e ser capazes, vez por outra, de separar as vossas experiências privadas dele, apesar de terem que ocorrer no seu contexto.

Com quantos crimes vos tereis pessoalmente deparado? Quantos se vos terão apresentado num espírito de boa vontade? Quantos terão agido para convosco de forma mal intencionada? Qual terá realmente sido a experiência que tivestes com a guerra, com o preconceito, com o ódio? Quanto, da perspectiva pessoal que tendes da realidade se formou por experiência directa e quanto terá sido moldado a partir de fontes secundárias (fornecidas por terceiros) tal como os meios de informação das massas, ou a partir dos contos e ditos que vos são trazidos pelos demais? Esse constitui um excelente exercício por vos colocar em contacto com a vossa própria experiência e no mínimo vos fornecer uma referência por que podereis ajuizar.

O vosso vizinho Joe, (ao retornar da Florida, na semana passada) contraiu pneumonia, ou melhor, um resfriado, pingo no nariz. Para a Margaret ele estava com pneumonia, devido a que ela organize a realidade duma forma particular, pelo que, ao exagerar ligeiramente certa informação, passa a usá-la em reforço de certas crenças. Nesse caso precisa tomar medidas, é claro, a fim de se proteger contra a doença, e tem medo dos ladrões por razões idênticas.

Ela não confia no próprio corpo nem no semelhante mas acorre às notícias em busca de confirmação de doenças e de ladrões.

Essas ideias não têm uma existência aparte; elas albergam um efeito emocional. Em certa medida, é por terdes aceitado a perspectiva da realidade que as notícias difundem como uma realidade efectiva ou real que vos permitis permanecer em certas atitudes em relação ao vosso semelhante – pelo que, por exemplo, por vezes o mundo parecerá não merecer uma arte sublime; e sentis mesmo não querer partilhar o vosso mundo com esses “estúpidos sacanas”. (fixando-me enquanto o dizia; eu ri de novo)

Eu estou a tentar fazer com que o Ruburt abandone a sua armadura muscular por não necessitar dela no mundo da sua experiência. O campo da sua experiência directa não a incluiu - esse mundo adulto cruel, contra o qual precise proteger-se. E certamente também não deve incluir um mundo psíquico assustador, seja ele real ou de qualquer outra natureza. E qualquer medo que tenha abrigado nesse campo, ele tê-lo-á colhido por intermédio da leitura ou das reportagens de outros, pelo que é desejável que distinga as suas experiências privadas no que diz respeito a isso.

Recolher informação distorcida como essa acerca do mundo interior ou exterior só poderá levar o indivíduo a criar defesas, ou a sentir-se compelido a tal. O mundo dos jornais é, pois, altamente distorcido e organizado de tal modo que a sua informação reforça as crenças negativas e fornece constantemente evidência apenas dos padrões negativos, que passam a ser levados na conta dum retracto objectivo do mundo dos factos.

E todo o heroísmo, triunfo privado e mesmo colectivo, e a boa intenção terão sido deixados de fora. O mundo é encarado como um paciente que se acha acometido de enfermidade e que apresenta um desequilíbrio mental, uma coisa necessitada de tratamento, um monstro freudiano ou darwinista. Mesmo com as vossas próprias crenças alteradas, ambos ainda vos deparais com tal espelho sempre que ledes um jornal, sem tomardes noção das organizações sem rosto dos bastidores das notícias. Isso faz com que pareça imprudente descontrair, não é? (num tom irónico, e a inclinar-se para diante num gesto de relevo)

Todas essas coisas até determinado ponto posicionam-se no caminho da recuperação do Ruburt e apontam precisamente aquelas áreas em que ambos estais de acordo de todo o coração, embora o método do Ruburt obter resultados não tenha sido o teu.

Esta sessão deve ser levada em consideração juntamente com outras, porquanto estou nela a apontar certos aspectos importantes, mas é claro que não é só por isso.

Podes, se o preferires, esquecer termos tais como o da hipnose mas entre a sessão desta noite e a do próximo sábado, aconselho-te vivamente a despender meia hora: pode ser por altura da sesta ou mesmo noutra altura qualquer. Leva o Ruburt a acomodar-se de modo confortável. Senta-te ao seu lado ou deita-te na cama, se o preferires – mas tranquiliza-o verbalmente. Diz ao seu corpo que os músculos podem relaxar e que tu te encontras presente, e que é seguro deixar de se importar.

Usa técnicas de relaxamento, como as usadas na hipnose, se quiseres. Já mencionei isso previamente. Frequentemente não aponto as razões para tais sugestões. Até determinado ponto vós hipnotizais-vos com a perspectiva que tendes da realidade; tu ajudaste o Ruburt a moldar a sua. Não aceitaste a sugestão que te dei anteriormente por uma razão bastante simples: parte de ti, Joseph, não se achava preparado para tranquilizar o Ruburt desse modo, por não teres a certeza de ser seguro descontrair num mundo como este e não quereres mentir ao Ruburt por acreditares na versão jornalística do mundo de modo tão exaustivo e com todas as implicações que envolve, tal como o Ruburt o fez.

Um evento como esse representa um propósito para ambos, estás a ver? Um efeito conjunto, uma mudança na reacção corporal a uma situação. Os jornais agem como uma sugestão hipnótica dum tipo potente. Ninguém se encontra presente para poder confirmar a evidência apresentada pelo jornal. Não podeis dirigir perguntas a um jornal nem a um noticiário radiofónico ou televisivo.

Todo o padrão destas últimas sessões lida com as reacções interiores que manifestais com base nas vossas crenças relativas a vós próprios e ao mundo. Esta noite estou a lidar com uma área específica; todavia, só até certo ponto.

A crença endossada pelos jornais obstaculiza-vos o recurso à utilização do poder da Moldura Dois. (esfera emocional ou mais comummente astral) Tenho a esperança de vos estar a ensinar a reorganizar as vossas vidas interiores de modo a poderdes atrair o que de melhor tendes tanto na realidade interior como na exterior. As sugestões que deste ao Ruburt no campo psíquico foram excelentes – no sentido de proceder a mais experiências em termos de energia. A sua própria intenção de tentar experiências fora-do-corpo, uma vez mais, é igualmente excelente, por demonstrar uma mudança de propósito. Quero que lhe instiles o relaxamento corporal do mesmo modo criativo. Não incorres em qualquer espécie de risco, seja criativo ou de qualquer outro tipo, a menos que permitas uma certa folga à tua curiosidade e exuberância.

Se o mundo parecer demasiado inseguro passais frequentemente a criar projecções de encontro a sombras, por terdes aceitado essas sombras de modo irreflectido e como factos. Essas ideias que foram mencionadas previamente chegam até a inibir a corrente livre e criativa que os vossos livros têm a apresentar ao mundo, até determinado ponto, por não possuirdes um canal tão claro quanto poderíeis. Jamais compareis a venda dos nossos livros à dos outros, porque eles envolvem diferentes realidades, e nesse caso poderdes deixar-vos envolver por objectivos contrários. Eu disse o que pretendia dizer. Uma vez mais, estas sessões acham-se mais lotadas do que tendes consciência.

Cada sugestão que vos apresento não é somente dada por uma razão como também comporta potenciais que evidentemente permanecem latentes, a menos que a sugestão seja seguida. Tens alguma pergunta a colocar?

(Não, penso que não.)

A tua vida dos sonhos apresenta um padrão que está a emergir e a sugestão que esta noite vos dei, que envolvia o relaxamento do Ruburt, possui um duplo sentido a esse respeito. O James (William James em relação a quem a Jane estava a escrever um livro, na altura) em relação ao facto de que o hipnotista deve, em primeiro ligar, hipnotizar-se a si próprio – e isso constitui igualmente uma observação de duplo sentido, porque a sugestão que vos faço irá beneficiá-los a ambos noutras áreas.

Bom; o que eu pretendo e o que obtenho de vós os dois difere, por vezes. Pretendo estabelecer um hábito, o de que a partir desta noite voltes a tranquilizar o Ruburt. Durante algum tempo gostaria de ver isso posto em prática duas vezes por semana. Todavia, em seguida gostaria que cada um, durante meia hora e duas vezes por semana fizesse uso das suas próprias técnicas de relaxamento. Cada exercício determina o reforço do vosso propósito e fá-lo por intermédio da acção física, e o relaxamento libertar-vos-á nas vossas iniciativas psíquicas, trazendo-vos sonhos nocturnos mais claros, por vos achardes conscientemente a criar um melhor relacionamento entre a vossa mente e o vosso corpo. Preferia que esses exercícios não fossem esquecidos, por conhecer o benefício que proporcionam.

Fim.

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