sábado, 2 de julho de 2011

GRAÇA NATURAL AS MOLDURAS DA CRIATIVIDADE E A SAÚDE DO VOSSO CORPO E MENTE O NASCIMENTO DA CONSCIÊNCIA

A Natureza da Realidade Pessoal
Capítulo 9
Tradução: Amadeu Duarte

Nos animais geram-se vários graus de divisão entre o sujeito que actua e a acção envolvida. Todavia, com o nascimento da mente consciente no homem, o eu que actua necessitava duma forma de avaliar as suas acções. Uma vez mais, chegamos à importância desse período de reflexão em que o “eu”, com o uso da memória vislumbra a sua experiência passada no presente e projecta os seus resultados no futuro. Isso é tudo. Eu queria simplesmente começar.

O estado de graça é uma condição em que todo o crescimento é destituído de esforço, uma aceitação alegre e transparente que consiste no requisito básico de toda a existência.

O vosso próprio corpo cresce de modo natural e com facilidade desde que nasce, sem esperar encontrar resistência mas assumindo o próprio florescimento miraculoso como certo; usando tudo o que tem com um abandono enorme, gracioso e criativamente agressivo.

Vós nascestes, pois, num estado de graça. É-vos impossível abandoná-lo, e haveis de morrer num estado de graça quer vos encomendem mais récitas especiais ou óleo ou água que vos despejam sobre a cabeça, quer não o façam. Vós partilhais de tal bênção junto com os animais e todas as criaturas vivas. Não podeis ser afastados do estado de graça e tampouco ela vos poderá ser tirada.

Mas podeis ignorá-la. Podeis abrigar crenças que vos ceguem quanto à sua realidade. Ainda possuireis a graça mas sereis incapazes de perceber a vossa integridade e singularidade, e de vos tornardes cegos em relação a outros atributos de que sois igualmente dotados, automaticamente.

O amor percebe a raça no outro. Tal como a culpa natural, o estado de graça permanece inconsciente nos animais. Acha-se protegido. Eles assumem-no como um dado adquirido, sem terem consciência do que fazem, todavia, ela expressa-se através de todos os seus movimentos e eles permanecem dentro da sua ancestral sabedoria relativa aos seus modos de agir. Eles não possuem memória consciente, uma vez mais, mas a memória instintiva das células e dos órgãos sustentam-nos. Tudo isso varia em grau conforme as espécies, e quando falo de memória consciente, estou a utilizar termos que vos são familiares – quer dizer, uma memória que é capaz de, em qualquer altura olhar, por si só para o que passou.

Em alguns animais, por exemplo, o despertar de tal memória consciente é aparente, mas ainda assim é altamente limitada e especializada. Um cão é capaz de recordar a última vez em que viu o dono, porém, sem ser capaz de evocar a recordação e de operar sem o tipo mental de associações que vós usais. As associações que estabelece serão duma natureza biológica e não fornecerá a liberdade que as vossas próprias condições mentais vos permitem. O cão não recorda uma apreciação jubilosa do seu próprio estado de graça passada nem antecipa uma repetição dele através de qualquer cenário futuro.

Com a enorme liberdade proporcionada pela mente consciente, contudo, o homem foi capaz de se afastar da alegria interior da existência, esquece-la, desacreditá-la ou de utilizar o seu livre arbítrio a fim de negar a sua existência.

A esplêndida aceitação biológica da vida não poderia impor-se à consciência emergente do homem, pelo que para se tornar efectiva e eficiente, para poder emergir no seu novo foco de consciência, a graça tinha que se expandir da livre expressão dos tecidos para a dos sentimentos, dos pensamentos e dos processos mentais. Assim, pois, a graça converteu-se no suporte da culpa natural.

O homem tornou-se consciente do seu estado de graça assim que passou a viver nas dimensões da sua consciência, à medida que esta se voltava para o seu novo mundo de liberdade. Quando ele não cometia nenhuma violação, mantinha consciência da própria graça. Quando passou a violar, a graça retrocedeu para a consciência celular (subconsciente) do mesmo modo que acontece com os animais, mas ele sentia-se conscientemente separado dela e percebia-a como algo que é negado.

A simplicidade da culpa natural não conduz ao que considerais como sendo a consciência (dos valores), ainda que a consciência dependa igualmente do instante de reflexão que em larga medida vos separa e distingue dos animais. A consciência, tal como a considerais, é causada por um dilema e uma interpretação deformada quanto às condições impostas sobre a vossa existência física. A consciência surgiu com o nascimento da culpa natural.

A seu modo, a culpa natural é ainda altamente criativa, qual rebento feito à imagem do homem, à medida que a sua mente consciente começava a considerar e a funcionar com base na culpa inocente natural, que originalmente não implicava qualquer punição.

É a mente consciente quem estabelece distinções, e que faz chegar à superfície da consciência padrões de material previamente inconsciente que em seguida combina e organiza de um modo sempre cambiante. Por meio dum modo intensamente concentrado, todo um volume literal de informação dessa pode ser inconscientemente classificado de forma que apenas os elementos desejados passem a emergir.

A mente consciente é infinitamente criativa. Isso aplica-se a todas as áreas do pensar da mente consciente. É também o factor de organização de toda a informação física, pelo que a culpabilidade natural se tornou na base de todo o tipo de variações. Estas seguem de perto os agrupamentos religiosos e sociais, que por sua vez, constituem a capacidade da mente consciente de dispor, misturar, unir, reagrupar, tanto a percepção como a experiência.

A bondade é latente no homem. A sua mente consciente tem de ter liberdade junto com a sua vontade. Por isso é que ele é capaz de chegar a considerar-se como mau. É ele quem estabelece tais parâmetros à sua própria imagem. A mente acha-se igualmente equipada para poder observar as suas crenças, reflectir nelas e avaliar os seus resultados, de modo que, se utilizar essa ferramenta tal como foi destinada a ser usada, isso ajudará automaticamente o homem a reconhecer as suas crenças e os seus efeitos. Parte dessa enorme permissividade prende-se com o facto do homem precisar tomar consciência de que cria a sua própria realidade. O livre arbítrio constitui uma necessidade e essa margem de liberdade permite-lhe materializar as suas ideias, defrontá-las na sua experiência física e avaliar por si mesmo o seu tipo particular de validade.

O animal não tem necessidade. Ele aninha-se com segurança nos limites dos seus instintos enquanto explora outros aspectos da consciência com os quais o homem não se acha tão intimamente familiarizado. Ainda assim, a graça natural e a culpa natural são-vos legados e ambos deverão igualmente desenvolver-se duma forma mais completa rumo à consciência.
Se fordes capazes de vos sentar em sossego e de vos consciencializardes de que as partes do vosso corpo se substituem constantemente a si próprias – se voltardes a vossa mente consciente para a consideração de tal efectividade – nesse caso sereis capazes de tomar consciência do vosso estado de graça. Se fordes capazes de perceber como os vossos pensamentos se substituem sem parar, então nesse caso também sereis capazes de sentir a vossa própria elegância. Contudo, não vos podeis sentir culpados e de desfrutar de tal reconhecimento; não num nível consciente.

Se derdes por vós a recriminar-vos por algo que tenhais feito no dia anterior, ou há dez anos, não estareis a ser virtuosos. O mais provável é que vos vejais envoltos na culpa artificial. Mesmo no caso em que resulta uma violação, a culpa natural não envolve penitência. Adequa-se enquanto medida de precaução; um aviso antes da ocorrência dum evento. “Não voltes a fazer isto”, é a única mensagem que deixa.

Eu coloco estes conceitos no vosso enquadramento temporal devido a que, segundo o que entendeis, eles tenham tido origem no tempo. Mas o facto é que todo o tempo é simultâneo.
E num tempo simultâneo o castigo não faz qualquer sentido. A punição como um evento, e o evento pelo qual estáveis a ser punidos, existiam ao mesmo tempo; e como não existe passado presente ou futuro, bem que podeis dizer que a punição tenha sucedido primeiro.

Nós mal falamos da reencarnação, contudo, permitam que vos diga que a teoria consiste numa interpretação linear concebida pela mente consciente. Por um lado, é altamente distorcida; por outro lado consiste numa interpretação criativa, desde que a mente consciente lida com a realidade nos mesmos termos em que a concebe. Mas nos termos utilizados não existe qualquer Carma a liquidar enquanto punição, a menos que acrediteis existirem crimes que devais saldar. Num sentido geral nem sequer existe causa e efeito, apesar disso constituir uma suposição básica da vossa realidade.

Eu utilizo esses conceitos, uma vez mais, por vos achardes familiarizados com eles. No mundo do tempo eles parecem ser reais.

Regressemos uma vez mais a esse momento de reflexão porque é aí que tanto as causas como os efeitos aparecem pela sua primeira vez. É impossível rastreá-los pela observação dos animais que ainda agora vagueiam pela terra, porque cada um à sua maneira – bastante distinta da vossa - revela esse reflexo. Com alguns, e para todos os efeitos, isso não se passa de todo. Ainda assim permanece em estado latente.
Quanto mais profundo for o vosso “tempo” de reflexão, mais amplo parecerá o tempo que sucede entre eventos. Pareceis pensar existir um tempo enorme entre as diferentes existências reincarnatórias e também a existência duma sequência entre si, do mesmo modo que um momento parece suceder a outro. E porque concebeis uma realidade em termos de causa e efeito pressupondes uma realidade em que uma vida afecta a seguinte. Devido às teorias que abrigais de culpa e de castigo, é frequente imaginardes estardes a ser impedidos nesta existência devido a culpas acumuladas numa última vida – ou, pior, acumuladas ao longo de séculos. Todavia, essas existências múltiplas são simultâneas com um final em aberto ou ilimitado.

Nos vossos termos, a mente consciente está a crescer rumo à compreensão da parte que desempenha em tal realidade multidimensional. É suficiente que compreendais a aparte que desempenhais nesta existência. Quando compreendeis ser vós quem molda aquilo que concebeis com a vossa realidade actual, tudo o mais encaixará no respectivo lugar. As vossas crenças, pensamentos e sentimentos materializam-se instantaneamente em termos físicos. A sua realidade terrena sucede em simultâneo com o seu início, mas no mundo do tempo parecerá que sucedem intervalos de tempo entre si. Por isso digo que uma origina ou causa a outra – e eu utilizo esses termos para que compreendais – mas todos sucedem ao mesmo tempo. Do mesmo modo, também as vossas múltiplas vidas ocorrem com a compreensão imediata da vossa existência na extensão natural das suas capacidades plurifacetadas.

“A um mesmo tempo” não implica nenhum estado acabado de perfeição nem nenhuma situação cósmica em que tudo se tenha realizado, porque todas as coisas estão ainda a decorrer. Vós ainda estais – tanto as vossas existências presentes como as futuras -  e o vosso eu passado ainda está a experimentar aquilo que julgais terminado. Mais, estais a experimentar eventos que não recordais porque a vossa consciência sintonizada de forma linear não consegue perceber nesse nível.

O vosso corpo possui no seu interior a força milagrosa e a energia criativa com que – segundo a concepção que tendes – nasceu. O mais provável é que interpreteis isto como uma declaração implícita da possibilidade dum estado de juventude sem fim. Não obstante a juventude poder ser fisicamente “prolongada” muito para além da sua duração presente, não é isso que quero referir.

Fisicamente, o vosso corpo deve seguir a natureza em que nascestes, e em cujo contexto o ciclo da juventude e da velhice é altamente importante. De certo modo, o ritmo do nascimento e da morte assemelha-se à inalação e à exalação. Senti a vossa própria respiração à medida que ela entra e sai. Vós não sois o ar que respirais mas ainda assim ele penetra-vos e abandona o vosso corpo, e sem o seu fluir constante não poderíeis subsistir fisicamente. Assim é como as vossas vidas penetram em vós e vos abandonam – sois vós mas também não sois. E uma parte de vós, ao mesmo tempo que deixa que passeis, recorda-as e conhece-lhes o curso.

Imaginai para onde se encaminha o ar que respirais assim que vos abandona os pulmões, e o modo como escapa pela janela aberta talvez para se misturar com o espaço exterior, em que seríeis incapazes de o reconhecer – e quando sai de vós deixa de fazer parte daquilo que sois, pois já estareis diferentes. As vidas que vivestes não sois, pois, vós, ainda que sejam vossas.

Fechai os olhos e pensai no vosso alento como se fossem vidas e em vós próprios como a entidade através da qual elas perpassam e estão a passar. Então haveis de sentir o vosso estado de graça, e toda a culpa artificial será despojada de sentido. Nada disso vos nega a suprema e absoluta integridade da vossa própria individualidade, pois sois também a entidade individual por que perpassam essas vidas e aquelas singulares que se expressam por vosso meio.

Nenhum átomo de ar se assemelha a outro. Cada um deles, a seu modo é consciente e capaz de passar por maiores transformações e organizações repletas de potencial infinito.
À medida que o alento abandona o vosso corpo para se tornar parte do mundo, livre, também as vossas vidas vos abandonam para continuarem a existir segundo o modo como o concebeis.

Não podeis confinar uma personalidade que “tereis sido” a um século particular que já passou e negar-lhe outras conquistas, porque ela ainda existe e obtém uma experiência renovada. Assim como o vosso momento de reflexão deu lugar à consciência, tal como a concebeis – porque de facto ambas surgiram ao mesmo tempo - então também outro fenómeno ou tipo de reflexão deu lugar pelo menos a algum tênue conhecimento consciente das vastas dimensões da vossa realidade própria.

O animal move-se, digamos, pela floresta. Vós moveis-vos por entre áreas psicológicas, psíquicas e mentais do mesmo modo. Através dos seus sentidos o animal obtém mensagens a partir de áreas remotas que não é capaz de perceber directamente e das quais se acha largamente não consciente. Mas também vós.

O que me vós identificais convosco próprios jamais é aniquilado. A vossa consciência não se apaga nem é engolida num nirvana, (abençoada mente) inconsciente de si própria. Vós já sois tão parte do nirvana agora como alguma vez vireis a ser. Até certo ponto, temos falado do vosso corpo e da sua composição formada por células. Todas as células que actualmente compõem a vossa forma física existem a um só tempo obviamente. Imaginai ter muitas vidas e que elas têm o mesmo tipo de composição. Em vez de células dispondes de vários “eu”. Já vos referi que cada célula possui a sua memória própria. A memória do eu, é evidentemente de muito maiores proporções.

Pensai no vosso eu maior - e chamai-lhe entidade se quiserdes – como formando uma estrutura psíquica tão real quanto a vossa estrutura física, só que composta de muitos “eus”. Do mesmo modo que cada célula do vosso corpo assume a sua posição e limitações no vosso espaço corporal, também cada eu pertencente à entidade está consciente do seu próprio “tempo” e dimensão de actividade. O corpo é uma estrutura temporal. As células, contudo, enquanto parte desse corpo não têm consciência da dimensão total em que a vossa consciência reside, e não percebem todos os elementos que se acham disponíveis até mesmo na experiência tridimensional, contudo a vossa presente consciência – aparentemente muito mais sofisticada – assenta fisicamente na consciência celular.

Por isso, a entidade ou estrutura psíquica maior da qual sois uma parte tem consciência de dimensões da actividade muito mais amplas do que vós, contudo, do mesmo modo, a sua consciência mais sofisticada assenta na vossa própria, e uma é necessária à outra.

No mundo físico dá-se um intervalo enquanto as mensagens atingem os terminais nervosos. Noutros termos e noutros níveis, isso foi representado por esse “momento de reflexão” que ocorreu quando a consciência do homem emergiu da dos animais. (Notem que não referi que o homem tenha emergido dos animais) Numa outra ordem de ideias ainda, e em níveis diferentes, esse lapso dá-se – esse momento de reflexão estende-se – à medida que o eu se desenlaça da forma física (do mesmo modo que a célula a certa altura deixa o corpo). A esse respeito, e só para dar continuidade à nossa analogia, pensai na vida do eu como uma mensagem a soltar por entre as células nervosas duma estrutura multidimensional – outra vez tão real quanto o vosso corpo – e considerai isso igualmente como um “momento de reflexão” superior, da parte de tal personalidade multifacetada.

Eu estabeleço estas analogias por elas serem pertinentes, contudo tenho consciência de que elas vos podem fazer sentir pequenos ou temerosos em relação à vossa identidade. Vós sois mais do que, digamos, uma mensagem a atravessar a vastidão de um super-eu. Vós não estais presos no universo. Na elaboração de um livro precisamos recorrer às palavras mas tais analogias podem, se o permitirdes, conjurar na vossa imaginação algum sentimento quanto à vossa relação íntima com o resto da realidade.
Até certo ponto, o sentimento de graça consiste no vosso reconhecimento emocional da necessidade, propósito e liberdade, da apreciação inata da vossa situação e posição na existência.


Recordai também, segundo a vossa ordem de ideias, o grande abismo que os separa, enquanto o ser que sois, das células que vos compõem em termos físicos. A vossa presente identidade contém o conhecimento e a “recordação” de todas essas existências simultâneas do mesmo modo que as células a seu modo detêm memórias de todas essas estruturas físicas que terão formado. Devido aos conceitos que elaborais com base no tempo, interpretais conscientemente essas vidas simultâneas em termos reincarnatórios, parecendo que umas precedem as outras.

Bom; as ideias, expectativas e crenças conscientes controlam a saúde e actividade das células. Ponto final. As células não dispõem do vosso livre arbítrio. Elas possuem a capacidade inata para a formação de outras organizações, porém, não enquanto formam parte de vós. Para vos abandonarem elas precisam mudar de forma. Em certa medida, vós determinais-lhes o estado de saúde na moldura da sua natureza. Elas também vos ajudam a preservar a vossa. No que diz respeito à consciência, a entidade ou a porção maior de vós possui um conhecimento tanto mais vasto em relação a vós quanto aquele que possuis em relação às vossas células. Vós, contudo, dispondes de livre arbítrio, porque apesar da estrutura psíquica poder ser comparada ao vosso corpo, ela faz parte e habita dimensões mais vastas. Tudo isto pode parecer ter pouco que ver com a vossa realidade pessoal. No entanto, a vossa experiência diária acha-se tão ligada a vós, ou à vossa entidade, quanto o estão as células da vossa forma material.

Existe uma relação íntima óbvia entre cada célula. Dá-se uma permuta constante e agrupamento de consciência na estrutura corporal milagrosa do vosso corpo. A ideia que fazeis da realidade e da sua experiência é muito diferente daquela das células, ainda que cada uma delas se ache interligada. Um agrupamento de células dá lugar a um órgão físico; um grupo de vários “eu” forma uma alma. Não vos estou a dizer que não tenhais uma alma a que possais chamar vossa (com um sorriso). Vós sois parte da vossa alma. Ela pertence-vos, assim como vós a ela. Habitais a sua realidade tal como uma célula habita a realidade dum determinado órgão. O órgão é temporal, segundo a noção que tendes. A alma não o é. A célula é material, segundo a ideia que da matéria fazeis. O ser não é. Por isso, a entidade ou o Eu Maior, é composto de almas. Devido a que o corpo tenha existência no espaço e no tempo, os órgãos são dotados de propósitos específicos. Eles ajudam a manter o corpo com vida e para tal fim têm que existir “na sua posição”. A entidade encontra a sua existência em múltiplas dimensões e as suas almas são livres para viajarem por entre âmbitos que vos pareceriam ilimitados.

Do mesmo modo que a célula mais diminuta que faz parte do vosso corpo participa, na extensão da sua medida, na vossa experiência diária, assim também a alma, numa extensão incomensuravelmente mais vasta, partilha dos eventos da entidade. Vós possuís no vosso íntimo todos aqueles potenciais nos quais a consciência toma parte dum modo criativo. As células não precisam ser conscientes de vós a fim de cumprirem com o seu desígnio, apesar das expectativas que abrigais em termos de saúde as influenciar sobremodo, mas o reconhecimento que fazeis da alma e da entidade, pode auxiliar-vos a dirigir as energias dessas outras dimensões para a vossa vida diária.

Vós, estimados leitores, encontrais-vos num processo de expandirdes a vossa estrutura psíquica e de vos tornardes num participante consciente da alma, e de vos converterdes até certo ponto, e vos tornardes naquilo que a alma é. Do mesmo modo que as células se multiplicam e crescem – no âmbito da sua natureza própria e no enquadramento material – também os vários “eu” “evoluem” no que diz respeito à realização do seu sentido de valor. As almas são, além disso, estruturas psíquicas criativas que se acham em contínua mutação e ainda assim permanentemente a conservar a sua integridade individual. E todas são dependentes umas das outras. As almas compõem a vida da entidade, nesses termos. Contudo, a entidade é mais do que aquilo que a alma é.


Bom; quando tiverdes consciência da existência da entidade e da alma podereis atrair a sua enorme energia, compreensão e força, conscientemente. Isso acha-se intrinsecamente disponível mas o vosso propósito consciente produz certas alterações que automaticamente desencadeiam esses benefícios. Os resultados deverão fazer-se sentir até mesmo junto da célula mais diminuta do vosso corpo e afectar até as ocorrências (aparentemente) mais triviais do vosso viver diário.

Vós estais a crescer em consciência; por isso, ao fazerdes uso dela expande as suas capacidades. Ela não consiste numa coisa mas num atributo e numa característica. È por isso que a compreensão que possuís e o desejo são tão importantes. Os processos que oram iniciados acham-se para lá da vossa consciência normal e ocorrem de forma automática em conjugação com o vosso propósito, se os não bloqueardes por meio do emprego do medo, da dúvida ou das crenças opostas.

Imaginai-vos como uma porção de um universo invisível mas no qual todas as suas estrelas e planetas têm consciência e se encontram repletos duma energia indescritível. Vocês têm consciência disso. Pensai nesse universo como possuindo a forma dum corpo. Se preferirdes, imaginai o seu contorno brilhante realçado de encontro ao céu. Os sóis e os planetas são as vossas células, cada uma repleta de poder e de energia, à espera da vossa orientação.
Em seguida observai essa imagem numa explosão dum indescritível brilho na vossa própria consciência. Tomai consciência de serdes uma porção duma estrutura multidimensional de longe mais vasta a estender-se por toda uma dimensão ainda mais rica. Senti a entidade a enviar-vos energia, do mesmo modo que enviais energia às células. Deixai que essa energia vos inunde o vosso ser e em seguida dirigi essa energia fisicamente para qualquer parte do vosso corpo à vossa escolha.

Se no entanto desejardes um resultado físico com intensidade, então empregai essa energia a fim de imaginardes a sua ocorrência actual de modo tão vívido quanto possais.

Se seguirdes estas instruções e compreenderdes o seu significado tal como é estendido também descobrireis que os resultados serão tão assombrosos quanto eficazes. A energia pode ser dirigida para qualquer porção do corpo, e se não bloqueardes a sua acção com a descrença, essa parte do corpo há-de curar. Contudo, lembrem-se de que, se abrigardes a crença de serdes enfermiços, isso poderá constituir um impedimento. Nesse caso, pois, a vossa prioridade deverá centrar-se na alteração desse tipo particular de crença, conforme é propósito deste livro, de vos transmitir que ninguém nasce para se tornar numa pessoa enferma, pelo que a sua leitura os poderá ajudar no que toca a isso.

Se, conforme as noções que abrigais, acreditardes ter escolhido a doença a fim de compensar um defeito numa vida passada, nesse caso ele poderá ajudar-vos a tomar consciência de que vós moldais a vossa realidade agora, no vosso presente, e podeis, pois mudar isso.

Mais tarde havemos de comentar o tema dos defeitos de nascença. Aqui estamos a falar das condições que são passíveis de ser fisicamente corrigidas – porém, não o crescimento dum braço, no caso de terdes nascido sem ele, por exemplo, nem da correcção de outras carências do corpo, à nascença. O vosso corpo consiste no produto básico da vossa criatividade no nível físico. Todas as demais criações, ao longo da vossa vida deverão derivar da sua integridade.

Os vossos maiores feitos artísticos devem brotar da alma encarnada. Vós criais-vos no dia-a-dia e alterais a vossa forma de acordo com as incalculáveis riquezas das vossas múltiplas capacidades. Por isso, brotais da esplendorosa riqueza psíquica da alma, com o vosso livre-arbítrio e o vosso desejo. Vós, por vosso lado, criais outras criaturas vivas; além disso também criais formas de arte – construções fluidas e vivas que não compreendeis, nos termos de sociedades e de civilizações – e tudo isso evolui devido à aliança que estabeleceis com a carne e o sangue. Essa criatividade, a força mais potente existente em toda a realidade, possui um alcance que ainda não debatemos neste livro, e que se estende até ao menor átomo e molécula. A vossa saúde é uma extensão da vossa criatividade; como o é o vosso relacionamento com o vosso companheiro, com o vosso patrão, e o género de ventos com os quais vos achais tão especialmente familiarizados.

Já posso constatar que a analogia que empreguei, da comparação da alma com um órgão, no contexto da estrutura multidimensional psíquica da entidade resulta confusa. Vamos aclará-la por meio da comparação das mesmas propriedades, só que alterando o termo “alma” pelo de Eu Superior.
Conforme mencionamos anteriormente, e dando unicamente seguimento à analogia, cada “Eu” possui a sua própria alma no Eu Superior, e esse Eu Superior, por sua vez, é parte da estrutura multidimensional da Entidade. A declaração anterior faz todo o sentido para mim porque cada eu ou alma chama a essa porção da sua realidade maior, na unidade do todo, a sua própria alma. Se esta explicação te esclarecer também deverá poder esclarecer o leitor.

Compreendo que todo este material é complicado; além disso é difícil de explicar. Contudo, em muitos exemplos das vossas vidas, torna-se altamente pertinente e afecta-vos a existência do dia-a-dia e a experiência. Eu forneci-vos a informação, tal como o fiz, propositadamente, com conhecimento da presença do visitante da clínica psiquiátrica.

Quero debater o estado de graça em detalhe e de ângulos distintos, neste livro. (Pausa) O jovem que aqui veio descreveu detalhadamente a forma como o LSD é usado na terapia com os pacientes. Os psicólogos tinham a esperança de produzir uma cura para os vários distúrbios emocionais, a fim de introduzirem um “estado de graça” literal. O material que vos forneci é necessário para qualquer entendimento do modo como as doses massivas de LSD podem afectar o indivíduo. Afortunadamente estamos aqui a lidar com um método forçado e artificial de produzir o estado de esclarecimento espiritual no físico, no psíquico e no espírito.

Tal esclarecimento é suposto conduzir a um melhor estado de saúde e de auto-conhecimento, além de providenciar um estado íntimo de paz. Por intermédio dessa terapia será suposto defrontar-vos com a consciência e conquistá-la de uma vez por todas.

(Referiste consciência psicológica ou consciência ética?)

Consciência ética. Estarei a ser suficientemente claro? Acreditais que deveis despojar-vos do vosso ego e que deveis morrer simbolicamente para que o eu interior se veja livre. Parecerá que o debate do que envolve o LSD, a noção ética das coisas, a “morte” e o renascimento do eu, a saúde mental e o esclarecimento espiritual não se apliquem àqueles que não consomem drogas. Mas vós, dum modo ou de outro, almejais todos a iluminação, uma enorme vitalidade e compreensão, e todos vos interrogais em relação a métodos que vos permitam atingir isso. A maior parte deste livro será votada a várias técnicas que vos ajudarão a mudar a vossa realidade para melhor. O capítulo seguinte tratará dum debate mais aprofundado de alguns dos temas que aqui foram mencionados: de quanto vos podereis tornar conscientes – enquanto indivíduos – da vossa realidade maior? Podereis usar esse conhecimento de modo benéfico para melhorar a vossa vida diária? Se vos achardes em sérias dificuldades, poderá o LSD ajudar-vos sob uma utilização terapêutica? Poderá um produto químico abrir-vos as portas da alma?


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