sábado, 2 de julho de 2011

SETH E A CONFIANÇA





Seth
Sessão 404
Abril de 1968
Tradução de Amadeu Duarte 2009


Boa noite.


(Boa noite, Seth)


Ora bem, Joseph, vou fazer umas quantas observações que se te poderão afigurar simples. O Ruburt aprendeu pela via difícil que a imagem física resulta da materialização directa do estado mental que se alimenta. E obteve conhecimento disso por meio da experiência directa pessoal.
Se ele tivesse acreditado em mim desde o começo e seguido os preceitos fornecidos no meu material, ele não teria passado por tal experiência.


Bom, eu recomendei Maltz por as experiências dele se basearem em verdades, ainda que ele não tenha uma compreensão total do que subjaz em tais experiências.
Queres que te diga o modo como poderás melhorar a tua circunstância financeira, ou preferes aprender pela via difícil?


(Não, diz-me.)
(“Veja-se Psico-Cybernetics, de Maxwell Maltz.”)

Já te foi dito mas tu não levaste a informação a sério por não te achares preparado, tal como o Ruburt também não se achava preparado.
Antes de mais, todas as atitudes negativas precisam ser removidas da tua consciência, porque com o desespero, tu passas a atrair mais adversidade no campo financeiro, ao te focares mais na pobreza do que na riqueza.


Poder-te-á parecer altamente impraticável, irreal e completamente idiota ignorar as circunstâncias materiais dos débitos e das despesas. Mas eu afirmo-te que focares-te nelas, é atrair mais de volta. Aqui aplica-se a regra das expectativas.
Quando recebes uma conta não reajas de modo automático como tendes a fazer, mas fá-lo como se estivesses a contemplar um quadro acabado de pintar. Molda na tua mente a imagem dum cheque nesse valor. Imagina-te a cumprir o pagamento final da tua viatura. Visualiza mentalmente a existência dum excedente de dinheiro na tua carteira após o pagamento das despesas mensais.
Bom, a tua situação financeira não mudará por mais que te esforces por isso, a menos que apliques esses exercícios simples. E tu não o fazes com naturalidade, pelo que se requer que o faças.


Em várias ocasiões o Ruburt seguiu-os e as vossas carências foram supridas. Tens vindo a opor-te a ele a esse respeito e isso tem obstado aos esforços que ele ultimamente tem vindo a exercer. Ora bem; esses exercícios provar-se-ão em termos práticos, mas deves dar-lhes uma oportunidade para tal.


A tua vida subjectiva tem sido de certo modo permeada por pensamentos de carência e duma pobreza literal a ponto de teres realmente exagerado a tua própria situação. Todavia essa situação exagerada pode chegar a passar se persistires em projectar essas imagens no exterior.
Elas não te ajudariam a obter um aumento mas a agir de modo inverso, e já o fizeram no passado. Eu estou a aconselhar-te em termos práticos; o que fizeres com esse conselho, é contigo. Mas tu limitas-te drasticamente em relação a isso.


No passado o Ruburt ajudou-te a gerar ideias negativas dessas, mas ele tem vindo a tentar combate-las. E a sua experiência pessoal provou-lhe que eu tinha razão, em relação a outras questões. Enquanto acreditares que os outros se aproveitam de ti, eles hão-de continuar a faze-lo. A origem disso centra-se em ti, e é isso o que até ao momento não conseguiste compreender.


(Acho que tenho tido consciência disso)


A origem disso não está nos outros. Durante quinze minutos por dia aceita suspender o juízo crítico e obedecendo ao método de Maltz, imagina-te vivamente na posição em que gostarias de te ver. No resto do tempo faz um esforço consciente a fim de controlares a tua atitude sempre que deres por ti a pensar em termos de carência ou de pobreza. Em seguida, troca os teus pensamentos por ideias de abundância. Isso não precisa envolver hipocrisia; de facto não deve envolver. Deves sentir isso como um exercício legítimo e prático porque os pensamentos de abundância começarão automaticamente a atrair abundância. Isso é suficiente.


Contudo, não deves dar demasiada ênfase às posses materiais nem à segurança.


Bom, se seguires fielmente esse procedimento, ele trazer-te-á resultados, dando início a conceitos intuitivos e a ideias no teu trabalho que irão automaticamente atrair outros a aceitá-las; irá iniciar outras acções que resultarão numa melhoria financeira.


Tens alguma pergunta respeitante a este material em particular?


(Tenho muitas. Todavia, é-me difícil colocá-las todas duma vez, de modo abreviado.)


Parte da tua atitude resulta da situação da tua família e da identificação com o passado.


(Bem o sei. E também me sinto cansado disso.)


Uma vez mais a velha sensação; sempre a desculpa de que a pobreza é mais virtuosa e mais pura. Agora; um relevo excessivo das questões financeiras é de facto prejudicial, mas além disso, se te preocupares com o dinheiro, revelar-te-ás tão excessivo quanto qualquer avarento.


(Eu gostava de esquecer a questão.)


Se fosses capaz disso, então isso mostrar-se-ia muito mais eficaz que o rumo actual.


(Estou sempre a repetir a mim próprio para o esquecer.)


Bom, eu estou-te a dizer para o esqueceres. Já te disse que não te voltarás a ver em situações financeiras de extrema dificuldade de novo, mas até ao momento não tiveste suficiente confiança na minha palavra. Ao invés, insistes em vigiar cada tostão que tens na conta bancária, com medo que o dinheiro mingue. Mas aí, é claro que ele minga, só que tu pensas que as circunstâncias materiais certamente justificam a atitude que tens. Mas a tua atitude é que provocou as circunstâncias.


(Apenas a minha atitude? “Eu era incapaz de acreditar no que escutava.”)


A atitude que tens tido no geral, ultimamente.


(E a decrescente participação nas aulas de percepção extra sensorial?)


O Ruburt mantém-nas de modo satisfatório. As preocupações que sentiste é que têm vindo a causar algumas dificuldades nesse aspecto.


(Nesse caso, porque será que a atitude positiva dele não se sobrepõe à pobreza da minha?)


Ocasionalmente fá-lo, de facto. Ou não lhe restaria literalmente aluno nenhum, já que particularmente no início não acreditavas que viesse a restar nenhum. Ele realmente tem habilidade para atrair dinheiro, apesar de no passado não ter sido capaz de a utilizar. Somente agora está a aprender a faze-lo e se sente suficientemente capaz disso. As vossas capacidades combinadas operarão em vosso favor nesse aspecto, se seguires o concelho que te dou.


(Não me estou a tentar absolver, só acho difícil acreditar que seja o único envolvido nesse “negócio”.)


Eu não disse que eras, mas tão só que o Ruburt tem vindo a fazer tentativas na direcção correcta e que tu até ao momento ainda não foste capaz de tal tentativa.


(Durante algum tempo senti-me só, com esse “negócio”.)


Tu sentiste ser o único por teres vindo a sentir preocupado sozinho. Mas o Ruburt, pelo menos nos dois últimos anos, tem vindo a preocupar-se de modo bastante activo. Contudo, ele tentou não dar a impressão de estar preocupado a pensar na abundância em termos construtivos.


Sempre que mencionas uma conta em particular, ainda que de passagem, ele já a terá imaginado paga e terá apresentado a si próprio rumos através dos quais os fundos necessários são obtidos. Quando o vosso aluguer sofreu aumento no prazo de duas semanas, ele deparou-se com quatro novos estudantes pelo recurso a esse método.


(Ele ainda os conserva?)


Ainda conserva dois.


(Então, porque será que tem menos estudantes que antes?)


Ele não tem menos. Ele tem menos do que a determinada altura.


(Penso que era isso que queria dizer.)


Isso deve-se à interacção com a atitude que adoptaste. Dá-nos um instante.
Tu equiparas a riqueza à sensualidade. Riqueza como algo oposto à arte ou à estética. O teu pai sentia aversão pelo irmão, que era rico. Por isso, possuir dinheiro representa uma traição ao teu pai. Como a tua mãe pressionou o teu pai a realizar dinheiro, parece-te a ti que ganhar dinheiro represente uma traição adicional ao teu pai que te torne num aliado da tua mãe, em relação a cuja emotividade sempre terás sentido pavor.

No conceito que fazias, a riqueza estava associada, de alguma forma estranha, ao sentimento que te avassala em relação à utilização do petróleo como um meio de enriquecimento.


(Eu estou a ultrapassar isso. E sinto-me implacavelmente determinado, também.)


Não era seguro, demasiado rico e sufocante, como um caldo, que é coisa de que também não gostas.


(Nos últimos anos enfureci-me bastante com os meus pais.)


Bom, estas associações deviam servir-te de auxílio. A resistência íntima a essas ideias que te estou a apresentar deverão, até certo ponto, desvanecer-se à medida que releres a sessão.
As capacidades que te assistem enquanto criador, são extremamente potentes e o poder de imaginação é brilhante. Agora, no domínio financeiro tens vindo a empregá-las contra ti próprio. Eu ter-me-ia pronunciado com mais vigor com respeito a isto no passado, mas o Ruburt não o teria permitido. O que já não acontece actualmente. E as vossas capacidades combinadas poderão mudar directamente a vossa posição material. Tens alguma pergunta a colocar?


(Eu costumava achar bastante irritante a desvalorização que a Jane fazia sempre que eu mencionava as contas por pagar.)



Como é do teu conhecimento, ele (Ruburt) acha-se mais atento do que o habitual ou do que é normal e é sensível aos teus reparos. Ele sempre se preocupou muito mais com as questões financeiras do que pensas. Nesse campo já ocorreu o que poderias entender como um erro natural de interpretação. Mas eu digo-te que em cada um desses casos ele procurou desviar a tua atitude negativa e empregar a capacidade dele da forma que intuitivamente entendeu ser capaz, a fim de ajudar. Pela sua parte, no passado, isso permaneceu subconsciente; ele não entendia conscientemente aquilo que fazia mas sentia-se fortemente impelido a assumir a posição que tomou, e indignava-se subconscientemente por não compreenderes a razão porque a assumia.


(Provavelmente por eu não ver nenhum resultado concreto.)


Tu não os procuraste e negaste-os, e claro que não os objectivaste.


(Refiro-me a coisas como um dinheiro extra.)


Eu sei precisamente ao que te referes. Mas tu negaste-os.


(Porque razão negaria ele a minha atitude?)


Porque na altura - nessa altura - ele não se permitia tal coisa, particularmente de forma consciente, por não se sentir absolutamente seguro. Estava a dar atenção ao que para ele eram pressentimentos e sempre correspondia a toda a sugestão que lhe apresentasses. Além disso tinha os seus próprios antecedentes e receio de ser bem sucedido. Esses sentimentos permitiram-lhe prosseguir contigo.


(É por isso que insisto nesta questão de não estar só neste “negócio”.)


Eu estou a tentar tirar-te desse “negócio”.


(E eu estou mais que disposto a isso.)


O que é facto é que no passado recente não tentaste projectar pensamentos de abundância, enquanto que o Ruburt o fez.


(Tenho absoluta consciência disso.)


E os vossos esforços combinados podem-vos mudar a situação.


(Sim, acredito que poderão. Mas não sinto que tenhamos vindo a usar nenhuns esforços combinados em particular.)


Meu querido amigo –


(Sim?)


- tu continuas na defensiva, por já entenderes perfeitamente o efeito que os pensamentos negativos têm, quando motivados por tal orientação. A amplitude da tua reacção devia deixar-te ver isso.


(Sim, estou de acordo.)


Se quiseres colocar mais alguma pergunta, eu respondo-te a ela.
Vamos fazer um intervalo.


(“Eu surpreendi-me por se ter passado uma hora. A Jane tinha penetrado de novo num transe profundo e permanecia agora sentada bem tranquila e de olhos fechados. Tentei tirá-la desse transe. Às dez e cinco chamei-a pelo nome; por fim começou lentamente a despertar dele. Não creio que o tenha conseguido muito apesar de tudo, porque uma observação que fiz pôs fim ao intervalo.”)


Não precisas livrar-te do pensamento do dinheiro porque o dinheiro não te tem preocupado, mas sim a falta dele. Pensaste na tua conta bancária a encolher e eu afirmo-te que é devido a isso que a tua conta está a encolher. Não subsiste aqui a menor distorção.


Se tiveres que pensar na tua conta bancária –


(Preferia não o fazer.)


- então envida todos os esforços para imaginares na tua mente as somas que desejarias ver nela.


(Não me ocorre nenhuma.)


Estabelece uma quantia razoável. Objectiva isso na tua mente como correspondendo ao teu saldo, e seguindo as instruções do Maltz, deverás seguir as emoções que se associam à soma desejada. E isso é o que tens deixado de aceitar.


(Penso que preferiria pensar em pintar quadros, parece-me.)


Sempre que deres por ti a pensar na tua conta bancária segue o exercício que te sugeri. Não estou a sugerir que dediques nenhum intervalo de tempo; estou a sugerir que devotes a mesma quantia de tempo que agora estás a despender de forma destrutiva, e que os novos exercícios substituem os velhos exercícios seguidos automaticamente, que tens vindo efectivamente a seguir de forma tão fiel. É tão só isso. Sempre que deres por ti às voltas com as velhas preocupações lembra-te desta sessão e substitui de imediato por um dos exercícios simples e detalhados que eu tenha fornecido. Não precisas ajoelhar-te diante de nenhuma imagem padroeira do dinheiro durante duas horas por dia.


Para cada reparo que fizeste o Ruburt tem diligentemente dispensado quinze a vinte minutos por dia no que correctamente crê serem exercícios práticos para melhorar a vossa condição financeira. Ele tem, de forma intermitente, obtido sucesso suficiente para ser capaz de apurar que os exercícios funcionam. Quando tiveres conseguido o mesmo, volta a ter uma conversa comigo subordinada à questão. Não tenho vindo a atribuir culpa a ninguém e pensei estar a explicar a mecânica simples envolvida. Por outras palavras, tu protestas demasiado alto.


(Eu não costumo fazer qualquer comentário; e além disso sempre pensei que desembuchar significaria um passo na direcção correcta.)


E realmente é. Já agora também te direi representar um passo na direcção certa. É simples, Joseph. Tu terás controlo sobre os teus pensamentos se apenas o tentares.


(Concordo com isso.)


Pensamentos de abundância trazer-te-ão abundância tanto em termos financeiros como físicos, para além de outros. Pensamentos de carência produzirão carência. Não fui eu quem estabeleceu essas regras.


Quando pensas em termos de carência e em seguida te deparas com a materialização dessa carência, sentes-te tentado a pensar que os teus receios se justificavam, pelo que consequentemente esses receios saem reforçados. Mas foram esses pensamentos que provocaram a carência e o que eu estou a fazer é simplesmente tentar interromper esse ciclo Bom; se tu e o Ruburt forem capazes de concordar com o tipo de casa que gostariam e ter e se sonhásseis com ela e pensásseis nela de modo específico, haveríeis de a ter.


Uma vez mais, isso não envolve qualquer extra. Ao invés, se deres por ti a pensar conscientemente nas limitações do vosso apartamento e as substituíres pela dessa imagem, havereis automaticamente de melhorar a vossa condição ao invés de a manterdes.


Ora bem, como é do teu conhecimento, eu falo em vosso próprio benefício. Se tiveres questões, formula-as.


(Não, só pensei encontrar-me sozinho nesse “negócio”.)


Realmente não estavas – longe disso! Desde a altura em que comprastes o vosso carro, o Ruburt tem vindo diariamente a exercitar-se para vos levar a pagá-lo. Sempre que a vossa renda tem sofrido aumentos ele tem feito o mesmo e durante os últimos seis meses toda e qualquer conta de maior monta tem merecido o mesmo tratamento. Antes disso, ele envidou esforços ao nível subconsciente que sentiu poderem não encontrar compreensão, da tua parte.


(Ele não me disse nada sobre isso.)


Ele sentiu que expor o assunto seria desastroso para ele, por ser incapaz de o explicar e de saber de que forma o poderia fazer conscientemente. Essa é uma das razões porque esta noite escolhi este tema. Tens alguma pergunta?


(Não, penso que não.)


As tuas próprias capacidades visuais são por vezes usadas de forma subconsciente. Elas são mais fortes que as do Ruburt. Ele tem que se esforçar por as obter. Por isso é que as tuas imagens subjectivas subconscientes têm em muitas ocasiões sido suplantadas. Precisas entender, se fores capaz, que não existe aqui a menor intenção de culpabilizar. Sair-te-ias ainda melhor se fosses capaz de esquecer o assunto.


(Gostaria de o conseguir. Eu tento consegui-lo.)


Considerando, contudo, estares tão interessado nisso, esses exercícios proporcionar-te-ão um grande benefício.


Vou-te dar um exemplo prático neste caso.
Ora bem; nos exercícios que empreende o Ruburt tem vindo a imaginar vividamente o livro sobre os sonhos a vender. Enquanto tu imaginavas as tuas contas a mingar e pensavas em termos pessimistas, e que afinal o livro poderia chegar a nem vender um número de exemplares de nota, e que em termos práticos, não podes ter a certeza de que o esboço dele venha a vender, e que os vossos esforços não tenham vindo, por tal razão, a deixar-vos de rastos. A realidade está nos vossos pensamentos. Tens perguntas? Na verdade podes expressá-las.


(Não, penso que não. Não me ocorre nada.)


Podes reuni-las, para mas apresentares na próxima sessão.


(Será procurar esquecer a coisa toda o melhor a fazer?)


A intenção é a de permitires, deixares que ocorra, permitir-te esquecer ao invés de te forçares a isso.


(É isso que queria dizer.)


Deves permitir-te pensar com naturalidade, que os pensamentos de abundância seguir-se-ão. O ideal seria que não praticasses qualquer exercício. Eles destinam-se apenas a contrariar os exercícios negativos que tens vindo a fazer.


(Eu sei disso.)


O que devias fazer seria simplesmente confiar, porquanto essa é a questão mais prática de todas, entendes?


(Pois.)


Vou dar a sessão por terminada a menos que tenhas algum comentário a fazer.


(Não.)


Contudo, não consigo realçar o suficiente os aspectos principais que tracei esta noite. Dá-me um instante. Ora bem; baseando-nos na tua própria experiência, sempre que o Ruburt e tu se acham numa condição positiva de afecto, diz-me se não sentirás uma sensação interior de abundância...


(Sinto.)


Isso faz parte, até certo ponto, da mesma natureza. Essa sensação de abundância e de confiança em si mesma trazer-te-á fartura e abundância. Atrairá ideias intuitivas da tua parte e acções intuídas por parte dos outros. De facto Ruburt leu um artigo subordinado às ondas cerebrais esta tarde, mas eu digo-te que tu emites ora mensagens de abundância ou de carência.


Agora; não te ludibries a ti próprio. Essa confiança constitui a base da tua existência. Tu possuis muito que outros em condições financeiras mais estáveis invejariam, e invejam mesmo. Tu projectaste esses pensamentos de forma a dirigires para ti próprio aquilo a que dás mais significado. Não ignores aquilo de que dispões. A questão está em que tu, nessa área sentiste-te inseguro por variadas razões, além de temeroso em relação à posse de dinheiro. E a compreensão auxiliar-te-á. Os exercícios que te dispensei subordinados a esta área por si só começarão a negar as causas que se encontram na base desse fracasso. Estás a entender?


(Estou.)


Vamos terminar a sessão.


(Escutaste o que disse quando referi ter-me sentido furioso na casa dos meus pais, há já algum tempo?)


De facto ouvi; mas a fúria não te ajudará, nem o ressentimento.


(Penso, todavia, que não terei podido evitar isso, em parte.)


Não terás podido; o essencial está em que, se te encarares como financeiramente independente e na posse de abundantes meios, isso passará, não obstante os teus pais. Eles serão bem tratados. Quando te começares a ver como livre de fardos, esses fardos começarão a sair-te dos ombros.


(Certo.)


Bom, esta noite procurei ajudar-te, e espero tê-lo conseguido. (“Longa pausa, de olhos fechados.”)


(Boa noite, Seth.)


(A Jane tinha estado a pronunciar-se duma forma vigorosa e com frequência passava as mãos pelo rosto ou pelos cabelos enquanto o fazia, em transe, a abrir e a fechar os olhos. No final da sessão cerrou as pálpebras durante algum tempo. Por fim, lá começou a sair dele; Uma vez mais, o transe tinha sido tão profundo que ele não recordava nada do que tinha dito.)




Sem comentários:

Enviar um comentário