sábado, 19 de agosto de 2017

DOUGLAS CONHACHER - TESTAMENTO ESPIRITUAL



todos encontrarão a sua condição de acordo com a sua luz
Douglas: Minha querida, de que vamos falar hoje?
Eira: Bom, queria que me desses uma palavra para o prefácio de autor de hoje; disseste que ias pensar nisso, no que podes dizer sobre ti próprio e quanto ao propósito do livro. É o início do livro que carece de uma palavra, creio bem.
Douglas: Ah, não. Referes-te a mim actualmente ou a mim conforme eu fui?
Eira: Pois é, disseste que seria possível dispensares um prefácio de autor, pelo que creio que...
Douglas: Um prefácio de autor... Pois, acho que seja a coisa habitual que um autor tenha a fazer: apresentar um prefácio para o seu livro. Sinto que estou a colocar nas mãos de inúmeros leitores, segundo espero, um livro que pelo menos lhes dará a oportunidade de apreciar e de perceber, até determinada medida, os aspectos da verdade conforme agora se me afiguram ao conhecimento - ou seja, que a verdade é verdadeiramente eterna; que a morte de forma nenhuma representa o fim. Na verdade podemos mesmo afirmar que a morte realmente representa a passagem para a vida, e que só começamos realmente a viver quando tivermos morrido.
A morte não é para ser temida, por representar o grande libertador; embora possamos sentir que o processo do morrer seja algo a recear, mesmo assim, a percepção que sobrevém quando tivermos passado essa entrada, a percepção de que a vida se acha verdadeiramente repleta de novos interesses, de novas ideias e de novos pensamentos, e que nos vemos cercados não só pelos nossos amigos e por aqueles a quem tivermos amado, mas por novos amigos que estão ansiosos por prestar assistência e orientar e por nos elevar, Percebemos que a nossa própria mente está sempre aberta para uma nova luz, e que a iluminação do espírito é tal que ninguém, por mais baixo que tenha caído na terra, até mesmo para tal pessoa há uma enorme oportunidade de lutar para sair da escuridão e entrar nesta luz; que alma alguma está perdida e que esforço nenhum é desperdiçado; que são dadas novas oportunidades, novas esperanças e novas ideias, novos meios de expressão, expansivos. Que o amor conquista todas as coisas; ninguém precisa recear a morte por a morte constituir uma grande aventura; na verdade a morte é algo que deveríamos não recear, mas esperar ansiosamente, percebendo que realmente é o grande libertador dos males e dos cuidados da vida terrena.
Ao mesmo tempo deviam perceber que a existência terrena é necessária, é mesmo essencial. De facto não gostamos de ir à escola embora precisemos aprender as lições necessárias antes de podermos aceder ao grande mundo exterior do espírito. Torna-se-nos necessário que sejamos bons alunos. Contudo, ao mesmo tempo, creio que seja realista afirmar que embora por vezes negligenciemos os nossos estudos, e por vezes pareçamos ser os últimos da classe, apesar mesmo das maiores dúvidas subsiste a maior das esperanças, de que nenhum momento do tempo se perde ou é desperdiçado, e que viremos a dispor e que de facto dispomos de toda a oportunidade que nos é estendida, e que em bora venha a ser necessário em certos casos regressar à escola por um breve período de tempo, a fim de colher uma lição ou lições em que possamos ter fracassado anteriormente, apesar disso no final todas as coisas alcançam a plena fruição.
Alguns de nós quando porventura tenhamos estado na terra, teremos tido mestres que por vezes nos terão ensinado coisas em toda a sua sinceridade que apesar de tudo se tenham provado erradas, categoria essa em que vejo que me posso colocar, por ter colhido lições que me foram transmitidas, não necessariamente por maus mestres, mas diria antes, mal informados que eu, não sendo preconceituoso aceitei, como muita vez na vida aceitamos cegamente, conforme seria espectável que aceitássemos certas coisas que agora sei terem sido falsas. Ainda assim, percebo muito bem as dificuldades de quantos se vêm particularmente colocados em posições cimeiras, aqueles a quem porventura tenha sido dado um trabalho a empreender, que tenham tido a diligência para o fazer pelo melhor que podiam, e que aceitam qualquer coisa no sentido religioso, que agora sei serem carentes de verdade.
Mas isto não representa de modo nenhum uma crítica, porque tudo quanto digo, tudo quanto me esforço por fazer está patente, e o objectivo e o desejo que tenho é o de servir, e eu percebo que seja natural, na realidade ser expectante porquanto o que pudermos dar ao mundo sobre a verdade - conforme agora tenho conhecimento - que em parte tem sido rejeitado, ou não aceite devido a que pela sua própria natureza estar em oposição ao que é actualmente geralmente aceite como a verdade. Mas jamais deveríamos perder de vista o facto de que a verdade é multifacetada e de que ninguém, nenhum indivíduo, nenhum grupo, nenhuma nação, nenhuma igreja detém o monopólio da verdade. A verdade assemelha-se a um diamante multifacetado contudo ao mesmo tempo, é de vital importância perceber que há muitos diamantes, muitas jóias que o homem não percebe, e que muitos desejam pôr de lado por não terem sentido nem contarem, não apresentarem qualquer propósito nem sentido, quando na verdade desde tempos imemoriais o homem tem vindo a esforçar-se por perfurar o véu e tem-se esforçado por descobrir a verdade, e a tenha procurando por toda a parte.
Têm existido almas grandiosas que foram inspiradas e guiadas e que legaram ao mundo aspectos da verdade, e que têm estado em sintonia ou comunhão com almas deste mundo, que têm sido inspiradas e a quem têm transmitido muito do que é bom. Os grandes mestres e profetas da antiguidade foram os precursores e muitas vezes foram eles que fundaram - em muitos casos de forma inconsciente na maior parte dos casos mesmo - novas religiões. Porquanto eu estou certo de que não terá sido intenção de alguns desses grandiosos profetas fundar nenhuma religião particular. Eles receberam uma orientação divina, e transmitiram aos homens aquilo que receberam. Os homens edificaram ao redor dessas verdades organizações religiosas que se desenvolveram em denominações (comunidades religiosas) que com o tempo sofreram dissensões, e conheceram novos homens e novas gerações alteraram e mudaram e tanta vez obscureceram as verdades simples que tinham sido reveladas na antiguidade. Foi assim que chegaram a ter todas essas cisões e todas as divergências entre as várias organizações e povos, todas quanto professavam aceitar a mesma verdade e a mesma revelação.
Mas, se pudermos ao menos perceber que Cristo, em particular, veio ao mundo a fim de partilhar o caminho da justiça e da verdade, e a fim de abrir os olhos da humanidade para a realização da vontade e propósito de Deus, e que na sua própria vida se esforçou por conduzir o homem de volta à verdade, homem que, na sua insensatez e ignorância desejou cada vez mais milagres, e que, após ter recebido esses milagres, exigiu mais, milagres que ainda assim muitos litigiavam e não aceitavam. Mas mesmo aqueles mais crassos que aceitaram o mestre Jesus não tivessem podido ver muita vez o verdadeiro sentido e o verdadeiro propósito, frequentemente encaravam-no como um líder no sentido material - tanto quanto, senão mais mesmo no sentido espiritual.
Nós não percebemos, porventura, até que seja demasiado tarde, quão grandiosas são as oportunidades que nos são apresentadas na terra. Somente quando somos capazes de olhar para trás para o vosso mundo, conforme o fazemos desde este lado, que vemos as oportunidades perdidas, e vemos os erros tão frequentemente cometidos e as tolices, ignorância e o orgulho. E assim era no tempo de Cristo, que não conseguiu ver o verdadeiro sentido e o propósito da sua vida. Para eles, ele representava um grandioso poder que lhes fora dado que poderia ter sido usado para enormes avanços materiais, para um grande progresso material; para a superação, pensavam eles, do jugo imposto por Roma. Porém sabemos muito bem que Cristo se preocupara mais, na verdade estava mais interessado no domínio do espírito e da vida eterna, e sabia que a morte constituía a passagem para ela e não a temia. No entanto não devemos nunca esquecer que ele fora humano, que fora um homem tal como qualquer outro, e não o que certa gente parece pensar que tenha sido - um espírito puro - porque ele foi um indivíduo físico que, em muitos aspectos sofreu os tormentos do corpo, não só por altura da sua morte mas durante a sua vida.
Penso que esquecemos demasiado a realidade do Cristo enquanto indivíduo, enquanto homem, mas precisamos ter em mente que é aí e somente aí que o poderemos entender em pleno e aproximar-nos dele na medida em que ele foi verdadeiramente aquilo que somos. Consequentemente, quando ele referiu "Coisas mais grandiosas farão os que cumprirem a vontade do meu Pai," o que na verdade queria dizer é que possuímos em nós, enquanto na terra, temos o poder de fazer as coisas do espírito. Cristo conheceu o poder que reside dentro do homem, mas o homem encontra-se de tal modo cego para essas coisas do espírito que se abstém e receia e dúvida no temor que abriga. Porém, não há necessidade de recear quando se percebe que o poder do espírito sempre nos rodeia e reside em nós, e que nada se faz impossível ao espírito, e que na realidade nós somos seres espirituais, embora nos vejamos porventura em risco na terra, em particular por causa dos pensamentos materiais. Porém, na realidade somos filhos e filhas de Deus, e se o recordarmos, nada se nos afeiçoará impossível.
Os dias que se apresentam pela frente á Terra oferecem muitas oportunidades aos homens, se ao menos ele as aceitar e souber usar, e se aprender as lições da escola da vida a que é chamado. Mas não deve pensar que essa escola da vida seja tudo e um fim em si mesma, por não passar do estágio de crisálida que um dia sem dúvida romperá os vínculos que tem para se tornar numa borboleta de muitos matizes. Nós não duvidamos, por não termos necessidade de duvidar da realidade da vida, por esta ser verdadeiramente a vida, a vida eterna, o espírito eterno para quem todas as coisas são concebíveis e possíveis onde isso reina, e onde o poder é tal que todas as coisas que são boas são eternas.
Não duvidem nem receiem a morte, por a morte representar verdadeiramente a passagem pela qual entramos no estado de beatitude eterna, em bora não tenham que pensar, por causa destas cosias que eu disse, que este mundo seja necessariamente sempre conforme porventura gostaríamos que fosse - com o que quero dizer que o homem descobrirá para si próprio de acordo com a luz que tiver; e que irá ter que evoluir gradualmente de estado em estado e de condição para condição diferente, e que ele virá gradualmente a tornar-se mais e mais consciente e consciente das verdades eternas, e que a mudança é necessária - na verdade, não fora pela mudança que sofremos em nós próprios e na nossa natureza e no nosso alcance da nossa capacidade, não creio que a vida eterna pudesse existir por não podermos viver nem compreender uma eternidade em que todas as coisas fossem iguais e em que não houvesse mudança e em que repetíssemos sempre as mesmas coisas e fôssemos constantemente os mesmos. Aquilo que estou a tentar transmitir é que todos os homens descobrirão a sua própria condição segundo a sua própria luz, mas que na realidade mudarão de grau em grau de acordo com esse avanço ou falta dele. Mas todos os homens são o Espírito. Nos planos espirituais a da vida espiritual todas as coisas são possíveis de acordo com cada um. Ninguém se perde, e há esperança para todos.
Aquilo que revelei no livro, alguns em muitos aspectos acharão difícil de perceber, apesar de ser verdade. Estou ciente de vir a encontrar a maior das oposições da facção em que deveria ser mais aceite, mas isso, bem o sei, é o curso. Mas infelizmente é verdade que até que as escamas lhes sejam retiradas dos olhos, o homem não pode chegar verdadeiramente a ver. E tantos se encontram cegos por todos os credos e dogmas que a verdade para eles se encontra obscurecida. Porém se se esforçarem por se libertar das cadeias da ortodoxia e se livrarem do preconceito, então verão a verdade, as coisas que são do espírito os elevarão a maiores alturas.
As minhas bênçãos vão no livro, as bênçãos que estendo a todos quantos o lerem, a todos quanto o aceitarem e a todos quantos caluniam, por haver quem não consiga ver, mas quantos vierem a ver e a perceber esta verdade, esses são os verdadeiramente abençoados e a esses eu digo que tenham bom coração e resistam, porque aquilo que não for para vós hoje, sê-lo-á amanhã.
Eira: Foi adorável e maravilhoso, querido. Muito obrigado.
Douglas: Terás que o cortar um pouco, reorganiza-lo um pouco, mas é o sentimento generalizado que tenho.
Eira: Pois, agradeço, está muitíssimo bom, querido.
Douglas: Espero que fique bem.
Tradução: Amadeu António

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

◊ “COLOCA ISSO NAS MÃOS DA LUZ!” ◊




“COLOCA ISSO NAS MÃOS DA LUZ!”

ATITUDES DERROTISTAS
19 de Setembro de 1958

Esta é uma preleção de carácter privado que tem lugar num final de tarde na residência de Anita e Alfred Ganchow, Kenmore, Nova Iorque, uma preleção privada para nós os quatro. O Mark terá possibilidade de escutar estas bobines mais tarde.

Yada: É um prazer estar aqui a falar convosco.

Anita: Obrigado por ter vindo, Yada. Temos por si um verdadeiro afecto e sentimo-nos honrados com a sua presença.

Para aqueles que têm um verdadeiro amor pela vida, têm-no por nós, e nós avançamos e temos o nosso ser no plano do amor.

Anita: Eu não creio que tenha, mas isso comove-me profundamente.

Minha respeitável amiga, dá algum tempo à coisa e ela dar-te-á uma profunda demonstração da alegria.
Eu não estou a chorar, tão pouco este homem (Mark) É que ele boceja tanto que faz com que lhe venham lágrimas aos olhos (O Mark parecia estar a chorar)

Irene: Ah, é isso?

É, não tem nada de mais emocional do que isso.

Irene: Eu pensava que ele estivesse a sentir a presença do pequeno que passou desta vida, sabes, que anda por perto do Mark e de mim. É ele quem me tem comovido.

É verdade.

Irene: Depois de ler a carta dela, de repente tive a sensação de que pudesse ser esse pequeno.

A juventude em que passou ajuda a mantê-lo próximo do plano terreno.

Irene: Será ele ainda brincalhão?

É. Mas aqueles que passam numa idade tenra têm a forte tendência de se prender ao plano terreno durante um certo número de anos. Senhor, goza de perfeita saúde? Tem bom aspecto.

Alfred: Gozo, sim, obrigado.

Sente-se bem?

Alfred: Sinto.

Sentir-se bem é tudo quanto importa. Quando temos energia, temos saúde e ímpeto para viver. Quando a nossa saúde estiver debilitada, o ímpeto para viver é enfraquecido. Por isso se quiser ser forte, não quererá deixar que as condições interfiram consigo a ponto de o derrubarem.

Irene: Com certeza que ele está bem, Yada.

É verdade. Quando muito, a vida constitui uma luta. Seja o que for que façamos, há imensas situações complexas que surgem a toda a hora que nos dificultam os esforços, ou deveria antes dizer, que não no-los facilitam. Encontramos isso em todas as coisas, todas as coisas - em especial quando procuramos fazê-lo de forma consciente. Bom, aqueles que se movem no tipo de viver inconsciente não sentimos a dor nem a resistência dos esforços empreendidos. É somente quando começamos a viver de forma consciente que nos tornamos mais sensíveis à luta. É vida é tal que quando despertamos, em vez dela se tornar menos, torna-se ainda mais difícil.

Irene: Percebo ao que estás a referir-te, mas o nosso trabalho não é somente a preocupação connosco próprios mas envolve muitos, e sinto ansiedade com relação ao cumprimento do que é necessário para fazer avançar este trabalho da escrita, assim como em muitos outros aspectos, em prol das pessoas. Sinto que temos um prazo para esse trabalho. Não estou bem ciente do que deveria fazer, ou do que não tenha feito, mas isso parece colocar-me um bloco no caminho, arranjar o dinheiro para o fazer. Isso deixa-me frustrada. Quero tanto levar o nosso trabalho aos outros que nem tenho noção do que deveria fazer para tal fim.

Minha respeitável amiga e grande auxiliar, eu quero que entendas o seguinte: Se verificares toda a história daqueles que passaram pelo trabalho de trazer a luz às massas, verás que sempre foi uma tarefa de uma enorme pesar e luta, de uma grande perseguição e sofrimento, a cruz. Assim, se for um facto que vemos isso como um facto, precisamos perceber que não somos diferentes daqueles que nos precederam neste trabalho da luz.
Ora bem; não estou a aprovar o esforço constante, porque quando a luta continuar a causar premência, isso revela uma forte tendência para nos derrubar a moral. Assim, sugiro que procures ter mais meios que te tornem o trabalho mais fácil a ambos, e àqueles que sinceramente os estiverem a ajudar.

Irene: Pois, Yada, tens toda a razão. Que deveremos fazer com respeito a isto?

Yada: Quando regressares a casa, à tua base de operações, precisamos reunir-nos e traçar um plano mais construtivo e mais directo na sua acção. Temos vindo a deixar que actues como queres ou pelo melhor de que és capaz quanto a uma actuação sem muitas sugestões da nossa parte, por acharmos que descubras uma maior força se tiveres permissão para agires por conta própria, do que se interferirmos demasiado.

Irene: É verdade, se fizer de vós uma muleta, passarão a interferir com o meu progresso.

É verdade. Nós fazemos isso por percebermos que tens um sonho teu. Tu és capaz de apurar o melhor a fazer no vosso mundo. Vós compreendeis o vosso mundo melhor do que nós.

Irene: Mas, não me parece que eu tenha progredido muito a esse respeito. Até agora o amor e o desejo de fazer, Yada, sinto-me de tal modo impaciente, que essa é uma das razões porque estou estou nisto. Sinto um tal desejo de ir em frente com o trabalho, mas com relação a lidar com as condições que me rodeiam, parece que fracassei.

Não, não falhaste, mas aprendeste uma lição muito proveitosa, que é o facto de não poderes trabalhar sozinha. Não podes assumir todo o trabalho sobre os teus ombros e esperar ser bem-sucedida. Precisas ter um sistema. Precisas ser capaz de outorgar parte do trabalho a outros e de confiar que eles façam a sua parte conforme confias em ti.

Irene: Sim, agradeço isso, Yada. Deu-me uma oportunidade de apurar o que poderá ser feito e o que deveria ser empreendido.

Agora, ao dares a outra pessoa um trabalho que partilhe contigo, precisas deixar que ela o faça. Depois de a instruíres de acordo com o conhecimento que adquiriste ao longo dos anos, aí precisas deixar que ela o execute conforme quiser.

Irene: Pois é, mas quero estar sempre a par do que sucede.

Ah, tudo bem. Obter um relatório do que está a fazer, evidentemente, é necessário. Mas assim que avançar para a acção, não deves interferir com a sua acção.

Irene: Bom, eu tento pelo melhor de que fui capaz, quando transfiro uma preleção a alguém que queira reunir grupos ou algo desse tipo. Dou-lhe as coisas básicas - o curto, etc. - e deixo que vá em frente. Sei que quando eu trabalhava em diferentes indústrias e em escolas, etc., caso não tivessem fé em mim e tivessem a certeza de que eu faria o meu trabalho, eu não queria o trabalho. Se me entregassem alguma coisa deixavam-me fazê-la. Acho que isso só é honroso para a pessoa.

Exactamente. Agora tornou-se necessário que tenhas o que no vosso mundo chamam de promotor, alguém que conheça e adore o trabalho a ponto de não precisar perguntar-te constantemente se o que está a fazer estará bem ou mal.
Agora este, conforme deves saber, é um tipo de trabalho muito especializado que nem toda a gente consegue fazer. Nem todos estão aptos a desempenhar uma parte nele excepto talvez enquanto ouvintes. Depois há alguns que podem tomar parte nele por não serem somente ouvintes mas usuários daquilo que escutam.

Irene: Exacto, Yada. É isso que eu quero. Não quero quem esteja ligado ao trabalho, nem mesmo à impressão do livro, que não tenha gosto pelo que faz. Quero entregar-lhe e saber que fará o máximo de que for capaz por ter gosto em fazê-lo. Isso é tudo o que eu quero.

Bom um auxiliar desses tirar-te-á grande parte do trabalho dos ombros. Não te encontras num estado de bem-estar, nem tens a resistência mental para continuares a mover este trabalho sozinha. Precisas de ajuda. Voltemos ao começo. Isso devia ter sido conseguido no início. Quando digo que deveria ter sido conseguido, quero dizer que, se tivéssemos somente pensado em promover o trabalho, o trabalho teria sido disseminado com muito mais rapidez, mas não teria sido aceite de uma forma carinhosa como o é hoje.

Anita: Ah, estou a entender.

Irene: Estou a ver que necessitávamos da fundação que tem.

Pois, pelo que já poderás ver que nesse período inicial não devia ter sido promovido. Era um trabalho que tu e o teu marido tinham que empreender sozinhos.

Irene: Pois, eu não vejo de que outro modo poderia ter sucedido. Actualmente o trabalho encontra-se bem alicerçado e as pessoas sentem um enorme respeito por ele, por ter sido apresentado da maneira apropriada. Só que progrediu a ponto de precisar que outros agora o ajudem. Sinto-me frustrada, Yada, com todos os aspectos necessários do trabalho que devem ser empreendidos, e sinto-me bloqueada.
Não consigo fazer nada com respeito a isso. Bom, devia desprender-me dele, mas não estou desprendida. E isso está a pôr-me terrivelmente nervosa. Terei que fazer alguma coisa a respeito.

Percebe simplesmente que fizeste tudo quanto podias. Esse período do trabalho e do conhecimento do que envolve chegou ao fim. Assim, não podes fazer mais do que o que estás a fazer.

Irene: Exacto. É quase como um director de escola, que conhece todas as secções, mas que não consegue ensinar, pode?

Assim é. Qualquer actividade, quer seja a tarefa de levar a verdade ao vosso vizinho ou às massas, se for de alguma valia, terá o que é chamado crescimento - expansão - e ao se expandir eventualmente chegará a um ponto em que terá quem queira vir em auxílio como ajudantes. Em qualquer actividade que cresça, o empregador precisa ter mais e mais gente. Não será assim?

Anita: Yada, porque será que ambos terão que sofrer os insultos e os maus-tratos dos outros?

Minha querida amiga, haverá algum trabalho em que a verdade seja a consequência em que aqueles que procedam à dádiva, ou venda, digamos, não sofram assim? Porque não conseguimos coisa nenhuma a partir do nada, pelo que tudo se torna numa troca. Não será assim? Será que toda a gente quer o produto da verdade? Não, por a verdade os arrancam do seu pequeno nicho. Consequentemente deixa-os assustados e traz-lhes um estado de incerteza, e em tal estado de incerteza eles atacam e criticam aqueles que os arrancam ao seu nicho.

Irene: Yada, dir-me-ás que parte Dave Gardener tinha a desempenhar no que acabamos justamente de fazer. Qual terá sido o objectivo de conhecer esse homem?

Mais do que outra coisa para arranjares o dinheiro para poderem vir ao Leste.

Irene: Havia uma certa coisa a desempenhar aqui que necessitava que aqui viéssemos?

Neste período particular, sim. Tens o teu trabalho a fazer, tens que conhecer mais e mais gente que não tomou parte anteriormente. Agora, se ele não tivesse estabelecido esta interacção ao te pedir para vires ao Leste e não te tivesse dado o dinheiro para o fazeres, esta gente não poderia ter comparecido às nossas conversas.

Irene: É verdade. Ele quase cancelou a nossa vinda à sua casa. Só me interrogo do porquê d, por o dinheiro já estar reunido. O contacto pessoal - da razão desse contacto pessoal. No entanto fomos a casa dele, contrariamente ao que o Mark e eu pensamos ser prudente fazer. Porquê isso? Não nos encontramos com mais ninguém lá que tivesse estado presente nas preleções.

Esse homem conseguiu uma melhor compreensão de que estava necessitado por estar a aparecer em público. Embora possa fazer uso das nossas palavras no trabalho que faz de uma maneira jocosa ao jeito de uma comédia, essa é a sua forma de ensinar, por não se sentir seguro quanto a ele próprio.

Irene: É verdade.

Ele precisa ensinar por piadas. Ele precisa ser o palhaço da luz. Pensem nisso, por nem todos poderem aceitar este trabalho em doses de seriedade.

Irene: É como se tivéssemos a maior parte das coisas sobre a era atómica apresentadas em histórias de quadradinhos.

Isso deve-se à mente infantil. A mente infantil precisa ser ensinada de uma forma primária.

Irene. Beneficiá-la por qualquer outra forma está fora de hipótese.

Está fora de hipótese. Eles não o conseguem.

Irene: Quero dizer, na medida do que nos diz respeito.

Nisso sim, e mais. Mas depois houve aquele outro homem e a sua esposa. Também ele estava necessitado de ajuda por ser dotado de uma mentalidade mais séria e andar pelo meio das pessoas - não ele próprio, mas o que escreve, e por ser um pensador sincero, um indivíduo de uma mentalidade séria e de uma mente clara.

Irene: Esse era u fulano judeu. Ele estava mais desperto, em termos clariaudientes, do que o Dave Gardner, conforme o Yada disse ao Mark.

É verdade. Agora, tu vês, a mulher deste indivíduo tem um pouco de receio da seriedade. E tem receio da seriedade por a fazer pensar, pensar em coisas que para ela são um tanto assustadoras.

Irene: Pois é, deixam-na um tanto confusa.

Pois, mas mesmo assim com o amor que temos pela humanidade, nós chegamos até ela.

Irene: Creio que sim, Yada. Ela contou ao Mark que de nada adiantaria ir àquele show do Jack Parr, por o trabalho dele não ser daquele género. Ela percebeu isso. Claro que nós também o tínhamos percebido, mas ele também o percebeu.

Pois, mas nós do círculo percebemo-lo mais em pleno após teres vindo ao Leste. Nós temos uma maior capacidade de estabelecer contactos com o vosso mundo enquanto tu estás presente.

Irene: Pois, eu percebi isso.

É por isso que habitualmente, quando nos pedes para irmos a alguma parte onde não estejas, para ir reunir informação, temos que trabalhar por diversas formas para entrar em contacto com alguém, com energia física suficiente para que possamos trabalhar nesse lugar particular. Só que por vezes não conseguimos encontrar tal pessoa.

Irene: Eu pensei, Yada, que há uma situação nos registos que os pode ajudar um tanto a determinar as condições em certos lugares de que não eu esteja completamente inteirada. Se eu ao menos soubesse das condições que o Mark e eu possamos defrontar, estaríamos mais ou menos preparados e isso sair-nos-ia das costas como água do pato.
A melhor maneira de o fazerem, por tudo -- sabes que o respeitável Maharaja Notcha disse, para estarem preparados para aceitarem o inesperado com equanimidade. Nem sempre conseguem isso por todas as experiências serem inesperadas. Toda a coisa nova que queiramos ou enfrentemos constitui uma condição inesperada.

Irene: Isso é verdade, mas eu necessito de um pouco de conselho e gostaria que........ bom, bem sei que fala a verdade comigo, só que me parece, Yada,  que possa haver alguma coisa que possamos fazer para criarmos uma condição que nos capacite a realizar aquilo que querem fazer, em especial neste trabalho. Porque será que alguma da outra gente consegue criar uma condição? De que modo será isso produzido? Eu devo estar a ser...

Não, não. Por aqueles que procuram fazer parte deste trabalho, à semelhança desta senhora aqui, da Anita, ela é orientada no sentido de reunir as pessoas. Agora, porque é que obtém sucesso, onde outros falham? Por ela ser sincera com respeito àquilo que está a fazer e mais, por não ter qualquer dúvida na mente quanto ao valor que o trabalho tem, daí que tudo faça para promover o trabalho.

Irene: Mas, isso quer dizer que eu não!

Não, não, tu não tens nada que ver com isso. Todo o que tu fazes é contactar as pessoas. Eu estou a falar da seriedade, da sinceridade daqueles a quem contactas, não de ti. Questiono não a tua sinceridade, nem a possibilidade de tu a questionares.

Irene: Eu sei que não o fazes. Sou verdadeiramente sincera e ti sabes disso, por isso, por que razão a condição não será produzida de modo a eu poder ir em frente com as coisas que necessito fazer?

Por não poderes fazer o trabalho dos outros na vez deles. Eles precisam fazê-lo ou deixar de o fazer. Tu não tens controlo sobre o que eles fazem ou deixam de fazer.

Irene: Disso, estou eu inteirada, mas o meu trabalho, eu estou a tentar conseguir reunir dinheiro suficiente para publicar os livros, e para fazer transcrições, para empreender essas coisas. O que foi que aconteceu que me impede de conseguir dinheiro para isso, Yada? Não pareço ser capaz de criar uma condição que me traga tal possibilidade.

Por tu a quereres criar. Tu queres fazê-lo. Tu vês, isso não é isso, entregá-lo nas mãos da luz do amor. Não digas que tu o estás a fazer. Tu és o instrumento mas a luz é quem o está a fazer. Eu entrego-o à luz para que o faça. Necessita ser feito. É a coisa a fazer. Então entrega-o e não te preocupes com o que estejam a fazer, aqueles que estás a contactar, com o que estejam a fazer ou a deixar de fazer. Faz somente o que tens que fazer, para falar em termos físicos.

Irene: Bom, era o que eu queria saber. Que será suposto que eu faça, falando em termos físicos?

Porque duvidas daquilo que és?

Por não ter o que quero. Eu quero algum dinheiro e não sei, Yada, se estarei a pensar nisso apropriadamente ou não, estás a entender? Não estou a duvidar daquilo que estou a fazer. Creio que estou a fazer o melhor que posso, mas então, se estou a fazer o melhor que posso, porque não terei as coisas que me ponha o trabalho para fora? Estás a ver, eu não sei o que estou a fazer. . . . .
Pois, conseguir o dinheiro não é prova nenhuma de estares a fazer o que devias estar a fazer. Podes ter muita gente a comparecer e podes conseguir muito dinheiro e fracassar no que toca ao trabalho.

Irene: Bom, eu sei que tu sabes aquilo que estás a dizer, e respeito-o, mas, Yada, então se isso é assim, então como é que, de que modo nós......  bom, tu dizes para colocar isso nas mãos da luz. Como é que o dinheiro vem? Virá simplesmente a acontecer que alguém veja a necessidade disso? De que modo será funcionará isso na luz? Nós trabalhamos inseridos num sistema monetário, consequentemente precisaremos de dinheiro para o fazermos, e ainda assim devo deixar isso a cargo da luz?

Torna-se muito difícil conversar contigo, e porquê? Há anos que tens o sentimento entranhado de deveres desandar o manípulo ou não correrá qualquer água pela torneira. Tenho muita incerteza sobre como te falar, por adoptares atitudes que não quero ver criadas em ti. Agora, isso não quer dizer que estejas a fracassar no trabalho. Não estás. Estás a ver, é disso que tenho receio; tenho até receio de o dizer por adoptares a atitude de estares a ser criticada. Tu estás a ser instruída e se não o acatares como uma instrução, então irás acatá-lo como uma crítica, e vais sentir aquele velho sentimento de culpa.

Irene: Bem, sei que tens razão nisso, Yada, mas creio que seja por no começo me ter sido dado e ao Mark a fazer e eu não saber qual a minha parte ou qual não é e eu. . . . .

Tu tens estado a faze-lo o tempo todo.

Irene: Pois sim, mas eu não sabia quanto correspondia à minha parte. Penso que por certas condições não terem sido concretizadas, seja essa a parte que me caiba, a de alterar o padrão ou talvez fazer algo que não tenha feito, por não ter quem me tenha dito abertamente: “Olha, quero que faças isto e aquilo para ajudares nisto.” Não sei qual seja ou deixe de ser a minha parte com respeito a obter as coisas feitas. Por isso, o que quer que me digas, claro que estarei a favor do trabalho e quero ajudar pelo melhor que conseguir. É por não estar a andar que me sinto culpada.

É por pensares que o estejas a fazer que te sentes culpada. Vê bem, tu pensas estar a fazê-lo. Mas é a luz dentro de ti que o está a fazer. Não sei se me estarei a tornar claro, estou?

Irene: Estás, a luz dentro de mim está a fazer o trabalho, mas isso não será a mesma coisa que não o estar a fazer?

Se perceberes isto e a seguir disseres que represente um fracasso, estarás a destruir a crença em ti própria, na tua própria luz.

Irene: Sei o que queres dizer, Yada. Sim, percebo aquilo que estás a dizer, claro. Não posso dizer que esta força criativa em mim não esteja a fazer o trabalho bem. Isso seria desligar-me, isso é negar, insultar o criador. Não é isso que quero dizer, mas acho que devo aprender lições e que devo saber o que fazer.

Bom, faz o favor de olhar, uh? Voltemos atrás ao começo, quando este trabalho ainda nem tinha começado. Terás feito alguma coisa que o tenha levado a ter início?

Irene: Fiz, sim, só que não estou ciente do quê.

Nesse caso, não fizeste nada.

Irene: Não.

Mas sim a luz dentro de ti. Este homem nada fez para empreender este trabalho. É por isso que ele veio a existir, por nada ter sido feito. É quando o homem tenta fazer alguma coisa, o tenta fazer, que fracassa. Todos os grandes homens de dinheiro nada fizeram para o obter. Foi por isso que o obtiveram.

Irene: Isso quase parece uma contradição, não?

Contradiz, por fisicamente nada terem feito. Mentalmente, fizeram tudo. Que foi que fizeram? Pensaram no dinheiro, pensaram no dinheiro. Agora esse pensar no dinheiro voltou-os na direcção de acumulá-lo. A concentração no dinheiro trouxe-lhes dinheiro. A ideia de dinheiro foi da maior importância na ideia deles. Eles usaram de seriedade com respeito ao dinheiro. Mentalmente não tiveram reservas quanto àquilo em que pensavam, pelo que nada os demoveria de conseguir dinheiro.
Olha, se fazes favor, tu tens um amante, e dizes-lhe que o amas. Então não podes ter reservas em relação a acompanhá-lo até ao fim. Acompanha-o sem reservas ou não o acompanhes de todo, pois irás deixar de o amar se o fizeres. Tu tens vindo a fazer um grande trabalho, um grande trabalho. Fizeste sempre que poderias ter feito, mas agora está a tentar fazer mais do que consegues fazer. Isso precisa parar. Precisas acreditar que alguém mais seja responsável pelo trabalho, e não somente tu. Quando o conseguires isso tirar-te-á o peso dos ombros quando algo parecer estar a dar para o torto.

Irene: Bom, Yada, se me dizes isso, então quero perguntar-te se essa gente que me virá ajudar virá até mim.

Sim. Olha, se fazes favor. Hoje disseste ao homem que estava no ar, quando ele perguntou: “Quando é, se faz favor?” Tu respondeste que era $150. Tu sabias que era o que precisavas. Não estavas a pechinchar, nem hesitaste expô-lo por saberes que correspondia àquilo de que precisavas. Fizeste-lhe a declaração, pelo que o homem não discutiu. Ele pressentiu a frustração em ti, mas não a dúvida, nem duvidou do que precisavas, pelo que to deu. Estás a ver, não o fizeste física, concretamente, e aconteceu facilmente. Caso o tivesses conseguido fisicamente, terias ficado um pouco na dúvida. “Poderia eu ter conseguido tanto?” “Irá discutir o meu preço?” “Irá recusá-lo?” Não quiseste saber dessas coisas. Caso tivesse recusado terias dito: “Óptimo, é isso” e terias ficado por isso.

Irene: Essa irá igualmente ser a minha atitude doravante.

Tudo bem. Estás a adoptar uma atitude construtiva, “construtiva” no sentido de ser isenta de receio, de dúvida, quanto ao que seja certo para ti e para o teu marido por este trabalho pertencer a ambos e a nós.

Irene: Eu sei.

Não a “mim,” nem a “nós,” a ti e ao teu marido, mas a nós, incluindo nós do Círculo.

Irene: Obrigado. Tens toda a razão. Pertence a toda a gente

Pois. Por isso, quando falares nele diz “nós” ou “nosso.” Nós queremos isto, precisamos – quando disseres “quero” referes “precisamos.” Essa necessidade é consequentemente satisfeita quando o dissermos com sinceridade: “isto é o que é necessário.” Aí ninguém captará dúvidas quanto ao que tem que pagar, mas dúvidas do que precisas. Percebeste?

Irene: Percebi.

Quando alguém te recusa aquilo de que precisas, deixa que se exasperem. Vai junto dos que compreendem e sentem sinceridade no que dizes.

Irene: Sabes, Yada, quando descubro que dei continuidade ao padrão que acabaste de descrever agora mesmo, sinto que dois ou três venham até ao meu encontro de imediato e queiram assistir às preleções. Se não me insultar a mim própria ao me menosprezar, a primeira coisa de que tomo conhecimento é outra pessoa a aparecer.

Volta de novo à história do começo deste trabalho. Na parte inicial sugerimos que vós não conseguis dinheiro como a ideia por detrás do trabalho. Assim, padeceste de dois anos de uma vida de escassez, com muito pouco. Nós percebemo-lo mas não nos podíamos permitir dar ao luxo de retirar a afirmação que fizéramos do que precisavas ou do que era preciso ser feito. Agora mudaste, por constatarmos as condições do vosso mundo. Verificamos que os vossos companheiros não respeitam algo grátis. Mas houveram muitos que tentaram. Quando te dissemos mais tarde: "Agora precisam cobrar tanto," e tu transmitiste esta declaração a certas pessoas, elas disseram-te que não se pode vender a verdade, que precisamos trabalhar com amor e deixar que as coisas aconteçam. Só que vós viveis num mundo de dinheiro, de modo que devem viver de acordo com as condições que imperam ao vosso redor e viverão mais satisfeitos. Deixem-se levar pelas condições, obedeçam a essas condições. Agora, se vivessem num mundo de amor, de um verdadeiro amor que reinasse entre os vossos companheiros por toda a parte, aí diria que se poderiam permitir mover por entre os vossos companheiros com completa confiança quanto ao vosso bem-estar ser assegurado. Só que não viveis, entendes? Viveis num mundo de gente adormecida, de zombies, de sonhadores que não percebem que são quem sonha.

Irene: Foi quase seis anos. Nos próximos anos iremos cobrar um dólar, mas caso as pessoas não queiram contribuir com o dólar, também não precisam.

É verdade, é verdade.

Irene: Foram seis anos disso, e sabes que mais, Yada, muita gente pensa que isto tem sido u mar de rosas.

Pois é, e pensam que é um trabalho que acontece da noite para o dia.

Irene: Mas não me sinto verdadeiramente arrependida. Sinto-me muito honrada por ter tido os antecedentes que precisei ter para me colocar na posição em que agora me encontro. Jamais me arrependi de trabalhar nesta obra como tu bem sabes.

É verdade.

Anita: Yada, assistir-me-á algum padrão cármico? Alguma vez terei estado neste trabalho antes?

Claro que estiveste, mas devemos ter o cuidado de não pensar nesses termos, por poder instaurar sentimentos de culpa, no sentido de estarmos a pagar por alguma coisa. Em tudo quanto fizeres, sempre, senhora,  não suscites a questão do carma nem do pecado em relação ao que estiveres a empreender. Faz aquilo que achares ser sinceramente a coisa acertada no teu íntimo e depois esquece a coisa. Porque, se te preocupares com os resultados do que fizeres, jamais chegarás a fazer coisa nenhuma. o medo dos resultados atingir-nos-ão e paralisar-nos-ão numa condição em que não poderemos agir, por temermos os resultados.

Anite: Sou culpada por isso

Não faças isso. Deposita a tua consciência naquilo que estiveres a fazer. Preocupa-te unicamente com isso e somente isso.

Anita: Ainda que soframos ofensas.

Ainda que venham a sofrê-las. O que os outros façam não é da vossa responsabilidade. Se parecer que os ofendem, encarem isso como uma lição. Terão aprendido algo de valor. Terão aprendido que essa pessoa não se encontra preparada para a vossa luz, e temporariamente simplesmente afastais-vos deles.

Irene: Yada, não quero expor-me mais a . . . . . Se aparecer em Washington, vou-lhe dizer, com um sentimento de afecto no meu coração, que dispenso o seu dinheiro e a sua presença nas palestras. Não quero ser incomodada com contactos da sua parte. Nem sei se virá ou não, mas estou certa de que se vier, o vou evitar durante as palestras. Não quero estar perto dele. Tão pouco me posso afastar dele pelo que terá que pegar na sua mochila e ir embora, acho eu. Tu pensarás que isto seja um erro, acho eu.

Não acho que seja um erro. Faz aquilo que achares que deves fazer e não te arrependas disso, porque se te arrependeres, cairás na culpabilidade

Irene: Entendo.

Agora, por eu dizer alguma coisa isso não quer necessariamente que seja verdade. Achas que seja verdade? Isso é o que importa. Vós viveis no vosso mundo, entendes? Tendes que satisfazer certas condições, que não podes negar e de que não vos podeis evadir, assim, precisais satisfazê-las e trabalhá-las de acordo com a forma como e sentirem com relação a elas, e não como eu me sentir. O meu mundo, entendes, o estado de consciência em que habito, ninguém o pode prejudicar - ninguém. Eu podia de imediato passar para a presença do próprio diabo e sentir carinho por ele, por eu saber o que ele é. Mas no vosso mundo, vós não sabeis. E por que é que não sabeis? Por estarem bloqueados por várias tipos de atitudes emocionais. O vosso EGO, e quando refiro "vosso" refiro o homem no seu conjunto, o ego acha-se sempre presente e quando é ofendido, coisa que sempre procura ser, então temos juízos emocionais sobre a forma de responder a essa ofensa. Não podem fazer de outra maneira. No vosso mundo é assim. O que quer dizer que precisam viver nesses termos. Como é que irão reagir? Da forma que acharem que devem. Se não o fizerem, então ficarão com outro cuidado nas mãos, o cuidado chamado "negação" dos vossos próprios sentimentos. Isso provocar-lhes-á doença no corpo. Estareis a negar as vossas próprias forças criativas. A sinceridade é chave com respeito à liberdade.

Irene: Devemos ser sinceros connosco próprios. Devo fazer o que achar ser certo

Exactamente. Agora, esse homem, o Sr. Reed, há vários meses atrás achou necessário irritar-se com outro indivíduo e exigir uma acção violenta sobre o corpo desse outro indivíduo por causa do que tinha sido dito. Bom, foi isso que ele sentiu. Podia ter agido de modo diferente? Não podia ter agido de modo diferente.

Anita: Yada, que poderemos fazer para acelerar o nosso caminho para o estado em que te encontras?

Minha respeitável amiga, não o podes acelerar, por o caminho para a luz da plena compreensão passa pelo viver, pelo viver e passar pelas experiências. Se falharem uma experiência necessária, isso significará que tereis dado um passo atrás no afastamento da luz ou que não tereis avançado de todo.

Anita: Nesse caso precisamos de um boa quantidade de experiência.
Correcto. A vida é viver, e o viver é acção. Aprende a apreciar cada experiência por que passas. Deves ter necessitado dela, caso contrário não terias passado por ela. Não imaginarão, meus amigos, que quando têm o que pareceis chamar de contratempos, que isso também não represente um contratempo para nós? Vocês não retrocedem sozinhos.

Irene: Bom, falando a sério, Gostava de saber o que queres dizer, quando dizes, por exemplo, com isso que dizes que estamos a retractar uma situação quando algo não se afeiçoa exactamente como queremos, para nos afastarmos.

Assim é. Agora, tu não podes modificar esse homem, porém, não necessitas permanecer na sua presença.

Irene: Pois bem, eu quero de verdade que tu, quando expresso um pensamento relativo a algo, sobre o que devia fazer, da minha atitude em relação a isso; eu não quero estar na presença de alguém que não respeito, embora não diga que não respeite a luz que exista nele, apenas a sua presença física. Qual será a maneira correcta de agir com respeito a isto? Deverei ignorá-lo por completo? Tu dizes para eu agir em consonância com o que sinto. Eu posso estar completamente independente dele, mas não quero nenhum do seu dinheiro, nada. Caso venha à preleção pagará pela comparência. Não me quero sujeitar a ele, eu quero separar-me dele, ponto final. Agora, será esta uma atitude que seja . . . . bom, é uma atitude concreta que tomo no sentido de me afastar da sua presença?

Não, não, não é. Tu já sofreste às mãos dele por duas vezes. No entanto, duas ou três vezes é suficiente, é suficiente. Agora, se o desejares, caso essa gente esteja presente na palestra, na conversa, se desejares pedir-lhe que se retire, faz isso. Mas precisas saber que vais atiçar mais violência se o fizeres, por ele vir a sentir-se frustrado e insultado e magoado, e o ego irá irromper e irás defrontar-te com mais violência. Agora, se pretenderes ignorá-lo, isso já é diferente. Não precisas dirigir-lhe a palavra. Podes ir para uma outra sala.

Irene: Sabes, Yada, eu podia estar dissociada dele. Penso que vou mesmo deixar que venha caso queira vir. Se não quiser, tudo bem, e agirei em relação a isso de acordo. Vou permanecer dissociada dele.

Assim é, e caso ele te dirija a palavra, poderás dizer: “Lamento, mas não tenho nada a dizer-lhe.”

Irene: Pois é, eu tenho uma personalidade tipo dual. Dou por mim a dizer uma coisa e depois a discutir isso demoradamente e a pensar: “Isto não é o que eu quero fazer.” Portanto, por vezes sinto como se fizesse uma afirmação e a seguir a contradissesse. Não achas que eu faça isso, Yada?

Pois sim, mas isso não tem importância. Todos fazemos isso de um jeito ou de outro. Bom, sentes-te melhor?

Irene: Sinto.

Não te preocupes. Nós não estamos meramente sentados numa nuvem a deixar que faças ou falhes. Não, nós sabemos o que seja adequado experimentarem, e o que não seja. Ao mesmo tempo, não dizemos que devam experimentá-lo ou que não devam.

Irene: Apenas deixam que o experimentemos.

Assim é, por este trabalho ter uma abrangência muito mais do que parece pela rama. Não tem que ver somente com o momento. Muito embora preguemos o eterno aqui e agora da vida, dez mil anos adiante é agora. Nós só queremos que não te esgotes a encostada contra a parede

Irene: Pois, eu tenho vindo a fazer isso, Yada.

Então não o faças. O trabalho tornar-se-á mais leve e trazer-te-á muitas coisas de valor a ti e ao teu marido, assim como a outros. Vou partir por um bocado e voltarei e conversarei com a Anita e o Alfred caso desejem conversar.

Irene: Deixemos que o nosso pequeno amigo saiba que a sua mãe nos escreveu e que lhe daremos a nossa bênção e que lhe diremos que ele tem andado ao nosso redor. Haverá alguma mensagem que ele gostasse de enviar?

Ele envia o amor dele, por estar com eles no amor e para não se preocuparem nem sentirem ansiedade com relação a ele; que ele teve um trabalho a fazer aqui na terra e que ele fez o que veio fazer na medida do que pode nesse período e que partiu. Envia do mundo da luz o seu amor – diz isso à mãe e ao pai e irmãs.

Anita: Yada, terá alguma vez contactado o meu irmão de novo? Estará ele a avançar?

Sempre, Ah sim. Já tem um melhor entendimento da vida, muito mais fácil do que quando tentou ter aqui na terra. Aqui tornou-se muito difícil para ele, muito mesmo. Ele não queria aprender, porém agora sabe e tem vontade de aprender.

Anita: Yada, tem alguma possibilidade de o ver de novo e de lhe transmitir uma mensagem da nossa parte? Diga-lhe apenas que o amamos e que ficamos encantadas por ouvir novidades sobre ele.

Essa remessa de afecto pelo pensamento a outros, quer ainda se encontrem no vosso mundo ou em qualquer dos estados mentais da consciência, faz muito por aqueles a quem é remetido. Ajuda a despertá-los, a que se expandam. O amor é a chave da criação e para a criação. Independentemente do que lhes fizerem, não crieis nenhum sentimento de negativismo em vós com a ideia de que os venham a magoar porque não vão. O amor vai ao encontro e ajuda; o ódio permanece connosco e destrói o que o emite.

Anita: Pois, só que por vezes torna-se difícil perceber que nos remete de volta para um estado de temor.

É verdade. Não tenhas medo. Não há o que temer, nada, por tu seres o mestre. Tu és o criador, és o mago que cria os truques da vida. Mas se receares, não saberás como operar esses truques. Qualquer um que seja um bom mago verá através de ti, e tu não quererás que isso aconteça. Na honestidade, na sinceridade não podes ter medo, o medo não pode existir. Ele só pode existir quando nós cambaleamos na borda da incerteza, da indecisão. Toma uma decisão e mantém a tua decisão. Poderás esta errada, podes ter feito o que julgas ser uma má decisão, mas até mesmo a chamada decisão errada será melhor do que a falta de decisão. A falta de decisão é destrutiva para nós. Não será?

Anita: É.

Toma uma decisão. Agora, se essa decisão instaurar uma série de acções equivocadas ou o que é chamado acção negativa, precisas acautelar-te de modo a não incutir em ti própria nenhuma noção de culpa. Isso é o que tens vindo a fazer.

Anita: É. Também sou culpado por isso.

Todos nós, todos nós o somos. Faz o que tiveres que fazer e não receies os resultados. Conheces a história do jumento? Há aqui o que vocês chamam de fardo de feno e um outro fardo de feno acolá. O burro morreu à fome por não conseguir tomar uma decisão quanto ao fardo de feno devia comer primeiro. Em meio à fartura, ele morreu à fome por não tomar decisão nenhuma. Tomem uma decisão e mantenham-na assim que a tiverem tomado.

Irene: Bom, é nisso que tenho vindo a pensar em relação ao nosso pequeno amigo em Detroit. Deverei tomar uma decisão e  declarar o que é suposto que faça lá, eu ele já estará ciente da minha decisão, Yada? Não o quero ofender, mas queria mesmo saber como lidar com isso.

O homem de Detroit fará tudo quanto puder para fazer as coisas acertadamente.

Irene: Muito bem, então não tenho que fazer nada, certo?

Não. Lembra-te que essa foi uma viagem que não foi planeada.

Irene: Não, é verdade.

Foi dada; aconteceu. Deixa-te levar pelos termos em que aconteceu. A vida pode ser muito excitante, sabes se não procurarmos fazer por que as coisas aconteçam

Irene: É verdade. Mas tu sabes o que aconteceu antes com respeito a ele quando ele fez a leitura em favor dele, Yada?

Sei.

Irene: E estás a par do que ocorreu lá, o que não  completamente esclarecido, pelo que gostaria de saber em que posição me encontro.

Virá a ser, virá a ser.

Irene: Porque, vou ser muito positiva acerca disto, futuramente.

Tu tomas as tuas decisões e vives em conformidade com elas.

Irene: Por vezes podemos insultar uma pessoa que trabalha na luz, ao sermos demasiado empáticas.

Não, não. Diz-lhe. É isso que é necessário. Não lhe digas o que deveria fazer no seu mundo, na sua vida, apenas na tua vida. Onde está a tocar-te na tua vida, diz: "Connosco é assim." Não faz diferença, não o consegues insultar. Caso ele se sinta insultado, será por se ter insultado a si próprio. Quando lidamos com sinceridade e afecto com os nossos companheiros, lidamos conforme acharmos necessário lidar. Somente quando não lidamos com afecto que nos tornamos presunçosos por termos medo. Vou deixá-los. Voltarei dentro de pouco tempo.

Anita: Deverei dar sumo de laranja ao Mark?

Não, ele está bem.

Anita: Obrigado, Yada.

Yada regressa e por um momento fala na sua língua antiga, o Yu.

Irene: Ele está a agradecer-te Anita, por o acolheres aqui em tua casa. Ele quer agradecer-te, Anita, por teres arranjado todas essas cadeiras na tua casa para acolheres esta multidão toda, esta noite. Pergunta se te sentes cansada. Ele quer que repouses.

Anita: Estou, um pouquinho. Eu vou-lhe dizer, Yada, sofri um pequeno choque para cúmulo de todo este trabalho, com a passagem do meu irmão. As coisas não me correram lá muito de feição. Teria gostado de o ver um pouco diferente no passado. Pensava ter superado as emoções, mas não superei, Yada, e ainda me sinto...

Inglesa.

Anita: Ah, Yada, pbrigado.

Nós do círculo achamos que te saíste de forma notável com respeito ao teu aspecto emocional. Sob as condições em que te viste saíste-te excepcionalmente bem. Para alguém com o sangue à flor da pele, é muito difícil esquecer. Muito embora não tenham tido relações estreitas nos últimos anos da sua vida, ainda assim ele é teu irmão e constitui uma situação incómoda, eu sei. Mas, conforme eu disse na noite passada, não há nada a ganhar do choro e da continuidade.

Anita: Abençoado coração, Yada, por teres estado connosco.

E mais do que isso, o teu irmão encontra-se em bom estado.

Anita: Está?

Está, sim.

Anita: Poderia contactá-lo?, conseguiria vê-lo?

Irene: Ele esteve aqui na noite passada. Ele tentou dizer algo ao Mark, não foi?

Foi. Que se sentia um tanto incomodado por não teres revelado uma entusiasmo maior com respeito a isso

Anita: Ah, foi isso! Eu não revelei entusiasmo. Ele queria que eu tivesse chorado?

Sim, ele estava à espera disso, mas disse: "Para quê?"

Anita: No entanto, os sentimentos que tenho por ele são sinceros e profundos.

Ele sabe o quanto é tolo  ficar todo ficar emocionalmente desconcertado por ele ter passado. Melhor, ele disse, que ele foi, por estar a começar a sofrer bastante. Sentia-se muito cansado e ficou satisfeito por ter partido, mas não sabia que iria sobrevier à morte do seu corpo físico.

Anita: Não sabia não senhor.

De modo que ele quer dizer-te a ti e ao teu marido que ficou muito surpreendido, muito chocado mesmo, contudo diz que foi um choque agradável saber que tinha sobrevivido à morte do corpo. Além disso deseja dizer que nos últimos anos se sentiu muito aborrecido contigo e com o teu marido, e que lamente muito isso. Ele desejaria que as coisas pudessem ter sido diferentes, mas ao não saber o que é a vida, não conhecendo o lado mais amplo dela, ele apenas viveu o seu lado físico. E que quando a sua mulher estava a morrer, ele quis que ela morresse, por se querer livrar dela.

Anita: Ele disse-lhe isso?

Disse, mas agora, ou seja, mais tarde, lamentou muito o sucedido.

Anita: Ah, imagino que sim.

Mas quando chegou a vez dele, ou quando chega a nossa vez, a vez de todos, aí tendemos a ter uma forte tendência para lamentarmos algumas das coisas que tivermos feito. Só que aí, é fútil lamentar-nos, por ser demasiado tarde.

Irene: Yada, a compreensão que a Anita tem, para ela não é demasiado tarde, por ela saber que o irmão dela é mente, e conquanto ele agora chegue a perceber a verdadeira história da coisa, isso traz-lhe muito conforto.

Conforta-a, mas ele já passou por isso, e ele não, por isso, nesta altura ele lamenta. Ele diz que está ciente de ter sido um homem mau e de ter tido uma disposição muito ruim, mas que é que se poderá fazer agora em relação a isso - nada.

Anita: Ele terá alguma mensagem curta a passar-me, que me faça chegar sobre o que pensa agora sobre os filhos - ou . . . .  Bom, haverá alguma coisa que ele gostasse que soubéssemos. Isso é já . . . . .  agora percebo, mas para o levar a sentir-se satisfeito de novo, eu dir-lhe-ia: "Abençoado sejas, e continua a fazer por conheceres a luz e a verdade."

Ele diz que, ao desconhecer que sobreviveu, ele procurará fazer isso, só que não tem ideia do que fazer. mas eu digo-lhe que ele não precisa saber, porque lho dirão, de modo que ele não se verá só nem abandonado por aí. Ser-lho-á ensinado, já que ele tem um mestre que tratará de ver que ele obtenha uma melhor compreensão sobre a natureza da vida que acabou de abandonar, e da vida que está a gora a começar a viver. A viver. Ele diz que nada tem a transmitir aos filhos.

Anita: Ele não tem nada.

Ele esteve zangado contigo?

Anita: Não, comigo esteve de bem. Mas também está a abandonar a esposa, a sua segunda esposa.

Ele diz que isso agora acabou e que ninguém . . . . .  Mais, ele disse que se casou da segunda vez por uma questão de companheirismo e não de amor.

Anita: Ele foi um homem muito só.

Foi. Diz que se casou há muito tempo com a primeira esposa, e que há muitos anos atrás desejara ser livre. Ele não a amava em absoluto. O que é de lamentar, não?

Anita: É, é de lamentar Yada, e é muito triste.

Mas depois, senhora. . . . . .

Anita: Mas arrancar-lhe a verdade, por ele próprio o ter dito.

Sim, sim. Sabes, em muitos aspectos, no esquema mais amplo da vida, é melhor que ele aprenda por esse método de viver, com alguém a quem não ame. Isso ensinou-lhe muitas coisas. Só que ele arrepende-se de lhe ter arranjado tantos sarilhos. Ainda assim, nada pode ser feito com respeito a isso, e ela encontra-se no mundo em que ele agora se encontra, só que eles nada têm em comum, actualmente, pelo que nem se encontram.

Anita: Pois, posso ver isso.

No mundo para que todos vós eventualmente vireis, encontrar-vos-eis com aqueles com quem tiverem algo em comum.

Anita: Espero encontrar-me consigo, Yada.

Isso é muita amabilidade da sua parte, mas sabe senhora, não procuro promover esse sentimento nas pessoas aqui na terra.

Anita: Eu sei que não.

Por . . . não gosto de dizer isto porquanto por vezes soa demasiado a tolice, mas poderei vir até si de tempos a tempos caso deseje que o faça, mas eu não habito o mesmo mundo, neste estado de consciência em que irá encontrar-se, pelo que se tornará difícil para si contactar-me. Eu teria que a contactar a si.

Anita: É verdade, eu percebo isso, Yada. Eu sei que eu. . . . . .

Agora, faça o favor de não me interpretar mal. Eu não sou melhor que você, nem sei mais do que você. Contudo, admito que sei algumas coisas de um modo u tanto diferente de si, pelo que isso instaura uma certa separação entre nós que eu precisaria atravessar para chegar até si. Está a compreender?

Anita: Estou, sim.

Porque na realidade nós fazemos todos parte da mesma mente. Existe apenas uma só consciência, uma vida, e todos vivemos nela quer estejamos no corpo físico ou fora dele.

Anita: É sim, Yada.

irene: Esta é a parte em que o Yada explica recorrendo ao compartimento de nove metros que é dividido.

Anita: Por intermédio do Yada tive experiências maravilhosas e sinto-me satisfeita por saber que estou no meu caminho.

Ah, sim e tu e tu, todos vós já passastes por experiências maravilhosas, mas cada um pouco diferente dos outros. E todos nos encontramos a caminho conforme vocês tanto utilizam a expressão, a caminho, todo ser humano está a caminho, cada um numa jornada um tanto diferente em direcção à luz da vida. Assim, quando perceberem isso, ninguém poderá sentir-se superior nem inferior a ninguém. Isso ajuda a que todos percorram a jornada ao mesmo nível dos outros. Agora você, minha amiga, falou da palavra Ohm.

Anita: Foi.

Vou falar um pouco acerca disso, por estar a par do sincero interesse que tem por isso. Comummente não falo dessa sílaba, por ser uma palavra que ainda não estamos em posição de usarmos. Precisamos esforçar-nos por isso porque, conquanto seja chamada uma sílaba santificada, o termo "Santo" não me agrada.

Anita: Não, eu diria que é sagrada.

Pois, mas não santa. Sim, existe uma diferença.

Irene: (diz algo e carácter reservado)

Exactamente, m as se uma pessoa que não esteja preparada de algum modo tropeçar na forma adequada de a usar, isso poderá causar-lhe muito pesar. É a palavra que na vossa Bíblia Cristã, onde diz "No começo era a palavra e a palavra estava com Deus," e toda essa coisa de : "e a palavra era Deus."

Anita: Era a palavra da criação.

É isso mesmo. é aquilo que vós nesta parte do mundo chamaríeis de palavra perdida da criação, por ao a fazermos ressoar de modo apropriado poderemos reunir a matéria, e assim criar instantaneamente uma forma dotada de vida. Já estão a ver o perigo que comporta. O homem quer subir até aqui antes de começar aqui em baixo. Não se pode fazer isso por gerar uma enorme confusão mental. Amenos que primeiro compreendamos o "aqui em baixo" e subamos lentamente, quando aqui chegarmos a cima ficaremos inteiramente perdidos. A vossa Bíblia Cristã fala do homem a quem chamam Jesus, quando ele se encontrava na cruz entre os dois ladrões, e diz lá que  um deles se terá voltado para esse Grande Mestre e lhe terá dito: "Ai, Mestre que me sinto tão apavorado; que irá ser de mim?" "Não temas, porque em verdade te digo que neste mesmo dia estarás no paraíso comigo." Ora, isto soa a uma promessa esplêndida, só que não é verdade. Não é verdade. Ele não disse isso. O que disse foi mais ou menos assim: "Não temas, por te dizer neste dia, que virás a encontrar-te no paraíso comigo." A vírgula faz com que esse homem (o ladrão) ainda tenha muito que aprender quanto ao que o paraíso seja antes de ir para lá.

Anita: Muitas encarnações a partir de então.

mas quando a vírgula foi negligenciada, tornou isso numa falsa promessa. Ou seja, que o Grande Mestre venha conduzir uma alma inculta ao estado de perfeição.

Anita: Entendo, Yada. Queria colocar-lhe uma ou outra questão. Primeiro, com respeito à sílaba Ohm. Depois, quanto à extensão da consciência, por ser nisso que estou a trabalhar.

Bom eu teria todo o cuidado com respeito a expandir a consciência para além da consciência do teu corpo. Eu teria muito cuidado com isso, por ser coisa perigosa. Tem havido diversas pessoas no vosso país que me tem sido trazida à atenção por causa da prática do que chamais Ioga, ou tentativa de subjugar a consciência à totalidade da consciência, Isso é perigoso porque, se a pessoa não souber como  abrir mão desse estado omnipresente de modo a regressar à vida aqui do dia-a-dia, a pessoa virá a ser considerada insana, e provavelmente será internada numa instituição psiquiátrica. Não conseguirá viver em dois mundos ao mesmo tempo.
Não creio que praticasse a expansão da consciência ao modo que os vossos mestres Ocidentais lhes revelam. Aquilo que eu faria seria tentar chegar a conhecer o vosso mundo físico melhor. Isso é importante porque, quando conhecem o mundo físico, então conhecem todos os outros mundos. Ninguém tem que ficar sentado a praticar a respiração nem a concentrar-se nisso. E se quiserem chegar a conhecer o mundo físico precisarão projectar a vossa mente no exterior, no mundo físico, para chegarem a conhecer a natureza que tem. Agora, a melhor maneira para isso passa primeiro por se conhecerem a vós próprios. Não QUEM sois, mas o que sois. Um pensamento um pouco concentrado em breve dir-lhes-á que sois o criador. Não resta dúvida quanto a isso. Observam o corpo, examinam-no e vêm que é criado a partir da substância que em Inglês chamais de átomo. Os átomos reunidos compõem o que é chamado estrutura celular. Agora, antes, precisam reunir-se no que é chamado de molécula. Depois, a molécula, em determinados arranjos compõe os diferentes tecidos chamados células, células da pele, células do sangue, células ósseas, e cada uma um pouco diferente, formam no conjunto as diversas partes dos organismos - dessa forma chamada corpo. Agora, de que modo se chegam a juntar? Pale vontade que vocês lhes imprimem. Agora, vocês não operam isso com a vossa mente consciente.

Anita: Não, é a mente supraconsciente, ou o Eu Superior.

Exacto. Agora, esse Eu supraconsciente sabe exactamente a substância que precisa reunir para formar um corpo, quer seja um corpo físico ou o corpo de um insecto ou de um animal de qualquer tipo, ou de um peixe do mar. O vosso Eu supraconsciente sabe exactamente. Agora, todo corpo, todo agrupamento químico necessário a uma forma é conseguido por uma fórmula muito precisa - conhece o termo fórmula?

Anita: Conheço, sim, Yada, e não será verdade, Yada, que o corpo de toda a gente é o mesmo, é composto dos mesmos químicos e por aí fora...? Não será isso verdade?

É verdade.

Anita: E que diria, qual será o químico que mais predomina no meu corpo?

Bom, isso é difícil de dizer. Precisaria estudar o seu corpo um bom bocado, verificar as diversas mudanças que se processam na química do corpo por acção do que chamam de sistema nervoso. Agora, a mente reage a diversos tipos de coisas aqui e cada reacção ou resposta que sofre dos estímulos exteriores provoca um impulso do sistema nervoso no que é chamado sistema glandular, em especial do que chamais de glândulas endócrinas. Agora, essas glândulas endócrinas começam a provocar mudanças químicas diminutas na substância que produzem e injectam na corrente sanguínea. Tal como, por exemplo, vocês sofrem o que chamais susto em relação a qualquer coisa. Num instante, aquilo que é chamado glândulas adrenais drenam adrenalina na corrente sanguínea para impedir que o coração pare. Agora, caso o susto seja grave, elas podem injectar um grande dose de adrenalina na corrente sanguínea e se vocês não a usarem por uma forma qualquer de acção, é provável que  se volte contra o coração e o liquide por qualquer forma.

Voltamos aos tempos antigos do homem, aos dias em que os homens das árvores e aos homens das cavernas e descobrimos que sempre que eram atacados ou estivessem na iminência de o ser, as glândulas adrenais emitiam a substância na corrente sanguínea com toda a rapidez, para proteger o coração, e além disso ele sentia necessidade de entrar em acção, quer no sentido de combater quer de se proteger, ou de fugir. Em tais casos, é em acção que precisamos entrar, ou a adrenalina revelar-se-á excessiva. O excesso de adrenalina não será utilizado e cairá de volta sobre o sistema nervoso e o coração e pará-lo-á. E assim, a mesma coisa acontece com o que chamais o comer. O comer, embora constitua um hábito natural a todas as criaturas, o homem atingiu um estado de consciência em que pode chegar a ser muito selectivo quanto àquilo que ingere e conhecer a natureza do que come. Também tem conhecimento da natureza do corpo químico, o que é algo que mais nenhum animal conhece. Bom, os outros animais precisam escolher pelo que chamam de instinto para comer isto ou deixar de comer aquilo, para poderem sobreviver. Contudo, o animal não conhece a natureza da substância que não deve comer. Sabe apenas instintivamente que não é adequada ao seu corpo. Porem, de vez em quando - tomemos o exemplo do gato selvagem - conquanto goste comer carne de uma forma generalizada, quando adoece, procura o tipo adequado de ervas que mastiga para ficar melhor.

Anita: Estará a dizer que em qualquer caso eu deva manter a carne à distância de vez?

Não, não, antes pelo contrário. Se fosse a ti, eu procurava cortar com os amidos, as féculas e os açucares, aquilo a que chamais de hidratos de carbono. Eu procuraria acabar com isso. Um excesso de hidratos de carbono provocam um envelhecimento acelerado do corpo, além de muitas rugas. Estão a ver este homem aqui. Tudo isto provem do excesso de uma alimentação à base de hidratos de carbono  e doces e amidos dos primeiros anos de existência. Isso provoca um excesso de acidez no sistema o que tende a decompor as células da pele, e as torna tipo aguadas. Está a compreender?

Anita: Estou. Bom, Yada, eis uma outra pergunta que talvez me responda. Não me atreveria a fazê-la se estivesse aqui muita gente. Em certas alturas consigo pensar com uma maior clareza do que noutras alturas. A maior parte do tempo não tenho dificuldade em pensar em qualquer coisa. Mas depois, noutros instantes, tudo parece fastidioso aqui ao redor, sabe.

Sim, estou a par disso. Por vezes todos sofremos o que é chamado estado de tédio. Interrogamo-nos do que fazer connosco próprios, quanto ao que que seja importante na vida, e ao que não seja. Ficamos um pouco cansados com a vida e isso deixa a mente entorpecida. Mas acho que poderia melhorar a sua situação caso fizesse algum esforço por reduzir o peso que tem. Peso em excesso provoca tensão, não só sobre o coração mas sobre os vasos sanguíneos, ou os pulmões, ou os rins, e por vezes os rins tornam-se lentos na decorrência de um excesso de gordura presente nos tecidos que circundam os rins. E depois todos aqueles venenos, toxinas que supostamente  são drenados para os rins vão para os tecidos do corpo e nesse processo atingem o sangue, e alcançam o cérebro, e provocam sensações de entorpecimento. Assim, eu . . . .  não te digo que faças isso,  por eu nunca dizer às pessoas o que fazer. Apenas sugiro que porventura isso seja uma melhor maneira, e depois elas próprias poderão deliberar se será bom ou mau.

Anita: Yada, sei que o que diz é com boa intenção, e bem sei que o devia fazer, mas sabe como somos fracos.

É verdade, é verdade. E porquê? Não é tanto uma fraqueza na vontade mas antes o facto de ficarem presos em pequenas rotinas que nos levam a tornar-nos indiferentes quanto a uma saída. Tornámo-nos confortáveis nessas rotinas. Até ficarmos um tanto indolentes, o que nos dificulta a vida, não é? Agora se quando queremos alguma coisa nós a conseguimos de imediato, estaríamos mais aptos a trabalhar um pouco mais, por vermos que assim obtemos mais sucesso. Mas todo esforço parece levar tanto tempo que não parecemos realizar aquilo que desejávamos. Mas devíamos perceber que a paciência é uma das notas chave no sucesso em tudo quanto fazemos. Nada de válido ocorre em poucas horas ou nus poucos de dias. Tudo exige esforço concentrado da vontade para o obtermos.

Anita: Que é que na sua opinião achará com relação ao poder que tenho de concentração? E terei a faculdade de pensar nas coisas?

Acho que sim, mas tem alturas em que se permite cair num estado de confusão. Bom, por vezes o que acontece ao seu redor tornam-se nume excesso para si e representa uma tensão que sofre que a deixa cansada. Agora, o cansaço, além de ser uma condição química, é uma condição mental, e é-o antes de mais. A mente vê-se confrontada com um estado de confusão a que não tem vontade de responder, e nada faz a respeito. Preferiria correr a esconder-se, ou esperar até que passe para então voltar. (Riso) mas, estão a ver, nós não podemos fazer isso, por ainda aí se encontrar quando voltarmos atrás. (Riso) É mais fantasmagórico que um fantasma! E isso deixará o corpo infestado até que façam alguma coisa com relação a isso. Agora, a maior parte do problema não está no tédio mas no medo, no medo que provém da incerteza. Isso gera tédio. Que será do amanhã - não sai da mente da pessoa. Quanto mais procurarmos erradicar isso, mais isso se mantém.

Anita: Por pensarmos nisso?

Exactamente. Quando dizemos: "Vou tentar fazer isto ou fazer aquilo, nós quase sempre não o fazemos ou realizamos, porque ao continuarmos a acreditar que estamos a tentar, acreditamos que existe uma condição negativa que necessite ser corrigida o que não é o caso. A condição negativa não está nisso, mas em nós. Quando compreendermos que não existe coisa nenhuma negativa por si só, mas que não passa do que acreditamos que seja, então em vez de tentarmos fazer alguma coisa, nós fazemo-la. Deixa de haver qualquer tentativa relativamente a isso. Agora qualquer esforço ou tensão leva-nos a despender energia ou quando usamos um tipo de força contra uma coisa aqui, esta coisa aqui começa a usar a força contra nós. Sempre cria uma força igual e contrária. Está a entender?

Anita: Estou.

Pois. É por isso que o grande Mohandas Gandhi na Índia percebeu que criar uma guerra em prol do que queria equivalia a instaurar mais do que violência. Violência. Mas ele sabia que a violência produz somente violência, pelo que ele nada fez. Ele esqueceu o negócio ne deixou que a vida fizesse como entendia. UM homem muito esperto, muito esperto. Ao abrir mão daquilo e deixar que a vida tratasse disso, ele conquistou para a Índia uma grande porção da sua liberdade da escravidão que o povo Inglês lhe impunha. O homem crê precisar usar a força para obter aquilo que quer. Isso é uma enorme falácia.

Quanto à sílaba Ohm. A única vez que dela faço uso é quando me sento em meditação, e ao faze-lo, digo para mim próprio: "Ohm, Eu sou isso, isso sou eu, Ohm - Tat tat sat. Tat Sat Ohm. Eu sou aquilo que sou. Eu sou a realidade." Use este mantra quando se sentar a meditar. Não peça por nada.

Anita: Não, em meditação não devo fazer qualquer pedido.

Não, escute, escute.

Anita: Eu tenho vindo a escutar. Na minha opinião, não sei se terei razão, sintonizo um timbre realmente monótono que flui continuamente. Começou como um código morse, verdadeiramente rápido. É o mesmo timbre, só que foi interrompido e agora parece mais uniforme. poderá isso ter que ver com um dos raios . . . . . . .

Não. Quando começamos a sentar e somos sérios sobre o que estamos a fazer (e por sérios quero dizer aplicar a nossa consciência ao que estamos a fazer) quando começamos a meditar assim, a primeira coisa que irá acontecer-nos é ouvirmos vários tipos de ruídos. Agora, que ruídos serão esses? Isso é o vosso eu psíquico inferior, a vossa própria psique a criar os ruídos. Esse é o aspecto inferior do eu, o aspecto emocional. Ele procura distraí-los no que estão a fazer.

Anita: O corpo mais baixo do ego?

Exactamente. Agora, quererá procurar afastar-se disso; não o combata nem repudie, mas também não lhe preste qualquer atenção.

Anita: Eu não lhe prestei demasiada atenção, mas ouvi-os.

Pois, e poderá ouvir ainda outros sons. Por vezes aquilo que em Inglês chamam de estalidos.

Anita: Ah, pois, eu sei.

Mas isso é o aspecto emocional a tentar impedir que se eleve acima dele. Agora, essa é a mesma força que procede do corpo de uma criança quando o que chamam de actividade poltergeist tem lugar. Mas nem sempre do corpo da criança. Também pode proceder do corpo de um adulto. Bom, isso é a energia emocional do sistema nervoso que por vezes é chamada de energia sexual ou kundalini. Distancia-se do corpo e provoca todo o tipo de ruídos, origina fogos, desloca as coisas em volta e todo o tipo de idiotices.. É somente a energia emocional mais baixa  a procurar distrair a pessoa.

Anita: Yada, ouvi falar tanto na meditação algum tempo antes de começar realmente a praticá-la. Comecei inicialmente a meditar depois de ter estudado consigo e ter dito que pensava poder ser uma coisa boa. Asi foi quando comecei. Quero manter a minha mente ocupada. Sinto que uma expansão mental seja devida. Juntei-me a uma escola, de que já terá ouvido falar, sob a tutela do Mestre. (A Anita pede a Yada para a tratar por Anita em vez de senhora. Yada fala acerca do nome e interroga se terá origem Espanhola)

Por vezes torna-se difícil pronunciar o vosso Inglês.

Anita: Eu sou de origem Alemã. Não queria distraí-lo em relação àquilo que estava a dizer, mas. . . . . .

Pois, fala Inglês muito bem. Está há muito tempo neste país?

Anita: Há muito tempo, há 26 anos.

O marido encontra-se aqui.

Anita: Está mesmo aqui, mesmo aqui.

Com está, senhor?

Sr. G. Estou óptimo, óptimo.

É muita amabilidade da sua parte permitir que venhamos a sua casa. Estamos profundamente agradecidos por todo o trabalho que o senhor e a sua esposa têm feito, porquanto sem os esforços altruístas de gente como os senhores, não seríamos capazes de chegar ao vosso mundo e actualmente o homem está bastante necessitado, por o mundo estar rapidamente a crescer e aqueles que não conseguirem acompanhar tal crescimento serão deixados para trás.
Vejamos o grande território que chamam Austrália. Sabem como se chama aquele povo de lá, os bosquímanos? Chamam-se aborígenes. Representam o fim de uma grandiosa e maravilhosa raça de gente. Não são selvagens nem nunca foram. São a extremidade final do que foi outrora uma grandiosa raça de gente. Aqueles que vêm hoje são aqueles que recusaram prosseguir.

Anita: Isso suscitou-me uma ideia acerca dos antigos povos do Tibete - como é que lhes chamam? Homens das neves. O meu marido Alfred leu um livro do Lobsang Rampa que falava do abominável homem das neves, etc.

Sim, eles existiam no meu tempo na civilização de Yuga. Foi aí que arranjamos o nome original para aquele grande vale que foi descoberto por um indivíduo de nome "Ne sepni." Esses seres a que chamamos Yuga significam vastos corpos. Eles possuíam corpos muito grandes. Hoje, não são assim tão grandes.

Anita: Não tão grandes, mas maiores do que nós.

Sim, gente muito grande, mas que habitava nos montes. Agora, no meu tempo esses seres eram muito mansos, muito afáveis e inofensivos. Eram sub-humanos. Ainda o são, até mais sub-humanos do que eram, por não terem afecto por ninguém exterior à sua própria raça.

Anita: Teriam inclinação para serem perversos?

Ah muito, muito. Agora, quando essa civilização foi descoberta, da qual sou originário, esses seres, alguns dos quais iam dos dois aos três metros de altura, eram enormes, pesados e tinham um pelo comprido aloirado, e as mãos deles eram mais compridas que as dos humanos. Tinham rostos muito semelhantes aos dos seres humanos, mais parecidos com os dos homens do que com os dos macacos, mas ainda assim uma ligeira semelhança com que vocês hoje chamais de macaco, o símio, e tinham o topo do crânio saliente aqui, sobreposto deste modo (demonstra). Mas eram muito mansos e foram domesticados pelos descobridores do vale e inicialmente ajudaram as pessoas a construir e levaram a civilização a crescer e depois o homem escravizou-os.

Anita: Yada, esta noite vem um indivíduo, e ele irá ser daqueles que alega ter existido nessas montanhas. Ele é médium. A certa altura quando se encontrava em transe, um desses seres falou através dele. Inicialmente parecia muito. . . . .  Começou por falar no seu idioma Yu mas depois tentou tornar possível utilizar o Inglês, por meio do emprego de formas-pensamento e contou que tenha havido um cruel esclavagismo, etc.

Exactamente, mas eles conseguiram sobreviver, muitos deles, mesmo assim. Eles não morriam mas tornavam-se muito tímidos e temiam as pessoas. Mas aí, pouco a pouco, por causa das enormes privações que sofreram, tornaram-se cada vez mais perversos e selvagens nos seus modos. Mas eram suficientemente humanos para praticarem diversas formas de prática religiosa e ainda o fazem.

Anita: Será verdade, Yada, que num momento ou noutro chegaram a sequestrar e raptar mulheres?

É, e mataram os homens e por vezes praticava o que chamam de estupro nas mulheres e aí, caso a mulher sobrevivesse, tomavam bem conta dela, só que os resultados desse acasalamento não eram lá muito bons. Eram um pouco mais humanos, sem dúvida, mas ainda comportavam todos os instintos selvagens dessas coisas – ou seres.

Anita: Na noite passada o Mark estava a ler um dos meus livros e ficou surpreendido com um despenhamento que ocorreu com um avião no Tibete ou nas montanhas por lá, e quis que a Irene perguntasse sobre isso.

Irene: Ele disse que no livro, o cockpit, onde o homem se senta a operar o avião, que era tudo sangue, o que revelava que essa gente se feriu, no entanto não havia um osso, nada que tivesse sido deixado no avião ou nos arredores que revelasse que as pessoas tinham morrido. Não restava nada excepto as pessoas e o Mark queria saber o que poderia ter acontecido a essa gente. Levava cerca de 30 ou 34 passageiros, creio bem.

(Yada fala com Kethra, seu mestre) Não acho que seja sensato eu revelar-lhes. Direi que é demais para o sistema nervoso. Não é boa ideia eu falar nisso. É demasiado – que é que lhe chamam, terrífico, pelo que prefiro não revelar.

Anita: na noite passada fiquei com a impressão de que. . . . Importa-se que diga alguma coisa? (Não, faz favor) Talvez eu não devesse., mas tive a impressão enquanto o Mark estava a ler, de que até mesmo após os corpos estarem mortos eles foram levados e a sua carne foi usada.

Tens razão, tens razão, mas eu não gosto de fazer esse tipo de coisas.

Anita: Mas Yada, chegamos a saber, e ouvimos tanto e estudamos um bocado, que a nossa presença aqui nesta sala neste momento não pode ser muito perturbada pelo que sucede.

Por vezes há seres no vosso mundo, ou mesmo fora do vosso mundo. . . .

Anita: Etéreos?

Bom, eles não são todos do tipo bom que conheceis mas extremamente perversos. Perversos por não entenderem o que a perversidade significa. Para eles não é perverso mas natural. Mas bem, deixem que diga o que o Mark estava a ler na noite passada, eles (os tripulantes do avião) não foram além do alcance daquilo em que pensavam estar, ou onde deveriam ir, mas verificou-se uma alteração na dimensão. Ficaram aprisionados nessa dimensão diferente e presenciavam terra num outro mundo, não no mundo onde se encontravam. Talvez lhes fale disso esta noite. Talvez tenham interesse.

Anita: Sim, Yada, quer-nos recordar ou quer pensa nisso?

Talvez fosse melhor um de vós interrogar-me. Ajudaria as pessoas a entender aquilo de que falo.

Irene: penso que seja bom, por ter sido publicado em muitos dos nossos jornais. Creio que seria formidável. Sabes, Yada, por vezes acho que a explicação dessas coisas seja melhor do que deixar as pessoas a interrogar-se. E correm por aí tantas ideias novas por estes dias, não acho que seja sensato deixá-las na dúvida.

Anita: E com respeito àquele barco que desapareceu no porto de Nova Iorque? Que simplesmente desapareceu sem como nem porquê, simplesmente se desvaneceu. É incrível que as pessoas não saibam patavina acerca disso.

Mas tu estás a ver, se os vossos cientistas soubessem alguma coisa a mais sobre o que é chamado de estrutura do átomo e da real natureza do mundo subatómico, saberiam o que ocorreu em casos como esse.

Irene: Eu gostaria de avançar meu caro, por a senhora. . . . .  nos ter perguntado se poderíamos descobrir alguma coisa sobre essa gente que é suposto falar com ela e na semana seguinte simplesmente desaparecerem, sabes, eu certa vez mencionei-tos. Terás descoberto o que se passou? (descobri) Pois, eles eram para vir de avião. Terás sabido o que realmente terá acontecido a essa gente. Uma dessas senhoras deixou duas meninas pequenas em Londres. Mas nada poderá ser feito nem vendido sem se saber. Quero dizer, eu podia ir junto das autoridades e dizer. “Esta é a verdade.”

Pois, para onde foram? Para onde começaram a ir?

Irene: Bom, eles disseram que gostariam de voar até Palm Springs – onde tens estado connosco, e que de seguida iriam procura-los. Mas uma das senhoras disse que seria divertido ir até à fronteira, mas que seria muito difícil obter as autorizações. Mas essa foi apenas uma ideia peregrina. Eles não faziam intenção de voar até lá só que partiram do aeroporto de Los Angeles e não chegaram a aterrar em Palm Springs. Bom, é um voo muito curto, sabes.

Muita tem sido a gente que tem desaparecido bem por cima da vossa cabeça! Vocês habitam muitos mundos em um só. Há muito a aprender sobre a vida.

Irene: As moças foram deixadas à míngua por as propriedades da mãe não poderem ser tocadas até que descubram o que lhe aconteceu. Ela deixou as duas meninas em Londres, encalhadas.

Há quanto tempo estão eles desaparecidos?

Irene: Foi há um ano atrás.

Deseja dizer alguma coisa?

Anita: Sim, eu desejara dizer antes que estamos muito agradecidos por todos estes ensinamentos que nos estão a chegar de tal modo que os consigamos compreender. Por vezes interrogo-me de como o poderemos ter tornado possível, ou se seria possível ter diferentes canais, ou se nos poderia dizer onde encontrar diferentes canais onde possamos obter ensinamentos semelhantes.

Estão a ver, este trabalho foi concebido para ter início em 1945. Não foi muito depois disso que teve início

Irene: Mas por essa altura estavas a desenvolver o Mark.

Pois, mas este é um trabalho especialmente dedicado a esta altura. Num período posterior não mais será necessário, por outra mensagem ser criada para esse período. Mas nós do Círculo esperamos ter criado na vossa Terra uma escola onde os homens de toda a parte possam vir e aprender sobre as coisas de que estão a agora a falar. Em 1945 o homem iniciou a jornada do que é chamado evolução mental. Ele completou a sua evolução física, por o corpo físico não vir a tornar-se mais complexo do que é actualmente. Só que virá a tornar-se menos e menos à medida que tempo passar e tornar-se-á cada vez mais mental. E isso teve início em 1945. O homem, os cientistas não sabem, mas assim que descobriram a bomba atómica e como dominar a matéria dessa forma, descobrir as energias que encerra, isso tornar-se-á numa nova dispensação para o mundo do género humano.
Meus respeitáveis amigos, por precisar vigiar o corpo deste homem (Mark), vou-me retirar. Meu respeitável amigo, (Alfred) homem da casa, conversaremos novamente consigo.

Tradução: Amadeu António