terça-feira, 19 de setembro de 2017

ROSS PETERSON - INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS



O INTÉRPRETE DE SONHOS
“Os Sonhos,” disse Sigmund Freud, o pai da psicanálise, “constituem a estrada real para o inconsciente.”
Um sonho é uma mensagem transmitida de nós para nós próprios; desde os recessos mais recônditos da mente para o nível da consciência. No passado, os sonhos foram considerados visões provenientes dos deuses, revelações divinas, ou mensagens provenientes dos espíritos (quer boas ou más, dependendo do sonho se mostrar reconfortante ou aterrorizante). O que quer que eles acreditassem com respeito à fonte dos sonhos, muitas das antigas culturas eram surpreendentemente sábios na interpretação que faziam. Além disso, alguns chegavam mesmo a programar os sonhos, uma arte que foi redescoberta apenas nos tempos modernos.
A hipnose, por exemplo, pode ser usada para induzir sonhos. Caso o hipnotista diga ao sujeito que se encontra em transe: “Esta noite terás um sonho que lançará luz sobre o problema que estás a viver, e lembrá-lo-ás de forma vívida,” o sujeito terá um sonho desses e recordá-lo-á.
Bom; a hipnose parece ter tido origem no “sono do templo” no antigo Egipto. Os doentes faziam peregrinações aos templos cujas divindades patronas eram conhecidas em especial pelos poderes de cura que tinham. Os sacerdotes ordenavam ao peregrino enfermo para passar a noite dentro das paredes do templo. Era-lhe dito – sem dúvida, por meio de sugestão hipnótica – que durante o sono o deus do templo lhe apareceria numa visão e lhe traria a cura. Assim, durante o sono, com mais frequência o peregrino experimentava uma visita da parte do deus num sonho vívido e acordava curado.
No Velho Testamento, José ficou famoso pela habilidade que tinha em interpretar os sonhos proféticos. E no Novo Testamento, diz-se que a mulher de Pilatos lhe rogara para não ter nada a ver com “este homem justo,” Jesus, em relação a quem ela se sentira bastante apoquentada nos sonhos que tinha.
A ênfase nos sonhos continua na moderna psicologia. O psicanalista, em especial, considera-os um meio inestimável de revelar conflitos internos ocultos, tensões e pontos fortes.
Ross Peterson parece ser um verdadeiro mago na interpretação dos sonhos. Ele recomenda vivamente que as pessoas aprendam a recordar e a descodificar os próprios sonhos. Tal aptidão, diz ele, pode representar um passo importante na estrada para o desenvolvimento espiritual e psíquico. No realce que faz quanto ao valor da análise dos sonhos para um desenvolvimento pessoal, Peterson faz ecoar de novo o seu mentor, Edgar Cayce, que revelou o mesmo dom estranho no deslindar dos segredos dos nossos cenários sonambulísticos. Porque adoptam os sonhos a forma de símbolos? Porque não serão eles comunicações simples e directas da mente inconsciente? Se é assim tão importante que recebamos essas mensagens de nós para nós próprios, porque será a mensagem comummente tão difícil de descodificar?
Bom, as “leituras” de Peterson afirmam que os sonhos constituem a língua nativa da mente inconsciente, que se expressa por intermédio de símbolos. Eles representam para o inconsciente o que as palavras representam para a fala. Além disso, os símbolos servem para comprimir uma rica diversidade de sentido numa coisa pequena (um símbolo vale por mil palavras). Mas mais importante, os símbolos oníricos exigem que reflitamos neles antes que o seu significado se torne claro. Bom; tal processo de reflexão constitui um período de incremento gradual da compreensão de nós próprios. Assim que chegarmos a perceber o que o sonho está a dizer-nos estaremos preparados para o aceitar.
Algumas das mensagens comunicadas pela mente profunda seriam traumáticas ao nível consciente caso fossem proclamadas de forma abrupta. As mensagens são veladas por símbolos por o tempo e o esforço necessários para as despir dos véus nos capacitar a crescer psicologicamente o suficiente para tolerarmos os significados dos sonhos. Caso contrário poderiam destruir-nos.
“Os teus sonhos,” disse uma leitura de Peterson, “só te darão o que conseguires suportar no momento; nem mais nem menos, entendes?”
De acordo com as leituras de Peterson, os sonhos podem assumir um significado mais vasto do que a mensagem proveniente do nosso inconsciente privado. Por vezes carregam insights proveniente do banco universal da consciência, “daquele mar imortal” de sabedoria que presumivelmente é a Fonte das Leituras. “Muitas vezes nos sonhos,” declarou uma leitura, “a mente e a alma da entidade abandonam o corpo físico e buscam os níveis de consciência necessários onde o conhecimento necessário se acha alojado. O problema está em que, quando se verifica a reunião de corpo e alma, muitas vezes aquilo que é dado pela mente mais vasta é esquecido. Mas não há sonhos que sejam inúteis, entendes? Tu nunca terás conhecido nada de importante na tua vida que não tenhas sonhado, primeiro. Poderás não te recordar, mas seja como for tê-lo-ás sonhado.”
Aqui estão alguns históricos de gente que levou os seus sonhos a Ross Peterson que acharam ser significativos mas que não conseguiram interpretar. Em transe, Peterson desvenda-os de uma forma que inclui, ao mesmo tempo que transcende, os insights do Freudianismo.
“Porquanto os sonhos habitualmente referem a mente da alma,” disse uma leitura. “E caso a psicologia não reconhecer isso, a interpretação que fizer dos sonhos ficará aquém de toda a verdade.”
Uma consultante era uma jovem de Los Angeles, inteligente, uma activista política, atormentada por dois sonhos que tinha tido.
“Apresenta-nos os teus sonhos,” disse o vidente em transe. Seguiu-se um fascinante pas de deux em que o sonhador e o intérprete interagiram numa coreografia psicológica complexa. Peterson achava-se no passo perfeito com a mulher enquanto ela narrava os seus sonhos. Era como se ele se encontrasse dentro do sonho com ela. Vejam o que quero dizer. . .
A mulher começou a descrever a cena: “Eu sonhei que fosse suposto eu conseguir um quarto de hotel e um advogado. Essa era a minha missão. Eu encontrava-me em frente a um hotel. Era noite e as luzes do interior resplandeciam pelas vidraças das janelas. Era um hotel à moda antiga. Tinha um alpendre no segundo andar que se estendia para fora, assente sobre pilares robustos...”
“Estou a entender,” interrompeu Peterson, “que no seu conjunto o hotel tinha três andares... Pois... Prossegue.” A mulher ficou obviamente surpreendida com a antecipação do que estava para dizer, e vacilou no resumo que tentou fazer da narrativa.
“Nós iremos dar-te o que te foi dado,” propôs Peterson a essa altura. “Conduzir-te-emos por esse sonho como nos conduziste a nós.”
“Antes de mais, o hotel representa aquilo que constitui uma morada temporária, não será? Já que o que tu estás a fazer, ou a contemplar fazer nesse teu corpo, nesta altura, provar-se-á temporário. A missão que tens de encontrar alguém de autoridade na interpretação da lei tem um sentido duplo. Antes de mais, em que consiste a lei? Quem é o donatário da lei? Não estarás tu realmente em busca dele? O segundo sentido é o de que a lei, e a interpretação e aplicação da mesma, é importante para ti neste altura, e tu serias competente quanto a essa interpretação e aplicação, estás a ver?
“O segundo andar do hotel do teu sonho significa aquilo que é conhecido como subconsciente. O primeiro andar representa o consciente, a existência física. O segundo andar, onde a entidade procura um quarto no sonho, é mais elevado do que o nível da existência material. O que quer dizer que a entidade busca conhecimento do inconsciente que não se encontra disponível ao nível consciente.
“O terceiro andar do hotel, que tu não atinges neste sonho, representa o supraconsciente; ou a essência do próprio Espírito; as forças criativas que subjazem a tudo quanto existe; a própria Divindade. Quanto às luzes no hotel, elas representam o conhecimento. Em essência, todos os homens representam luz e não escuridão, por derivarem da Divindade, a qual é luz pura. As colunas em frente ao hotel eram quatro no total” – a mulher de novo surpreendida confirmou no que ele disse – “quatro, o que representa as quatro dimensões do homem: fogo, ar, terra e água, que simbolizam o equilíbrio, entendes? Prossegue.”
“Bom, disse a mulher, com a voz instável, “Eu fui ao hotel mas apenas quando amanheceu. Fiquei a noite toda no exterior e observava as pessoas a entrar. Só me recordo de homens, embora possa ter havido mulheres, mas não estou certa...”
“Isso,” interrompeu Peterson, “deve-se ao que se encontra por resolver em ti. Por a dificuldade que tens ser com o sexo oposto, não?”
“Bom... eu sinto um conflito em relação à minha feminilidade,” confirmou a mulher. “De qualquer modo,” continuou ela após uma pausa pensativa, “recordo o homem que se encontrava à porta. Ele rondava os cinquenta e tanto. Pareceu-me que ele tivesse cabelo grisalho e uma face acinzentada. Tinha a função de conduzir a pessoa ao interior e de todas as vezes dizia a um homem que viesse em busca de um quarto se gostaria de ter a companhia de uma jovem para passar a noite. E de seguida entravam. Pela manhã o sol brilhava e eu dirigi-me à porta. O homem tratou-me do mesmo modo, e perguntou-me a mesma coisa ao que eu respondi: “Bem sei que se encontra fatigado, mas já terá reparado em mim?” Ele não respondeu, de modo que eu disse: “Bom, se me vai fazer isso, faça o favor de aguardar pela noite,” mas ele não respondeu. Eu segui-o até ao interior e para um lado do edifício através de uma porta...”
“Para o lado esquerdo do edifício,” interpolou Peterson, num tom prosaico.
“Sim, sim – em direcção ao lado esquerdo, exactamente. De qualquer modo, subimos uma escada íngreme parecida com uma escada de serviço. Chegados ao segundo andar e passamos uma porta e chegamos a um corredor muito agradável e ele levou-me até a um quarto à frente do edifício – parecia ser mais de um quarto – que dava para uma varanda. E ele desapareceu. Eu fui e explorei a varanda. De seguida regressei e telefonei à Mildred Varonne, que é a mulher para quem eu trabalho. Eu edito livros para ela.”
A esta altura Peterson interrompeu-a: “A importância deste sonho, da segunda porção, é verdadeiramente simples. Não prostituas os teus princípios por ninguém, estás a ver? Porque, quando sobes ao segundo andar, que representa o subconsciente, isso revela-te em que consiste a fonte interior do poder, estás a entender? E ao voltares à esquerda após teres entrado no edifício revela que esse poder interior devia ser aplicado a um problema que tens no lado físico desta vida. Subir a escada íngreme mostra o esforço que precisa ser feito para alcançares a fonte do poder interior.
“Bom; em todos os teus sonhos, sempre que utilizas o telefone, um jornal ou um livro, isso representa uma mensagem para ti própria. Assim, precisas perguntar a ti própria. Como poderei interpretar melhor a chamada que fiz? Aquela a quem telefonaste no teu sonho – que sentes em relação a ela? Por essa pessoa ser somente uma extensão da tua personalidade. E aqueles traços que admites nela são teus e tu os manterás teus.”
“Bom,” disse a mulher, ao enrugar verbalmente a testa, “ela encontra-se uma posição de autoridade em relação a mim... Vou ter que pensar nisso... De qualquer modo, eu disse-lhe que tinha arranjado aquele quarto. Ela aprovou o sucedido e desligou o telefone. Voltei à varanda. Estava arejado, agradável, ensolarado...”
“O que descobres tu na briza?” perguntou Peterson. Mas, como a mulher hesitasse, ele prosseguiu: “A brisa representa o próprio Espírito. O sol representa, uma vez mais, a luz. Em que consiste a luz? A luz é energia. Tudo é luz. Deus é luz, entendes?
“A luz é derramada sobre ti. O perigo, conforme nos é dado ver, está em que não deverias prostituir os teus princípios temporariamente, independentemente do que possas ser tentada a chamar às circunstâncias. A lei que figura no teu sonho é a lei determinada pelo Mestre – a de colherem aquilo que tiverem semeado – e é toda a lei que se aplica ao amor. Não existem injustiças nesta dimensão física. A sério. Todos nós somos o resultado final da lei. E tu tiveste este sonho por te encontrares tentada a comprometer os teus princípios a fim de obteres um maior contentamento, digamos.”
“Hmm,” murmurou a mulher, após o que fez uma pausa a reflectir. A seguir prosseguiu. “Havia uma máquina, ou uma roda, ou uma grande massa redonda, feita pelo homem. Era escura...”
“Era a roda da vida,” interrompeu Peterson, “e é feita pelo homem. O número de raios que tiver, que representam o número de vidas que a entidade experimentará antes de regressar à Divindade, depende de como cada uma utilizar o seu poder de escolha. A roda pode conter tão poucas quanto trinta vidas, como pode conter 360 000 vidas, dependendo de como exerceres a tua vontade, o poder da escolha. Por esse ser um dom dado por Deus, estás a ver?”
“Sim, sim,” balbuciou a mulher excitada, “é exactamente aquilo que era – escolha minha. Lembro-me agora de pensar isso enquanto estava a sonhar. E havia cinco homens...”
“Esses são os teus cinco guias,” disse Peterson. “Se ao menos os invocasses, eles ajudar-te-iam a descobrir aquilo de que precisavas na altura, vês? Eles poderão ser chamados de anjos por alguns. O seu número, cinco, também indica o que está para ser a qualidade da tua vida – a qual com efeito está para ser venturosa, na parte mais tardia...”
“Bom,” disse a mulher, “eu pensara que uma das opções que eu tinha seria a de escolher um advogado, mas de entre esses cinco nomes – não me recordo daquilo que eles eram – eu tinha que escolher um. Eu decidi que nenhum deles era meu advogado por ele ser uma mulher...”
“Tu não precisas fazer a escolha de entre esses,” disse Peterson, “por te estar a ser dito que isso faz parte da tua personalidade. Por os aspectos masculinos representarem o positivo, não será? E os aspectos do feminino, o negativo, não será? Há uma certa qualidade masculina a teu respeito, não na tua aparência mas com respeito aos pensamentos e aos sentimentos. Mas nós repetimos: A mensagem deste sonho está em que não deves permitir que os outros te conduzam para fora dos princípios que tens; despejar-te conceitos pela tua goela abaixo que não são teus.”
“O meu outro sonho mais recente,” prosseguiu a mulher. “Tinha muitas partes. Eu fiquei surpreendida mas tudo... Creio que terei ficado preocupada com o relacionamento que tive no meu sonho.”
“Uma extensão da tua personalidade,” interrompeu Peterson.
“Bom, havia aquela mulher que eu conhecia. Ela nunca chegou verdadeiramente a exibir afecto excepto por um homem...”
“Tu achas isso ofensivo ou agradável?” perguntou Peterson.
“Bom... eu quisera que ela fosse mais aberto comigo. Eu realmente gostava dela. Nesse sonho eu...”
“O teu subconsciente está a dizer-te a mesma coisa sobre tu própria,” disse Peterson.
“...bom, ela beijou-me” disse a mulher num tom tipo “toma lá.”
“Óptimo,” disse Peterson, “se tu gostares dela. Tu estás a beijar-te a ti própria. Um problema aqui é que tu estás muito preocupada com o que é chamado psicologia. Bom, a psicologia é boa, mas a menos que reconheças o factor espiritual no homem... Nem tudo é sexual. Nem tudo é um símbolo dos genitais. Tu, com efeito haverias de te sentir culpada por beijares alguém do mesmo sexo se isso envolvesse o desejo carnal, mas este beijo no sonho não tem nada que ver com as aspirações sexuais...
“Bom, estamos cientes de que gastaste duas encarnações imediatamente anteriores como homem, de modo que haverá algumas mulheres por quem te sentirás sentir atraída. Mas pensar nisso e consumá-lo são coisas completamente diferentes, não serão? Esses sentimentos são normais para todos. Mas poucos o admitiriam. Contudo, é verdade, não obstante. Tu não sentes atracção sexual pelas outras mulheres, no verdadeiro sentido, acredita no que te estamos a dizer.”
“Ainda assim,” vacilou a mulher. “Há uma mulher que eu creio amar...”
“Jamais há qualquer pecado no amor,” Peterson afirmou. “Porém, no teu caso haveria pecado com relação ao amor carnal com uma outra mulher por essa não ser a tua verdadeira natureza. Os sentimentos que tens por essa mulher são fundamentalmente da alma. Os sentimentos que ela tem por ti, já poderão ser carnais.”
“No entanto,” disse a sonhadora, “esta outra mulher deseja viver comigo, e ambas planeamos viver junto com um homem.”
“Isso irá fracassar,” afirmou Peterson. “Irás descobrir a tua verdadeira natureza sexual a manifestar-se no ciúme que virás a sentir pelo homem. Não confundas o amor da alma com o amor da carne. O que tu sentes por essa mulher é amor da alma.”
Recapitulando em resumo desta bastante extensa narrativa do sonho: Peterson disse a essa mulher, que claramente tinha estado perturbada com respeito à identidade sexual que teria e com as fortes atracções ocasionais que sentia pelas outras mulheres, que o caso dela esses sentimentos constituíam expressões idealizadas de um amor espiritual e não manifestações de um lesbianismo suprimido. A experiência de vivência com a outra mulher (que poderá ter tido a parte mais forte da iniciativa) e o homem numa espécie de ménage a trois bissexual, não iria resultar, dissera Peterson. A verdadeira preferência sexual da mulher – por homens – afirmar-se-ia fortemente. Ao entrar nesse experimento, preveniu-a o vidente, ela estava a comprometer os seus próprios princípios. Era isso que a sua mente inconsciente lhe estava a dizer.
O seguimento que esse caso teve foi interessante. Mais de um ano após a leitura, a jovem mulher escreveu a Ross Peterson a dizer que o que ele previra tinha sido exacto. O experimento numa convivência bissexual tinha fracassado. A sua heterossexualidade tinha vencido. Agora, dizia ela, ela sentia-se tranquilizada com respeito à sua sexualidade básica e sentia-se confortável sabendo que as fortes atracções que sentira por outras mulheres eram sintomas de um amor ideal, e não de um amor sexual.
A preocupação que a mulher tinha pelas questões da identidade sexual tinham-se evidenciado no seu primeiro sonho, quando ela narrara como o homem do hotel lhe tinha oferecido uma jovem mulher bonita com quem passar a noite, tal como fazia aos homens. E a resposta que ela dera tinha sido significativa: que ela aceitaria a oferta porém não até àquela noite. Isso presumivelmente indicava que relações sexuais com uma mulher estavam associadas na sua mente inconsciente com a escuridão, e não com a luz.
No relatório seguinte, a jovem mulher alongou-se em considerável detalhe sobre a interpretação que Peterson fizera do telefonema que ela fizera para a patroa no sonho. Peterson, conforme se lembrarão, tinha dito que aquela mulher mais velha representava pontos fortes que faziam igualmente parte da personalidade da sonhadora.
“Por altura do sonho e da interpretação da leitura,” escrevia a jovem mulher, eu não apreciara o quanto eu admirava a minha patroa e quantas qualidades positivas, que também esperava fossem minhas, via nela. A mulher tinha-se aposentado e andava muito deprimida. Ela encontrava-se sozinha no mundo. Contudo, as suas realizações enquanto escritora e editora tinham sido enormes. Ela era uma pessoa modesta, contudo uma pessoa de elevados princípios que tinha trabalhado pelas liberdades civis, o teatro comunitário, e muitos grupos comunitários tais como The League of Women Voters. Antes mesmo de morrer apresentava uma aura de resignação e de paz ao seu redor, como se estivesse preparada para desistir desta vida e passar para a seguinte. Deixou instruções para as amigas antes de morrer, tudo muito bem pensado, com ela sempre fora.
“Não solicitara qualquer memorial. Contudo, duas semanas mais tarde cinquenta pessoas que a tinham conhecido ou trabalhado com ela juntaram-se em sua honra e muitas testemunharam as experiências benéficas que tinha sido estar com ela.”
No sonho, recordem-se, essa muito admirada mulher tinha aprovado o quarto no segundo piso – por outras palavras, o que o inconsciente dela lhe estava a dizer para fazer – e isso representava o que as boas qualidades da sonhadora também estavam a ditar.
Este longo e complexo exemplo de como Ross Peterson, em transe, desvenda o emaranhado dos sonhos é típico. Contudo, Peterson não é psicanalista nenhum, lembrem-se. Ele não passa horas a fio a conduzir o sonhador pela livre-associação até ser capaz de descodificar o complexo simbolismo do sonho. Ele simplesmente intui o significado – tal como intui as enfermidades físicas, as situações ed vida, e, ocasionalmente, eventos futuros.
Voltando à matéria do simbolismo sexual patente nos sonhos, uma consulente perguntou a Peterson: “Quais serão as implicações espirituais da masturbação e da homossexualidade de homens e mulheres em sonhos?”
Peterson respondeu: “A masturbação no sonho demonstra uma pessoa que se satisfaz a ela própria. A homossexualidade demonstrará o que é evidente em todas as almas, que é tanto masculina e feminina. Frequentemente, sonhos do que vocês haveriam de designar por homossexualidade são apenas um toque da mente da alma, à medida que ela ecoa a bissexualidade da alma. Por vezes tais sonhos podem estar directamente relacionados com a homossexualidade no sentido físico, mas somente por vezes. Depende da pessoa...”
Um homem de meia-idade, descontente com a sua vida, perguntou a Peterson o significado do seguinte sonho:
"Eu encontrava-me numa loja de ferragens imensa que tinha montes de diferentes tipos de materiais. O telefone tocou e eu atendi-o - o que representou uma coisa inusitada de fazer, mas eu fi-lo - e uma voz disse: "O grande reboque foi-te dado."
"Eu parecia entender o que isso queria dizer. Mas então surgiu o meu irmão e disse; "Que é que vais fazer com esse enorme reboque?" E eu disse: "Creio que vou encontrar um homem que necessita dos serviços desse reboque e engatar-lhe a carrinha dele e usá-lo no seu serviço."
Peterson interpretou o sonho assim:
"Aquilo que designaste por loja de ferragens é a tua consciência, vês? E que é que esse equipamento contém? Todos os utensílios de que necessitas para construíres o que desejares construir - uma vida mais contente e satisfatória. O telefonema representa uma mensagem proveniente da mente da tua alma para a tua consciência. O que te foi oferecido foi uma nova forma de vida, não será? A casa móvel é uma transição que está a ter lugar na tua vida, não será?
"A resposta que deste à pergunta do teu irmão - de que irias engatar o teu atrelado à traseira da carrinha de mais alguém - indica a maneira a que tens estado habituado a mover-te ao longo da vida: a reboque de mais alguém. Mas o sonho teve mais do que tu recordaste. Porque a carrinha tinha pouco combustível e isso para ti representava uma preocupação. Contudo, de onde, em verdade, recebes tu o teu combustível, as tuas energias? Não as receberás das próprias forças criativas; de Deus, que tanto é passivo quanto benevolente?
"Conforme no é dado ver, este sonho ser-te-á útil na compreensão de ti próprio. Trabalha com aquilo que tens à mão, por teres tudo quanto necessitas para construir uma vida melhor se te deres ao trabalho de o examinar e usar. Isto aplicar-se-á ao teu lar, ao teu negócio, à tua mente, à tua alma. Não dependas de mais nenhum homem para puxar por ti na vida. Depende da força de Deus que se acha dentro de ti. Por tu seres parte de Deus, à semelhança de todo homem, entendes? E se Deus estiver do teu lado, quem mais poderá estar contra ti?"
Um jovem homem relatou a Peterson o seguinte sonho colorido, um tanto medonho, e certamente paradoxal:
"Na cidade Alemã em que cresci fui condenado à cadeia por um crime insignificante. Tive permissão para sair em liberdade condicional e voltei relutantemente a casa para o cantar a minha mãe. Em vez de compreender, ela pegou numa faca e cortou-me ambos os pés. Num acesso de fúria, eu matei-a com uma faca e senti-me imensamente satisfeito com o acto. O sonho terminou com a minha perseguição por parte da polícia Por fim fui atingido na cabeça e fiquei satisfeito com tudo aquilo."
A interpretação de Peterson:
A cadeia em que foste preso é o teu próprio corpo físico. Comparada à dimensão em que exististe antes de entrares no corpo físico, a vida corporal pode ser vista como uma cilada, uma prisão. E a causa da prisão? Tu com efeito quebraste a lei - a lei perfeita de Deus do semear e do colher. Esse é o propósito da encarnação: resolver problemas e obrigações cármicas. Bom; há alturas em que a alma sente o desencorajamento e busca a libertação, a liberdade condicional, do corpo. Mas isso só sucede quando a alma tiver temporariamente perdido de vista a razão de se encontrar no corpo - para cumprir na perfeição a lei e retornar por fim à Divindade.
"Agora; esse perder de vista do propósito da vida é o que quer dizer ter os pés cortados. Porque sem esse conhecimento do propósito da vida o teu progresso espiritual será dificultado. Será como se tentasses caminhar sem pés. O acesso de raiva e o pegares na faca para chacinar a tua mãe significa o desejo que tens de liquidar essa parte de ti próprio que te bloqueia o progresso espiritual.
"O facto de te veres perseguido pela polícia refere-se à lei, à lei de Deus, à lei eterna. Não existem injustiças no vosso mundo. Tudo resulta do semear e do colher. O facto de seres baleado indica uma vez mais o desejo de matar presente na tua consciência aquilo que é prejudicial ao teu progresso espiritual. Foi por isso que te sentiste satisfeito. Prossegue com o teu desenvolvimento ela compreensão espiritual e tu virás a sentir-te ainda mais satisfeito."
Peterson disse que para além do significado espiritual deste sonho, havia significados secundários.
"Assim," acrescentou, "a faca no sonho pode igualmente ser vista com pertencendo à atitude que tens em relação à partilha do teu corpo físico por meio da manifestação do amor para com o sexo oposto. A incapacidade que tens de partilhar do teu amor físico provoca-te a fúria que sentiste no sonho. E a tua mente subconsciente está a dizer-te para procurares meios de liquidares as atitudes que te impedem de partilhares do amor físico. Procura um apego excessivo pela mãe na tua infância e mocidade."
Uma jovem mulher casada que trilhava o caminho espiritual e do desenvolvimento psíquico e que sentira as próprias falhas de uma forma aguda relatou o seguinte sonho:
"Eu fui de visita a um lar para mulheres dementes, e foram-me mostrados os arredores por uma das directoras, que me disse que mantinham vinte a vinte e cinco mulheres naquele lar. Elas encontravam-se levemente perturbadas e desfilavam ao redor em várias roupas. Quando chegou a minha vez de me ir, não conseguia encontrar a minha carteira; uma das mulheres parecia ter-ma escondido. Procurei-a por diferentes compartimentos, todos eles gastos.
"Mais tarde, dei por mim numa estrada ventosa, um tanto sobre a colina. Via os sinais de trânsito habituais. Enquanto os observava interroguei-me sobre a razão porque não puseram igualmente sinais de aviso por se ver que havia inundações por toda a região rural. A intensão que tinha era a de alcançar uma ponte, que apenas se encontrava inundada em parte, mas antes de o conseguir a estrada no seu ponto mais alto termino abruptamente e o carro e eu mergulhamos na água... para a morte. Da minha parte não sentia pânico. Tudo parecia perfeito. A área a meu lado era verde..."
Ross Peterson interpretou isso como um sonho esperançoso de progresso espiritual.
"Este sonho reflecte a questão que tens colocado frequentemente a ti própria: "Porque serei eu? Porque não farei aquelas coisas que sei que devia fazer?"
"A casa das mulheres dementes revela a pobre fundação, nesta vida, e em algumas das tuas vidas prévias, que estabeleceste para o desenvolvimento espiritual. Por a casa representar a tua consciência, entendes?
"A procura da tua carteira representa a procura da tua sorte, do Deus interior. Mas, uma vez mais, o sonho vem agora por esta ser uma altura no tempo em que te decidiste a procurar Aquele que é encontrado dentro. A estrada ventosa no sonho indica a tendência que tens para vacilares de um extremo para o outro. A ponte representa a travessia - não a ponto que considerarias morte mas a ponto de tu, enquanto alma, teres entrado na carne nesta encarnação. Porque, entende, nascer podia ser interpretado como morrer; e morrer podia ser interpretado como nascer.
"Por altura da travessia, a área verdejante mostra-te que começaste a colheita, que o desenvolvimento espiritual está a ser atingido, que as recompensas cármicas te são devidas. Estás a entender?"
Em muitas das interpretações que Peterson faz se encontra a implicação de que o sonho possui múltiplas camadas, e que o sentido de algumas deriva desta vida, e outras de vidas pregressas; algumas do reino espiritual e outras do lado material da vida. De facto, as leituras de Peterson retractam um sonho como um verdadeiro universo de sentido.
"Aquelas coisas que representam registos desta vida e de vidas passadas, registadas na meada da vida e do espaço, podem ser compreendidas através da aprendizagem da linguagem da alma, que é o sonho.
"Trabalha com aquilo que tiveres à mão; trabalha com o que tens agora; cuidadosamente devota-te ao conhecimento de ti próprio; e colherás naturalmente a safra das sementes que tiveres plantado. O estudo e o significado dos sonhos deveria ser o aspecto mais importante do estudo em qualquer das línguas do homem por ser a linguagem de ti próprio; é a linguagem de ti e do relacionamento que tens com o universo; com a Divindade, estás a entender?"
De acordo com as leituras, a mente inconsciente de cada um de nós é omnisciente com respeito ao que sucede nos nossos próprios corpos em qualquer altura. O inconsciente infalivelmente monitoriza todo processo físico, cada mudança corporal por mais subtil que seja, quer para bem ou para o mal. Um exemplo de um sonho de auto diagnóstico médico provém do próprio Ross Peterson.
"No início de 1976, o sonho que tinha, noite após noite, era o seguinte: Eu percorria um regato e conseguia chegar a uma esquina no regato, uma curva, mas estava tudo entupido com moitas, detritos e entulho. Eu debatia-me como o diabo - com um ancinho de uma vez e com uma enxada de outra vez - para limpar os detritos do cotovelo do caminho do regato por a água estar a juntar-se por trás e ir inundar as coisas e provocar uma enorme confusão.
"Bom; ao mesmo tempo que eu estava a ter este sonho noite após noite, as leituras exortavam-me a fazer uma operação ao estômago. Por fim ordenaram-me a fazê-la ou caso contrário...! Bom, o cirurgião quem e operou disse-me que a razão porque eu tivera tantos problemas - dores e incapacidade de manter a comida no estômago - se devia à região do esfíncter pilórico inferior e a porção do duodeno do meu estômago existir uma massa de tecido cicatricial que me estava a provocar a obstrução que impedia que a comida passasse. Era o que eu acreditava que o meu sonho recorrente referia. Porque invariavelmente uma pessoa sonhará com aquilo que a preocupa no momento. E eu decerto preocupava-me com a minha saúde nessa altura em particular. De modo que isso era o que os meus sonhos reflectiam."
Em transe, o alter ego de Peterson confirma esta máxima: O que os preocupa é o que com toda a probabilidade irão sonhar. Se se preocuparem com as finanças ou necessidades materiais, os sonhos que tiverem serão sobre finanças e necessidades materiais. Se se preocuparem com o sexo, os sonhos que tiverem serão sobre sexo. Se se interessarem no desenvolvimento espiritual, os vossos sonhos tratarão de desenvolvimento espiritual.
Um indício importante, pois, para encontrarmos a chave do nosso sonho passa por buscar na nossa mente por uma resposta para a questão: Com que é que, neste momento da minha vida, me interesso de um modo profundo? A resposta a tal questão diz Ross Peterson, indicará o modo como o vosso sonho deveria ser interpretado: em que nível e em que termos.

SOBRE OS SONHOS E VISÕES

O que é o sonhar? O sonhar é a linguagem da alma, que conhece toda a dimensão e que conversa, comunica e que transfere isso, como haverão de notar, para imagens ou retractos mentais. Para melhor compreenderem, a verbalização ou o que diz respeito aos sentidos auditivos é conhecido unicamente nesta dimensão e apenas nesta dimensão. Um exemplo de como o homem utiliza a linguagem humana, que tanto é constituída pela voz, como a linguagem da alma, pode ser demonstrado pela arte da persuasão humana, num exemplo como o seguinte:
Suponham que houvesse alguém que fosse representante de mercadorias, quer materiais ou da imaginação; quer tangíveis ou não. E suponhamos que tais mercadorias não se na presença desse representante. Entretanto esse vendedor procura transmitir a ideia do serviço que presta ou das mercadorias que vende, ou de uma combinação de ambas, a outra pessoa, ao receptor, ou cliente. O vendedor utiliza a linguagem humana – a voz e o idioma que conhece. Mas na essência, o que ele procura fazer, essa entidade tem em mente um retracto do produto que vende ou do serviço que presta, e procura transmitir esse mesmo retracto à mente do outro na esperança de que o cliente partilhe dos bens que ele tem a oferecer. Mas presume que a voz descreva a imagem mental que tem na esperança de que na mente do outro a imagem se venha a formar na maneira exacta.
Agora, nessa dimensão, assim como na dimensão terrena reina muita confusão, por a suposição de receberem exactamente o que a outra pessoa tenha em mente resultar muita vez no equívoco. Contudo na linguagem na mente – que representa estas imagens mentais, e a transferência de um registo para outra pessoa, de uma mente para outra, a linguagem da alma ganha voz, não por meio de palavras mas pela transferência de imagens mentais – o que constitui aquilo que é conhecido pelo sonhar.
Agora, o homem pensa que o sonhar só se aplique àquilo que decorre quando ele penetra do estado natural do sono, que seja quando esse estado se revela mais profundo. Contudo, se o homem se questionasse e atrasasse os aspectos da própria satisfação, haveria de descobrir que se encontra num estado constante de sonho. Apenas quando a mente consciente é posta de lado e a entidade mergulha no estado natural do sono que se dá uma percepção mais ampla do estado do sonho ou da linguagem da alma. Mas seja como for, é uma constante, entendem?
Pergunta: Porque sonhamos?
É assim que atingem o Espírito. É desse modo que a comunicação tem lugar entre o pequeno “eu sou” e o grande “Eu Sou” se estabelece, assim como com os outros, e convosco próprios. Contudo, a função natural do sonho, quando a entidade mergulha no estado natural do sono a mente consciente é posta de lado e os primeiros sonhos experimentados ao princípio da noite geralmente estão associado à revisão daquilo que tiver sido experimentado durante o dia, ou à revisão daquilo que mais preocupe a entidade nessa altura particular. O sonho contém sempre aquilo que interessa à entidade, por muitas vezes camuflado em simbologia, ou expressado de uma forma emblemática, se encontrar a solução para o problema por que a entidade mostra o maior interesse.
E assim, se alguém estudar a linguagem da sua alma, e agir com base nessas soluções, então descobrirá que as horas passadas no estado de vigília se revelarão muito mais agradáveis e repletas de oportunidades e de contentamento, caso actue e reaja da forma indicada no padrão revelado pelo sonho. O sonho possui muitas funções, obviamente. Também serve de dispositivo de regulação que permite que o corpo físico continue a funcionar de forma normal. O sonho resulta da permissão por parte da entidade física para deixar o corpo e para penetrar nas dimensões ou nos domínios destinados a promover a comunicação, informação e a inspiração. O sonho também possui a função do prognóstico, por tudo quanto de importante ocorrer a uma entidade ser sonhado com antecedência. Por vezes - centenas de vezes - outras vezes com anos de antecedência. Mas para aqueles que prestarem atenção e auscultarem com a mente a linguagem da alma, o sonho contém todas as respostas. Se ao menos penetrarem no “Mais Sagrado” a que chamam o estado da meditação, saibam que todas as noites ao entrarem no estado onírico isso também representa um estado da meditação. A arte da meditação não tem mistério algum, excepto aqueles que se deixam confundir com a complexidade daquilo que é direito próprio da entidade, o sonho natural. O sonho dir-lhes-á todas as coisas que buscam na vida por essa altura. O sonho mostrar-lhe-á o caminho para a divindade. O sonho, seja qual for a preocupação indicará a forma como hão-de percorrer o caminho de retorno àquilo de que procederam – a divindade. Todas essas promessas são atendidas pelo sonho.
Pergunta: Que diferença existirá entre um sonho e uma visão?
Geralmente a altura do dia. Geralmente as visões têm lugar nas horas de expediente e os sonhos têm lugar quando o homem se encontra a dormir, durante as horas do sono natural. Mas seja como for, em essência, ambos são uma e a mesma coisa; ambos constituem um quadro traçado pela mente.
Pergunta: Qual será o melhor método de aprendizagem da linguagem das nossas visões e sonhos?
Antes de mais, o registo dos mesmos será o paço lógico a dar. Depois, quando começarem a registar os sonhos que têm, passarão a ver o desdobrar de todo um padrão. Tal padrão contém as chaves para a solução do problema que procuram. Agora, uma vez mais, com o que é que sonham? Pelo que é que se interessam? Aquilo por que se interessam é sempre revelado sob a forma de sonho. Mas entendam que isso sempre reserva os vossos interesses principais. Por em última análise o vosso propósito, assim como o vosso interesse principal assentar em conseguirem um maior realce no avanço da alma assim para mais próximo da divindade.
Por conseguinte, evidentemente que isso lida com aquilo que representa a sombra da alma, ou personalidade. Mas essa será a substância em que o sonho lhes será dado a cada um, e a melhor maneira de o aprenderem passa por entenderem que há aspectos que se desenvolvem por padrões, e que pouco importa que a educação que tenham seja em larga medida limitada, pouca importância terá o passado cultural que tenham, assim como pouco importa a cor da pele que tenham. Por existirem aspectos no estudo do vosso sonho que se revelarão mais ou menos universais para todos.
Claro que se estiverem profundamente apoquentados com a escassez de comida, então os vossos sonhos estender-lhes-ão promessas de comida. Se estiverem preocupados com a falta de dinheiro, os vossos sonhos apresentar-lhes-ão promessas de dinheiro. Se estiverem preocupados coma  falta de companheirismo, os sonhos estender-lhes-ão promessas de companheirismo. Seja qual for a preocupação ou aquilo com que usualmente optem por se preocupar será o que os sonhos iniciais da noite lhes indicarão em resposta. À medida que progredirem mais e mais pela noite adentro, e se aproximam da hora do despertar, essa será a altura do dia em que provavelmente terão um sonho de carácter espiritual, no centro dos quais estarão os sonhos que se prendam com a personalidade. Um sonho espiritual pode ser um daqueles que são designados por sonhos puramente psíquicos, quando se verifica uma comunicação entre todos os níveis. A entidade desperta com uma sensação de devaneio ou fantasia.
Se estiver relacionado com o segundo aspecto dos vossos sonhos, que se centra na personalidade, onde a universalidade será indicada um pouco por esses fragmentos. À medida que forem atravessando a vida, os vossos sonhos indicarão moldes de passagem pela vida, o que mais habitualmente diz respeito aos transportes. Tanto pode representar um carro puxado por um boi como poderá representar um camelo. Pode ser uma nave que voe pelo ar, mas tudo isso indicará um caminho ao longo da vida, uma estrada a seguir, seja uma trilha pedestre ou um comboio aerodinâmico. Isso indicará passagens a percorrer na vida, e o padrão revelará a forma como os estarão a vivenciar. Poderão sonhar que estão a avançar sob a terra como uma toupeira. E se assim for, poderão razoavelmente presumir que estejam cegos em relação a tudo quanto esteja acima de vós, mas este é apenas um pequeno exemplo. Mas esse conceito universal acha-se por entre todos os povos, independentemente do fundo cultural que tenham, da religião e da raça ou da cor a que pertençam.
Há muitos que pensam apenas na relação que tenha com a forma física, e ao facto de se encontrar enfermo ou de saúde, mas se existir enfermidade na forma física, precisam entender que os livros religiosos falam do Templo, e que muita gente pensa que isso refira uma Catedral ou uma Igreja ou uma Sinagoga. Mas esse não é o Tempo que é referido nesses livros mas o vosso corpo carnal, o habitáculo da vossa alma, a morada da vossa alma. Na maioria dos casos, se não estiverem excessivamente preocupados com a compra ou a venda de uma casa, evidentemente, e tiverem sonhos que representem habitações, isso frequentemente dirá respeito a um aspecto qualquer aspecto do corpo físico. Mas se estiverem preocupados com aspectos da falta de saúde nos vossos sonhos e isso corresponder à vossa preocupação principal, então certifiquem-se de inspecionar a casa cuidadosamente no vosso sonho, por aí residir a resposta para a eliminação da aflição e a perturbação que carregarem na forma física.
Além disso, no que toca aos aspectos da consciência, se tiverem consciência de que a mente é o arquitecto ou mestre ligado às forças criativas, muitas vezes, se se interessarem por desenvolver a mente, então essas habitações poderiam em larga medida dizer respeito a níveis da consciência, a níveis da percepção, a níveis do desenvolvimento, estão a entender?
Há muitos outros aspectos a considerar, mas quase sempre descobrirão que se virem um nómada que viva no meio do deserto, ou um pescador em meio a um mar tempestuoso, esses serão sonhos que se prendem com a água, e a água representa a vida, e o próprio espírito. Por o corpo carnal que existe literalmente neste globo, neste local situado nas dimensões de Deus, a certa altura ter evoluído a partir da água. O que não quer dizer que a alma tenha evoluído a partir da água, mas todas as formas de vida conforme a conhecem evoluíram da água. A água constitui a própria essência da vida, e o vosso sonho dirá respeito à vida ou ao espírito.
Muitos sonharão com áreas do mundo dos peixes, o que significará alimento espiritual, a menos que se encontrem com excesso de peso e necessitem de comer peixe para perderem peso. Usem um pouco de senso comum na interpretação disso, mas antes de mais, pelo que é que se interessam? Entendam que alguém que nunca tenha visto peixe não sonhará com peixe mas poderá sonhar com pão levedado ou não levedado, ou com bolo de farinha de aveia, por para eles isso representar o alimento espiritual. Por em muitos casos o alimento nos sonhos dizer respeito ao alimento da alma.
Uma vez mais, se tiverem sonhos com um glutão acham que isso diga respeito à alma, ou ao acto da gula? O mais provável é que seja a esta última. Mas há outros aspectos a considerar, quase universais por natureza. Que adornos apresentarão? De que modo trajam? Por haverem de descobrir que o modo como se vestem constitui geralmente a forma como desejam parecer aos outros. Vestem-se como um pavão, ou como um pedinte? Isso é como desejam parecer aos outros. Há muitos sonhos em que a entidade dá por si despida. Definição simples – medo da exposição.
Sonharão frequentemente com animais? Porque se o fizerem, a forma como um indivíduo encara esse animal constitui uma indicação de que isso representa um aspecto da vossa personalidade - a sombra da vossa alma. Sonharão com uma vaca contente em ruminar? Se isso acontecer, talvez o vosso problema se prenda com a indolência. Sonharão com o cão raivoso, pronto a morder quem passe? Então talvez tenham tendência para se irritarem e tenham rédea curta e tenham tendência para ser intolerantes e cáusticos e tendência a morder. Sonharão com o leão indolente?
Mas ao descobrirem essas coias, não interroguem ninguém quanto ao que tais animais os levem a sentir, mas questionem-se a si próprios: “Como é que isso me faz sentir?” Porque alguns podem encarar os animais como um ganho, enquanto outros os poderão encarar como covardes e efémeros. Isso é coisa pessoal. Mas há outros aspectos a considerar. E as pessoas com quem sonham nos vossos sonhos? Saibam que na maioria dos casos são extensões delas próprias, e a maneira como sentem ou o que pensam em relação a esses indivíduos na verdade constitui a maneira como vivem a vossa vida. O homem é excelente a enganar-se a si próprio e a levar-se a crer que seja mais do que acredita que é. Ou menos do que é!
Sonham com pequenas coisas; talvez sonhem com insectos. Em muitos casos os aspectos das aves, em especial daquelas de cor negra representam um prognóstico de uma possível retirada do físico ou morte, de outra pessoa - ou vossa. Sonharão com chuvas de sapos? Então estarão a sonhar com coisas impuras. Se quisessem que lhes fossem mostrados os vossos dons, e vivessem com base nos dons que lhes pertencem por lhes serem dados pelo divino, então eles ser-lhes-iam mostrados, geralmente sob a forma de aves. Isso poderá ocorrer com a representação de dois ovos sob uma folha, ou a imagem de animais prenhes, ou de uma fêmea prenhe, cuja gravidez indicaria a vossa própria.
Agora, os sonhos contêm aspectos do destino; alguns deles são literais e prognosticam aquilo que está para acontecer, mas outros são o que se poderá chamar um pequeno louvor a vós próprios, por terem liquidado, ou velhos aspectos terem fenecido em vós, e estar para se dar um novo nascimento.
Com os aspectos a considerar há aqueles sonhos que têm uma base puramente física por natureza, por o relógio biológico da carne de cada entidade estar a contar, e de vez em quando fazer soar o alarme. E quando isso ocorre a entidade procurará companhia geralmente por entre o sexo oposto para gratificação desse desejo, para uma partilha por meio da congregação física.
Depois, há aqueles aspectos que são um espelho do que "anda pela noite," por os pesadelos serem geralmente provocados, embora nem sempre, pelo acto da gula; por o corpo precisar esforçar-se bastante por digerir os alimentos que são ingeridos. Se as pessoas percebessem o quão se esforçam por comer, o que experimentam nos momentos de prazer com relação ao sabor, então a possibilidade seria a de não comerem tanto. Mas geralmente “o que anda pela noite” é simplesmente causado por uma entidade que tem um intestino demasiado flexível e que o enche até à caruta.
Pergunta: Terá um período adequado de sono, como o de algumas sete ou oito horas por noite, algum significado na capacidade que temos de recordar os nossos sonhos?
Compreendam, conforme dissemos antes, tudo se encontra num constante estado e sonho. Agora, se a entidade se vir privada de sono e de uma certa quantidade de repouso - e o sono é necessário a todos - então essa entidade começará a experimentar aquilo a que o homem chama alucinações, que é um outro termo para a visão, mas aqueles que se privam de entrar no estado do sono natural, experimentam muitas alucinações. Isso é igualmente verdade para quantos droguem fortemente o corpo, seja com álcool ou outras formas de drogas, porque uma vez presentes no organismo levam a que a visão se separe de si mesma, e a entidade fique num estado de sonho enquanto parece que se encontre num estado consciente, e quando entra no estado do sono natural, penetra nos níveis mais profundos do sono e não experimenta o sonho. Mas o sonho será experimentado de uma forma ou de outra, e se conhecerem alguém que se prive desse repouso natural - e saibam que todos precisam de repouso, porque até mesmo o mestre Jesus por vezes se sentia casado na carne e procurava o conforto de um tronco, ou a sombra do riacho, ou murmúrio do regato, a fim de repousar os ossos cansados. Depois precisam compreender que, se aquele que era mestre requeria esse repouso, então também precisam conceder a vós próprios esse mesmo privilégio. Porque, se o não fizerem, então serão encarados como esquisitos, estranhos, malucos ou mesmo insanos, porém, muitos por meio da indução de substâncias no corpo levam-se a eventualmente produzir um estado de constante demência.
Pergunta: Poderia fazer o favor de explicar as sensações experimentadas por certos indivíduos que em meditação ocasionalmente experimentam vibrações e ou uma luz que cega?
A luz é a luz. É comummente dito: "Vês a luz?" Entendam que o vosso corpo físico, em essência, se o olharem apropriadamente, é luz, mas entendam igualmente que, se examinarem uma rocha, ela é composta por luz. Entendam igualmente que essa luz será mais claramente vista quando o corpo espiritual se separa do físico. Bom; isso ocorre de forma bastante natural todas as noites, porque todos quantos entram no sono natural começa a sonhar, por isso ser a separação do corpo espiritual do físico, e o corpo espiritual cruzar muitas esferas mas sempre ir infalivelmente àqueles lugares, àqueles aspectos da mente, onde a solução dos seus problemas se acha alojada.
Bom; essa informação é recebida e depois a entidade regressa ao físico, o que em meditação é semelhante à aproximação do sono natural, embora não propriamente. Nesse estado, à medida que o corpo espiritual começa a abandonar o corpo físico, gera-se uma sensação de vibração em alguns, uma sensação de pulsar noutros, uma sensação de flutuação ou uma sensação de rotação, ou uma combinação dessas sensações, o que representa muito simplesmente a entidade a começar a entrar no estado do sonho. Que é que está a entrar? A consciência está a separar-se. A mente busca outros níveis, por isso na realidade ser o que sucede no estado de sonho.
Pergunta: Haverá alguns preparos físicos que sejam benéficos que possamos empreender para melhor alcançarmos a meditação, ou antes de nos retirarmos para dormir?
Antes de mais, saibam que há certos exercícios de natureza Oriental, como o ioga, que são muito benéficos para suavizar, flectir e alongar o corpo, e que capacitam o corpo a ser posto de lado mais facilmente e com um maior conforto a entrar num estado de relaxamento. Para alguns bastará apenas passar água pela testa antes de se retirarem. Para outros, será melhor que o corpo todo seja banhado em água. Mas isso depende da escolha pessoal. Para alguns, um pano molhado passado pela testa será suficiente. Limpar essa zona do corpo ajudará mais facilmente o sonho e a recordação do mesmo. Além disso, a entidade deverá simplesmente repetir a afirmação antes de entrar no estado natural do sono: "Esta noite recordarei os meus sonhos e ao acordar anotá-los-ei." Agora, uma vez mais, precisam entender que a mente da alma poderá ser considerada como que um gigante preguiçoso. Precisarão ter que lhe bater com um pau ou espicaçá-lo com o pé um certo tempo até que realmente desperte e saiba que aquilo que dizem é uma obrigação. Aí, descobrirão que a capacidade de recordarem os sonhos se tornará aguçada a cada vez que o fizerem, e ao entrarem e saírem do estado de crepúsculo, muitos serão capazes e se sujeitará a ser recordado por vós.
Pergunta: Se tivermos sido abruptamente acordados, haverá um método melhor que traga a recordação dos sonhos?
Se tiverem sido abruptamente despertados, o mais provável será que o corpo físico experimente uma ligeira dor de cabeça. Isso será causado pelo mal alinhamento entre os dois corpos. Então, o melhor método será simplesmente o de voltarem a deitar-se na horizontal e repousem a mão sobre o travesseiro e relaxem o corpo e deixem que a mente vagueie, e a vossa mente geralmente centrar-se-á naquilo que tiver sido tão abruptamente vazado da memória, estás a ver?
Pergunta: Porque será que parece que os receios materializem sonhos em vez de o fazerem no estado de vigília?
Por os medos serem suprimidos do estado consciente, e aquilo que for verdadeiro no estado natural vir à tona. Geralmente o homem é falso no estado de vigília, porém, não no estado do sono natural por os vossos sonhos serem manifestamente verídicos, estão a entender?
Pergunta: Porque será que certa gente nunca ou quase nunca recorda qualquer dos sonhos que tem?
Por optarem por o não fazer.
Pergunta: Haverá mais alguma coisa que possa adiantar com respeito ao tema dos sonhos e das visões que ache que seja de dar a conhecer?
Compreendam que há um sonho que poderá ser prosseguido e que a maior parte geralmente continua quer tenha ou não consciência da comunicação que se dá entre as dimensões. Sonhai os vossos sonhos e tenham as vossas visões por esse ser o meio mais seguro para o avanço da vossa alma. Os sonhos maus serão uma bênção para vós se ao menos o permitirem, estão a entender?

DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO

Ross Peterson é completamente sincero na disputa de que “Qualquer um pode aprender a fazer o que ele faz – caso se prepare para pagar o preço.” O preço não é composto por esforço mas dinheiro, diligência, busca de si, um tipo de morte e renascimento psicológico.
“Não acredito que uma pessoa possa ter a motivação necessária para cumprir com o programa de expansão da consciência a menos que tenha passado por um despertar espiritual. Precisamos instaurar uma aceitação de que tudo quanto vemos constitui um produto de Deus, e que nós fazemos parte disso e nos achamos interrelacionados. O que simplesmente se resume ao seguinte: Aquilo que fazemos ao próximo, fazemo-lo a nós próprios. Chegamos a aceitar isso a ponto de pelo menos obtermos um toque de empatia pelo semelhante, quer seja u nativo das regiões elevadas do Amazonas ou faça parte de um pequeno grupo étnico em Toronto, Nova Iorque ou em Los Angeles.
“Se aceitarmos os aspectos espirituais da vida, de dispormos de uma força, quer essa força seja Deus ou seja de Deus - o que me é indiferente e não mais faz diferença para mim - e que tal força opere através das nossas mentes e nos pode capacitar a fazer qualquer coisa que queiramos na vida. Assim que o começarmos a aceitar, então começaremos a compreender homens como Jesus. Mas eu creio que quem quer que se decida a trabalhar em harmonia com as leis de Deus pode vir a tornar-se num outro Jesus, ainda que tal leve muitas vidas para o conseguir.
"Eles chamavam-lhe Mestre, e esse não era um nome inadequado. Ele foi um Mestre. Um mestre da mente. Ele compreendia em pleno alei de Deus. Porém, eu acho que alguém que firmemente se decida a trabalhar em harmonia com a lei de Deus pode tornar-se num outro Jesus."
O apêndice não mencionado da declaração de Peterson é: Embora possa levar muitas vidas a fazê-lo, contudo, um começo, um começo bem significativo de se tornar num outro Jesus poderá ser feito pela parte de qualquer um, em qualquer parte, em qualquer altura. À medida que as pessoas avançam no seu desenvolvimento espiritual, diz Ross Peterson, estão destinados  a desenvolver o mesmo tipo de poderes psíquicos que ele desenvolveu.
"A melhor maneira de desenvolverem o vosso potencial espiritual e psíquico," disse ele, "é, idealmente, trabalhar com um mestre. E conforme no ioga, o melhor mestre será alguém que tenha trilhado o caminho que desejarem tomar. Temos o exemplo de Jesus, o maior mestre que alguma vez terão conhecido. Agora, ele não disse às pessoas para saírem à procura da sarça ardente e receber a iluminação divina. Ele disse: "Eu ensiná-los-ei; e fê-lo por meio de demonstrações.
“Bom, é isso que eu pretendo fazer. O objectivo que tenho na vida não é o de continuar a dar “leituras psíquicas” por jamais vir a conseguir a satisfazer numa vida a demanda que existe, mas ensinar outros a fazer aquilo que faço; a tornar-se nos seus próprios agentes psíquicos. Assim, deixarão de depender de mim ou de qualquer outra pessoa. Esse é o ideal.
Contudo, Ross Peterson estava perfeitamente ciente de que existem muitos buscadores sinceros em busca do crescimento espiritual e psíquico que, por qualquer razão ou conjunto de razões, não podem despender o tempo necessário com um mestre (ainda que hajam muitos qualificados por aí). Mas esses indivíduos não precisam desesperar.
“É possível que o façam sozinhos. Afinal de contas eu consegui-o, e agora outros poderão beneficiar da minha experiência. Vou estabelecer um programa detalhado de desenvolvimento psíquico tipo Faça-Você-Próprio que habilite qualquer um que o cumpra a alcançar o nível de funcionamento psíquico que eu atingi.
“O primeiro passo passa por conseguirem todo o conhecimento que possam respeitante à natureza psíquica do homem. As livrarias possuem uma gama interminável de livros sobre todo o tipo de temas relacionados com o campo psíquico. Obtenham tudo quanto conseguirem acerca do psíquico e em especial sobre a arte da meditação. Estudem isso e a seguir iniciem uma prática diária de meditação. Não se excedam. De facto não mais do que dez minutos duas vezes ao dia devem ser despendidos em meditação, nos estágios iniciais.
“Depois, preparem-se para perseverar, por mais ninguém poder meditar por vós. Não existe coisa alguma como meditação por procuração, do mesmo modo que não existe salvação por procuração. Vocês precisam fazê-lo. Dez minutos duas vezes ao dia praticados diligentemente, com sinceridade, todos os dias.
“O segundo meio de se tornarem psíquicos com segurança e sem correrem o risco de se tornarem psicóticos – que podem praticar juntamente com as vossas sessões de meditação – é a interpretação dos sonhos. Se disserem que não sonham, será uma lástima. Se isso for verdade, ou serão psicóticos ou estarão num estágio avançado da dependência ou do alcoolismo. O que a maioria das pessoas realmente quer dizer quando refere quando afirma que não sonha, é que não recorda os sonhos que tem. Pois bem, comecem a recordá-los. Eis como o devem fazer: Mantenham um diário de sonhos. Comecem por repetir uma afirmação todas as noites antes de se deitarem. Ao relaxarem mesmo antes de mergulharem no sono, afirmem simplesmente para vós próprios: “Esta noite vou recordar os sonhos, e assim que lembrar um deles acordarei por breves instantes para registar uma ou duas palavras, e então lembrar-me-ei do resto pela manhã.” Tenham um gravador junto a vós ou uma caneta e uma folha de papel.
“Ora bem, poderão passar três ou quatro dias, ou mesmo três ou quatro semanas até que realmente comecem a recordar os vossos sonhos todos. Mas uma vez mais, com perseverança e prática, eventualmente tornar-se-ão profícuos na recordação dos sonhos todos que tenham durante a noite. Quanto à forma de interpretarem os vossos sonhos, isso também sucede com conhecimento e prática. Existe muito material excelente acerca da interpretação dos sonhos ao dispor. Leiam de forma abundante para obterem compreensão do simbolismo dos sonhos.
“Consigam algo acerca do Freud, do Jung, algum material sobre o Edgar Cayce, alguns livros de profissionais como Calvin Hall e outros psicólogos contemporâneos. Deixem-se embeber por esse material. Se encherem a mente com retalhos de informação que captarem de um ou de outro sonho, a vossa mente inconsciente registá-los-á e mais tarde fornecer-lhes-á uma mensagem significado sempre que precisarem dela."
À medida que vocês registarem fielmente os vossos dramas nocturnos no vosso diário, descobrirão que lhes fornecerão pistas importantes para o vosso progresso psíquico e espiritual.
A título de exemplo, eis aqui um sonho bastante profundo que tive após ter começado a praticar abstinência do álcool e me interessar profundamente pela natureza de Deus e o significado da vida. Eu clamava desesperadamente por vida e por compreensão. Nesse sonho dei por mim no too de uma montanha cercado por um muro de tijolos. O topo do monte era muito pequeno e provavelmente não teria mais que cinquenta metros de largo. Era completamente liso e o muro teria uns noventa centímetros a um metro e vinte e rodeava por completo o topo da montanha. Dirigi-me para a esquerda e ao olhar por sobre o vale vi as ruínas fumegantes e em brasa de uma cidade, como acontece depois de um incêndio. Dirigi-me para a direita e ao fazê-lo reparei que sobre o horizonte se aproximava uma luz branca que cegava. Era abrangente e deslumbrante a ponto de eu não a conseguir encarar com receio de cegar. Então, caí de joelhos e abriguei-me por detrás do muro, mas senti a luz a inundar-me, quase como um satélite brilhante que orbitasse ao redor por sobre a cabeça. Contudo era tão brilhante na sua intensidade que eu sabia que não a podia encarar.
“Trabalhei esse sonho e a interpretação que obtive – e vocês também hão-de encontrar proficiência no decifrar dos vossos sonhos, que crescerá com o estudo e a prática – foi a seguinte: Aprendi que nos meus sonhos, tudo quanto veja do lado esquerdo constitui a minha expressão material da vida. Aquelas ruínas em combustão lenta representavam a vida que eu tinha acabado de deixar. Agora, o que vejo do lado direito nos meus sonhos diz respeito ao aspecto espiritual da minha vida. Além de representar um prognóstico do que estava por vir. A luz aproximava-se mas eu ainda sentia receio dela, por assim dizer. A luz para mim representa o conhecimento, energia, consciência de Deus. A luz aproximava-se e eu conseguia vê-la mas eu era de tal modo infantil espiritualmente que ainda me sentia assustado com ela.
“E o muro? Era o dispositivo de protecção que eu tinha colocado ao meu redor, para me proteger e à minha personalidade. O topo da montanha representava o grau das aspirações que nutria. Queria atingir nada menos que o próprio divino, ou chegar o mais que conseguisse do céu. Então, à medida que o meu crescimento espiritual e psíquico prosseguiu – e trata-se de um crescimento, lembrem-se, e não algo que aconteça da noite para o dia - eu tinha sonhos em que estava a pescar. Em breve fiquei a saber que a pesca e a água possuíam uma conotação espiritual, e que esses sonhos espelhavam o meu desenvolvimento.
“Quando pela primeira vez comecei a sonhar com água e com peixes, eu pescava em águas barrentas e capturava aquilo que podiam chamar de formas de peixe inferiores, como carpas e bagres. Num desses sonhos capturei uma baleia escura e enorme que tinha a boca cheia de dentes contorcidos, mas dentes que caiam. Mas tive este sonho pouco antes de reconhecer que o engano excessivo que cometia e mentira patológica que usava constituíam uma proibição que precisavam ser eliminados do meu carácter a todo o custo, independentemente de quem viesse a fazer sofrer. Que, antes de mais, seria eu.
“Fiquei a saber que nos meus sonhos, dentes a cair geralmente indicavam engano como um problema. Por vezes, evidentemente, tais sonhos podem avisar-nos de que estamos com problemas nos dentes ou que padecemos de uma condição como a da piorreia. Mas quando o sonho se reveste de um sentido espiritual – e isso é algo que precisamos desenvencilhar com a prática – a perda de dentes parece dizer respeito a engano enquanto problema a ser superado. Pelo menos, no simbolismo dos meus sonhos.
“O peixe para mim representa alimento espiritual. Uma baleia não constitui um peixe, o que me indicava que estava a comer alimento impróprio. Além disso era negro, o que sugeria que eu me voltava predominantemente para o lado obscuro das coisas e que ainda tinha muito a aprender.
“Mas então atravessei uma fase na minha vida em que era bastante agressivo. Não o permitia que ninguém me falasse fosse do que fosse. O peixe que pescava nos meus sonhos nesse período eram sempre lúcios ou salmões, que são predadores. O lúcio tem a boca cheia de dentes com que corta caminho por entre um cardume de peixinhos. Tais sonhos indicavam que eu não tinha controlo, e para moderar a agressividade que carregava. Mas a água em tais sonhos era mais clara do que nos sonhos anteriores, pelo que isso representava um sinal de esperança. Eu estava a fazer progressos.
“Ultimamente tenho pescado em águas límpidas, sem precisar de qualquer instrumento. A água encontra-se sempre em lagos de águas plácidas, e eu só estendo a mão e os peixes vêm a mim. Os peixes, nestes sonhos recentes são maravilhosos e assemelham-se a pescada, ou o que se poderá chamar de anchovas. São esbranquiçados e azulados, quase prata, e cintilam quando a luz do sol incide sobre eles. E a água é tão cristalina que eu consigo ver os peixes a vários níveis de profundidade.
“No sonho mais recente que tive dessa natureza, havia um grupo de pessoas por trás de mim, e os peixes nadavam de encontro a mim e eu dava a cada pessoa dessas um peixe.. Bom, creio que esse sonho exemplifica aquilo que eu gostaria de superar. Gostava de deixar de estender peixes às pessoas. E é o que eu estou a fazer quando faço uma “leitura psíquica” a alguém; estou a dar um peixe à pessoa. Mas aquilo que realmente gostaria de fazer é ensinar às pessoas como pescar por si mesmas.
“O que me trás de volta à questão de como desenvolver os vossos poderes psíquicos. Uma pergunta que alguém poderá ter neste momento é: Como poderei saber qual a área precisa da minha vida a que um sonho particular se refere? Como hei-de saber quando um sonho reflecte um problema físico – coisa que pode – ou um problema sexual, ou possui um significado espiritual? Uma pista passa por apurar o mais elevado interesse ou preocupação que sentem nessa altura particular? Se tiverem tido razão para se preocuparem com a saúde física, o sonho bem que poderá dizer respeito a isso. Se estiverem particularmente preocupados com dinheiro, o vosso sonho poderá lançar uma luz sobre isso. Se o crescimento espiritual for da máxima importância na vossa mente, o provável é que o vosso sonho seja relativo a ele.
“À medida que forem avançando desenvolverão uma intuição quanto à parte da vossa vida que pertença um determinado sonho. Podem sentir interesse por três ou quatro coisas ao mesmo tempo. Nesse caso, o provável é que os vossos sonhos reflictam esses interesses por ordem de prioridade. O primeiro sonho que têm durante a noite referir-se-á ao problema em que concentrarem maior interesse; o segundo, referirá o interesse seguinte por ordem de importância, e por aí fora.
“Agora, se registarem fielmente os sonhos que têm e ponderarem bem – podem pedir por auxílio para a compreensão de um sonho difícil no vosso período de meditação, que isso às vezes resulta – quer estejam a fazer progressos espirituais ou não tornar-se-á evidente por meio do simbolismo dos sonhos. Aquilo que emergirá no sonho após sonho será um padrão de analogias (semelhanças). No meu caso, trepar a uma colina significa alçar-me mais alto espiritualmente. Outros poderão sonhar que estejam a voar e gradualmente subir cada vez mais alto. Outros ainda poderão sonhar que sobem degraus e em sonhos sucessivos chegar sucessivamente mais perto do topo das escadas.
“Bom, agora voltemos à meditação. Se tiverem séria dificuldade em atingir o nível meditativo, há um atalho que recomendo. Deixem que antes diga que alguns têm um medo terrível da hipnose. Concordo que deverão ser extremamente cautelosos com respeito àquele que permitem que os hipnotize. Mas se houver alguém em quem tenham confiança, vão até essa pessoa e digam-lhe: Ajude-me a atingir um estado de hipnose.” Há apenas uma razão para quererem ser hipnotizados por alguém – para aprenderem auto-hipnose rapidamente. O caminho mais fácil pata alcançar um nível profundo de auto-hipnose passa por lhes alguém lhes induzir um profundo estado de hipnose e depois levarem esse alguém a passar o controlo para vós. Isso é conseguido muito simplesmente. O hipnotista diz meramente: “Sempre que quiser alcançar este nível de consciência por si só, fará três inspirações profundas e repetirá a palavra paz para si próprio três vezes. Ou assim... A questão está em que rapidamente conseguirão – em certos casos instantaneamente – colocar-se num profundo estado hipnótico ou num estado meditativo sempre que o queiram.
“A auto-hipnose nada mais é que um estado alterado de consciência. Mas com ele poderão conseguir duas coisas. Primeiro, se houver alguma coisa que queiram fazer – perder peso, melhorar a memória, superar sentimentos de inferioridade – podem programar-se para isso através da auto-hipnose. Em segundo lugar, se quiserem explorar os níveis profundos da consciência para obterem inspiração e conhecimento – deus sabe lá de onde – eu garanto-lhes que ele virá. Entrem num estado de auto-hipnose, clareiam a mente por completo, e poderão pedir e receber as respostas para os vossos problemas.
“Agora, não perderão necessariamente consciência total no estado de hipnose profunda. Eu perco, mas isso deve-se a que me coloque conforme o Cayce e ter pensado tratar-se da única forma de o conseguir. Mas não é o único modo. Podem encontrar-se num estado em que se encontrem a meio caminho entre a consciência e a inconsciência, e virem ao vosso encontro impressões. Podem expor essas impressões à medida que chegarem a vós. Elas simplesmente lhes acorrerão à mente. Bom; uma vantagem desse método está em não necessitarem de condutor; vocês podem fazer isso vós próprios. Atingir o transe – o estado de profunda inconsciência em que eu mergulho – não é coisa necessária à pessoa comum. Podem obter toda a inspiração e lampejos psíquicos de que necessitem num estado de semiconsciência, ou aquilo a que chamo de devaneio. Um devaneio é simplesmente um sonho acordado. E se praticarem a auto-hipnose por tempo suficiente, garanto-lhes que chegarão a atingir o devaneio. Mas, em que coisa consiste exactamente o devaneio?
“Bom, sentirão o vosso ser todo repleto de uma sensação de tal modo cálida de amor puro que, se alguém lhes cuspir na cara e lhes der um pontapé nas ancas, continuarão a sentir esse amor. Não odeiam ninguém nem coisa alguma. Deixem que o descreva do seguinte modo: se conseguirem que vão a percorrer uma rua enlameada pelo meio dessa rua e que vagueiam pela imundície enterrados nela até aos joelhos, estarão tão despidos quanto um gaio enquanto sopra um vento gelado e veem pessoas alinhadas dos lados a bater-lhes com pedras aguçadas, e ainda assim sentem-se bem, carinhosos, e despreocupados quanto ao que alguém lhes faça – então terão experimentado devaneio.
“Ainda se encontram conscientes; têm consciência do que os cerca. Mas aquilo que os rodeia terá retrocedido em termos de importância para vós. Envolve-os uma sensação de beatitude e de bem-estar. Além disso, as impressões psíquicas sucedem no estado de devaneio. Chegam-lhes impressões espirituais, e intuições acerca de vós e de outras pessoas. Que serei eu? Que deverei fazer da minha vida? Essas questões são respondidas nos devaneios. Poderão experimentar a vossa sensibilidade psíquica focando-vos em situações ou pessoas que envolvam fortes emoções. Eu penso que essa seja uma razão para as pessoas poderem tornar-se bastante precisas quanto a um diagnóstico psíquico da doença – por ficarem muito emocionados com respeito à vossa pedra nos rins, ou úlcera, ou palpitação cardíaca, ou cegueira parcial.
“Assim, captem algo que contenha um forte conteúdo emocional para testarem os vossos poderes psíquicos. Façam uma pergunta que tenha significado para vós. Por a percepção extra sensorial, conforme outros pesquisadores terão confirmado, parecer ser facilitada ou activada pela emoção forte. O sítio ideal para começar será tentarem sintonizar a vossa Tia Bessie, que adoram, e fazer um exame físico do seu estado de saúde. Poderão obter lampejos em diferentes direcções. Poderão ver o seu corpo com um X ou com um ponto enegrecido, o que quererá dizer que tenha um problema nessa área do corpo. Também poderão sentir uma dor no vosso peito, o que indica que ela padeça de problemas de peito. Poderão captar a palavra pâncreas, e pressentir que se passe algo de errado com ele. Impressões de natureza psíquica sucedem em diferentes formas.
“Agora, não desanimem, se de início alcançarem uma precisão de menos de a cem por cento. Eu afirmei no início que o desenvolvimento dos poderes psíquicos é somente isso – um desenvolvimento – e que leva tempo. Aprender a desenvolver a vossa capacidade psíquica na verdade não difere de aprender a ser contabilista, condutor de camião, um bom político, um médico especializado. Ninguém lhes pediria que ensinassem física se nunca tivessem aprendido física. Mas vocês podem frequentar uma escola e aprender física e tornar-se suficiente realizados para a ensinar. Contudo, mesmo assim, não conseguirão saber tudo quanto há a saber com respeito à física; não se tornarão infalíveis na matéria. O mesmo se aplica ao desenvolvimento dos poderes psíquicos. Eles tornar-se-ão gradualmente mais fiáveis, mais exactos, mas cem por cento de precisão é factor desconhecido. Até mesmo o Cayce teve os seus dias não. E certamente eu tenho-os igualmente. A razão assenta no facto de que nós somos humanos e as impressões psíquicas são filtradas pelas nossas mentes, que por vezes são influenciadas pelo humor do momento, o estresse em que tivermos estado, o nosso estado físico, aquilo que tivermos comido e vários outros factores.
"Bom; aqui está algo que acho nunca vir a ser realçado o suficiente: A menos que estejam na disposição de se desenvolverem espiritualmente e de eliminarem os defeitos na vossa personalidade à medida que desenvolvem os vossos poderes psíquicos, tornar-se-ão muito mais psicóticos do que psíquicos e sofrerão mais rupturas na vossa vida. Não terão maturidade para lidar com os vossos poderes psíquicos. Tornar-se-ão aquilo a que eu chamo de "floco." Tornar-se-ão num psíquico anormal, daqueles que há aos montes. Mas eles têm vidas terríveis. Outros poderão servir de ajuda, mas a eles próprios não conseguirão ajudar. Ver-se-ão apoquentados pelo alcoolismo, pelos problemas ligados às drogas, pela instabilidade emocional. A razão deve-se a que o seu desenvolvimento psíquico tenha deixado para trás o seu desenvolvimento espiritual. Poderão ser gigantes psíquicos mas pigmeus espirituais. Assemelhar-se-ia a desenvolver as vossas mãos para exclusão do resto do vosso corpo até ficarem com mãos grotescamente ampliadas. Quem quererá isso? A ideia passa por desenvolverem todo o vosso ser. Se negligenciarem o crescimento espiritual e moral irão deixar de estar em sintonia, irão estar fora de proporção. Assim, o processo do desenvolvimento psíquico não deve ser apressado. Desde o começo até começarem a obter resultados psíquicos consistentes, deverá levar provavelmente três anos e meio, em média. É por isso que precisam de perseverança e de paciência.
“Bom; terão períodos antes disso em que se encontram cem por cento em sintonia. Contudo serão intercalados com contratempos. Mas gradualmente esses contratempos reduzir-se-ão e os sucessos estabilizar-se-ão e tornar-se-ão consistentes.
“Agora, para o indivíduo relativamente indolente, ainda há esperança de aprender meditação se utilizarem dois períodos que são naturais para meditar; mesmo antes de caírem no sono pela noite e mesmo antes de acordarem pela manhã.
“Em alturas dessas, encontram-se no que é chamado estado hipnagógico e a mente encontra-se bastante receptiva a sugestões. Eu utilizo esses períodos com frequência para resolver problemas. Simplesmente deixo-me ficar na cama, quer antes de mergulhar no sono ou imediatamente após despertar, e coloco a mim próprio umas seis vezes a pergunta que me incomoda. Então, a solução para o problema parece surgir. Não importa se é problema de natureza física, financeira ou espiritual. A resposta sobrevem. Tentem fazê-lo.”
Ross Peterson também sugere que no estado meditativo ou hipnótico ou de devaneio, seja o que for que lhe chamem, o sujeito peça auxílio ou orientação aos seus “guias” ou “anjos.”
“Eu acredito definitivamente em anjos,” disse Peterson, “ e creio ter nove que me auxiliam em qualquer altura que eu peça. Se aquietar a minha mente e mentalmente formular o pedido de auxílio, tem lugar um género de comunicação que quase se parece com falar comigo próprio. Mas provêm respostas mais sensatas do que eu provavelmente poderia suscitar no estado consciente. Se eu seguir o conselho que recebo em tais alturas, invariavelmente resulta em benefício de alguém. Se deixar que o meu próprio ego se intrometa no caminho e disser: “Para o diabo com isto, não vou fazer isto,” meto-me em sarilhos. Geralmente sarilhos mais e mais profundos. É quase como proferir uma mentira, sabem; É quase como proferir uma mentira, sabem; precisamos proferir três mentiras adicionais para encobrir aquela. Assim, eu aprendi a seguir o conselho recebido, e por vezes sinto mesmo que o conselho representa uma orientação proveniente dos anjos que me assistem.
“Agora; se tentarem isso mentalmente, por vós próprios – mentalmente pedir aos guias ou anjos para os ajudarem, ou para que se dêem a conhecer a vós – mais cedo ou mais tarde obterão a manifestação que pedem. Poderão vê-los em meditação, ou sentir uma presença benévola, ou um grupo de presenças dessas, a rodeá-los. Aprendam a pedir auxílio aos vossos guias, por terem guias, e receberem auxílio.”
Ross Peterson disse que há uma vantagem com o estado do transe profundo, o estado de inconsciência que ele atinge nas leituras que faz, que o estado de devaneio (sonhar acordado) ou os estados de semi consciência.
“No estado de transe consegue-se obter um maior detalhe. Sem sombra de dúvida. Se realmente pretenderem sondar o corpo físico de um requerente e inspeccionar os seus órgãos, um a um, o estado de transe parece necessário. Se quiserem ir mais fundo do que as fantasias do devaneio, e penetrar fundo na vossa consciência, de forma a falarem automaticamente e sem qualquer esforço, e as palavras se verterem pela vossa boca, precisarão tomar medidas especiais.
“O ideal seria que encontrassem um professor, alguém que pratique isso, a fim de os “levar até ao fim,” ao transe. Mas dir-lhes-ei como é que eu penetro no estado profundo de transe, e se quiserem fazer o mesmo por conta própria, força.
“Contudo, não ficarão por conta própria. Precisam de alguém que os conduza, alguém com quem estejam em harmonia e que esteja disposto a ser muito paciente. Aquilo que esperam de um condutor é alguém que seja sinceramente empático com os outros; que seja amável, gentil, dado e, espera-se, que saiba perdoar. Alguém que não seja do tipo de criticar. Porque se tiverem alguém que fora de sintonia convosco, irá perturbar os resultados psíquicos.
“Também deviam trabalhar com o mesmo condutor em função dos melhores resultados. Se mudarem de condutor, será como tentar aprender física com uma série de diferentes professores, cada um a pegar onde o anterior tiver largado.
“Para que um transe psíquico resulte com um condutor é um trabalho de equipa. Leva tempo a edificar uma confiança mútua. Presumamos que tenham praticado meditação e atingido um estado razoavelmente profundo de auto-hipnose que tenha possibilitado a eclosão de flashes psíquicos consistentes. Como hão de ir mais fundo? Eis exactamente o que eu faço. Afrouxo toda a roupa apertada, tiro os sapatos, e em especial folgo o pescoço. Sempre tenho a tendência para esfregar os olhos e testa. Não sei se haverá alguma razão para tanto mas sinto-me confortável fazendo isso.
“A seguir faço um pouco de respiração profunda pelo nariz – três inspirações por uma narina e três inspirações pela outra, inalando por uma narina e exalando pela boca. A razão por que faço isso deve-se às orientações dadas por uma leitura. A seguir relaxo por completo o corpo, começando pelo topo da cabeça e terminando nos dedos dos pés. Atingi o ponto em que posso fazer isso num minuto ou menos. No começo levava mais tempo. Depois simplesmente aguardo a formação daquele padrão embrionário na minha visão interior.
“Agora, provavelmente não verão exactamente aquilo que eu vejo. Alguns, nesta fase, veem clarões de luz, semelhantes a uma multiplicidade de estrelas tremeluzentes. Outros veem linhas onduladas ao longo do seu campo de visão. Outros ainda veem cores, ou preto e branco. De qualquer modo, quando vejo a formação embrionária azulada – mas vocês verão o vosso símbolo individual, porventura uma estrela em ascensão – então sei que tudo posso seguir em frente. Digo a minha oração, “Meu Deus, por favor, auxilia-me a ajudar os outros.” Aquilo que vejo a seguir é os rostos dos meus anjos ou guias a aproximar-se de mim em semicírculo, a aumentar de estatura à medida que chegam mais perto. Vocês poderão, ou não, experimentar isto. Sinto-me inclinado a pensar que o venham a ver, ou algo comparável. Digo-o porque comigo foi espontâneo. Eu não tinha preconceitos nem alimentava expectativas que me levassem a tal tipo de coisa. Simplesmente ocorreu. E é provável que venha a ocorrer convosco, embora sem dúvida não da mesma forma.
“Quando vejo os meus guias e sinto emanar deles amor – uma sensação de enorme segurança – começo uma série de inspirações abdominais muito profundas, que conto para mim próprio de dez a um, por ordem decrescente. Agora, mesmo antes de começar a contar forço o diafragma a fim de inspirar profundamente. Esse é o sinal que dou à Irva, a minha condutora. A esta altura, Irva começa a contar a cada inspiração que faço Quando digo dez ela começa a recitar as palavras “Por favor, limpa a mente… e diz-nos quando estiver limpa. Geralmente não ouço tais palavras. Quando começo a contar as inspirações profundas, e digo, “dez,” essa sensação de afundamento tem início. Assemelha-se a um desmaio, ou ser posto a dormir sob acção de uma anestesia como o Sódio Pentotal.
“Conto “nove” e uma sensação de desmaio ganha força. Geralmente quando chego aos “sete” ou “seis” acontece… simplesmente mergulho num profundo estado de inconsciência. A seguir, embora não tenha consciência disso, respondo ao condutor dizendo: “A mente está limpa,” e a Irva então passa a dar-me instruções quanto ao local, ao momento, à pessoa ou ao que a minha mente deve abordar.
“Quando comecei, muitas vezes lembrava-me da contagem até ao fim. E por vezes eu entraria na inconsciência e conseguia qualquer coisa, outras vezes não. Não se sintam desencorajados se forem bem-sucedidos entrando na inconsciência um dia e durante as três tentativas seguintes não o conseguirem. Continuem, e eventualmente atingirá a consistência. Se existe algum estado mental que conduza a um mergulho na inconsciência precisaria chamar-lhe uma atitude de entrega total. Simplesmente confiamos em Deus, nos nossos guias espirituais e no nosso condutor, e deixamos tudo o mais… completamente.
“Aquilo que de que têm consciência a seguir é despertar do transe e não serão capazes de acreditar que efectivamente tenham estado inconscientes durante uma hora. Quando a seguir ouvidos a gravação do que tivermos dito, e a nossa própria voz, apesar de não ser a mesma, como um zumbido a tratar de coisas completamente além do nosso conhecimento – bom, essa é uma experiência verdadeiramente surpreendente.”
Ross Peterson reiterou aquilo que considera uma parte vital importante de embarque num programa de desenvolvimento psíquico.
“Desenvolvam a pessoa inteira. Para tanto, antes de mais, precisa haver um meio qualquer por que consigam alcançar compreensão de vós próprios. O Conhece-te a Ti Próprio é chave.
"Pessoalmente descobri que a análise gráfica é extremamente útil ao me permitir ver-me conforme realmente eu era. Outros descobriram uma fonte similar de auto conhecimento na astrologia ou num período de psicanálise junto de um bom analista. Mas eu realço que o autoconhecimento, e a coragem de eliminar os defeitos do carácter à medida que os chegarmos a perceber, é absolutamente básico em relação ao verdadeiro desenvolvimento psíquico."
Os passos que ele aqui delineou, concluiu Ross Peterson, fornecem uma enorme orientação para que, se forem diligentemente seguidos qualquer um possa esperar experimentar uma expansão de consciência, e um funcionamento psíquico.
"Lembrem-se," diz ele, "disseram-me que eu era a pessoa menos psíquica que alguma vez terão testado. E se eu o consegui, então qualquer um tem essa possibilidade. Em verdade, creio que ser psíquico é tão natural quanto respirar e aprender a arte é um direito de nascimento de todos.
Traduzido por Amadeu António